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domingo, 20 de maio de 2018

Desolação final e os tempos difíceis que aí vem

Hoje seria a derradeira oportunidade para levarmos algo de positivo desta época, mas os acontecimentos dos últimos dias tornaram esse aspecto irrelevante. A derrota de hoje é o corolário de um desabamento que começou há duas semanas em Alvalade, quando ainda tínhamos algumas aspirações a acabar positivamente a temporada. É um final de época parecido com o de José Peseiro em 2005. Se bem que aqui com consequências mais gravosas.
O balanço de 2017/2018 é necessariamente negativo. A época começou tremida, mas a certa altura pareceu que tínhamos um plantel capaz de bater-se até ao fim nas quatro frentes em que jogávamos, com boas exibições pelo meio. Um empate em Setúbal e uma derrota no Estoril deixaram-nos prematuramente fora da luta pelo campeonato. A conquista da taça da Liga foi um feito importante, até porque foi a primeira vez que ganhámos esse troféu, mas foi muito pouco. Perder o segundo lugar e a taça de Portugal da forma como se perdeu, é imperdoável para uma equipa que até meio da época tinha aspirações a ser campeã.
O modelo de Jorge Jesus esgotou-se completamente em Alvalade. Hoje voltou a cometer os mesmos equívocos dos últimos jogos, lançando em jogo um William completamente sem ritmo nem cabeça para competir nesta fase da época. Fábio Coentrão arrastou-se em campo praticamente desde o início da partida. A perder, não queimámos a última substituição para, sei lá, lançar mais uma torre para o chuveirinho final. Uma supertaça e uma taça da liga em três épocas é muito pouco para um treinador que chegou ao Sporting com os pergaminhos que JJ trazia. Cada vez mais é evidente que sem o "Estado Lampiânico", JJ é a versão "made in Amadora" de José Peseiro.
Para alguns jogadores também chegou ao fim o seu tempo. Seja porque foram empurrados para a porta da saída, seja porque eles mesmos se alhearam do clube, é tempo de dizermos adeus a jogadores como Rui Patrício ou William. Aqui só espero que ambas as entidades (jogadores, agentes e clube) mantenham a dignidade até ao fim e evitem a vergonha de arrastar pela rua um processo litigioso. E que os sportinguistas lhes prestem a homenagem que creio que lhes é merecida.
Bruno de Carvalho também terá de tirar as devidas ilações de tudo o que se passou nos últimos dias. A sua falha de liderança atingiu o cúmulo do ridículo de o clube não ter estado hoje representado oficialmente na tribuna. Pelo que disse ontem, parece que o presidente levará às últimas consequências a sua saída do Sporting, que passa por enfrentar os sócios em AG. É a continuação da guerra civil entre sportinguistas.
Adivinham-se tempos conturbados em Alvalade nas próximas semanas. Isto tudo quando se deveria começar a preparar uma época que deveria ser de reset, com uma nova equipa técnica e de renovação do plantel. Com um presidente a dirigir o clube a partir de uma trincheira, sem team manager, com um treinador que agora não saberemos se sai ou não, com jogadores que não saberemos se vão rescindir com o Sporting ou não, com a comunicação social diariamente a meter carvão... 
Só peço uma coisa a quem ficar. Que a próxima temporada seja preparada e iniciada com o mínimo de dignidade que esta instituição centenária, os seus sócios e simpatizantes merecem. E que não se esqueçam que em primeiro lugar estão sempre os interesses do Sporting Clube de Portugal.

domingo, 13 de maio de 2018

Um soco no estômago

Os números.
78 pontos, 63 golos marcados e 24 sofridos. 24 vitórias, 6 empates e 4 derrotas. Ficámos a 10 pontos do campeão, a três do segundo e com mais três do que o quarto classificado. Em golos marcados ficámos muito àquem das restantes três equipas que acabaram nos quatro primeiros lugares. 19 golos a menos do que o porto ou a 9 golos do braga. Fomos a terceira defesa menos batida do campeonato, com mais seis golos consentidos do que a melhor, do porto. 
Os números não enganam. Numa época em que sabíamos que tinha de ser quase perfeita para podermos alcançar o título de campeão, estivemos muito longe da perfeição que se impunha. As nossas quatro derrotas foram em braga, porto, Estoril e Marítimo. Se as duas primeiras até são aceitáveis, já as duas últimas não. Até poderíamos conseguir ser campeões com os 4 pontos em 12 que somámos nos confrontos com porto, benfica e braga. Mas perder sete pontos com os últimos cinco classificados é que não. 

O campeonato
Dizem que os extremos se tocam e esta época foi um ponto assim. Perdemos quase tantos pontos com os cinco primeiros classificados como com os cinco últimos. Acabámos o campeonato a jogar tão mal e com tantas dúvidas da nossa qualidade como quando o começámos. Pelo meio chegámos a liderar a prova e tivemos jogos onde mostrámos muito bom futebol. Mas após um empate desastroso em Setúbal, nunca mais nos conseguimos endireitar. Contra o Marítimo tínhamos a oportunidade derradeira de ainda podermos dizer que este campeonato, não tendo sido bom, tinha sido razoável. Fazer mais de oitenta pontos e conseguir o segundo posto seria sempre algo satisfatório. Depois da derrota da Madeira, não há retórica que nos valha. O campeonato correu-nos mal e numa época onde ambicionávamos o título de campeão, acabar em terceiro como acabámos é um soco no estômago.

O treinador
Jorge Jesus fez uma boa época de estreia, a segunda correu mal e esta seria a do tira-teimas. E tinha tudo para correr bem. O planeamento da pré-época foi exemplar, as contratações quase todas asseguradas a tempo de preparar calmamente a época. Tirando talvez o ataque, onde Doumbia não correspondeu às expectativas, todas as contratações foram autenticos reforços para a equipa principal. Jorge Jesus começou, como de costume, por dispensar os mais novos. Matheus Pereira e Francisco Geraldes tiveram guia de marcha e Iuri teria alguns meses mais tarde. Alan Ruiz foi aposta recorrente até se tornar insustentável justificar a sua utilização. Brian Ruiz, incompreensivelmente posto de lado, foi mais incompreensivelmente ainda repescado e transformado em pedra nuclear da equipa. Salvo alguns períodos na primeira volta, o nosso futebol foi sempre previsível, empastelado, pouco dinâmico e pouco audacioso.
Não há como não o dizer, mas de um treinador que ganha milhões esperava-se outro tipo de futebol. Empatámos 6 jogos mas podíamos ter empatado mais, se não tivéssemos tido a sorte de ganhar inúmeros jogos em cima da hora, em partidas onde a qualidade do nosso futebol praticado variava do sofrível ao desastroso. Tondela, Moreirense, Portimonense, Estoril (em Alvalade), Rio Ave, etc., demasiados jogos onde jogámos muitíssimo pouco e ganhamos com lances fortuitos. 
Jorge Jesus tem mais um ano de contrato e o meu feeling é que o cumpra atá ao fim. Não há nenhum clube que o queira agora (sem estar livre) e o Sporting, sem Champions, não se pode dar ao luxo de gastar dinheiro para o mandar embora. Mas já percebemos que com JJ a nossa equipa não passa disto. Em primeiro lugar, não aposta em jogadores novos em crescendo. Não tem paciência ou não os sabe trabalhar. Prefere que eles venham já feitos, de um qualquer campeonato sul-americano ou do Leste. Depois é o seu próprio futebol, onde passa por utilizar até à exaustão os seus jogadores fetiche, nem que para isso empenhe a qualidade de jogo. Com JJ conseguimos realmente exponenciar alguns jogadores, que conseguem reencarnar aquilo que o treinador lhes pede. São os tais que rendem milhões em vendas fabulosas. Mas pelo caminho ficam demasiados jogadores a quem não lhes foi dada uma oportunidade ou que estoiraram face à pressão e exaustão que lhes era exigida.
Uma nova época com Jorge Jesus a treinador será algo de penoso para os sportinguistas. Eu pessoalmente já não tenho paciência para tudo aquilo que descrevi, mais os jogos que perdemos por culpa do vento ou do calor. 

A equipa
Em termos individuais, terá sido o melhor plantel desde 2002. Mas seja porque o treinador não aproveitou tudo o que cada jogador lhe poderia oferecer, ou porque a cabeça dos jogadores fraquejou quando a pressão aumentou, a equipa acabou por não corresponder as expectativas criadas à sua volta. Já falei na gestão patética de Brian Ruiz. Falo de Wendel, um jogador caro que deveria reforçar uma das zonas onde os índices físicos eram mais críticos, mas que quase nunca foi aproveitado. O lançamento de William num derby após uma ausência prolongada. A birra em torno de Lumor. O desaparecimento de Bas Dost nos jogos grandes. A gestão de Rúben Ribeiro.
Entretanto, o episódio da "revolta do balneário", uma passagem marcante da nossa época, onde o plantel, com os capitães à cabeça, decidiram entrar em guerra com o presidente. Naquele jogo com o Paços de Ferreira vimos finalmente os nossos capitães a assumirem uma atitude guerreira, de raiva e revolta. Sem por em causa o mérito desportivo de Rui Patrício ou William Carvalho, creio que uma das nossas maiores falhas nestes últimos anos prende-se com a falta de perfil de líder dos nossos capitães de equipa. Falta-lhes mais carisma, raiva, empenho. Não o empenho profissional de aparecer, treinar e jogar, mas aquele empenho de sofrer pelo Sporting, ir ver jogos das modalidades ou usar as redes sociais para criticarem a arbitragem. Empenho em chegar ao balneário ao intervalo e mandar umas valentes caralhadas aos seus colegas. Falar grosso. Infelizmente faltam-nos capitães como Manuel Fernandes, Oceano ou Sá Pinto. E aqui, sinceramente, não sei se para a próxima época conseguiremos resolver este problema.

O presidente
Bruno de Carvalho começou a época em silêncio, fruto de um castigo federativo que o suspendeu. Enquanto esteve calado fez aquilo que lhe competia e bem. Dotou o plantel de bons jogadores e deu as melhores condições possíveis ao seu treinador. No entanto, quando abriu a boca deitou tudo a perder. Primeiro foram os estatutos, depois o post da auto-estrada, o post pós-Madrid e agora a entrevista ao Expresso. BdC continua a gerir o Sporting com o mesmo frenesim com que o fazia em 2013. O problema é que já não estamos em 2013. Felizmente, e por mérito seu, o Sporting estabilizou. Mas o clube continua a ser gerido como se estivéssemos numa trincheira. Onde estamos nós contra o mundo. Depois dos tempos negros de 2013 e 2014, os sportinguistas desejavam estabilidade. Deram-na no ano passado e repetiram-na em março deste ano. Mas começa a ser demais. O Sporting assemelha-se hoje a um manicómio, onde já não sabemos se quem fala está bom da cabeça, se está mau da cabeça ou se só está a fingir. Um clube onde quando tudo está bem, de um momento para o outro fica tudo de pernas para o ar e andamos a apanhar e colar os cacos que sobram. Cada vez há menos paciência para esta "Casa dos segredos" em que Bruno de Carvalho transformou o Sporting, ainda para mais quando esta gestão frenética põe em causa a coesão do clube, lançando uns contra os outros, obrigando os adeptos a escolher entre os jogadores e o presidente, esquecendo que o que verdadeiramente importa é o Sporting.

Os adeptos
Por último, aqueles que são os mais importantes: os adeptos. Sejam eles sócios, simpatizantes, daqueles que vão a todos os jogos fora de casa, que se sentam religiosamente em Alvalade, que aturam as troladas da lampionagem nas redes sociais. Os sportinguistas que continuam crentes a bater recordes de assistência em Alvalade e nos jogos fora. Impacientes por vezes, de assobio fácil. Bipolares, que à sexta-feira ganhamos tudo mas à segunda-feira já não valemos nada. Os sportinguistas que tanto se empenharam nestes últimos anos em prol do apoio à sua equipa. Nós, todos.
E somos os que verdadeiramente sofrem, quando empatamos em Setúbal no último minuto, perdemos no Estoril por causa do vento ou como hoje, em que na derradeira oportunidade de conseguirmos alguma coisa boa deste campeonato, assistimos incrédulos e estupefactos a um exercício de falta de empenho, compromisso e ganas de ganhar um jogo que deveria ser o jogo das nossas vidas. 
Entre exibições paupérrimas da nossa equipa seguidas de explicações patéticas do nosso treinador, posts ridículos do Facebook do presidente e de toda a sua família e resposta não menos ridícula da equipa de futebol, cuja cereja em cima do bolo foi aquele frango do Rui Patrício, todo este campeonato resume-se para mim e para todos os sportinguistas nisto: foi um soco no estômago. 

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Última jornada: Jorge Jesus contra os padres e as missas

No dia 22 de maio de 2005, a nossa equipa subia ao relvado para disputar o último jogo de um campeonato muito amargo. Uma semana antes estávamos a uma vitória de sermos campeões, num jogo onde até o empate não era mau de todo, pois continuávamos a depender só de nós para sermos campeões. Quis o destino que Luisão nos marcasse um golo aos 83 minutos, num lance muito duvidoso mas onde o nosso guarda-redes também pareceu mal batido. Terminado abruptamente o nosso sonho de sermos campeões, restava-nos o consolo de alcançar o segundo lugar da prova, onde concorríamos com o porto.
Nesse dia jogámos em Alvalade contra o Nacional da Madeira. Além de termos perdido o campeonato na semana anterior, também tínhamos perdido a final da Taça UEFA uns dias antes, naquele mesmo estádio. O estado anímico dos jogadores estaria no mínimo, mas ainda tínhamos aquele ponto de honra que era o segundo lugar e, consequentemente, o apuramento para a Liga dos Campeões. Mesmo com a nossa equipa em frangalhos, o Sistema decidiu jogar pelo seguro, pelo que garantiu que não atrapalhássemos as contas finais. Até porque o Nacional andava então pelo 12.º lugar, pelo que nada fazia prever um mau resultado do Sporting naquela tarde. Mas aconteceu. Aos 24 minutos já perdíamos por 0-3, com todos os golos dos visitantes a serem marcados em clara posição de fora-do-jogo, a que se juntaram duas grandes penalidades indiscutíveis a nosso favor que não foram assinaladas. O jogo acabaria em 2-4. Uma vitória teria-nos garantido o segundo lugar, pois o porto empatou o seu jogo.
Treze anos depois, o VAR impossibilitaria (teoricamente, pelo menos) que aquela arbitragem se repetisse no próximo dia 13 de Maio. Mas não estamos livres de sofrer um contratempo igual ao que sofremos contra o Nacional. Afinal, há uma equipa que pode ficar privada de umas boas dezenas de milhões de euros, caso consigamos vencer na Madeira. Não podemos esquecer a forma como este mesmo Marítimo facilitou quando visitou a Luz para o campeonato. 
Contra 11, 12, 15 ou 17, não deixamos contudo de sermos mais que favoritos a ganhar na Madeira. Não podemos ter receio de jogar contra a equipa que, por mais "aditivada" que esteja, está em sétimo lugar, com 44 pontos (menos 34 que nós), que marcou 34 golos e sofreu 48 ao longo da prova. O melhor Sporting, com inspiração normal, é suficiente para levar de vencida a partida. Mas lá está, como não podemos correr riscos como os que corremos, por exemplo, em Setúbal, impõe-se que o Sporting seja no domingo aquilo que não foi no passado sábado: uma equipa motivada na procura da vitória, mandona em campo, cerrada na defesa, habilidosa no meio-campo, inspirada na finalização. E se assim for, não haverá padre ou missa que nos desvie do objectivo final.
Chegados à última jornada, ainda não podemos analisar com precisão a época de Jorge Jesus à frente do Sporting, pelo menos no que ao campeonato dis respeito. Uma vitória na Madeira assegura o segundo lugar e 81 pontos, o que não se coaduna com a noção de "época má". Já uma derrota ou empate, que implique a perda do segundo posto, não terá outra consequência senão a admissão de que este campeonato foi negativo. O próprio Jorge Jesus, mais do que ninguém dentro do Sporting, sabe o quanto vale a vitória na Madeira. Vale a diferença entre uma época razoável ou (mais uma) para esquecer.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Desilusão de um sábado à noite

Desilusão.
Depois do empate do Braga no dia anterior, uma vitória no derby encerraria em definitivo a questão do segundo lugar, com a agravante de que chutaríamos para o dia seguinte a festa de consagração do porto. Mas tudo isto seria demasiado fácil e se há coisa a que nós, sportinguistas, não estamos habituados, é a coisas fáceis.
Jorge Jesus fez a sua parte e lançou no onze inicial William e Picinni, claramente sem ritmo para um jogo desta envergadura. Rafa fez o que quis pela direita e William, ainda por cima fora de posição, andava perdido no meio-campo. Gastámos milhões de euros para comprar médios, mas chegamos a um jogo desta importância e lançamos um jogador acabado de recuperar de uma longa lesão. Não compreendo estas "embicações" do nosso treinador, onde por mais extenso que seja o plantel, acabam sempre por ser os mesmos a ser chamados a resolver os jogos. 
Já o disse aqui, e mantenho-o, que o nosso plantel desta época seria o melhor desde 2002. Também o disse, e continuo convencido disso, que esta equipa do benfica não está 6 ou 7 pontos atrás de nós porque é protegida pelos agentes desportivos, sejam eles árbitros, clubes pequenos ou dirigentes federativos. Por isso não compreendo como é que contra uma equipa onde Samaris, Douglas ou Rafa foram titulares, tenhamos feito uma das piores primeiras partes que já fizémos esta época. E mesmo que tenhamos equilibrado as coisas na segunda, nunca fomos uma equipa dominadora e avassaladora. E tínhamos de o fazer, porque somos melhores e a vitória resolveria tudo para o nosso lado. 
Para me recordar do último derby ou clássico onde tenhamos sido claramente superiores ao adversário, tenho de recuar pelo menos duas épocas. Causa-me algum prurido esta nossa queda de qualidade nos jogos grandes. Mas não deixa de ser curioso que o jogo grande onde jogamos melhor esta época tenha sido o único que perdemos (para o campeonato). 

Xistra como ele próprio é
O nosso jogo foi tão fraco, tão mau, tão decepcionante, que sinceramente nem sinto conforto em ter de referir que, mesmo jogando mal, tiveram de nos negar duas grandes penalidades óbvias, além da possibilidade de jogarmos os últimos minutos em superioridade numérica. E falo-o apenas por despeito à absurda argumentação de Rui Vitória, que atribuiu ao árbitro a sua incompetência para vencer um jogo onde conseguiu ser superior.
Carlos Xistra, que em 2015/2016 salvou literalmente o benfica em Guimarães, voltou novamente a ser como sempre foi. Prejudicou-nos sempre que pôde. No final da primeira parte viu uma falta sobre Rafa num desarme limpo de William, de onde resultou uma série de jogadas perigosas para a nossa baliza. Na segunda parte mostrou o amarelo a Jardel quase por favor, tal foi o tempo de levou a puxar o cartão do bolso. Perdoou a expulsão a Bruno Fernandes, mas antes disso fez vista grossa a uma cotovelada de Rúben Dias sobre Gelson.

Falta de killer instinct
Já perdi a conta às inúmeras situações onde Bas Dost, em frente à baliza, prefere passar a bola ao lado e perde uma excelente ocasião para desatar um jogo a nosso favor. Gosto do nosso matador holandês, mas a sua dificuldade em se assumir neste tipo de jogos (lembro-me de um lance semelhante contra o Barcelona) só me leva a ter saudades de... Slimani. Não estará ele por aí disponível para vir fazer uma perninha a Alvalade???

Rúben Dias: um case study à portuguesa
No inicio da década de 90, quando o Sistema estava no seu auge, havia um jovem e promissor jogador a despontar nos relvados portugueses. O seu nome era Fernando Couto, o homem da cabeleira "à Serafim Saudade", um touro de força, que tinha tanto de talentoso como de rude trauliteiro. Fernando Couto passeava-se impune pelos campos, agredindo uma série de jogadores adversários sem a devida punição disciplinar, salvo num jogo na Luz onde enfiou uma cotovelada no Moser.
Tal como Fernando Couto, Rúben Dias é o exemplo da impunidade do clube que domina os bastidores do futebol português. Um jovem jogador de vinte anos, acabado de chegar a titular da equipa sénior do benfica, mas que revela a mesma falta de decoro de Fernando Couto para agredir grosseiramente colegas de profissão. O que se passou no derby com Gelson não foi uma situação isolada, como a entrada dura de Bruno Fernandes sobre Cervi. Foi sim o repetir de um comportamento que, face á impunidade que é demonstrada, já decorre de forma reiterada. É ridículo pensarmos que Rúben Semedo, sem metade da agressividade de Rúben Dias, foi mais reprimido disciplinarmente pelos árbitros.

Última jornada
A deslocação à casa do Marítimo insere-se naquelas deslocações tipicamente dificeis para nós. Sendo o derradeiro jogo do campeonato e significando a vitória a possibilidade de aceder à milionária Liga dos Campeões, só espero que façamos ali o grande jogo que devíamos ter feito no sábado. E que tenhamos muito cuidado para não nos acontecer o mesmo que em 2005, onde na última jornada, também contra uma equipa madeirense, fomos grosseiramente espoliados do segundo lugar.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Jorge Jesus: Problema ou solução?

Ainda é cedo para fazermos um balanço da temporada, pois ainda temos objectivos não negligenciáveis para alcançar, mas no que toca ao campeonato podemos já afirmar que foi um fiasco. Até podemos reduzir a actual margem de distância para o primeiro lugar ou acabar em segundo. Mas o que fica na nossa cabeça é que no início de Março estamos fora da discussão pelo título. E nada fazia prever isto quando terminámos a primeira volta lideres do campeonato. 
Esta será a terceira época de Jorge Jesus à frente do Sporting, pelo que será a terceira vez que falha o objectivo principal da equipa. A primeira época atingimos a notável marca de 86 pontos, que foram insuficientes para sermos campeões por diversos motivos, alguns dos quais estão a ser investigados pela PJ. A época seguinte prometia bastante, pois entretanto Portugal foi campeão da Europa com alguns dos nossos jogadores e havia uma clara vontade de vingar a injustiça da época anterior. As coisas não nos correram de feição, pois começámos a perder terreno logo no início do campeonato, além de termos falhado outras metas numa fase ainda precoce das provas. Por esta altura jogávamos apenas para o terceiro lugar, nada mais. Esta época, portanto, muito dificilmente seria igual ou pior do que a anterior. No entanto, nesta fase, o que a está a marcar é o afastamento prematuro da luta pelo título, num inicio de segunda volta tenebroso. Ainda é cedo para decidirmos se JJ é problema ou solução para o Sporting, mas basta uma volta pelas redes sociais para percebermos que é um assunto que já começou a ser discutido pelos sportinguistas.
Antes de mais, convém dizer que não acredito que JJ saia no final (ou até durante) da presente temporada. Nem acredito igualmente que BdC o despeça. JJ já no passado demonstrou que não é pessoa para abandonar o barco, até em situações mais difíceis que a actual. Já Bruno de Carvalho também não acredito que o despeça pois para o fazer terá de pagar uma indemnização choruda. O nosso presidente acaba por ficar refém da ambição de ter querido trazer o melhor treinador para o Sporting. Pessoalmente também prefiro que JJ fique e cumpra o seu contrato até ao fim. Primeiro, porque não acredito que o futebol da nossa equipa se deteriore até ao fim desta época. Segundo, porque tenho boas expectativas para a próxima temporada. Estarei a ser demasiado optimista? 
Quando Jorge Jesus chegou em 2015, pegou numa equipa que estava rotinada há já duas temporadas. Na temporada anterior, com Marco Silva, também ficámos prematuramente afastados da luta pelo título, mas conseguimos conquistar a taça de Portugal no fim. Perdemos Nani e Cedric, mas mantivemos João Mário, William, Adrien, Slimani. Com uma maior intensidade de jogo, atingimos a tal marca dos 86 pontos, que por pouco não chegou para sermos campeões.
Em 2016, apesar das expectativas altas, perdemos jogadores influentes como Slimani e João Mário. Bas Dost entrou bem na equipa mas outras outros jogadores não. Markovic, Elias, André, Castaignos ou Campbell, não acrescentaram valor suficiente ao plantel, o que aliado a uma má forma de Adrien e William no pós-Europeu, resultou numa época sem conquistas.
Para a presente temporada, o Sporting teve de refazer outra vez o plantel, repetindo a renovação que havia falhado no ano anterior. Aqui as coisas pareceram correr melhor, pois Piscinni, Coentrão, Mathieu, Bataglia e Bruno Fernandes revelaram-se melhores do que as contratações de 2016. Estamos melhor em todas as frentes em relação à época passada. E mesmo estando fora da discussão pelo título, na generalidade também estamos melhor face a 2015, onde nesta altura já só lutávamos pelo campeonato. A médio prazo, este plantel dá-me mais conforto, pois acredito que os erros desta temporada poderão ser sanados na próxima.
Atendendo ao que tem sido a política de entradas e saídas do Sporting, não acredito que no final desta época venham a sair muitos jogadores nucleares. Em ano de mundial, algumas dessas vendas estarão também dependentes da forma como a nossa selecção enfrentará a prova, bem como dos minutos que jogarão na selecção. Aqui, muito provavelmente os focos incidirão sobre Rui Patrício, William e Gélson, sendo o "Sir" o mais provável a ser vendido. Não acredito que Bruno Fernandes se mostrará ao mundo na Rússia, pois não é uma primeira opção para Fernando Santos. A saída provável de William poderá juntar-se a de Fábio Coentrão, que regressará a Madrid. 
Podemos assim esperar um Sporting 2018/19 onde Rui Patrício, Piscinni, Mathieu, Coates, Bataglia, Bruno Fernandes, Bas Dost e Rafael Leão continuem no plantel, a que se juntarão um defesa esquerdo (era tão bom renovar o empréstimo com Coentrão...) e um trinco para colmatar a saída de William (Misic será suficiente?). Teremos entretanto Wendel já "europeizado", o regresso de Geraldes e Matheus Pereira. Tudo jogadores que nessa altura já conhecerão bem a "ideia de jogo" de JJ. Mas que conhecerão outra coisa tão ou mais fundamental do que a tal "ideia de jogo": saberão que é tão importante entrar com tudo nos jogos contra Estoril, Tondela, Setúbal, etc., como nos jogos grandes.
Como se viu na passada sexta-feira, o problema do Sporting não é de falta de qualidade do seu plantel. Fizemos um bom jogo no terreno de um rival, sem dois dos nossos melhores jogadores. Mas sem esses mesmos dois jogadores, fizemos um jogo miserável no Estoril. Estou profundamente convicto de que o actual problema do Sporting é sobretudo um problema de motivação. Tirando o jogo de Setúbal, onde jogámos o suficiente para golear, entrámos em campo com Tondela, Moreirense ou Estoril, sem a motivação necessária para esmagarmos adversários que dão tudo em campo contra nós. Na próxima temporada, Mathieu, Piscinni, Bruno Fernandes, Bataglia, etc., já saberão o que terão de fazer quando jogarem contra esse tipo de adversários. 
Jorge Jesus também saberá tão bem como nós qual é a realidade do futebol português. Ele também ouviu falar das malas e de certeza que sente a diferença do que é treinar o Sporting e fazer o mesmo com o benfica. Não acredito por isso que ele não encontre diariamente motivação melhor para ser campeão. É um facto que nesta época, em determinados jogos, ele não conseguiu transmitir essa motivação à equipa. Se não o fez por incapacidade sua ou por incapacidade dos jogadores em interiorizarem o que é o futebol português, desconheço. Mas estou disposto a dar-lhe o benefício da dúvida, até porque é a última oportunidade para o fazer. 

sábado, 3 de março de 2018

Day After

Já não tenho grande paciência para vitórias morais, pois os últimos anos levaram-me a esperar muito mais dos nossos jogos. Mesmo estes jogos grandes encaro-os como perfeitamente acessíveis e já não com aquele pânico que sentia há 5 ou 6 anos atrás.
Apesar de tudo, face às condicionantes de uma equipa privada de dois dos seus melhores jogadores, acabámos por fazer o jogo possível, o que nesta altura significa um jogo competente, vertical, sempre em procura de outro resultado que não aquele com que acabou. Numa semana em que todo o país esperava que fossemos trucidados no Dragão, "sportinguistas" incluídos, acabámos por deixar uma imagem bem diferente da que era anunciada. Mas na prática, salvo alguma moral que a equipa pode retirar deste jogo para embates futuros, o resultado é o mesmo que ficaria se fossemos cilindrados: o adeus à possibilidade de sermos campeões esta época. 
Esperava que no inicio de Março estivéssemos mais por dentro da luta pelo título, à semelhança do que aconteceu em 2015/16, até porque este plantel dava-me garantias para tal. Daí que hoje sinta uma tremenda azia, ao pensar que somaremos mais um ano ao jejum de campeonatos que se arrasta desde 2002. Azia essa que fica mais agravada quando vejo que boa parte do campeonato (sete pontos) foi perdido contra equipas que hoje ocupam os três últimos lugares da tabela. Equipas que deveriam ter sido goleadas por nós sem precisarmos de oferecer malas. Ao fim de mais de duas épocas de JJ à frente do Sporting, vejo que continuamos a falhar onde é proibido. Só para termos uma ideia, ontem jogámos sem os mesmos jogadores que não jogaram no Estoril: Gelson e Bas Dost. Comparemos a exibição num e noutro jogo. É aqui que continuamos a perder os campeonatos.
Mas ao contrário do ano passado, onde por esta altura já só andávamos a cumprir calendário, ainda temos muito para fazer até ao fim da presente época. Temos um segundo lugar para alcançar, uma taça de Portugal para conquistar e uma Liga Europa para fazer uns brilharetes. A luta pelo segundo lugar não se adivinha fácil, pois parece óbvio que benfica (até como certamente o porto) só poderá perder pontos nos clássicos. Isso obrigar-nos-ia a um resto de segunda volta igualmente exemplar, só com vitórias. Os jogos que faltam incluem deslocações complicadas como a Chaves, Braga, Belém ou Portimão. Já para a taça de Portugal temos a vantagem de jogar a 2.ª mão da meia-final no nosso estádio, para revertermos o resultado do Dragão com o apoio do nosso público. Na Liga Europa, se cumprirmos a obrigação de eliminar o Pilzen, abrem-se as portas do sonho. E como JJ disse em tempos, a partir dos quartos-de-final vale a pena investir na competição, pois os clubes apurados são já de um patamar competitivo superior, pelo que as vitórias significarão mais prestígio para quem as alcança.
É certo que a derrota do clássico aguça esta nossa crise de títulos de campeão. É também certo que, confirmando-se este afastamento prematuro da luta pelo título, esta época ficará àquem das expectativas. Mas ainda podemos transformá-la em algo de positivo ou de "menos má". Jorge Jesus tem agora a palavra, mostrando se é capaz de motivar o balneário para o que falta da época, falhado que parece estar o principal objectivo.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Sporting: Tropeçar nos nossos equívocos no território armadilhado do futebol português

Ando de mau humor e com a crença em baixa.
Esta época tinha tudo para correr bem. Somos treinados pelo melhor treinador actualmente em Portugal e temos um plantel equilibrado e recheado de talentos como não tínhamos desde 2002. Começamos a época algo receosos, mas se as primeiras exibições foram um pouco àquem das expectativas, já os resultados vieram a confirmar o que se esperava. Conseguimos a qualificação para a Liga dos Campeões e no campeonato somámos uma série de jogos só com vitórias.
Hoje, nos últimos dias de Fevereiro, ainda não temos nada perdido. Vencemos a taça da carica, mantemos a esperança no apuramento para a final da Taça de Portugal, na Liga Europa temos fundadas expectativas em chegar aos quartos de final. No campeonato, que é a prova que mais nos interessa, ainda podemos sonhar com a conquista do caneco. E quando numa competição já só nos agarramos ao "sonho", então é porque algo não correu assim tão bem.
Na próxima sexta-feira jogaremos já aquele jogo que, se perdermos, não haverá sonho algum que nos valha. Irrita-me chegar ao inicio de Março e já estarmos a fazer os "jogos decisivos", onde uma perda mínima de pontos nos atira para fora da luta pelo título. Um presidente em guerra aberta contra tudo o que é lobbie anti-Sporting, o melhor treinador que poderíamos alcançar, um plantel qualitativamente melhor em relação aos últimos anos, um investimento forte no mercado de Inverno, mas no final chegamos a Março e já andamos a lutar pela sobrevivência. E porque é que chegámos a este ponto, assim tão cedo? Por duas coisas.
Em primeiro lugar, o terreno armadilhado que é o futebol português. Não há aqui novidade nenhuma, desde que me lembro, o nosso futebol tem tanta disputa dentro de campo como fora das quatro linhas. Sabíamos que esta época iria ser particulamente agitada, pois o Sistema quer a todo o custo derrubar o Estado Lampiânico. O benfica pentacampeão, juntando-se a um porto falido e na maior seca de campeonatos desde os anos 70, era a pior coisa que o Sistema poderia enfrentar. E por isso lançaram logo de inicio uma ofensiva em larga escala para derrubar o EL. Começou com a divulgação dos e-mails, passou para a pressão sobre os árbitros e o VAR. Em sentido oposto, o Estado Lampiânico respondia onde é mais forte, pela comunicação social que domina, tentando minimizar e descredibilizar as denúncias portistas. No centro do furação está a arbitragem, que tal como um barco à deriva num mar tempestuoso, vai balouçando de um lado para o outro, conforme sopra o vento mais forte. Os últimos jogos dos nossos rivais tem sido verdadeiros recitais de impunidade, escandalosos favorecimentos dos homens do apito, sem falar de algumas convenientes exibições das equipas contra quem jogam. No inicio da época cheguei a ter a esperança de que o VAR viesse por fim à pouca vergonha que é a arbitragem nacional, mas hoje sei que me enganei. Continuam os favorecimentos, as impunidades e as protecções aos do costume. 
Em segundo lugar, e não menos importante, os nossos próprios equívocos. Continuamos a perder pontos impensáveis contra equipas que estão nos últimos lugares. Com os sete pontos perdidos até agora contra Estoril, Vit. de Setúbal e Moreirense, estávamos hoje sossegados e isolados na frente. Não vale a pena gritarmos que temos de jogar a 120% para sermos campeões em Portugal, quando não ganhamos jogos que ganharíamos a jogar a 80 ou 90%. Noutro dia vi JJ, na mesma frase, dizer que vê mais além porque é muito bom, mas falhou por não ter tirado Bas Dost mais cedo. E, pergunto eu, para que preciso de um treinador muito bom, que vê mais longe do que os outros, mas depois teima em cometer os mesmos erros de sempre? Para que é que fomos gastar 6 milhões em Wendel para ficar na bancada e depois não temos dinheiro para ir buscar um Raphinha a Guimarães para ser titular? Porque não temos espaço no nosso plantel para Francisco Geraldes mas continuamos a insistir em Brian Ruiz? Porque é que andamos a rebentar fisicamente com Gelson e Bruno Fernandes, mas depois mandámos Iuri Medeiros embora e não apostamos em Misic ou Wendel? 
Os nossos dois rivais estão a travar uma luta titânica pelo domínio do nosso futebol. Na década passada começamos a perder força precisamente quando benfica e porto começaram essa luta. A queda do Sporting foi um dano colateral à tendência de bipolarização do futebol português. Hoje o Sporting não é outra vez um dano colateral graças à tenacidade de Bruno de Carvalho, que teima em remar contra a maré. Mas não tenhamos ilusões, pois o nosso espaço é cada vez mais reduzido, assim como reduzido é o tempo que temos para recuperar esse nosso espaço. 
Estamos numa altura em que mais do que visionários, precisamos de espíritos pragmáticos dentro do Sporting. 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

E tudo a ventania levou

Com dois jogos por semana, uma equipa fatigada e com duas peças importantíssimas lesionadas, era expectável que mais jogo, menos jogo, acabássemos por perder pontos. O cinismo "à lá Juventus" que Jorge Jesus se gabou de existir, colidiu de frente contra um Estoril bem organizado e que soube utilizar as suas melhores armas contra nós: lances de bola parada e contra-ataques venenosos. Já contra o porto havia sido o mesmo e na altura todos consideraram ter sido dos piores jogos dos andrades no campeonato. Espanta-me como este Estoril anda por baixo a lutar com Moreirenses e Tondelas pela manutenção. 
Apesar do bom momento do adversário, nada fazia antever que a nossa equipa caísse na Amoreira com aquele estrondo. Até porque não tendo sido um bom jogo da nossa parte, também não foi mau. Criámos oportunidades suficientes para virarmos o resultado, algumas delas pateticamente desperdiçadas. O adiamento do nosso primeiro golo acabou por nos fazer perder o discernimento: aos 70 minutos já abusávamos das jogadas individuais e dos pontapés para a frente. Em contra partida o Estoril aproveitava o adiantamento das nossas linhas defensivas e ia lançando contra-ataques venonosos, só parados por Rui Patrício. Os anedóticos 5 minutos de desconto foram a cereja em cima de um bolo azedo.
Ao contrário do empate em Setúbal, que considerei uma tremenda desgraça, a derrota de ontem deixou-me mais conformado. Como disse, achava inevitável que perderiamos pontos até irmos ao dragão para o campeonato. O meu conformismo assenta numa evidência que é facilmente constatada: o porto passa por uma fase igual à nossa, com a equipa a acusar fadiga e com jogadores importantes lesionados ou em baixo de forma. O benfica, apesar do calendário mais folgado, também está longe de evidenciar um futebol de sonho. A goleada no último jogo é enganadora, pois não reflete as grandes dificuldades que os encarnados sentiram, em especial na segunda parte. Ao contrário do que previam alguns especialistas no final da primeira volta, muito dificilmente alguém chegará este ano aos 80 pontos. E cheira-me que este ano o campeão não vai ser aquele que mais pontos vai conseguir amealhar mas sim o que menos pontos irá perder contra equipas pequenas. E quem não perder os clássicos estará também mais perto de ser campeão. Espero que me tenha feito entender.
Quanto ao nosso desempenho nesta fase do campeonato, não posso deixar de sentir uma leve desilusão. É certo que tivemos de esperar até Fevereiro para sofrermos a primeira derrota interna. Mas nesta fase da época esperava mais. A janela de inverno do mercado não se tem mostrado tão positiva como foi a de verão. Rúben Ribeiro tarda em impor-se no meio campo e Montero está completamente fora de forma. Wendel, de quem se falam maravilhas, não joga. Misic e Lumor são incógnitas. E é triste olharmos para a nossa equipa e vermos que apesar do (mais outro) investimento feito no mercado de inverno, não existem opções válidas para Gelson ou Bas Dost. E continuemos a ter de nos socorrer de jogadores que já deviam ter mudado de ares, como Brian Ruiz e até mesmo Bruno César. Esta é a outra face da moeda JJ, que ano após ano fatalmente se repete: se falha o plano A, não temos plano B. Até há uns dias atrás valia-nos o facto do plano A ser excelente e ir durando para as nossas necessidades. Veremos como será daqui para a frente.
Por fim a "crise directiva". Deixarei o tema da AG interrompida para outro post, mas não posso deixar de assinalar aqui a minha revolta com tudo o que se passou no meu clube desde sábado. Numa altura em que tínhamos o presidente do benfica arguído num processo muito sujo para o seu clube, enquanto no porto começavam a surgir os primeiros sinais de desentendimento entre o treinador e a direcção, eis que o meu clube faz o melhor sabe fazer e desata a dar tiros nos pés. Agora, de repente, os jornaleiros tem dois temas fresquinhos para explorarem sofregamente, enquanto "esquecem" as crises de benfica e porto. O que poderia ser melhor para a nossa CS que uma "crise" directiva do Sporting, acumulada com uma "crise" de resultados e exibições da equipa principal? Conseguirá a "união de aço" dos adeptos ultrapassar mais um episódio de autofagia do nosso clube?
Uma nota final de optimismo. Apesar de tudo acredito que ainda consigamos voltar ao lugar cimeiro da classificação. Acredito que com o regresso de Gelson e Bas Dost conseguiremos voltar às exibições positivas da primeira volta. Vai ser dificil, mas acredito!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Cinismo contra o Sistema e o Estado Lampiânico

Desde que me lembro, os nossos campeonatos costumam ter uma ou outra jornada onde o trio de candidatos perdem todos pontos. E como eu tenho respeitinho pela estatística, temi que esta jornada fosse "a tal". 
Inicialmente vi a coisa mais complicada. O benfica tinha uma deslocação que seria difícil, não fosse o longo historial de "pernas abertas" com que o Belenenses defronta os lampiões. Surpreendentemente, os pasteis deram luta e puseram a nu as fragilidades dos carnidenses. Além de privados de um dos seus melhores jogadores, Krovinovic, tiveram de jogar contra uma equipa que lhes deu luta. E o problema deste benfica é que nem todas as equipas são como o Braga. Não sei o que levou o Belenenses a mudar de postura, se teve que ver com Silas ou com orientações da SAD. Mas que assim a competição fica mais verdadeira, não há a mínima dúvida. E não fosse a arbitragem "apaixonada", nem um ponto levariam.
No dia seguinte, chegou a vez do porto. Ultimamente, vendo os jogos do porto, fico com a sensação de que estão a perder aquela performance que os destacou no incio do campeonato, que basicamente passava por explorar a força e rapidez de Aboubakar e Marega, com a técnica de Brahimi. Com a dupla atacante a acusar falta de pulmão (principalmente Marega) e Brahimi algo apagado, lá se vai o rolo compressor dos andrades. À falta de técnica para chegar à área, usa-se a força. Contra o Moreirense usaram e abusaram do pontapé para a frente, especialmente quando tentaram pressionar nos últimos minutos da partida. De repente lembrei-me dos pressings finais do Sporting aqui há uns anos, que geralmente não passavam também de pontapés para a frente sem nexo algum. A dificuldade em jogar bem e ganhar aos últimos classificados (com o Estoril foi, está a ser, igual) parece sintoma de que ali pelo dragão já não se consegue dar mais do que aquilo.
Chegados a quarta-feira, aparecemos nós. Terceiro jogo em oito dias, contra uma equipa e um treinador que tradicionalmente nos colocam muitas dificuldades. Esperava um Sporting em gestão de esforço e a jogar com o relógio, quiçá aproveitando um "chouriço" ou uma bola parada. Jorge Jesus disse que jogamos à italiana, com a Juventus como modelo. É certo que não demos as veleidades ao Vitória que o benfica deu ao Belenenses. Também é certo que não perdemos o discernimento e passámos o jogo a tentar jogar de bola no pé, em vez do "pontapé para a frente" do porto. Mas andarmos 70 minutos a cansar o adversário para jogarmos nos últimos 20, parece muito arriscado. Especialmente se, como foi contra o Setúbal, o adversário nos marcar um golo. Mas pelas palavras de JJ, os nossos próximos jogos serão muito assim, trocas de bola para cansar o adversário, pouca vertigem atacante e, se não tivermos ainda marcado, cair em cima do adversário nos últimos 20, 30 minutos.
Veremos se o cinismo de JJ chegará para ganhar ao aflito Estoril, tendo em mente que não poderemos repetir a dose de displicência de Setúbal. Os nossos adversários terão provas de esforço teoricamente superiores à nossa. O benfica jogará contra a sua besta negra da época, o Rio Ave. Os vila-condenses são uma equipa organizada e que joga bom futebol, pelo que se adivinham muitas dificuldades para a lampionagem. Se jogarem como jogaram em Belém, a vitória pode-lhes fugir. Quanto ao porto, receberá o Braga, pelo que muito deste jogo passará pela atitude dos bracarenses em campo. Se não jogarem de perna aberta, impedindo Brahimi de ter bola e tapando os buracos para a sua área, podem aspirar a sair com pontos do Dragão. Mas pelo sim, pelo não, o Sistema já começou a pressionar a arbitragem. Primeiro com desenhos patéticos tentando transformar um fora-do-jogo óbvio em algo que vem do planeta Saturno. Depois fazendo aquilo que melhor sabem fazer: ameaçar nos bastidores, primeiro com "reuniões" e depois com "visitas pedagógicas". Enquanto isso Felipe continua a distribuir "perfume" por esses relvados fora e continua-se sem falar dos penaltis que ficaram por marcar contra os portistas. E estejam todos atentos, pois sabendo-se como a nossa arbitragem é susceptível a pressões dos andrades ou lampiões, pressinto que estejam "roubos de igreja" para chegar. 

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Ver o Campeonato por um canudo

Se ontem aos 70 minutos me dissessem o que iria acontecer nos 25 seguintes, não iria acreditar. Mas depois lembrava-me que isto é o Sporting e provavelmente aceitaria a profecia como certa. E foi.
Depois de onde jogo terrível em Vila do Conde, onde deveremos ter gasto o plafond de "sorte" para os próximos 10 anos, não estava nada à espera de empatar o jogo com o Braga. Ainda por cima um empate a lembrar um outro ocorrido há cerca de um ano, também em casa, frente ao Tondela, com a derrota a ser evitada mesmo ao cair do pano.
O jogo até prometia outra coisa diferente, tal foi a facilidade como na segunda parte nos íamos aproximando a área bracarense. A primeira parte, menos inspirada, foi rasgadinha, tendo as melhores oportunidades sido nossas. Após um jogo europeu, ainda por cima com algumas baixas importantes, não estava à espera de uma grande exibição do Sporting, mas estávamos a jogar o suficiente para merecermos o golo, que acabou por aparecer aos 66 minutos. O Braga, até então na segunda parte, tinha-se limitado a defender e a dar cacetada, salvo um único lance onde até acabou por marcar um golo mal anulado. A equipa bracarense vinha de um jogo europeu disputado três dias antes, pelo que não acreditava que ainda viesse a ter força para conseguir empurrar-nos nos minutos finais da partida... como acabou por empurrar.
Eu sei que uma partida de futebol tem 90 minutos, logo não estaria a ser justo se disser que o Braga mereceu ganhar pelo que fez nos últimos 20/25 minutos. Mas uma equipa, como a nossa, que entrega o jogo ao adversário como entregámos nessa fase crucial da partida, também não o merece ganhar. E diga-se, sem qualquer complexo, que não perdemos também por fruto de decisões erradas da arbitragem que nos beneficiaram, pois além do golo mal anulado, o penalti a nosso favor é precedido de falta clara de Doumbia. 
Mas aqueles últimos vinte e tal minutos é que foram o diabo. Muitos dirão que é fatal como o destino, não fosse isto o Sporting, quebrarmos no final dos jogos e transformarmos jogos controlados em derrotas quase certas. Pensava que este ano seria diferente, face à injecção de qualidade e experiência que o plantel levou. Voltámos a ver esse filme nos dois jogos contra a Juventus, e íamos vendo-o de novo na Grécia e em casa contra o Estoril. Mas que raio, Juventus é a Juventus e a competição é a Liga dos Campeões. Na Grécia e contra o Estoril íamos soçobrando à beira do fim, mas aguentámos e no final conta é o resultado. Ontem, diante um equipa que, repito, jogara numa competição europeia 3 dias antes, portanto com menos 2 dias de descanso que nós, não podíamos ter permitido a quebra física e mental na recta final. 
Dir-me-ão que tal se ficou a dever às lesões antes do jogo e daquelas que fatalmente nos surgiram ontem. Aceito o argumento, mas não chega. De que vale a pena ter Doumbia quando JJ prefere ter Bas Dost completamente estourado a arrastar-se na parte final dos jogos? De que vale termos Iuri Medeiros no plantel quando Acuña, que não pára há mais de um ano, continua a ser usado sistematicamente em todos os jogos, também em claro esforço? Porque é que temos Petrovic ou Palhinha no banco se quando a equipa quebra a meio-campo, o treinador está 15 minutos para a reforçar (ia meter Petrovic quando o Braga faz o empate)? De que serve termos Matheus Oliveira no banco, para nunca ser utilizado, e do outro lado o Fábio Martins entra e mexe de imediato com a dinâmica de uma equipa até então amorfa? E Alan Ruiz, para que serve mesmo? E voltando à lesão de Acuña, quando vale a aposta como o seu substituto será... Bruno César? De que vale a pena termos sequer "opções" quando temos sempre Bruno César?
Não adianta ter jogadores experientes ou de qualidade no plantel se o treinador se limita a utilizar apenas 12 ou 13 desses jogadores até à exaustão. Ristovski já podia ter sido utilizado há mais jogos, prevenindo uma lesão a Piscinni. André Pinto e Doumbia a mesma coisa. Gelson Martins e Bruno Fernandes já demonstram demasiada fadiga para esta fase da temporada (estamos em Novembro!!!). Será preciso pagar a clausula milionária de Pity Martinez para termos, finalmente, rotatividade na equipa?
Durante estes dois anos fui defensor do nosso actual treinador, pois considerei que a sua chegarda trouxe um upgrade à nossa equipa profissional de futebol. Mas pelo ordenado principesco que recebe, nesta altura esperava mais, muito mais. Vejo o Sporting acumular erros atrás de erros que na maior parte dos casos se devem à teimosia e casmurrice de Jorge Jesus. Tive esperança que o plantel equilibrado que construímos esta época pudesse tornar as coisas diferentes dos últimos dois anos mas, aqui chegados, concluo que não. 
O campeonato não está perdido, longe disso, mas a duas jornadas dos nossos rivais jogarem entre si, era muito importante não cedermos pontos, ainda por cima num jogo em casa. Não quero chegar a Maio e chorar pela perda destes dois pontos, como o fiz há duas épocas. Estou farto de entregar estes pontinhos de bandeja.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O pé frio e a cueca borrada de JJ

Não sei se isto é alguma dor de crescimento ou se é um simples mau perder. Mas fiquei fodido da minha vida com mais outra exibição onde "jogámos como nunca e perdemos como sempre". Sim, eu sei que Real Madrid, Dortmund, Barcelona, Chelsea e Juventus são tubarões e tal, muita fortes. Aqui há quatro/cinco anos atrás jogar contra eles na Champions era uma miragem e acabar o jogo sem ser cilindrado, como contra o Bayern, era muito bom. Mas está na altura dos sportinguistas exigirem um pouco mais. Como deixar de perder jogos nos minutos finais, em lances perfeitamente infantis. 
Que Jorge Jesus é um excelente treinador, não tenho dúvidas e sempre o defendi. Em 2015/16 não foi campeão no seu ano de estreia porque, como se lembrarão, a equipa campeã foi literalmente puxada para cima quando estava no fundo do poço. No ano passado a coisa correu mal, mas este ano, pelo menos até agora, a nossa prestação tem sido prometedora. Nos jogos para a Liga dos Campeões, Jesus tem posto a funcionar uma das suas principais virtudes: estuda bem a equipa adversária, explora as suas fraquezas e monta a equipa de forma a tirar o melhor partido do jogo. Foi assim no jogo de Madrid e de Dortmund, e foi assim ontem em Turim. Mas depois evidencia algo que começa a tornar-se uma característica sua nos jogos desta envergadura, que é a de não evitar o soçobrar da equipa nos minutos finais. JJ começa a lembrar aquele nosso amigo, bem parecido e bem falante, que quando sai à noite é incapaz de manter um diálogo com uma rapariga porque bloqueia... e tem azar com as miúdas. Um pé frio, portanto.
Chamem-lhe fado, destino, azar dos Távoras, whatever. Ontem, mais uma vez, JJ mostrou que "miúdas" (neste caso tubarões europeus) não é com ele. Começamos o jogo da melhor maneira, a marcar num lance em que - pasme-se!!! - tivémos sorte. Marcar golos de ressalto contra adversários desta dimensão, é obra. Depois veio a avalanche italiana. Basicamente fomos encostados, não conseguiamos sair a jogar, Rui Patrício ia adiando o empate, que acabou por chegar depois da meia-hora de jogo. A equipa aguentou a igualdade até ao intervalo, esperando-se uma segunda parte complicada para as nossas partes. Mas não, antes pelo contrário. O Sporting arrancou para a etapa complementar jogando o melhor que nos tem mostrado nesta prova. Dominou no meio-campo, fechou os espaços nas alas e foi lançando ataques que cheiravam a área da Juventus. É certo que não tivemos nenhuma oportunidade flagrante de golo, mas sentíamos que com um pouco mais de acerto e audácia, a coisa podia dar-se. O jogo começava a pedir Doumbia, a Juventus mostrava-se frágil à medida que William e Bataglia iam ganhando os confrontos no miolo. 
Foi então que JJ, quiçá escaldado por derrotas inglórias perto do fim, em vez de cavalgar para cima da Juventus em busca de uma vitória histórica, encolheu-se acagaçado, preferindo defender o empate. A cueca borrada do treinador valeu a estreia de Palhinha nestas andanças, para o lugar de um Gelson Martins que, não estando a fazer uma partida fulgorante, estava a ser uma peça importante na condução do jogo. A equipa ressentiu-se da falta de Gelson, perdendo algum fio de jogo e entregando o jogo à Juve, que ganhou forças para tentar o golpe final. O "pé frio" de JJ veio logo depois, quando decidiu retirar Fábio Coentrão por precaução (o desânimo do jogador parece indicar que ainda teria condições para acabar a partida), pondo no seu lugar Jonathan Silva, que desde a famosa "mão" em Gelsenkirchen aparece fatalmente ligado a desaires nossos na Champions. O jogador até entrou bem no jogo, com uma cavalgada até perto da área italiana, mas borrou a pintura pouco depois, quando permitiu o golo de Mandzukic. 
Não sei se o resultado seria diferente se JJ põe Doumbia no lugar de Gelson Martins. Doumbia, que até é um jogador de "pé quente" na Champions, acabou por protagonizar a melhor oportunidade de golo do Sporting na segunda parte, a fechar a partida (a reacção de Buffon ao falhanço diz tudo). Mas este foi (mais) um jogo onde tivemos "pés frios" a mais e audácia a menos. Não sei se em Alvalade a Juventus nos permitirá ter a veleidade de discutir o resultado do jogo até ao fim, mas parece-me que a oportunidade de ontem é daquelas que tão cedo não se repetirá. Agora é descer á terra, mandar as "vitórias morais" às urtigas e lamber as feridas, porque domingo vem aí um daqueles adversários chatos, que costumam comer a relva quando jogam contra nós. 
Chaves é para vencer, categoricamente.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Crónica de um empate e de uma fadiga anunciada

Ponto prévio deste post: pode não parecer, mas o Sporting NÃO ESTÁ em crise!
Sim, é certo que já não ganhamos há quatro jogos seguidos. Um deles é para uma competição cuja importância para nós é pouco mais que nenhuma. Outro dos jogos foi uma derrota caseira com o... Barcelona! Os restantes dois jogos que não ganhos foram para o campeonato. E se o empate em Moreira de Cónegos foi mesmo um mau, péssimo, resultado, já o empate de ontem... foi assim-assim.
Na minha antevisão para este jogo, escrevi que mais do que a fadiga, o problema do Sporting poderia ser a perca de foco ou concentração do jogo. Enfrentávamos uma equipa que também vinha de um jogo europeu, por isso os índices físicos estariam semelhantes. JJ costuma preparar bem os clássicos, quer do ponto de vista táctico quer motivacional da equipa. Apesar dos sinais de cansaço já evidenciados no jogo contra o Barcelona, havia nos sportinguistas uma esperança de que um coelho sairia da cartola. Mas os sinais começavam a apontar no sentido oposto: confirmou-se a lesão de Doumbia e Coentrão também ficou de fora. Dala, em quem depositei esperança de poder ser um dos "coelhos" a sair da cartola, foi para a equipa B espalhar magia. Equipa fatigada, banco sem opções ao nível dos titulares... desenhava-se no horizonte um jogo complicado.
E foi. O porto entrou melhor na partida, anulando as nossas investidas e procurando sempre ganhar os espaços entre as nossas linhas e as costas dos laterais. Verdade seja dita que, mesmo estando por cima na primeira parte, o ascendente portista nunca nos sufocou. Mas também é verdade que tiveram umas três boas ocasiões para marcar, enquanto nós só tivémos uma, numa cabeçada de William já perto do intervalo. Gelson e Bruno Fernandes começavam a arrastar-se em campo, Battaglia e Acuña lutavam muito mas com falta de discernimento. William ia tapando os buracos ao meio, Mathieu e Coates limpavam as sobras. Jonathan e Piscinni iam defendendo como podiam, mas a atacar eram uma nulidade. Bas Dost passou ao lado do jogo na primeira parte. Rui Patrício, seguríssimo, aguentou o empate a zero até ao intervalo.
Se o sufoco não apareceu até então, esperava-se que no segundo tempo tal viesse a ocorrer. Se o porto, sem apertar muito, estivera muito perto de marcar, adivinhava-se que Sérgio Conceição aproveitaria a melhor forma física da sua equipa e encostasse o Sporting às cordas. Felizmente que o porto também jogou durante a semana, pelo que acabaram por acusar fadiga na segunda parte. Aproveitámos para equilibrar a equipa, tivémos mais bola no meio campo adversário, mas faltavam lances de golo junto à baliza portista. Mesmo com esse ascendente, acabou por ser o porto a ficar mais perto de marcar, já no final do encontro, obrigando o nosso São Patrício a duas grandes defesas. Tivesse sido este jogo contra um adversário mais fresco, e se calhar as coisas correriam muito pior.
Face ao que aconteceu em campo, não nos resta outra coisa senão admitir que o empate não foi um mau resultado. Fizémos uma partida competente e combativa, mas não fosse São Patrício dificilmente seguraríamos o empate. Olhando para o que fizémos contra o Barcelona e para o que fizémos ontem, chegamos à conclusão que o resultado do clássico, não sendo o melhor, foi o possível dentro das nossas limitações para este jogo.
Agora é tempo de respirar fundo, esticar as pernas e recuperar outra vez a forma física. E esperar que os nossos internacionais não se lesionem. Também é tempo para pensarmos porque motivo alguns jogadores nossos rebentam tão cedo, face ao que acontece com os nossos rivais. O porto, de quem se dizia ter o plantel curto, está a conseguir retirar mais rendimento que o nosso plantel. Por cá, além dos titulares, vejo que Iuri desapareceu, Podence tarda em regressar, Coentrão não vinga, Dala não tem a sua oportunidade e Alan Ruiz não explode. O tal plantel com mais soluções, que diziam e eu pensava no inicio da época que tínhamos, começa a relevar-se (outra vez) curto. Será uma coisa momentânea, os tais "ciclos" que JJ disse que todas as equipas tinham? Ou será algo mais?

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Jesus, o Mártir?

Tenho visto e revisto aquela famosa jogada de Eliseu, que entra a pés juntos sobre um adversário, sem dúvida alguma de forma intencional logo merecedora de cartão vermelho directo, mas que foi transformada pelo árbitro em falta a favor do benfica.
Essa jogada é uma antologia do que tem sido estes últimos campeonatos. Uma equipa que ainda na época passada jogou remendada, pois vários dos seus titulares estavam no estaleiro, conseguiu milagrosamente vitórias atrás de vitórias. Eliseu foi um desses jogadores repescados, pois Grimaldo passou boa parte da época lesionado. E a saga continua esta época. Causa assim alguma estranheza que o benfica remendado consiga tão bons ou melhores resultados do que a sua dita equipa principal. 
Vejamos o Sporting. Todos se lembram da tragédia que assolava a nossa nação cada vez que Adrien ou William Carvalho se lesionavam. Não tínhamos jogadores à altura de os substituir, logo as coisas tinham a tendência para correr menos bem. E nem é preciso ser um mestre da táctica para perceber isto, aliás a própria estatística ajudaria a confirmar tal coisa. Se são os melhores, é porque a equipa com eles consegue os melhores resultados. Os restantes até podiam fazer um brilharete num ou outro jogo, mas quando atingem o mesmo nível da melhor equipa, ou são "muita" bons ou então algo se passa. E quando percebemos que estamos a comparar Eliseu com Grimaldo, Fesja com Samaris, Bruno Varela com Ederson, Sálvio com Cervi, André Almeida com Nelson Semedo, etc. etc., mais convencidos ficamos que alguma coisa não bate certo.
Trago este tema à colação porque ainda esta semana ouvi a conversa do costume, de que o nosso treinador só quer saber do campeonato e está-se a borrifar para as restantes competições, Liga dos Campeões inclusive. Ou seja, JJ convence-se de que tem uma equipa apenas com 12 ou 13 jogadores capazes de render aquilo que ele gostaria que rendessem, logo para os proteger foca-se na principal competição interna. O resto é para ir dando uns chutos, uma espécie de jogos-treino a meio da semana. Esta época parece diferente, pois o plantel já oferecerá mais soluções do que nas últimas épocas, mas o estigma sobre Jesus continua lá. 
Esta semana li textos de sportinguistas a defender a adopção de um sistema "à Rui Vitória" ou seja, jogar sempre para ganhar, seja qual for a competição e o adversário. Até aqui tudo bem, o Sporting deve jogar sempre para ganhar. Em Guimarães, no meio de dois jogos importantíssimos para nós, jogámos com grande intensidade e as coisas correram-nos bem. Resta agora vermos se o que corremos sábado não fará falta para correr na quarta-feira. Veremos. Já o Steaua, por exemplo, deu-se ao luxo de descansar praticamente toda a equipa no jogo do campeonato. Se o Sporting tivesse jogado em casa com o Tondela ou com o Boavista, será que faria sentido jogar da mesma forma como jogou em Guimarães? Claro que sim. E essa abordagem era realista? Pois, aqui torço o nariz.
Jorge Jesus, fora aquela sua típica presunção e jactância, é um treinador experiente, que sabe de futebol. Não é um treinador de bancada, alguém susceptível às opiniões dos adeptos ou dos jornais. Ele sabe que o Sporting, como antes o benfica, entram em tudo para ganhar. E também sabe que é tudo muito bonito, mas o que o pessoal gosta mesmo é de ser campeão nacional. E entre apostar todas as fichas numa eliminatória ou ir gerindo os jogos do campeonato jogo após jogo, ele prefere a segunda. Foi assim no benfica e tem sido assim no Sporting. Daí que quando esteve nos nossos rivais nunca tenha feito grandes campanhas na CL. Ele sabia que para ter um benfica forte, capaz de internamente bater o pé ao porto, teria de ter todos os seus jogadores disponíveis para o campeonato. Isto é pragmatismo. Mas também é levar o futebol a sério.
Foi com Jorge Jesus à frente do benfica que o colinho encarnado começou a substituir o colinho azul. O seu último campeonato conquistado em Carnide foi assim ganho, já à custa de muitos jogos a jogar contra 10. Se Jorge Jesus quisesse, podia ter feito todos os jogos com os mesmos 11 jogadores, que era capaz de ter sido bicampeão na mesma. Jogando "à Rui Vitória". Mas JJ não gosta de jogar "à Rui Vitória". É demasiado fácil para ele. JJ ainda é daqueles treinadores à antiga, que gosta das suas equipas a jogar como se jogava nos anos 80 ou 90, sempre para o espectáculo que o resultado viria depois. Gosta de desafios tácticos e mind-games, mesmo que não tenha pedalada para eles. JJ gosta demasiado do futebol para tratá-lo como a farsa que é hoje. Daí que no seu último ano na Luz, em vez de se sentar comodamente no banco, mandar a equipa para a frente e esperar que os padres tratassem de tudo durante a missa, JJ tenha preferido levar o futebol com a seriedade que ele (não) merece. E se calhar até foi por isso que JJ terá saído do benfica em 2015, quando percebeu que já era indiferente para o clube quem era o seu treinador. E a coisa é tão simples como isto: imaginam Rui Vitória ser campeão com outra equipa e/ou outro campeonato? Pois...
Acabo este meu sucinto raciocínio com uma ideia, quiçá arrojada, de que no final de contas Jorge Jesus não é mais do que um mártir do actual futebol português. Mártir pela ingenuidade de ter acreditado que, só pelas suas tácticas, uma equipa foi bicampeã em Portugal. E pela ingenuidade de querer levar o futebol a sério, num país onde o futebol é de faz-de-conta. Um país onde o campeão nacional joga com Eliseu, Samaris e André Almeida a titulares. Mas onde o meio-campo do campeão da Europa não consegue ser campeão em Portugal. Um país onde uma agressão é transformada em falta contra o agredido.

domingo, 20 de agosto de 2017

E Jorge Jesus puxou dos galões

No meu último post pedi à nossa equipa uma resposta inequívoca e categórica à mini-crise que surgira na semana passada. Se querem ser campeões ou lutar até à última jornada para o serem, teriam de ir a um dos mais difíceis estádios do nosso futebol, onde ultimamente não temos sido felizes, e fazer aí uma actuação focada, objectiva, coroada por um resultado sem margem para dúvidas. Uma vitória sem apelo nem agravo.
Também pedi a Jesus que neste momento de alguma descrença das nossas hostes na equipa, ele estivesse à altura dos pergaminhos que diz sustentar, da cultura táctica que diz conhecer, do vencimento que aufere, e soubesse engendrar um plano para transformar o futebol frouxo e incipiente dos últimos jogos, numa máquina de futebol atacante e goleadora.
Não sei se Jesus lê o que para aqui escrevo. Mas sei que acusou o toque que a nação sportinguista lhe mandou nestes dias. Na sua conferência de imprensa de ante-visão deste jogo, salvo as habituais jactâncias, JJ defendeu a qualidade dos jogadores e disse que seria uma questão de tempo até a equipa começar a jogar futebol de "nota artística". Felizmente foi logo no dia a seguir. Uma alteração no onze, combinada com outras alterações posicionais, e eis um leão de cara lavada. JJ puxou dos seus galões de "catedrático da bola" e disse alto e em bom som aos sportinguistas: "Estamos cá! E estamos para ficar!".
Do jogo jogado, nem vou gastar palavras, pois todos viram o mesmo que eu vi. Bruno Fernandes em grande, Adrien a recuperar a sua melhor forma e já a jogar melhor que nos últimos jogos, Battaglia a evoluir, como se viu no passe que isolou Coentrão no nosso terceiro golo. Na defesa, Coentrão merece destaque pelo modo como está a evoluir de forma, os centrais estiveram impecáveis, e Piccini... bem, Piccini ia marcando um grande golo, mas depois entusiasmou-se e ia dando asneira. Mas OK, não vou bater mais no ceguinho. Bas Dost foi... Bas Dost. Os suplentes estiveram em bom plano, envolvidos no quinto golo da equipa. Antes, Iuri desperdiçou um golo cantado. O nosso extremo é claramente uma alternativa muito credível a Acuña, mostrando que quando são bons e estão em forma, JJ também aposta na nossa formação.
O jogo de Guimarães era ingrato, pois se um mau resultado poderia remeter-nos para uma crise escusada, a vitória, mesmo pelos números que foram, não deixa de dar apenas 3 pontos. Ganhar em Guimarães era importante pelo sinal que daria da nossa equipa, mas este jogo estava longe de ser decisivo. Já em caso de perda de pontos, poderia ser decisivo mas pelos piores motivos. Decisivo será sim o jogo de Bucareste. E aqui assume importância esta última vitória, pois liberta a equipa de algumas dúvidas que poderiam ter sobre sim mesma, além de que acalma os adeptos antes do importante encontro na Roménia. E hoje não haverá sportinguista à face da terra que não ache possível repetir a façanha em Bucareste. JJ já sabe qual é o caminho que tem que seguir. Agora é dirigir os seus jogadores por esse caminho.
Última palavra para a crispação que esta semana reinou entre os sportinguistas. Se criticávamos éramos sportinguenses, se não criticávamos éramos carneiros. Essa dicotomia é patética e não serve nenhum desígnio do nosso clube, apenas serve aos rivais. Acima de tudo temos de ter sentido crítico e temperamento nas críticas que fazemos. Na pré-época insurgi-me com a condenação que muitos sportinguistas já faziam à sua equipa, com base nos golos que sofríamos. Disse que era uma apreciação errada e que deveríamos dar tempo aos jogadores. Pedi sobriedade aos comentários, principalmente de figuras públicas, como Nicolau Santos. O próprio Nicolau Santos já veio reconhecer, 3 semanas depois, que precipitou-se no comentário que fez, sobretudo em relação a Mathieu. Na última semana assisti a algo parecido, o que demonstra que certas pessoas não aprendem. Realmente não fizemos bons jogos em casa contra Setúbal e Steaua, mas nada ainda estava perdido. Havia que esperar pela resposta da equipa, que veio ontem. E terá de ser assim nos próximos tempos. Não somos hoje os melhores do mundo só porque ganhámos em Guimarães, como não seremos uma porcaria se perdemos em Bucareste. O jogo de Bucareste é decisivo porque implica aceder a um cheque de quase 13 M€. Mas não é decisivo para o desempenho da equipa até ao final da época. Até ao final da época terá de ser jogo a jogo, vitória a vitória, golo a golo. Sem sportinguenses nem carneiros, só com sportinguistas.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Os equívocos de Jorge Jesus. Os laterais. A segurança defensiva.

Após uma noite de sono bem dormida, passadas que estão 12 horas do final do jogo entre Sporting e Steaua, sinto-me mais capaz e com a cabeça mais fria para escrever sobre o embate de ontem. Sim, porque se tenho escrito isto logo após o final do jogo, corria o risco de me encerrarem o blog por excessivo uso de linguagem obscena.
Sejamos claros, directos e francos: a 15 de Agosto de 2017, o Sporting não tem equipa e futebol para ganhar ao Steaua de Bucareste, campeão em título da Roménia, antiga glória europeia do século passado, e uma das mais fracas (senão mesmo a mais fraca) equipas deste play-off. O que é que isto significa? Simplesmente que não temos estofo, cabedal, arcaboiço, para jogar numa prova como a Liga dos Campeões. Atenção que daqui a uma semana a coisa pode já ser diferente, e podemos já estar a praticar um futebol de nivel mais elevado. Mas hoje (ontem) não é assim. E temos de refletir sobre isso.
O Steaua de Bucareste apresentou-se em Alvalade como se apresentou o Vitória de Setúbal na passada sexta-feira e como se irão apresentar 99% das equipas que esta época ali forem jogar. Linhas baixas, meio campo a jogar compacto com o bloco defensivo e na frente um ou dois corredores para apanhar os chutões vindos de trás. Enquanto não percebermos isso, de que estamos destinados a jogar quase a totalidade da época com equipas assim, não vale a pena termos muitas esperanças sobre a presente época.
Jorge Jesus continua a ser Jorge Jesus. Mas não aquele que imprimia nas suas equipas características de rolo compressor, como se viu na primeira época que fez em Alvalade. Salvo um ou outra melhoria face à época transacta, continua a cair nos mesmos equívocos que resultam do seu autismo de não mudar o que só ele acha que está bem. Veja-se o caso de Adrien. O nosso capitão é uma das pedras fundamentais da equipa, quando está em forma. E nesta altura não está. Nota-se perfeitamente que no inicio das segundas partes já joga fatigado e ainda lhe falta clareza na maior parte dos movimentos. Parte da nossa incapacidade em construir jogo interior deriva da desinspiração actual do nosso capitão. E quando temos no banco um dos jogadores mais caros da história do clube, que na pré-época e nos jogos oficiais quando entra tem demonstrado capacidade para jogar naquela posição, pergunto-me porque razão JJ insiste tão sofregamente em Adrien?
Além da idiotice que significa usar os jogos oficiais para dar ritmo a Adrien, pois tal reflete-se no rendimento da equipa, JJ coleciona outros equívocos neste inicio de época. Jogar com Podence, neste momento, não se justifica. Podence simplemente não rende a jogar de costas para a baliza. Continuo a achar que nesta fase da época deveria ser utilizado em fases mais adiantadas do jogo, aproveitando o cansaço dos nossos adversários. Doumbia, além de ser um jogador já feito, tem melhores características para jogar no lugar de Podence. Tem mais presença na área e fisicamente é forte. Gostava de o ver jogar de inicio já em Guimarães.
Battaglia, não sendo mau, também não é muito bom. É "jeitozinho", desenrasca. Corre, luta, transporta, mas depois falta-lhe algo. Ontem, na fase final do jogo quando precisávamos de encostar o adversário às cordas, notou-se prefeitamente a sua incapacidade para acelerar o jogo. Com equipas de bloco baixo, jogar com um trinco clássico é um desperdício. E aqui, JJ tinha uma boa alternativa (isto se William não sair), que era pôr Adrien a jogar recuado, deixando Battaglia reservado para fases do jogo onde fosse necessário jogar mais em contenção. E Bruno Fernandes poderia assim assumir naturalmente a sua posição em campo onde rende mais, a 8 a distribuir jogo.
Fora da área dos equívocos, pois aqui ainda não há muitas alternativas, a questão dos laterais. Coentrão mesmo sem ritmo competitivo empresta mais qualidade ao jogo que Jonathan. Aqui todos esperamos que dentro de algumas semanas, Coentrão esteja finalmente pronto para jogar a todo o gás. Se não se lesionar. Quanto a Piccini, só desejo que Ristovski ganhe as rotinas de jogo tão cedo quanto possível. Ontem houve uma jogada sintomática daquilo que vale o jogador, aos 34 minutos. Gelson Martins está no lado direito do ataque, driblando 2 ou 3 adversários, no espaço entre a quina da área e a linha de fundo. O nosso prodígio, que mesmo sem fulgor físico é de longe o melhor do meio-campo para a frente, consegue no meio de tanta perna romena soltar para Piccini, que estava solto na quina da área. Piccini podia centrar de primeira, ajeitar a bola com o pé esquerdo e centrar logo com o direito, ou até rematar de primeira ou segunda à baliza. Mas não, recebeu a bola e congelou durante uma fracção de segundos, como quem pensa "o que é que eu vou fazer com esta coisa redonda, que me está a queimar os pés?". Não fez nada, recebeu a bola, parou, olhou e perdeu a bola. Piccini é isto, um lateral direito sem classe, que a atacar raramente sabe o que fazer à bola, senão soltá-la para Gelson ou enviar de biqueirada para dentro da área. A sua sorte é que como tem Gelson ao seu lado, que vai resolvendo despiques contra um ou dois adversários, acaba por disfarçar a sua clara falta de jeito para jogar em ataque. Tivesse Gelson a sorte de ter Cedric a jogar ao seu lado e outro galo cantaria naquele flanco. E Gelson não só tem de atacar sozinho contra 2 ou 3 adversários com ainda tem de vir atrás a correr para safar o seu colega de lateral. Não admira por isso que o nosso extremo chegue aos 70 minutos completamente estoirado.
Palavra final para a melhor coisa que se tem visto nestes primeiros jogos a doer, que é a segurança defensiva. Sem dúvida fruto do acrescento de Mathieu, bem como das características defensivas de Battaglia, além do trabalho colectivo de posicionamento em campo quando se defende. Apesar de não termos ainda enfrentado adversários que joguem em ataque continuado, jogos como estes correram-nos muito mal no ano passado. Mas em três jogos deveremos ter consentido tantas oportunidades de golo como ano passado num só jogo, o que é positivo. Ainda estamos na fase inicial da época e no ano passado por esta altura também tínhamos a nossa baliza a zeros. As próximas deslocações a Guimarães e Bucareste serão testes de fogo ao nosso jogo defensivo. Mas, neste momento, é onde eu e a maior parte dos sportinguistas se tem agarrado. A esperança de que a segurança defensiva consiga empurrar a equipa para exibições mais fulgorantes no ataque.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Entradas de leão

Como seria expectável, o Sporting entrou na nova época com uma vitória. Não fez uma exibição deslumbrante, longe disso. As notas artísticas ficarão para uma fase mais adiantada da temporada. Por enquanto urge ainda gerir a condição física, pois alguns dos nossos titulares ainda estão a recuperar a sua melhor forma. O que faltou em deslumbramento bastou e sobrou em sobriedade. A equipa jogou compacta, muito competente nos processos defensivos, evitando cavalgadas para a frente para não abrir espaços atrás. Jorge Jesus apostou na quebra física do seu adversário e na sua falta de entrosamento. A justificação de ter deixado Podence no banco para o lançar aos 60 minutos é aceitável. 
Como costume a nação sportinguista pegou numa exibição competente, com um resultado justíssimo, e dividiu-se na sua análise. Da minha parte, já o leram em cima, preferi realçar a parte do jogo colectivo, na segurança defensiva, do critério atacante e, com toda a justiça, da boa abordagem de JJ para este jogo. Já outros preferiram embirrar com a não titularidade de Podence, alegando uma futura desmotivação do nosso avançado, ou então com a forma conservadora como JJ abordou um jogo contra um adversário manifestamente inferior.
Sobre a não titularidade de Podence, duvido que tal já não tivesse sido trabalhado ao longo da semana, logo não acredito que o jogador tenha sido apanhado de surpresa. Adrien, mesmo tendo a sua condição física um furos abaixo da restante equipa, é sempre um jogador preponderante. Mesmo com um pé fora de Alvalade, também poderá haver aqui uma política de não desvalorizar um importante activo nosso, para manter o seu valor de mercado elevado. Bruno Fernandes, pelo que mostrou na pré-época, também teria o seu lugar no onze assegurado. Sendo expectável que Adrien apenas duraria 60 minutos em jogo, provavelmente Podence já saberia que entraria para o lugar do capitão. E, diga-se em abono da verdade, Podence ainda entrou a tempo de fazer uma boa meia-hora de jogo.
A abordagem ao jogo de JJ, que alguns consideraram medrosa face ao adversário, creio que foi a mais sensata e realista. Mais do que ninguém, o nosso treinador sabe qual é a condição física da equipa. Sabe também que se aproximam quatro jogos dificeis, onde os índices físicos dos jogadores terão de estar elevados. O jogo da próxima sexta-feira contra os sadinos será, à partida, mais complicado que este último, com a agravante que se realizará nas vésperas do jogo contra o Steua. Depois vem o Steua, a deslocação a Guimarães e novo jogo contra os romenos, em Bucareste.
Será que havia necessidade de lançar a carne toda no assador logo neste primeiro jogo? É certo que não criámos muitos lances de perigo na primeira parte, logo a estratégia poderia ter corrido mal. Mas JJ teve confiança suficiente na equipa para apostar que, mais cedo ou mais tarde, marcaríamos o nosso golo. Bem vistas as coisas, esta abordagem de JJ até foi mais audaciosa do que medrosa. Veremos como abordará os próximos jogos. Aposto que contra o Setúbal JJ manterá o mesmo onze, ou pelo menos as mesmas características. Correrá bem desta vez? Esperemos que sim.
Depois das depressões causadas pelos jogos na pré-época, alguém já reparou que não sofremos golos há dois jogos? Piccini ainda assustou, mas agora que chega o seu concorrente para a lateral direita, esperemos que a coisa melhore.
Foi o primeiro jogo, ganhámos a uma equipa inferior, não tivemos nota artística mas tivemos um colectivo compacto, não facilitámos e jogámos sempre focados no nosso objectivo. Ainda é cedo para tirarmos conclusões sobre o resto da época? É. Mas as primeiras indicações deixaram-me entusiasmado. Agora é manter o ritmo em crescendo, porque os próximos jogos vão ser fulcrais para o resto da época.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Octávio Machado

Só quem nunca se debruçou pelo percurso de Octávio Machado pelo futebol português é que ficará surpreendido pela sua última entrevista dada.
Octávio, o palmelão, tem essa característica que muitas vezes deixa revelar. Tem uma apetência enorme pelos holofotes mediáticos e uma atracção fatal por microfones e canetas de jornalista. Por vezes o Palmelão, tal é a fome com que acorre à "arca" jornalística, nem se dá conta da figura rídicula que nos vai proporcionando. Todos se lembrarão dos "Bin-Ladens do futebol" ou do "Vocês sabem do que estou a falar". Uma mão cheia de nada, vento, vácuo, vazio. Um "agarrem-me senão vou-me a ele!". 
Octávio Machado tem um currículo invejável no futebol português, desde que começou como treinador adjunto do porto, passando por ser treinador principal da nossa equipa e outra vez do porto. Não tenho dúvidas que é alguém que conhece bem os meandros do nosso futebol, os seus pontos fulcrais, o relvado e os bastidores. Por isso é que Jorge Jesus trouxe-o para a estrutura do nosso futebol, na tentativa de nos fortalecer com alguém que entendia estar em boas condições para nos contrapor ao benfica. Octávio nunca teve a incubência de ser um manager do futebol profissional do Sporting. A missão dele era mais subterrânia, mais táctica. De um modo geral, olhando para os resultados obtidos, neste momento estou inclinado a considerar que a sua entrada no nosso futebol foi um falhanço. Continuámos expostos e em momentos cruciais da época fomos demasiado "passarinhos", num futebol dominado por aves de rapina. Provavelmente saberemos mais nos próximos dias, mas para já é este o juízo que a História faz sobre a última passagem do Palmelão pelo nosso clube.
O resto é mais do mesmo. Suceder-se-ão as entrevistas de Octávio ao jornalixo nacional, as parangonas serão aquelas que todos sabemos e, enfim, resta-nos olhar para isso e encolher os ombros, esperando que este tipo de erros de casting não se repitam.
A última entrevista de Octávio está, no final de contas, ao nível da escolha do pior onze com quem o Simulão Sabrosa jogou. Ainda nem sequer arrefeceu a cadeira do Palmelão em Alvalade e já começou este a atacar, insultar e humilhar os seus ex-colegas de clube. No fim de contas, quem é verdadeiramente enxolhado é quem encarna esta triste figura, de falta de ética, moral e vergonha na cara. Espero sinceramente que Bruno de Carvalho continue na sua postura low-profile perante a comunicação social e, se for questionado ou interpelado para comentar a última entrevista do Palmelão ao CM, diga apenas que está grato pelo excelente trabalho prestado pelo ex-dirigente  em prol do nosso clube. E lhe deseje todo o sucesso profissional e pessoal. 

sábado, 15 de julho de 2017

Histeria Colectiva

As redes sociais tem essa coisa extraordinária de seguirmos em tempo real as emoções de milhares de cidadãos anónimos por esse mundo fora. É uma realidade à qual ainda nos estamos a adaptar, pois toda ela é uma novidade para a Humanidade. Ocorre um atentado numa qualquer cidade europeia, levanta-se logo uma onda de "Je suis quelque chose". Um político é apanhado em esquemas manhosos, logo a seguir todos os políticos são corruptos, a democracia é uma treta e no tempo da velha senhora é que era. O nosso clube vence um jogo de treino numa aldeola alpina, somos os maiores, ninguém nos pára e a malta da Champions que se prepare, pois somos sérios candidatos a palmá-la. No dia seguinte perdemos outro jogo na aldeola ao lado e já não valemos um chavo, este ano é para lutarmos com o Braga pelo terceiro lugar e se não nos pomos a pau nem à Europa vamos.
Senhoras e senhores, bem-vindos ao admirável mundo novo das redes sociais, onde tudo é efémero, histérico, emotivo, e outras sensações igualmente excitantes!!!
É um facto que contra o Fenerbahçe fizemos um jogo interessante, com boas movimentações, entendimentos entre jogadores com resultado final positivo. Também é outro facto que contra o Valência fomos uma equipa pesada, cansada, sem cabeça para produzir jogadas de perigo, cujo resultado final apenas espelha a diferença de forma momentânea das equipas, a nossa em construção, face a um Valência mais entrosado. É outro facto que os principais objectivos da pré-época são o de criar rotinas e entrosamentos entre quem está e quem chega, bem como preparar a parte física para 10 meses de intenso futebol. O resultado, por mais que ninguém queira perder a feijões, é neste aspecto particular o menos importante. 
O que assisti, e ainda venho assistindo desde que terminou este último jogo, é a uma histeria colectiva sportinguista. Ou porque o treinador levou 30 e jogam 18, ou porque não gosta do Saramago e humilha o outro Chico-esperto, ou é o Chico que se anda a armar em esperto a ler Saramago nos treinos, o Piscinni que afinal já é pior que o Schelotto, o Matheus Oliveira ainda agora chegou mas já é um perneta, o Paulo Oliveira era o novo André Cruz, etc. etc.
Sobre a telenovela Francisco Geraldes já dei a minha opinião no último post e mantenho-a. Por muito gozo que me dê ver o jogador a ler Saramago nas horas vagas, não é por ele ter bom gosto literário que faz dele um grande jogador. Continuo, e insisto, a dizer que é tão importante o jogo com o Valência como o treino de hoje ou de amanhã. Pelo amor da santa, não me venham com a lenga-lenga de que o JJ embirra com ele e com os miúdos da formação e - esta é brilhante!!!! - está a fazer aqui o mesmo que fez no benfica... Ou seja, afinal os putos do benfica eram bons e a cartilha de que o Bernardo ia ser testado a defesa esquerdo era verdadeira... Meus caros, o JJ lançou João Mário (era o Chico do tempo do Marco Silva, que preferia o André Martins ao pantufas), Rúben Semedo, Gelson Martins, Podence, está a lançar o Iuri... se o Chico for mesmo bom, vai ter o seu lugar no plantel. E, já agora, também o Gauld... 
Quanto ao Paulo Oliveira, o novo André Cruz ou Maldini, tenho-o em excelente conta como profissional e pessoa. Falta-lhe o que tem o Rúben Semedo, capacidade de choque, tamanho, saída de bola (a assistência ao Montero no Jamor é a excepção que confirma a regra, não me lixem!). Mas tem aquilo que falta ao Rúben, que é cabeça. Quando o Paulo chegou a Alvalade fiquei com a esperança que conseguisse evoluir na capacidade física e no jogo de pés. Infelizmente ele estagnou e não evoluiu de promessa a certeza. Ou ficava no plantel como uma espécie de bombeiro de serviço, o que para alguém da sua idade era algo redutor, ou então estava na hora de procurar novos desafios e uma oportunidade fora de portas. Ou seja, o nosso Paulo Oliveira, que parece-me ser um jogador mediano, uma espécie de Beto (o central), terá agora a oportunidade de ter o seu momento Carriço, de evoluir quando já ninguém acreditava nisso. Valha-nos a consolação de que os valores que se falam (4 M€) serem muito superiores aos 750 mil de Carriço. Além de se providenciar por conseguir lucro numa futura transferência.
Meus amigos sportinguistas, por isso vamos ter alguma calma, paciência, acreditar em quem sabe (mesmo que seja pouco, sempre saberá um pouco mais do que nós) e quando for o jogo de apresentação ou o troféu 5 violinos falaremos outra vez da qualidade (ou falta dela) da nossa equipa.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Francisco Geraldes

Antes que me comecem a atirar pedras e a cuspirem-me em cima, aviso já que espero enganar-me redondamente naquilo que vou escrever.
Francisco de Oliveira Geraldes, nascido em Lisboa a 18-04-1995 (22 anos), pertence ao Sporting Clube de Portugal desde a época de 2003/2004. de onde apenas saiu na época passada para representar o Moreirense em regime de empréstimo. 1,75 metros de altura, 65 Kg de peso, destro, participou em quatro jogos pela equipa principal na época passada, tendo também participado no primeiro jogo amigável da presente temporada. Tem contrato até Junho de 2021 (*).
Francisco Geraldes, o "Chico" como é carinhosamente tratado pelos sportinguistas, é um bom e humilde rapaz da classe média lisboeta. Chegou a ser fotografado a viajar de metro do estádio para casa, após um jogo pela equipa principal no último campeonato, a ler um livro ou a ouvir calmamente música. É participativo nas redes sociais, em amenos despiques com outros colegas da nossa cantera, como Podence ou Palhinha. Ficou famoso um tweet seu onde corrige o português de um insulto produzido por um adepto rival.
O Chico é aquele protótipo de jogador-ídolo que todos sonhamos para o nosso clube: sportinguista dos sete costados, com uma longa história (14 anos) de defesa em campo das nossas cores, um desportista dentro de campo e um gentleman fora das quatro linhas. Lembra-me aquelas lendas dos anos 50, 60 ou 70 de quem ouvimos falar, que por tuta e meia jogavam no seu clube de coração e sempre com e por amor à camisola. O seu bigode e pêra encerram um quadro romântico que nos leva para um futebol que infelizmente já não existe e de que só conhecemos por ouvir falar aqueles velhos adeptos lá da tasca, do tempo que "assim é que era".
Não surpreende por isso que pela blogosfera leonina, seja em posts ou em comentários, o Chico desperte tanto entusiasmo e empatia. Em sentido oposto ao treinador, vilipendiado por se recusar em pôr a jogar o prodígio da nossa Academia. Sim, o treinador que não aposta nos jogadores portugueses, dos Manuéis desta vida, que tem de nascer 10 vezes para serem bons ou então vão para laterais esquerdos adaptados.
Nós, sportinguistas, temos de nos decidir de uma vez por todas: afinal o JJ não apostava na formação do Seixal porque ele não gosta de miúdos ou porque eles não eram afinal assim tão bons? Olhando para as fornadas de "golden boys" que vieram de lá, quantos andam agora em clubes de topo? Cavaleiro? Cancelo? O Gonçalo Guedes e o André Gomes até andam, mas... a coisa não lhes tem corrido bem. Bernardo Silva? Sim, provavelmente o melhor do lote. Mas quando olho para este jogador acho que falta ali qualquer coisa. É bom, está anos luz à frente do André Gomes, mas mesmo assim acho que lhe falta intensidade. Estaria na altura apto a ser titular de caras no benfica?
Jorge Jesus, desde que chegou ao Sporting, foi apostando no que havia aqui para se apostar. Não teve problemas em lançar Gelson Martins ou o Rúben Semedo (enquanto este teve cabecinha). Deu minutos a Podence, foi lançando Palhinha e o próprio Chico também teve as suas oportunidades. Foram poucas, bem sei. Mas JJ trabalha com eles diariamente. É teimoso mas também quer ganhar. E, aqui chegados, pergunto eu: será que o nosso Chico está assim tão preparado para a equipa principal como nós achamos ou queríamos que estivesse?
No último campeonato europeu de sub-21, Rui Jorge também deixou-o fora do onze, preterindo-o a outros como, por exemplo, Bruno Fernandes. Bem sei que o Rui Jorge foi algo pressionado para fazer algumas escolhas, como a inclusão do Bob Marley da Musgueira, mas... Rui Jorge também quer ganhar, como Fernando Santos quis ganhar no ano passado. Da mesma forma que o engenheiro teve de se render às evidências e pôs os melhores a jogar, também Rui Jorge fez o mesmo.
Lembro-me que aqui há uns 2 ou 3 anos, andavam os sportinguistas a discutir o mesmo sobre outro produto da nossa academia, de seu nome Wallyson Mallmann. Todos achávamos que era a última Coca-cola do deserto, discorriamos sobre a sua não utilização pela equipa principal e questionavamos as opções técnicas do treinador à época. Wallyson teve as suas oportunidades, mas não convenceu. Acabou por sair para outras paragens e soube agora que regressou a Portugal, ao Moreirense. Teve uma lesão grave quando ainda estava em França, é certo, mas hoje parece claro que lhe faltava ainda algo mais para ser titular do Sporting.
Hoje olho para Francisco Geraldes e sinceramente pergunto-me se não andarão os sportinguistas também iludidos como no passado andámos com Wallyson. Também ponho Ryan Gauld na mesma equação. Será o nosso querido "Chico" jogador para o nosso Sporting, aquele que quer lutar até ao fim pela vitória do campeonato, que não tropece estupidamente nas taças internas e faça uma boa figura na Liga dos Campeões? Terá o Chico nervos de aço para ultrapassar os primeiros assobios em Alvalade, capacidade física para jogar durante o inverno nos batatais de Portugal, coração para enfrentar arbitragens habilidosas sem desmotivar e cabeça fria para não se melindrar perante os berros histéricos do JJ? 
Infelizmente o futebol português não é como ler um livro no metro à hora de ponta. É mais como andar aos pontapés e trambolhões no meio de uma poça de lama. Não basta saber falar bem português, às vezes é preciso entrar em campo de faca nos dentes. E isso, como todos sabemos, não é para todos.

(*) - Dados consultados aqui, no ZeroZero.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Regressos

Após uma breve paragem para recuperar baterias, eis que regressei a esta bela vidinha de opinar por tudo e por nada. Mas não foi o único regresso. Houve outros mais interessantes.

1) Rola a bola!!!
Primeiro jogo da época, ainda em ritmo de futebol de praia. Fora o resultado, que não é o mais importante destes primeiros jogos, foi já possível assitir a algumas estreias. Gostei do Petrovic, Leonardo Ruiz e Gelson Dala. Nem tanto do Matheus Oliveira ou do Battaglia. Vamos esperar pelos jogos na Suiça para vermos em acção os reforços que mais prometem esta época, como Doumbia, Coentrão ou Mathieu. Quanto aos jogadores que estiveram na Rússia, aguardo também com espectativa a confirmação de quem fica ou vai. Dou já Adrien como perdido e William também a sair. Gelson parece-me ainda cedo para sair e acredito que Rui Patrício ainda fique pelo menos até ao Mundial de 2018.

2) Fábio Coentrão
O regresso do lateral esquerdo a Portugal fez correr muita tinta pela pasquinada desportiva aqui do burgo. Seja porque afinal Coentrão é um fumador tuberculoso, um perneta aleijado crónico ou um barrigudo, tudo serviu para digerir mais um regresso de um filho-querido-que-afinal-já-não-é-querido. Depois da novela Markovic, veio Coentrão. Tirando o facto de estar apreensivo com o actual estado físico e anímico do jogador (isso sim, é que é importante), não pude deixar de me rir com o espernear do Estado Lampiânico, que se deu ao trabalho de mandar Javi Garcia gritar lá de longe que em Portugal só o benfas... O trabalho que esta malta tem, plantar primeiro notícias para depois as desmentirem com pompa e circunstância. 

3) Bruno de Carvalho
Regressou mas pela mão da consagrada estação televisiva Bloomberg, especialista em economia e finanças. Sim, bem sabemos que essa entrevista não tem o impacto mundial da capa da Bola e do Record sobre as supervendas do benfas ou da Universidade das Bocas de Piano, mas é o que se arranja. Felizmente lá fora somos melhor tratados do que cá dentro. Noto também com satisfação que o nosso presidente tem estado mais comedido nas palavras. Se é porque está em lua de mel ou se é uma mudança de postura já assumida, só tenho a registar que tal se mantenha. Precisamos do nosso presidente focado na dificil missão de nos catapultar para a frente do futebol nacional, sem estar diariamente a ser cozinhado em lume brando na praça pública. 

4) Jorge Jesus
Faço aqui as mesmas palavras que fiz com o presidente. Menos conversa e mais trabalho. Tenho a certeza que JJ é o melhor treinador do campeonato e é nisso que se deve concentrar: em treinar. Deixar as conversas, as lenga-lengas e os mind-games em casa.

5) O Estado Lampiânico
Agitado e ainda meio zonzo das constantes bicadas que tem levado ao longo da telenovela dos e-mails, mostrando que elas não matam mas moem, a propaganda do clube do povo parece meio afectada nestes dias. A reacção à contratação de Coentrão foi pífia e aquela coisa do Javi Garcia fez mais rir os sportinguistas do que irritá-los. A notícia do CM de que BdC e JJ estariam zangados por causa da não contratação de Edgar Ié também é mais para rir do que para ser levada a sério. É certo que nos telejornais e na imprensa dita generalista ainda há muita parcimónia e paninho quente para tratar dos últimos escândalos do nosso futebol, mas as coisas lá se vão falando. E acredito que até começar o campeonato ainda teremos mais algumas pérolas para apreciar.

6) O calendário para 2017/2018
Parece-me que não nos podemos queixar do calendário para a próxima época. É certo que temos de jogar com todos em todos os estádios, mas não dar importância ao encadeamento dos jogos é uma estupidez. Com a pré-eliminatória da LC para ser jogada, obviamente que é diferente começar o campeonato em Aves do que, por exemplo, em Braga ou Guimarães. Até à oitava jornada, quando jogamos em casa com o Porto, temos 6 jogos acessíveis e uma deslocação dificil a Guimarães. É importante chegar a esse jogo com 21 pontos, para em caso de vitória com os nossos rivais do norte, possamos assim embalar na classificação.