segunda-feira, 18 de junho de 2018

Os sócios, a oposição e o "salto para o desconhecido"

Indissociável à decisão de voto contra ou a favor da destituição de Bruno de Carvalho, há outra questão que logo se levanta: caindo o actual CD, quem deverá sucede-lo?
Redundantemente podemos responder que é possível BdC ser destituído e ganhar as eleições seguintes. Creio que tal cenário muito dificilmente se irá pôr, pois não acredito que os sócios que votarem a 23 pela destituição venham depois a votar numa lista encabeçada pelo actual presidente. Pode até fazer sentido em algumas cabeças esse cenário, que seria uma espécie de "cartão amarelo" a Bruno de Carvalho. Mas seria algo estúpido que só iria fazer incorrer o clube numa despesa desnecessária, sem falar no tempo desportivo que se iria perder pelo meio, pelo que acredito que tal coisa só passe pela cabeça de um número ínfimo de sócios. Por outro lado, tenho sérias dúvidas que Bruno de Carvalho consiga concorrer a umas hipotéticas eleições antecipadas. Isto porque me parece claro que o CFeD transitório tem claras indicações para "infernizar" a vida ao actual presidente, para o afastar dos destinos do clube. Bastou ouvir Artur Torres Pereira para se perceber que a comissão de gestão é tudo menos isenta em relação a Bruno de Carvalho, em linha com o que Henrique Monteiro e Rita Garcia Pereira já disseram sobre o nosso actual (e suspenso) presidente.
Assim sendo, creio que para a grande maioria dos sócios que votarão pela destituição de Bruno de Carvalho, tal apenas fará sentido se posteriormente tiverem a oportunidade de escolher um novo presidente por via eleitoral. A grande questão que lhes estará de momento a pesar na cabeça é precisamente essa: a quem irão abrir a porta do clube no próximo dia 23, caso votem pela destituição? Nas AGs de Fevereiro e Março os sócios fizeram um raciocínio semelhante. Apesar de muitos não se reverem no timing ou no teor das alterações estatutárias pedias, acabaram por ceder a uma espécie de chantagem que o presidente fez, quando deparados com o "Bruno ou o caos". Aí as coisas precipitaram-se muito rapidamente e acredito que a oposição não tivesse tido tempo para se organizar. Já nesta crise directiva, se há coisa que a oposição não se poderá queixar é de falta de tempo. Desde 5 de Abril que a "crise" se tem estado a arrastar, apesar da precipitação de há um mês após o ataque a Alcochete.
E a 5 dias da AG decisiva de destituição, que oposição temos nós? Para já, muita parra e pouca uva. Tirando Francisco Varandas, que se assumiu logo com alternativa a Bruno de Carvalho, temos apenas muitas declarações de "notáveis", quase todas de circunstância, expressando vontade em participar numa alternativa a BdC mas sem as liderar. Ou como Rogério Alves, preferem jogar com as palavras e tentam esconder o jogo até - presumo eu - sair a decisão da AG destituitiva. Outros nomes que amiúde surgem também como possíveis candidatos da oposição, como Couceiro ou Benedito, estão neste momento remetidos a um silêncio que não parece indicar que se estejam a posicionar, para já, como possíveis candidatos. 
Se excluirmos Francisco Varandas, cujo anúncio de "disponibilidade" para se assumir como candidato se revelou precipitado e pouco preparado, a verdade é que neste momento apenas temos nuvens no nosso horizonte pós-Bruno de Carvalho. Rogério Alves agrada a alguns sportinguistas, mas parece-me evidente quem é que o apoiará numa putativa candidatura a presidente. E quanto a Couceiro, Benedito, até mesmo Varandas, ou outros que se venham a assumir, é uma incógnita que "Sporting" procurarão defender: se o regresso ao passado pré-Bruno, se a continuação das melhores políticas do actual CD, incluindo a reestruturação da SAD ou algo mais que agora não vislumbro.
Por fim, outro cenário que pode ocorrer dia 23 é o de "logo se vê, desde que se corra com o Bruno". Aqui, a única nuance, é saber se os sócios do Sporting atingiram já o tal estado de saturação com Bruno de Carvalho que, basicamente, se estejam já nas tintas para o que vier depois, desde que seja diferente. Sendo que aqui muito dificilmente terão nas eleições uma hipótese de assistirem a um contraditório entre BdC e a oposição, pois como já o disse, não acredito que permitam que BdC possa concorrer à reeleição. 
Como facilmente se percebe, até dia 23 pode acontecer muita coisa com implicações directas no resultado da AG de destituição. A oposição tem de correr atrás do tempo, mas parece-me que é quem tem mais a ganhar nos próximos dias, se apresentar uma boa alternativa a BdC. Não aparecendo essa tal "alternativa", resta saber até que ponto os sportinguistas estão fartos e dispostos a saltar para o desconhecido pós-Bruno.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Punhadela nas costas

Ontem os sportinguistas sofreram uma punhadela nas costas.
Todos nós que defendemos a atitude irrefelectida de Gelson quando por amizade com Rúben Semedo se auto-excluiu do clássico do Dragão. Quem cantava a música dos AC/DC cada vez que Bas Dost marcava um golo. Quem defendia "sir" William cada vez que rabolhos e andrades vinham com a conversa de que "Ah e tal, William a tartaruga" ou "o Danilo é melhor". Quem viu num jovem desconhecido acabado de chegar de Itália talento suficiente para ser nosso titular, enquanto comentadores e jornaleiros desportivos criticavam o valor excessivo pago por um jogador da Sampdória. Juntemos a história de um "frangueiro" sempre acarinhado em Alvalade e de um rapaz que jogava com as nossas cores desde os seus 10 anos. 
Soco no estômago, punhadela nas costas, tiro na cabeça... chamem-lhe de tudo. Certo é que ontem foi mais uma de muitas noites perdidas de sono, tal o sobressalto que o Sporting me prega nestes últimos tempos. Longe vão os tempos em que tal acontecia por um mau resultado, como o empate em Setúbal. Hoje acontece porque já não reconheço o meu clube. Não reconheço quem o dirige e quem o representa no relvado. Não reconheço porque não tiveram à altura da importância das decisões a ser tomadas. E porque cagaram de alto naquela que deveria ser a sua maior prioridade: os sportinguistas.
Romanticamente, apetecia-me mandar tudo para a valente p*ta que os pariu. O presidente, que insiste no seu exercício suicida de autismo e negação da realidade, sem a mínima capacidade de fazer uma simples gestão de danos. A direcção que o acompanha, que permite com o seu silêncio o caos onde o presidente se afunda. Os jogadores, que ainda há semanas diziam "ser Sporting" e davam voltas olímpicas ao estádio, que fogem do barco sem dizer um adeus a quem ontem lhes batia palmas. Mas a realidade não é assim. Há uma dinâmica de compromisso entre adeptos e clube que entretanto se esfumaçou. Há uma equipa que, com mais ou menos rescisões, precisa de alguém minimamente competente que a treine, sabendo que neste momento é mais fácil viver na Terra de Ninguém entre as Coreias do que treinar em Alvalade. E depois há um presidente e uma direcção que desperdiçaram nos últimos dias todo um capital de confiança acumulado desde 2013. Um presidente cuja única forma de "negociar" é pedir o tudo ou nada, nem que tal implique afundar um clube na incerta esperança que o consiga reerguer "à sua imagem". Mesmo o próprio universo de sportinguistas está hoje profundamente dividido e extremado no caminho que temos de percorrer. Leio com espanto e consternação os comentários que muitos publicam, onde se prontificam para seguir com o seu líder em toda a velocidade em direcção à parede. Muitos nem se coíbem de dizer que preferem o Sporting nas distritais a ter de jogar com "mercenários" no seu plantel. Não foi para fugir às distritais, para onde seriamos remetidos em caso de falência da SAD, que em 2013 votámos todos em Bruno de Carvalho?
Se quem ainda está no Sporting tem um mínimo de amor ao clube, por favor façam uma coisa simples como esta: devolvam a palavra aos sócios do Sporting. Sem rodriguinhos, segundas intenções ou outro tipo de subterfúgios sonsos. Deixem-nos a nós, sócios do Sporting, decidir. 
Devolvam o Sporting aos sócios.

sábado, 9 de junho de 2018

Sobre a providência cautelar

Depois de ter lido tanto tweet, post, comentário ou insulto sobre a providência cautelar de ontem, decidi pegar nela e lê-la com os meus próprios olhos. Não sou nenhum especialista em Direito (longe disso) mas sei ler e compreender textos em língua portuguesa. E basta isto para perceber o que o juíz quis dizer no seu despacho.

O que pede a providência cautelar

Ao contrário do muito que li por aí, esta providência cautelar não servia para pedir o reconhecimento de Jaime Marta Soares como (ainda) presidente da MAG ou para decidir se a AG de 23 de Junho deveria ou não realizar-se. O que JMS veio pedir ao tribunal foi só e apenas condições humanas, materiais, financeiras e de segurança para a realização da AG, as quais deveriam ser asseguradas pelo Conselho Directivo do Sporting, que estaria a boicotar a sua realização. 

Sobre a Assembleia Geral de 23 de Junho

Basicamente o Dr. Juíz reconheceu o requerente da providência cautelar, Jaime Marta Soares, bem como o órgão que este preside, como competente para convocar a dita AG, além de reconhecer a sua existência. É certo que não era sobre isto que a providência cautelar iria decidir, mas a premissa para a decisão final está lá. JMS "é" o presidente da MAG, esta MAG "é" competente para convocar a AG e a AG de 23 de Junho "é" legítima para o fim a que se destina.  
Já a decisão da providência cautelar, que, repito, não incidia sobre a legitimidade da MAG e AG convocada mas sim sobre a obrigação do CD facultar os meios necessários à MAG para a sua realização, foi no sentido de indeferir liminarmente o pedido de JMS. Tal foi justificado pelo juíz porque a) esta não é a forma de acautelar que a AG não se transforme num risco para a integridade física dos seus participantes e b) o que pede JMS não é mais do que o cumprimento das formalidades necessárias para a sua integral realização. A primeira justificação é um "lavar de mãos" do tribunal que chuta a questão da segurança da AG para o foro da manutenção da ordem pública. Já a segunda, que para mim é a mais interessante, o tribunal entende que sendo a AG legitima, o CD só tem de proceder como é da sua obrigação. 
Ora, como o requerido (o CD) não foi ouvido nesta decisão, objectivamente o tribunal não sabe, porque também não pode fazer futurologia, qual será a posição do CD na preparação e realização da AG. Quem lê os jornais e vê televisão obviamente que já constatou que o CD não irá dar nenhuma condição à MAG para realizar a AG de 23 de Junho. Mas aqui a Justiça limitou-se a ser "cega", e por muito absurda que possa ter sido a decisão do Juíz, ela foi a mais isenta possível.
Contudo, chamo a atenção de um aspecto importante que ainda não foi lembrado por nenhum sportinguista. O juiz, quando indefere a PC, descrimina ponto a ponto o requerido por JMS. Contudo ele não refere a alínea g) no indeferimento. Nesta alínea g), o requerente pede que o «REQUERIDO seja expressamente advertido de que incorre na pena do crime de desobediência qualificada todo aquele que infrinja a providência cautelar decretada, sem prejuízo das medidas adequadas à sua execução coerciva.». Ao não incluir esta alínea na sua decisão de indeferimento, o Juíz estaria a dar uma indirecta ao Conselho Directivo do Sporting?

O que vai mesmo acontecer a 23 de Junho

Apesar de não estar em causa a legitimidade da AG de 23 de Junho, esta na prática não irá ter meios para se realizar. Não acredito que a posição do CD se altere, pelo que a MAG não terá forma de assegurar coisas básicas como a lista de sócios actualmente com capacidade de voto numa AG. Sem essa "burocracia", a MAG não terá forma de conduzir os trabalhos, pelo que a AG terá de ser cancelada e adiada. 
Aqui, perante a recusa do CD cooperar, e atendendo ao alegado por JMS na alínea g) da providência cautelar, haverá matéria para outras instâncias judiciais actuarem. 
De qualquer forma, a crise directiva do Sporting está para durar. Veremos o que nos trazem os próximos episódios desta telenovela.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Desejos para os próximos dias

Já perdi a conta ao número de vezes que tentei fazer aqui futurologia, usando de raciocínio lógico e daquele velho optimismo que acha que "pior não pode ficar". Já dei por várias vezes o nosso actual presidente como demissionário, a crise como acabada e o clube novamente unido. Mas o Sporting tem essa velha peculariedade, de nos conseguir sempre surpreender mesmo quando achamos que já vimos de tudo no nosso clube.
Não sou jurista, mas apesar de saber ler português não vou arriscar dar aqui a minha opinião sobre o que dizem os estatutos. Basta uma volta pelas redes sociais para descobrirmos como é fácil criarem-se tremendas discussões em torno de questões tão simples como a legitimidade da Comissão Transitória da MAG. E como já estou farto de discussões inúteis que mais não servem do que justificar insultos a quem pensa diferente de nós, além de contribuir para o arrastar o nosso clube pela lama, recuso-me a entrar aqui por esse caminho.
Como em tempos escrevi por aqui, os tempos reclamam por serenidade e observação atenta ao que se vai passando em nosso redor. Por exemplo, fiquei feliz por saber que as autoridades deste país finalmente começaram a pegar nas pontas soltas do título conquistado pelo Estado Lampiânico em 2016. O jogo da Madeira foi vergonhoso, mas não foi o único. Esperem pelo jogo de Belém, por exemplo. Poderá Bruno de Carvalho arriscar-se a ser o presidente do Sporting que ganhou postumamente campeonatos? A ser comprovada a marosca lampiã, creio que será da mais elementar justiça. Mas se há algo neste país onde não podemos meter as mãos pelo fogo, é precisamente pela justiça. O "apito dourado" que o diga.
Voltando novamente ao Sporting, e sendo impossível vaticinar o que se irá passar nos próximos dias, não me resta outra alternativa senão cruzar os dedos e desejar com muita força que a actual crise directiva não faça mais mossa do que aquela que já fez. Por isso, na qualidade de sócio deste clube há mais de 30 anos, peço humildemente:
1) Que a AG de 23 de Junho decorra da forma mais ordeira possível, para que a decisão de destituir ou não o CD seja tomada de forma serena, consciente, democrática e livre de pressões;
2) Que o CD reconheça a legitimidade da AG convocada para dia 23 de junho, bem como o seu (único?) ponto de ordem. E que Bruno de Carvalho não tenha medo de (mais uma vez) se pôr nas mãos dos associados do Sporting Clube de Portugal;
3) Para que não aconteça o mesmo que aconteceu na AG de Março, onde um dos principais argumentos a favor do CD era "ou o Bruno ou a croquetada", que surja uma alternativa coerente, conciliadora, dinâmica e capaz de a) não negar o estado caótico do clube e da SAD em 2013, b) reconhecer o mérito das direcções de Bruno de Carvalho na reconstrução financeira do clube, c) manter intacta a capacidade agregadora dos adeptos em torno do clube, manifestado no aumento recente da média de assistências em Alvalade, bem como do número de sócios, d) seja distante das direcções anteriores a 2013, bem como de outras personalidades que pairava em torno dessas mesmas direcções, e) leve por diante a reestruturação da SAD já alinhavada pelo actual CD, nomeadamente o aumento da participação do clube na SAD;
4) Que os sportinguistas não rotulem todos aqueles que actualmente criticam Bruno de Carvalho com o genérico "croquete" ou "croquetada". Peço desculpa, mas este blogue não é o Camarote Leonino ou o Dia de Clube, como o Daniel Oliveira não é o Pedro Madeira Rodrigues, o Sousa Cintra não é o Soares Franco, o Dias Ferreira não é o João Pedro Rodrigues ou o Eduardo Barroso também não é como o Abrantes Mendes. Uma das razões pela qual ainda não surgiu uma alternativa a Bruno de Carvalho fora da redoma "Ricciardi & Rogério Alves" deve-se precisamente a isso, a meterem no mesmo saco coisas que são muito diferentes;
5) Por fim, um desejo que o dia 23 de Junho não seja o fim mas sim o inicio de uma nova página deste centenário clube, com ou sem Bruno de Carvalho. É que nesse dia faltará pouco mais de um mês para começar a nova época e eu, todos nós, queremos muito que esta decorra da melhor forma possível.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Capitulação

Estava à espera que as notícias dos últimos dias relacionadas com o benfica desviassem definitivamente o foco mediático do nosso clube para outras paragens. Não que a nossa situação não continuasse a ser desesperante, mas sim porque outros escândalos mais gravosos mereceriam melhores atenções. Mas como tem sido costume, quando pensávamos que íamos assistir de "cadeirinha" a mais um escândalo criminal do nosso rival, eis que nova bomba cai em Alvalade. E que bomba!
O que ainda dava alguma margem de manobra a Bruno de Carvalho para conseguir aguentar o barco até, pelo menos, o inicio da próxima época, era precisamente a expectativa desta ser iniciada com a maior tranquilidade possível (ou melhor dizendo, com a menor intranquilidade possível). Comprava-se quem se tinha de comprar e vendia-se quem se tinha de vender. O treinador, fosse ele quem fosse, deveria começar os primeiros jogos oficiais apenas com quem quisesse verdadeiramente continuar a vestir as nossas cores. E a questão directiva arrumar-se-ia logo que possível. Os tempos previam-se agitados, pelo que era necessário muita calma, serenidade e foco no essencial: os supremos interesses do Sporting Clube de Portugal.
Ora, ao rescindir unilateralmente, Rui Patrício abriu a caixa de Pandora que todos nós temíamos que fosse aberta. Era a impossibilidade de tal ser feito que ainda colava a Bruno de Carvalho alguma réstia de esperança que fosse ele a solução para os nossos problemas. A partir de agora, é impossível prever com exactidão o que acontecerá nos próximos dias. Mais alguém se juntará ao Rui e ao Podence? E serão jogadores nucleares ou marginais? E como ficará o plantel para atacar 2018/19?
Não vou agora tecer considerações sobre a moralidade ou a ética desta tomada de posição de dois jogadores que são "da casa". Não vou igualmente opinar sobre a oportunidade com que estas coisas caiem sobre nós, dando sempre a ideia que é para esconder coisas piores noutras casas. Não o vou fazer porque estou farto, farto, fartinho, de crises, de comunicados, de birras, de meninos mimados, de dirigentes desportivos autistas... farto de não ser respeitado enquanto sócio e adepto do Sporting. Só queria fechar os olhos e esquecer os últimos dias e acordar no dia seguinte, pensando que tudo não passou de um pesadelo. Enquanto carpia todas estas mágoas, escutava a sessão de esclarecimento que o nosso presidente dava hoje em Santa Maria da Feira. E ouvi algo que me chamou a atenção. 
Durante a dita sessão, quando comentava o fracasso da venda de Rui Patrício, Bruno de Carvalho disse algo como isto, que seria fácil resolver tudo com os jogadores, bastando ceder ao poder dos empresários e enveredar pelo caminho das luvas e comissões. Só que esse caminho não o iria trilhar por uma questão de princípio e de amor ao clube.
O que é trágico em tudo isto que tem afectado o nosso clube, é que já não se trata de uma questão de quem é o bom ou o mau da fita, quem tem ou não tem razão e de que lado está ou não a moral. Neste momento o nosso clube está a ser completamente engolido por uma enxurrada de acontecimentos que vão desde uma invasão a um treino, um clube com órgãos demissionários em auto-gestão, a rescisão unilateral do capitão de equipa, os movimentos de bastidores de investidores-chave da SAD, da contra-informação lampiânica, bem como da incapacidade de Bruno de Carvalho lidar fria e adequadamente com tudo isto. E é preciso que deixemos de negar o óbvio, que não conseguimos estancar a enxurrada. Bruno de Carvalho já não o consegue. Estamos fartos e cansados. E por muita razão que tenhamos, não vejo outra alternativa senão capitular diante a crua realidade dos factos.
Por muita razão e moral que assistia à França, ela não deixou de capitular diante a invasão nazi de 1941. Por muito certos que estivéssemos em 1807, não tivemos outro remédio senão capitularmos diante as tropas invasoras de Napoleão. Por muitos bons motivos que nos poderiam assistir, em 1581 não pudemos evitar que Filipe II de Espanha tomasse a coroa portuguesa. Estes e outros exemplos da nossa História ensinam-nos os vencedores não são os que tem mais razão, mas sim os que tem mais força. E neste momento, por muita razão que Bruno de Carvalho possa arrogar de ter, já não tem força para alterar o rumo dos acontecimentos. Sobra-lhe (sobra-nos) uma capitulação honrosa.
Sinto muito se estas minhas palavras soam a fraqueza ou até traição. Não são mais do que palavras de um sportinguista cansado. E farto.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Depois da tempestade, a bonança

Depois do furacão da semama passada, eis que começou a soprar sobre Alvalade uma amena brisa de bonança. Não houve a tão temida debandada de jogadores (salvo os que vão jogar o Mundial) e a próxima pré-época começou a ser calendarizada, dando um sinal de que o mundo continua pulando e girando como sempre.
Com Raphinha já garantido, com Rui Patrício a caminho de Itália para a mais que esperada transferência para o Nápoles, resta começar a arrumar internamente uma casa que se desfez em cacos nos últimos dias. Espera-se nos próximos dias uma definição do futuro de Jorge Jesus no Sporting, que pessoalmente acredito que passará pela sua transferência. Quando à saída litigiosa de jogadores, além das diversas opiniões jurídicas que invariavelmente desaguam na ideia de que tal é forçado e até prejudicial para os atletas, além de ainda não se terem verificado, assistimos espantados à notícia da possível renovação do empréstimo de Fábio Coentrão ao Sporting. Se esta notícia se confirmasse, matávamos dois coelhos com uma só cajadada. Não só calávamos as vozes que teimam em vender a ideia de que nenhum jogador quer continuar em Alvalade, como também as vozes que imputam ao caxineiro a origem da instigação de revolta no plantel sportinguista. Como em tantas outras paragonas que surgiram nestes dias, também esta merece que seja digerida com a devida precaução, tal é a falta de acerto da comunicação social nos temas que dizem respeito ao nosso clube.
Gosto deste clima de paz no Sporting. Ainda estamos muito longe de uma "reconciliação", mas registo o facto das entidades envolvidas terem finalmente demonstrado maior respeito pelo Sporting, preferindo dar tempo à actual direcção para organizar minimamente a próxima época. A reunião prevista para quinta-feira pode nem sequer ser decisiva, isto se continuarem pendentes alguns dossies de resolução urgente: falo obviamente da questão do treinador para a próxima época, mas também do avanço da restruturação da nossa dívida. A entrada directa na Liga Europa aliviou o nosso calendário, pelo que temos de aproveitar esse balão de oxigénio para prepararmos a equipa e não para continuarmos a guerra civil entre sportinguistas. Primeiro o Sporting, dar condições à equipa de futebol para fazer uma pré-época concentrada no plano desportivo e um inicio de temporada com o pé direito. Depois sim, avancemos então para a questão directiva.

domingo, 20 de maio de 2018

Desolação final e os tempos difíceis que aí vem

Hoje seria a derradeira oportunidade para levarmos algo de positivo desta época, mas os acontecimentos dos últimos dias tornaram esse aspecto irrelevante. A derrota de hoje é o corolário de um desabamento que começou há duas semanas em Alvalade, quando ainda tínhamos algumas aspirações a acabar positivamente a temporada. É um final de época parecido com o de José Peseiro em 2005. Se bem que aqui com consequências mais gravosas.
O balanço de 2017/2018 é necessariamente negativo. A época começou tremida, mas a certa altura pareceu que tínhamos um plantel capaz de bater-se até ao fim nas quatro frentes em que jogávamos, com boas exibições pelo meio. Um empate em Setúbal e uma derrota no Estoril deixaram-nos prematuramente fora da luta pelo campeonato. A conquista da taça da Liga foi um feito importante, até porque foi a primeira vez que ganhámos esse troféu, mas foi muito pouco. Perder o segundo lugar e a taça de Portugal da forma como se perdeu, é imperdoável para uma equipa que até meio da época tinha aspirações a ser campeã.
O modelo de Jorge Jesus esgotou-se completamente em Alvalade. Hoje voltou a cometer os mesmos equívocos dos últimos jogos, lançando em jogo um William completamente sem ritmo nem cabeça para competir nesta fase da época. Fábio Coentrão arrastou-se em campo praticamente desde o início da partida. A perder, não queimámos a última substituição para, sei lá, lançar mais uma torre para o chuveirinho final. Uma supertaça e uma taça da liga em três épocas é muito pouco para um treinador que chegou ao Sporting com os pergaminhos que JJ trazia. Cada vez mais é evidente que sem o "Estado Lampiânico", JJ é a versão "made in Amadora" de José Peseiro.
Para alguns jogadores também chegou ao fim o seu tempo. Seja porque foram empurrados para a porta da saída, seja porque eles mesmos se alhearam do clube, é tempo de dizermos adeus a jogadores como Rui Patrício ou William. Aqui só espero que ambas as entidades (jogadores, agentes e clube) mantenham a dignidade até ao fim e evitem a vergonha de arrastar pela rua um processo litigioso. E que os sportinguistas lhes prestem a homenagem que creio que lhes é merecida.
Bruno de Carvalho também terá de tirar as devidas ilações de tudo o que se passou nos últimos dias. A sua falha de liderança atingiu o cúmulo do ridículo de o clube não ter estado hoje representado oficialmente na tribuna. Pelo que disse ontem, parece que o presidente levará às últimas consequências a sua saída do Sporting, que passa por enfrentar os sócios em AG. É a continuação da guerra civil entre sportinguistas.
Adivinham-se tempos conturbados em Alvalade nas próximas semanas. Isto tudo quando se deveria começar a preparar uma época que deveria ser de reset, com uma nova equipa técnica e de renovação do plantel. Com um presidente a dirigir o clube a partir de uma trincheira, sem team manager, com um treinador que agora não saberemos se sai ou não, com jogadores que não saberemos se vão rescindir com o Sporting ou não, com a comunicação social diariamente a meter carvão... 
Só peço uma coisa a quem ficar. Que a próxima temporada seja preparada e iniciada com o mínimo de dignidade que esta instituição centenária, os seus sócios e simpatizantes merecem. E que não se esqueçam que em primeiro lugar estão sempre os interesses do Sporting Clube de Portugal.