domingo, 1 de setembro de 2019

#XauKeizer e outras pérolas da estrutura fantástica

Quando no domingo passado chegou ao fim o nosso jogo com o Portimonense, ri que nem um desalmado. Acabávamos de chegar ao primeiro lugar, jogando um futebol miserável, previsível, onde a única táctica coerente é a de "passa ao Bruno que ele resolve enquanto corre com a bola".
Apesar de saber que aquela liderança era tão normal como a do Famalicão no final desta jornada, não pude deixar de sentir aquela sensação que o futebol ainda nos consegue ir dando. Aquela sensação de "então e se...". Imaginei um Keizer de mangas arregaçadas, a correr ao lado dos seus jogadores puxando por eles, enquanto lhes gritava "run, run motherfuckers, the title its in front of you, go catch it". Imaginei o Beto e o Hugo Viana a colar excertos das notícias da derrota da Supertaça ou excertos dos mails do benfica nos cacifos dos jogadores. Imaginei um leão a lamber as suas feridas, a olhar para si próprio e dizer "sim, eu quero, eu consigo, vamos lá".
Tudo não passou de um lindo sonho de verão. Keizer continuou preso na sua teia de autismo e apatia, demonstrando uma ambição digna de uma anémona ou de uma tulipa holandesa. Como se temia, bastou apanhar pela frente uma equipa minimamente organizada, com qualidade na circulação de bola e matreira o suficiente para explorar as costas da nossa defesa, para toda a nossa estratégia se desmoronar como um castelo de cartas.
A sorte de Keizer é que o Sporting ainda não conseguiu despachar todos os seus bons jogadores. Tem-se esforçado para isso, mas alguns ainda vão ficando e aguentando o barco. Ontem, mais uma vez, lá teve de vir o Bruno Fernandes rebentar a defesa vila-condense e empatar o jogo, enquanto na segunda parte, após um ressalto de bola, Luis Phellype só teve de encostar para o segundo golo. Estava consumada a reviravolta, mas no estádio pairava aquela ideia de que tudo tinha caído do céu aos trambolhões. Keizer parecia ofuscado com tanta felicidade e lá decidiu que o melhor seria reter a bola no meio-campo e tentar acalmar o jogo, em vez de aproveitar o embalo da equipa e tentar matar o jogo a trinta minutos do fim.
O resto é sabido. O Sporting decidiu continuar a deixar de jogar, entregando a posse de bola ao adversário. Pelo meio, Keizer não soube equilibrar a equipa de forma a ela não ficar em desvantagem nos duelos do meio campo. Carvalhal cheirou o medo do seu adversário e foi com tudo para disputar o resultado nos últimos minutos. Coates é tão somente o espelho deste Sporting: perdido, desorientado, animicamente quebrado. E éramos nós os lideres da liga.
Pelo caminho, o padre de serviço fez-lhe o que competia. Decidiu sempre contra os mesmos nos lances duvidosos. Mas fica por aqui a minha crítica à arbitragem. Não consigo falar de arbitragem quando esta derrota é fruto único e exclusivo da nossa (falta) de atitude. Fosse com ou sem penaltis, não conseguiríamos ganhar este jogo porque o nosso treinador não teve ambição para tal. Mesmo que o Acuña até conseguisse meter aquela bola dentro da baliza, cairíamos no próximo jogo pois este treinador simplesmente não tem mentalidade vencedora, não é um campeão.
E a nossa direcção, como fica no meio disto tudo? Fica mal, como é óbvio. Keizer foi uma escolha pessoal do presidente e anunciado como peça fundamental da sua estrutura para o futebol. Ao fim destes meses todos até dói pensar nisto. Acredito que Keizer, antes de chegar a Portugal, soubesse tanto do Sporting e do futebol português como eu sei do Ajax e do futebol holandês - Pouca coisa. Mas para isso mesmo é que serve uma estrutura para o futebol. Hugo Viana e Beto estão lá para, entre outras coisas, explicar que o Rio Ave faz-nos sempre a vida negra em Alvalade e que Carvalhal é dos treinadores mais experientes do futebol português. Estão lá para explicar que o Sporting joga sempre, SEMPRE, para ganhar. Para lhe dizer que em Portugal é demasiado fácil marcar-nos três penaltis contra, termos mais cartões amarelos e jogadores expulsos do que os nossos rivais directos. E se Hugo Viana ou Beto não servem para isso, bolas!!!!, está lá o Varandas, que assistiu a isto tudo durante anos a fio sentado no nosso banco de suplentes. 
E a cereja em cima do bolo, da nossa tal estrutura que Varandas prometia ser fantástica, é a incapacidade de conseguir contratar um trinco ou um ponta de lança com o mínimo de capacidade para jogar de inicio na nossa equipa. Pelo contrário, desbarataram os melhores que lá tínhamos: Nani, Montero, Bas Dost, agora Raphinha, e veremos como será com Bruno Fernandes. Pelo caminho ficou a prometida aposta nos jovens, que se esfumaçou assim que o estágio suíço terminou. 
A menos de cinco horas do fecho do mercado rezo à espera que a maravilhosa e ultra fantástica estrutura de futebol do Varandas desencante um ponta de lança e um trinco com capacidade para jogar no onze inicial. E que tenha a lucidez de perceber que com este treinador não vamos a lado nenhum, que temos de ir buscar outro com outro perfil.
Por fim uma palavra para o estado do nosso clube. Estamos compulsivamente a vender, em alguns casos mesmo em modo "saldos". Foi a venda de Bas Dost, com números ridículos, foram as saídas a custo zero de vários excedentários do plantel, é a tentativa quase desesperada de despachar Bruno Fernandes, foi agora este empréstimo de Bruno Gaspar a um clube com quem estamos em litígio, sem qualquer contrapartida financeira para o nosso lado. E agora parece que nos preparamos para vender aquele que tem sido o nosso melhor extremo no início do campeonato. Porquê esta postura frenética de vendedor compulsivo? Há alguma coisa nas contas do clube que não sabemos? O que é que mudou nas últimas semanas? Não concretizámos o empréstimo obrigacionista? Não conseguimos acordo com uma entidade bancária para fazer o factoring do contrato da NOS? Ou a direcção dá uma explicação cabal sobre esta loucura dos últimos dias ou então sinto-me tentado a acreditar que existe mesmo um plano para desfalcar o plantel, com o intuito de desvalorizar a SAD... e todos sabemos como terminaria essa história. 
Frederico Varandas cada vez mais se assemelha a um daqueles betos arrogantes e bazófias da Lapa, que acha que é o maior porque o pai lhe ofereceu um Maserati. O futebol era o mais fácil, a sua estrutura a melhor do mundo, ele o messias salvador do clube. Esperemos sinceramente que Varandas desça à terra nas próximas horas e perceba onde lançou o clube. A continuar desta maneira, não lhe auguro melhor destino do que Godinho Lopes em 2013. 

sábado, 6 de julho de 2019

As coincidências desta vidas

Não quero saber de nada e tenho raiva de quem sabe. Não, para mim chega. É demais.
Estou farto de lutas fratricidas, de guerras de trincheira, daquele maniqueísmo destrutivo que "ou és brunista ou és croquete", como se pelo meio não houvesse mais nada senão terra queimada. Mas há. No meio está o clube, o nosso clube, o Sporting Clube de Portugal. Enquanto toda esta lama se continuar a arrastar, quem sofre é o clube. E são aqueles adeptos que, como eu, só querem que o Sporting ganhe o próximo jogo.
Jurei para mim próprio que não veria um minuto de um noticiário, nem iria ler uma palavra de um jornal. Mas a realidade tem essa faceta que detestamos, mas que existe. Por muito que queiramos, a realidade esmaga-nos. E, ironia das ironias, esmaga-nos sempre pela forma que menos esperamos.
A mim esmagou-me pela forma de um programa televisivo chamado "Alta definição", um programa brilhantemente conduzido por Daniel Oliveira, cujo único objectivo é por o entrevistado a chorar e a lançá-lo aos espectadores com uma aura de empatia. Lembro-me de diversas entrevistas de Daniel Oliveira com diversas figuras da nossa vida pública, desde actores, políticos, jornalistas e desportistas. Lembro-me de Patrícia Mamona ter lá ido, assim como me lembro da excelente entrevista que conduziu com o Éder. Esta em especial, ao patinho feio da selecção, foi das mais brilhantes, pela forma como apresentou ao país o lado humano de um jogador de futebol que é constantemente gozado mas que se transformou no herói de uma nação.
A história do Éder não é muito diferente de um outro futebolista, que até há bem pouco tempo era conhecido pelo "franguício". O "franguício" que mal sabia falar mas cujo clube o obrigava àquela humilhação pública de ter de dizer ao país que "paciência, perdemos outra vez, mas vamos levantar a cabeça". Sim, aquele "franguício" a quem a Sagres chegou a fazer uma célebre publicidade, onde o punha no grelhador "a virar frangos". Já te lembras de quem estou a falar? Sim, esse mesmo "franguício", que depois passou a ser o melhor guarda-redes dos campeonatos que se seguiram, foi um dos salvadores da nossa selecção na final do Europeu de França, que preferiu esconder-se nos festejos a ter de assumir um protagonismo que deveria ser seu por direito. Esse mesmo, o tal que quando a selecção foi recebida em Belém, o Presidente se referiu como "tão importante como quem marca o golo decisivo, é quem não deixa que nos marquem golos decisivos". Ah, o velho Marcelo, naquela pose de bom cristão, a dar o foco da celebridade a quem sempre se escondeu.
Franguício, aliás Rui Patrício, merecia esta entrevista há pelo menos 3 anos. Não só esta, mas várias. Merecia que lhe perguntassem como aguentou toda a pressão de, ao mesmo tempo ser um dos melhores jogadores do seu clube, mas ao mesmo tempo ser alvo da chacota dos rivais e dos canais de propaganda dos rivais. Foi preciso que tivesse saído do Sporting Clube de Portugal para que, finalmente, tivesse o palco à sua medida. Se o preço que tivemos de pagar pela sua deserção se consubstanciasse na concretização do seu reconhecimento enquanto grande futebolista e pessoa capaz de ter atravessado constantes ataques à sua pessoa, então valeu a pena que tivesse rescindido. Por isso já fiquei feliz.
O facto desta entrevista ter ocorrido no dia que ocorreu, apenas me leva a pensar numa palavra: coincidência. Tudo coincidência. Deixamos de ser um clube que se bate em campo e que fora dele defende acerrimamente os seus interesses, para um clube simpático, de jogadores simpáticos, de gente simpática, mas que desportivamente está ao nível de disputar o terceiro lugar com os Bragas desta vida. 
Diz que hoje vai haver uma assembleia geral importante para o clube. Parecem que querem expulsar uns sócios, que mandavam no clube no tempo em que aquele que é hoje o grande jogador Rui Patrício era o triste "Franguício". Coincidência, certamente. E logo obra de gente simpática. E todos sabemos que gente simpática não expulsa ninguém, pois não?

quarta-feira, 1 de maio de 2019

De manhã começa o dia...

Foram dois grandes jogos. Primeiro contra a nossa besta negra do futsal, o Inter Movistar. Não nos debatíamos só contra o campeão europeu, também lutávamos contra aquela fatalidade que atinge sempre o nosso clube nos momentos decisivos. Ou "À terceira era de vez" ou "Não há duas sem três". E nisto dos adágios populares, sai-nos sempre o pior na rifa. Quis a História (e o empenho dos jogadores e equipa técnica) que passássemos esse Bojador que é a equipa de Ricardinho. Faltava-nos passar o cabo das Tormentas e transformá-lo na nossa Boa Esperança. E se há clube no mundo que consegue passar o difícil para se estatelar no fácil, esse clube é o Sporting. Mas os nossos não tremeram. Mandaram às malvas todo o fatalismo e maus presságios que nestas alturas se levantam e arrancaram para uma vitória épica e histórica.
A festa no Cazaquistão foi bonita, assim como foi a sua continuação em Lisboa, mesmo sem espera no aeroporto. Foi uma tremenda manifestação de sportinguismo, que não se via desde sei lá quando. Numa altura em que o clube vive uma guerra fratricida, a falta que faz uma festa destas. Foi bonita, linda, espetacular e tantos outros adjectivos que me faltam para caracterizar aquela grande festa.
Parece no entanto que no meio de tanta hora de festa, algures no turbilhão de alegria e excitação que estas celebrações demonstram, alguém decidiu cantar uma música que fala de foder lampiões logo pela manhã. Foi o suficiente para lá termos de levar com aquela até então silenciosa mas ressabiada mancha negra do nosso vizinho da segunda circular. Lampiões indignados com aquele cântico, rasgavam as suas vestes como o Macaco em Vila do Conde. Clamavam por ouvir uma condenação da nossa parte, ao mesmo tempo que nos chamavam pequeninos por não nos esquecermos deles no momento dos festejos.
Se há coisa que os nossos vizinhos detestam, é ver os outros festejar seja o que for. O episódio de ligar o sistema de rega do relvado enquanto o porto festejava a vitória é paradigmático. As capas dos jornais desportivos afectos ao benfica, no dia seguinte a vitórias europeias de outros clubes, também é disso um bom exemplo. No final de contas, a sua postura não é muito diferente dos adversários, que também ficam azeados quando é o benfica que ganha. A diferença é que uns assumem a rivalidade, enquanto outros atiram-nos com a treta dos dois clubes de Portugal, o benfica e o anti-benfica, preferindo vomitar a sua bílis escondidos, ficando à espera de uma qualquer pretexto para sair do seu esconderijo e impingir-nos a sua pseudo-moralidade falsa e arrogante.
O clube cujos adeptos imitam constantemente o som do very-light, cantam com alegria "a cabeça do Ficcini" ou "deixem a lagarta morrer", está indignado por uns minutos de música numa festa só nossa. Dizem-me que é diferente, que o very-light ou a cabeça do Ficcini só são entoados nos jogos contra nós, enquanto nós cantamos "quem não salta é lampião" até quando jogamos contra o Oleiros. Como se fosse atenuante cuspir-nos na nossa cara, em vez de nas nossas costas. Ou, mais gritante ainda, se "foder lampiões pela manhã" fosse tão grave como cantar sobre mortes que ocorreram. "Ah e tal, mas foi o vosso speaker que começou, logo é uma posição oficial do clube!". Perante este argumento lampiónico, digo apenas que João Gabriel e o Folclore se estarão a rir às gargalhadas.
Fico incomodado quando oiço cânticos a chamar macaco ao Eusébio ou quando vieram com a Chapecoense num jogo de hóquei contra o porto, porque estamos a insultar uma pessoa directamente de forma ignóbil ou porque estamos a trazer à baila uma tragédia que aconteceu. Agora, num meio onde é usual ouvir-se e gritar-se palavrões, ter de levar com gente indignada por causa duma música onde está um "foder", é caso para se dizer: Bardamerda para vocês todos.
Quanto ao facto de cantarmos "quem não salta é lampião" ou "de manhã começa o dia, a foder os lampiões", tenham paciência. Vocês são nossos rivais e não gostamos de vocês. Assumimos isso há muito tempo. Rivalidade é isto, é picarmos os outros, sem termos de ser rasteiros. Porque depois, ao final do dia, lá estaremos todos juntos a beber minis no café da esquina. 
Não somos hipócritas para dizer que não falamos dos outros. Somos sinceros.
Não somos sobranceiros para dizer que estamos acima das rivalidades. Assumimos essa rivalidade.
Não somos arrogantes ao ponto de afirmarmos que não ligamos aos rivais. Sem rivalidades o futebol teria tanta paixão como o campeonato nacional de mini-golf.
Somos nós. Somos sportinguistas.

domingo, 31 de março de 2019

E novidades, há?

Hoje resolvi sair da letargia a que me votei nestes últimos tempos, para tentar perceber se há novidades no mundo sportinguista.
Começamos pelo nosso treinador, o bem falante, bom desportista e entendedor Marcel Keizer. O holandês lembra-me aqueles professores do secundário, a quem reconhecemos qualidades comunicativas, que conseguem levar-nos a fazer introspecções para conhecermo-nos melhor a nós próprios. Ou seja, brilhantes académicos mas que nunca puderam os pés no mundo real. Keizer é isso mesmo, um académico cheio de grandes ideias e concepções utópicas do mundo futebolístico. Mas depois chega a hora de meter os pés na rua e é ver Gudelj a arrastar-se em campo, até que o mestre da tácita académica chegue à conclusão que já deu tempo a mais ao adversário (mais de 60 minutos) e lá lança Doumbia.
Mas nem tudo está mal com Keizer. Ontem voltou a lançar Jovane em campo, com tempo suficiente para o jovem conseguir fazer algo de útil no jogo e agitar as águas. Faltou lançar Geraldes aos 90 minutos, ficando aqui a dúvida se não o fez porque entretanto foi obrigado a meter Gaspar no jogo ou porque já nem para isso Geraldes conta. 
Quanto a voltarmos a ver Bruno Paz a jogar, ou até Pedro Marques, Joelson, Thierry, entre outros, parece-me que teremos de esperar por muito tempo. O discurso de Keizer até entusiasma, pois dá a ideia de que estes jogadores contam para o holandês. Mas lá está, no final é Gudelj e mais dez e o resto é conversa. Perante a expectativa de ver Keizer mais uma época no nosso banco, sinto a mesma alegria que sentiu Maria Antonieta a subir os degraus em direcção à guilhotina.
Durante o jogo, mais uma arbitragem inacreditável de um dos melhores representantes desta nova geração de árbitros. O lance sobre Raphinha é duvidoso, mas transformar um corte limpo de Ristovski numa agressão é estúpido, absurdo, indigente, idiota. Pegar num lance onde o jogador vai unicamente à bola, derrapando depois e acertando sem maldade no adversário, e transformá-lo numa agressão, quando no mesmo jogo há pelo menos duas sarrafadas às pernas de jogadores flavienses a Bruno Fernandes, é pura maldade.   
Mas isto é a posição que o poder instituído quer que seja a posição do Sporting. Quanto mais em baixo estamos, mais prazer tem em nos pisar. No ano do sétimo lugar, lembro-me de inúmeros lances parecidos com este, como aquela expulsão inacreditável de Dier em Vila do Conde, por exemplo. Pisam-nos com requintes de malvadez, mas depois assomarem às televisões e, com o ar mais hipócrita do mundo, dizerem que faz falta um Sporting forte ao campeonato português.
E perante isto, o que diz o nosso presidente? Nada. Não diz nada (é melhor assim) e nem faz nada. Na final-four da Taça da Liga teve um assomo de coragem e atacou (e bem) a hipocrisia bracarense, para depois meter o rabinho entre as pernas assim que Salvador subiu o tom da sua voz. Os acontecimentos de ontem mereciam uma veemente tomada de posição da nossa parte, daquelas que dão origem a castigos de um mês. Mas não, quem nos preside lá entende que é melhor assim, seguirmos o nosso caminho serenos e silenciosos, pois muito provavelmente saberá que o pior ainda estará para vir...
Ao fim deste tempo todo de silêncio pergunto-me "E novidades, há?".
E lá chegou à triste conclusão que mais vale recolher à minha triste letargia, restando-me cumprir com dignidade a minha anónima missão de apoiar o Sporting Clube de Portugal. Quando houver novidades, apitem.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

A Tragédia

A tragédia do passado domingo não começou naquele dia. Para contarmos a sua história, temos de recuar até ao Verão de 2018. Algures entre Junho e Agosto.
Em finais de Junho de 2018, estava a nação sportinguista empenhada na luta fratricida que resultou na destituição de Bruno de Carvalho como presidente do Sporting Clube de Portugal. A comissão de gestão que assumiu transitoriamente a direcção do clube, bem como a administração da SAD que esta nomeou, tiveram em mãos a tarefa hercúlea de iniciar a preparação da época a mês e meio do seu inicio.
Com a maior parte dos melhores jogadores do plantel de abalada, com o despedimento do treinador contratado pela direcção anterior, com a tesouraria da SAD embargada devido ao adiamento do empréstimo obrigacionista, parecia estarem todas as condições reunidas para que esta época fosse uma época não de zero, mas de -1, como foi a de 2013/2014. Ninguém no seu perfeito juízo poderia exigir-nos a conquista do título de campeão nacional 2018/2019, pelo que poderíamos enfrentar toda a época sem essa constante pressão de sermos os melhores. Sem o chato do anterior presidente para apertar com os meninos, e com os candidatos a presidente a darem de barato esta época como perdida, parecia estar tudo preparado para um reset no Sporting.
Com JJ fora, havia condições para voltar a apostar na nossa miudagem, até porque as rescisões do verão criaram um imenso espaço para eles. A falta de folga na tesouraria era uma desculpa mais que aceitável para justificar um parco investimento do plantel. A contratação de Peseiro para treinador principal era o primeiro motivo de desconfiança, mas face à baixa fasquia com que iniciávamos a temporada, até era aceitável o seu regresso a Alvalade.
Durante o verão chegaram algumas boas notícias. Afinal Bruno Fernandes, Bas Dost e Bataglia voltaram atrás na sua decisão de rescindir unilateralmente, ajudando a emprestar alguma qualidade ao tal reset que teríamos de fazer este ano. Mas foi sol de pouca dura.
Incompreensivelmente, a SAD liderada por Sousa Cintra preferiu enveredar por outros caminhos. Dispensaram-se jogadores da casa e acarinhados, como Francisco Geraldes, Matheus Pereira, Demiral, Domingos Duarte, entre outros, para abrir espaço a Gudelj, Sturaro ou Diaby. Nani, apesar de pouco acrescentar à equipa, vale pelo facto de ser um dos nossos símbolos. 
Depois começaram os nós górdios. Primeiro a novela Sturaro, muito mal contada e que espero que não tenha nada a ver com a ida de Ronaldo para a Juventus. Depois as cegadas com o estágio da pré-época e os jogos de preparação. A novela Viviano logo no primeiro jogo oficial. Por fim, a fraca qualidade exibicional da equipa. Qualquer semelhança entre este Sporting e o de 2013/2014 era pura coincidência.  Coincidência mesmo era o facto de termos começado na frente, fruto das vitórias arrancadas a ferros nos primeiros jogos, bem como de um empate sufocante na Luz.
Diz a Lei de Murphy que se alguma coisa pode correr mal, então vai correr mal. E nunca um clube do mundo tem tanta apetência por comprovar as Leis de Murphy como o Sporting Clube de Portugal. O resto já todos sabem: um arrastar tenebroso ao longo da época, apenas intervalado pela leve esperança de um interlúdio holandês da nossa sina.
Marcel Keizer prometeu muito e ainda hoje choro baba e ranho quando tento saber do que foi feito daqueles jogadores que deram aquele recital de bola em Vila do Conde. Mas numa época marcada por equívocos, também Marcel Keizer se enrolou neles, ao ponto de hoje não sabermos o que é que quer para esta equipa. Não vou aqui analisar a sua abordagem ao nosso último jogo, pois não tenho paciência nem vontade para essa auto-mutilação. Dou apenas este exemplo: quando a perder por 1-4, Keizer decidiu-se a fazer a segunda substituição por volta dos 80 minutos, fazendo entrar Petrovic em jogo. Já o médio despia o fato de treino, quando Diaby marca o golo que lhe seria anulado. Keizer, desistiu de meter Petrovic, convencido que "só" teria de recuperar dois golos, quando se apercebe da decisão do VAR de anular o golo. Voltando à estaca zero, seria de esperar que Keizer recupera-se a ideia anterior de lançar Petrovic. Mas não, afinal parecia haver um plano B (ainda estou a tentar perceber como iria implantar o plano A), e aos 85 minutos lá resolveu lançar Jovane Cabral na equipa, para o lugar de... Raphinha.
Eis a tragédia.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

#NotKeizerBall

Poucochinho.
Antes do jogo, ouvi muito sportinguista a lamuriar-se da tragédia que estaria prestes a chegar. Sérgio Conceição iria entrar com tudo em jogo e só a ajuda divina nos poderia impedir de sermos goleados no nosso próprio estádio. O jogo em si não revelou a tão temida humilhação em casa. Pelo contrário, até foi equilibrado. Quem não soubesse da classificação das duas equipas até seria tentado em concordar que, pela forma como decorreu a partida, o empate satisfez as duas equipas. Aqui começaram os nossos problemas.
Tarde fantástica de Janeiro, com muito sol, muita gente, muitas famílias a deslocarem-se ao estádio, numa tarde onde revivi os clássicos vespertinos nos idos anos 80. A hora do jogo confirmou tudo aquilo que sempre soubemos mas que alguns teimam em ignorar: o futebol disputado à luz do sol faz toda a diferença. O ambiente estava propício a um grande espetáculo de futebol, com o estádio cheio e as claques a puxar pelos seus clubes. Infelizmente o futebol jogado não correspondeu à envolvência. Poucas oportunidades de golo, num jogo mais tático do que espetacular. No final o empate não nos serviu para nada que não a constatação do óbvio, de que este ano, em matéria de primeiro lugar, estamos conversados. O resto logo se verá.
Pedir a uma equipa onde Jefferson, Bruno Gaspar, Gudelj e Diaby são titulares, com duas substituições forçadas pelo meio, que ganhasse ao porto, já saberíamos que não seria tarefa fácil. Mas estando nós a uma distância já tão considerável da frente, e estando a jogar em casa, pedia-se mais à equipa que o mero controlo do seu adversário. Insistir na titularidade de Diaby com Raphinha já  recuperado, soa-nos pouco racional. Marcel Keizer teve um momento no jogo, já na segunda-parte, onde poderia ter arriscado e trocava o lesionado Wendel por Jovane ou Luiz Philippe, forçando um assalto final à baliza de Casillas. Arriscava dar espaço ao adversário e até a perder o jogo, mas para quem privilegia o futebol de ataque, não esperava outra coisa. Até porque, nesta altura estar a 8 ou a 11 pontos do primeiro seria quase a mesma coisa. Mas estar a 5 ou a 8 pontos faria muita diferença. Se Keizer espera mesmo que o porto perca 8 pontos nesta segunda volta (ou até 10 ou 12, vá) continua a demonstrar que não conhece a realidade do futebol tuga. Nem tem a seu lado que lhe explique.
Keizer não passou de treinador bestial para banal, mas tem havido nestes últimos jogos alguns equívocos da sua parte que me tem deixado com a pulga atrás da orelha. É certo que já as goleadas contra Aves e Nacional foram enganadoras, pois foram precedidas de entradas em falso da nossa equipa. Mas nestes dois casos houve força e engenho para dar a volta. Ver a incapacidade de criarmos situações de perigo em Guimarães e em Tondela, bem como o entorpecimento da equipa durante o jogo contra o porto, deixa-me derreado. O que mais me irrita nisto tudo, é que com tanta esperança na mudança da filosófica de jogo, chamando inclusivamente mais a jogo os nossos miúdos, voltamos a jogar o mesmo futebol que jogávamos quando Peseiro era o treinador. Keiser tem agora a oportunidade de ouro para demonstrar o que vale enquanto homem do futebol. Se tem capacidade para abanar os jogadores e voltar ao registo de quando entrou no clube. Se não conseguir cumprir esta tarefa, continuando a enrolar-se nos equívocos que se tem envolvido nos últimos jogos, não lhe auguro um grande futuro como treinador do Sporting.
Entretanto, bastou umas horas a navegar pelas redes sociais para descobrir (mais uma) polémica entre sportinguistas. Um grupo de miúdos resolveu tirar uma foto onde gozava com a velha máxima Rui-Patriciana de "levantar a cabeça" e com a dicção do nosso presidente. A enxurrada de posts indignados com o raio dos fedelhos, seguidos de outra não menor avalanche de posts enaltecedores dos novos libertadores do sportinguismo, levaram-me a pensar se, afinal, não é só o treinador mas todo o Sporting Clube de Portugal que está a viver um grande equívoco.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Como é que ao fim de quatro anos ainda nos deixamos surpreender em Tondela?

O jogo de ontem em Tondela trouxe-me à memória aquele velho Sporting, que muitos julgavam já morto e enterrado, incapaz de marcar mais de um golo contra uma equipa que luta pela manutenção, mesmo tendo a vantagem de jogar mais de meia-hora em superioridade numérica. E como foi que chegámos a este ponto de retrocesso?
Vários factores contribuíram para o desastre. Em primeiro lugar, a preparação do jogo. Ainda não sei porque motivo Jovane Cabral ficou de fora dos convocados, nem qual foi a razão de não ter chamado Luiz Phillype como segunda opção para o ataque. Além destes equívocos cuja responsabilidade só pode ser assacada a Keizer, descurou-se novamente outro aspecto que eu considero fulcral: o completo ignorar de que estes jogos são "diferentes". Qualquer adepto do Sporting sabe que o Tondela esfarrapa-se todo nos jogos contra nós. Qualquer adepto do Sporting deseja que nestes de jogos a equipa entre em campo raivosa e de orgulho ferido. Quatro épocas depois, continuamos a dar o flanco e a surpreendermo-nos com a forma como os tondelenses jogam contra nós. É demais, estou farto desta sina. Keizer pode ter a desculpa de ter chegado há pouco tempo e não conhecer estes minudências do futebol tuga mas, caramba, os jogadores que todas as épocas sabem como estas equipas se transfiguram contra nós, bem como os dirigentes, tão sportinguistas como nós, não tinham obrigação de preparar a sério este tipo de jogos?
Depois foi o desenrolar da partida. Como li por aí algures, não é possível esperar que a nossa equipa se superiorize ao Tondela quando temos jogadores no nosso plantel que estão ao nível de jogadores do Tondela. Bruno Gaspar não passa de uma cópia sombreada de Schelotto, Gudelj está ao nível de Zapater, Diaby tem momentos no jogo que fariam Djaló parecer um fora de série. Wendel não dá para mais do que uma promessa de jogador. Coates e Mathieu não conseguem fechar as brechas que se abrem nas alas e no meio-campo, acusando ao longo dos jogos demasiados momentos de desconcentração. A inspiração de Bruno Fernandes, Bas Dost, Acuña, Raphinha ou Jovane até pode chegar para mais de metade das equipas da Liga, mas é claramente insuficiente para algo mais do que o terceiro ou quarto lugar. 
No final do jogo, a cereja no topo do bolo: o tempo de desconto rídículo e o cartão amarelo a Acuña. Ano após ano, continuamos a enxovalhados pelas manigâncias destes árbitros.
Não quero começar já o discurso do "para o ano há mais", pelo menos antes de jogar com o porto em casa. Contudo, sou levado a admitir que vencer o actual líder será uma tarefa hercúlea, quase milagrosa. Resta-nos concluir a época da melhor forma possível (temos ainda mais três competições para disputar), mas começando a delinear com seriedade o que queremos destes jogadores nos próximos tempos.