quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Os equívocos de Jorge Jesus. Os laterais. A segurança defensiva.

Após uma noite de sono bem dormida, passadas que estão 12 horas do final do jogo entre Sporting e Steaua, sinto-me mais capaz e com a cabeça mais fria para escrever sobre o embate de ontem. Sim, porque se tenho escrito isto logo após o final do jogo, corria o risco de me encerrarem o blog por excessivo uso de linguagem obscena.
Sejamos claros, directos e francos: a 15 de Agosto de 2017, o Sporting não tem equipa e futebol para ganhar ao Steaua de Bucareste, campeão em título da Roménia, antiga glória europeia do século passado, e uma das mais fracas (senão mesmo a mais fraca) equipas deste play-off. O que é que isto significa? Simplesmente que não temos estofo, cabedal, arcaboiço, para jogar numa prova como a Liga dos Campeões. Atenção que daqui a uma semana a coisa pode já ser diferente, e podemos já estar a praticar um futebol de nivel mais elevado. Mas hoje (ontem) não é assim. E temos de refletir sobre isso.
O Steaua de Bucareste apresentou-se em Alvalade como se apresentou o Vitória de Setúbal na passada sexta-feira e como se irão apresentar 99% das equipas que esta época ali forem jogar. Linhas baixas, meio campo a jogar compacto com o bloco defensivo e na frente um ou dois corredores para apanhar os chutões vindos de trás. Enquanto não percebermos isso, de que estamos destinados a jogar quase a totalidade da época com equipas assim, não vale a pena termos muitas esperanças sobre a presente época.
Jorge Jesus continua a ser Jorge Jesus. Mas não aquele que imprimia nas suas equipas características de rolo compressor, como se viu na primeira época que fez em Alvalade. Salvo um ou outra melhoria face à época transacta, continua a cair nos mesmos equívocos que resultam do seu autismo de não mudar o que só ele acha que está bem. Veja-se o caso de Adrien. O nosso capitão é uma das pedras fundamentais da equipa, quando está em forma. E nesta altura não está. Nota-se perfeitamente que no inicio das segundas partes já joga fatigado e ainda lhe falta clareza na maior parte dos movimentos. Parte da nossa incapacidade em construir jogo interior deriva da desinspiração actual do nosso capitão. E quando temos no banco um dos jogadores mais caros da história do clube, que na pré-época e nos jogos oficiais quando entra tem demonstrado capacidade para jogar naquela posição, pergunto-me porque razão JJ insiste tão sofregamente em Adrien?
Além da idiotice que significa usar os jogos oficiais para dar ritmo a Adrien, pois tal reflete-se no rendimento da equipa, JJ coleciona outros equívocos neste inicio de época. Jogar com Podence, neste momento, não se justifica. Podence simplemente não rende a jogar de costas para a baliza. Continuo a achar que nesta fase da época deveria ser utilizado em fases mais adiantadas do jogo, aproveitando o cansaço dos nossos adversários. Doumbia, além de ser um jogador já feito, tem melhores características para jogar no lugar de Podence. Tem mais presença na área e fisicamente é forte. Gostava de o ver jogar de inicio já em Guimarães.
Battaglia, não sendo mau, também não é muito bom. É "jeitozinho", desenrasca. Corre, luta, transporta, mas depois falta-lhe algo. Ontem, na fase final do jogo quando precisávamos de encostar o adversário às cordas, notou-se prefeitamente a sua incapacidade para acelerar o jogo. Com equipas de bloco baixo, jogar com um trinco clássico é um desperdício. E aqui, JJ tinha uma boa alternativa (isto se William não sair), que era pôr Adrien a jogar recuado, deixando Battaglia reservado para fases do jogo onde fosse necessário jogar mais em contenção. E Bruno Fernandes poderia assim assumir naturalmente a sua posição em campo onde rende mais, a 8 a distribuir jogo.
Fora da área dos equívocos, pois aqui ainda não há muitas alternativas, a questão dos laterais. Coentrão mesmo sem ritmo competitivo empresta mais qualidade ao jogo que Jonathan. Aqui todos esperamos que dentro de algumas semanas, Coentrão esteja finalmente pronto para jogar a todo o gás. Se não se lesionar. Quanto a Piccini, só desejo que Ristovski ganhe as rotinas de jogo tão cedo quanto possível. Ontem houve uma jogada sintomática daquilo que vale o jogador, aos 34 minutos. Gelson Martins está no lado direito do ataque, driblando 2 ou 3 adversários, no espaço entre a quina da área e a linha de fundo. O nosso prodígio, que mesmo sem fulgor físico é de longe o melhor do meio-campo para a frente, consegue no meio de tanta perna romena soltar para Piccini, que estava solto na quina da área. Piccini podia centrar de primeira, ajeitar a bola com o pé esquerdo e centrar logo com o direito, ou até rematar de primeira ou segunda à baliza. Mas não, recebeu a bola e congelou durante uma fracção de segundos, como quem pensa "o que é que eu vou fazer com esta coisa redonda, que me está a queimar os pés?". Não fez nada, recebeu a bola, parou, olhou e perdeu a bola. Piccini é isto, um lateral direito sem classe, que a atacar raramente sabe o que fazer à bola, senão soltá-la para Gelson ou enviar de biqueirada para dentro da área. A sua sorte é que como tem Gelson ao seu lado, que vai resolvendo despiques contra um ou dois adversários, acaba por disfarçar a sua clara falta de jeito para jogar em ataque. Tivesse Gelson a sorte de ter Cedric a jogar ao seu lado e outro galo cantaria naquele flanco. E Gelson não só tem de atacar sozinho contra 2 ou 3 adversários com ainda tem de vir atrás a correr para safar o seu colega de lateral. Não admira por isso que o nosso extremo chegue aos 70 minutos completamente estoirado.
Palavra final para a melhor coisa que se tem visto nestes primeiros jogos a doer, que é a segurança defensiva. Sem dúvida fruto do acrescento de Mathieu, bem como das características defensivas de Battaglia, além do trabalho colectivo de posicionamento em campo quando se defende. Apesar de não termos ainda enfrentado adversários que joguem em ataque continuado, jogos como estes correram-nos muito mal no ano passado. Mas em três jogos deveremos ter consentido tantas oportunidades de golo como ano passado num só jogo, o que é positivo. Ainda estamos na fase inicial da época e no ano passado por esta altura também tínhamos a nossa baliza a zeros. As próximas deslocações a Guimarães e Bucareste serão testes de fogo ao nosso jogo defensivo. Mas, neste momento, é onde eu e a maior parte dos sportinguistas se tem agarrado. A esperança de que a segurança defensiva consiga empurrar a equipa para exibições mais fulgorantes no ataque.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A estranha ironia do destino de William Carvalho

Certamente que muitos já não se recordarão, mas no final da época de 2012-2013, quem era o nosso trinco titular era um argentino de seu nome Fito Rinaudo. E era um dos jogadores mais queridos da massa adepta.
Foi por isso com algum espanto, eu incluído, que os sportinguistas se deram conta que o novo treinador do Sporting, Leonardo Jardim, se preparava para lançar um trinco desconhecido na época seguinte.
Oriundo das nossas escolas, William Carvalho passou por um curto desterro na Bélgica, num clube com quem tínhamos então um protocolo de colaboração, o Circle de Brugges. Não era dos nomes mais sonantes da nossa academia, como o eram na altura Mané, Dier ou Esgaio. Mas o luso-angolano franzino impressionou na pré-época e confirmou aquela velha máxima de que por vezes o melhor é mesmo estar no local certo à hora certa. O Sporting estava em risco de falência e não podia gastar euros em contratações, pelo que tinha-se de jogar com o que havia em casa. O nosso treinador era alguém a quem não lhe fez confusão esse tipo de contingências, pelo que apostou sem receio no desconhecido William Carvalho. Fosse uns anos atrás ou à frente, e muito provavelmente WC teria sido recambiado para outras paragens europeias ou para algum Rio Ave ou Boavista desta Liga, sendo hoje um jogador pouco mais que caceteiro. Mas as estrelas assim não o quiseram.
Lembro-me de logo na época de 2013-2014 recebermos o benfica em Alvalade, ainda no inicio da época, talvez Agosto ou Setembro. Muitos duvidavam que Leonardo Jardim desse ao miúdo a responsabilidade de ser titular num jogo dessa envergadura, apostando num regresso de Rinaudo ao lugar 6. Mas o miúdo não só foi titular como fez uma belíssima exibição, estancando o ataque encarnado e aproveitando para ir saindo de bola jogada ou em passe, já com aquele rodopio tão típico que ainda tem.
William acabou esse campeonato como uma das revelações da época, e foi premiado com uma justa convocatória para o Mundial de selecções no Brasil. Como é hábito nos jovens jogadores deste clube, a sua afirmação nas selecções foi muito a custo, pois teve de ombrear com esse grande jogador que era Miguel Veloso. Ou até André Almeida, de quem se dizia que era tão bom, tão bom, que até fazia uma perninha naquela posição. William não jogou muito, creio que só foi titular no último jogo, mas a experiência foi-lhe decisiva. No europeu de sub-21, disputado no ano seguinte, a sua qualidade e futebol impressionou todo o mundo desportivo, acabando por ser justamente eleito o melhor jogador do certame. A forma como, ao contrário de outros, não se encolheu quando lhe coube a tarefa de marcar o penalti decisivo na final, demonstra o grande carácter que tem. E nem mesmo o facto de ter falhado esse penalti abanou esse carácter.
Amado lá fora, odiado cá dentro. Não pelos sportinguistas, que o veneram, mas por todos os outros. Desde a lentidão, a lateralização, e outros "ãos" que lhe quiseram colar, a forma como levou Portugal à vitória do Europeu de 2016 acabou por ser a melhor resposta de WC aos críticos. Hoje, se bem que ainda muito a custo, já quase todos admitem o óbvio: William Carvalho é actualmente o melhor jogador português daquela posição. E do campeonato, pois se Fejsa também é bom, se calhar passa lesionado metade dos jogos que William Carvalho faz. 
Escrevo esta espécie de texto de despedida ainda sem saber se o nosso "Sir" sempre se vai mudar para o West Ham. Enquanto sportinguista fico triste, pois isso significa perdermos um dos nossos melhores jogadores de futebol, um dos nosso capitães, um exemplo de carácter e profissionalismo para as nossas cores e um grande desportista que ajuda sempre a enriquecer um campeonato como o nosso. Enquanto adepto do futebol português também fico triste pela sua saída. Mas fico ainda mais triste quando vejo que um dos melhores jogadores do nosso campeonato e da nossa selecção, um dos melhores do mundo naquela posição, irá, tudo indica, para um clube mediano de Inglaterra.
Penso que William Carvalho mereceria mais, mas talvez seja aqui que se costuma dizer que o "Karma é fodido". Da mesma forma que lhe caiu do céu aquela oportunidade para ser titular do Sporting, hoje William acaba por ser prejudicado por o Sporting não ter relações com Jorge Mendes ou fundos manhosos de jogadores. É a ironia do estranho destino de William Carvalho. O Sporting vende o jogador, e bem, por 30 e tal milhões de euros (a cláusula é de 45 M€, pelo que não sendo um grande negócio, não deixa de ser um bom valor). O jogador irá para um clube mediano, onde terá de dar muita corda às pernas para conseguir aí dar o salto para um grande de Inglaterra ou outro grande europeu. 
A William Carvalho desejo-lhe tudo de bom, e que o seu estranho destino o coloque novamente na rota de Alvalade, daqui a uns anos.

sábado, 12 de agosto de 2017

Defensivamente muito bem. A atacar ainda falta limar arestas

Como referi num posto anterior, não estava ontem à espera de uma exibição deslumbrante da nossa parte e até apostei que Jesus apresentaria o mesmo onze que apresentou contra o Aves.
Nas vésperas de uma importante eliminatória europeia, o jogo de ontem deixou-me algumas preocupações mas também alguma esperança. Preocupação sobretudo pelo que (não) se produziu na primeira parte. A equipa entrou pressionante, sempre com muita posse de bola no meio-capo adversário, mas as jogadas de golo limitaram-se a uma ou duas, lembrando muitos jogos da época passada. Outro aspecto negativo ontem, também da primeira parte, foi o recurso à marcação de bolas paradas com jogadas... de merda! Lembro-me dos cantos marcados à maneira curta que resultaram em perdas de bola infantis ou de um livre perigoso sobre a direita que também não deu em nada. Apesar de que nessa altura ainda faltava muito tempo de jogo, todo o estádio ficou com os nervos em franja perante tais falhanços. Temos este ano bons executantes de bolas paradas e bons cabeceadores. Porquê andar-se a inventar quando o caminho mais simples se calhar até é o mais eficaz?
Os motivos que me dão muita esperança para esta época é sobretudo a parte defensiva. Terceiro jogo seguido (segundo oficial) sem sofrer golos nem consentir jogadas de perigo. Ano passado, ao desperdício de golos na segunda parte ainda teríamos de adicionar umas quantas jogadas de perigo do adversário. É certo que a postura vergonhosa do Vit. de Setúbal em jogar com o autocarro também facilitou o trabalho defensivo, mas reparei que muitas tentativas de sair em contra-ataque por parte dos visitantes esbarrou nas nossas linhas. Terça-feira será fundamental não sofrer golos, pelo que as minhas expectativas, nesse campo, estão altas.
De resto, palavra positiva para Doumbia, cuja entrada agitou o jogo, apesar dos dois falhanços (um foi anulado por fora-do-jogo) incríveis na área. Bruno Fernandes entrou bem para o lugar do esgotado Adrien. Piccini muito melhor a defender que a atacar. Gelson praticamente tinha de fazer tudo sozinho, pois a bola parecia que queimava os pés do italiano. Mathieu impecável, para mim o melhor em campo. Rui Patrício acabou o jogo sem fazer uma defesa digna desse nome.
Ontem o jogo deu razão a JJ quando disse na semana passada que Podence ainda não tinha "passada" para jogar de inicio. Provavelmente contra o Steaua teremos Doumbia de inicio e Podence no banco, pois o nosso baixinho não fez ontem uma partida inspirada.
Por fim Battaglia. Neste momento um dos desafios da nossa equipa é adaptar-se à forma de jogar do argentino, muito diferente de William. Battaglia corre mais e prefere transportar a bola. É diferente jogar assim do que com um trinco mais pausado e que prefere passes longos. Se JJ conseguir essa adaptação, temos ali um jogador que nos será muito útil ao longo da época.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Não podemos vacilar!!!!

Quem tem acompanhado as minhas publicações neste blog, certamente já notou que sou um defensor determinado do video-árbitro. Mas também reparou que eu não deposito nele toda a esperança para o fim das maroscas no nosso futebol.
Sobre o lance do golo mal anulado ao Braga, vou partir do princípio que o erro de análise decorreu da falta de experiência de quem está no estúdio ainda tem no visionamento dos vários àngulos da jogada. De resto, diga-se em abono da verdade que o benfica também se pode queixar de uma grande penalidade que não foi vista pelo VAR. No jogo do porto houve um lance que me parece de penalti para o Estoril, cujo desenrolar da jogada daria no primeiro golo de Marega.
Creio por isso que ainda é cedo para criticar, mas fiquemos atentos. O benfica já leva dois jogos seguidos onde o VAR teve uma prestação insatisfatória. Veremos se foi um erro ou uma tendência.
O Sporting para já não se pode queixar ou entusiasmar, pois o nosso jogo na vila das Aves não teve casos de arbitragem. Aguardemos serenamente os próximos jogos e façamos o nosso trabalho bem feito. Todos os anos, em termos de tabela classificativa, ficamos 6 ou 8 pontos abaixo do que deeriamos ter, se não fossemos prejudicados pelas arbitragens (e também beneficiados). Se partirmos do princípio de que esses 6 ou 8 pontos serão este ano colmatados com a introdução do VAR (ou na pior das hipóteses 5 ou 6 pontos), "só" temos de garantir que esses pontos não sejam perdidos por azelhice nossa.
Lembro-me que há dois anos, apesar de termos sido puxados para trás, perdemos pontos inadmissíveis em casa com Paços de Ferreira, Tondela ou Rio Ave, e perdemos aquele jogo ridículo na Madeira contra o União. Ano passado também cedemos estupidamente pontos a Tondela e Braga em casa e Rio Ave fora, ainda na fase inicial do campeonato. Para sermos campeões não podemos empatar em casa com os Tondelas desta vida. E temos necessariamente de ganhar pontos nos confrontos directos com os nossos rivais.
Daí que o próximo jogo contra o Vitória de Setúbal tenha de ser para ganhar. Não peço uma exibição deslumbrante com goleada, que ainda temos jogadores a ganhar ritmo. Mas peço um jogo sério, focado e compenetrado. E tenho a certeza que se jogarmos assim, a vitória está mais que garantida, por muita vontade que os sadinos tenham em vir infernizar-nos a vida.
Depois temos mais dois jogos para o campeonato até à primeira interrupção. Vamos a Guimarães e recebemos Estoril, com o play-off da CL pelo meio. O jogo de Guimarães será, sem dúvida. o grande teste a esta equipa. É um campo dificil, contra uma equipa que se costuma rasgar toda para nos vencer, liderada por um treinador que se esfarrapa todo para nos ganhar pontos. Além de que temos aquela maldição dos jogos após as competições europeias, onde vamos sempre a baixo. 
Após o jogo contra o Estoril, se tivermos 12 pontos e a qualificação assegurada para a CL, temos tudo para sonhar com coisas boas nesta época. Isto porque a concorrência será cerrada. O porto está com o gás todo, e enquanto ele durar não podemos vacilar. Do lado do benfica fica-me uma questão por esclarecer: quantos golos sofrerão por jogo Varela, Almeida, Eliseu, Luisão e Jardel? Uma defesa destas aguentar-se-á mais jogos com nenhum ou só um golo sofrido?

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Entradas de leão

Como seria expectável, o Sporting entrou na nova época com uma vitória. Não fez uma exibição deslumbrante, longe disso. As notas artísticas ficarão para uma fase mais adiantada da temporada. Por enquanto urge ainda gerir a condição física, pois alguns dos nossos titulares ainda estão a recuperar a sua melhor forma. O que faltou em deslumbramento bastou e sobrou em sobriedade. A equipa jogou compacta, muito competente nos processos defensivos, evitando cavalgadas para a frente para não abrir espaços atrás. Jorge Jesus apostou na quebra física do seu adversário e na sua falta de entrosamento. A justificação de ter deixado Podence no banco para o lançar aos 60 minutos é aceitável. 
Como costume a nação sportinguista pegou numa exibição competente, com um resultado justíssimo, e dividiu-se na sua análise. Da minha parte, já o leram em cima, preferi realçar a parte do jogo colectivo, na segurança defensiva, do critério atacante e, com toda a justiça, da boa abordagem de JJ para este jogo. Já outros preferiram embirrar com a não titularidade de Podence, alegando uma futura desmotivação do nosso avançado, ou então com a forma conservadora como JJ abordou um jogo contra um adversário manifestamente inferior.
Sobre a não titularidade de Podence, duvido que tal já não tivesse sido trabalhado ao longo da semana, logo não acredito que o jogador tenha sido apanhado de surpresa. Adrien, mesmo tendo a sua condição física um furos abaixo da restante equipa, é sempre um jogador preponderante. Mesmo com um pé fora de Alvalade, também poderá haver aqui uma política de não desvalorizar um importante activo nosso, para manter o seu valor de mercado elevado. Bruno Fernandes, pelo que mostrou na pré-época, também teria o seu lugar no onze assegurado. Sendo expectável que Adrien apenas duraria 60 minutos em jogo, provavelmente Podence já saberia que entraria para o lugar do capitão. E, diga-se em abono da verdade, Podence ainda entrou a tempo de fazer uma boa meia-hora de jogo.
A abordagem ao jogo de JJ, que alguns consideraram medrosa face ao adversário, creio que foi a mais sensata e realista. Mais do que ninguém, o nosso treinador sabe qual é a condição física da equipa. Sabe também que se aproximam quatro jogos dificeis, onde os índices físicos dos jogadores terão de estar elevados. O jogo da próxima sexta-feira contra os sadinos será, à partida, mais complicado que este último, com a agravante que se realizará nas vésperas do jogo contra o Steua. Depois vem o Steua, a deslocação a Guimarães e novo jogo contra os romenos, em Bucareste.
Será que havia necessidade de lançar a carne toda no assador logo neste primeiro jogo? É certo que não criámos muitos lances de perigo na primeira parte, logo a estratégia poderia ter corrido mal. Mas JJ teve confiança suficiente na equipa para apostar que, mais cedo ou mais tarde, marcaríamos o nosso golo. Bem vistas as coisas, esta abordagem de JJ até foi mais audaciosa do que medrosa. Veremos como abordará os próximos jogos. Aposto que contra o Setúbal JJ manterá o mesmo onze, ou pelo menos as mesmas características. Correrá bem desta vez? Esperemos que sim.
Depois das depressões causadas pelos jogos na pré-época, alguém já reparou que não sofremos golos há dois jogos? Piccini ainda assustou, mas agora que chega o seu concorrente para a lateral direita, esperemos que a coisa melhore.
Foi o primeiro jogo, ganhámos a uma equipa inferior, não tivemos nota artística mas tivemos um colectivo compacto, não facilitámos e jogámos sempre focados no nosso objectivo. Ainda é cedo para tirarmos conclusões sobre o resto da época? É. Mas as primeiras indicações deixaram-me entusiasmado. Agora é manter o ritmo em crescendo, porque os próximos jogos vão ser fulcrais para o resto da época.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

O Facebook do Bruno

Ontem dei por mim estarrecido, quando li num qualquer post de uma qualquer rede social, que o Bruno tinha voltado a publicar no Facebook. Procurei imediatamente pela conta do nosso presidente, e após ter visitado as 400 páginas do FB cujo título contêm qualquer coisa como "Bruno de Carvalho" ou "Presidente do Sporting" sem ter encontrado porra de post algum, vim afinal a saber que essa publicação saiu no seu perfil privado, "aparentemente" usado por causa do Spotify, e cujo acesso e leitura está vedado aos seus amigos. Ou seja, um perfil que não é acessível ao público em geral, como são os perfis das celebridades ou como o próprio em tempos já teve.
Aquela velha falácia da pessoa que fala ou age enquanto cidadão e não do cargo que ocupa, ainda hoje é utilizada como desculpa ou subterfúgio para se dizer ou fazer asneiras e coisas parvas, que de outra forma eram inaceitáveis. Lembro-me que Mourinho dizia sempre aos seus jogadores para nunca fumarem em público, mesmo quando estavam fora do âmbito desportivo. Primeiro, porque os jogadores, enquanto desportistas, tem um papel exemplar a desempenhar na sociedade. Segundo, porque mesmo numa noite de copos no Urban ou num jantar romântico no Gambrinus, a figura dao cidadão anónima.o é indissociável do jogador de futebol que todos conhecem. Essa lição, que nos parece básica, aplica-se a Bruno de Carvalho e ao cargo que ocupa. Em 2017, Bruno de Carvalho e Presidente do Sporting são ambas a mesma pessoa, não há volta a dar. Seja no Facebook, seja quando em off-the-record diz que o João Mário é feio ou quando está sentado no banco de suplentes em dia de jogo, Bruno de Carvalho é sempre o presidente do Sporting. 
Dai que mesmo que tenha falado "apenas" para as poucas centenas de amigos que tem no Facebook, as suas palavras tiveram o eco que tiveram porque foram proferidas pela pessoa que ocupa o cargo que ocupa. E não, eu não gostei de o ter ouvido falar em "sportinguenses". Não é bonito referir-se assim a sócios e adeptos do clube que preside, por muita razão que tenha e por muito residual que aqueles sejam.
Disse aqui há já alguns posts atrás que esperava e desejava que o nosso presidente estivesse mais low-profile durante a próxima temporada. Os sinais estão a ser positivos, mesmo após o episódio Octávio Machado. BdC tem-se comedido nas intervenções públicas, a pré-temporada (histerias à parte) tem corrido bem, com contratações atempadas e aparentemente de melhor qualidade face aos anos anteriores, o regresso do voleibol, etc. Em sentido oposto, o nosso rival do outro lado da estrada tem passado tempos difíceis, dentro e fora do relvado. Se as coisas dentro do relvado ainda podem ser desculpadas porque ainda não são a doer, já fora a coisa não tem sido fácil. O #benficagate tem posto a nu as engrenagens do Estado Lampiânico, tendo o mais recente capítulo sido particularmente deprimente. Seja porque a narrativa das "claques que são sócios organizados" é má demais para ser sequer ponderada, seja porque finalmente o Kadafi dos pneus veio a público falar e estampou-se ao comprido (não sei o que foi pior, os pontapés no português ou a t-shirt preta), seja porque toda a história cheira claramente a protecção dos poderes públicos ao clube do povo, ninguém levou a sério a posição oficial do benfica. E estava meio-mundo entretido a "malhar" no presidente do clube do povo, quando de repente o nosso Bruno resolveu vir a público em modo privado e... lá ficou meio daquele meio mundo a discutir o que o presidente do Sporting disse e como o disse.
Tirando a parte final do primeiro parágrafo, creio que qualquer sportinguista se revê completamente no que o nosso presidente escreveu. Como se revê na sua luta contra o Estado Lampiânico, o Sistema, os fundos ou a nossa dívida. Assim como se revê na sua luta para mobilizar a onda verde, que voltou a invadir todos os estádios de Portugal. Já na forma como o faz, por vezes, começam a duvidar da sua eficácia. O discurso das nádegas, do Belfodil, da Bardamerda, da terceira escolha... Poderão-me argumentar que os fins justificam os meios, que o homem é pragmático e focado e eu até posso aceitar isso. Agora o problema é que cada vez que BdC resolve utilizar os seus meios para atingir os fins que pretende, é precisamente para esses meios que todo o foco é apontado, por mais nobres e altos que sejam os fins a que se destinam. Nicolau Santos foi infeliz ao escrever aquela patetice no Expresso? Foi. Isso justifica que o presidente do seu clube o rotule de "sportinguense", logo pondo em causa a sua qualidade enquanto sócio e adepto do nosso clube? Não! E pronto, quando todo o Portugal futebolístico deveria estar empenhado em desmascarar a hipocrisia lampiónica da relação do benfica com as suas claques, eis que o Bruno lá arranja mais outro factor de diversão para os Fernandos Guerras e Delgados desta vida explorarem.
O nosso clube tem um director de comunicação, que no caso em concreto das claques ilegais do benfica esteve muitíssimo bem (aquela foto do LFV com o cachecol...). No episódio do Nicolau Santos também reagiu, e a meu ver bem. Se temos uma voz autorizada a falar pelo clube, não compreendo porque motivo o presidente insiste em mandar a sua "posta de pescada". A cacofonia em que por vezes o meu clube cai, é de todo evitável. Vejam por exemplo a política de comunicação do porto. Creio que não estou enganado quando digo que todos os seus comunicados ou tomadas de posição são feitas de forma impessoal, não assinadas por uma pessoa em concreto. Tirando a divulgação os e-mails, onde Francisco J. Marques foi a cara visível da denuncia portista, raramente as tomadas de posição do porto são personalizadas. E compreendo hoje a sua razão: tal não desgasta os dirigentes. Da mesma forma que os dirigentes do benfica não falam, mandam falar. Era bom que puséssemos todos os olhos nisto. Especialmente tu, Bruno!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Balanços da pré-época

A uma semana antes do inicio oficial das competições, eis que voltamos a ser novamente candidatos a vencer a Champions League, fruto da última vitória da nossa equipa em Alvalade. 
Foi uma pré-época de altos e baixos. No Algarve começámos com um empate frente ao Belenenses, seguindo-se depois uma vitória na Suiça diante o Fenerbaçe. Quando alguns já viam o esboço de uma equipa galáctica, disposta a limpar tudo o que era troféu nos quatro cantos deste mundo, eis que duas derrotas frente a Marselha e Basileia nos lançou para um abismo profundo. O abismo durou uma semana e basicamente nesses dias ninguém prestava, desde o defesa direito, passando pelos pernetas do meio-campo, os marrecos do avançado, os tuberculosos dos defesas centrais, até ao Paulinho e à senhora da limpeza. A vitória em casa frente ao Mónaco devolveu-nos nova lufada de euforia, travada estrondosamente num jogo de experiências mal conseguidas em Rio Maior. Após nova fase de depressão, regresso às vitórias e à esperança de um bom arranque de época. Foi mais ou menos isto.
Pelo caminho, o tal que prefere sul-americanos aos "Manéis" de Alcochete, parece apostado em lançar Podence no onze base e Iuri Medeiros como opção válida nas alas. 
Está tudo bem? Claro que não. Era impossível estar tudo bem nesta fase da época. Mas salvo raras excepções, olhamos para os nossos jogadores, em especial para quem chegou este ano, e ficamos com a sensação que estão todos a evoluir, em fase de crescendo. Piscinni não é perneta, Coentrão e Mathieu não são tuberculosos, Bataglia não é marreco. E no dia 6 acredito que estarão melhor do que estiveram sábado passado.
Se para quem chegou estou muito esperançado que sejam bons reforços para a equipa, dos que vieram do ano passado tenho dúvidas de alguns. A começar em Alan Ruiz, que pela forma como acabou a última época parecia ter tudo para se afirmar este ano. Pelo que vi na pré-época, Alan Ruiz foi uma tremenda decepção. Lento, errático, sem acutilância, está neste momento a anos-luz de Podence ou até de Doumbia. É impossível continuar a insistir no argentino se ele não conseguir dar mais do que isto. E mesmo o melhor Alan Ruiz da época passada é pouco para um meio-campo/ataque de uma equipa com aspirações para conquistar o título. Pergunto-me se não seria melhor despachá-lo para outras paragens, uma vez que parece ter mercado à sua espreita.
Outros jogadores que vieram da época passada e que olho com alguma prudência são os nossos internacionais. Não que a sua qualidade esteja em causa, mas sim se não estarão já a caminho de outros campeonatos. O mês de Agosto vai ser longo e até às 24 horas de 31 muita água vai passar pela ponte. Do vejo, parece-me evidente que a relação de Adrien com o Sporting é de alguém que já se está a despedir e a fazer as malas para outro lugar. É perfeitamente justo para o nosso capitão, pois está no limite para dar o salto para um grande campeonato. Além de que acho que a sua ausência tem sido testada e com resultados aceitáveis na pré-época. Entre Gelson, Rui Patrício ou William, este último também se perfila na iminência de sair. O William da época passada não me deixa grandes saudades. Não foi o mesmo jogador de há dois ou três anos. Não vou aqui tentar adivinhar porque motivo na última época jogou de forma tristonha, por vezes apática ou cansado. Desse William não temos grandes saudades. Mas do William que corre, ganha bolas, lança ataques e passes longos, esse sim, faz-nos falta e não temos que o substitua à altura. Se William ficar mais um ano, espero que volte ao que era no primeiro ano de JJ no Sporting. É daquele tipo de jogadores que influencia qualitativamente uma equipa, para ser campeã. 
Uma última palavra para a pré-época realizada pelos nossos rivais. O benfica tem demonstrado o que já se esperava, dificuldades na defesa depois de ter perdido o seu guarda-redes, o lateral direito e um central. Quem está ou veio não tem claramente a qualidade de quem saiu, pelo que estou curioso de ver o impacto dessas mudanças nos seus primeiros jogos da época. Se o Vitória de Guimarães jogar da mesma forma personalizada como jogou contra nós em Rio Maior, prevejo grandes dificuldades para o clube do povo conquistar a Supertaça. E a estreia do campeonato diante do Braga também é algo que eu aguardo com muita curiosidade.
Do porto sobressai-se os bons resultados. Vitórias com muitos golos marcados e poucos sofridos, quase a antítese da nossa. Mas se nós, e até mesmo o benfica, tivemos adversários de nível igual ou superior ao nosso, o porto preferiu enfrentar equipas inferiores. Não é uma opção descabida, pois o campeonato é constituído, teoricamente, por 15 equipas inferiores ao porto. Além de que os resultados alcançados já criaram uma onda de entusiasmo junto dos seus adeptos, o que acaba por ter efeitos de galvanização da equipa. Tenho bastante curiosidade em ver o que vale este porto em jogos mais a sério, bem como da capacidade do seu treinador em conduzir aquele colectivo, correndo o risco de se Nuno-Espirito-Santizar.