quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O pé frio e a cueca borrada de JJ

Não sei se isto é alguma dor de crescimento ou se é um simples mau perder. Mas fiquei fodido da minha vida com mais outra exibição onde "jogámos como nunca e perdemos como sempre". Sim, eu sei que Real Madrid, Dortmund, Barcelona, Chelsea e Juventus são tubarões e tal, muita fortes. Aqui há quatro/cinco anos atrás jogar contra eles na Champions era uma miragem e acabar o jogo sem ser cilindrado, como contra o Bayern, era muito bom. Mas está na altura dos sportinguistas exigirem um pouco mais. Como deixar de perder jogos nos minutos finais, em lances perfeitamente infantis. 
Que Jorge Jesus é um excelente treinador, não tenho dúvidas e sempre o defendi. Em 2015/16 não foi campeão no seu ano de estreia porque, como se lembrarão, a equipa campeã foi literalmente puxada para cima quando estava no fundo do poço. No ano passado a coisa correu mal, mas este ano, pelo menos até agora, a nossa prestação tem sido prometedora. Nos jogos para a Liga dos Campeões, Jesus tem posto a funcionar uma das suas principais virtudes: estuda bem a equipa adversária, explora as suas fraquezas e monta a equipa de forma a tirar o melhor partido do jogo. Foi assim no jogo de Madrid e de Dortmund, e foi assim ontem em Turim. Mas depois evidencia algo que começa a tornar-se uma característica sua nos jogos desta envergadura, que é a de não evitar o soçobrar da equipa nos minutos finais. JJ começa a lembrar aquele nosso amigo, bem parecido e bem falante, que quando sai à noite é incapaz de manter um diálogo com uma rapariga porque bloqueia... e tem azar com as miúdas. Um pé frio, portanto.
Chamem-lhe fado, destino, azar dos Távoras, whatever. Ontem, mais uma vez, JJ mostrou que "miúdas" (neste caso tubarões europeus) não é com ele. Começamos o jogo da melhor maneira, a marcar num lance em que - pasme-se!!! - tivémos sorte. Marcar golos de ressalto contra adversários desta dimensão, é obra. Depois veio a avalanche italiana. Basicamente fomos encostados, não conseguiamos sair a jogar, Rui Patrício ia adiando o empate, que acabou por chegar depois da meia-hora de jogo. A equipa aguentou a igualdade até ao intervalo, esperando-se uma segunda parte complicada para as nossas partes. Mas não, antes pelo contrário. O Sporting arrancou para a etapa complementar jogando o melhor que nos tem mostrado nesta prova. Dominou no meio-campo, fechou os espaços nas alas e foi lançando ataques que cheiravam a área da Juventus. É certo que não tivemos nenhuma oportunidade flagrante de golo, mas sentíamos que com um pouco mais de acerto e audácia, a coisa podia dar-se. O jogo começava a pedir Doumbia, a Juventus mostrava-se frágil à medida que William e Bataglia iam ganhando os confrontos no miolo. 
Foi então que JJ, quiçá escaldado por derrotas inglórias perto do fim, em vez de cavalgar para cima da Juventus em busca de uma vitória histórica, encolheu-se acagaçado, preferindo defender o empate. A cueca borrada do treinador valeu a estreia de Palhinha nestas andanças, para o lugar de um Gelson Martins que, não estando a fazer uma partida fulgorante, estava a ser uma peça importante na condução do jogo. A equipa ressentiu-se da falta de Gelson, perdendo algum fio de jogo e entregando o jogo à Juve, que ganhou forças para tentar o golpe final. O "pé frio" de JJ veio logo depois, quando decidiu retirar Fábio Coentrão por precaução (o desânimo do jogador parece indicar que ainda teria condições para acabar a partida), pondo no seu lugar Jonathan Silva, que desde a famosa "mão" em Gelsenkirchen aparece fatalmente ligado a desaires nossos na Champions. O jogador até entrou bem no jogo, com uma cavalgada até perto da área italiana, mas borrou a pintura pouco depois, quando permitiu o golo de Mandzukic. 
Não sei se o resultado seria diferente se JJ põe Doumbia no lugar de Gelson Martins. Doumbia, que até é um jogador de "pé quente" na Champions, acabou por protagonizar a melhor oportunidade de golo do Sporting na segunda parte, a fechar a partida (a reacção de Buffon ao falhanço diz tudo). Mas este foi (mais) um jogo onde tivemos "pés frios" a mais e audácia a menos. Não sei se em Alvalade a Juventus nos permitirá ter a veleidade de discutir o resultado do jogo até ao fim, mas parece-me que a oportunidade de ontem é daquelas que tão cedo não se repetirá. Agora é descer á terra, mandar as "vitórias morais" às urtigas e lamber as feridas, porque domingo vem aí um daqueles adversários chatos, que costumam comer a relva quando jogam contra nós. 
Chaves é para vencer, categoricamente.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

A utópica ideia da "festa da taça"

Enquanto esperamos que a nossa selecção carimbe mais uma passagem à fase final de um Mundial, analisemos o actual estado do Sporting.
No campeonato, apesar do pessimismo endémico dos sportinguistas que se nota bem na blogosfera ou nas redes sociais, estamos na luta. É certo que perdemos uma boa oportunidade para nos isolarmos na frente, mas perante o estado físico com que nos apresentámos no último jogo, acabámos por fazer o resultado possível. Por vezes também é preciso ter esse tipo de discernimento, saber esperar pela altura certa, não correr riscos desvairados. Ter a maturidade suficiente para sabermos que há mais marés que marinheiros, e que se desperdiçámos a oportunidade no passado dia 01 de Outubro, outras mais surgirão no futuro. Basta que encaremos com o devido foco os Moreirenses deste campeonato, que chegará a altura em que passaremos para a frente. E de resto, como eu li algures por aí, o porto na sua melhor fase não conseguiu vencer o Sporting na sua pior fase e num pico de cansaço. O futuro é, se não risonho, pelo menos de esperança. 
Passados estes dias para esticar pernas e respirar fundo, eis que no dia 12 estaremos de volta, e logo na simpática vila de Oleiros, no centro do país. Esta partida ficou inicialmente marcada por mais uma investida do Estado Lampiânico sobre o nosso clube. Por razões que permanecem no mais profundo desconhecimento do comum dos mortais, na semana passada começou-se a falar num hipotético boicote do Sporting ao jogo da taça, devido à falta de condições do recinto onde o mesmo iria decorrer. De boicote ao jogo rapidamente se passou para um ataque aos habitantes de Oleiros perpetrado por essa entidade diabólica que é o nosso clube. Infelizmente para a cartilha, Bruno de carvalho saiu de forma airosa - diria mesmo que levado em ombros! - desta triste história. Não só revelou o prazer de ir jogar numa região do país geralmente arredada destes grandes palcos futebolísticos, como ainda ofereceu a receita do jogo aos bombeiros locais, sabendo-se que esta é uma zona sempre muito fustigada pelos incêndios florestais. E tanta coisa se escreveu sobre este jogo que se "esqueceu" que o Sporting será a única equipa a jogar "mesmo" no campo do seu adversário. O benfica, que deveria jogar em Olhão, vai afinal fazê-lo no Estádio do Algarve. Já o porto, em vez de Évora, jogará no confortável estádio do Restelo. O caso do benfica é compreensível, pois os estádio do Algarve é porto de Olhão. Já o porto....
A FPF quando teve a ideia de por as equipas primodivisionárias a jogar nestes campos secundários, fê-lo para ressuscitar aquela velha ideia da "festa da taça". Lembro-me perfeitamente, de nos anos 80 e 90, jogarmos em campos tão distantes e desconhecidos como em Porto Santo ou Ponte-de-Sôr, do benfica ir a Macedo de Cavaleiros ou o porto a Moura. As vilas do interior paravam quase uma semana para preparar a recepção aos grandes e os jogos decorriam sempre em clima de festa. Os campos de futebol, muitas das vezes ainda pelados, a forma aguerrida como os jogadores da casa se esforçavam nesses jogos, o apoio do público à equipa da sua terra, contribuiam para jogos empolgantes e emotivos, que não raramente terminavam com invasões de campo e com os jogadores levados em ombros pelo público em delírio. Os bilhetes custavam 100, 200, 500 escudos no máximo, fora as borlas que os porteiros davam sempre à miudagem e aquelas árvores em volta dos campos, onde em cada galho se sentavam mais 3 ou 4 espectadores. O negócio era coisa para os cafés e restaurantes da terra, porque o mais importante neste jogos era mesmo a festa do futebol.
Entretanto o futebol nacional foi perdendo esses resquícios de amadorismo e no final dos anos 90, mais do que a emoção do jogo, importava a parte do negócio e do lucro. Foi assim que também as equipas mais pequenas, em vez de aproveitarem as visitas de equipas grandes para fazer a "festa da taça", trocavam os seus pequenos campos "infernais" por estádios maiores, tendo em vista o lucro imediato da bilheteira ou a transmissão televisiva. O Lusitano de Évora prefere jogar a mais de 100 Km longe de casa e fazer um bom lucro, assim como o Vilafranquense também preferiu jogar contra nós no Estoril. Por outro lado, o actual estado profissional do nosso futebol não se compatibiliza com equipas grandes a jogar em pelados. Os campos, relvados ou sintécticos, tem de ter um mínimo de qualidade para assegurar que nenhum jogador fique em risco de contrair lesões por jogar ali.
Acho louvável a atitude da FPF de recuperar a "festa da taça", mas como se está a ver nesta eliminatória, tirando o Oleiros que receberá o adversário no seu estádio, há outros clubes que se estão a marimbar para a festa e querem é fazer o seu negócio. Ora, aqui a FPF terá de tirar as devidas ilações para o futuro, que creio que terão de ser as seguintes: os clubes pequenos terão obrigatoriamente de jogar no seu estádio contra as equipas grandes. Se esses estádios não tem condições para receber um jogo da taça (pergunto-me como conseguem jogar ali para o Campeonato Nacional de Séniores), então se calhar é melhor ponderar se não é preferível deixarmo-nos de utopias românticas, voltando ao figurino anterior. Pelo menos por enquanto.
E que no dia 12 de Outubro façamos do jogo em Oleiros uma enorme festa ao futebol. Se possível com uma grande exibição da nossa parte, coroada por uma vitória. A Juventus virá depois.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Crónica de um empate e de uma fadiga anunciada

Ponto prévio deste post: pode não parecer, mas o Sporting NÃO ESTÁ em crise!
Sim, é certo que já não ganhamos há quatro jogos seguidos. Um deles é para uma competição cuja importância para nós é pouco mais que nenhuma. Outro dos jogos foi uma derrota caseira com o... Barcelona! Os restantes dois jogos que não ganhos foram para o campeonato. E se o empate em Moreira de Cónegos foi mesmo um mau, péssimo, resultado, já o empate de ontem... foi assim-assim.
Na minha antevisão para este jogo, escrevi que mais do que a fadiga, o problema do Sporting poderia ser a perca de foco ou concentração do jogo. Enfrentávamos uma equipa que também vinha de um jogo europeu, por isso os índices físicos estariam semelhantes. JJ costuma preparar bem os clássicos, quer do ponto de vista táctico quer motivacional da equipa. Apesar dos sinais de cansaço já evidenciados no jogo contra o Barcelona, havia nos sportinguistas uma esperança de que um coelho sairia da cartola. Mas os sinais começavam a apontar no sentido oposto: confirmou-se a lesão de Doumbia e Coentrão também ficou de fora. Dala, em quem depositei esperança de poder ser um dos "coelhos" a sair da cartola, foi para a equipa B espalhar magia. Equipa fatigada, banco sem opções ao nível dos titulares... desenhava-se no horizonte um jogo complicado.
E foi. O porto entrou melhor na partida, anulando as nossas investidas e procurando sempre ganhar os espaços entre as nossas linhas e as costas dos laterais. Verdade seja dita que, mesmo estando por cima na primeira parte, o ascendente portista nunca nos sufocou. Mas também é verdade que tiveram umas três boas ocasiões para marcar, enquanto nós só tivémos uma, numa cabeçada de William já perto do intervalo. Gelson e Bruno Fernandes começavam a arrastar-se em campo, Battaglia e Acuña lutavam muito mas com falta de discernimento. William ia tapando os buracos ao meio, Mathieu e Coates limpavam as sobras. Jonathan e Piscinni iam defendendo como podiam, mas a atacar eram uma nulidade. Bas Dost passou ao lado do jogo na primeira parte. Rui Patrício, seguríssimo, aguentou o empate a zero até ao intervalo.
Se o sufoco não apareceu até então, esperava-se que no segundo tempo tal viesse a ocorrer. Se o porto, sem apertar muito, estivera muito perto de marcar, adivinhava-se que Sérgio Conceição aproveitaria a melhor forma física da sua equipa e encostasse o Sporting às cordas. Felizmente que o porto também jogou durante a semana, pelo que acabaram por acusar fadiga na segunda parte. Aproveitámos para equilibrar a equipa, tivémos mais bola no meio campo adversário, mas faltavam lances de golo junto à baliza portista. Mesmo com esse ascendente, acabou por ser o porto a ficar mais perto de marcar, já no final do encontro, obrigando o nosso São Patrício a duas grandes defesas. Tivesse sido este jogo contra um adversário mais fresco, e se calhar as coisas correriam muito pior.
Face ao que aconteceu em campo, não nos resta outra coisa senão admitir que o empate não foi um mau resultado. Fizémos uma partida competente e combativa, mas não fosse São Patrício dificilmente seguraríamos o empate. Olhando para o que fizémos contra o Barcelona e para o que fizémos ontem, chegamos à conclusão que o resultado do clássico, não sendo o melhor, foi o possível dentro das nossas limitações para este jogo.
Agora é tempo de respirar fundo, esticar as pernas e recuperar outra vez a forma física. E esperar que os nossos internacionais não se lesionem. Também é tempo para pensarmos porque motivo alguns jogadores nossos rebentam tão cedo, face ao que acontece com os nossos rivais. O porto, de quem se dizia ter o plantel curto, está a conseguir retirar mais rendimento que o nosso plantel. Por cá, além dos titulares, vejo que Iuri desapareceu, Podence tarda em regressar, Coentrão não vinga, Dala não tem a sua oportunidade e Alan Ruiz não explode. O tal plantel com mais soluções, que diziam e eu pensava no inicio da época que tínhamos, começa a relevar-se (outra vez) curto. Será uma coisa momentânea, os tais "ciclos" que JJ disse que todas as equipas tinham? Ou será algo mais?

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Balada de uma noite mal perdida

Ontem quando saí de casa para me deslocar a Alvalade, se me dissessem que uma equipa portuguesa perderia por cinco golos sem resposta, ficaria lívido de pânico. Mas não, ontem era impossível perdermos por números tão expressivos. Sem deslumbrar, como chegámos a fazer há um ano em Madrid, fizémos uma partida muito competente e concentrada. E se defensivamente estivémos quase soberbos (maldito auto-golo), no ataque faltou-nos algum génio, audácia ou até mesmo sorte.
Quando o árbitro apitou o final da partida de ontem, nenhum sportinguista no estádio se poderia dar como envergonhado com a exibição da equipa. Entrámos em campo com ganas de disputar o jogo, iamos anulando as jogadas ofensivas do Barcelona, sem descurar algumas aproximações perigosas à baliza adversária. Pelo meio, como de costume nestas andanças, fomos brindados com (mais uma) arbitragem parcial contra nós. Sim, porque nisto da Europa de clubes estamos ao nível do Tondela ou do Portimonense no que toca a importância para a UEFA. Junte-se a isso um golo de bola parada após uma infelicidade de Coates e voilá, estávamos em desvantagem. A equipa reagiu bem e quando alguns temiam que a nossa procura do empate implicaria por-nos a jeito para abrir espaços atrás e sofrermos golos, eis que demonstramos segurança e equilibrio defensivo, ao mesmo tempo que procurámos chegar perto da baliza adversária. E tivémos uma opotunidade flagrante para empatar, fora o penalti que ficou por assinalar e daria, pelo menos, mais outra oportunidade.
Muito se falou do mau banco que JJ fez para este jogo. Em parte essa crítica deve-se à ausência de avançados para atacar o empate na segunda parte. Considero essa uma falsa questão, pois acho improvável que JJ viesse, por exemplo, a apostar em Dost e Doumbia juntos no ataque. Simplesmente porque essa alteração implicaria quebrar o equilíbrio da equipa no meio-campo, um risco que duvido que JJ estivesse disposto a correr num jogo desta envergadura. Bruno César é um jogador fetiche de JJ porque consegue dar esse equilíbrio à equipa, mas em prejuízo do arrojo ofensivo. Talvez Iuri, mais que Podence, pudesse também emprestar esse equilíbrio. Mas os últimos jogos pouco conseguidos de Iuri provavelmente pesaram no seu afastamento do banco.
Sobre Doumbia, reside aqui a grande baixa para o embate de domingo. Doumbia podia perfeitamente ser outra vez lançado de inicio da partida ou entrar como arma secreta num fase de jogo onde, por exemplo, estivéssemos a ganhar, para explorar os espaços nas costas da defesa portista. O seu previsivel afastamento do jogo poderá abrir portas a Gelson Dala, pelo menos as do banco de suplentes. Estará JJ disposto à audácia de lançar a pérola angolana no clássico?
Por fim a questão da fadiga. Muito se tem dito sobre o impacto no clássico da nossa grande prestação de ontem. Ora, até lá temos 4 dias de preparação, sem deslocações pelo meio. O porto tem mais um dia, mas pelo meio teve viagens de avião e de autocarro. A questão de domingo não será tanto de fadiga mas mais de foco e concentração. Foi por isso que perdemos em Vila do Conde após a soberba exibição de Madrid. JJ não costuma facilitar na preparação dos jogos grandes, como facilita por vezes contra os Moreirenses da nossa liga. Por isso acredito que no domingo teremos novamente em campo 11 jogadores dispostos a fazer tudo para vencer uma partida importantíssima, frente a um adversário que tem estado bem esta época. 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Deixem-me sonhar!

Hoje é daqueles dias para desfrutar do melhor futebol europeu.
Antes da grande seca de participações na Liga dos Campeões, o último grande jogo que vi em Alvalade havia sido uma eliminatória para os oitavos de final da prova, quando recebemos o Bayern de Munique. Ainda jogavam Polga, Derlei ou Liedson. O Rui Patrício já era o nosso guarda-redes titular. Yannick Djaló era a nossa arma secreta e ainda jogou na segunda parte. Apesar do bom inicio de jogo, assim que sofremos o primeiro golo acabámos por desmotivar e perdemos por 0-4. Depois disso tivémos de esperar uns bons 6 anos para voltar a ver um colosso europeu em Alvalade, para a LC (o Manchester City e o Atlético de Madrid passaram por cá, mas para a Liga Europa). Em 2014 veio o Chelsea de José Mourinho. Perdemos por 1-0, Rui Patrício fez uma exibição fenomenal, e a equipa não nos envergonhou. Dois anos depois, outro colosso. O Real Madrid do nosso Ronaldo. Outra derrota, mas novamente com uma exibição satisfatória da nossa parte.
Quando em 2013 acabámos em sétimo lugar, arredado das competições europeias, muitos talvez duvidassem que voltássemos a ver equipas campeãs europeias em Alvalade. Esta é a terceira vez em quatro épocas em que conseguimos estar perto dos grandes. E se ainda tardam os bons resultados no nosso estádio frente aos colossos, as exibições que temos vindo a fazer contra esses clubes dão-nos a esperança de que um resultado positivo poderá estar para breve. Será hoje?
Hoje espero do meu Sporting a mesma atitude que teve contra o Chelsea há três anos ou contra o Real Madrid no ano passado: entrar em campo sem medo do adversário, com vontade em vencer o jogo, sem olhar à sonância dos onze nomes que estão do outro lado. Voltarmos a ver noites europeias como aquela nos anos 80 onde ganhámos 2-1 a este mesmo Barcelona, a meia-final da UEFA em que pouco faltou para derrotarmos o Inter ou aquela eliminatória em Alvalade onde estivémos a centímetros de eliminar o Real Madrid (ainda hoje não consigo esquecer o olhar do Cadete a ver a bola a passar-lhe à frente, em cima da linha de golo). 
Sei que a derrota é quase certa, mas também sei que deste lado há uma equipa com muita vontade de triunfar, uma massa adepta desejosa em ver um grande jogo com os melhores da Europa, empolgada para puxar pelo seu clube naquele que é o palco de todos os nossos sonhos.
Hoje é o dia de parafrasearmos aquela célebre frase de José Torres, antes do nosso apuramento para o mundial de 1986 no México: "Deixem-nos sonhar!". A realidade, essa, pode esperar até ao jogo contra o porto.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O costume

É fatal como o destino. Algures na época, acabamos sempre por perder pontos inesperados diante um adversário considerado fraco. Tem sido assim desde que me lembro de ver o Sporting jogar à bola. Quando fomos campeões em 2000, quando já liderávamos o campeonato isolados, fomos a Leiria empatar 1-1 com o União, que lutava então para não descer. Em 2002 também perdemos em casa com o Alverca, que acabaria o campeonato em último lugar. No tempo de Peseiro perdemos um campeonato graças à quantidade estupidamente elevada de pontos perdidos contra adversários mais fracos. Em 2007, Paulo Bento queixou-se e com razão da célebre "mão de Ronny", num jogo que perdemos em casa contra o Paços de Ferreira. Jorge Jesus coleccionou (demasiados) desaires semelhantes quando empatou em casa com o Tondela, nas duas últimas épocas. A única diferença, é que em 2000 e 2002 conseguimos perder pontos "apenas" nesses jogos, enquanto que nas eras Peseiro, Paulo Bento, Jardim, Marco Silva e JJ infelizmente os momentos "Moreirense" repetiram-se demasiadas vezes.
Era previsivel que o jogo de sábado passado tivesse alguma dificuldade acrescida, face aos dois enormes desafios que se iriam seguir. No entanto, sendo o nosso adversário o 16.º classificado, com apenas 5 pontos conquistados em 18 possíveis, 3 golos marcados contra 10 sofridos, a tarefa não se antevia tão complicada como se revelou. Esta época o Sporting tem-nos acostumado com entradas fortes em jogo, geralmente traduzidas em muitos golos, contrastando com finais de jogos algo sofriveis. Esperava algo semelhante neste jogo, apesar da equipa inicial não me ter inspirado grande entusiasmo. 
A partida em si foi muito má. Na primeira parte não estivemos em jogo e na segunda, salvo o periodo inicial quando empatámos e Gelson acertou na barra, praticamente não conseguimos mostrar mais futebol. Empatamos bem e se o adversário tivesse outro tipo de argumentos, se calhar nem um pontinho trazíamos. Apesar das boas indicações neste inicio de época, com a equipa a conseguir "mudar de chip" antes e depois dos jogos europeus, voltámos outra vez ao que estamos acostumados, em particular com este treinador: a incapacidade de nos concentrarmos no jogo, independentemente da sua dificuldade, quando outros desafios mais importantes estão à porta. Resta-nos esperar que este seja um momento sem repetição esta época, à semelhança do que se passou em 2000 e 2002.
E o que correu mal desta vez? Em primeiro lugar a equipa inicial, onde faltaram elementos de ruptura e irreverência. Bruno César é um jogador "certinho" e não de rasgos. Alan Ruiz continua a ser um elemento não decisivo da equipa. As ausências de Acuña e Podence, quando foram chamados algo intempestivamente na quarta-feira (especialmente Acuña). A ausência de Battaglia do onze inicial. A falta de inspiração dos nossos melhores jogadores, como Bruno Fernandes ou Gelson. 
E porque razão ficaram de repente os sportinguistas tão pessimistas em relação à presente época, quando ainda temos tudo para ser campeões? Basicamente porque a maior parte de nós está a reconhecer um filme que viu demasiadas vezes nos últimos anos. A adopção do VAR, apesar de ter reduzido o impacto dos erros de arbitragem nos nossos jogos, não os eliminou, como se viu no penalti sobre Doumbia que ficou por marcar. Os critérios disciplinares dos árbitros tem sido ridiculamente parciais, como de resto o Artista do Dia resumiu muito bem. Por fim, a "motivação" dos nossos adversários face ao que se vê contra os nossos rivais. A forma como o Moreirense "comeu a relva" em campo, em linha com a entrega de Feirense, Tondela ou Estoril nos jogos contra nós, face aos "passeios" que os nossos rivais dão. Ou as enérgicas críticas à arbitragem de Manuel Machado, em contraste com outros jogos onde foi ainda mais prejudicado.
É por isso que estes momentos "Moreirense" nos deixam de pé atrás. Porque sabemos que o campeonato, para o Sporting, não é um passeio. E que a forma mais rápida de perdermos esta competição é precisamente pensarmos isso, que teremos jogos que serão passeios. 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A equipa de ontem e o padre Manuel Mota.

Se há competição que os sportinguistas mais se estarão "nas tintas" para a ganhar, ela é a Taça da Liga. Desde o famoso penalti do Pedro Silva, até ao "dolo sem intenção", esta competição é apenas a prova da forma como o nosso clube tem sido tratado pelas altas instãncias do futebol nacional: mal e porcamente.
Já era expectável que entre dois jogos para o campeonato no espaço de oito dias, e uma semana antes de recebermos o Barcelona e depois o porto, este jogo fosse encarado mais como um treino, tipo aqueles torneios de inicio de época, onde mais do que a vitória em si, interessa é dar ritmo ao jogadores e criar alternativas de jogo.
Apesar do empate sem golos, gostei de um modo geral da prestação dos jogadores. Não da "equipa" em si, pois juntar onze jogadores sem rotinas entre eles não é suficiente para criar uma "equipa de futebol". Mas houve sem dúvida oportunidades que foram aproveitadas. Outras nem tanto.
Começamos pela defesa. Num jogo contra outra equipa que também se apresentou com segundas linhas, mais interessada em defender o empate do que procurar a vitória, já se esperava que não tivéssemos muito trabalho defensivo. Mas do pouco que houve, os nossos defesas estiveram bem. Salin, excepção feita a uma deficiente reposição de bola com os pés na primeira parte, esteve seguro. Tobias e André Pinto também demonstraram consistência a defender, pecando apenas na fase de construção de jogo, onde ainda não estão ao nível da dupla titular. Os laterais também estiveram bem a defender. Destaque para Ristovski, que esteve muito bem na estreia e foi mesmo o jogador que ontem mais deu nas vistas. Raramente perdeu bolas para o rápido Piqueti e quando teve de atacar fê-lo bem. Jonathan esteve ao nível que nos habituou, muito combativo e voluntarioso, por vezes revelando alguma falta de serenidade.
No meio campo foi Petrovic quem esteve em destaque. Ganhou muitas bolas e na primeira parte foi o principal construtor de jogo da equipa. Enquanto teve pulmão foi um elemento preponderante, decaindo na segunda parte por clara falta de frescura física. Matheus Oliveira teve alguns pormenores interessantes mas ficou um pouco àquem do esperado. Precisa nitidamente de mais minutos de jogo para ganhar ritmo e rotinas. Já Alan Ruiz, por mais minutos que tenha, não consegue passar daquele "rame-rame" do costume. Posiciona-se bem, consegue ganhar espaços, mas quando recebe a bola demora uma eternidade para saber o que fazer com ela. Ontem teve (mais uma) oportunidade falhada para mostrar ser uma opção válida para titular da equipa. Bruno César foi o bombeiro do costume, correndo, posicionando-se, marcando as bolas paradas. De tanto para fazer, pouco acabou por fazer. Mas Bruno César é isso mesmo, um pau para toda a obra, o "habilidoso" da equipa que serve para tudo um pouco, sem ser especialista em coisa alguma.
Na frente, Doumbia não esteve nem bem nem mal. Ganhou espaços e bolas para golo, mas pecou na finalização. Por fim Iuri Medeiros, de quem se esperava muito mais do que apresentou ontem. Iuri mostrou bons pormenores no sábado passado e na retina de todos está o bom final de jogo que fez em Guimarães. Contudo, sente ainda dificuldades em assumir o jogo atacante, demonstrando alguma incapacidade para se libertar do peso da camisola. Face à habitual fadiga que Acuña acusa nos finais dos jogos, continuo a achar que Iuri é a melhor alternativa ao argentino. Mas com o regresso de Podence, e com Bruno César sempre à espreita, é tempo de Iuri arrepiar caminho, para demonstrar que tem lugar no nosso onze.
Por fim os suplentes. Battaglia e Acuña não trouxeram muito mais ao jogo. Acuña tentou dinamizar o flanco esquerdo e a sua entrada coincidiu com uma maior acutilância atacante de Jonathan, lembrando por vezes alguns dos melhores pormenores de Coentrão na ala. Podence entrou melhor, dando velocidade ao ataque. Contudo decaiu ao longo do jogo, deixando-se enrolar por alguma ansiedade. Precisa também de jogar mais vezes para recuperar a forma física e mental.
Uma nota também para o árbitro Manuel Mota, um dos padres do Estado Lampiânico. Num jogo sem grande interesse, o homem do talho revelou ontem que bem merece a estima que lhe depositam as altas instâncias do EL. Impressionante a forma passiva como ao longo do jogo actuou disciplinarmente sobre a equipa insular. Rídicula a forma como condicionou o jogo nos últimos 10/15 minutos, apitando toda e qualquer queda dos jogadores maritimístas, permitindo-lhes queimar tempo e quebrar o ritmo do jogo. O que aqui me assustou não foi tanto a arbitragem em si, mas sim aquela sensação de que se o padre faz uma missa destas numa prova menor, nem imagino o que poderá fazer em jogos para o campeonato. E é bom que toda a equipa perceba isto: temos de entrar em todos os jogos com a máxima atitude para ganhar, pois se caímos no erro de ter de depender dos padrecos, eles bem que nos fazem a extrema-unção.