quinta-feira, 22 de junho de 2017

Tâmaras do Estado Lampiânico

Uma coisa é dizer aquilo que achamos ser assim. Outra coisa é dizermos o que realmente é. E quando aquilo que achamos se vai confirmando, o nosso ego sente-se mais elevado. Hoje, eu e mais uns quanto sportinguistas, estamos assim, de ego bem levantado.
Em primeiro lugar, o aperitivo: o nosso pavilhão. Falha incrível na construção do novo estádio, não se ter logo previsto a construção de uma casa para as nossas modalidades de pavilhão, devido a situações que todos sabemos quais foram e que por isso não irei perder tempo a enumerar. Com 13 anos de atraso foi finalmente suprimido este colossal erro, bem como o outro erro menor, aquele de deixar esquecida e a ganhar pó a estátua do leão, finalmente exposta num lugar digno.
Depois veio a refeição, estragada pelo meio com uma derrota no futsal. O prato principal, servido pelo porto canal, revela-nos mais um pouco sobre onde chegou o polvo. SMSs do presidente da FPF interceptadas e guardadas por alguém a mando do presidente da assembleia geral da Liga, para posterior envio a Pedro Guerra. O segundo prato parecia suculento, versando sobre a arte de bem fazer pressão sobre o conselho de disciplina. Mas a vista do prato foi muito melhor que o seu sabor insosso, não saindo daqui nada de espetacular face ao que já foi revelado. E ao que falta revelar.
Por fim, não há jantar que não acabe numa bela sobremesa. Como estamos às portas do verão, o que sabe mesmo bem é fruta, para não perdermos a linha antes de ir à praia. E que fruta nos saiu ontem! Uma fruta especialmente confeccionada pelo Estado Lampiânico, fazendo jus às suas origens no deserto, onde o Kadhafi dos pneus fez a sua primeira fortuna. Nada mais, nada menos que umas deliciosas, suculentas, vermelhas e doces tâmaras! E que tãmaras são essas? Pois bem, relatos minuciosos sobre a vida íntima dos árbitros, alguns até apimentados com fotografias da amante. E se achamos que essas tãmaras sabem a pouco, parece que por 400 euros podemos comer mais algumas...
O que foi revelado ontem demonstra que a tese do lume brando continua a ser seguida por Francico J. Marques. Todas as semanas vai saindo mais qualquer coisa, mais grave que na anterior, como que levantando o véu um pouquinho mais de cada vez. Neste momento não há lampião que não trema como varas verdes cada vez que é anunciado mais um episódio das conversas de FJM. E não há sportinguista que não se ria com o que vai sendo revelado, principalmente quando nos lembramos daquele vizinho lampião que no elevador atira-nos sempre com aquela "Ah e tal, quando o Bruno sair de lá vão ver que é pior que o Vale e Azevedo!".
Que o EL tem o futebol todo na mão, não era surpresa nenhuma. Mas sinceramente que não esperava ver o EL utilizar as mesmas armas usadas pelo Sistema. Pensei que putaria e chantagem já estava fora de moda, primeiro pela diferenciação que o EL queria fazer, segundo pelos próprios árbitros, que pensei terem ficado escaldados após a fruta e o café com leite. Por um lado era fácil de mais, mas por outro lado é de uma eficácia terrível. É a melhor forma de ter ascendente sobre alguém, usar episódios da vida íntima como forma de chantagem. A simplicidade como estas coisas são feitas continua a surpreender-me.
E o mundo jornalístico, como fica? O que foi ontem divulgado é demasiado grave para continuarmos a ouvir desculpas como as escutadas nas últimas semanas. Actualmente a coisa já não está se o e-mail queria dizer isto ou aquilo. Foram feitas acusações muito sérias e gravíssimas, algumas roçando o crime. A ser verdade que foram interceptadas as mensagens de Fernando Gomes, que um clube espia e tem ficheiros detalhados sobre a vida privada de árbitros, bem como pagará umas tâmaras a quem lhe consiga servir os interesses, estamos perante um caso de adulteração de resultados desportivos ao nível do Apito Dourado. Quer-me parecer que as revelações continuarão a surgir nas próximas semanas, pelo que é expectável que a gravidade do Apito Abençoado ultrapasse a do Dourado.
Enquanto aguardo o próximo número de contorcionismo que o Al-Carnidão divulgará pelos seus fieis Ayatolas, deixo-vos esta curiosidade: hoje ainda não escutei conversas sobre futebol na rua, nos transportes públicos, no café ou no trabalho. Impera um silêncio confrangedor, intercalado por rostos preocupados e sôfregos. O que é revelador.

terça-feira, 20 de junho de 2017

A construção do próximo plantel e o novo director desportivo

Enquanto o Dr. Varandas vai esperando pelos resultados finais dos testes médicos ao Fábio Coentrão, vou fazer um apanhado ao actual estado de preparação do nosso plantel principal.
Com a chegada de Coentrão, creio que o lado esquerdo da nossa defesa fica fechado. Não é previsível que venha mais algum jogador, pelo menos daqueles de renome, para ocupar a posição. A não ser que Fábio Coentrão tenha uma recaída até final do mês ou que durante a primeira volta se revele a sua "markovicção", o lado esquerdo ficará a ele entregue, com Marvin à espreita. Duvido que nesse cenário Jonathan fique, pelo que o seu futuro será provavelmente um retorno à Argentina.
Na zona central falta o 4.º central para fechar o sector. Mathieu ou Dória são os principais candidatos, para uma vaga que certamente se abrirá com a saída de Douglas ou Paulo Oliveira. No lado direito da defesa residem as minhas dúvidas. Não acho Schelotto jogador para o Sporting e tenho dúvidas da utilidade de Picinni. Preferia um nome mais sonante (e mais caro) mas aqui terei de esperar para ver. 
No meio-campo residem neste momento as nossas maiores dúvidas. Desde logo porque os nossos jogadores mais apetecíveis jogam aí. Não me parece possível que William e Adrien continuem no nosso plantel. O primeiro tem admiradores em Inglaterra dispostos a perder a cabeça para o contratar, o segundo chegou àquela idade limite para fazer o contrato da sua vida. Gostaria que Adrien continuasse no Sporting como capitão, mas reconheço que o jogador também tenha as suas expectativas de ir para um campeonato mais competitivo. E Inglaterra é uma perdição. Para os seus lugares existem algumas alternativas interessantes. Bataglia parece-me mais indicado para substituir Adrien, mas também pode dar um bom trinco. Matheus Oliveira é uma incógnita, pois também tenho aqui dúvidas de que consiga se impôr numa equipa em luta pelo campeonato. Bruno Fernandes, que hoje foi referido como estando a caminho do Sporting, é um jogador que me agrada. Teve um percurso interessante em Itália, está a dar nas vistas no europeu sub-21 e tem muita margem de progressão. Apesar do preço algo elevado para um jogador de 22 anos (fala-se em 9 M€), penso que será uma boa aquisição tendo em vista uma possível saída de Adrien. Só com o cenário da saída do capitão é que concebo o cenário de contratarmos um jogador por 9 M€, pois com esse preço tem de ser titular de caras. Palhinha e Geraldes deverão continuar no plantel mas não acredito que consigam ser titulares. Mais o segundo que o primeiro, continuarão a evoluir na equipa principal com chamadas cirúrgicas à equipa principal, podendo ser usados em rotação com os jogadores titulares.
Nas alas, continuamos à procura de um companheiro para Gelson Martins. Iuri Medeiros será uma boa alternativa mas dúvido que fiquemos por aqui. Certamente que iremos buscar mais alguém para esta posição, muito provavelmente à América do Sul. Pity Martinez é o nome que mais me entusiasma, mas também é o mais caro (cerca de 15 M€). Depois da novela Coentrão, aposto que a próxima novela se desenrolará em torno no próximo ala da equipa. E veremos se não teremos de ir buscar mais um ala, pois Gelson Martins também está a ser cobiçado lá fora.
Na frente de ataque, mantendo-se como se prevê Bas Dost, subindo Gelson Dala à equipa principal e com a recuperação de Spalvis, pergunto-me se precisamos de investir nesta posição. Salvo uma pré-época desastrosa do jovem angolano ou uma inadaptabilidade gritante de Spalvis, os três poderão ser suficientes para o nosso ataque. Juntemos também Leonardo Ruiz, que na B mostrou serviço, bem como Ronaldo Tavares, uma das esperanças da nossa academia. Depois dos barretes André balada, Castagnos e Teo Gloria-a-Dios Gutierrez, espero que haja bom senso da nossa direcção para não andarmos a esbanjar euros em jogadores sem classe ou qualidade para essa zona do terreno.
Na baliza Rui Patrício e Beto chegam para as encomendas. Caso o nosso Rui sair, o que também é provavel, via com bons olhos a contratação de Miguel Silva ao Vitória de Guimarães. É jovem, tem potencial e qualidade suficiente para singrar cá dentro. Já lá fora...
Por fim a posição não menos importante de director desportivo. Com a saída de Octávio Machado abre-se a porta para uma das posições mais importantes do nosso futebol, precisamente o elo de ligação entre a equipa técnica e a direcção. A experiência com Octávio não foi má, mas também não foi propriamente positiva. Pelo menos não acrescentou nada de especial ao clube. Foi mais uma voz a falar, não tendo sido capaz de resguardar JJ nem BdC. A pessoa ideal para esse lugar, além de ter de perceber de futebol e capacidade para mobilizar e blindar o balneário, também ter de ser alguém capaz de superar os egos do treinador e presidente do Sporting. E tem que ser um grande sportinguista. Oceano, Beto, Manuel Fernandes, Fernando Mendes, Paulo Bento, etc., são nomes elegíveis para esse lugar, mas que não possuem todos os atributos que referi atrás. Será Bruno de Carvalho capaz de encontrar aqui a última coca-cola do deserto?

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Desmascarar a cartilha

Decidi escrever este texto antes da reacção oficial do Estado Lampiânico ao assunto dos e-mails, pois acredito que dali não há nada a esperar. Muito provavelmente vão debitar uma série de insinuações, mãos cheias de areia para os nossos olhos, e quase que aposto que o grande alvo visado será o nosso presidente. Porquê? Porque é a única forma - desesperada - que terão para tentar afastar os holofotes mediáticos, sabendo-se de antemão a apetência que a comunicação social tem em malhar no Bruno. A nossa sorte é que terça-feira é já daqui a 4 dias...
Entretanto o Estado Lampiânico lá começou a reagir no seu modo oficioso, através de jornalistas "isentos" e seus paineleiros. Aqui a cartilha manda que se diga que afinal tudo o que pediram ao benfica, nada foi conseguido. A nota de Manuel Mota, o filho do Adão, a carreira do querido. Tudo afinal teria ficado como estava. Os e-mails trocados, a forma "carinhosa" como os intervenientes se tratavam entre si, a veneração ao Senhor Primeiro-Ministro... não passou afinal de uma enorme cabala que montaram ao glorioso.
Choca-me ver programas seguidos sobre futebol onde os tais isentos tentem, com uma tal desespero que até dá pena, desmistificar, desenganar, desmontar o que não pode ser desmistificado, desenganado e desmontado. Eu, fervoroso sportinguista, cuja grande alegria seria ver o glorioso a jogar contra o Sporting B, vejo isto tudo de um modo mais sóbrio que essa malta toda avençada e encartilhada. Neste momento entendo que só se levantou a ponta do véu. Para já ainda só vimos o tornozelo e o ombro da donzela, falta ainda ver as ancas, as coxas e o peito. Espero que algo mais grave ainda seja anunciado numa destas terças-feiras, mas por enquanto o que temos é só para nos salivar. Mas temos. Qualquer pessoa minimamente isenta olharia para o que foi transmitido no Porto Canal e diria qualquer coisa como "Ok, vamos ver o resto então" ou "O que saiu é grave mas ainda é insuficiente, será que vem mais?". Mas não. A compilação que o Mestre de Cerimónias publicou (link1, link2, link3) no seu blog é o de umas tristes criaturas desesperadas a escavar o alcatrão com as unhas à espera de fazerem um buraco para se esconderem. Repito, não deviam condenar logo o benfica por o que foi divulgado, mas é de uma tamanha desfaçatez a campanha de branqueamento e desculpabilização que estão a fazer ao clube do povo.
Caso as pessoas não se lembrem, o Apito Dourado surgiu na mesma época em que o porto foi campeão europeu. Não vi nenhum jornalista dizer, por exemplo, que é absurdo pensar que o clube campeão europeu precisaria de pagar prostitutas a árbitros para ser campeão de Portugal. A célebre visita de Jacinto Paixão a casa de Pinto da Costa deu-se na véspera de um jogo de futebol onde o porto já era virtual campeão, pelo que, usando os argumentos da cartilha, tal não configuraria nenhum comportamento anormal.
Errado!
O porto, mesmo jogando mais e melhor cá dentro e lá fora, se aliciou árbitros com prostitutas, fruta da mercearia, talões de combustível do Pingo Doce ou vouchers, deveria ser condenado!
Se Jacinto Paixão pediu algum favor a Pinto da Costa, mesmo que daí não tenha havido benefício para o porto, também deveria ser condenado!
Como também deverá ser condenado o benfica caso se prove que o teor dos e-mails configura tráfico de influências ou outra ilicitude qualquer,
Como deveria ser condenado no caso dos vouchers, pois uma refeição voucher tem o mesmo valor do que uma prostituta, ou até mais valor, caso o corrompido seja celibatário.
Como Pedro Pereira Cristóvão foi condenado e bem por denúncia caluniosa e não por corrupção desportiva, como certos idiotas sugerem.
Porque em primeiro estão os princípios que regem uma sociedade moderna e o desporto em particular: o princípio da legalidade, da honestidade, da rectidão, da integridade, da honradez e da decência.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Senhoras e senhores, eis o Estado Lampiânico.

Conheces aquele gajo que declara ganhar o ordenado mínimo mas depois anda de BMW topo de gama, passa férias em Cancún e ri-se de ti por seres otário e pagares os teus impostos todos? E aquela gaja que está a receber o subsídio de desemprego, compra malas da Louis Vitton, usa o último modelo do Iphone e ainda se gaba de ser a chica-esperta do bairro? Ou aquele pintas, que é casado mas come o mulherio todo lá da rua, que quando lhe chamam a atenção para a conduta ainda goza e diz com orgulho que é muita macho e o que elas querem é...?
Todos nós conhecemos alguém assim. Pessoas que vivem do esquema, da intrujice, do engano ao próximo, mas quando enfrentadas pela conduta anti-social que levam, ainda fazem orgulho daquilo que são, pois são eles os espertos, os furas-vidas, os sobreviventes. Os outros são os otários, os burros, os degraus para subirmos mais uma escada na vida, de quem nos rimos porque foram mais uma vez comidos.
Não vou fazer aqui nenhum tratado sobre a sociedade portuguesa, pois é demais conhecida a tendência tuga para a marosca do que para a regra. Os tempos hoje estão diferentes, as novas gerações já estão mais vacinadas contra esse tipo de conduta, mas mesmo assim é vê-los por aí, os fura-vidas à cata de mais outro plano para "comer" uns papalvos, acabando o dia lá no café do bairro a gabarem-se de como são muita bons.
Claro que o clube do povo acaba por reflectir um pouco desta cagança à portuguesa. Principalmente quando à sua frente estão pessoas que foram subindo na vida um pouco mais à custa de passar a perna aos otários do que em trabalhar mais que os outros. Não me surpreende por isso ver o canal oficial desse clube fazer publicidade ao colinho, com o bebé Julio a chorar ao colo da mãe, ou os outros dois que não deviam ser inácios. Nem também a ideia de fazer cachecóis com a mensagem "A culpa é do...". Não, nada disso. Da mesma forma que o mulherengo se gaba daquilo que faz, pois no final só dá mesmo às mulheres aquilo que elas querem ou que "estão a pedi-las", também aqui o lampião se limita a gabar-se da triste realidade, eles são muita bons, os outros são uns palermas e antis, logo há que gozar com eles à força toda. Até pelos meios oficiais.
E vem esta conversa toda por causa da proibição do cigarro electrónico na zona técnica, aprovada na assembleia da Liga de clubes da passada segunda-feira. O que aqui me choca não é o facto do benfica ter proposto esta alteração, quando havia tanta coisa mais importante para discutir, tais como as claques ilegais, os empréstimos aos clubes da I Liga, etc. É mais do mesmo, em linha com os inácios e os cachecóis. É o gozar, o escarnecer, o humilhar. É como se o mulherengo, no café, ainda gozasse com o gajo que lhe critica a conduta, chamando-o de mariconço e frouxo. Não, nada disso me choca na postura do actual benfica. Chocou-me mais ver os outros que estavam no café ouvirem tudo calados, sem dizer uma palavra, quiçá com medo sofrerem de bullying, enquanto outros apoiavam o mulherengo. E só um, naquele café que podia ser numa qualquer cidade deste país, se ter insurgido contra a miserável conduta do mulherengo.
Esqueçam a troca de e-mails do gajo de braga com o gordo da BTV ou o jurista da SAD lampiónica. Não vale a pena, esqueçam isso tudo. Ouçam o que eles dizem, que já estão 10 anos à nossa frente. E estão. Neste momento o Estado Lampiânico é aquilo que se viu na última segunda-feira. Um conjunto de clubes medrosos, acobardados e por omissão completamente submissos ao novo poder. Um outro conjunto de clubes, mais restrito, que lhes faz o trabalho sujo, que vota favoravelmente as suas absurdas propostas, apenas por vingança ou por um ou outro jogador emprestado. Vejam como foi possível aprovar-se esta coisa do cigarro electrónico. Vejam também o absurdo de calendário desportivo que foi parido para Agosto. Senhoras e senhores, eis o Estado Lampiânico.
2017/2018 vai ser uma época muito difícil. Teremos pela frente 34 jogos contra adversários que, na grande maioria dos encontros, vai dar tudo por tudo para nos tirar pontos. E vamos disputá-lo contra uma equipa que, muito provavelmente, poderá contar à partida com uns 30 pontos conquistados, só por serem quem são.
Preparem-se.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O Bode Expiatório

Enquanto o mundo gira à volta da "guerra surda" entre Irão e Arábia Saudita ou das eleições inglesas, cá pelo burgo vão-se erguendo as vozes sobre o assunto que está na ordem do dia: as missas cantadas na catedral da Luz.
O jornal A Bola continua feliz e contente a viver na sua própria dimensão, assobiando para o ar como se nada fosse. Impunha-se aqui um outro tipo de jornalismo, se não de investigação pelo menos de informação. O que foi dito no Porto Canal é demasiado grave para ser ignorado, por mais firmes que sejam as convicções dos editores do jornal. É como se um jornal generalista se desse ao luxo de ignorar, por exemplo, as últimas buscas da PJ nos escritórios da EDP e REN. É actualidade informativa, ponto. Não deixa de ser irónico, que num contexto de padres, missas e sacerdotes, com a catedral em pano de fundo, seja o jornal popularmente conhecido pela "Bíblia" a prestar-se a estas figuras. Tudo na paz do Senhor, portanto.
Da mesma forma que no caso dos "vouchers" tudo começou por um desmentido categórico, passando depois por um "todos fazem" ou "ninguém se deixa corromper por tal", até à definição final do limite máximo para as prendas, também aqui tem sido delicioso assistir ao contorcionismo levado a cabo pelos spin doctores do Estado Lampiânico. A fase do desmentido nem 24 horas durou, pois aquele comunicado envergonhado e o cancelamento da entrevista ao primeiro-ministro tresandavam a comprometimento. A fase do "todos fazem" circulou um pouco por aí durante o dia de ontem. Ele era a fruta, muito mais grave que as missas, ou então o Cardinal, pior do que ter sete árbitros ao seu serviço. O argumento de que "eu porto-me mal mas ele porta-se pior" já não pega. Especialmente quando este tem sido o único usado nestes últimos 4 anos onde os escândalos se vão sucedendo. 
Hoje acordei e verifiquei que a narrativa do Estado Lampiânico é agora a do bode expiatório. Afinal a culpa é toda do Pedro Guerra, que não tem categoria, nem dimensão, para assumir o protagonismo que tem em nome do benfica. Acordaram hoje e descobriram que é um ser asqueroso e é uma das fontes do mal-estar do nosso futebol. E vão tentando incutir-nos a ideia de que terá sido ele, sozinho, a tecer a teia que onde o futebol nacional está enredado. Ou, numa linguagem mais canónica, tenha sido ele o doutor da igreja que criou a "religião" onde os padres rezam e o primeiro-ministro reina. 
Tudo acabará com Pedro Guerra a partir para o Dubai, quiçá para os braços do Arcanjo Gabriel. E pensarão todos que assim, da mesma forma que se passa o esfregão para limpar a nódoa, também o nosso futebol ficará de cara lavada e imaculado, tudo dependendo do tamanho da nódoa a limpar.
Veremos que mais terá Francisco J. Marques para mostrar. Uma coisa é certa, por estes dias irá andar muita gente nervosa e a dormir mal. 
P.S.- E o que dizer das palavras de Rui Vitória ao jornal espanhol "Marca", sobre a adaptação dos seus jogadores ao video-árbitro??? Delicioso!

quarta-feira, 7 de junho de 2017

A amizade é muito linda

Dois dias depois da conversa em privado de BdC com os jornalistas ter visto a luz do dia, eis que ontem o Porto Canal revelou mais uma episódio negro do futebol português.
Escrevi aqui ontem sobre o timing desta gravação ter sido difundida. O defeso estava calmo para as nossas bandas, contratações de jogadores razoáveis a tempo de começar os trabalhos da pré-época, pouca agitação de saídas do nosso clube, sendo que a única até agora confirmada até é um bom negócio. JJ não saiu do Sporting e BdC vai preparando o seu casamento, depois da rábula da gala não ter, afinal, gerado uma vaga contestatária de fundo no nosso universo.
Era preciso ridicularizar novamente o nosso clube, seguindo aquela velha máxima de que o importante é falar dos outros. Nada de questionar a partilha absurda dos direitos económicos do Ederson, o voto do benfica contra o valor máximo das prendas aos árbitros ou a actual política lampiónica de comprar e emprestar por essa I Liga fora.
Como o seguro morreu de velho, vai de tentar encalacrar o Sporting e o seu presidente, que se põe sempre a jeito para estas coisas. E durante 48 horas o país futebolístico falou, analisou e lambuzou a puta da gala ou a estupidez daqueles que julgam ser possível ganhar campeonatos apenas com a formação. Não se falou de café com leite, fruta, ameaças, etc. Mas mesmo assim muitos acharam haver ali matéria para debates e mesas redondas. 
Era urgente aparecer algo por estes dias que "matasse" o assunto, mas quando o tema é malhar no Sporting, não há nada que nos valha. Não havia. Ontem o canal oficial do FCP fez-nos o favor de estoirar uma bomba. Não é uma bomba, bomba. É mais uma bombinha. É o abrir de uma cortina, o relatar do primeiro raio de luz que embateu na escuridão imensa onde o nosso futebol está mergulhado. Mas o caminho está mostrado e agora há que continuar a puxar a cortina, apontar os focos de luz, e denunciar aquilo que todos sabemos: que o Estado Lampiânico tomou conta dos meandros do desporto-rei nacional, que controla tudo e, mais importante, tem árbitros lacaios à sua disposição. Como li algures na Internet, afinal era espectável que na "catedral" houve "missas" e "sacerdotes". Só quem não percebe de "religião" é que se espanta com isto.
Desconheço se houve acção concertada dos gabinetes de comunicação do porto e Sporting ou se tudo não passou de uma grande coincidência. Mas o que é certo é que o anúncio de ontem levou, ou melhor, obrigou, a comunicação social a focar-se noutra coisa que não a "puta da gala". E o adiamento da entrevista de LFV à RTP também será isso, outra grande coincidência. E eu já tenho alguns anos suficientes para não acreditar em coincidências...

terça-feira, 6 de junho de 2017

Canalhas e toupeiras

Enquanto Battaglia, Coentrão e Rúben Semedo continuam envoltos em conversações, eis que a pré-época sportinguista foi surpreendida por uma mão cheia de... nada!
Existe aquela velha máxima de que o importante não é falar-se bem ou mal. O importante é que se fale. No caso de Bruno de Carvalho, a coisa é semelhante, com uma variante: o importante é que seja embaraçoso. De filhadaputice em filhadaputice, o Estado Lampiânico lá vai alimentando a sua cruzada contra o nosso presidente. Desde beijos na tribuna, até invertendo uma situação onde foi insultado em acusado de insultar (episódio família Pinho), tudo tem servido para alimentar aquela fogueira onde o nosso presidente tem vindo a ser lentamente cozinhado. E aqui não pega aquela desculpa tipicamente portuguesa, do "pôs-se a jeito". Não, porque aqui há matéria que ultrapassa e muito a falta de carácter e a canalhice de quem transmite e amplifica estes casos. Gravar à socapa uma conversa privada não é mais do que mais uma pedra nesse triste edifício que é a credibilidade dos nossos media. 
Para desgraça dos nossos detractores, o que foi gravado não é mais do que uma conversa de homens sobre alguns temas do desporto nacional, coisa que se houve num qualquer café de Portugal à segunda-feira de manhã. Não se ouviu falar em dar fruta ou café com leite, convites para o estádio, carimbos escondidos, puxões de orelhas pedagógicos, ou outro tipo de analogias futebolísticas portuguesas. A "p*ta da gala" é o que de mais embaraçoso se ouviu, mas atendendo à novela que se gerou em torno disso, essa parte da conversa até nem nos merece muita atenção. À falta de sumo para espremer, os detractores viraram-se para a forma como o áudio foi obtido. E em causa, como é óbvio, não está a forma imoral como tal foi conseguido, mas sim o amadorismo do nosso presidente, que consente em cair neste tipo de armadilhas. Como se os culpados da ignomínia que grassa pelo mundo fosse das vítimas e não dos gaviões que o circundam.
Eis como o Estado Lampiânico, sem casos para atacar o nosso clube pois a pré-época tem decorrido sem mácula para os nossos lados (contratações bem encaminhadas, focadas e sem telenovelas), arranja já um tema para queimar o Sporting na praça. 
Mais grave é a forma como o ofício relativo a Rúben Semedo foi divulgado. Aqui não estamos a falar de jornalistas desonestos, mas sim de pessoas da nossa própria casa. Depois das fugas para o football leaks, descobrimos afinal que ainda existem ratos e toupeiras no Edifício Visconde de Alvalade. E isto sim, é um motivo sério e que deveria preocupar todos os sportinguistas, a começar no nosso presidente.