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quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Peseiro, Patrício e os c**** de sabão

Estamos a chegar ao fim do interregno futebolístico de Outubro e José Peseiro continua a ser o nosso treinador. Tivéssemos um presidente suficientemente audaz e, quiçá, talvez Leonardo Jardim fosse hoje o nosso treinador. Infelizmente o Sporting vive tempos de pragmatismo (ou conasdesabonismo), não de heróis audaciosos, pelo que temos de nos remeter à nossa triste sina, de que esta época é para nos arrastarmos de campo em campo, rezando para não sermos mais vezes humilhados como o fomos em Portimão. E se a ideia de quem nos dirige é precisamente essa, então Peseiro é o homem certo no lugar certo, pois é impossível queimares o que queimado está.
Entretanto, estes últimos dias trouxeram algumas novidades interessantes, como aquela de que chegámos a acordo com o Wolverhampton por Rui Patrício. Aqui, a única coisa positiva a retirar é o facto de não termos mais que pensar em resolver este assunto. De resto, este negócio está para lá de mau. O valor total da transferência (fala-se em 20 M€) é já por si parco, tendo em conta a qualidade do jogador. Confirmando-se que realmente apenas receberemos 12 M€ pelo jogador (menos 2 M€ que Rúben Semedo, por exemplo), é difícil não desatarmos a chorar. Até porque facilmente se adivinha que Rui Patrício dará novo salto na Liga Inglesa, tal é a forma como o jogador entrou naquele campeonato. E certamente o Wolves cobrirá facilmente os 20 M€ que pagou ao Sporting, pois Rui Patrício valerá seguramente muito mais que esse valor.
E no meio disto tudo, como ficarão os sportinguistas? Amargurados. Dou o meu exemplo, que acredito que seja comum a milhares de outros sportinguistas. Fui dos que vibrou quando defendeu aquele penálti na Madeira, no longínquo dia 19 de Novembro de 2006. Fiquei com os nervos em franja quando Paulo Bento insistiu dar-lhe a titularidade, relegando o experiente Stojkovic para o banco. Nervoso mas com a sensação de que "teria de ser", pois de outra maneira nunca mais teríamos um guarda-redes "nosso" na equipa principal, um "novo Damas". Fiquei orgulhoso quando o "Franguício" se transformou em "São Patrício", tantas as vezes que as suas luvas nos salvaram. Envergonhei-me quando as direcções anteriores obrigavam-no a debitar semanalmente a lenga-lenga de que "é preciso levantar a cabeça". Era dos que gritava "Ruuuuuuiiiii!!!!" cada vez que salvava a nossa a nossa baliza. Ver aquela que era uma das grandes referências da nossa formação, do nosso futebol, abandonar o clube como abandonou, deixou-me triste e revoltado. A ser verdade que abdicou de um crédito de 5 M€ que teria do Sporting, para não criar problemas ao seu antigo clube, então merece (ainda) alguma consideração. Resta-nos aquela secreta e pequena esperança de, à semelhança de Vítor Damas, também regressar pela porta grande ao clube de onde saiu pela porta pequena.
Menção também à guerra desenfreada levada a cabo pelo Estado Lampiânico contra o Artista do Dia e o Mister do Café. Desenganem-se aqueles que julgavam que o "e-toupeira" ou o "MalaCiao" iriam ser machadadas fatais do EL. O Estado Lampiânico continua desavergonhadamente trilhando o seu caminho. Os seus spin doctors mantêm-se impávidos e serenos na sua tarefa de manipulação da opinião pública, desde formatando opiniões que, invariavelmente, inocentam a acção lampiânica e condenam os que a tentam desmascarar, até à delação abusiva de assuntos que deveriam ser do foro interno dos rivais, como a auditoria interna ao nosso clube. Tudo com a clara conivência do jornalismo nacional, que continua acefalamente a assobiar para o lado. Custa-me ver que, neste momento, tenham de ser os rostos do Sistema a defender o que é nosso. Dói-me o coração ver Manuel Serrão a indignar-se pelas fugas de informação dentro do Sporting ou Francisco J. Marques a assumir a defesa dos blogueres sportiguistas. Ou Frederico Varandas ainda não percebeu bem qual a trincheira onde terá de se meter para defender os interesses do Sporting, ou está a perder tempo precioso na tentativa de criar uma imagem de si diferente do antecessor, com claro prejuízo para o clube que preside. De qualquer forma, parece-me que nem o Sporting ganhará alguma coisa com isto, muito menos Varandas, que perderá rapidamente todo o capital de confiança dos sportinguistas que o elegeram. 
E já agora, quando começará Varandas a falar "daquilo que sabe", relativamente à época de 2015/2016?

terça-feira, 12 de junho de 2018

Punhadela nas costas

Ontem os sportinguistas sofreram uma punhadela nas costas.
Todos nós que defendemos a atitude irrefelectida de Gelson quando por amizade com Rúben Semedo se auto-excluiu do clássico do Dragão. Quem cantava a música dos AC/DC cada vez que Bas Dost marcava um golo. Quem defendia "sir" William cada vez que rabolhos e andrades vinham com a conversa de que "Ah e tal, William a tartaruga" ou "o Danilo é melhor". Quem viu num jovem desconhecido acabado de chegar de Itália talento suficiente para ser nosso titular, enquanto comentadores e jornaleiros desportivos criticavam o valor excessivo pago por um jogador da Sampdória. Juntemos a história de um "frangueiro" sempre acarinhado em Alvalade e de um rapaz que jogava com as nossas cores desde os seus 10 anos. 
Soco no estômago, punhadela nas costas, tiro na cabeça... chamem-lhe de tudo. Certo é que ontem foi mais uma de muitas noites perdidas de sono, tal o sobressalto que o Sporting me prega nestes últimos tempos. Longe vão os tempos em que tal acontecia por um mau resultado, como o empate em Setúbal. Hoje acontece porque já não reconheço o meu clube. Não reconheço quem o dirige e quem o representa no relvado. Não reconheço porque não tiveram à altura da importância das decisões a ser tomadas. E porque cagaram de alto naquela que deveria ser a sua maior prioridade: os sportinguistas.
Romanticamente, apetecia-me mandar tudo para a valente p*ta que os pariu. O presidente, que insiste no seu exercício suicida de autismo e negação da realidade, sem a mínima capacidade de fazer uma simples gestão de danos. A direcção que o acompanha, que permite com o seu silêncio o caos onde o presidente se afunda. Os jogadores, que ainda há semanas diziam "ser Sporting" e davam voltas olímpicas ao estádio, que fogem do barco sem dizer um adeus a quem ontem lhes batia palmas. Mas a realidade não é assim. Há uma dinâmica de compromisso entre adeptos e clube que entretanto se esfumaçou. Há uma equipa que, com mais ou menos rescisões, precisa de alguém minimamente competente que a treine, sabendo que neste momento é mais fácil viver na Terra de Ninguém entre as Coreias do que treinar em Alvalade. E depois há um presidente e uma direcção que desperdiçaram nos últimos dias todo um capital de confiança acumulado desde 2013. Um presidente cuja única forma de "negociar" é pedir o tudo ou nada, nem que tal implique afundar um clube na incerta esperança que o consiga reerguer "à sua imagem". Mesmo o próprio universo de sportinguistas está hoje profundamente dividido e extremado no caminho que temos de percorrer. Leio com espanto e consternação os comentários que muitos publicam, onde se prontificam para seguir com o seu líder em toda a velocidade em direcção à parede. Muitos nem se coíbem de dizer que preferem o Sporting nas distritais a ter de jogar com "mercenários" no seu plantel. Não foi para fugir às distritais, para onde seriamos remetidos em caso de falência da SAD, que em 2013 votámos todos em Bruno de Carvalho?
Se quem ainda está no Sporting tem um mínimo de amor ao clube, por favor façam uma coisa simples como esta: devolvam a palavra aos sócios do Sporting. Sem rodriguinhos, segundas intenções ou outro tipo de subterfúgios sonsos. Deixem-nos a nós, sócios do Sporting, decidir. 
Devolvam o Sporting aos sócios.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Capitulação

Estava à espera que as notícias dos últimos dias relacionadas com o benfica desviassem definitivamente o foco mediático do nosso clube para outras paragens. Não que a nossa situação não continuasse a ser desesperante, mas sim porque outros escândalos mais gravosos mereceriam melhores atenções. Mas como tem sido costume, quando pensávamos que íamos assistir de "cadeirinha" a mais um escândalo criminal do nosso rival, eis que nova bomba cai em Alvalade. E que bomba!
O que ainda dava alguma margem de manobra a Bruno de Carvalho para conseguir aguentar o barco até, pelo menos, o inicio da próxima época, era precisamente a expectativa desta ser iniciada com a maior tranquilidade possível (ou melhor dizendo, com a menor intranquilidade possível). Comprava-se quem se tinha de comprar e vendia-se quem se tinha de vender. O treinador, fosse ele quem fosse, deveria começar os primeiros jogos oficiais apenas com quem quisesse verdadeiramente continuar a vestir as nossas cores. E a questão directiva arrumar-se-ia logo que possível. Os tempos previam-se agitados, pelo que era necessário muita calma, serenidade e foco no essencial: os supremos interesses do Sporting Clube de Portugal.
Ora, ao rescindir unilateralmente, Rui Patrício abriu a caixa de Pandora que todos nós temíamos que fosse aberta. Era a impossibilidade de tal ser feito que ainda colava a Bruno de Carvalho alguma réstia de esperança que fosse ele a solução para os nossos problemas. A partir de agora, é impossível prever com exactidão o que acontecerá nos próximos dias. Mais alguém se juntará ao Rui e ao Podence? E serão jogadores nucleares ou marginais? E como ficará o plantel para atacar 2018/19?
Não vou agora tecer considerações sobre a moralidade ou a ética desta tomada de posição de dois jogadores que são "da casa". Não vou igualmente opinar sobre a oportunidade com que estas coisas caiem sobre nós, dando sempre a ideia que é para esconder coisas piores noutras casas. Não o vou fazer porque estou farto, farto, fartinho, de crises, de comunicados, de birras, de meninos mimados, de dirigentes desportivos autistas... farto de não ser respeitado enquanto sócio e adepto do Sporting. Só queria fechar os olhos e esquecer os últimos dias e acordar no dia seguinte, pensando que tudo não passou de um pesadelo. Enquanto carpia todas estas mágoas, escutava a sessão de esclarecimento que o nosso presidente dava hoje em Santa Maria da Feira. E ouvi algo que me chamou a atenção. 
Durante a dita sessão, quando comentava o fracasso da venda de Rui Patrício, Bruno de Carvalho disse algo como isto, que seria fácil resolver tudo com os jogadores, bastando ceder ao poder dos empresários e enveredar pelo caminho das luvas e comissões. Só que esse caminho não o iria trilhar por uma questão de princípio e de amor ao clube.
O que é trágico em tudo isto que tem afectado o nosso clube, é que já não se trata de uma questão de quem é o bom ou o mau da fita, quem tem ou não tem razão e de que lado está ou não a moral. Neste momento o nosso clube está a ser completamente engolido por uma enxurrada de acontecimentos que vão desde uma invasão a um treino, um clube com órgãos demissionários em auto-gestão, a rescisão unilateral do capitão de equipa, os movimentos de bastidores de investidores-chave da SAD, da contra-informação lampiânica, bem como da incapacidade de Bruno de Carvalho lidar fria e adequadamente com tudo isto. E é preciso que deixemos de negar o óbvio, que não conseguimos estancar a enxurrada. Bruno de Carvalho já não o consegue. Estamos fartos e cansados. E por muita razão que tenhamos, não vejo outra alternativa senão capitular diante a crua realidade dos factos.
Por muita razão e moral que assistia à França, ela não deixou de capitular diante a invasão nazi de 1941. Por muito certos que estivéssemos em 1807, não tivemos outro remédio senão capitularmos diante as tropas invasoras de Napoleão. Por muitos bons motivos que nos poderiam assistir, em 1581 não pudemos evitar que Filipe II de Espanha tomasse a coroa portuguesa. Estes e outros exemplos da nossa História ensinam-nos os vencedores não são os que tem mais razão, mas sim os que tem mais força. E neste momento, por muita razão que Bruno de Carvalho possa arrogar de ter, já não tem força para alterar o rumo dos acontecimentos. Sobra-lhe (sobra-nos) uma capitulação honrosa.
Sinto muito se estas minhas palavras soam a fraqueza ou até traição. Não são mais do que palavras de um sportinguista cansado. E farto.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Depois da tempestade, a bonança

Depois do furacão da semama passada, eis que começou a soprar sobre Alvalade uma amena brisa de bonança. Não houve a tão temida debandada de jogadores (salvo os que vão jogar o Mundial) e a próxima pré-época começou a ser calendarizada, dando um sinal de que o mundo continua pulando e girando como sempre.
Com Raphinha já garantido, com Rui Patrício a caminho de Itália para a mais que esperada transferência para o Nápoles, resta começar a arrumar internamente uma casa que se desfez em cacos nos últimos dias. Espera-se nos próximos dias uma definição do futuro de Jorge Jesus no Sporting, que pessoalmente acredito que passará pela sua transferência. Quando à saída litigiosa de jogadores, além das diversas opiniões jurídicas que invariavelmente desaguam na ideia de que tal é forçado e até prejudicial para os atletas, além de ainda não se terem verificado, assistimos espantados à notícia da possível renovação do empréstimo de Fábio Coentrão ao Sporting. Se esta notícia se confirmasse, matávamos dois coelhos com uma só cajadada. Não só calávamos as vozes que teimam em vender a ideia de que nenhum jogador quer continuar em Alvalade, como também as vozes que imputam ao caxineiro a origem da instigação de revolta no plantel sportinguista. Como em tantas outras paragonas que surgiram nestes dias, também esta merece que seja digerida com a devida precaução, tal é a falta de acerto da comunicação social nos temas que dizem respeito ao nosso clube.
Gosto deste clima de paz no Sporting. Ainda estamos muito longe de uma "reconciliação", mas registo o facto das entidades envolvidas terem finalmente demonstrado maior respeito pelo Sporting, preferindo dar tempo à actual direcção para organizar minimamente a próxima época. A reunião prevista para quinta-feira pode nem sequer ser decisiva, isto se continuarem pendentes alguns dossies de resolução urgente: falo obviamente da questão do treinador para a próxima época, mas também do avanço da restruturação da nossa dívida. A entrada directa na Liga Europa aliviou o nosso calendário, pelo que temos de aproveitar esse balão de oxigénio para prepararmos a equipa e não para continuarmos a guerra civil entre sportinguistas. Primeiro o Sporting, dar condições à equipa de futebol para fazer uma pré-época concentrada no plano desportivo e um inicio de temporada com o pé direito. Depois sim, avancemos então para a questão directiva.

domingo, 20 de maio de 2018

Desolação final e os tempos difíceis que aí vem

Hoje seria a derradeira oportunidade para levarmos algo de positivo desta época, mas os acontecimentos dos últimos dias tornaram esse aspecto irrelevante. A derrota de hoje é o corolário de um desabamento que começou há duas semanas em Alvalade, quando ainda tínhamos algumas aspirações a acabar positivamente a temporada. É um final de época parecido com o de José Peseiro em 2005. Se bem que aqui com consequências mais gravosas.
O balanço de 2017/2018 é necessariamente negativo. A época começou tremida, mas a certa altura pareceu que tínhamos um plantel capaz de bater-se até ao fim nas quatro frentes em que jogávamos, com boas exibições pelo meio. Um empate em Setúbal e uma derrota no Estoril deixaram-nos prematuramente fora da luta pelo campeonato. A conquista da taça da Liga foi um feito importante, até porque foi a primeira vez que ganhámos esse troféu, mas foi muito pouco. Perder o segundo lugar e a taça de Portugal da forma como se perdeu, é imperdoável para uma equipa que até meio da época tinha aspirações a ser campeã.
O modelo de Jorge Jesus esgotou-se completamente em Alvalade. Hoje voltou a cometer os mesmos equívocos dos últimos jogos, lançando em jogo um William completamente sem ritmo nem cabeça para competir nesta fase da época. Fábio Coentrão arrastou-se em campo praticamente desde o início da partida. A perder, não queimámos a última substituição para, sei lá, lançar mais uma torre para o chuveirinho final. Uma supertaça e uma taça da liga em três épocas é muito pouco para um treinador que chegou ao Sporting com os pergaminhos que JJ trazia. Cada vez mais é evidente que sem o "Estado Lampiânico", JJ é a versão "made in Amadora" de José Peseiro.
Para alguns jogadores também chegou ao fim o seu tempo. Seja porque foram empurrados para a porta da saída, seja porque eles mesmos se alhearam do clube, é tempo de dizermos adeus a jogadores como Rui Patrício ou William. Aqui só espero que ambas as entidades (jogadores, agentes e clube) mantenham a dignidade até ao fim e evitem a vergonha de arrastar pela rua um processo litigioso. E que os sportinguistas lhes prestem a homenagem que creio que lhes é merecida.
Bruno de Carvalho também terá de tirar as devidas ilações de tudo o que se passou nos últimos dias. A sua falha de liderança atingiu o cúmulo do ridículo de o clube não ter estado hoje representado oficialmente na tribuna. Pelo que disse ontem, parece que o presidente levará às últimas consequências a sua saída do Sporting, que passa por enfrentar os sócios em AG. É a continuação da guerra civil entre sportinguistas.
Adivinham-se tempos conturbados em Alvalade nas próximas semanas. Isto tudo quando se deveria começar a preparar uma época que deveria ser de reset, com uma nova equipa técnica e de renovação do plantel. Com um presidente a dirigir o clube a partir de uma trincheira, sem team manager, com um treinador que agora não saberemos se sai ou não, com jogadores que não saberemos se vão rescindir com o Sporting ou não, com a comunicação social diariamente a meter carvão... 
Só peço uma coisa a quem ficar. Que a próxima temporada seja preparada e iniciada com o mínimo de dignidade que esta instituição centenária, os seus sócios e simpatizantes merecem. E que não se esqueçam que em primeiro lugar estão sempre os interesses do Sporting Clube de Portugal.

sábado, 19 de maio de 2018

Bruno contra o mundo

Sem querer, Bruno de Carvalho descaiu-se e mostrou a fragilidade da sua actual posição enquanto presidente do Sporting Clube de Portugal.
Quando na segunda-feira questionou os jogadores se tinha havido algum problema na véspera com o Fernando Mendes, todos lhe responderam evasivamente. Nenhum demonstrou confiança no seu líder para desabafar sobre o sucedido. Ser líder também é isso, saber merecer e manter a confiança daqueles que trabalham consigo. O que resulta deste episódio? BdC já não tem capacidade de liderança sobre os seus homens.
Depois, a ideia de que ao enfrentar um ex-líder de claque, actual líder de facção, os jogadores "puseram-se a jeito", pois Fernando Mendes e a sua gente são malta perigosa. Esta assumpção subliminar de fraqueza, do homem que dava a vida para defender os seus jogadores se estivesse em Alcochete, é-lhe fatal. Significa que o presidente-adepto não tem mão naqueles que lhe deviam ser mais próximos: os adeptos e, especialmente, uma franja destes.
Falta de liderança sobre os jogadores e sobre os adeptos. Esta é a actual, e concerteza fatal, fraqueza de Bruno de Carvalho.
De resto, não podia estar mais de acordo com Bruno de Carvalho: o arraso a Ricciardi, Sobrinho, Marta Soares, Rui Pedro Braz, Luís Nazaré, TVI, Correio da Manhã, o jornalixo em geral, é mais que justificado. A certeza e insistência de que as rescisões não tem fundamento jurídico, leva-me a concluir que ele sabe que há jogadores em vias de entrar por esse caminho e já está a preparar os adeptos.
Não concordo com a forma como a cabeça de Rui Patrício foi oferecida aos adeptos. Estará já a fazer uma gestão de danos face a uma eventual tentativa de rescisão do nosso capitão? De qualquer forma não gostei de como foi destratado. Podem-se ter já esquecido, mas eu ainda me lembro de em 2011, 2012 ou 2013 mandarem o Rui Patrício para as flash-interviews dizer que "ia levantar a cabeça". Por muito difícil que esteja a sua relação com BdC, Rui Patrício a sair, deveria fazê-lo pela porta grande.  
Continua a fuga para frente. Por um lado Bruno de Carvalho demonstra ter um arcaboiço digno de um herói solitário, qual Soldado Milhões sozinho na sua trincheira a enfrentar a avalanche de alemães. Por outro lado, a sua conversa assemelha-se ao delírio daquele General que, já sem homens, ainda fazia mover exércitos imaginários no mapa de batalha, acreditando que a vitória estava para breve. Como o captomente muito bem disse, tudo isto é uma valente merda!

sábado, 28 de outubro de 2017

Sangue, suor e lágrimas... e a mão do São Patrício

É fatal como o destino. Numa prova de 34 jornadas, por muito bom futebol que a nossa equipa jogue, há sempre aqueles 3 ou 4 jogos que ganhamos sem saber bem como. Uns chamam-lhe "vaca", outros chamam-lhe "estrelinha de campeão". Foi assim há dois anos, quando, por exemplo, ganhamos em Arouca com 10 e um golo já no final. Hoje a história repetiu-se. E haveremos de ter mais jogos assim.
Não há como o negar, o Rio Ave foi melhor. Os jogadores correram mais, remataram mais, acertaram mais vezes na baliza. No meio campo a sensação que tenho é que ganharam-nos mais duelos e bolas divididas. Tiveram mais oportunidades de golo, permitindo ao Rui Patrício assinar (mais) uma noite de grande nível. E muito provavelmente, não fosse aquele falhanço inacreditável de Guedes, teriam com justiça levado os três pontos. Muita atenção a Miguel Cardoso, que começa a demonstrar ser um treinador muito interessante, após uma carreira como adjunto de Domingos e Paulo Fonseca.
A sensação que me deu é que até nem fizemos um mau jogo, o Rio Ave é que fez um jogo excelente. Da nossa parte tivemos os nossos méritos. Rui Patrício assinou uma exibição de luxo. André Pinto, apesar de chamado a frio para entrar em jogo, esteve à altura da sua missão. O resto da equipa, não sendo brilhante, batalhou, correu, respeitou o adversário. Não se limitou a vestir o fato de macaco. Deu o litro, carregou o piano e teve coração mesmo quando as pernas falhava. De tal modo que, apesar do grande jogo do Rio Ave, também não posso dizer que não merecêssemos o resultado final, pois o futebol também é feito de sofrimento, de dor, de reacção às adversidades e de uma pontinha de felicidade. Estas vitórias valem muito mais de 3 pontos, pela carga anímica que despejam na equipa. E os campeonatos também se decidem nestes jogos, onde conseguimos conquistar pontos mesmo sem jogar grande coisa.
Sinceramente não sei que onze teremos na terça-feira, contra a Juventus. Preferi mil vezes ganhar este jogo, como também preferia ganhar ao Moreirense, do que poupar-me para a CL. Parece inevitável não contar com Mathieu e Piccini. Veremos como estará Coentrão e o resto da equipa. É que depois da Juve recebemos o Braga. E o Braga é que é pra ganhar.
Nota final para a arbitragem. Jorge Sousa, na senda de Rui Costa, foi contemplativo com as cargas mais duras sobre os nossos jogadores, mostrando o primeiro amarelo a um dos nossos, por anti-jogo. Começa a ser um clássico dos nossos jogos: levarmos uma arraial de porrada até finalmente sair o primeiro amarelo, que começa sempre por um dos nossos. Em relação ao VAR, nada a apontar. Esteve bem ao anular o golo do Bruno Fernandes. No nosso golo, apesar da histeria que já se está a levantar nas redes sociais, parece-me claro que Bas Dost está em linha com o último defesa vila-condense. Esperemos pelos habilidosos do "photoshop" para vermos se o holandês estava ou não em fora do jogo, mesmo que milimetricamente. Adivinha-se uma semana de choradeira por aí.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Crónica de um empate e de uma fadiga anunciada

Ponto prévio deste post: pode não parecer, mas o Sporting NÃO ESTÁ em crise!
Sim, é certo que já não ganhamos há quatro jogos seguidos. Um deles é para uma competição cuja importância para nós é pouco mais que nenhuma. Outro dos jogos foi uma derrota caseira com o... Barcelona! Os restantes dois jogos que não ganhos foram para o campeonato. E se o empate em Moreira de Cónegos foi mesmo um mau, péssimo, resultado, já o empate de ontem... foi assim-assim.
Na minha antevisão para este jogo, escrevi que mais do que a fadiga, o problema do Sporting poderia ser a perca de foco ou concentração do jogo. Enfrentávamos uma equipa que também vinha de um jogo europeu, por isso os índices físicos estariam semelhantes. JJ costuma preparar bem os clássicos, quer do ponto de vista táctico quer motivacional da equipa. Apesar dos sinais de cansaço já evidenciados no jogo contra o Barcelona, havia nos sportinguistas uma esperança de que um coelho sairia da cartola. Mas os sinais começavam a apontar no sentido oposto: confirmou-se a lesão de Doumbia e Coentrão também ficou de fora. Dala, em quem depositei esperança de poder ser um dos "coelhos" a sair da cartola, foi para a equipa B espalhar magia. Equipa fatigada, banco sem opções ao nível dos titulares... desenhava-se no horizonte um jogo complicado.
E foi. O porto entrou melhor na partida, anulando as nossas investidas e procurando sempre ganhar os espaços entre as nossas linhas e as costas dos laterais. Verdade seja dita que, mesmo estando por cima na primeira parte, o ascendente portista nunca nos sufocou. Mas também é verdade que tiveram umas três boas ocasiões para marcar, enquanto nós só tivémos uma, numa cabeçada de William já perto do intervalo. Gelson e Bruno Fernandes começavam a arrastar-se em campo, Battaglia e Acuña lutavam muito mas com falta de discernimento. William ia tapando os buracos ao meio, Mathieu e Coates limpavam as sobras. Jonathan e Piscinni iam defendendo como podiam, mas a atacar eram uma nulidade. Bas Dost passou ao lado do jogo na primeira parte. Rui Patrício, seguríssimo, aguentou o empate a zero até ao intervalo.
Se o sufoco não apareceu até então, esperava-se que no segundo tempo tal viesse a ocorrer. Se o porto, sem apertar muito, estivera muito perto de marcar, adivinhava-se que Sérgio Conceição aproveitaria a melhor forma física da sua equipa e encostasse o Sporting às cordas. Felizmente que o porto também jogou durante a semana, pelo que acabaram por acusar fadiga na segunda parte. Aproveitámos para equilibrar a equipa, tivémos mais bola no meio campo adversário, mas faltavam lances de golo junto à baliza portista. Mesmo com esse ascendente, acabou por ser o porto a ficar mais perto de marcar, já no final do encontro, obrigando o nosso São Patrício a duas grandes defesas. Tivesse sido este jogo contra um adversário mais fresco, e se calhar as coisas correriam muito pior.
Face ao que aconteceu em campo, não nos resta outra coisa senão admitir que o empate não foi um mau resultado. Fizémos uma partida competente e combativa, mas não fosse São Patrício dificilmente seguraríamos o empate. Olhando para o que fizémos contra o Barcelona e para o que fizémos ontem, chegamos à conclusão que o resultado do clássico, não sendo o melhor, foi o possível dentro das nossas limitações para este jogo.
Agora é tempo de respirar fundo, esticar as pernas e recuperar outra vez a forma física. E esperar que os nossos internacionais não se lesionem. Também é tempo para pensarmos porque motivo alguns jogadores nossos rebentam tão cedo, face ao que acontece com os nossos rivais. O porto, de quem se dizia ter o plantel curto, está a conseguir retirar mais rendimento que o nosso plantel. Por cá, além dos titulares, vejo que Iuri desapareceu, Podence tarda em regressar, Coentrão não vinga, Dala não tem a sua oportunidade e Alan Ruiz não explode. O tal plantel com mais soluções, que diziam e eu pensava no inicio da época que tínhamos, começa a relevar-se (outra vez) curto. Será uma coisa momentânea, os tais "ciclos" que JJ disse que todas as equipas tinham? Ou será algo mais?

terça-feira, 11 de julho de 2017

Regressos

Após uma breve paragem para recuperar baterias, eis que regressei a esta bela vidinha de opinar por tudo e por nada. Mas não foi o único regresso. Houve outros mais interessantes.

1) Rola a bola!!!
Primeiro jogo da época, ainda em ritmo de futebol de praia. Fora o resultado, que não é o mais importante destes primeiros jogos, foi já possível assitir a algumas estreias. Gostei do Petrovic, Leonardo Ruiz e Gelson Dala. Nem tanto do Matheus Oliveira ou do Battaglia. Vamos esperar pelos jogos na Suiça para vermos em acção os reforços que mais prometem esta época, como Doumbia, Coentrão ou Mathieu. Quanto aos jogadores que estiveram na Rússia, aguardo também com espectativa a confirmação de quem fica ou vai. Dou já Adrien como perdido e William também a sair. Gelson parece-me ainda cedo para sair e acredito que Rui Patrício ainda fique pelo menos até ao Mundial de 2018.

2) Fábio Coentrão
O regresso do lateral esquerdo a Portugal fez correr muita tinta pela pasquinada desportiva aqui do burgo. Seja porque afinal Coentrão é um fumador tuberculoso, um perneta aleijado crónico ou um barrigudo, tudo serviu para digerir mais um regresso de um filho-querido-que-afinal-já-não-é-querido. Depois da novela Markovic, veio Coentrão. Tirando o facto de estar apreensivo com o actual estado físico e anímico do jogador (isso sim, é que é importante), não pude deixar de me rir com o espernear do Estado Lampiânico, que se deu ao trabalho de mandar Javi Garcia gritar lá de longe que em Portugal só o benfas... O trabalho que esta malta tem, plantar primeiro notícias para depois as desmentirem com pompa e circunstância. 

3) Bruno de Carvalho
Regressou mas pela mão da consagrada estação televisiva Bloomberg, especialista em economia e finanças. Sim, bem sabemos que essa entrevista não tem o impacto mundial da capa da Bola e do Record sobre as supervendas do benfas ou da Universidade das Bocas de Piano, mas é o que se arranja. Felizmente lá fora somos melhor tratados do que cá dentro. Noto também com satisfação que o nosso presidente tem estado mais comedido nas palavras. Se é porque está em lua de mel ou se é uma mudança de postura já assumida, só tenho a registar que tal se mantenha. Precisamos do nosso presidente focado na dificil missão de nos catapultar para a frente do futebol nacional, sem estar diariamente a ser cozinhado em lume brando na praça pública. 

4) Jorge Jesus
Faço aqui as mesmas palavras que fiz com o presidente. Menos conversa e mais trabalho. Tenho a certeza que JJ é o melhor treinador do campeonato e é nisso que se deve concentrar: em treinar. Deixar as conversas, as lenga-lengas e os mind-games em casa.

5) O Estado Lampiânico
Agitado e ainda meio zonzo das constantes bicadas que tem levado ao longo da telenovela dos e-mails, mostrando que elas não matam mas moem, a propaganda do clube do povo parece meio afectada nestes dias. A reacção à contratação de Coentrão foi pífia e aquela coisa do Javi Garcia fez mais rir os sportinguistas do que irritá-los. A notícia do CM de que BdC e JJ estariam zangados por causa da não contratação de Edgar Ié também é mais para rir do que para ser levada a sério. É certo que nos telejornais e na imprensa dita generalista ainda há muita parcimónia e paninho quente para tratar dos últimos escândalos do nosso futebol, mas as coisas lá se vão falando. E acredito que até começar o campeonato ainda teremos mais algumas pérolas para apreciar.

6) O calendário para 2017/2018
Parece-me que não nos podemos queixar do calendário para a próxima época. É certo que temos de jogar com todos em todos os estádios, mas não dar importância ao encadeamento dos jogos é uma estupidez. Com a pré-eliminatória da LC para ser jogada, obviamente que é diferente começar o campeonato em Aves do que, por exemplo, em Braga ou Guimarães. Até à oitava jornada, quando jogamos em casa com o Porto, temos 6 jogos acessíveis e uma deslocação dificil a Guimarães. É importante chegar a esse jogo com 21 pontos, para em caso de vitória com os nossos rivais do norte, possamos assim embalar na classificação. 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Sonhos e desejos

Começa agora o chamado "defeso", aquela altura do ano onde a época já acabou e a pré-época seguinte ainda não começou. Neste espaço de pouco mais de um mês, os jornais aproveitam para comprar e vender carradas de jogadores ao Sporting e outros clubes. Fontes oficiais ou próximas dos decisores garantem que fulano sai por X e beltrano entra por Y. Todos torcem para que as estrelas não sejam vendidas, ou a sê-lo que o seja por valores astronómicos, e entrem craques para as posições mais desfavorecidas.
Fecho os olhos e recordo-me daqueles defesos onde se anunciavam Rijkaard, Pancev, Schemeichel ou Silas, enquanto vendíamos Ronaldo, Simão, Nani ou Quaresma por valores acima da realidade portuguesa. Rijkaard e Pancev não vieram (quer dizer, o primeiro até veio, mas não jogou), mas veio o gigante dinamarquês e o criativo brasileiro. E as vendas, bem vistas as coisas, apesar de alguma euforia criada, não foram tão boas quanto isso.
Para 2017/2018, gostava de ter dois craques nas laterais. Quem vê os jogos ao vivo percebe melhor a falta que fazem dois bons defesas laterais no Sporting. A forma como defensivamente recuperam as bolas ou tapam o seu corredor, enquanto ofensivamente se enquadram no envolvimento do ataque da equipa, com boas desmarcações e centros apimentados. Piccini não me entusiasma, mas espero para ver. Para o lado esquerdo espero ver alguém mais creditado a ocupar a posição. Sim, a qualidade paga-se, mas caramba, Bas Dost também foi bem pago e ficámos a ganhar. Por isso não me chocaria ver o Sporting a desembolsar uma verba acima dos 6 ou 7M€ para trazer um bom lateral esquerdo para a nossa equipa.
O resto do plantel creio que dependerá das vendas que se fizerem. Gelson Martins, William Carvalho, Adrien e Rui Patrício são elegíveis a ser vendidos por verbas irrecusáveis. Ou até Bas Dost. E terão de ser substituídos por jogadores de igual ou maior valia. Aqui só espero que não se repita o que aconteceu no ano passado, quando apenas no último dia de mercado se fechou Slimani e João Mário. A haver uma venda dessas, que seja já esta semana. Não em Agosto.
Já agora, um desejo secreto. Um não, dois. João Mário regressar emprestado a Alvalade. E apesar de depositar muitas esperanças no jovem Gelson Dala, também o regresso de Slimani emprestado. Isso já me faria começar a sonhar.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Adeus 16/17, 17/18 à vista

Ao contrário das previsões mais pessimistas, ontem o Sporting mostrou uma atitude vencedora, na procura dos golos e da vitória, ao contrário dos dois últimos jogos. Muito provavelmente o facto de terem jogado as segundas linhas terá contribuído para isso, pois quem entrou de inicio entrou com vontade de mostrar trabalho e de dizer "Mister, pró ano conte connosco!". Tive pena que Dala e Geraldes não tivessem jogado de inicio, mas fiquei contente pela titularidade de Palhinha, Matheus e Podence. Espero que este quinteto tenha a sua oportunidade de brilhar na próxima época, e que expludam o potencial futebolístico que tem dentro deles. E a este quinteto junto Iuri Medeiros, que espero venha mais maduro e mais concentrado na sua missão, depois de não ter caído no goto de JJ, por, dizem, ter mostrado falta de empenho.
Infelizmente o resultado do último jogo não foi o espelho da época. Entrámos displicentes em muitos jogos, o que nos custou pontos preciosos. É certo que pelo meio, especialmente na primeira volta, também fomos puxados para trás em momentos chave. O jogo da Luz e depois a derrota caseira ante o Braga foi um desses. Nunca saberemos se duas vitórias nesses jogos nos catapultariam para exibições de outro nível. Mas o que veio à tona foi do piorzinho que vimos nestes últimos quatro anos: jogadores descomprometidos com a história do clube, equipa sem entrosamento nem garra, treinador e presidente sem capacidade de reacção... A segunda volta foi um longo arrastar, uma autêntica via sacra, onde salvo uma ou outra exibição mais conseguida, nunca nos aproximamos do brilhantismo da última época. Perante um porto em claro declínio anímico e emocional e um benfica em serviços mínimos, tínhamos a obrigação de ter feito muito mais e melhor.
No campeonato falhámos redondamente a luta pela sua conquista e nem ao segundo lugar conseguimos chegar. No início da próxima temporada iremos pagar esta factura, pois isso irá implicar um inicio de época antecipado, com dois jogos decisivos logo a abrir. E se ficarmos logo arredados da CL, continuaremos este ciclo vicioso de não conseguirmos virar o fraco ranking que temos. Com a nossa espinha dorsal empenhada no mundial de selecções, não se adivinha um inicio de época auspicioso para as nossas partes. É muita coisa em jogo logo em Agosto/Setembro.
Entretanto de Inglaterra chegam rumores de que o City poderá fazer uma proposta irrecusável por William e Gelson. William é um fetiche antigo de Guardiola, pelo que poderá facilmente rumar para lá. Já Gelson acredito que tenha deixado boas indicações em Espanha, pelo que não sei se não virá dali uma proposta... Quanto a Adrien e Rui Patrício, começam a chegar àquela fase da carreira que ou fazem agora o contrato da vida ou vão para a China daqui a 5 ou 6 anos. No caso dos dois acho que o Sporting deveria fazer tudo para os manter. E quando digo tudo, falo em renovar-lhes o contrato com um salário generoso. São os capitães de equipa, são fruto da nossa formação e são ícones do nosso clube. Se há jogadores que se entregam em campo e transpirar a sua camisola, são eles. Vejo Adrien ou Rui Patrício e lembro-me dos antigos capitães do Sporting, como Jordão, Manuel Fernandes, Damas ou Oceano. Referencias não só nossas mas também do futebol português. É daquele tipo de identidade que deveríamos cultivar e preservar. E são estes jogadores que na próxima época servirão de exemplo aos Geraldes, Dalas ou Iuris do nosso clube. Mais do que nunca precisamos de jogadores comprometidos com o Sporting, verdadeiros sportinguistas, que chorem e não consigam dormir à noite depois de perder um jogo. Que mostrem aos novos jogadores que jogar no Sporting não é fácil, é preciso saber sofrer, que este clube por vezes devora os próprios filhos (inacreditável a faixa a Rúben Semedo), mas que por mais anos que não consigamos ser campeões a massa adepta nunca desmobiliza e por isso nos odeiam. Pró ano será mais do mesmo, estaremos constantemente debaixo do fogo das cartilhas e pazadas de carvão dos incendiários do costume. Não seremos salvos pelo video-árbitro, por muito benéfica que seja esta medida. Pelo contrário, tentarão por todas as formas e feitios desmobilizar o nosso balneário e contra isso temos de estar unidos, de fileiras cerradas.
Voltaremos ao tema da próxima época, pois temos ainda quase 3 meses até ao seu arranque. Entretanto não posso deixar de congratular o excelente arranque do futebol profissional feminino, onde acredito que iremos ainda colher muitos frutos. E o andebol, que muitos julgavam já morto, afinal iremos chegar à última jornada a depender só de nós para sermos campeões. É um volte-face espectacular nesta modalidade e espero que, no derradeiro teste, mostremos a verdadeira alma de leão deste clube.