terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Sinais de esperança

A estreia de Marcel Keizer não podia ser mais auspiciosa, surpreendendo até mesmo os mais optimistas. Todos os sportinguistas sabiam que esta equipa estava em sub-rendimento nas mãos de Peseiro, que os nossos jogadores poderiam fazer muito melhor. Mas poucos esperavam que, em apenas duas semanas, o nosso futebol se transfigurasse desta maneira. Não tenho memória de uma troca de treinadores ter sido tão bem aproveitada como esta. Nem mesmo Inácio, quando substituiu Materazzi em 1999, conseguiu uma entrada tão fulgurante.
Ontem, num dos estádios mais complicados do nosso campeonato, vimos um Sporting com personalidade, intermediando momentos de futebol genial com outros de puro pragmatismo. Não haverá sportinguista algum que não se tenha deliciado com as trocas de bola ao primeiro e segundo toque no meio-campo, permitindo à equipa transportar o jogo quase de forma vertiginosa para o ataque. Parece impossível, mas esta era a mesma equipa que há umas semanas atrás atacava com chutões de Coates para a frente, ou que na época passada andava a trocar a bola no meio-campo, numa "ideia de jogo" que ainda hoje é incompreensível. Qualquer semelhança entre este Sporting e o que levou quatro 4 golos do Portimonense, é uma triste coincidência. Só espero agora que os defensores de Peseiro metam em definitivo a viola do saco e desapareçam para a galáxia mais distante.
Tendo Marcel Keizer feito com distinção o seu tirocínio, resta-nos agora olhar para o resto da época, para tentarmos perceber o que é que ainda há para fazer. E se por um lado os sinais iniciais são muito animadores, por outro há que ter alguma sobriedade e não embandeirar já em arco. Até porque o próprio Keizer reconheceu, na flash-interview, que há ainda muitos aspectos a melhorar. E temos mesmo de melhor. Renan, por exemplo, apesar das intervenções decisivas na segunda parte, teve algumas abordagens com os pés que voltaram a causar calafrios. Os nossos laterais ainda estão longe de convencer. Continuo a achar que Bruno Gaspar é um Schelotto versão morena e Jefferson, como alternativa a Acuña, parece curto. O meio-campo parece a zona do terreno onde temos maior qualidade, especialmente desde que Wendel começou a jogar. Mas se por um lado o nosso meio-campo revelou ontem momentos de genialidade, por outro teve alturas do jogo onde se deslumbrou e desconcentrou, especialmente após o 3-1. Já no ataque, Diaby revelou-se ainda pouco entrosado na nova dinâmica do colectivo, relevando demasiada atrapalhação. E depois Bas Dost, o nosso abono, que continua a ser a única opção para homem-golo da equipa, restando-nos aqui a esperança de que a nova dinâmica de jogo da equipa distribua por mais jogadores a missão de marcar golos, tirando-nos a dependência do holandês voador, relevada nas últimas temporadas.
O caminho faz-se caminhando e domingo teremos mais um desafio a este novo leão. Jogaremos em casa contra uma equipa que faz o jogo típico do nosso campeonato: autocarro em frente à baliza e pontapé para à frente para os contra-ataques. 
Que o nosso bom futebol continue a ser demonstrado em campo, é tudo o que para já peço.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Varandices

Uma mão cheia de nada.
Escrevi no meu último post que, caso existissem provas evidentes que implicassem Bruno de Carvalho na ataque à Academia, ele só tinha era de apodrecer na prisão. Houve quem não gostasse do que escrevi, mas nisto de defender o Sporting acima de tudo e de todos, eu sou mesmo assim. Quem ataca o meu clube não me merece consideração. Pior ainda se esse ataque viesse de quem tem o dever de o defender logo na primeira linha. Nunca acreditei que Bruno de Carvalho fizesse algo do género, mas se há coisa que aprendi na vida é que não posso pôr as mãos no fogo por ninguém. Fico contente que todo este circo mediático tenha parido uma barata, pois mostra que não me enganei em relação ao nosso ex-presidente. 
Não deixa de ser de curioso que muitos dos palradores que hoje assumem o mediatismo em nome do Sporting, se tenham tornado conhecidos graças a Bruno de Carvalho. Quem era Rui Morgado, José Pedro Rodrigues ou Vítor Ferreira antes de Bruno de Carvalho os ter chamado de "sportingados"? Quem era Eduarda Proença de Carvalho ou Jaime Marta Soares antes de serem convidados para a MAG nas listas do Bruno? Bruno de Carvalho teve esse dom de criar sportinguistas famosos apenas porque não gostava deles. Mas ele vivia bem com isso. Gostava de espingardar, debater, achincalhar os sportingados, com o mesmo empenho em que discutia com "Mister Burns", o "Rui-Santos-Feitio-de-Gaja", o "Labrego Salvador" e tantas outras personalidades da nossa vida pública. Tendo gerado tantos anti-corpos fora do mundo sportinguista, Bruno de Carvalho tornou-se um alvo a abater, custe o que custasse. André Geraldes disse que a partir de Janeiro deste ano, BdC começou a dar sinais de que não estaria bem, tendo entrado em derrapagem emocional nos meses seguintes. Este foi o "tal" erro da comunicação do ex-presidente, não ter percebido que a partir de uma determinada altura, já não estava a mobilizar sportinguista algum, mas apenas e só a criar mais inimigos. E tantos que ainda tem hoje.
Nervos de aço. É disso que o presidente do Sporting Clube de Portugal precisa para levar o clube ao lugar onde merece estar. Estamos num país minado e submergido por essa imensidão que é o Estado Lampiânico. Não bastasse o inimigo externo, temos ainda essa velha particularidade de termos as nossas próprias ratazanas dentro de portas. Ratazanas, notáveis, croquetes, viscondes, sportingados, enfim, chamem-lhes o que quiserem. São todas elas pessoas que estão plenamente convencidas de que o clube lhes pertence, seja porque são descendentes dos fundadores, seja porque tal advém do seu próprio estatuto social. E que passado a deriva brunista, querem recuperar o seu lugar no clube seja a que preço for, nem que para tal - Oh, pasme-se!!! - tenham de boicotar a actividade normal do clube.
Veio esta conversa toda a propósito do empréstimo obrigacionista que está em curso. Não vou sequer pegar naquela parte em que todos os sportinguistas, especialmente os anti-brunistas, repetem que afinal a situação financeira do clube "nem estava assim tão má" quanto temiam (Oh, pasme-se novamente!). Vou antes pegar nos últimos discursos do presidente Varandas, onde este afirma, com ar mais ou menos surpreendido, que a operação financeira tem estado a ser boicotada por muito boa gente, incluindo sportinguistas de renome. Acho curioso que volvidos pouco mais de dois meses de ser eleito, Varandas venha já choramingar na praça pública que descobriu qual a verdadeira essência do croquetismo. E que por esta altura, talvez já saiba que aquilo de "unir o Sporting" é uma tanga. Custa descobrir que afinal somos cornos, com tão pouco tempo de casamento. Varandas tem agora dois caminhos para seguir. Ou faz como aquele vizinho de cima, que arma um puto dum banzé quando sabe que a mulher anda a dar cambalhotas com o padeiro, até expulsa-la de casa nem que seja a pontapé. Ou então faz como o outro do fundo da rua, que preferiu amochar e continuar a passear de braço dado com a sua bela mas meretriz esposa, porque isto de arranjar quem nos faça a comida e lave a roupa dá muito trabalho. Se fosse Bruno de Carvalho, saberíamos qual o caminho que ele seguiria. Quanto a Varandas, ainda desconheço que estrada pretende ele trilhar, mas atendendo às reuniões com "notáveis" que ele já promoveu, não me parece que queira agora deixar a prendada "esposa" que tanto trabalho lhe deu a encontrar...

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

A herança de Tiago Fernandes e o elefante no meio da sala

Não faço parte do grupo dos que agora decidiram venerar Tiago Fernandes, qual coca-cola perdida no deserto. Não porque não goste do seu estilo irreverente ou pela forma como demonstra o seu sportinguismo a partir do banco, como aconteceu no final do jogo com o Arsenal. Apenas considero que ainda está longe de ser "o" treinador para o Sporting. Creio que ainda lhe falta alguma estaleca para conseguir interpretar os momentos mais inesperados do jogo. Ontem, por exemplo, permitiu que a sua equipa, a ganhar e a jogar em vantagem numérica, concedesse o golo do empate. Felizmente soubemos responder à adversidade e voltámos à vantagem no marcador, sendo que a partir do 2-1 já soubemos controlar melhor o jogo e o adversário. Salvo um ou outra correria, o Chaves não criou mais perigo.
Mas contra factos não há argumentos, e se é verdade que Tiago Fernandes ainda demonstrou alguma imaturidade nestes últimos jogos, também não é menos verdade que entrega o clube em muito melhores condições do que quando o recebeu. À oitava jornada estavamos em quinto lugar, hoje à décima estamos em segundo. Vencemos dois jogos para o campeonato e empatámos no Arsenal. Dependemos só de nós para sermos campeões e o apuramento para os 16-avos da Liga Europa está a uma vitória de distância. Poucos treinadores se poderão dar ao luxo de estar da situação em que Keizer estará hoje: receber uma equipa a meio da época, motivada e na luta em todas as competições (a Taça da Liga está difícil, mas ao nosso alcance). E este mérito é de Tiago Fernandes.
Mas ao contrário do inicio da época, não podemos correr agora o risco de embandeirar em arco e pensar que vamos limpar tudo nesta época. O futebol jogado, apesar de mostrar algumas melhoras, ainda está longe de ser convincente. Ainda ontem, contra o último classificado e em vantagem numérica, praticamente não tivemos oportunidades de golo. Custa-me dizer isto, mas depois de ver o porto-braga de sábado, fico com a clara convicção de actualmente não temos futebol para ganhar àquelas duas equipas. Podemos aumentar as nossas expectativas quando vemos a equipa a jogar com mais vontade de vencer ou com o regresso de Bas Dost. Mas é muito pouco. Necessitamos urgentemente de incrementar a qualidade do nosso jogo.
Frederico Varandas também sai bem desta situação. Soube resistir à pressão mediática de apresentar um nome à pressa, preferindo apostar num treinador interino e ambicioso para fazer a transição de Peseiro para o seu treinador de eleição. A aposta foi claramente ganha, como já disse em cima. E mesmo o timing, que parecia desastrado, acaba também por ajudar, pois o novo treinador terá mais de meio mês para se adaptar à equipa e a equipa adaptar-se a si, até ao reatar do campeonato. Certamente que Varandas tentará baixar as expectativas em relação ao trabalho do treinador para esta época, preferindo de certo adoptar um discurso mais de futuro, tirando pressão à equipa para o resto da presente época.
Quando a Marcel Keizer, espero que numa primeira fase tenha a inteligência de aproveitar o que de melhor este Sporting tem: o voluntarismo dos jogadores e o seu crer. Que saiba canalizar a qualidade individual de cada jogador para um modelo de jogo que priveligie o colectivo. E que construa uma equipa com condições de, pelo menos, bater-se de igual contra benfica, porto e braga, e conseguindo superiorizar-se às restantes catorze.
Não posso deixar de finalizar este meu post sem me referir ao elefante no meio da sala: a detenção de Bruno de Carvalho. Sendo certo que tal estará relacionado com Alcochete, estaremos a falar num crime de terrorismo, pelo que se não me espanta a decisão de mandar deter o nosso antigo presidente, nem me espantará que fique em prisão preventiva. O crime em questão é grave, pelo que admito medidas de coação igualmente graves. Apesar de não acreditar que Bruno de Carvalho tenha dado "a ordem" para o ataque, se a investigação imputar cabalmente a autoria dos factos a BdC, só desejo que aprodreça na prisão.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Varandas, os peseiristas e os sportingados

Um dia, Frederico Varandas teria de descer dos céus e aterrar a toda a força no chão. Esse dia apareceu na ressaca de uma noite das bruxas terrível (mais uma), onde voltámos a colecionar mais um desaire á longa lista que vamos acumulando, pois não me lembro de algum dia ter perdido em casa com uma equipa de escalão inferior, depois de estar a ganhar (com a Naval, em casa, nunca estivemos a ganhar).
Não obstante a vergonha de perder em casa com o Estoril, de termos sofrido 4 golos diante o Portimonense, de quase termos perdido com o colosso europeu Vorskla Poltava, de termos feito um jogo paupérrimo diante do Loures, de exibições sem qualquer pingo de futebol minimamente bem jogado, assistimos estupefactos a uma manifestação sem precedentes de "peseirismo".
E quem são os "peseiristas"? Começo pela malta do costume: os cartilheiros enfarinhados, os jornaleiros sem espinha vertebral, a corja de inúteis parasitas que gravita pelo nosso futebol, que aproveita estes episódios para mostrar "provas de vida", como foi o caso da associação de treinadores. Todos com o denominador comum de fazerem parte de uma longa tradição de utilizar o Sporting para desviar o foco de outros palcos que mereciam ribaltas mais condizentes.
Se dos cartilheiros não esperava outra coisa que não o contorcionismo de transformar um treinador banal em supra sumo da táctica futebolística, já o que se passou com os ex-sportingados deixou-me algo surpreendido. Desde a queda de Bruno de Carvalho que os sportingados andavam sossegados. A sua tolerância para com o clube estava a aumentar, contribuindo em muitos casos para criar a falsa ideia de que este novo Sporting estaria pacificado e encarreirado. Se de jornalistas andrades ou lampiões pseudo-isentos não me espantava o peseirismo militante exibido nestes dias, já de malta que sofreu na pele as quatro batatas de Portimão ou o terror da noite das bruxas em Alvalade, esperava outro tipo de reacção. Assisti, incrédulo, ao exercício de branqueamento de João Pedro Rodrigues à miséria futebolística que foi o Sporting de Peseiro. Assisti, igualmente incrédulo, ao exercício de auto-mutilação leonina perpetrado pela nova estrela ascendente do nosso universo, que dá pelo nome de Rita Garcia Pereira. 
Frederico Varandas não tem um trabalho fácil pela frente. Ainda não tinha sido eleito presidente e contava já com a oposição dos antigos brunistas, ressabiados por ter rompido com o anterior presidente logo na ressaca de Alcochete. O seu perfil "anti-Bruno" valeu-lhe a simpatia da opinião pública, bem como dos "notáveis" leoninos. Não deixa de ser irónico que essa áurea de "presidente previdente" tenha começado a cair por culpa dessa imensa nulidade que é José Peseiro. Até porque estava longe de ser inesperada, pois dias antes Sousa Cintra já havia feito o frete de ter "dado á morte" o treinador que escolhera, com aquela entrevista cirúrgica ao Expresso. Até o timming do despedimento parecia ideial, após o humilhante resultado diante do Estoril. Se tudo parecia esperado e perfeito, porque razão os sportingados tiveram reações contra Varandas?
Rita Garcia Pereira levantou parte do véu, logo no dia 1 de Novembro. Mais do que o futebol inenarrável jogado pelo Sporting, custou-lhe saber que Varandas havia chamado os membros do anterior CD para se reunirem com ele. João Pedro Rodrigues completou o quadro, trazendo à baila a auditoria às contas do Sporting com Bruno de Carvalho, aventando a possibilidade do actual presidente escamutear o seu resultado em troca do apoio dos antigos dirigentes. Se assim for, então a coisa faz mais sentido. O que irrita neste momento os sportingados, não é se Peseiro merecia isto ou aquilo, nem sequer se o substituto já deveria ter sido apresentado ou ter este ou aquele perfil. Nada disso. O que irrita os sportingados é que Varandas, neste momento, se esteja a aproximar daqueles que estiveram com o "anti-Cristo" nos últimos anos. Irrita-lhes igualmente que Varandas, quiçá, esteja a ponderar não enveredar por um auto-de-fé contra a anterior direcção só porque sim. Os sportingados queriam sangue, de preferência de Bruno de Carvalho e dos seus antigos vices e vogais, mas parece que Varandas está mais inclinado a dar-lhes flores...
Nunca pensei vir a defender Varandas assim tão cedo, mas, se for assim, então o nosso presidente merece a minha consideração: arrumar a questão do treinador, normalizar as relações com os anteriores dirigentes e não entrar em jogos de "caça às bruxas" apenas para agradar uma determinada "clique". Conseguirá Varandas por o Sporting acima de tudo e todos?

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Peseiro, Patrício e os c**** de sabão

Estamos a chegar ao fim do interregno futebolístico de Outubro e José Peseiro continua a ser o nosso treinador. Tivéssemos um presidente suficientemente audaz e, quiçá, talvez Leonardo Jardim fosse hoje o nosso treinador. Infelizmente o Sporting vive tempos de pragmatismo (ou conasdesabonismo), não de heróis audaciosos, pelo que temos de nos remeter à nossa triste sina, de que esta época é para nos arrastarmos de campo em campo, rezando para não sermos mais vezes humilhados como o fomos em Portimão. E se a ideia de quem nos dirige é precisamente essa, então Peseiro é o homem certo no lugar certo, pois é impossível queimares o que queimado está.
Entretanto, estes últimos dias trouxeram algumas novidades interessantes, como aquela de que chegámos a acordo com o Wolverhampton por Rui Patrício. Aqui, a única coisa positiva a retirar é o facto de não termos mais que pensar em resolver este assunto. De resto, este negócio está para lá de mau. O valor total da transferência (fala-se em 20 M€) é já por si parco, tendo em conta a qualidade do jogador. Confirmando-se que realmente apenas receberemos 12 M€ pelo jogador (menos 2 M€ que Rúben Semedo, por exemplo), é difícil não desatarmos a chorar. Até porque facilmente se adivinha que Rui Patrício dará novo salto na Liga Inglesa, tal é a forma como o jogador entrou naquele campeonato. E certamente o Wolves cobrirá facilmente os 20 M€ que pagou ao Sporting, pois Rui Patrício valerá seguramente muito mais que esse valor.
E no meio disto tudo, como ficarão os sportinguistas? Amargurados. Dou o meu exemplo, que acredito que seja comum a milhares de outros sportinguistas. Fui dos que vibrou quando defendeu aquele penálti na Madeira, no longínquo dia 19 de Novembro de 2006. Fiquei com os nervos em franja quando Paulo Bento insistiu dar-lhe a titularidade, relegando o experiente Stojkovic para o banco. Nervoso mas com a sensação de que "teria de ser", pois de outra maneira nunca mais teríamos um guarda-redes "nosso" na equipa principal, um "novo Damas". Fiquei orgulhoso quando o "Franguício" se transformou em "São Patrício", tantas as vezes que as suas luvas nos salvaram. Envergonhei-me quando as direcções anteriores obrigavam-no a debitar semanalmente a lenga-lenga de que "é preciso levantar a cabeça". Era dos que gritava "Ruuuuuuiiiii!!!!" cada vez que salvava a nossa a nossa baliza. Ver aquela que era uma das grandes referências da nossa formação, do nosso futebol, abandonar o clube como abandonou, deixou-me triste e revoltado. A ser verdade que abdicou de um crédito de 5 M€ que teria do Sporting, para não criar problemas ao seu antigo clube, então merece (ainda) alguma consideração. Resta-nos aquela secreta e pequena esperança de, à semelhança de Vítor Damas, também regressar pela porta grande ao clube de onde saiu pela porta pequena.
Menção também à guerra desenfreada levada a cabo pelo Estado Lampiânico contra o Artista do Dia e o Mister do Café. Desenganem-se aqueles que julgavam que o "e-toupeira" ou o "MalaCiao" iriam ser machadadas fatais do EL. O Estado Lampiânico continua desavergonhadamente trilhando o seu caminho. Os seus spin doctors mantêm-se impávidos e serenos na sua tarefa de manipulação da opinião pública, desde formatando opiniões que, invariavelmente, inocentam a acção lampiânica e condenam os que a tentam desmascarar, até à delação abusiva de assuntos que deveriam ser do foro interno dos rivais, como a auditoria interna ao nosso clube. Tudo com a clara conivência do jornalismo nacional, que continua acefalamente a assobiar para o lado. Custa-me ver que, neste momento, tenham de ser os rostos do Sistema a defender o que é nosso. Dói-me o coração ver Manuel Serrão a indignar-se pelas fugas de informação dentro do Sporting ou Francisco J. Marques a assumir a defesa dos blogueres sportiguistas. Ou Frederico Varandas ainda não percebeu bem qual a trincheira onde terá de se meter para defender os interesses do Sporting, ou está a perder tempo precioso na tentativa de criar uma imagem de si diferente do antecessor, com claro prejuízo para o clube que preside. De qualquer forma, parece-me que nem o Sporting ganhará alguma coisa com isto, muito menos Varandas, que perderá rapidamente todo o capital de confiança dos sportinguistas que o elegeram. 
E já agora, quando começará Varandas a falar "daquilo que sabe", relativamente à época de 2015/2016?

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

#NotPeseiro ou #PeseiroNãoDá

Quando no princípio de Julho escrevi este texto, estava impregnado de optimismo. Acreditava que era desta que o meu clube, conhecido por ter o karma mais negativo da Via Láctea, ia finalmente dar um pontapé nas forças más, oferecendo aos sportinguistas uma história de final feliz. Após um ano em que perdeu tudo no benfica, JJ conseguiu regenerar-se e limpou o campeonato na época seguinte. Peseiro, na mesma situação, foi despedido por maus resultados no início da época seguinte. Herrera, o patinho feio do dragão, ofereceu o último campeonato ao porto. No Sporting, conseguimos passar uma meia-final europeia épica, para depois perdermos a final de forma ridícula no nosso próprio estádio. O Sporting de Peseiro teria todas as condições para dar um pontapé no karma, mas isso "só acontece nos filmes". As coisas na vida real são diferentes.
O que aconteceu durante o verão de 2018 lembra-me aqueles namoros de férias, que todos tivémos na adolescência. Em Agosto vamos para a praia ou para a terrinha e por lá apaixonamo-nos por aquela rapariga deslumbrante, com quem acabamos a trocar beijinhos ao por-do-sol. No final das férias estamos convencidos que aquela relação está firme como uma rocha, mas com o regresso à cidade, à vida real, constatamos que tal não é possível, restando-nos a feliz memória de um verão bem passado. O Sporting 2018/2019 é parecido com isso. O inicio do campeonato superou-nos as (baixíssimas) expectativas que tínhamos e por momentos chegámos a acreditar na possibilidade de uma surpresa. Mas com o mês de Setembro e o regresso às aulas, fomos descendo à terra da nossa triste realidade. O futebol praticado era sofrível, apenas disfarçado pelos resultados positivos. A derrota em Braga, o quase descalabro ucraniano e esta última goleada algarvia marcam o fim do nosso lindo mas impossível sonho. 
E porque é este sonho impossível? Desde logo por tudo o que rodeou a preparação da época, cujas condicionantes são sobejamente conhecidas. Esperávamos um campeonato de "ano zero", ao nível de 2013/2014. Mas como o nosso plantel este ano até teria qualidade superior ao de Leonardo Jardim, tínhamos uma secreta esperança de repetir o feito do madeirense, pelo menos no que toca a lutar pelo campeonato até ao fim. Mas o problema é que José Peseiro não é Leonardo Jardim. Nem de perto, nem de longe.
José Peseiro tem actualmente um conjunto de rótulos que são conhecidos, como o do "pé frio". Não é só o campeonato perdido de 2004/2005, mas também as épocas no Braga e aquele final de temporada no porto, em 2015/2016. Outro rótulo que traz é o de privilegiar o futebol atacante, usando como exemplo precisamente a época em que perdeu tudo no Sporting. Ainda hoje vejo muito sportinguista a chorar-se por Peseiro não ressuscitar essa máquina trituradora de futebol atacante que era o Sporting em 2004/2005. 
A máquina de futebol atacante de José Peseiro não deu para conquistar um campeonato onde o campeão somou a miserável soma de 65 pontos. Perdemos jogos em casa com o Marítimo, Nacional ou Penafiel e fora em Setúbal. Levámos 3-0 no Funchal. Este foi o grande Sporting de 2004/05. Antes de treinar o Sporting, Peseiro tinha subido de divisão o Nacional e foi adjunto de Queiroz no Real Madrid. Depois de treinar o Sporting, Peseiro não conquistou praticamente nada de relevante, apesar de ter passado duas vezes por Braga e ter feito meia época com o porto, tendo levado os andrades à final da Taça de Portugal. O currículo de Peseiro está ao nível, digamos assim, de Paulo Sérgio. Pensar que Peseiro teria capacidade para nos levar a discutir o título até ao fim, estando os nossos rivais minimamente preparados para o mesmo, é utopia pura. Tão pura como a "máquina de futebol atacante" que, como se percebe, nunca existiu. 
Outro rótulo utópico que Peseiro entretanto obteve, já durante a corrente temporada, é a de ter modificado o seu modelo de jogo, passando a privilegiar mais parte defensiva em vez da avassaladora máquina atacante. Essa é a forma de justificar a absurda insistência do nosso treinador em utilizar o duplo pivô. O jogo de ontem é paradigmático desse absurdo: no lance do terceiro golo do Portimonense, que nasce de um canto, toda a equipa está a defender dentro da área, deixando dois ou três jogadores adversários à entrada da área sem marcação. Nakajima teve tempo para tudo, dominar a bola e colocá-la onde queria. Ainda bem que Peseiro está hoje mais defensivo, senão... Isto sem falar nas constantes perdas de bola no miolo, os chutões de Coates para a frente (lembram-se desse nossa grande playmaker chamado Polga?), as ridículas substituições no fim do jogo, as dispensas de jogadores prometedores como Matheus ou Geraldes, etc., etc.
Esta época, com este treinador, não vamos lá. Mas a mudarmos nesta altura, que mudemos garantidamente para melhor. Se é para virem Paulos Sérgios ou Vercauterens, então deixem ficar como está. Sempre poupamos em indemnizações.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Sobre as toupeiras

Devido às inúmeras vicissitudes que afectaram o nosso clube nos últimos meses, faltou-me tempo e vontade para falar das toupeiras. Mas agora, quando parece que o foco mediático finalmente largou o nosso clube, parece-me ser a altura ideal para pegar num assunto que tem tudo para marcar o futebol português.
Enquanto cidadão português, fico pasmado com a facilidade com que um mero funcionário judiciário consegue aceder a um qualquer processo a tramitar na nossa Justiça. Numa era onde uma das maiores preocupações que assola a humanidade é a da segurança cibernética, fiquei a saber que em Portugal é possível uma pessoa pesquisar na base de dados dos inquéritos, utilizando para o efeito um login de um funcionário já aposentado. Ou, igualmente grave, também é possível alguém pesquisar horas a fio sobre um determinado processo que não lhe diz respeito, sem que o próprio sistema alerte os seus administradores sobre tal anomalia. É uma tremenda fraqueza daquele que é um dos pilares da nossa democracia, portanto deveria merecer uma séria reflexão das mais altas entidades do Estado.
Já enquanto adepto de futebol, não posso dizer que fiquei surpreendido com o que até agora se soube. O currículo de Paulo Gonçalves é extenso. Esteve ligado ao porto nos anos noventa do século passado e convenientemente passou-se para o Boavista a tempo de montar a "estrutura" que levou à conquista do campeonato por parte dos axadrezados. Sem dúvida que estamos perante alguém com know-how dos meandros obscuros do futebol português, com vasta experiência na arte da manigância e da marosca. E como bem diz o povo português, "diz-me com quem andas que eu digo-te as manhas que tens".
O comum dos lampiões olha para tudo isto e aborda o assunto de variados ângulos, desde a incredulidade total até ao mais puro conformismo de que para se ganhar algo em Portugal, tem de se jogar sujo nos bastidores. Os incrédulos, que ainda há muitos, são aqueles que papam tudo o que a cartilha lhes mete á frente. Desde as considerações morais sobre a personalidade de Paulo Gonçalves, católico praticamente que jamais praticaria actos de tal natureza, ou então preferindo pegar naquela parte da cartilha que prefere atacar o mensageiro - o famoso hacker de Budapeste - transformando-o em fonte de todo o mal que assola o clube da Luz. A forma como os e-mails do benfica foram postos na praça pública revestem-se de evidente ilicitude, mas que foi ofuscada perante a gravidade do que veio a público. Meter tudo no mesmo saco é como considerarmos ser tão grave o carocho que vende ganza na rua como o cartel de Medellin. Não há comparação possível.
De resto, a narrativa que diaboliza o hacker acaba por cair por terra quando nos lembramos que a SAD lampiónica já foi alvo de várias diligências da PJ e do Ministério Público, logo é redutor pensarmos que a única prova que a investigação possui advém exclusivamente dos emails "hackeados". Nem eu acredito que uma investigação criminal com esta mediatização, cujo alvo é o benfica, se suportasse em exclusivo nessa fonte. A tese da cabala portista-brunista de que tudo foi manipulado pelo eixo do mal "dragarto" é conversa para boi dormir.
Não vi a mesma preocupação sobre as fontes ilícitas quando o alvo das mesmas era o Sporting. Lembram-se do "draft" do contrato de Mitroglu com o Sporting? Lembram-se dos contratos de Coates ou Bruno Paulista com o Sporting? Lembram-se também de quem veiculou essa informação? Eu lembro-me: Pedro Guerra e o Rascord farinácio. O karma é tramado.
Se o lampião incrédulo acaba por dar pena, tal é forma como se deixa manipular pela cartilha do seu clube, já o lampião conformista é para mim o mais perigoso. Para o conformista, não há volta a dar. Para cabrão, puta e meia. Convenceram-se de que para destronar o Sistema, teriam de jogar no mesmo território. Não basta o mérito desportivo, é também necessário dominar tudo e todos. A táctica da terra queimada no seu esplendor. Segundo o lampião conformista, afinal o porto dos anos 90 e da primeira década deste século tinha uma grande equipa e aquilo das escutas da "fruta" é lana caprina, pois "todos o fazem". Quando defendemos exacerbadamente a ideia de que os fins justificam os meios, acabamos por criar monstrinhos que um dia nos devoram. No caso do benfica, esse dia está a chegar. 
Tudo o que reconhecíamos no Sistema, está hoje no Estado Lampiânico: a coopção da oposição interna, o aproveitamento do clube por parte da sua direcção, o encobrimento do trabalho sujo das claques, o domínio sobre os clubes mais pequenos, a cativação de árbitros e observadores com recurso a prostitutas, a parceria com o poder político, o conluio dos jornalistas amigos. Tudo com a bênção do lampião conformista, que mesmo sabendo de tudo isto, prefere que assim seja pois de outra forma não conseguiria ganhar nada.
Quando confrontados com o que surgiu nestas últimas semanas contra o seu clube, a lampionagem abandonou a velha cassete de Paulo Pereira Cristóvão e passou a pegar noutra: o Cashball. Não são casos comparáveis, pois um já está em fase de acusação enquanto que o outro ainda está em inquérito. Pelo que se soube na altura em que o Cashball rebentou, não me parece que a prova contra o Sporting seja sólida. A participação do César das malas na denúncia é, por si só, de desconfiar. Mas uma coisa é certa, se chegarmos à fase de acusação e continuarem de pé as suspeitas de corrupção por parte do meu clube, mesmo que estejamos a falar de andebol, cá estarei na primeira fila para o criticar.