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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Cinismo contra o Sistema e o Estado Lampiânico

Desde que me lembro, os nossos campeonatos costumam ter uma ou outra jornada onde o trio de candidatos perdem todos pontos. E como eu tenho respeitinho pela estatística, temi que esta jornada fosse "a tal". 
Inicialmente vi a coisa mais complicada. O benfica tinha uma deslocação que seria difícil, não fosse o longo historial de "pernas abertas" com que o Belenenses defronta os lampiões. Surpreendentemente, os pasteis deram luta e puseram a nu as fragilidades dos carnidenses. Além de privados de um dos seus melhores jogadores, Krovinovic, tiveram de jogar contra uma equipa que lhes deu luta. E o problema deste benfica é que nem todas as equipas são como o Braga. Não sei o que levou o Belenenses a mudar de postura, se teve que ver com Silas ou com orientações da SAD. Mas que assim a competição fica mais verdadeira, não há a mínima dúvida. E não fosse a arbitragem "apaixonada", nem um ponto levariam.
No dia seguinte, chegou a vez do porto. Ultimamente, vendo os jogos do porto, fico com a sensação de que estão a perder aquela performance que os destacou no incio do campeonato, que basicamente passava por explorar a força e rapidez de Aboubakar e Marega, com a técnica de Brahimi. Com a dupla atacante a acusar falta de pulmão (principalmente Marega) e Brahimi algo apagado, lá se vai o rolo compressor dos andrades. À falta de técnica para chegar à área, usa-se a força. Contra o Moreirense usaram e abusaram do pontapé para a frente, especialmente quando tentaram pressionar nos últimos minutos da partida. De repente lembrei-me dos pressings finais do Sporting aqui há uns anos, que geralmente não passavam também de pontapés para a frente sem nexo algum. A dificuldade em jogar bem e ganhar aos últimos classificados (com o Estoril foi, está a ser, igual) parece sintoma de que ali pelo dragão já não se consegue dar mais do que aquilo.
Chegados a quarta-feira, aparecemos nós. Terceiro jogo em oito dias, contra uma equipa e um treinador que tradicionalmente nos colocam muitas dificuldades. Esperava um Sporting em gestão de esforço e a jogar com o relógio, quiçá aproveitando um "chouriço" ou uma bola parada. Jorge Jesus disse que jogamos à italiana, com a Juventus como modelo. É certo que não demos as veleidades ao Vitória que o benfica deu ao Belenenses. Também é certo que não perdemos o discernimento e passámos o jogo a tentar jogar de bola no pé, em vez do "pontapé para a frente" do porto. Mas andarmos 70 minutos a cansar o adversário para jogarmos nos últimos 20, parece muito arriscado. Especialmente se, como foi contra o Setúbal, o adversário nos marcar um golo. Mas pelas palavras de JJ, os nossos próximos jogos serão muito assim, trocas de bola para cansar o adversário, pouca vertigem atacante e, se não tivermos ainda marcado, cair em cima do adversário nos últimos 20, 30 minutos.
Veremos se o cinismo de JJ chegará para ganhar ao aflito Estoril, tendo em mente que não poderemos repetir a dose de displicência de Setúbal. Os nossos adversários terão provas de esforço teoricamente superiores à nossa. O benfica jogará contra a sua besta negra da época, o Rio Ave. Os vila-condenses são uma equipa organizada e que joga bom futebol, pelo que se adivinham muitas dificuldades para a lampionagem. Se jogarem como jogaram em Belém, a vitória pode-lhes fugir. Quanto ao porto, receberá o Braga, pelo que muito deste jogo passará pela atitude dos bracarenses em campo. Se não jogarem de perna aberta, impedindo Brahimi de ter bola e tapando os buracos para a sua área, podem aspirar a sair com pontos do Dragão. Mas pelo sim, pelo não, o Sistema já começou a pressionar a arbitragem. Primeiro com desenhos patéticos tentando transformar um fora-do-jogo óbvio em algo que vem do planeta Saturno. Depois fazendo aquilo que melhor sabem fazer: ameaçar nos bastidores, primeiro com "reuniões" e depois com "visitas pedagógicas". Enquanto isso Felipe continua a distribuir "perfume" por esses relvados fora e continua-se sem falar dos penaltis que ficaram por marcar contra os portistas. E estejam todos atentos, pois sabendo-se como a nossa arbitragem é susceptível a pressões dos andrades ou lampiões, pressinto que estejam "roubos de igreja" para chegar. 

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O costume

É fatal como o destino. Algures na época, acabamos sempre por perder pontos inesperados diante um adversário considerado fraco. Tem sido assim desde que me lembro de ver o Sporting jogar à bola. Quando fomos campeões em 2000, quando já liderávamos o campeonato isolados, fomos a Leiria empatar 1-1 com o União, que lutava então para não descer. Em 2002 também perdemos em casa com o Alverca, que acabaria o campeonato em último lugar. No tempo de Peseiro perdemos um campeonato graças à quantidade estupidamente elevada de pontos perdidos contra adversários mais fracos. Em 2007, Paulo Bento queixou-se e com razão da célebre "mão de Ronny", num jogo que perdemos em casa contra o Paços de Ferreira. Jorge Jesus coleccionou (demasiados) desaires semelhantes quando empatou em casa com o Tondela, nas duas últimas épocas. A única diferença, é que em 2000 e 2002 conseguimos perder pontos "apenas" nesses jogos, enquanto que nas eras Peseiro, Paulo Bento, Jardim, Marco Silva e JJ infelizmente os momentos "Moreirense" repetiram-se demasiadas vezes.
Era previsivel que o jogo de sábado passado tivesse alguma dificuldade acrescida, face aos dois enormes desafios que se iriam seguir. No entanto, sendo o nosso adversário o 16.º classificado, com apenas 5 pontos conquistados em 18 possíveis, 3 golos marcados contra 10 sofridos, a tarefa não se antevia tão complicada como se revelou. Esta época o Sporting tem-nos acostumado com entradas fortes em jogo, geralmente traduzidas em muitos golos, contrastando com finais de jogos algo sofriveis. Esperava algo semelhante neste jogo, apesar da equipa inicial não me ter inspirado grande entusiasmo. 
A partida em si foi muito má. Na primeira parte não estivemos em jogo e na segunda, salvo o periodo inicial quando empatámos e Gelson acertou na barra, praticamente não conseguimos mostrar mais futebol. Empatamos bem e se o adversário tivesse outro tipo de argumentos, se calhar nem um pontinho trazíamos. Apesar das boas indicações neste inicio de época, com a equipa a conseguir "mudar de chip" antes e depois dos jogos europeus, voltámos outra vez ao que estamos acostumados, em particular com este treinador: a incapacidade de nos concentrarmos no jogo, independentemente da sua dificuldade, quando outros desafios mais importantes estão à porta. Resta-nos esperar que este seja um momento sem repetição esta época, à semelhança do que se passou em 2000 e 2002.
E o que correu mal desta vez? Em primeiro lugar a equipa inicial, onde faltaram elementos de ruptura e irreverência. Bruno César é um jogador "certinho" e não de rasgos. Alan Ruiz continua a ser um elemento não decisivo da equipa. As ausências de Acuña e Podence, quando foram chamados algo intempestivamente na quarta-feira (especialmente Acuña). A ausência de Battaglia do onze inicial. A falta de inspiração dos nossos melhores jogadores, como Bruno Fernandes ou Gelson. 
E porque razão ficaram de repente os sportinguistas tão pessimistas em relação à presente época, quando ainda temos tudo para ser campeões? Basicamente porque a maior parte de nós está a reconhecer um filme que viu demasiadas vezes nos últimos anos. A adopção do VAR, apesar de ter reduzido o impacto dos erros de arbitragem nos nossos jogos, não os eliminou, como se viu no penalti sobre Doumbia que ficou por marcar. Os critérios disciplinares dos árbitros tem sido ridiculamente parciais, como de resto o Artista do Dia resumiu muito bem. Por fim, a "motivação" dos nossos adversários face ao que se vê contra os nossos rivais. A forma como o Moreirense "comeu a relva" em campo, em linha com a entrega de Feirense, Tondela ou Estoril nos jogos contra nós, face aos "passeios" que os nossos rivais dão. Ou as enérgicas críticas à arbitragem de Manuel Machado, em contraste com outros jogos onde foi ainda mais prejudicado.
É por isso que estes momentos "Moreirense" nos deixam de pé atrás. Porque sabemos que o campeonato, para o Sporting, não é um passeio. E que a forma mais rápida de perdermos esta competição é precisamente pensarmos isso, que teremos jogos que serão passeios.