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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Sobre as toupeiras

Devido às inúmeras vicissitudes que afectaram o nosso clube nos últimos meses, faltou-me tempo e vontade para falar das toupeiras. Mas agora, quando parece que o foco mediático finalmente largou o nosso clube, parece-me ser a altura ideal para pegar num assunto que tem tudo para marcar o futebol português.
Enquanto cidadão português, fico pasmado com a facilidade com que um mero funcionário judiciário consegue aceder a um qualquer processo a tramitar na nossa Justiça. Numa era onde uma das maiores preocupações que assola a humanidade é a da segurança cibernética, fiquei a saber que em Portugal é possível uma pessoa pesquisar na base de dados dos inquéritos, utilizando para o efeito um login de um funcionário já aposentado. Ou, igualmente grave, também é possível alguém pesquisar horas a fio sobre um determinado processo que não lhe diz respeito, sem que o próprio sistema alerte os seus administradores sobre tal anomalia. É uma tremenda fraqueza daquele que é um dos pilares da nossa democracia, portanto deveria merecer uma séria reflexão das mais altas entidades do Estado.
Já enquanto adepto de futebol, não posso dizer que fiquei surpreendido com o que até agora se soube. O currículo de Paulo Gonçalves é extenso. Esteve ligado ao porto nos anos noventa do século passado e convenientemente passou-se para o Boavista a tempo de montar a "estrutura" que levou à conquista do campeonato por parte dos axadrezados. Sem dúvida que estamos perante alguém com know-how dos meandros obscuros do futebol português, com vasta experiência na arte da manigância e da marosca. E como bem diz o povo português, "diz-me com quem andas que eu digo-te as manhas que tens".
O comum dos lampiões olha para tudo isto e aborda o assunto de variados ângulos, desde a incredulidade total até ao mais puro conformismo de que para se ganhar algo em Portugal, tem de se jogar sujo nos bastidores. Os incrédulos, que ainda há muitos, são aqueles que papam tudo o que a cartilha lhes mete á frente. Desde as considerações morais sobre a personalidade de Paulo Gonçalves, católico praticamente que jamais praticaria actos de tal natureza, ou então preferindo pegar naquela parte da cartilha que prefere atacar o mensageiro - o famoso hacker de Budapeste - transformando-o em fonte de todo o mal que assola o clube da Luz. A forma como os e-mails do benfica foram postos na praça pública revestem-se de evidente ilicitude, mas que foi ofuscada perante a gravidade do que veio a público. Meter tudo no mesmo saco é como considerarmos ser tão grave o carocho que vende ganza na rua como o cartel de Medellin. Não há comparação possível.
De resto, a narrativa que diaboliza o hacker acaba por cair por terra quando nos lembramos que a SAD lampiónica já foi alvo de várias diligências da PJ e do Ministério Público, logo é redutor pensarmos que a única prova que a investigação possui advém exclusivamente dos emails "hackeados". Nem eu acredito que uma investigação criminal com esta mediatização, cujo alvo é o benfica, se suportasse em exclusivo nessa fonte. A tese da cabala portista-brunista de que tudo foi manipulado pelo eixo do mal "dragarto" é conversa para boi dormir.
Não vi a mesma preocupação sobre as fontes ilícitas quando o alvo das mesmas era o Sporting. Lembram-se do "draft" do contrato de Mitroglu com o Sporting? Lembram-se dos contratos de Coates ou Bruno Paulista com o Sporting? Lembram-se também de quem veiculou essa informação? Eu lembro-me: Pedro Guerra e o Rascord farinácio. O karma é tramado.
Se o lampião incrédulo acaba por dar pena, tal é forma como se deixa manipular pela cartilha do seu clube, já o lampião conformista é para mim o mais perigoso. Para o conformista, não há volta a dar. Para cabrão, puta e meia. Convenceram-se de que para destronar o Sistema, teriam de jogar no mesmo território. Não basta o mérito desportivo, é também necessário dominar tudo e todos. A táctica da terra queimada no seu esplendor. Segundo o lampião conformista, afinal o porto dos anos 90 e da primeira década deste século tinha uma grande equipa e aquilo das escutas da "fruta" é lana caprina, pois "todos o fazem". Quando defendemos exacerbadamente a ideia de que os fins justificam os meios, acabamos por criar monstrinhos que um dia nos devoram. No caso do benfica, esse dia está a chegar. 
Tudo o que reconhecíamos no Sistema, está hoje no Estado Lampiânico: a coopção da oposição interna, o aproveitamento do clube por parte da sua direcção, o encobrimento do trabalho sujo das claques, o domínio sobre os clubes mais pequenos, a cativação de árbitros e observadores com recurso a prostitutas, a parceria com o poder político, o conluio dos jornalistas amigos. Tudo com a bênção do lampião conformista, que mesmo sabendo de tudo isto, prefere que assim seja pois de outra forma não conseguiria ganhar nada.
Quando confrontados com o que surgiu nestas últimas semanas contra o seu clube, a lampionagem abandonou a velha cassete de Paulo Pereira Cristóvão e passou a pegar noutra: o Cashball. Não são casos comparáveis, pois um já está em fase de acusação enquanto que o outro ainda está em inquérito. Pelo que se soube na altura em que o Cashball rebentou, não me parece que a prova contra o Sporting seja sólida. A participação do César das malas na denúncia é, por si só, de desconfiar. Mas uma coisa é certa, se chegarmos à fase de acusação e continuarem de pé as suspeitas de corrupção por parte do meu clube, mesmo que estejamos a falar de andebol, cá estarei na primeira fila para o criticar. 

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Última jornada: Jorge Jesus contra os padres e as missas

No dia 22 de maio de 2005, a nossa equipa subia ao relvado para disputar o último jogo de um campeonato muito amargo. Uma semana antes estávamos a uma vitória de sermos campeões, num jogo onde até o empate não era mau de todo, pois continuávamos a depender só de nós para sermos campeões. Quis o destino que Luisão nos marcasse um golo aos 83 minutos, num lance muito duvidoso mas onde o nosso guarda-redes também pareceu mal batido. Terminado abruptamente o nosso sonho de sermos campeões, restava-nos o consolo de alcançar o segundo lugar da prova, onde concorríamos com o porto.
Nesse dia jogámos em Alvalade contra o Nacional da Madeira. Além de termos perdido o campeonato na semana anterior, também tínhamos perdido a final da Taça UEFA uns dias antes, naquele mesmo estádio. O estado anímico dos jogadores estaria no mínimo, mas ainda tínhamos aquele ponto de honra que era o segundo lugar e, consequentemente, o apuramento para a Liga dos Campeões. Mesmo com a nossa equipa em frangalhos, o Sistema decidiu jogar pelo seguro, pelo que garantiu que não atrapalhássemos as contas finais. Até porque o Nacional andava então pelo 12.º lugar, pelo que nada fazia prever um mau resultado do Sporting naquela tarde. Mas aconteceu. Aos 24 minutos já perdíamos por 0-3, com todos os golos dos visitantes a serem marcados em clara posição de fora-do-jogo, a que se juntaram duas grandes penalidades indiscutíveis a nosso favor que não foram assinaladas. O jogo acabaria em 2-4. Uma vitória teria-nos garantido o segundo lugar, pois o porto empatou o seu jogo.
Treze anos depois, o VAR impossibilitaria (teoricamente, pelo menos) que aquela arbitragem se repetisse no próximo dia 13 de Maio. Mas não estamos livres de sofrer um contratempo igual ao que sofremos contra o Nacional. Afinal, há uma equipa que pode ficar privada de umas boas dezenas de milhões de euros, caso consigamos vencer na Madeira. Não podemos esquecer a forma como este mesmo Marítimo facilitou quando visitou a Luz para o campeonato. 
Contra 11, 12, 15 ou 17, não deixamos contudo de sermos mais que favoritos a ganhar na Madeira. Não podemos ter receio de jogar contra a equipa que, por mais "aditivada" que esteja, está em sétimo lugar, com 44 pontos (menos 34 que nós), que marcou 34 golos e sofreu 48 ao longo da prova. O melhor Sporting, com inspiração normal, é suficiente para levar de vencida a partida. Mas lá está, como não podemos correr riscos como os que corremos, por exemplo, em Setúbal, impõe-se que o Sporting seja no domingo aquilo que não foi no passado sábado: uma equipa motivada na procura da vitória, mandona em campo, cerrada na defesa, habilidosa no meio-campo, inspirada na finalização. E se assim for, não haverá padre ou missa que nos desvie do objectivo final.
Chegados à última jornada, ainda não podemos analisar com precisão a época de Jorge Jesus à frente do Sporting, pelo menos no que ao campeonato dis respeito. Uma vitória na Madeira assegura o segundo lugar e 81 pontos, o que não se coaduna com a noção de "época má". Já uma derrota ou empate, que implique a perda do segundo posto, não terá outra consequência senão a admissão de que este campeonato foi negativo. O próprio Jorge Jesus, mais do que ninguém dentro do Sporting, sabe o quanto vale a vitória na Madeira. Vale a diferença entre uma época razoável ou (mais uma) para esquecer.

terça-feira, 1 de maio de 2018

O ressurgimento do Sistema?

Penso na magnífica equipa do Benfica que foi campeã em 2015/2016 e 2016/2017 e lembro-me de jogadores tremendos, como Jardel, Samaris, André Almeida, Pizzi, Eliseu, Renato Sanches, Jimenez, Carcela, Lisandro, Rafa ou André Horta. E olho agora para esta equipa do Porto, a apenas um ponto de ser campeã, onde demonstram talento jogadores como José Sá, Marcano, Maxi, Herrera, Danilo ou Marega (!!!). Penso nisto tudo e só me dá vontade de chorar...
Do campeonato de 2015/2016, já fui dizendo por aqui tudo o que haveria para dizer. A equipa cujo meio-campo proporcionou uma conquista europeia à selecção portuguesa, que acabou esse campeonato com 86 pontos, foi batida por outra equipa onde pontificavam os jogadores que em cima escrevi. Em 2016/2017 tivemos longe na performance do ano anterior, acusámos em demasia as ausências e não soubemos responder em jogos onde fomos "puxados" para trás. Os 70 pontos conquistados resumem o fracasso, onde nem as outras competições escaparam. Esta época, na melhor das hipóteses, chegaremos aos 83 pontos. E o Porto de Marcano ou Herrera pode fazer 88 pontos. Ou seja, nem com os pontos de 2015/2016 lá chegaríamos. A equipa de João Mário, Adrien e William Carvalho ficaria atrás de Herrera, Sérgio Oliveira e Oliver. É isto.
Perante os impressionantes recordes de pontos alcançados por equipas pouco acima de medianas, treinadas por treinadores que alternam entre o carisma de uma alface ou a esquizofrenia frenética de um Dr. Jekyll/Mr. Hyde, o que é que nos resta a nós, sportinguistas, esperar dos próximos tempos?
Para já, atendendo à corrente noticiosa que vai circulando, mau grado os esforços hercúleos de gabinetes anti-paródia, resta-nos a ténue esperança que o braço judicial deste país encontre e prove tudo aquilo que nós assistimos em campo nos últimos anos contra um clube: jogadores macios, treinadores receosos, árbitros amblíopes e uma "estrutura" de bastidores que trata das pontas soltas.
Quanto à presente época, verdade seja dita que quem vai na frente pode dizer que não precisou do mesmo expediente que o campeão da treta nestes últimos anos. Salvo uma ou outra situação onde claramente foram muito más as explicações, como a bancada do Estoril e a dívida saldada antes da segunda parte, admito que ficou muito àquem do expediente utilizado pelo Estado Lampiânico. Mas é preciso termos calma. É que eu ainda me lembro do que é que aqueles meninos de riscas verticais azuis e brancas andavam a fazer há bem pouco tempo. Virá aí a ressurreição do Sistema?
Muito da próxima época dependerá do que fizermos nos últimos jogos deste campeonato. É fundamental conquistar o segundo lugar e consequentemente a possibilidade de aceder à Liga dos Campeões. Quem ficar de fora do bolo de receitas da LC terá uma vida muito complicada na próxima época. O benfica está à beira de iniciar um processo eleitoral antecipado, como comprovam as últimas intervenções de Rui Gomes da Silva. Junte-se a isto a decrescente investimento dos encarnados na sua equipa, que tenderá a agravar-se sem as receitas da UEFA. E poderemos ter aqui o inicio de uma crise do outro lado da segunda circular. Sem esquecer nos casos criminais que estão pendentes na justiça e que poderão ser despoletados a todo o momento. Se formos nós a ficar de fora da LC, o cenário não será muito diferente. Inevitavelmente virão os inimigos de Bruno de Carvalho atacá-lo e tentar provocar a sua destituição. A nossa reestruturação financeira, sumarizada ontem pelo presidente, poderá ser afectada e ficar em causa. Muito provavelmente teremos de desinvestir no plantel, provocando algumas saídas.
Enquanto o cenário sobre o segundo lugar não se revela, podemos já falar do que significa o porto ser campeão. A equipa portista, arredada há 4 anos de qualquer título de futebol, intervencionada pela UEFA, cumprindo um rigoroso plano de austeridade, ultrapassado pelo benfica na influência atrás dos bastidores, recebe assim um tremendo balão de oxigénio. O porto pode preparar a sua nova época com alguma tranquilidade e folga, podendo recuperar alguma capacidade de investimento que perdera nestes últimos meses. Fora do campo, com a estrutura do benfica a desmoronar-se, o Sistema tem campo aberto para reaparecer. Não tenhamos ilusões. Todos os actores que contribuíram para a manutenção do Sistema, continuam aí. Desde Pinto da Costa, passando pelos seus acessores e vice-presidentes, até à estrutura federativa e da Liga (Fernando Gomes portista e Proença sempre pró-Porto), são todos sobreviventes do passado.
Nos próximos tempos teremos de andar com um olho no burro e outro no cigano. Por um lado, temos de desconfiar das notícias que dão o Estado Lampiânico em queda, que para já me parecem exageradas. Mas por outro, não poderemos ignorar o mais que provável regresso do Sistema. No meio de tudo, estamos nós. Se nos choca ver opositores de BdC de braço dado com Luis Filipe Vieira, já não poderemos dizer o mesmo se os virmos abraçados a PdC. É que se há coisa que o roquetismo demonstrou nos seus anos, é a facilidade com que se pode ignorar ou mandar às malvas os melhores princípios éticos do desporto, por troca de um prato cheio de croquetes.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Enjoy the silence

Hoje deu-me para plagiar a Tasca do Cherba, pelo que o título do meu post é o nome de uma música que se adapta ao actual estado do Sporting e do futebol português.
Esta semana começou estranhamente silenciosa. É digno de se ver como uma simples mudança de líder do campeonato, altera por completo o alinhamento de telejornais e dos temas em discussão nos canais noticiosos. De um dia para o outro deixou de se falar de futebol. Bruno de Carvalho e a sua sucessão já não justificam "praças públicas" e outros programas de debate. As agressões a jornalistas, após um jogo de futebol, deveu-se ao clima e não à cultura totalitária do clube envolvido. Rui Vitória, que em tempos chegou a ser o Sun Tzu da nossa bola, parece que afinal não passa de um nabo com olhos.
Voltando novamente ao silêncio, começo por aquele que me é mais querido: o silêncio do nosso presidente. A acalmia dos últimos dias serviu para recuperar alguma normalidade no reino do leão, com os jogadores a fazer aquilo que é suposto fazer, jogar à bola e vencer os jogos. De repente, a brigada do reumático como que meteu a viola no saco e desampararam a loja por estes dias. É certo que para isso também contribuíram outros silêncios, como de Rogério Alves ou João Benedito, que ter-se-ão lembrado daquele velho adágio popular, de que "quem com ferros mata, com ferros morre". E vai daí mostraram alguma dignidade em não pontapear o moribundo no chão, ao contrário dos patetas do costume que já ninguém leva a sério, como Severinos, Abrantes e companhias.
E como o silêncio costuma ser bom conselheiro, aposto que muitos sportinguistas terão feito uma profunda introspecção quando viram a primeira parte do jogo de Belém. "Onde é que andava esta equipa quando fomos a Setúbal ou Estoril?", perguntavam muitos. No Restelo, onde perdeu o porto e ia perdendo o benfica, conseguimos virar um mau inicio de jogo e marcámos 3 excelentes golos. Aos poucos, sem Bruno de Carvalho abrir a boca, os adeptos vão pensando em como esta época teria sido diferente se o presidente tivesse apertado com os "meninos mimados" depois do empate de Setúbal. Mas mesmo tarde, pode ser que o puxão de orelhas ainda tenha vindo a tempo. O segundo lugar voltou a ficar á nossa mercê e na quarta-feira, uma exibição ao nível da última quinta poderá abrir-nos as portas do Jamor. Até lá é aproveitar o silêncio e não fazer (nem dizer) mais asneiras.
Sobre o clássico entre o Estado Lampiânico e o Sistema, tenho pouca coisa para dizer. Rui Vitória mostrou mais uma vez que não passa de um treinador mediano. Que sobrevive numa equipa "grande" apenas porque ela é amparada nos momentos complicados. Sem rasgo táctico, com o seu carisma típico de um vegetal, sem aquele élan que ameaça tudo e todos quando não o carregam ao colo. Lembra-me muito Fernando Santos quando treinou o porto nos anos 90, outro treinador mediano que conseguiu ser "penta" sabe lá ele como. No domingo não sobreviveu a mais um jogo paupérrimo por azar. Aquele lance do Zivkovic, no final do jogo, só não deu penalti porque do outro lado estava o Sistema e Artur Soares Dias não é propriamente anti-Sistema. Fosse contra um dos Tondelas do campeonato e aquele lance patético era transformado numa penalidade salvadora, tal como em Setúbal. 
Mas ainda não é tempo para Rui Vitória atirar a toalha ao chão. Ainda faltam quatro jornadas e cheira-me que ainda o vão tentar salvar. Tanto contra o de cima, como contra o de baixo. Quanto a nós, além de estarmos atentos, lembremo-nos também que o silêncio não é eterno. E que passando estas ondas de choque do míssil do Herrera, irão chegar pazadas fresquinhas de carvão para nos tentar distrair do objectivo final.
Por enquanto "enjoy the silence". E que eliminemos o porto!

quarta-feira, 28 de março de 2018

Como transformar o chico-esperto da Britalar em vítima de BdC

No próximo fim de semana teremos um dos jogos mais importantes até ao final da temporada. Não que nesta fase possamos dizer que este ou aquele jogo são de importãncia reduzida, não. Até à 34.ª jornada temos de encarar todos os jogos como finais, pois são todos para vencer. Mas o próximo é especial.
Em primeiro lugar, uma vitória em Braga deixa o benfica C praticamente afastado da luta pelo 3.º lugar. Em segundo lugar, sendo o jogo mais perigoso até defrontarmos o benfica em nossa casa, uma vitória deixa-nos o 2.º lugar à nossa mercê. Em vésperas de benfica-porto, os lampiões entrariam em campo no clássico pressionados, pois um mau resultado teria impacto duplo, quer nas aspirações ao título, quer na luta pela segunda posição. Em terceiro lugar, mas não menos importante, uma vitória em Braga dá-nos alguma margem para sonhar. O porto terá uma deslocação a Belém que se pode vir a revelar complicada. Uma vitória em Braga, conjugada por uma perda de pontos do líder, deixaria-nos novamente na luta pelo título, pelo menos até ao desfecho do benfica-porto. É uma equação com muitas variantes, onde até pode entrar a esperança de Peseiro ir sacar uma gracinha na Luz. Façamos o nosso trabalho, que é o de bater o benfica C, e esperemos que a sorte nos sorria...
Enquanto isso, por Alvalade, as coisas vão seguindo o seu ritmo habitual. Bruno de Carvalho patrocinou a abertura de uma loja verde no coração turístico de Lisboa, numa iniciativa que só peca por tardia. O vandalismo que a loja sofreu logo na primeira noite revela o quanto é hipócrita aquela aquela velha máxima de que "em Portugal só existem dois clubes, o benfica e o anti-benfica". Pelo caminho, Bruno arrasou novamente o califa do Estado Lampiânico, que dias antes atirara para o ar uma mão cheia de areia, na esperança que a sua retórica de "vendedor da banha da cobra" afastasse os holofotes mediáticos do toupeiral de Carnide.
O problema de Bruno de Carvalho, que patologicamente parece incurável, é que fica de tal modo entusiasmado quando acerta no cravo, que no meio da euforia manda mais uma martelada na ferrradura. A recente "guerrinha" com o benfica C é um bom exemplo disso. Salvador, tal como um bom moço de recados ou cão fiel ao seu dono, lá se prestou a fazer mais um favor à mão que o afaga, e vai de criar uma telenovela em torno de tranches não pagas, relativas à transferência de Bataglia. O móbil era de tal forma evidente - fazer um frete ao gabinete anti-paródia do EL, criando uma diversão ao #BenficaGate - que inicialmente não terá havido sportinguista que tenha levado a sério a acusação bracarense. A resposta dada uns dias depois, de que afinal o braga tinha uma dívida mais antiga por saldar com o Sporting, era mais do que suficiente para encerrar um assunto sem assunto nenhum. Pagar a tranche ao braga, descontando as dívidas passadas e as futuras que iriam ter com o Sporting, sendo questionável em matéria de relação entre duas entidades adultas e de respeito, também foi uma forma paternalista de encarar a coisa. Lembram aqueles pais, que para ensinar os filhos a não gastar mais do que tem, lhes descontam na mesada aqueles euritos que lhes emprestaram no ano passado. Foi um modo paternal do Sporting dizer ao braga de que "não andamos aqui a dormir" e que as dívidas são para ser pagas a tempo e horas. O comunicado do braga lembra aqueles miúdos lá da rua, que na sexta-feira iam fanfarrões lá para casa porque iam receber "umas massas" para gastar no fim de semana, mas que acabam no café a chorar porque afinal os papás são mauzões e só lhe deram "uns pauzitos". A história era de tal forma evidente que até parecia uma parábola bíblica, daquelas com moral no fim, tipo "paga o que deves e não inventes". No entanto, Bruno de Carvalho achou que a moral da história não era humilhante o suficiente para o chico-esperto da Britalar, e vai de metralhar a personagem com insultos. De repente, o que era um jogo de futebol que nos poderia abrir as portas do mundo dos sonhos, transformou-se numa prova de orgulho ferido para o nosso adversário. Junte-se a isto a folga que a comunicação social está por estes dias a dar ao #benficagate. E temos mais um jogo contra toda a adversidade do mundo. 
O porto, dos velhos tempos do Sistema, tinha a irritante característica de se transfigurar perante adversidades semelhantes. Quando atacados no seu orgulho (lembro-me das campanhas de Santana Lopes ou Dias da Cunha contra o porto), os seus jogadores transformavam-se em feras quando entravam em campo, além de outros expedientes a que recorriam quando só a ferocidade da equipa não chegava. Infelizmente a nossa equipa ainda não atingiu aquele ponto de "orgulho ferido" que caracterizou o porto dos anos 90, nem possui os expedientes alternativos proporcionados pelo Sistema. Daí que o nosso próximo jogo seja duplamente perigoso: primeiro, porque é contra um bom adversário, que gosta de jogar bem contra nós. Depois, porque mais do que nunca irão querer ganhar este jogo. Não vão ser só três pontos em disputa, mas também o orgulho. Espero que os nossos jogadores, quando entrarem em campo no sábado, estejam bem cientes disso.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Sporting: Tropeçar nos nossos equívocos no território armadilhado do futebol português

Ando de mau humor e com a crença em baixa.
Esta época tinha tudo para correr bem. Somos treinados pelo melhor treinador actualmente em Portugal e temos um plantel equilibrado e recheado de talentos como não tínhamos desde 2002. Começamos a época algo receosos, mas se as primeiras exibições foram um pouco àquem das expectativas, já os resultados vieram a confirmar o que se esperava. Conseguimos a qualificação para a Liga dos Campeões e no campeonato somámos uma série de jogos só com vitórias.
Hoje, nos últimos dias de Fevereiro, ainda não temos nada perdido. Vencemos a taça da carica, mantemos a esperança no apuramento para a final da Taça de Portugal, na Liga Europa temos fundadas expectativas em chegar aos quartos de final. No campeonato, que é a prova que mais nos interessa, ainda podemos sonhar com a conquista do caneco. E quando numa competição já só nos agarramos ao "sonho", então é porque algo não correu assim tão bem.
Na próxima sexta-feira jogaremos já aquele jogo que, se perdermos, não haverá sonho algum que nos valha. Irrita-me chegar ao inicio de Março e já estarmos a fazer os "jogos decisivos", onde uma perda mínima de pontos nos atira para fora da luta pelo título. Um presidente em guerra aberta contra tudo o que é lobbie anti-Sporting, o melhor treinador que poderíamos alcançar, um plantel qualitativamente melhor em relação aos últimos anos, um investimento forte no mercado de Inverno, mas no final chegamos a Março e já andamos a lutar pela sobrevivência. E porque é que chegámos a este ponto, assim tão cedo? Por duas coisas.
Em primeiro lugar, o terreno armadilhado que é o futebol português. Não há aqui novidade nenhuma, desde que me lembro, o nosso futebol tem tanta disputa dentro de campo como fora das quatro linhas. Sabíamos que esta época iria ser particulamente agitada, pois o Sistema quer a todo o custo derrubar o Estado Lampiânico. O benfica pentacampeão, juntando-se a um porto falido e na maior seca de campeonatos desde os anos 70, era a pior coisa que o Sistema poderia enfrentar. E por isso lançaram logo de inicio uma ofensiva em larga escala para derrubar o EL. Começou com a divulgação dos e-mails, passou para a pressão sobre os árbitros e o VAR. Em sentido oposto, o Estado Lampiânico respondia onde é mais forte, pela comunicação social que domina, tentando minimizar e descredibilizar as denúncias portistas. No centro do furação está a arbitragem, que tal como um barco à deriva num mar tempestuoso, vai balouçando de um lado para o outro, conforme sopra o vento mais forte. Os últimos jogos dos nossos rivais tem sido verdadeiros recitais de impunidade, escandalosos favorecimentos dos homens do apito, sem falar de algumas convenientes exibições das equipas contra quem jogam. No inicio da época cheguei a ter a esperança de que o VAR viesse por fim à pouca vergonha que é a arbitragem nacional, mas hoje sei que me enganei. Continuam os favorecimentos, as impunidades e as protecções aos do costume. 
Em segundo lugar, e não menos importante, os nossos próprios equívocos. Continuamos a perder pontos impensáveis contra equipas que estão nos últimos lugares. Com os sete pontos perdidos até agora contra Estoril, Vit. de Setúbal e Moreirense, estávamos hoje sossegados e isolados na frente. Não vale a pena gritarmos que temos de jogar a 120% para sermos campeões em Portugal, quando não ganhamos jogos que ganharíamos a jogar a 80 ou 90%. Noutro dia vi JJ, na mesma frase, dizer que vê mais além porque é muito bom, mas falhou por não ter tirado Bas Dost mais cedo. E, pergunto eu, para que preciso de um treinador muito bom, que vê mais longe do que os outros, mas depois teima em cometer os mesmos erros de sempre? Para que é que fomos gastar 6 milhões em Wendel para ficar na bancada e depois não temos dinheiro para ir buscar um Raphinha a Guimarães para ser titular? Porque não temos espaço no nosso plantel para Francisco Geraldes mas continuamos a insistir em Brian Ruiz? Porque é que andamos a rebentar fisicamente com Gelson e Bruno Fernandes, mas depois mandámos Iuri Medeiros embora e não apostamos em Misic ou Wendel? 
Os nossos dois rivais estão a travar uma luta titânica pelo domínio do nosso futebol. Na década passada começamos a perder força precisamente quando benfica e porto começaram essa luta. A queda do Sporting foi um dano colateral à tendência de bipolarização do futebol português. Hoje o Sporting não é outra vez um dano colateral graças à tenacidade de Bruno de Carvalho, que teima em remar contra a maré. Mas não tenhamos ilusões, pois o nosso espaço é cada vez mais reduzido, assim como reduzido é o tempo que temos para recuperar esse nosso espaço. 
Estamos numa altura em que mais do que visionários, precisamos de espíritos pragmáticos dentro do Sporting. 

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

A todos um bom Natal, pintado de verde e branco

Não estarei a cometer nenhuma imprecisão se afirmar que este Natal será o melhor Natal dos últimos tempos para o Sporting - desportivamente falando.
Somos lideres isolados ou ex aequo nos campeonatos de várias modalidades. Com a agravante, no que ao futebol diz respeito, da nossa imagem não estar a ser arrastada na lama como a dos nossos rivais. Fica cada vez mais sedimentada a sensação de que somos os melhores por mérito próprio e não por ajuda de "mãos invisíveis". E isso é motivo mais do que suficiente para nos orgulharmos do trabalho que tem sido feito no nosso clube. De pré-falência voltámos a ser a referência do desporto nacional, sem nunca perdermos aquela característica tão nossa, de que não vale tudo para se vencer.
Mas temos de estar alerta. Estamos num bom caminho, é certo, mas ainda não ganhámos nada. E lá fora temos inimigos que nos espreitam, daqueles que não tem pudor em usar batota atrás de batota para nos vencer. Quem se dá ao trabalho de criar páginas no Facebook ou no Twitter para nos enxovalhar, não terá problemas em fazer muito mais contra nós nos bastidores do desporto nacional.
E se aqui não escondo que o nosso principal inimigo é o benfica, também não posso deixar de esquecer o que foi o porto aqui há uns anos atrás. São os dois iguais, trafulhas, trapaceiros, batoteiros e criminosos. E para os ultrapassarmos temos de ser muito, mas mesmo muito fortes. E indefectivelmente unidos.
No novo ano que irá começar em breve, contem com este blog para continuar a luta contra o sistema e o estado lampiânico. Não serei uma voz de análise e esmiuça como são outros blogues leoninos, como o Artista do Dia ou o Mister do Café, pois não possuo tempo nem ferramentas para levar a cabo o meritório trabalho que prestam. Mas tenho a paixão, a dignidade, a rectidão e a memória para continuar a criticar e desmascarar a podridão do futebol português ATÉ QUE A VOZ ME DOA.   
Deixo-vos agora para um curto interregno natalício, desejando a todos os leitores deste blog um santo e feliz Natal pintado de verde e branco. E que 2018 venha depressa para vermos a nossa equipa a jogar no galinheiro sem receio nem vergonha. Sem esquecer o jogo de Belém para a Taça Lucílio Baptista.
SL 

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Os dragartos

Um dos impropérios que a lampionagem gosta de nos lançar é o de "dragarto". Apesar da palavra visar o conjunto de adeptos do Sporting e porto, ela acaba por ser mais depreciativa para nós, pois atrás de si vem a conversa do costume: nós somos subservintes ao porto, que nos usa apenas para conseguir os seus intentos de dominar o futebol português.
Infelizmente tempos houve em que por Alvalade grassou uma escola de dirigentes desportivos que, não sendo propriamente "subservientes" ao clube que então dominava o futebol luso, eram coniventes por omissão com o seu jogo sujo, conformando-se em acabar as épocas atrás dele. Essa mesma escola permitiu que outra classe de dirigentes, oriundos da escola do betão armado e dos pneus colombianos, muitos com um passado pouco recomendado de ilicitudes e manigâncias, arrogasse para si os louros da luta hercúlea contra o Sistema portista, empurrando-nos para o lado errado da história.
Enquanto Sportinguista fervoroso e temente dos mais altos valores éticos e morais desportivos que o nosso clube sempre se orgulhou de representar, custou-me ver que indivíduos como José Veiga, Bibi, Luis Filipe Vieira, entre outras eminências, surgissem então travestidos de heróis na luta contra o polvo portista, enquanto do nosso lado nem sequer uma palavra foi dita quando, por exemplo, o Paulinho foi chamado de "atrasado mental" nas escutas do apito dourado. 
Entretanto passou-se mais de uma década desde que o apito dourado foi revelado ao mundo. As coisas mudaram. O Sistema foi destronado pelo Estado Lampiânico e a nossa antiga classe dirigente foi varrida para debaixo do tapete, dando lugar a sangue novo. O Estado Lampiânico, numa primeira fase, conseguiu implementar-se em lugares-chave que o Sistema nunca cheirou, como a comunicação social e a blogosfera. Nem o poder político escapou, como se tem visto ao longo da triste telenovela das claques e dos grupos de sócios organizados. 
Actualmente a luta de poderes no futebol nacional pode ser entendida da seguinte maneira: de um lado o Estado Lampiânico, hegemónico, assente na simpatia ou no medo que os poderes tem pelo facto de ser o representante do clube com mais adeptos em Portugal. Do outro lado, os resquícios do Sistema, moralizados pelos recentes resultados desportivos que catapultam a sua equipa, e pela forma como tem conseguido saber desmascarar as engrenagens do EL nos bastidores do nosso futebol. No meio desta luta estamos nós. É preciso não esquecer que Bruno de Carvalho, desde a primeira hora, sempre soube manter-se à parte das lutas de poder entre porto e benfica. A certa altura chegámos a ficar isolados no panorama futebolístico nacional, quando Luis Duque foi eleito presidente da Liga. Neste tempo o Sporting soube sempre assumir uma postura de delação das práticas mais obscuras e promíscuas dos agentes desportivos, desde a questão dos fundos até ao buraco negro dos "vouchers". Infelizmente esta delação não foi acompanhada de uma Comunicação assertiva para o exterior, acabando a nossa mensagem por ser afectada por algum "ruído" em torno de polémicas dispensáveis do nosso presidente. E por isso a campanha dos "e-mails", protagonizada pela comunicação portista, gerou mais mossa do que a nossa luta contra os vouchers: foi mais focada.
Daí que a actual campanha do Sistema para se auto-resgatar possa gerar em alguns de nós o mesmo fascínio que outros tem pelo abismo. Os sportinguistas podem sentir-se tentados em dar o braço aos salvadores do Sistema, pois afinal temos todos o mesmo objectivo de derrubar o EL. Mas não nos iludamos: os outros apenas querem trocar padres por fruta, como se tem visto nas recentes polémicas (sempre) em torno da arbitragem. Nós queremos algo mais. E a actual direcção do Sporting também. Por isso é que Bruno de Carvalho disse, com todas as letras, que íamos ser campeões nacionais. E por isso é que todos dizemos que se BdC não for campeão neste mandato, será corrido da presidência do Sporting. Na década anterior, como diz a "A Insustentável Leveza do Liedson", falávamos do porto conformados. Para o bem e para o mal, hoje não é assim.
O tempo dos "dragartos" acabou. Bardamerda para os "dragartos" e para quem nos chama de "dragartos".

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Bruno e o Dom Quixote

Os últimos dias tem sido uma defecação.
Quando pensamos que o futebol português bateu no fundo, eis que a realidade nos continua a surpreender. Continuam as lutas de bastidores entre Estado Lampiânico e Sistema, cada um chafurdando com mais avinco na podridão do nosso futebol. Qualquer adepto minimamente atento às notícias desportivas percebe a luta titânica em curso. São e-mails, cartilhas, diagramas, conversas, entrevistas. Tudo tresanda a putrefacção. 
Do Estado Lampiânico muito escrevi aqui, a que se juntaram outras tantas histórias entretanto descobertas e relatadas pela revista Sábado. O Piriquito, qual espécie voadora armada em ave de grande porte, transmitia dados financeiros sobre os clubes rivais do benfica aos seus amigos Pedro Guerra e André Ventura, enfatizando os temas que estes deveriam explorar nos seus programas de tortura com que nos vão brindando na televisão. Queixou-se o piriquito que nada daquilo era confidencial, mas por algum motivo ganhou vergonha na cara e pediu para sair. Usar a sua posição de acesso previlegiado à informação para "cuscuvilhar" a vida de outros clubes, pode não ser ilegal. Mas de certeza que não é ético. Hoje sabemos de onde é que Pedro Guerra foi buscar algumas das suas "informações" sobre as contas do Sporting, por exemplo. E sendo Pedro Guerra um mestre na arte de "rumorizar", nem quero imaginar que mais fontes e lacaios terá espalhado por esses gabinetes fora. Pedro Guerra, por muito que o queiram esconder, é mais do que um blogger ou paineleiro da nossa praça. É um funcionário do benfica. E um funcionário que tem utilizado reiteradamente esquemas sem ética para prejudicar a imagem dos adversários do benfica. Alguns dos quais ilegais. E criminais. Adiante.
Do lado do Sistema, é caso para dizer que a "besta" acordou. O que A BTV divulgou ontem sobre apitos dourados, braços armados e braços civis, não é novidade nenhuma. A única novidade foi como o Sistema se deixou ultrapassar nestes últimos anos pelos Talibans de Carnide. Longe vão os tempos em que benfica e porto iam de braço dado até à liga para escolher Luis Duque, ex-dirigente do Sporting contrário à actual direcção do clube, presidente da Liga de Clubes. Pinto da Costa lá terá acordado da sua longa hibernação e voltou a fazer aquilo que sempre fez nos últimos 30 anos: "mafiar". Pode não ter a sofisticação do EL, nem a sua enorme falange de activistas, mas tem a experiência de quem sabe onde estão as pontas certas para serem puxadas. E essas pontas são invarivelmente as mesmas de sempre: a arbitragem. Quem nomeia, quem observa, quem classifica. 
Entre a luta de titâs, está o Sporting. Bem que nos tentam puxar para a lama, dar holofotes mediáticos a ex-policias condenados ou a empresários de futebol sem escrúpulos. A última agora é o aparecimento de Pedro Madeira Rodrigues, que no meio desta guerra porto-benfica apressou-se a fazer o papel de palerma que sempre lhe coube, empurrando de novo o holofote para o local errado.
Tentar ser campeão no meio desta trampa toda, é um trabalho de Hércules. Conseguir ser campeão é um trabalho quixotesco. Só alguém muito puro no seu coração, um romântico, acredita ser possível ganhar-se alguma coisa contra o EL ou o Sistema. Só um Don Quixote aceita este papel de defensor intransigente dos valores desportivos, no contexto em que estamos. Mas ao contrário da personagem de Cervantes, este Don Quixote não pode continuar a perder o seu tempo a investir contra moinhos de vento. Não pode continuar a perder o seu tempo com discursos do "feitio de gaja" ou da "entrevista idiota". 
Se quer ser uma voz diferente no seio do nosso futebol, tem de primar pelo discurso diferenciador, por apontar o dedo à pouca vergonha que se tem passado nestes últimos dias. Não pode dar argumentos aos nossos inimigos para que estes nos apontem os holofotes, conseguindo assim manter os seus na penumbra. Para isso já bastam os palermas que de leão ao peito se agacham para fazer esse serviço. Mais foco, Bruno. Mais foco.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O VAR: entre o Estado Lampiânico e o Sistema, nós!

Quinta jornada, quinta vitória. Podia ter sido um jogo com história simples, do género "má primeira parte, mas segunda parte de nível embala leão para mais uma vitória". Mas não, sportinguista que se preze não se contenta com vitórias fáceis. E lá tivemos nós de entrar em modo "hara-kiri" nos últimos momentos do jogo, para depois sim, ganharmos mais um jogo "à Sporting".
O Feirense é uma das equipas mais complicadas da Liga, principalmente a jogar em casa. Faz parte do mesmo lote de Chaves, Estoril ou Marítimo. Equipas pequenas, com orçamentos limitados, mas tacticamente muito certinhas e com filosofias de jogo que vão muito além do autocarro. 
Adeus Santa Maria da Feira, olá Atenas. Amanhã jogaremos uma importante cartada na Liga dos Campeões. Ainda é o primeiro jogo, é certo, mas para sonharmos com algo mais do que o terceiro lugar neste grupo, qualquer deslize é o seu fim. Uma vitória amanhã deixa-nos logo na frente da luta pelo terceiro lugar e abre-nos excelentes prespectivas para tentar o segundo lugar. Uma derrota praticamente nos arreda da luta pelos primeiros lugares do grupo, restando-nos ombrear com o Olimpyakos por um lugar na Liga Europa. O empate, como este jogo é fora, não será mau do ponto de vista da luta pelo terceiro lugar. Mas deixa-nos com pouca margem de manobra para mais.
Sejamos realistas, para passarmos aos oitavos de final da Liga dos Campeões, teríamos de fazer pelo menos 9 pontos (o benfica passou com 8 no ano passado e a Roma com 6 há dois anos, mas são casos muito raros). Isso implica obrigatoriamente vencer os dois jogos com o Olimpyakos e ganhar pelo menos um jogo a Juventus ou Barcelona. Por isso, amanhã, se quisermos fazer história nesta competição, só há um resultado possivel: a vitória.
Olhando novamente para a competição interna, vimos entretanto como os discursos se vão ajustando às necessidades. E convêm que os sportinguistas estejam atentos a estes "sinais dos tempos" e não deixem que lhes façam o ninho atrás da orelha. É que já vi alguns sportinguistas a alinhar nos discursos dos nossos rivais, o que sinceramente não me agrada.
Vamos por partes. O Al-Carnidão, como já se esperava, usou a sua última vitória in-extremis para atacar o VAR, usando como de costume a sua típica basófia e fanfarronice. Diz a cartilha que afinal o benfica não só não perde pontos com o VAR como até os garante. Nada de mau por aqui, pois eu prefiro estar dois pontos à frente sem espinhas do que quatro pontos com calimeros em choro compulsivo. Mas dois pontos são dois pontos, e o Estado Lampiânico lá começou com o seu típico trabalho de ameaça e coação, como a entrevista de Luis Bernardo ao Record. E mais se seguirá nos próximos dias, estejam atentos.
A novidade vem do velho "Sistema", que após a vitória do benfica desatou num ataque cerrado ao VAR. Basicamente a narrativa portista é que o VAR não serve para nada, pois o benfica continua a ganhar com marosca. Este discurso é perigoso, e para mim não é nada inocente. Quem está no poleiro do futebol nacional obviamente que não quer que estejam sempre em cima dele a escrutinar o seu trabalho. O VAR, com todos os seus defeitos, é uma arma de escrutínio e estamos bem melhor com ele do que sem ele. Não sei se o Sistema estará já preparado para tomar de assalto o nosso futebol, ou se o EL está já tão enfranquecido que se deixe derrotar. Mas que esta conversa de desvalorizar o VAR já está a ser lançada com o alto patrocínio dos baluartes andrades, isso está. E quando vejo sportinguistas a amplificar essa desvalorização, alinhando na conversa de um dos nossos rivais, fico preocupado.
Em Portugal, o VAR está na sua primeira época de implementação. O projecto é ainda isso mesmo, um projecto. Precisa de ser estudado, analisado e alterado naquilo que melhor servirá o desporto. Tenham lá a santa paciência, mas um fora do jogo mesmo de um milímetro é um fora-do-jogo. E continua a ser fora-do-jogo dependendo do entusiasmo (ou falta dele) do video-árbitro. Não nos percamos em truques comunicacionais ou clubites mal amanhadas. Foquemo-nos só e apenas na verdade desportiva e em contribuir para a sua valorização. Conversa de lobos com pele de carneiro, não obrigado!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

O Facebook do Bruno

Ontem dei por mim estarrecido, quando li num qualquer post de uma qualquer rede social, que o Bruno tinha voltado a publicar no Facebook. Procurei imediatamente pela conta do nosso presidente, e após ter visitado as 400 páginas do FB cujo título contêm qualquer coisa como "Bruno de Carvalho" ou "Presidente do Sporting" sem ter encontrado porra de post algum, vim afinal a saber que essa publicação saiu no seu perfil privado, "aparentemente" usado por causa do Spotify, e cujo acesso e leitura está vedado aos seus amigos. Ou seja, um perfil que não é acessível ao público em geral, como são os perfis das celebridades ou como o próprio em tempos já teve.
Aquela velha falácia da pessoa que fala ou age enquanto cidadão e não do cargo que ocupa, ainda hoje é utilizada como desculpa ou subterfúgio para se dizer ou fazer asneiras e coisas parvas, que de outra forma eram inaceitáveis. Lembro-me que Mourinho dizia sempre aos seus jogadores para nunca fumarem em público, mesmo quando estavam fora do âmbito desportivo. Primeiro, porque os jogadores, enquanto desportistas, tem um papel exemplar a desempenhar na sociedade. Segundo, porque mesmo numa noite de copos no Urban ou num jantar romântico no Gambrinus, a figura dao cidadão anónima.o é indissociável do jogador de futebol que todos conhecem. Essa lição, que nos parece básica, aplica-se a Bruno de Carvalho e ao cargo que ocupa. Em 2017, Bruno de Carvalho e Presidente do Sporting são ambas a mesma pessoa, não há volta a dar. Seja no Facebook, seja quando em off-the-record diz que o João Mário é feio ou quando está sentado no banco de suplentes em dia de jogo, Bruno de Carvalho é sempre o presidente do Sporting. 
Dai que mesmo que tenha falado "apenas" para as poucas centenas de amigos que tem no Facebook, as suas palavras tiveram o eco que tiveram porque foram proferidas pela pessoa que ocupa o cargo que ocupa. E não, eu não gostei de o ter ouvido falar em "sportinguenses". Não é bonito referir-se assim a sócios e adeptos do clube que preside, por muita razão que tenha e por muito residual que aqueles sejam.
Disse aqui há já alguns posts atrás que esperava e desejava que o nosso presidente estivesse mais low-profile durante a próxima temporada. Os sinais estão a ser positivos, mesmo após o episódio Octávio Machado. BdC tem-se comedido nas intervenções públicas, a pré-temporada (histerias à parte) tem corrido bem, com contratações atempadas e aparentemente de melhor qualidade face aos anos anteriores, o regresso do voleibol, etc. Em sentido oposto, o nosso rival do outro lado da estrada tem passado tempos difíceis, dentro e fora do relvado. Se as coisas dentro do relvado ainda podem ser desculpadas porque ainda não são a doer, já fora a coisa não tem sido fácil. O #benficagate tem posto a nu as engrenagens do Estado Lampiânico, tendo o mais recente capítulo sido particularmente deprimente. Seja porque a narrativa das "claques que são sócios organizados" é má demais para ser sequer ponderada, seja porque finalmente o Kadafi dos pneus veio a público falar e estampou-se ao comprido (não sei o que foi pior, os pontapés no português ou a t-shirt preta), seja porque toda a história cheira claramente a protecção dos poderes públicos ao clube do povo, ninguém levou a sério a posição oficial do benfica. E estava meio-mundo entretido a "malhar" no presidente do clube do povo, quando de repente o nosso Bruno resolveu vir a público em modo privado e... lá ficou meio daquele meio mundo a discutir o que o presidente do Sporting disse e como o disse.
Tirando a parte final do primeiro parágrafo, creio que qualquer sportinguista se revê completamente no que o nosso presidente escreveu. Como se revê na sua luta contra o Estado Lampiânico, o Sistema, os fundos ou a nossa dívida. Assim como se revê na sua luta para mobilizar a onda verde, que voltou a invadir todos os estádios de Portugal. Já na forma como o faz, por vezes, começam a duvidar da sua eficácia. O discurso das nádegas, do Belfodil, da Bardamerda, da terceira escolha... Poderão-me argumentar que os fins justificam os meios, que o homem é pragmático e focado e eu até posso aceitar isso. Agora o problema é que cada vez que BdC resolve utilizar os seus meios para atingir os fins que pretende, é precisamente para esses meios que todo o foco é apontado, por mais nobres e altos que sejam os fins a que se destinam. Nicolau Santos foi infeliz ao escrever aquela patetice no Expresso? Foi. Isso justifica que o presidente do seu clube o rotule de "sportinguense", logo pondo em causa a sua qualidade enquanto sócio e adepto do nosso clube? Não! E pronto, quando todo o Portugal futebolístico deveria estar empenhado em desmascarar a hipocrisia lampiónica da relação do benfica com as suas claques, eis que o Bruno lá arranja mais outro factor de diversão para os Fernandos Guerras e Delgados desta vida explorarem.
O nosso clube tem um director de comunicação, que no caso em concreto das claques ilegais do benfica esteve muitíssimo bem (aquela foto do LFV com o cachecol...). No episódio do Nicolau Santos também reagiu, e a meu ver bem. Se temos uma voz autorizada a falar pelo clube, não compreendo porque motivo o presidente insiste em mandar a sua "posta de pescada". A cacofonia em que por vezes o meu clube cai, é de todo evitável. Vejam por exemplo a política de comunicação do porto. Creio que não estou enganado quando digo que todos os seus comunicados ou tomadas de posição são feitas de forma impessoal, não assinadas por uma pessoa em concreto. Tirando a divulgação os e-mails, onde Francisco J. Marques foi a cara visível da denuncia portista, raramente as tomadas de posição do porto são personalizadas. E compreendo hoje a sua razão: tal não desgasta os dirigentes. Da mesma forma que os dirigentes do benfica não falam, mandam falar. Era bom que puséssemos todos os olhos nisto. Especialmente tu, Bruno!

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Tâmaras do Estado Lampiânico

Uma coisa é dizer aquilo que achamos ser assim. Outra coisa é dizermos o que realmente é. E quando aquilo que achamos se vai confirmando, o nosso ego sente-se mais elevado. Hoje, eu e mais uns quanto sportinguistas, estamos assim, de ego bem levantado.
Em primeiro lugar, o aperitivo: o nosso pavilhão. Falha incrível na construção do novo estádio, não se ter logo previsto a construção de uma casa para as nossas modalidades de pavilhão, devido a situações que todos sabemos quais foram e que por isso não irei perder tempo a enumerar. Com 13 anos de atraso foi finalmente suprimido este colossal erro, bem como o outro erro menor, aquele de deixar esquecida e a ganhar pó a estátua do leão, finalmente exposta num lugar digno.
Depois veio a refeição, estragada pelo meio com uma derrota no futsal. O prato principal, servido pelo porto canal, revela-nos mais um pouco sobre onde chegou o polvo. SMSs do presidente da FPF interceptadas e guardadas por alguém a mando do presidente da assembleia geral da Liga, para posterior envio a Pedro Guerra. O segundo prato parecia suculento, versando sobre a arte de bem fazer pressão sobre o conselho de disciplina. Mas a vista do prato foi muito melhor que o seu sabor insosso, não saindo daqui nada de espetacular face ao que já foi revelado. E ao que falta revelar.
Por fim, não há jantar que não acabe numa bela sobremesa. Como estamos às portas do verão, o que sabe mesmo bem é fruta, para não perdermos a linha antes de ir à praia. E que fruta nos saiu ontem! Uma fruta especialmente confeccionada pelo Estado Lampiânico, fazendo jus às suas origens no deserto, onde o Kadhafi dos pneus fez a sua primeira fortuna. Nada mais, nada menos que umas deliciosas, suculentas, vermelhas e doces tâmaras! E que tãmaras são essas? Pois bem, relatos minuciosos sobre a vida íntima dos árbitros, alguns até apimentados com fotografias da amante. E se achamos que essas tãmaras sabem a pouco, parece que por 400 euros podemos comer mais algumas...
O que foi revelado ontem demonstra que a tese do lume brando continua a ser seguida por Francico J. Marques. Todas as semanas vai saindo mais qualquer coisa, mais grave que na anterior, como que levantando o véu um pouquinho mais de cada vez. Neste momento não há lampião que não trema como varas verdes cada vez que é anunciado mais um episódio das conversas de FJM. E não há sportinguista que não se ria com o que vai sendo revelado, principalmente quando nos lembramos daquele vizinho lampião que no elevador atira-nos sempre com aquela "Ah e tal, quando o Bruno sair de lá vão ver que é pior que o Vale e Azevedo!".
Que o EL tem o futebol todo na mão, não era surpresa nenhuma. Mas sinceramente que não esperava ver o EL utilizar as mesmas armas usadas pelo Sistema. Pensei que putaria e chantagem já estava fora de moda, primeiro pela diferenciação que o EL queria fazer, segundo pelos próprios árbitros, que pensei terem ficado escaldados após a fruta e o café com leite. Por um lado era fácil de mais, mas por outro lado é de uma eficácia terrível. É a melhor forma de ter ascendente sobre alguém, usar episódios da vida íntima como forma de chantagem. A simplicidade como estas coisas são feitas continua a surpreender-me.
E o mundo jornalístico, como fica? O que foi ontem divulgado é demasiado grave para continuarmos a ouvir desculpas como as escutadas nas últimas semanas. Actualmente a coisa já não está se o e-mail queria dizer isto ou aquilo. Foram feitas acusações muito sérias e gravíssimas, algumas roçando o crime. A ser verdade que foram interceptadas as mensagens de Fernando Gomes, que um clube espia e tem ficheiros detalhados sobre a vida privada de árbitros, bem como pagará umas tâmaras a quem lhe consiga servir os interesses, estamos perante um caso de adulteração de resultados desportivos ao nível do Apito Dourado. Quer-me parecer que as revelações continuarão a surgir nas próximas semanas, pelo que é expectável que a gravidade do Apito Abençoado ultrapasse a do Dourado.
Enquanto aguardo o próximo número de contorcionismo que o Al-Carnidão divulgará pelos seus fieis Ayatolas, deixo-vos esta curiosidade: hoje ainda não escutei conversas sobre futebol na rua, nos transportes públicos, no café ou no trabalho. Impera um silêncio confrangedor, intercalado por rostos preocupados e sôfregos. O que é revelador.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Próxima batalha: o fim das promiscuidades

Surpresa das surpresas, a utilização do video-árbitro na final da Taça de Portugal não resultou em nenhuma catástrofe ou hecatombe. A tragédia anunciada de que o VA iria provocar quebras no ritmo da partida, com inúmeros tempos mortos, como se a verdade desportiva fosse algo acessório em alta competição, afinal não se verificou. Como sempre, no final o Estado Lampiânico virou o bico ao prego e o seu Al-Carnidão, com a bazófia e fanfarronice típica daquela banda, difundiu a mensagem de que com ou sem VA, o vencedor é sempre o mesmo.
Mas não percamos muito tempo com a bazófia carnidense. Afinal, com esta narrativa, estão a passar a mensagem de que o VA não é o Apocalipse do futebol. "Vencendo os mesmos" acabam por desviar o foco na diabolização das novas tecnologias, o que é bom. Acabaremos por ler e ouvir nos próximos dias os "cartilheiros" a pregar isso mesmo, que "o VA era uma arma de arremesso dos rivais, mas que no final ganham sempre os melhores". Ao que eu acrescentaria, "ganham os melhores, sem (tantas) injustiças pelo meio". Em Agosto ninguém estará contra o VA, agora transformado em ferramenta essencial do futebol moderno. Depois disso, logo veremos...
Entretanto o Estado Lampiânico continua a copiar o guião que o Sistema foi utilizando na década de 90 e seguinte. Um dos pontos desse guião era o de emprestar fornadas de jogadores à equipas mais pequenas, de forma a torná-las mais dependentes do grande "pai" porto, logo pouco propensas a criar-lhes dificuldades ao longo do campeonato. Este negócio, a confirmar-se, demonstra cada vez mais o grau de sofisticação atingido pelo Estado Lampiânico. Não só demonstra uma boa capacidade de reacção às adversidades, o que reflecte o seu vigor, como também mostra estar apetrechado com soluções para, à semelhança do Sistema, manter entretidos e junto a si a maior parte dos clubes portugueses.
A adopção do VA, por si só, como atrás se viu, não garantirá a transparência do futebol jogado. Como disse Norton de Matos, se um jogador quiser fazer penalti contra a sua equipa, fá-lo. É certo que a implementação, ainda que embrionária, do VA dissipará alguns erros grosseiros e que custam pontos. No entanto há muito mais no nosso futebol nacional do que o golo mal anulado por fora-do-jogo ou o penalti que não foi assinalado. E será na eliminação das promiscuidades entre equipas de futebol que os nossos dirigentes (do Sporting e não só) terão de se bater nos próximos tempos.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Amigos como dantes?

De repente voltámos a ser amigos.
Havia algo de romântico em continuarmos sós contra o mundo. Se bem que no futebol português o mundo resume-se a Sporting, benfica e porto. Os outros, tirando um ou outro clube com mística mais bairrista (Vit. Guimarães, por exemplo), limitam-se a seguir o clube mais poderoso do momento, esperando com isso comer algumas das migalhas que lhes atiram.
Éramos nós contra o Sistema e o Estado Lampiânico. Nós contra as nádegas. Contra o papa e o orelhas. Contra os corruptos, os wanna be, as frutas, os cafés com leite, os vouchers e as cartilhas. Éramos nós contra os amigos dos fundos e do Jorge Mendes. 
Éramos como aqueles cavaleiros medievais que salvavam donzelas dos perigos ou aqueles pistoleiros do Oeste que defendiam aldeias contra os bandos de malfeitores. E eu gostava desse papel que nos coube, pois como diz o ditado, "Antes quebrar que torcer". 
Dirão alguns, ou muitos, que a recente aproximação de Sporting ao porto não é mais do que a vitória do pragmatismo. Churchill teve de se aliar com Estaline contra Hitler, e os americanos apoiaram os mujahedins (futuros talibãs) contra o inimigo comum soviético. "É a política, estúpido!", dir-me-ão.
Eu gosto de Política, daquela política a sério, levada a cabo por Homens fieis às suas convicções e focados no seu objectivo, de preferência um objectivo de bem comum. E com visão de estado, que saibam interpretar não só os sinais imediatos como aqueles que virão a médio e longo prazo. Os livros de História estão carregados de personalidades que se revelaram políticos extraordinários e cujas acções mudaram o mundo. Churchill foi um deles. Antes dele, um titubeante Chamberlain foi a Munique celebrar uma paz com Hitler, que mais não foi do que um compasso de espera para o inicio da 2.ª Guerra Mundial. O primeiro focou-se num objectivo imediato, de derrotar o inimigo nazi. O segundo, mais preocupado em evitar a guerra, não leu os sinais evidentes de que os nazis iriam, mais mês, menos mês, começar com a sua guerra de conquista e extermínio mundial.
Salvo as devidas proporções, este reatar de relações este Sporting e porto soa obviamente a aliança com o objectivo de derrubar o inimigo comum. Aparentemente o momento até seria propício para nós. Embora a péssima época que estamos a fazer, no cômputo geral destes últimos quatro anos, assistimos a um declínio portista e a um incremento sportinguista. Significa isso que estamos melhor que o porto? É que uma aliança destas só faz sentido se o nosso aliado for inferior ou se tivermos a certeza que no futuro o conseguiremos ultrapassar. Churchill tinha noção que a URSS, apesar do seu poderio, soçobraria perante uma futura aliança ocidental, por isso não temeu em aliar-se a ela no momento. Que Bruno de Carvalho estará obcecado em tornar o Sporting no lado forte desta aliança, não tenho a mínima dúvida. Mas terá ele os meios necessários para o fazer? E o porto estará assim tão cambaleante para aceitar ser o lado fraco da aliança? Não estaremos, como Chambarlein, a subestimar o nosso "campagnon de route"?
Eu ainda me lembro dos resultados que estas aproximações do Sporting ao porto geravam. Sim, recebemos o Rui Jorge (que jeitaço nos dava agora), mas pouco mais. O nosso papel acabou por se reduzir a uma espécie de muleta do porto, com perda de poder competitivo, cuja consequência foi o nosso desaparecimento desportivo a partir da época de 2009/2010, cuja factura ainda estamos a pagar. Por isso sim, estou muito, mesmo muito, preocupado com este cenário. Oxalá me engane.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O Estado Lampiânico

Muito tenho eu escrito aqui sobre o Estado Lampiânico. E escrevo porque é preciso desmascará-lo, desmistificá-lo, expor na praça pública as suas engrenagens, os seus movimentos, os seus tentáculos.
Sobre o Sistema, que nestas últimas semanas pareceu querer voltar a dar um ar de sua graça, já muito se escreveu, analisou e sintetizou. Aqui não há nada de novo, a única novidade é que poderá ainda não estar tão morto como muitos o julgavam. Já o Estado Lampiânico tem essa grande vantagem de muitos ainda acharem que não passa de um mito, criado por uma corja de anti-benfiquistas avençados de Bruno de Carvalho. O que o Artista do Dia aqui divulgou é algo que para mim não é surpresa, nem para os que seguem os meandros do futebol nacional. 
O Estado Lampiânico sobrevive nesse limbo onde a imprensa desportiva e generalista o colocou, se algo que não se manifesta, um mito, uma história para assustar criancinhas. Ao contrário do discurso directo do actual Sporting, o EL vive de uma teia de amigos e interesses, colocados em lugares chave do mediatismo, que a cobro de uma putativa imparcialidade ou objectividade sussurram as palavras de ordem da cúpula encarnada. Jornalistas isentos, humoristas, políticos, homens de negócio, futebolistas, empresários, presidentes de clubes, tudo é manipulado pelo polvo vermelho. Quem olhar pode pensar que tudo não passa de uma enorme coincidência ou então da maldade do presidente sportinguista. Mas se juntarmos as peças, uma por uma, chegaremos àquela velha máxima de que não existem coincidências.
Este vídeo do Porto Canal estará esquecido dentro de dias. Obviamente que nenhum jornalista sério quererá vasculhar o que significa aquela "cartilha" revelada, porque actualmente não convém à agenda mediática atacar o clube da Luz. Imaginem se um jornalista sério e sem medo de perder a sua promissora carreira começava a vasculhar as redes de amigos do EL. Imaginem que ele começava a analisar a rede de distribuição da "cartilha" semanal e de repente tropeçava numa ponta solta, do género de uma ligação perigosa entre alguém da comunicação do benfica com algum político influente, quiçá até um ministro. E que essa ligação serviria, por exemplo, ou para puxar para a agenda política algum negócio do Sporting. Ou esconder dessa agenda algum negócio do benfica ou de algum dirigente seu... Era um molho de brócolos! Portanto, para evitar tanta chatice, seria mais sensato colocar essa investigação na mesma prateleira que está a investigação aos Panamá Pappers. E manter a aura mítica e lendária do Estado Lampiânico.
No entanto, que estas notícias sirvam para que os sportinguistas percebam, mais uma vez, qual a natureza do inimigo que temos pela frente. E também percebam que temos de continuar de pé firme e a cerrar fileiras, pois só assim juntos e unidos poderemos conseguir derrotá-lo.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

A espuma dos dias

Entre os dias que mediaram o jogo da nossa selecção contra a Hungria até ao jogo do clássico, assisti impávido e sereno a um desfile de "anormalidades" que pensei já não voltar a ver tão cedo. 
Muita coisa se passou nesses dias. Um clube decidiu boicotar um jogo da selecção. Esse mesmo clube, que é conivente com claques ilegais no seu estádio, criticou a FPF pela forma como esta apoia uma claque também ela ilegal. Pelo caminho ficaram ameaças a órgãos federativos, agressões a dirigentes desportivos que se deslocaram civilizadamente ao estádio a convite da federação. No dia do clássico a cereja no topo do bolo: esperas à claque adversária com o lançamento de bolas de golfe contra a mesma. O comportamento da claque "suportada" pela FPF também ela foi alvo de críticas, pois terá entoado cânticos contra o clube que cedeu o estádio à federação.
Pelo meio, o clube que boicota os jogos da selecção e cujos "grupos de adeptos" tentam agredir dirigentes de outros clubes, publicitou um filme da sua fundação, onde supostamente procura promover o fair-play.
No dia seguinte ao clássico, um clube de futebol que tem semeado o medo e o pânico na divisão de elite da AF do Porto, sobe à ribalta e abre os noticiários dos principais canais, graças à agressão gratuita do seu ponta-de-lança ao árbitro, depois de ter feito o mesmo a um jogador adversário.
Este relato do que aconteceu na última semana parece saído de muitos outros relatos que ouvimos nos últimos 20, 25 anos. Agressões, impunidade, branqueamento. Guerra norte/sul, andrades contra lampiões, sistema versus estado lampiânico. Apenas um ponto que destoa neste quadro negro, que tem sido a caricatura do nosso futebol contemporâneo. E que ponto é esse?
Na semana passada, enquanto o país futebolístico ardia com a guerra entre andrades e lampiões, ficou-se a saber que Bruno de Carvalho foi suspenso por 113 dias, devido a palavras injuriosas (!!!) contra Vítor Pereira. BdC reagiu criticando o teor da decisão do conselho de disciplina da FPF, o que lhe valeu a instauração de novo procedimento disciplinar...
A Espuma dos Dias é um conhecido livro de Boris Vian, que vos aconselho a ler. A "espuma" que está referido do título não é mais do que a reflexão sobre a fragilidade da existência humana, num mundo onde toda a felicidade é apenas aparente. 
No futebol português, aceitou-se a aparência de que tudo o que aqui corre mal é culpa do Bruno. O Bruno insulta, maltrata e ultraja. O nosso futebol é um grupo de cavalheiros mais o Bruno. O Bruno está a mais, estragou o futebol português, merece ser corrido. Coitada daquela lagartagem, uma autentica carneirada, que se deixa iludir pela banha da cobra que o Bruno vende. Esta é a aparência que nos vendem, onde só há felicidade sem o Bruno. Onde só é bom o que o Bruno critica. E justas são as penas que condenam o Bruno, por mais estupidamente desproporcionadas que sejam. 
A realidade é no entanto outra: agressões, violência e ameaças, sem que - oh, pasme-se!!! - o Bruno intervenha. Os exercícios de branqueamento levados a cabo pelo vídeo da fundação benfica, uns dias após adeptos seus tentarem agredir Jaime Marta Soares no seu estádio, ou a forma como Lourenço Pinto mitiga o comportamento violento do Canelas 2010, contra quem os adversários já se recusavam jogar, não conseguem esconder-nos a espuma da realidade. Essa triste e infeliz realidade, de que o actual estado de podridão do futebol português está, fatalmente, ligado a porto e benfica. E não é, afinal, por culpa do Bruno.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Alien vs. Predator

Desde ontem à noite que o filme "Alien Vs. Predator" me tem vindo à memória.
Não que tivesse sido um grande filme, daqueles que fica na retina. Nada disso. Fui vê-lo ao cinema e não achei grande graça à peça em si. Se bem me lembro, a história desenrolava-se na Antárctida, onde um grupo de exploradores deu de caras com as duas personagens de ficção. Basicamente, durante o filme assistiu-se à luta do Alien contra o Predator, enquanto os homens faziam por fugir de perto dos assassinos.
Trago este filme à colação depois de ler a onda de indignação encarnada com a arbitragem de ontem no Porto-Tondela. O protagonista foi o árbitro Luís Ferreira, que todos nos recordamos pela forma habilidosa como nos retirou dois pontos na época passada, precisamente também no jogo contra o Tondela. O jogo do porto ficou marcado por duas más decisões do árbitro, primeiro assinalando um penalti inexistente a favor do porto, depois expulsando um jogador do Tondela quando é este que sofre a falta. Quer o penalti, quer a expulsão, facilitaram a vida ao porto, num jogo que até então estava complicado.
A arbitragem de ontem do porto, a que se juntam outras tantas nas últimas jornadas, está ao nível do que aconteceu com o benfica na época passada. Equipas medianas, treinadas por treinadores pouco carismáticos, que tem vindo a ser empurradas em jogos-chave do campeonato. Sem esses empurrões, essas equipas andavam pelo 3.º ou 4.º lugar. Ano passado vi esses empurrões em Guimarães, Paços de Ferreira e muitas vezes em São Domingos de Benfica. Este ano anda ali mais por Contumil.
A luta do Sistema contra o Estado Lampiãnico irá atingir o seu auge nos próximos tempos. Prevejo uma tremenda luta dentro dos bastidores, fora das quatro linhas, nas redacções jornalísticas, no WC do Hugo Gil. No filme que vos falei, os humanos iam fazendo pela vida para não serem mortos pelos invasores extraterrestres. Na luta entre Sistema e EL, também nós, sportinguistas, temos de estar atentos para não nos transformarmos num dano colateral. Nem de propósito que esta luta começa em plena campanha eleitoral do Sporting. Será mais uma oportunidade para percebermos com quem podemos verdadeiramente contar nos próximos anos.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

As lacunas do Bruno

Enquanto a única candidatura opositora à actual direcção não concretiza o conjunto de boas intenções que tem vindo a debitar na praça pública, vou fazendo um apanhado do que queria ver alterado nos próximos 4 anos, caso o Bruno vença as eleições.

Política de comunicação:
Sem dúvida o grande espinho da actual direcção. Se por um lado considero que por vezes se berrou demasiado, por outro também acho que é difícil outra forma de nos fazemos ouvir. O actual panorama nos midia está controlado por figuras afectas ao estado lampiânico, que minam a opinião pública, criando fait-divers, casos, etc. Cabem aqui os paineleiros afectos ao benfica, mas também cabem os jornalistas, que deveriam ter uma posição deontológica afastada da luta clubística, mas que usam das suas colunas de opinião para manipular a informação, a cobro do manto da isenção jornalística.
Quando sofremos ataques de Farinhas, Guerras, Delgados, Venturas, etc. torna-se por vezes difícil escolher um alvo. Juntemos a isto outras frentes de conflito com outros dirigentes desportivos e associativos. 
PMR já referiu que parte da sua estratégia passará por "ladrar menos" e ter mais influencia a partir dos bastidores. Acção por trás do palco parece-me interessante, mas pergunto-me se contra uma opinião pública desfavorável se terá condições de manter essa estratégia. O Sistema portista aguentou-se mais de uma década contra uma opinião pública adversa, mas estava bem sedimentado numa rede de compadrios na estrutura associativa da época. Partindo do princípio que queremos ganhar com justiça e transparência, não podemos copiar o modus operandi do Sistema.
Parece-me que neste ponto BdC arranca atrás do seu adversário, pois muitos, como eu, duvidam que nos próximos 4 anos possamos passar a berrar menos, mas melhor, com BdC no leme.

Política para o futebol:
Outra pecha desta direcção teve que ver com a aparente falta de um elo de ligação entre o Presidente e o treinador da equipa principal. Essa posição, geralmente denominada de director desportivo, pareceu-me que foi sempre ocupada por pessoas cujo principal objectivo não era o de dirigir o futebol, mas sim o de servir de suporte ao Presidente, para resguardo da sua imagem. Augusto Inácio primeiro, Octávio Machado depois, cumpriram com essa função de ser um braço-direito de BdC no balneário e na comunicação do clube em algumas fases da época. Contudo, o seu trabalho ao nível das contratações, definições do plantel, articulação com a equipa B, etc., pareceu-me sempre ter sido negligenciado. Com Jorge Jesus o esquema assumido passou por dar parte das competências de director desportivo ao treinador, o que acabou por se revelar inconsequente, se não mesmo nefasto, para as nossas aspirações nesta época.
Onde a falta de uma política desportiva para o futebol mais se sente é na parte das contratações. É certo que nestes 4 anos tivemos Slimani, Montero, agora Coates, etc. Mas também tivemos Markovic, Sarr, Petrovic, Slavchev, etc., com a agravante que nestes anos nunca conseguimos criar um plantel de, digamos assim, 20 bons jogadores. Pelo contrário, continuamos a viver com 11 ou 12 bons jogadores e o resto "vai-se safando".
Também a política da equipa B, bem como a sua articulação entre a equipa principal, necessita urgentemente de uma redefinição, que promova um melhor aproveitamento da nossa formação.
Espero com bastante interesse novidades que possam vir na campanha eleitoral. Por um lado, aguardo por BdC algum tipo de anúncio sobre o futuro, pois não acredito que Otávio Machado se mantenha na próxima época. Por outro lado, PMR terá aqui uma oportunidade de luxo para reverter a patada que meteu ao anunciar a dispensa de JJ, se conseguir apresentar um nome forte para dirigir o futebol profissional.

Aguardemos.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Prenúncio para o futuro (*)

Não tenhamos dúvidas. O benfica será, muito provavelmente, tetracampeão já nesta época. E se não acontecer algo extraordinário, como a implementação do vídeo-árbitro ou o avião com a equipa encarnada cair no mar, chegarão ao penta, hexa ou septa.

Quem se lembra do futebol português entre 1990 e 2011, associará a palavra “Sistema” à consagração portista. O Sistema dependia em grande parte do controlo que o porto impunha nos órgãos federativos e da liga, nomeadamente no conselho de arbitragem. Mas o Sistema nunca conseguiu ultrapassar os limites físicos do clube que lhe deu corpo. O Sistema dependia em grande parte dos árbitros recrutados nas associações de futebol do Norte, como Soares Dias (pai), Miranda de Sousa, José Guímaro, Martins dos Santos, os manos Calheiros, etc. Nessa época ainda existiam bons árbitros, principalmente a Sul, que garantiam alguma fé na arbitragem, como Rosa Santos, Veiga Trigo, Alder Dante, Vitor Correia ou até Jorge Coroado (quando não tinha azia). Também a comunicação social, esmagadoramente sedeada em Lisboa e consumida por não-portistas, era um entrave ao Sistema. Eram os tempos em que os telejornais abriam com as roubalheiras perpetradas pelos andrades, a SIC e a TVI promoviam debates pela verdade desportiva, etc.

O estado lampiânico teve como grande mérito ultrapassar os limites do Sistema. Enquanto o Sistema não conseguia recrutar árbitros a sul do Mondego, pois eram raros os portistas aí, o estado lampiânico recruta apitadores com a mesma facilidade em Lisboa, Faro, Porto ou Braga, ou seja, não estão limitados por factores geográficos. Os árbitros desta nova geração estão tão confortavelmente protegidos que já não escondem as suas preferências clubísticas encarnadas, brindando-nos com roubalheiras escandalosas, como esta recente do Sporting-Braga em “Bês”. Mas se antes ainda tínhamos um Rosa Santos ou um Veiga Trigo onde depositar esperanças, hoje agarramo-nos a quê? Artur Soares Dias? Jorge Sousa? Mau, muito mau. E tudo isto se passa com a complacência da comunicação social, que apesar de dispor de meios de análise que não dispunha há 10 ou 20 anos, prefere assobiar para o ar e agradar à nação lampiónica que lhe compra os jornais. Não fosse alguma blogosfera, o estado lampiânico passaria incólume.

Com a actual fornada de árbitros e esta comunicação social conivente, não vislumbro hipóteses para os adversários do benfica. A base da nossa super-equipa da época passada foi suficiente para Portugal ganhar um inédito título de campeão europeu, mas não chega para sermos campeões de clubes em Portugal, contra uma equipa de jogadores medianos, treinados por uma personagem com o carisma de uma alface. 

Renovar esta geração medíocre de árbitros demorará alguns anos, pelo que ainda teremos muitas épocas de ferraris vermelhos de apito na boca. A esperança poderá residir na implementação do vídeo-árbitro, mas o braço do estado lampiânico na comunicação social já começou a campanha para o desacreditar. E ao nosso Sporting, que nos bastará?

Quando Santana Lopes chegou ao Sporting, em 1995, tentou despertar as consciências sobre o estado do futebol, mas a política levou-o para outros voos. Dias da Cunha, com o seu tom de voz arrastado, enrolado e pouco entendível, tentou no inicio do século desmascarar o Sistema (foi ele que criou a denominação). Foi humilhado dentro e fora do clube e corrido do Sporting. Quem lhe seguiu preferiu conformar-se com a evidência de que era impossível superar o Sistema, o que resultou no que todos sabemos.


O próximo acto eleitoral será determinante, pois entre tantas escolhas, iremos decidir a forma de combater o estado lampiânico nos próximos tempos. Se ficaremos conformados, como no pós-Dias da Cunha, ou se continuaremos a berrar para nos fazermos ouvir, nem que seja ao pontapé e à cabeçada como disse o Manuel Moura dos Santos, mas sempre dependentes do habilidoso de apito na boca.

(*) - Texto originalmente publicado na Tasca do Cherba, a 12-01-2017

ONDE É QUE JÁ VI ISTO? (*)

Quem nasceu no final dos anos setenta, início de oitenta, terá certamente assistido à ascensão do porto de terceiro grande a detentor da hegemonia do futebol português, entre 1994-2013. No espaço de 19 anos, o clube da fruta ganhou o campeonato por 14 vezes, a que juntou uma liga dos campeões, uma taça UEFA e uma Liga Europa.

A forma como os portistas atingiram o patamar mais alto do nosso futebol recente deveu-se a um conjunto de circunstâncias que foram resumidas na palavra “sistema”. O “sistema” consistia, grosso modo, em dois tipos de controlo: directo, através do domínio de sectores-chave do dirigismo futebolístico, como o conselho de arbitragem e de disciplina. Indirecto, através do poder económico, plasmado no aparecimento e ascensão meteórica da OLIVEDESPORTOS, que monopolizou a gestão dos direitos televisivos de todos os clubes profissionais de futebol, do qual dependiam para gerir os seus orçamentos deficitários. A eficácia do sistema ficou demonstrada ao longo dos vários anos em que funcionou: arbitragens parciais e tendenciosas em jogos-chave do campeonato, nomeadamente no início da época, quando as equipas ainda não estão a jogar a 100%, e nos jogos grandes, ainda sem a cobertura mediática dos dias de hoje. Jogos absurdamente fáceis contra a maioria dos clubes ditos “pequenos” do nosso campeonato, cujo maior exemplo era o Salgueiros, equipa que fazia a vida negra a benfica e Sporting mas acabava sistematicamente goleada pelo porto. Com a competição caseira completamente controlada, os portistas podiam-se virar para as provas europeias, bem folgados, o que em parte explicava o seu sucesso na Europa, com o respectivo retorno financeiro.

O apito dourado pôs a nu as engrenagens do sistema portista, devidamente esmiuçadas pela comunicação social, criando um vazio no poder. Mas em vez de assistirmos à moralização do futebol português, o que vimos foi o assalto lampião ao poder, completamente branqueado pela comunicação social, transformada em máquina de propaganda encarnada.

O déjà vu que hoje passa diante dos meus olhos é este: uma equipa que continua a ser beneficiada em momentos chave da época, graças ao domínio que hoje tem nas instituições, como o conselho de arbitragem. Uma equipa que passeia nos jogos contra as equipas “pequenas”, obtendo vitórias fáceis onde outros têm de correr 90 minutos para segurar uma vitória pela margem mínima. O facto de alguns destes clubes “pequenos” terem assinado o seu acordo de venda dos direitos televisivos no gabinete do presidente do benfica, não será mera coincidência. A boa campanha europeia benfiquista nesta época, em parte devida à sorte de não ter defrontado equipas fortes, também se deve à folga obtida nas competições internas, ajudando a reconstruir o mito portista de “se somos beneficiados cá dentro, como é que estamos entre os melhores lá fora?”

Ao controlo das instituições futebolísticas e do poder económico sobre os clubes pequenos, este novo sistema benfiquista – inspiradamente baptizado como “estado lampiânico” – juntou um outro, que o portista nunca conseguiu dominar: o da manipulação da opinião pública, manifestado pela forma sincronizada como os seus painéis de comentadores cantam o coro do são gabriel ou, mais maquiavelicamente, como os jornaleiros “isentos” defendem o benfica e atacam os seus rivais directos, em especial o Sporting. Juntem a isto os porcos giles que proliferam nas redes sociais, a coberto da falsa capa de “adepto isolado”, e temos o anel de ferro encerrado em torno do futebol português.


O sucesso portista entre 1994 e 2012 também se deveu à falta de combatividade, cobardia e mesquinhez que grassava dentro das direcções dos seus rivais. Assim se explica como o mais pequeno dos grandes clubes portugueses teve sucesso durante tanto tempo seguido. O sucesso benfiquista dependerá igualmente da forma como os seus rivais reagirão à sua ascensão. Do lado do porto, a tendência parece ser de declínio, entre um presidente já em decadência, rodeado de uma clique belicosa e sedenta de poder, mas com um défice orçamental galopante, lembrando o benfica dos anos 90. E do nosso lado como será? Esta é a questão que temos de colocar a todos nós, enquanto adeptos e sócios sportinguistas. Se queremos voltar a ver um filme que já vimos. Ou não.

(*) - Texto publicado na Tasca do Cherba, a 18-03-2016