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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Varandices

Uma mão cheia de nada.
Escrevi no meu último post que, caso existissem provas evidentes que implicassem Bruno de Carvalho na ataque à Academia, ele só tinha era de apodrecer na prisão. Houve quem não gostasse do que escrevi, mas nisto de defender o Sporting acima de tudo e de todos, eu sou mesmo assim. Quem ataca o meu clube não me merece consideração. Pior ainda se esse ataque viesse de quem tem o dever de o defender logo na primeira linha. Nunca acreditei que Bruno de Carvalho fizesse algo do género, mas se há coisa que aprendi na vida é que não posso pôr as mãos no fogo por ninguém. Fico contente que todo este circo mediático tenha parido uma barata, pois mostra que não me enganei em relação ao nosso ex-presidente. 
Não deixa de ser de curioso que muitos dos palradores que hoje assumem o mediatismo em nome do Sporting, se tenham tornado conhecidos graças a Bruno de Carvalho. Quem era Rui Morgado, José Pedro Rodrigues ou Vítor Ferreira antes de Bruno de Carvalho os ter chamado de "sportingados"? Quem era Eduarda Proença de Carvalho ou Jaime Marta Soares antes de serem convidados para a MAG nas listas do Bruno? Bruno de Carvalho teve esse dom de criar sportinguistas famosos apenas porque não gostava deles. Mas ele vivia bem com isso. Gostava de espingardar, debater, achincalhar os sportingados, com o mesmo empenho em que discutia com "Mister Burns", o "Rui-Santos-Feitio-de-Gaja", o "Labrego Salvador" e tantas outras personalidades da nossa vida pública. Tendo gerado tantos anti-corpos fora do mundo sportinguista, Bruno de Carvalho tornou-se um alvo a abater, custe o que custasse. André Geraldes disse que a partir de Janeiro deste ano, BdC começou a dar sinais de que não estaria bem, tendo entrado em derrapagem emocional nos meses seguintes. Este foi o "tal" erro da comunicação do ex-presidente, não ter percebido que a partir de uma determinada altura, já não estava a mobilizar sportinguista algum, mas apenas e só a criar mais inimigos. E tantos que ainda tem hoje.
Nervos de aço. É disso que o presidente do Sporting Clube de Portugal precisa para levar o clube ao lugar onde merece estar. Estamos num país minado e submergido por essa imensidão que é o Estado Lampiânico. Não bastasse o inimigo externo, temos ainda essa velha particularidade de termos as nossas próprias ratazanas dentro de portas. Ratazanas, notáveis, croquetes, viscondes, sportingados, enfim, chamem-lhes o que quiserem. São todas elas pessoas que estão plenamente convencidas de que o clube lhes pertence, seja porque são descendentes dos fundadores, seja porque tal advém do seu próprio estatuto social. E que passado a deriva brunista, querem recuperar o seu lugar no clube seja a que preço for, nem que para tal - Oh, pasme-se!!! - tenham de boicotar a actividade normal do clube.
Veio esta conversa toda a propósito do empréstimo obrigacionista que está em curso. Não vou sequer pegar naquela parte em que todos os sportinguistas, especialmente os anti-brunistas, repetem que afinal a situação financeira do clube "nem estava assim tão má" quanto temiam (Oh, pasme-se novamente!). Vou antes pegar nos últimos discursos do presidente Varandas, onde este afirma, com ar mais ou menos surpreendido, que a operação financeira tem estado a ser boicotada por muito boa gente, incluindo sportinguistas de renome. Acho curioso que volvidos pouco mais de dois meses de ser eleito, Varandas venha já choramingar na praça pública que descobriu qual a verdadeira essência do croquetismo. E que por esta altura, talvez já saiba que aquilo de "unir o Sporting" é uma tanga. Custa descobrir que afinal somos cornos, com tão pouco tempo de casamento. Varandas tem agora dois caminhos para seguir. Ou faz como aquele vizinho de cima, que arma um puto dum banzé quando sabe que a mulher anda a dar cambalhotas com o padeiro, até expulsa-la de casa nem que seja a pontapé. Ou então faz como o outro do fundo da rua, que preferiu amochar e continuar a passear de braço dado com a sua bela mas meretriz esposa, porque isto de arranjar quem nos faça a comida e lave a roupa dá muito trabalho. Se fosse Bruno de Carvalho, saberíamos qual o caminho que ele seguiria. Quanto a Varandas, ainda desconheço que estrada pretende ele trilhar, mas atendendo às reuniões com "notáveis" que ele já promoveu, não me parece que queira agora deixar a prendada "esposa" que tanto trabalho lhe deu a encontrar...

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Varandas, os peseiristas e os sportingados

Um dia, Frederico Varandas teria de descer dos céus e aterrar a toda a força no chão. Esse dia apareceu na ressaca de uma noite das bruxas terrível (mais uma), onde voltámos a colecionar mais um desaire á longa lista que vamos acumulando, pois não me lembro de algum dia ter perdido em casa com uma equipa de escalão inferior, depois de estar a ganhar (com a Naval, em casa, nunca estivemos a ganhar).
Não obstante a vergonha de perder em casa com o Estoril, de termos sofrido 4 golos diante o Portimonense, de quase termos perdido com o colosso europeu Vorskla Poltava, de termos feito um jogo paupérrimo diante do Loures, de exibições sem qualquer pingo de futebol minimamente bem jogado, assistimos estupefactos a uma manifestação sem precedentes de "peseirismo".
E quem são os "peseiristas"? Começo pela malta do costume: os cartilheiros enfarinhados, os jornaleiros sem espinha vertebral, a corja de inúteis parasitas que gravita pelo nosso futebol, que aproveita estes episódios para mostrar "provas de vida", como foi o caso da associação de treinadores. Todos com o denominador comum de fazerem parte de uma longa tradição de utilizar o Sporting para desviar o foco de outros palcos que mereciam ribaltas mais condizentes.
Se dos cartilheiros não esperava outra coisa que não o contorcionismo de transformar um treinador banal em supra sumo da táctica futebolística, já o que se passou com os ex-sportingados deixou-me algo surpreendido. Desde a queda de Bruno de Carvalho que os sportingados andavam sossegados. A sua tolerância para com o clube estava a aumentar, contribuindo em muitos casos para criar a falsa ideia de que este novo Sporting estaria pacificado e encarreirado. Se de jornalistas andrades ou lampiões pseudo-isentos não me espantava o peseirismo militante exibido nestes dias, já de malta que sofreu na pele as quatro batatas de Portimão ou o terror da noite das bruxas em Alvalade, esperava outro tipo de reacção. Assisti, incrédulo, ao exercício de branqueamento de João Pedro Rodrigues à miséria futebolística que foi o Sporting de Peseiro. Assisti, igualmente incrédulo, ao exercício de auto-mutilação leonina perpetrado pela nova estrela ascendente do nosso universo, que dá pelo nome de Rita Garcia Pereira. 
Frederico Varandas não tem um trabalho fácil pela frente. Ainda não tinha sido eleito presidente e contava já com a oposição dos antigos brunistas, ressabiados por ter rompido com o anterior presidente logo na ressaca de Alcochete. O seu perfil "anti-Bruno" valeu-lhe a simpatia da opinião pública, bem como dos "notáveis" leoninos. Não deixa de ser irónico que essa áurea de "presidente previdente" tenha começado a cair por culpa dessa imensa nulidade que é José Peseiro. Até porque estava longe de ser inesperada, pois dias antes Sousa Cintra já havia feito o frete de ter "dado á morte" o treinador que escolhera, com aquela entrevista cirúrgica ao Expresso. Até o timming do despedimento parecia ideial, após o humilhante resultado diante do Estoril. Se tudo parecia esperado e perfeito, porque razão os sportingados tiveram reações contra Varandas?
Rita Garcia Pereira levantou parte do véu, logo no dia 1 de Novembro. Mais do que o futebol inenarrável jogado pelo Sporting, custou-lhe saber que Varandas havia chamado os membros do anterior CD para se reunirem com ele. João Pedro Rodrigues completou o quadro, trazendo à baila a auditoria às contas do Sporting com Bruno de Carvalho, aventando a possibilidade do actual presidente escamutear o seu resultado em troca do apoio dos antigos dirigentes. Se assim for, então a coisa faz mais sentido. O que irrita neste momento os sportingados, não é se Peseiro merecia isto ou aquilo, nem sequer se o substituto já deveria ter sido apresentado ou ter este ou aquele perfil. Nada disso. O que irrita os sportingados é que Varandas, neste momento, se esteja a aproximar daqueles que estiveram com o "anti-Cristo" nos últimos anos. Irrita-lhes igualmente que Varandas, quiçá, esteja a ponderar não enveredar por um auto-de-fé contra a anterior direcção só porque sim. Os sportingados queriam sangue, de preferência de Bruno de Carvalho e dos seus antigos vices e vogais, mas parece que Varandas está mais inclinado a dar-lhes flores...
Nunca pensei vir a defender Varandas assim tão cedo, mas, se for assim, então o nosso presidente merece a minha consideração: arrumar a questão do treinador, normalizar as relações com os anteriores dirigentes e não entrar em jogos de "caça às bruxas" apenas para agradar uma determinada "clique". Conseguirá Varandas por o Sporting acima de tudo e todos?

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Desejos para os próximos dias

Já perdi a conta ao número de vezes que tentei fazer aqui futurologia, usando de raciocínio lógico e daquele velho optimismo que acha que "pior não pode ficar". Já dei por várias vezes o nosso actual presidente como demissionário, a crise como acabada e o clube novamente unido. Mas o Sporting tem essa velha peculariedade, de nos conseguir sempre surpreender mesmo quando achamos que já vimos de tudo no nosso clube.
Não sou jurista, mas apesar de saber ler português não vou arriscar dar aqui a minha opinião sobre o que dizem os estatutos. Basta uma volta pelas redes sociais para descobrirmos como é fácil criarem-se tremendas discussões em torno de questões tão simples como a legitimidade da Comissão Transitória da MAG. E como já estou farto de discussões inúteis que mais não servem do que justificar insultos a quem pensa diferente de nós, além de contribuir para o arrastar o nosso clube pela lama, recuso-me a entrar aqui por esse caminho.
Como em tempos escrevi por aqui, os tempos reclamam por serenidade e observação atenta ao que se vai passando em nosso redor. Por exemplo, fiquei feliz por saber que as autoridades deste país finalmente começaram a pegar nas pontas soltas do título conquistado pelo Estado Lampiânico em 2016. O jogo da Madeira foi vergonhoso, mas não foi o único. Esperem pelo jogo de Belém, por exemplo. Poderá Bruno de Carvalho arriscar-se a ser o presidente do Sporting que ganhou postumamente campeonatos? A ser comprovada a marosca lampiã, creio que será da mais elementar justiça. Mas se há algo neste país onde não podemos meter as mãos pelo fogo, é precisamente pela justiça. O "apito dourado" que o diga.
Voltando novamente ao Sporting, e sendo impossível vaticinar o que se irá passar nos próximos dias, não me resta outra alternativa senão cruzar os dedos e desejar com muita força que a actual crise directiva não faça mais mossa do que aquela que já fez. Por isso, na qualidade de sócio deste clube há mais de 30 anos, peço humildemente:
1) Que a AG de 23 de Junho decorra da forma mais ordeira possível, para que a decisão de destituir ou não o CD seja tomada de forma serena, consciente, democrática e livre de pressões;
2) Que o CD reconheça a legitimidade da AG convocada para dia 23 de junho, bem como o seu (único?) ponto de ordem. E que Bruno de Carvalho não tenha medo de (mais uma vez) se pôr nas mãos dos associados do Sporting Clube de Portugal;
3) Para que não aconteça o mesmo que aconteceu na AG de Março, onde um dos principais argumentos a favor do CD era "ou o Bruno ou a croquetada", que surja uma alternativa coerente, conciliadora, dinâmica e capaz de a) não negar o estado caótico do clube e da SAD em 2013, b) reconhecer o mérito das direcções de Bruno de Carvalho na reconstrução financeira do clube, c) manter intacta a capacidade agregadora dos adeptos em torno do clube, manifestado no aumento recente da média de assistências em Alvalade, bem como do número de sócios, d) seja distante das direcções anteriores a 2013, bem como de outras personalidades que pairava em torno dessas mesmas direcções, e) leve por diante a reestruturação da SAD já alinhavada pelo actual CD, nomeadamente o aumento da participação do clube na SAD;
4) Que os sportinguistas não rotulem todos aqueles que actualmente criticam Bruno de Carvalho com o genérico "croquete" ou "croquetada". Peço desculpa, mas este blogue não é o Camarote Leonino ou o Dia de Clube, como o Daniel Oliveira não é o Pedro Madeira Rodrigues, o Sousa Cintra não é o Soares Franco, o Dias Ferreira não é o João Pedro Rodrigues ou o Eduardo Barroso também não é como o Abrantes Mendes. Uma das razões pela qual ainda não surgiu uma alternativa a Bruno de Carvalho fora da redoma "Ricciardi & Rogério Alves" deve-se precisamente a isso, a meterem no mesmo saco coisas que são muito diferentes;
5) Por fim, um desejo que o dia 23 de Junho não seja o fim mas sim o inicio de uma nova página deste centenário clube, com ou sem Bruno de Carvalho. É que nesse dia faltará pouco mais de um mês para começar a nova época e eu, todos nós, queremos muito que esta decorra da melhor forma possível.

terça-feira, 1 de maio de 2018

O ressurgimento do Sistema?

Penso na magnífica equipa do Benfica que foi campeã em 2015/2016 e 2016/2017 e lembro-me de jogadores tremendos, como Jardel, Samaris, André Almeida, Pizzi, Eliseu, Renato Sanches, Jimenez, Carcela, Lisandro, Rafa ou André Horta. E olho agora para esta equipa do Porto, a apenas um ponto de ser campeã, onde demonstram talento jogadores como José Sá, Marcano, Maxi, Herrera, Danilo ou Marega (!!!). Penso nisto tudo e só me dá vontade de chorar...
Do campeonato de 2015/2016, já fui dizendo por aqui tudo o que haveria para dizer. A equipa cujo meio-campo proporcionou uma conquista europeia à selecção portuguesa, que acabou esse campeonato com 86 pontos, foi batida por outra equipa onde pontificavam os jogadores que em cima escrevi. Em 2016/2017 tivemos longe na performance do ano anterior, acusámos em demasia as ausências e não soubemos responder em jogos onde fomos "puxados" para trás. Os 70 pontos conquistados resumem o fracasso, onde nem as outras competições escaparam. Esta época, na melhor das hipóteses, chegaremos aos 83 pontos. E o Porto de Marcano ou Herrera pode fazer 88 pontos. Ou seja, nem com os pontos de 2015/2016 lá chegaríamos. A equipa de João Mário, Adrien e William Carvalho ficaria atrás de Herrera, Sérgio Oliveira e Oliver. É isto.
Perante os impressionantes recordes de pontos alcançados por equipas pouco acima de medianas, treinadas por treinadores que alternam entre o carisma de uma alface ou a esquizofrenia frenética de um Dr. Jekyll/Mr. Hyde, o que é que nos resta a nós, sportinguistas, esperar dos próximos tempos?
Para já, atendendo à corrente noticiosa que vai circulando, mau grado os esforços hercúleos de gabinetes anti-paródia, resta-nos a ténue esperança que o braço judicial deste país encontre e prove tudo aquilo que nós assistimos em campo nos últimos anos contra um clube: jogadores macios, treinadores receosos, árbitros amblíopes e uma "estrutura" de bastidores que trata das pontas soltas.
Quanto à presente época, verdade seja dita que quem vai na frente pode dizer que não precisou do mesmo expediente que o campeão da treta nestes últimos anos. Salvo uma ou outra situação onde claramente foram muito más as explicações, como a bancada do Estoril e a dívida saldada antes da segunda parte, admito que ficou muito àquem do expediente utilizado pelo Estado Lampiânico. Mas é preciso termos calma. É que eu ainda me lembro do que é que aqueles meninos de riscas verticais azuis e brancas andavam a fazer há bem pouco tempo. Virá aí a ressurreição do Sistema?
Muito da próxima época dependerá do que fizermos nos últimos jogos deste campeonato. É fundamental conquistar o segundo lugar e consequentemente a possibilidade de aceder à Liga dos Campeões. Quem ficar de fora do bolo de receitas da LC terá uma vida muito complicada na próxima época. O benfica está à beira de iniciar um processo eleitoral antecipado, como comprovam as últimas intervenções de Rui Gomes da Silva. Junte-se a isto a decrescente investimento dos encarnados na sua equipa, que tenderá a agravar-se sem as receitas da UEFA. E poderemos ter aqui o inicio de uma crise do outro lado da segunda circular. Sem esquecer nos casos criminais que estão pendentes na justiça e que poderão ser despoletados a todo o momento. Se formos nós a ficar de fora da LC, o cenário não será muito diferente. Inevitavelmente virão os inimigos de Bruno de Carvalho atacá-lo e tentar provocar a sua destituição. A nossa reestruturação financeira, sumarizada ontem pelo presidente, poderá ser afectada e ficar em causa. Muito provavelmente teremos de desinvestir no plantel, provocando algumas saídas.
Enquanto o cenário sobre o segundo lugar não se revela, podemos já falar do que significa o porto ser campeão. A equipa portista, arredada há 4 anos de qualquer título de futebol, intervencionada pela UEFA, cumprindo um rigoroso plano de austeridade, ultrapassado pelo benfica na influência atrás dos bastidores, recebe assim um tremendo balão de oxigénio. O porto pode preparar a sua nova época com alguma tranquilidade e folga, podendo recuperar alguma capacidade de investimento que perdera nestes últimos meses. Fora do campo, com a estrutura do benfica a desmoronar-se, o Sistema tem campo aberto para reaparecer. Não tenhamos ilusões. Todos os actores que contribuíram para a manutenção do Sistema, continuam aí. Desde Pinto da Costa, passando pelos seus acessores e vice-presidentes, até à estrutura federativa e da Liga (Fernando Gomes portista e Proença sempre pró-Porto), são todos sobreviventes do passado.
Nos próximos tempos teremos de andar com um olho no burro e outro no cigano. Por um lado, temos de desconfiar das notícias que dão o Estado Lampiânico em queda, que para já me parecem exageradas. Mas por outro, não poderemos ignorar o mais que provável regresso do Sistema. No meio de tudo, estamos nós. Se nos choca ver opositores de BdC de braço dado com Luis Filipe Vieira, já não poderemos dizer o mesmo se os virmos abraçados a PdC. É que se há coisa que o roquetismo demonstrou nos seus anos, é a facilidade com que se pode ignorar ou mandar às malvas os melhores princípios éticos do desporto, por troca de um prato cheio de croquetes.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Recordar é viver: De João Rocha até aos dias de hoje

Diz-se que o homem é ele e a sua circunstância. Mas para que o imediato não nos tolde o discernimento, também se diz que a vida é uma constante aprendizagem. Daí que tenha sentido a necessidade de escrever este post, pois se há coisa que os meus quase 40 anos de sportinguismo me ensinaram, é que nem sempre aquilo que parece, é.
Sendo este post uma espécie de desfile de memórias minhas, não me vou perder com muitos preciosismos. Vou relatar as coisas tal e qual como me lembro delas, por isso espero que me desculpem se falhar nalgum pormenor.
Por estes dias, anos até, um dos nomes que mais se fala é o de João Rocha. O mítico presidente é uma espécie de "Sá Carneiro" sportinguista, alguém cuja memória é invocada sempre que queremos demonstrar sportinguismo. Roquetistas, croquetes, brunistas, todos choram por João Rocha. Mas ao contrário de Sá Carneiro, que acabou a sua carreira política de forma abrupta e involuntária, João Rocha foi "corrido" de Alvalade. Não conseguiu o apoio necessário para travar uma guerra sem tréguas com a então figura ascendente do futebol português, Pinto da Costa. Agastado com as punhaladas nas costas dos "notáveis" do costume, alegou problemas de saúde e bateu com a porta algures em 1985 ou 86. Há sobretudo duas coisas que todos associamos a João Rocha: ecletismo e património. Não deixa de ser interessante ouvir sportinguistas ligados a direcções que rebentaram literalmente com as modalidades e o nosso património, virem chorar pelo legado de João Rocha.
Quem sucedeu a João Rocha foi Amado de Freitas, indicado pelos "notáveis" do Conselho Leonino, cujo mandato pouco serviu além de antecâmara de Jorge Gonçalves. O "bigodes", que pouco depois fugia para Angola depois de nos deixar com uma dívida brutal. Quem pegou então no barco foi Sousa Cintra, o famoso presidente que quando questionado se gostava de Mark Knopfler (os Dire Straits iam actuar em Alvalade daí a uns dias) disse que era um bom jogador para a nossa equipa. Sousa Cintra era assim, uma figura algo parola, careca, com acentuado sotaque algarvio (o "Figue"), pato-bravo e arrivista social, que fizera fortuna com o comércio de águas engarrafadas. Era tudo o que não estavamos habituados a ver, ou a imaginar, á frente do Sporting. Daí que os seus 5 ou 6 anos de presidência tenham sido sempre de constante bombardeamento dos "notáveis" sportinguistas do costume, além dos nossos rivais. Efectivamente, o Sporting construiu nesses anos boas equipas, com muita juventude a que se juntaram jogadores experientes e treinadores consagrados. Foram dados alguns tiros nos pés, como a demissão de Bobby Robson, a telenovela em torno de Figo ou a compra desastrosa de Paulo Sousa, mas em contrapartida lutavamos pelos campeonatos e estivemos muito perto de ser campeões, em 1994 e 1995. Sousa Cintra acabou também por sair, pressionado pelos "notáveis" e pelos adeptos. Na altura, dizia-se que tínhamos uma dívida insustentável, pelo que urgia arranjar soluções para a pagar.
Entra então em cena José Roquete e o seu famosíssimo projecto para o Sporting. Roquete pode-se gabar de ter conseguido ganhar um campeonato ao fim de 18 anos (2000) e ter dado condições para se conquistar outro (2002, já com Dias da Cunha presidente). Em traços gerais, o projecto Roquete serviu para introduzir no clube uma filosofia economicista e de alta finança onde só havia paixão e amor à camisola. Em troca da "sustentabilidade" das contas do clube, livramo-nos de "desperdícios" como as modalidades de pavilhão, "rentabilizámos" o nosso património e acabámos a hipotecar a nossa competitividade desportiva a troco de uma "aliança" com o porto, onde ficamos com a parte de gatinho. 
Em 2013, os nossos "notáveis", curiosamente muitos do que ainda por estes dias continuam a opinar sobre o Sporting, falavam abertamente da possibilidade do clube fechar portas e abrir-se outro, que começaria a competir na III divisão. Falavam na inevitabilidade da bipolarização do futebol português, cujo mercado era incapaz de sustentar três equipas "grandes". Por fim a "belenização" do Sporting, apontado com destino mais que provável das nossas coisas. Entretanto, em 2018, já ouvi alguns desses "notáveis" dizer que afinal a restruturação da banca, bem como o projecto do pavilhão, já estavam prontos em 2013. E que esta crise ainda é maior do que a desse ano. Oiço isto e penso que se calhar não é só Bruno de Carvalho que deveria estar num manicómio.
Mas não é só sobre João Rocha, Sousa Cintra e os "notáveis" que eu vos queria aqui falar. Gostaria de falar de Paulo Futre, o meu primeiro e último ídolo jogador do Sporting, que saiu de sua casa em direcção à terra cintilante do dinheirinho (e contribuiu para afundar a imagem de João Rocha). Luis Figo, outro dos nossos "meninos de ouro", que saiu em 1995 amuado. Falar de Sá Pinto, grande sportinguista, que não tolerou a falta de respeito de um jogador do Sporting (outro menino querido na altura, Liedson) e saiu corrido de Alvalade. Costinha, que lhe cheirou a "esturro" a "lesão" de Izmailov, mas cuja corda partiu para o lado dele. Augusto Inácio, entalado por Pedro Barbosa. José Peseiro, que viu o seu balneário amotinado ao intervalo de uma final europeia, que estava a ganhar. Pensem nestes episódios todos da vida do nosso clube e tentem lembrar-se de quem foram os maus da fita, quem é que os "notáveis" se apressaram a cruxificar na praça pública.
Por estes dias, estejam atentos a tudo o que se passa à vossa volta. Desconfiem daquele discurso, que agora também virou moda, de que "nestes últimos cinco anos foram feitas coisas boas" mas que tudo não passou de uma deriva face ao "verdadeiro Sporting". Isto é conversa de "croquete bom", que como na história do "polícia bom e polícia mau", apenas nos tenta conquistar a empatia para que depois o "croquete mau" venha fazer o "trabalho sujo". E que trabalho é esse? O mesmo que se fez depois de João Rocha e Sousa Cintra terem saído, que é tornar o Sporting "propriedade" de uma elite social e desportiva, onde o interesse sobre o futebol (exclusivo) acaba quando começa o interesse dessa elite sobre o clube. Um clube onde o "glamour" e o "parecer bem" se sobreponham ao "Esforço, dedicação, devoção e glória". Onde o "Campo Grande Sport Club" se sobrepõe ao Sporting Clube de Portugal.
É a minha convicção que Bruno de Carvalho não sobreviverá a esta crise. Mas estou certo que o espírito de tudo o que representa continuará bem presente. O Sporting eclético, zelador do seu património, inconformado com a derrota, com garra e uma tremenda sede de vitória, socialmente transversal do topo sul à central poente, desalinhado com "esquemas" de polvos e frutas. Está na hora de enterrarmos de vez o "Campo Grande Sport Club". 

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Os croquetes bolorentos ou o Campo Grande Football Clube do Séc. XXI

No dia do aniversário de Bruno de Carvalho, assinalado no meio de um turbilhão inusitadamente criado após uma AG de sócios, Rogério Casanova parabenizou o nosso presidente escrevendo o melhor texto que alguma vez se escreveu sobre o actual Sporting. A sua leitura é obrigatória para todos aqueles que esperam estar no dia 17 de fevereiro no pavilhão João Rocha, pois incita-nos a fazer uma introspecção sobre as convicções que temos sobre o nosso presidente e o Sporting, confrontando-as com a realidade possível. 
No que às minhas convicções diz respeito, Casanova adjetiva-as de "messianismo", face à impossibilidade de elas se concretizarem no mundo real. Realmente, ter "lady na mesa, uma louca na cama" é tão improvável como ocorrer aquela velha máxima portuguesa de "fazer sol na eira e chuva no nabal". Confesso que sempre tive uma atracção pelo messianismo, mais ainda pela sua particular manifestação tão portuguesa que é o sebastianismo. As quadras onde Bandarra suspirava pelo salvador Encoberto, as profecias do regresso de Dom Sebastião na manhã de nevoeiro, são histórias de um povo que sofre as amarguras do dia mas acredita num futuro melhor. E se há clube onde os seus adeptos melhor encarnam o "messianismo" sebastiânico ou outro, esse clube realmente só podia ser o Sporting. A crónica do Casanova lançou em mim este interrogação, se valerá a pena suspirar pelo futuro que há de vir, quando o presente está já aí. E por muito que seja o que nos inquieta hoje, muito mais há para saudar. 
Mas não é isso que me trouxe aqui hoje. Hoje vim aqui falar de croquetes. Não daqueles croquetes saborosos e estaladiços que a minha sogra faz, mas de croquetes velhos e bolorentos, que por estes dias nos têm tentado servir. Aqui há tempos, escrevia ainda umas crónicas para o Cherba no "Hoje escreves tu", fiz este texto sobre um comentário que li no camarote leonino. Estávamos em Novembro de 2015, tínhamos uma excelente equipa, íamos à frente na classificação e dias antes havíamos eliminado o benfica para a Taça de Portugal. Perante esse momento, que significava um ponto alto no Sporting dos últimos anos, o comentador "Nação Valente" proferiu um discurso onde se lamentava do estado do Sporting na altura, e concluiu dizendo que pela primeira vez não lhe soubera bem uma vitória do Sporting. Uma vitória sobre o benfica para a taça de Portugal, entenda-se. O tal "Nação Valente" tornou-se entretanto blogger do camarote, quiçá aproveitando a mudez do CityLion...
Mais de dois anos volvidos, descobrimos de repente que afinal há um conjunto de sportinguistas para os quais é mais importante quem gere o clube do que o próprio clube. Ele é a Pipinha do Show Nico, é o outro que foi entrevistado pelo Jogo... nada de importante, pois acredito que não passem de uma ínfima minoria. Mas a desfaçatez com que "sportinguistas" admitem em público preferirem a derrota do seu clube, causa-me arrepios na espinha. É que nada me garante que esta gente não esteja à frente do clube daqui a uns anos... ou meses.
Hoje confirmei também aquilo que já se anunciava há alguns dias, que Pedro Madeira Rodrigues não poderá ir à AG de 17FEV. Mas que exorta os opositores á actual direcção a ir. "Ide vós lá dar a cara e o corpinho às balas, que eu tenho mais que fazer". A atitude de Pedro Madeira Rodrigues não me surpreende, pois afinal esse foi o expediente a que os dirigentes do Sporting mais recorreram. Desde que Dias da Cunha desmascarou o Sistema e até chegar Bruno de Carvalho, as direcções do Sporting simplesmente fugiram sempre que se deparavam com problemas. Fugiram do Apito Dourado, fugiram das escutas onde o nosso Paulinho era enxovalhado, fugiram de fazer respeitar o Sporting nos meandros do futebol nacional, fugiu o Dias da Cunha, fugiu o Soares Franco assim que se desfez do património do clube, fugiu o Betencourt de férias para o Brasil quando a o clube estava a afundar-se, fugiram dos sócios, fugiram das responsabilidades... 
Rogério Casanova escreveu que no passado, à falta de vitórias, o Sporting apegou-se demasiado ao conforto da superioridade moral, pois se não podíamos ser os maiores, ao menos fôssemos os melhores. Concordo em parte. Acredito que a massa adepta encarnou esse espírito de "antes melhores que maiores". Mas não a "classe dirigente" e a "elite" que a rodeava. Esses não o faziam por qualquer tipo de conforto moral. Faziam-no porque simplesmente não queriam saber se ganhávamos, fosse bem ou melhor. Para essa "elite" o Sporting não era um clube desportivo, era uma associação de amigos, onde se comiam uns croquetes maravilhosos e bebiam uns bons whiskeys, e que nas horas vagas iam assistir a uns jogos. Por isso fugiam sempre que o assunto não era resolvido num buffet. Era uma espécie de "Campo Grande Football Clube" do século XXI. 
Ainda não sei o que farei no 17FEV, se cederei à chantagem do nosso presidente ou se ficarei à espera do regresso de Dom Sebastião. Enquanto não chega o "Desejado" na manhã de nevoeiro, nem nos é dado a conhecer o novo prato de croquetes que Bruno de Carvalho anunciou que iria aparecer nos próximos dias, uma coisa sei bem e tenho a certeza: não quero croquetes velhos e a saber a mofo. E não quero que o Sporting se transforme noutro "Campo Grande Football Clube". Com ou sem croquete.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O dilema

Cerca de 10 meses depois de um resultado eleitoral esmagador, eis que o Sporting se depara com um tremendo dilema (mais um).
Não nos basta ter ganho o primeiro troféu oficial da época de futebol, estarmos ainda a disputar todas as outras competições e só dependermos de nós para sermos campeões. Não basta igualmente estarmos na frente em voleibol, futsal, futebol feminino e andebol. Também não basta estarmos a lutar taco-a-taco o campeonato de hóquei em patins, termos ganho duas competições europeias de corta-mato, estarmos na final-four europeia de futsal e continuarmos a disputar a champions de ténis de mesa. Nas vitórias como nas derrotas, é fatal como o destino que o nosso clube tenha de tropeçar naquilo que chamam de "crises". E nem mesmo na melhor época desportiva dos últimos anos (últimas décadas, digo-o eu), com a direcção eleitoralmente mais legitimada de sempre, conseguimos fugir à filha da puta da crise.
Sim, eu lembro-me como estava o Sporting em 2013, quando Bruno de Carvalho chegou à presidência. Sim, eu sei que nestes últimos 5 anos passamos de um clube simpático que "fazia falta ao desporto em Portugal" para uma potência desportiva temida e odiada. Passámos de clube devedor e falido a clube economicamente robusto e sustentável a médio prazo. E sim, eu sei que 90% disso foi conquistado graças à preserverança e carolice de Bruno de Carvalho.
Ontem percorria as redes sociais e os comentários dos "brunistas" iam sempre no mesmo sentido: foi ele que tirou o clube do buraco e lhe deu a aura de potência que tem hoje, logo tudo isso justifica que a 17 de fevereiro lhe passemos o cheque em branco que nos foi exigido. Actualmente parecemos os lampiões, que perante o rol de acusações e suspeitas que envolvem o seu clube, nos respondem sempre com o "Ah, mas o Paulo Pereira Cristovão coiso e tal...". Neste momento, os sportinguistas que apoiam a actual direcção, eu incluído, usam o argumento do "Bruno salvador" para lhe perdoarmos todos os desvaneios, os delírios, as desbocadas, as discussões facebookianas com figuras menores dos clubes rivais ou com jornaleiros e paineleiros desportivos. E até quando o facto de Bruno de Carvalho ter sido o nosso salvador, vai justificar que continuemos a aturar todas as  suas telenovelas mexicanas em torno do Sporting?
A pergunta seria de resposta fácil, se entretanto vissemos surgir alguém no horizonte que pudesse seguir o que de melhor foi feito por esta direcção, sem ter de cair nos mesmos erros. O grande problema da chantagem, da clarificação, do all-in ou lá como quiserem chamar ao que BdC fez ontem, é precisamente esse: se o actual CD cair e não se recandidatar, o que é que virá a seguir?
Este é o dilema por onde a nação sportinguista terá de passar até dia 17. Por um lado temos o Sporting entrincheirado, as guerras do Facebook, o presidente adepto. E o que temos do outro lado? Pedro Madeira Rodrigues? Croquetes e rissóis? O Camarote Leonino? A malta dos outdoors? Os gajos que vão aos almoços com o Vieira? Os dragartos? Os informadores do Pedro Guerra? Mas com tanto sportinguista ilustre por aí, será que não há ninguém que seja capaz de dirigir o nosso clube com a mesma paixão que o actual presidente, mas sem ter de estar constantemente em guerra com o resto do mundo?
Sempre que passa na televisão, eu gosto de ver aqueles documentários a preto e branco sobre os meses que se seguiram á revolução do 25 de Abril, o chamado PREC. Portugal tinha saído de uma ditadura de várias décadas, era um país atrasado e subdesenvolvido, que estava nas mãos de uma pequena elite política, social e financeira. Na altura brilhava um homem chamado Pinheiro de Azevedo, primeiro-ministro do último governo provisório e tio-avô de Bruno de Carvalho. Numa época em que os radicalismos andavam á solta pela rua, Pinheiro de Azevedo ficou para a história como o "Almirante sem medo", tal era o desassombro com que enfrentava os seus adversários políticos, recorrendo inclusivamente a uma linguagem mais grosseira. Entretanto veio o 25 de Novembro, o PREC chegou ao fim e os radicalismos foram varridos da vida política, dando lugar à nossa actual democracia de "tipo ocidental". Apesar da utilidade de Pinheiro de Azevedo, o seu tempo havia terminou com o fim da agitação política. O Sporting neste momento vive num tempo parecido com o PREC, de constante agitação interna. Da mesma forma que Portugal se emancipou e se livrou daquele chavão gonçalvista de "ou estamos com a revolução ou estamos com a reacção", também o Sporting precisa de se emancipar, livrar-se dos croquetes e dos ultra-brunistas, encontrar um caminho mais moderado, que em igual medida respeite o que de bom foi feito nos últimos anos e afaste o que de mau aconteceu.
Estará o Sporting Clube de Portugal pronto a emancipar-se da tutela paternalista dos croquetes e do seu radicalmente oposto brunismo? E estando preparado, haverá alguém, neste momento, no universo sportinguista, que se assuma como uma terceira via e leve o seu projecto em frente? Não existindo essa terceira via, estará Bruno de Carvalho em condições de prometer um Sporting menos bélico, menos entrincheirado, como contra-partida do "respeito e ordem" que pede aos sócios sportinguistas?Será que foi coincidência o Sporting ter atingido a sua melhor fase em diversas modalidades, como há muito não se via, precisamente quando Bruno de Carvalho trabalhava remetido ao silêncio?
Se acham que o que vai estar em discussão a 17 de fevereiro são umas alterações estatutárias e disciplinares seguidas de aclamação ao lider, estão redondamente enganados. O que vai estar mesmo em discussão, nesse dia, é só uma coisa: será que o Sporting Clube de Portugal, em Fevereiro de 2018, ainda precisa de Bruno de Carvalho? Este é o nosso dilema.

terça-feira, 7 de março de 2017

Rescaldo das eleições I - A derrota do anti-Brunismo

O acto eleitoral de sábado não teve nada que ver com o Sporting ou o seu futuro. O que verdadeiramente foi a votos foi o brunismo contra o anti-brunismo. Com este resultado, quem sai verdadeiramente derrotado não é só Pedro Madeira Rodrigues, mas também os camarotes leoninos desta vida. As personagens que dedicaram os últimos 4 anos a falar mal de Bruno de Carvalho porque sim, tiveram hoje a sua resposta final. Ninguém liga para o que dizem, ninguém os leva a sério, tudo foge deles. 
Certamente que o Camarote Leonino não encerrará portas e irá continuar - quiçá com mais fervor - a sua cruzada anti-Bruno. Não poderão é contar com aquela "certeza" de que falariam por uma maioria silenciosa que nunca se manifestou. O Camarote continuará a fazer as delicias dos adeptos rivais, desejosos que estão de narrativas anti-Bruno. Triste sina a deste blog, que de retrato dos "verdadeiros sportinguistas", acabará em leitura de cordel de anafados lampiões e andrades, cumprindo assim o seu papel de idiotas úteis.
Quanto a Pedro Madeira Rodrigues, estas eleições foram um verdadeiro jackpot. De ilustre desconhecido, passou a sportinguista famoso. O seu anti-brunismo primário, que lhe toldou as vistas durante a campanha eleitoral, abriu-lhe as portas do mediatismo. A nossa comunicação social não gosta de Bruno de Carvalho, e isso vê-se no tempo de antena que cedem a figuras do universo leonino que o criticam. PMR terá a partir de agora também o seu espaço mediático para explorar. Caber-lhe-á apenas a ele decidir o que fazer com essa exposição. Ou torna-se, à semelhança do Camarote, numa espécie de "sportinguista de estimação" dos nossos rivais, ou então interioriza as razões da sua derrota e muda de postura. Parece-me que o candidato derrotado não é daqueles que toma "banhos de humildade", preferindo talvez manter a sua pose altiva. Mas, quem sabe, talvez nos venha a surpreender, despindo o seu fato de anti-Bruno e preferindo enveredar por uma oposição credível, digna, coerente e assertiva.
O anti-brunismo continuará a saltitar por aí, seja levado pela mão da lampionagem e dos andrades, seja pela conveniência mediática. Continuaremos a assistir ao desenrolar de mentiras e deturpações sobre Bruno de Carvalho. Apesar da derrota esmagadora, estes antis não desapareceram da face da Terra, não. Simplesmente deixaram de contar como alternativa séria para o clube.  

domingo, 5 de março de 2017

Chapada de Luva Branca

Havia algo que não estava bem.

Naquele grande barómetro que são os cafés de Portugal, não se ouvia um único sportinguista que dissesse "Vou apoiar o Madeira" ou "Com o Rodrigues é que vai ser". Pelo contrário, só se ouvia gabar a forma como o extrovertido Bruno levantou a auto-estima dos sportinguistas, salvou o clube da bancarrota, construiu o pavilhão e meteu a equipa a lutar pelo título. Também se dizia que "Ah, mas ele é desbocado, fala muito, devia estar mais calado!". Mas nunca ouvi ninguém dizer que "Estou farto do Bruno, vou apoiar o outro candidato!".
No trabalho, aqueles sportinguistas com quem bebemos café à segunda-feira de manhã, praguejavam contra a actual época miserável, contra as arbitragens, contra a casmurrice do Jesus. Achavam que "O Bruno por vezes se excedia mas, caramba!, o homem meteu o Sporting outra vez na luta!". Hoje dá gosto ir a Alvalade cantar o "Mundo sabe que!". "E o pavilhão? Dassse!". "E a venda do João Mário e do Slimani?".
Aquele nosso grupo de amigos da escola, de infância, aqueles sportinguistas com quem falamos de futebol desde os anos 70 ou 80, todos lembravam o regresso das modalidades, a luta no ano passado. as noites frias de Alvalade há 4 ou 5 anos e o calor humano que agora por lá se sente. "Bolas, é obra!". Nem aquele nosso amigo sportinguista resmungão, para quem "São todos coxos!" ou "Não jogam o caracol", "Querem é ganhá-lo, correr tá quieto", alguma vez disse "Fdx lá ao Azevedo de Carvalho, vou dar agora a oportunidade a outro!".
Nos jornais, os escribas de serviço vendiam crónicas e peças jornalísticas com mil e uma teorias sobre a divisão que existe no Sporting, a rotura entre os sócios, a atitude do presidente Bruno que só separa, não unifica. Nos espaços de opinião pululavam sportinguistas que repetiam a mesma lenga-lenga, de que estamos num clube dividido, crispado e que após estas eleições ainda mais divididos e crispados ficaríamos. 
Após o debate, onde muitos viram cobardia, fraqueza, embaraço de Bruno de Carvalho, eu vi postura e sentido de estado, com muito pragmatismo à mistura. Onde os jornais, adeptos adversários e alguns croquetes, viram PMR entalar o Bruno, ganhar pontos ou arrancar para a vitória, eu vi vacuidade, cretinice e falta de vergonha na cara.
Para mim era óbvio quem iria ganhar as eleições, e cheguei a ponderar nem perder o meu precioso tempo a ir votar ao estádio. Todos os sportinguistas a quem confidenciei este desabafo avisavam-me dos perigos disso: "Olha, como foi na América, pensavam o mesmo e ganhou o Trump", "Olha os ingleses, ninguém dava nada pelo Brexit e lá vão eles agora de patins". 
Nestes últimos dias a sombra adensava-se. O nosso presidente era um Trump, o nosso lucro era martelado, as eleições iam ser uma tragédia, no dia 5 de março ia começar a guerra civil...

Chegamos ao dia 4 de Março.

Estacionei o carro por debaixo do Alvaláxia, eram quase 11 horas. Vim de manhã, convencido que àquela hora ainda havia pouca gente. Passei pela porta do Directivo e comecei a ver cada vez mais gente, até parar perto da porta 4, onde começava a fila. Olhava para a face dos outros sócios que ali esperavam como eu ou que por ali passavam e reparei em algo extraordinário. Onde contava ver rostos apreensivos, ares preocupados, silêncio, temor, pois o momento do Sporting era grave, deparei-me com olhares de esperança, caras alegres, sorrisos e aquele brilho dos olhos de quem se sente motivado e confiante para um embate. Apesar da espera, que ainda passou os 30 minutos, não se via ali ninguém zangado, aborrecido, preocupado. Estava uma atmosfera estranhamente tranquila, amistosa até. Todos se riam do tamanho da fila, todos falavam do Bruno, não ouvi ninguém dizer "Basta" ou "Quero mudar". Não. E por cada magote cada vez maior de sócios que chegava à fila, mais essa confiança se notava, transbordava e entranhava. Mas não se ouviu um impropério, um insulto, uma palavra feia, fosse sobre o BdC ou PMR ou até dos jornalistas que assistiam atónitos ao que se ali se passava.
À noite ainda ouvi na TV que os 18755 votantes, que constituíram o maior número de votantes numas eleições do Sporting, vieram votar por "medo". Seja lá o que isso for.

Imaginem agora que os 18755 sócios que votaram ontem, mais aqueles cujo voto não foi reconhecido por falhas notariais, eram uma grande mão.
O que se passou ontem foi que essa grande mão calçou uma luva branca, aquela luva branca que o Éder levou para a final do Europeu, e deu uma valente chapada de luva branca em todos aqueles que nestes últimos 4 anos mentiram, omitiram, distorceram, gozaram, com o Sporting, sejam eles jornalistas, opinadores, adeptos rivais, sportinguistas ilustres, croquetes anónimos. E com um sorriso nos lábios, os olhos lacrimejados pela emoção mas já ensonado pelo adiantar da hora, lhes disse baixinho: "Ide bardamerda mais a desunião e a crispação no Sporting!".


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

A Canalha

CA-NA-LHA
Substantivo feminino
1. Bando de pessoas consideradas desprezíveis ou de mau carácter
2. Conjunto de crianças pequenas
Substantivo masculino:
1. Patife

"Canalha" in dicionário Priberan da Língua Portuguesa em linha, consultado a 28-02-2017.


"Quem criticou não é adepto do Sporting, é adepto de um novo clube que é o Sporting Clube de Carvalho". Foi desta maneira seca e rude que o candidato, ou quem gere a sua página oficial, argumentou contra quem critica a sua escolha para treinador do Sporting. O que para muitos é uma surpresa, para mim é apenas uma confirmação. Experimentem ir ao Camarote Leonino debater contra a opinião dos seus editores. Serão brindados com mimos do género: "soldadinhos da falange", "brunistas", "avençados", etc. Esta frase é só PMR a ser CityLion, apenas isso.
Actualmente a oposição a Bruno de Carvalho resume-se a isto: uma canalha mal-educada, mimada, que na falta de melhores argumentos recorre ao insulto, à maledicência e à mentira descarada.
As canalhices desta chusma de ressabiados vem desde os primeiros tempos de Bruno de Carvalho. A sua face visível era a invisibilidade de alguns blogs. Desde a distorção intelectual que promovem diariamente, passando pelos ataques pessoais aos elementos da actual direcção do Sporting, até ao uso exaustivo de "Azevedo de Carvalho", estes blogs tem feito de tudo para atacar e descredibilizar o nosso clube. Juntemos-lhe os cartazes anónimos da 2.ª circular, a gravação anónima do Ricciardi... é muito anonimato para tão pouca assumpção. 
Ao assumir-se como candidato a presidente do clube, Pedro Madeira Rodrigues deveria ter dito logo ao que vinha, apresentado o seu jogo. Da mesma forma que o General Sem Medo disse sem hesitar que "Obviamente demitia" Salazar, também o nosso candidato deveria ser homenzinho o suficiente para admitir que sim, era ele que escrevia os artigos assinados pelo CityLion; Sim, sempre detestou e desprezou Jorge Jesus e que iria correr com ele no primeiro dia; Sim, a indemnização jamais seria paga pelo Sporting porque ele iria recorrer para os tribunais ou imputaria a dívida a BdC; Dizer logo que pretende reatar relações com os nossos rivais, com os fundos, com quem cortámos relações nestes últimos anos. Assume-te, sai do armário, porra!
Ao invés, o candidato preferiu empregar um discurso enviesado, retorcido, com jogos de palavras. Admitiu ter colaborado em alguns blogs, mas não confirma ser o CityLion; não diz como vai fazer para pagar a indemnização a JJ, recorrendo a subterfúgios; a sua contribuição para o pavilhão é outra história rocambolesca; a telenovela do anúncio do treinador fortíssimo, a utilização de uma gravação anónima, sem data, como arma eleitoral. Tudo é obscuro, confuso e incoerente. Nada é claro, inequívoco, assumido.
A forma patética como foge das questões embaraçosas, menorizando a inteligência do público, demonstra o tique sobranceiro da sua personalidade. A contra argumentação com um adepto sportinguista antes do jogo no Estoril, em frente às câmaras, ou a refutação das críticas ao treinador fortíssimo é de alguém que pensa, genuinamente, que só os parvos estão contra ele. É a reacção de um menino mimado, a quem não reconhecem ser o maior lá da escola. Para quem com ele estão os verdadeiros sportinguistas e contra ele os parvos, os "brunistas", os "coreanos", a turba.
Canalha mimada, mal-educada, com tiques de sobranceria e arrogante. Eis a oposição no Sporting.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

A lampionização do Sporting

Uma das narrativas que mais tem passado nos blogs anti-Bruno, quiçá delineada nalgum escritório de marketing e publicidade, é que nestes últimos 4 anos temos assistido à lampionização do Sporting.
A narrativa gira em torno de uma das nossas principais fobias de um Sportinguista, a de sermos associados à lampionagem. Passa por nos fazer acreditar que o Sporting, até então um clube de gente séria, moralmente superior, eticamente inatacável, tem vindo a ser transformado num clube de gente boçal, labrega, seguidista, sem espírito crítico para com a hidra diabólica que nos dirige.
Que o Sporting é um clube diferente no panorama desportivo nacional, não há grande margem para dúvidas: somos  um clube ecléctico, que privilegia o mérito desportivo, que se recusa a entrar em lutas de bastidores pelo controlo imoral do desporto, que não aparece associado a escândalos de corrupção (antes pelo contrário, até os denuncia), onde cada adepto e associado não é estigmatizado pela origem social, económica ou étnica de onde provém. 
Por vezes, a nossa cultura diferente faz com que nos tornemos bonzinhos, como aquela malta que faz falta ao desporto nacional porque dá jeito uns chavões éticos nisto tudo, mas que não conta para nada porque se deixam comer. Também tivemos ovelhas tresmalhadas no nosso seio, como aquele ex-inspector da PJ que tentou entalar o Cardinal mas acabou entalado. Ou episódios tristes, como aquelas eleições de 2011, onde desapareceram urnas que apareceram depois e tudo acabou como sabem.
Desde 2013 até ao dia de hoje, que eu me tenha apercebido, não violámos os princípios éticos e morais que nos diferenciam: mantemos o ecletismo, continuamos a privilegiar o mérito desportivo, lideramos na luta pela transparência do fenómeno desportivo em geral, desde as arbitragens aos fundos de investimento, recebemos todos os sportinguistas de braços abertos. Isto tudo sem sermos bonzinhos, sem termos ovelhas tresmalhadas e sem episódios tristes. Por isso pergunto eu: onde está a lampionização do Sporting?
A lampionização do Sporting, segundo PMR e seus amigos, está nas voltas olímpicas do seu presidente, como se festejar uma vitória do nosso clube com os nossos jogadores para os nossos adeptos fosse reprovável. Está no estilo populista do presidente, como se o enaltecimento das qualidades do nosso clube, o apregoar do apoio incondicional ao clube, a defesa cerrada do clube face a ataques externos, fosse algo apenas ao alcance de lampiões. O vibrar com as vitórias da equipa, com os golos marcados, as exibições, o orgulho de vestir a verde-e-branca na rua, é isso a lampionização do Sporting?
Não meu caro CityLion. Por muito que lhe custe, a lampionização do Sporting não é isso. Lampionização é quando não olhamos a meios para atingir os fins, nem que isso signifique amplificar a mais miserável, vil e mentirosa  propaganda lampiónica anti-Sporting. É quando atacamos o carácter do nosso oponente e vamos buscar o seu passado, porque não temos mais argumentos sérios. É quando inventamos histórias e retorcemos a realidade, por vezes escondidos no anonimato de um blogger ou num cartaz de rua, porque tal serve os nossos intentos ganhadores. É dizer na rua que "sovamos" o adversário. É quando argumentamos que os Sportinguistas tem maior poder financeiro que os outros, como se ser Sportinguista fosse apanágio económico ou social.  
E o que leva um sportinguista como Pedro Madeira Rodrigues, a juntar-se a outros sportinguistas, utilizando meios ignóbeis, baixos, mesquinhos, mentirosos, arrogantes, para conseguirem conquistar a presidência do clube? Senhoras e senhores, eis a Lampionização do Sporting.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O que move os amigos do CityLion contra BdC?

Há dias o Mister do Café apresentou uma pesquisa interessante sobre os compagnon de route de Pedro Madeira Rodrigues neste seu assalto à presidência do Sporting.
Esse artigo tocou nalguns temas que já conhecia, como o envolvimento de PMR na blogosfera anti-BdC. A grande novidade no trabalho engendrado pelo Míster do Café, pelo menos para mim, é o grande envolvimento de agências de marketing e comunicação na campanha de PMR e também na campanha anti-BdC que tem vindo a ser feita desde 2013.
Seja a "Gravity" ou a "Partners", não deixa de ser chocante o envolvimento dos seus sócios em vários episódios infelizes para o Sporting, como os cartazes da 2.ª circular, a publicidade da RTP aos jogos de futebol ou a criação de "factos alternativos" do nosso clube que foram veiculados pelas vozes do estado lampiânico. É quase caso para dizer, com sportinguistas destes, mais valia andarmos com lampiões ou andrades.
Outro aspecto importante a retirar do post do Mister, e que também me passou completamente ao lado, diz respeito ao facto de que esta ligação tão estreita entre agências de marketing e candidatos a presidente do Sporting não ser novidade. A maior parte dos nomes da "Partners" que hoje apoiam PMR, em 2011 apoiaram Pedro Baltazar. Posso por isso concluir que tudo isto faz parte de uma estratégia que tem vindo a ser concertada desde 2011, com o claro fim de dominar a direcção do nosso clube.
Nestes últimos 4 anos, a política comunicacional de BdC foi desastrosa. Já falei em posts anteriores sobre o que acho disso e como a imagem do clube foi prejudicada. O que agora para mim é novidade é que os nossos adversários - o estado lampiânico - alimentam-se de produtos fabricados por esta gente. Uma coisa é a lampionagem difundir pela net os posts anti-brunistas do Camarote Leonino. Mas o que estas agências de marketing estão a fazer é de outra dimensão. Participam activamente no denegrir da imagem do clube, seja em outdoors, seja em publicidade "isenta" na RTP. Se calhar também participaram na célebre publicidade da Sagres contra o Sporting.  Com isto procuram atingir directamente a confiança dos sportinguistas no seu clube. E isto é muito grave.
No final do artigo coloquei uma pergunta ao Mister, que basicamente questionava o que movia esta gente contra a actual direcção do Sporting. Esta campanha de ódio parece desproporcionada, a não ser que haja muito ganho em contrapartida. O Mister respondeu-me que ganham a notoriedade de trabalhar com a marca "Sporting". A mim parece-me pouco. E pergunto-me se isto não será apenas a ponta do iceberg, se debaixo das águas turvas não estará outro plano mais poderoso para tomar de assalto o nosso clube, ao serviço de outros... interesses.... 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Estará a esgotar-se a irreverência brunista?


Bruno de Carvalho deverá ganhar o próximo acto eleitoral do Sporting, não tenho dúvidas disso. Só não arrisco dizer que será uma vitória folgada porque, como é sabido, os votos não são por cabeça. O eleitorado de BdC situa-se mais nos jovens, sócios com menos anos de associado, logo com direito a menos votos. PMR poderá tentar apelar aos sócios mais antigos que votem nele, em contraponto com a irreverência brunista. E será a penetração de PMR nesse sector de sócios que ditará a margem apertada ou folgada da vitória da lista B. Até porque a "irreverência" também já não é o que era.
Bruno de Carvalho apresentou um plano de ruptura em 2011 e repetiu-o em 2013. Quem votava na sua lista fazia-o por estar farto da linha directiva seguida desde 1995. Urgia sacudir as mentalidades, agitar as águas, implodir o status quo. De certa forma os 4 anos de BdC à frente do Sporting corresponderam ao prometido: o clube voltou a ganhar ímpeto, os sócios e os adeptos voltam aos estádios e pavilhões, o Sporting voltou à posição de referência no desporto nacional. É certo que ainda faltam os títulos de campeão no futebol e nas modalidades, como o andebol. Contudo o caminho foi desbravado e hoje estaremos mais perto desses feitos do que em 2013.
Hoje BdC já não é um outsider no Sporting. Os sportinguistas dos vários quadrantes económico-sociais reconhecem no nosso actual presidente capacidade para gerir o clube e elevá-lo aos mais altos patamares do nosso desporto. Perante esta constatação, seria complicado, praticamente impossível, que BdC se furtasse aos apoios desses sportinguistas, mesmo que em tempos estes fizessem parte do que ele quis cortar no Sporting. Isto acontece simplesmente porque o Sporting - e, claro, BdC - precisam de ter do seu lado as "elites" da nossa sociedade. Precisamos de ter banqueiros, jornalistas, médicos, políticos, ex-dirigentes, ex-desportistas, advogados, etc. do nosso lado. Se queremos cerrar filas contra a podridão que grassa no futebol e outras modalidades, temos de contar com todos que queiram ajudar. E é este interesse mútuo que norteia a Lista B e a sua composição.
Confesso também que tenho curiosidade em saber no que resultará a moderação (ou a sua tentativa) nos destinos do Sporting. Em que medida se reflectirá a aproximação de BdC a Ricciardi? Voltará o banqueiro a ter o mesmo domínio sobre o clube que já teve no passado? Como ficará a posição de Álvaro Sobrinho dentro da SAD? Reforçada? E a posição do clube na SAD?
Não sejamos inocentes. No mundo do futebol profissional temos de nos juntar a quem tem capacidade para o financiar e alimentar. Não podemos pensar que conseguimos competir em Portugal e na Europa sem o apoio de financiadores e de agentes desportivos. A grande luta não passa por fazer dos clubes auto-suficientes, mas sim aumentar a transparência dos seus actos. Saber que comissões são pagas, que património é alienado, a capacidade de quem negoceia, etc. 
Será a capacidade de Bruno de Carvalho saber ter junto de si quem quer investir no clube, ao mesmo tempo que não deixa cair essa "irreverência" de querer defender o superior interesse do Sporting, que ditará boa parte do seu sucesso à frente da próxima direcção. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

CityLion, és tu?

Na senda do meu anterior post, continuo a constatar que um dos grandes méritos da candidatura de Pedro Madeira Rodrigues foi a conquista de cobertura diária que a comunicação social lhe dispensa. O candidato tem boa imprensa, é um facto, e tem sabido explorar essa vantagem para se mostrar. Graças ao próximo acto eleitoral do Sporting, PMR passou de mero desconhecido, um sócio entre tantos, para um dos rostos mais visíveis da oposição ao actual presidente. Sendo que me parece provável, a estes dias de distância, que a vitória sorrirá facilmente a BdC, PMR poderá já perspectivar um futuro como comentador do quotidiano sportinguista, como já acontece com Carlos Xavier ou Abrantes Mendes, figuras a quem a comunicação social recorre quando quer meter mais carvão nos nossos assuntos. Se até a personagem inócua de Paulo Farinha Alves conseguiu tempo de antena na SIC Notícias, imaginemos o que não conseguirá PMR, sabendo nós como a CS gosta de beliscar BdC.
Infelizmente o conteúdo das intervenções mediáticas de PMR não tem passado de um mero desenrolar de banalidades e vacuidades, desprovidas de ideias assertivas, projectos ou políticas de futuro para o clube. Aliás, o que tem surgido da espuma que diariamente PMR debita na CS é precisamente a sua faceta "CityLion", que tanto nos habituou no Camarote Leonino. A crítica pela crítica, por vezes pessoal, contra BdC, pegando em temas como a "supertaçazinha" de 2016, os treinadores do Sporting ou as contratações "cirúrgicas".
Ao enveredar pela crítica fácil, PMR acaba por cometer um erro básico: dá mais ares de anti-brunismo do que sportinguismo. É certo que só ganhamos a "supertaçazinha" e a Taça de Portugal, mas foi o melhor que fizemos em 9 anos. Também é certo que não conseguimos manter Leonardo Jardim, mas os treinadores dos últimos 4 anos deram mais garantias que os dos anos anteriores. As contratações "cirúrgicas", mesmo tendo sido uma das pechas da actual direcção, não deixou de apresentar melhorias face às anteriores.
Todos os sportinguistas não deixam de fazer a comparação destes últimos 4 anos com os últimos 15, e mesmo aqueles que possam não se rever no excessivo voluntarismo de  BdC, não deixarão de lhe dar, no mínimo, o benefício da dúvida de lhe conceder outros 4 anos. Mais não seja porque BdC, tem vindo a dar a sua cara desde 2011, quando a crise se tornou manifesta. E porque o clube, de um modo geral, está melhor hoje do que em 2013. 
Quanto a ideias e projectos para o futuro do clube, aguardo com interesse o anúncio de PMR do seu treinador, do seu director para o futebol, bem como outras ideias inovadoras, como a construção do velódromo Joaquim Agostinho ou o clube naval do Sporting.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

05 de Janeiro de 2013 – Lembra-te SEMPRE deste dia (*)

No dia 5 de Janeiro de 2013, fez há dias 3 míseros anos, perdíamos no nosso estádio por 1-0 contra o Paços de Ferreira. No final da jornada estávamos em 12.º lugar, apenas um ponto acima da linha de água. Em treze jogos tínhamos 2 vitórias, 6 empates e 5 derrotas, 11 golos marcados e 16 sofridos.

No nosso plantel pontificavam estrelas como Xandão, Boulahrouz, Pranjic, Jeffren, Viola ou Labyad, orientados por um tal de Franky Vercauteren. Rui Patrício era sistematicamente humilhado nas conferências de imprensa com o seu “vamos levantar a cabeça”. Adrien Silva era olhado como mais uma aposta perdida na prata da casa. Rinaudo e Capel remavam, sem grande êxito, contra uma enxurrada que nos empurrava para o precipício. Uma assistência de 20 mil adeptos em Alvalade era uma boa casa. “Ao futebol português faz falta um Sporting forte”, diziam hipocritamente os nossos rivais, enquanto esfregavam as mãos perante a iminência da bipolarização. A “belenização” do Sporting era um fantasma que já não pairava sobre nós, estava ali mesmo sentado ao nosso lado, a rir-se na nossa cara. Nos programas desportivos eram já os vários “notáveis” sportinguistas que falavam da inevitável falência e encerramento do clube, perspectivado a fundação de um “Sporting 2013” ou “Sporting XXI” a começar nos distritais.

Quando fores ao estádio e estiveres a segurar o teu cachecol por cima da cabeça, enquanto cantas a plenos pulmões o “Mundo sabe que” ao lado de mais 40 mil como tu, quando estiveres a gritar o nosso golo da nossa vitória aos 90 minutos, sim daquela vitória que nos continua a assegurar a liderança, quando abrires o jornal desportivo e vires que o teu clube está no topo da classificação, quando no trabalho ou no café algum aziado se queixar que “os lagartos estão todos eufóricos” ou “que parecem sapos inchados”, lembra-te sempre do dia 05 de Janeiro de 2013. Ri-te porque hoje estás aqui, mas lembra-te que foi há três anos que batemos no fundo e que foi por uma unha do Patrício ou por um cabelo do Slimani que hoje não estaríamos a ver o “Sporting XXI” a jogar com o Sacavenense pela subida à 2.ª Liga.


Por isso grita, grita muito, bem alto, não te preocupes se amanhã estamos ali ou acolá, grita porque hoje estamos aqui, aqui mesmo, no nosso lugar, de onde nunca devíamos ter saído, de onde nos tentaram tirar, empurrar, mas não conseguiram. Grita, grita, grita, grita “Sporting! Sporting! Sporting!”. Sempre!!!!

(*) - Texto publicado na Tasca do Cherba, a 13-01-2016

A confusão que vai naquelas cabecinhas (*)

Aqui há dias, num famoso blog de sportinguistas que tem como missão criticar a actual direcção do SCP, vi o blogueiro de serviço transcrever, com pompa e circunstância, o “eloquente” comentário de um dos seus utilizadores.

Dizia o comentário, escrito por um sportinguista de mais de sessenta anos, que já tinha conhecido várias direcções, umas piores, outras melhores, mas que todas haviam estado ao serviço do clube com espírito de missão. É e continua a ser sportinguista, mas confessa que este presidente lhe tirou o gosto de ver futebol, uma estranha sensação que não consegue explicar. O blogueiro completa o ramalhete dizendo que sentiu o mesmo ao ver o derby (sim, o de domingo passado).

Ao contrário do eloquente comentador, não tenho sessenta mas quase quarenta anos de vida, dos quais mais de trinta foram a apoiar o Sporting, como sócio e assíduo adepto no estádio. Atravessei a famosa seca dos 18 anos, antes de atravessar a actual. Vi o meu ídolo de infância – Futre – ir para o Fruta. Vi uma época nossa (1986/87) começar com um plantel de 13 jogadores. Vi Jorge Gonçalves a afundar o nosso clube. Vi Bobby Robson, que nos treinava em 1993 quando estávamos em primeiro lugar, ser despedido. Vi como terminou a guerra de 1993 entre Sporting e o Carnide, e quanto tivemos de pagar ao nosso rival pela brincadeira. Lembro-me dos treinadores de futuro que contratámos, como Waseige, Materazzi, Jozic, Cantatore, Carlos Manuel, etc., onde apenas o terceiro conseguiu acabar uma época. Neste século vi… bem, todos sabem o que aconteceu na época de 2012/13. E ai sim, confesso-vos, a minha falha de sportinguista: não foi uma sensação estranha, foi mesmo vergonha. Nem tive coragem de fazer sócia do clube a minha filha recém-nascida. Entretanto, logo em maio desse ano tudo mudou… e a minha filha já é sócia.

Já não é do meu tempo, mas sê-lo-á do eloquente comentador de sessenta anos, a história do nosso clube nos anos 60 e 70 do século passado. Espanta-me que não te tenha indignado, envergonhado ou sentido estranho, quando o nosso clube se promiscuia com o poder político então vigente, humilhando algumas das nossas figuras históricas (vide Carlos Gomes e Cândido de Oliveira).

São muitas as histórias do nosso clube centenário, umas mais felizes, outras nem por isso. Uma coisa nos une, enquanto sportinguistas: a paixão pelo clube e pelo futebol. A rivalidade com os nossos “ódios de estimação”, o formigueiro na barriga antes de cada jogo, o golo do Miguel Garcia gritado pelo falecido Perestrelo… quando nesses momentos de explosão de alegria, o melhor que temos para dizer é que não exuberamos porque não gostamos do presidente… A sério? Um prato de croquetes vale mais do que espetar três batatas ao benfica na Luz? O que interessa é o “respeitinho ser muito bonito” e depois andamos a lutar com o Braga e o Belenenses pelo 3.º lugar ou ponderar a falência da SAD? Paixão pelo clube é sinónimo de “lampionização” do Sporting? 40 anos após o 25 de Abril ainda há quem tenha prurido pelo presidente dizer que “O Sporting é dos sportinguistas” e não de uma elite? É este o Sporting que queremos?

Tenho dito.

(*) - Texto Publicado na Tasca do Cherba, a 04-11-2015