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terça-feira, 17 de julho de 2018

Eleições 2018: Ponto de situação das candidaturas

Ando há vários dias a tentar escrever aqui um balanço das várias candidaturas que até hoje se apresentaram. Mas tal tarefa revela-se sempre infrutífera, pois todos os dias temos novidades que nos obrigam a refazer o plano que já tínhamos delineado. Por isso, enquanto Benedito não oficializa a sua candidatura e Bruno de Carvalho não responde a Elsa Judas, vou tentar fazer aqui um ponto de situação.
Neste momento temos sete (espero ter contado bem) candidatos anunciados, sendo que é expectável que em breve este número mude. Primeiro, porque ainda não sabemos se será autorizada a candidatura de Bruno de Carvalho e Carlos Vieira. Segundo, porque da mesma forma que em 2011 alguns candidatos lowprofile desistiram, também me parece pouco provável que outros nomes menos conhecidos arrisquem ir em frente até ao dia da votação. Aqui incluo Fernando Tavares Pereira, que arrisco dizer que será um ilustre desconhecido para a grande maioria dos sócios do Sporting, bem como Zeferino Boal que é o eterno candidato desistente. Depois há a eternamente anunciada candidatura de Benedito, cujo anuncio finalmente deverá ocorrer na quinta-feira.
Sobre a esperada candidatura de João Benedito, tenho alguma curiosidade em saber onde é que o ex-guarda-redes de futsal vai fazer vincar a diferença para outros candidatos, nomeadamente Frederico Varandas. Estas duas candidaturas vem de dentro ou seja, são de duas pessoas que há bem pouco tempo participavam de forma activa na vida do clube, sendo bastante acarinhadas até ao momento em que decidiram romper ou afastar-se de Bruno de Carvalho. Benedito entrou em rota de colisão com o ex-presidente em 2016 e chegou a ser visto como candidato a disputar as eleições de 2017 contra BdC. Varandas rompeu com BdC há pouco mais de um mês e numa fase onde o clube estava muito fragilizado com a invasão de Alcochete. Ao contrário de Benedito, o timing escolhido por Varandas para romper com a direcção não foi propriamente feliz, tonando praticamente impossível de descolar o rótulo de oportunista à postura do médico. De resto, a postura de Benedito ao longo dos últimos dois anos foi sóbria. Não aderiu à moda de criticar a torto e a direito BdC antes do acto eleitoral de 2017, ao contrário da maioria dos seus críticos. Pelo contrário, preferiu manter a distância do então presidente, mas sem perder a postura. A decisão de não avançar em 2017 pode ser vista como cínica, mas também revelou realismo, pois reconheceu ser impossível destronar Bruno de Carvalho no auge da sua popularidade. Mesmo quando se tornou fácil bater em Bruno de Carvalho, Benedito preferiu resguardar a sua imagem, criticando o indispensável.
Varandas tem a grande vantagem de ter partido na frente e da sua candidatura já levar algumas semanas de avanço face a Benedito. Mas parece-me que tem vindo a perder o elãn inicialmente criado à sua volta. O destaque que a sua candidatura deu a figuras do croquetismo, desperta bastantes dúvidas e receios nos sportinguistas. Depois, a denotada impreparação do médico também não tem ajudado à sua afirmação. Varandas está longe de ser um orador arrebatador, o seu discurso é muito mastigado e a gaffe da secção de Padel é arrepiante. Quanto a Benedito, arrancando nesta altura onde Varandas começa a ganhar desgaste e tornando-se evidente que Bruno e Vieira serão impedidos de se candidatar, até que ponto não irá capitalizar os votos dos antigos apoiantes do CD deposto ou dos desiludidos com Varandas? Vamos esperar pelos seu programa, pelos seus projectos, pela sua equipa, para então sim, sabermos se esta candidatura tem hipóteses para se destacar das restantes.
Quanto às candidaturas de Pedro Madeira Rodrigues e Dias Ferreira, são regressos de figuras já conhecidas do universo sportinguista, sem grandes novidades do que já sabíamos. Pedro Madeira Rodrigues continua no seu registo pedante de "somos muita bons" e "temos uma granda equipa". Ranieri é um trunfo, apesar de me parecer algo extemporâneo. Se por acaso Peseiro fizer um excelente arranque de época, inclusive com um resultado positivo na Luz, será justo despedi-lo para lá colocar Ranieri? Não que Ranieri não seja superior a Peseiro, mas também não me parece um nome tão forte como PMR quer fazer passar. Dias Ferreira, que pelos anos que aturou e enfrentou Rui Gomes da Silva e Paulo Garcia merece todo o respeito e reconhecimento dos sportinguistas, parece-me um nome já sem espaço no espectro eleitoral leonino. Demasiado queimado pelo episódio dos "charteres" do Futre, não consigo descortinar que espaço poderá ocupar nas próximas eleições. Não o  vejo capaz de ombrear contra a máquina que suporta Varandas nem contra o prestígio que Benedito traz consigo. Ao mesmo tempo não o vejo com capacidade para captar os eleitores brunistas, que sem dúvida acredito que prefiram um candidato mais novo e menos comprometido com o pré-2013.
Hoje, perante o panorama de candidatos, aposto numa corrida a 3 ou 4 candidatos, entre Varandas, Benedito, Pedro Madeira Rodrigues e Dias Ferreira (se eventualmente não desistir). Com Bruno de Carvalho e Carlos Vieira de fora da corrida, em qual destes candidatos votarão os 29% de sócios que estavam contra a destituição do anterior CD? Ou ainda aparecerá outra candidatura, completamente conotada com o brunismo?

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Os croquetes bolorentos ou o Campo Grande Football Clube do Séc. XXI

No dia do aniversário de Bruno de Carvalho, assinalado no meio de um turbilhão inusitadamente criado após uma AG de sócios, Rogério Casanova parabenizou o nosso presidente escrevendo o melhor texto que alguma vez se escreveu sobre o actual Sporting. A sua leitura é obrigatória para todos aqueles que esperam estar no dia 17 de fevereiro no pavilhão João Rocha, pois incita-nos a fazer uma introspecção sobre as convicções que temos sobre o nosso presidente e o Sporting, confrontando-as com a realidade possível. 
No que às minhas convicções diz respeito, Casanova adjetiva-as de "messianismo", face à impossibilidade de elas se concretizarem no mundo real. Realmente, ter "lady na mesa, uma louca na cama" é tão improvável como ocorrer aquela velha máxima portuguesa de "fazer sol na eira e chuva no nabal". Confesso que sempre tive uma atracção pelo messianismo, mais ainda pela sua particular manifestação tão portuguesa que é o sebastianismo. As quadras onde Bandarra suspirava pelo salvador Encoberto, as profecias do regresso de Dom Sebastião na manhã de nevoeiro, são histórias de um povo que sofre as amarguras do dia mas acredita num futuro melhor. E se há clube onde os seus adeptos melhor encarnam o "messianismo" sebastiânico ou outro, esse clube realmente só podia ser o Sporting. A crónica do Casanova lançou em mim este interrogação, se valerá a pena suspirar pelo futuro que há de vir, quando o presente está já aí. E por muito que seja o que nos inquieta hoje, muito mais há para saudar. 
Mas não é isso que me trouxe aqui hoje. Hoje vim aqui falar de croquetes. Não daqueles croquetes saborosos e estaladiços que a minha sogra faz, mas de croquetes velhos e bolorentos, que por estes dias nos têm tentado servir. Aqui há tempos, escrevia ainda umas crónicas para o Cherba no "Hoje escreves tu", fiz este texto sobre um comentário que li no camarote leonino. Estávamos em Novembro de 2015, tínhamos uma excelente equipa, íamos à frente na classificação e dias antes havíamos eliminado o benfica para a Taça de Portugal. Perante esse momento, que significava um ponto alto no Sporting dos últimos anos, o comentador "Nação Valente" proferiu um discurso onde se lamentava do estado do Sporting na altura, e concluiu dizendo que pela primeira vez não lhe soubera bem uma vitória do Sporting. Uma vitória sobre o benfica para a taça de Portugal, entenda-se. O tal "Nação Valente" tornou-se entretanto blogger do camarote, quiçá aproveitando a mudez do CityLion...
Mais de dois anos volvidos, descobrimos de repente que afinal há um conjunto de sportinguistas para os quais é mais importante quem gere o clube do que o próprio clube. Ele é a Pipinha do Show Nico, é o outro que foi entrevistado pelo Jogo... nada de importante, pois acredito que não passem de uma ínfima minoria. Mas a desfaçatez com que "sportinguistas" admitem em público preferirem a derrota do seu clube, causa-me arrepios na espinha. É que nada me garante que esta gente não esteja à frente do clube daqui a uns anos... ou meses.
Hoje confirmei também aquilo que já se anunciava há alguns dias, que Pedro Madeira Rodrigues não poderá ir à AG de 17FEV. Mas que exorta os opositores á actual direcção a ir. "Ide vós lá dar a cara e o corpinho às balas, que eu tenho mais que fazer". A atitude de Pedro Madeira Rodrigues não me surpreende, pois afinal esse foi o expediente a que os dirigentes do Sporting mais recorreram. Desde que Dias da Cunha desmascarou o Sistema e até chegar Bruno de Carvalho, as direcções do Sporting simplesmente fugiram sempre que se deparavam com problemas. Fugiram do Apito Dourado, fugiram das escutas onde o nosso Paulinho era enxovalhado, fugiram de fazer respeitar o Sporting nos meandros do futebol nacional, fugiu o Dias da Cunha, fugiu o Soares Franco assim que se desfez do património do clube, fugiu o Betencourt de férias para o Brasil quando a o clube estava a afundar-se, fugiram dos sócios, fugiram das responsabilidades... 
Rogério Casanova escreveu que no passado, à falta de vitórias, o Sporting apegou-se demasiado ao conforto da superioridade moral, pois se não podíamos ser os maiores, ao menos fôssemos os melhores. Concordo em parte. Acredito que a massa adepta encarnou esse espírito de "antes melhores que maiores". Mas não a "classe dirigente" e a "elite" que a rodeava. Esses não o faziam por qualquer tipo de conforto moral. Faziam-no porque simplesmente não queriam saber se ganhávamos, fosse bem ou melhor. Para essa "elite" o Sporting não era um clube desportivo, era uma associação de amigos, onde se comiam uns croquetes maravilhosos e bebiam uns bons whiskeys, e que nas horas vagas iam assistir a uns jogos. Por isso fugiam sempre que o assunto não era resolvido num buffet. Era uma espécie de "Campo Grande Football Clube" do século XXI. 
Ainda não sei o que farei no 17FEV, se cederei à chantagem do nosso presidente ou se ficarei à espera do regresso de Dom Sebastião. Enquanto não chega o "Desejado" na manhã de nevoeiro, nem nos é dado a conhecer o novo prato de croquetes que Bruno de Carvalho anunciou que iria aparecer nos próximos dias, uma coisa sei bem e tenho a certeza: não quero croquetes velhos e a saber a mofo. E não quero que o Sporting se transforme noutro "Campo Grande Football Clube". Com ou sem croquete.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Bruno e o Dom Quixote

Os últimos dias tem sido uma defecação.
Quando pensamos que o futebol português bateu no fundo, eis que a realidade nos continua a surpreender. Continuam as lutas de bastidores entre Estado Lampiânico e Sistema, cada um chafurdando com mais avinco na podridão do nosso futebol. Qualquer adepto minimamente atento às notícias desportivas percebe a luta titânica em curso. São e-mails, cartilhas, diagramas, conversas, entrevistas. Tudo tresanda a putrefacção. 
Do Estado Lampiânico muito escrevi aqui, a que se juntaram outras tantas histórias entretanto descobertas e relatadas pela revista Sábado. O Piriquito, qual espécie voadora armada em ave de grande porte, transmitia dados financeiros sobre os clubes rivais do benfica aos seus amigos Pedro Guerra e André Ventura, enfatizando os temas que estes deveriam explorar nos seus programas de tortura com que nos vão brindando na televisão. Queixou-se o piriquito que nada daquilo era confidencial, mas por algum motivo ganhou vergonha na cara e pediu para sair. Usar a sua posição de acesso previlegiado à informação para "cuscuvilhar" a vida de outros clubes, pode não ser ilegal. Mas de certeza que não é ético. Hoje sabemos de onde é que Pedro Guerra foi buscar algumas das suas "informações" sobre as contas do Sporting, por exemplo. E sendo Pedro Guerra um mestre na arte de "rumorizar", nem quero imaginar que mais fontes e lacaios terá espalhado por esses gabinetes fora. Pedro Guerra, por muito que o queiram esconder, é mais do que um blogger ou paineleiro da nossa praça. É um funcionário do benfica. E um funcionário que tem utilizado reiteradamente esquemas sem ética para prejudicar a imagem dos adversários do benfica. Alguns dos quais ilegais. E criminais. Adiante.
Do lado do Sistema, é caso para dizer que a "besta" acordou. O que A BTV divulgou ontem sobre apitos dourados, braços armados e braços civis, não é novidade nenhuma. A única novidade foi como o Sistema se deixou ultrapassar nestes últimos anos pelos Talibans de Carnide. Longe vão os tempos em que benfica e porto iam de braço dado até à liga para escolher Luis Duque, ex-dirigente do Sporting contrário à actual direcção do clube, presidente da Liga de Clubes. Pinto da Costa lá terá acordado da sua longa hibernação e voltou a fazer aquilo que sempre fez nos últimos 30 anos: "mafiar". Pode não ter a sofisticação do EL, nem a sua enorme falange de activistas, mas tem a experiência de quem sabe onde estão as pontas certas para serem puxadas. E essas pontas são invarivelmente as mesmas de sempre: a arbitragem. Quem nomeia, quem observa, quem classifica. 
Entre a luta de titâs, está o Sporting. Bem que nos tentam puxar para a lama, dar holofotes mediáticos a ex-policias condenados ou a empresários de futebol sem escrúpulos. A última agora é o aparecimento de Pedro Madeira Rodrigues, que no meio desta guerra porto-benfica apressou-se a fazer o papel de palerma que sempre lhe coube, empurrando de novo o holofote para o local errado.
Tentar ser campeão no meio desta trampa toda, é um trabalho de Hércules. Conseguir ser campeão é um trabalho quixotesco. Só alguém muito puro no seu coração, um romântico, acredita ser possível ganhar-se alguma coisa contra o EL ou o Sistema. Só um Don Quixote aceita este papel de defensor intransigente dos valores desportivos, no contexto em que estamos. Mas ao contrário da personagem de Cervantes, este Don Quixote não pode continuar a perder o seu tempo a investir contra moinhos de vento. Não pode continuar a perder o seu tempo com discursos do "feitio de gaja" ou da "entrevista idiota". 
Se quer ser uma voz diferente no seio do nosso futebol, tem de primar pelo discurso diferenciador, por apontar o dedo à pouca vergonha que se tem passado nestes últimos dias. Não pode dar argumentos aos nossos inimigos para que estes nos apontem os holofotes, conseguindo assim manter os seus na penumbra. Para isso já bastam os palermas que de leão ao peito se agacham para fazer esse serviço. Mais foco, Bruno. Mais foco.

terça-feira, 7 de março de 2017

Rescaldo das eleições I - A derrota do anti-Brunismo

O acto eleitoral de sábado não teve nada que ver com o Sporting ou o seu futuro. O que verdadeiramente foi a votos foi o brunismo contra o anti-brunismo. Com este resultado, quem sai verdadeiramente derrotado não é só Pedro Madeira Rodrigues, mas também os camarotes leoninos desta vida. As personagens que dedicaram os últimos 4 anos a falar mal de Bruno de Carvalho porque sim, tiveram hoje a sua resposta final. Ninguém liga para o que dizem, ninguém os leva a sério, tudo foge deles. 
Certamente que o Camarote Leonino não encerrará portas e irá continuar - quiçá com mais fervor - a sua cruzada anti-Bruno. Não poderão é contar com aquela "certeza" de que falariam por uma maioria silenciosa que nunca se manifestou. O Camarote continuará a fazer as delicias dos adeptos rivais, desejosos que estão de narrativas anti-Bruno. Triste sina a deste blog, que de retrato dos "verdadeiros sportinguistas", acabará em leitura de cordel de anafados lampiões e andrades, cumprindo assim o seu papel de idiotas úteis.
Quanto a Pedro Madeira Rodrigues, estas eleições foram um verdadeiro jackpot. De ilustre desconhecido, passou a sportinguista famoso. O seu anti-brunismo primário, que lhe toldou as vistas durante a campanha eleitoral, abriu-lhe as portas do mediatismo. A nossa comunicação social não gosta de Bruno de Carvalho, e isso vê-se no tempo de antena que cedem a figuras do universo leonino que o criticam. PMR terá a partir de agora também o seu espaço mediático para explorar. Caber-lhe-á apenas a ele decidir o que fazer com essa exposição. Ou torna-se, à semelhança do Camarote, numa espécie de "sportinguista de estimação" dos nossos rivais, ou então interioriza as razões da sua derrota e muda de postura. Parece-me que o candidato derrotado não é daqueles que toma "banhos de humildade", preferindo talvez manter a sua pose altiva. Mas, quem sabe, talvez nos venha a surpreender, despindo o seu fato de anti-Bruno e preferindo enveredar por uma oposição credível, digna, coerente e assertiva.
O anti-brunismo continuará a saltitar por aí, seja levado pela mão da lampionagem e dos andrades, seja pela conveniência mediática. Continuaremos a assistir ao desenrolar de mentiras e deturpações sobre Bruno de Carvalho. Apesar da derrota esmagadora, estes antis não desapareceram da face da Terra, não. Simplesmente deixaram de contar como alternativa séria para o clube.  

domingo, 5 de março de 2017

Chapada de Luva Branca

Havia algo que não estava bem.

Naquele grande barómetro que são os cafés de Portugal, não se ouvia um único sportinguista que dissesse "Vou apoiar o Madeira" ou "Com o Rodrigues é que vai ser". Pelo contrário, só se ouvia gabar a forma como o extrovertido Bruno levantou a auto-estima dos sportinguistas, salvou o clube da bancarrota, construiu o pavilhão e meteu a equipa a lutar pelo título. Também se dizia que "Ah, mas ele é desbocado, fala muito, devia estar mais calado!". Mas nunca ouvi ninguém dizer que "Estou farto do Bruno, vou apoiar o outro candidato!".
No trabalho, aqueles sportinguistas com quem bebemos café à segunda-feira de manhã, praguejavam contra a actual época miserável, contra as arbitragens, contra a casmurrice do Jesus. Achavam que "O Bruno por vezes se excedia mas, caramba!, o homem meteu o Sporting outra vez na luta!". Hoje dá gosto ir a Alvalade cantar o "Mundo sabe que!". "E o pavilhão? Dassse!". "E a venda do João Mário e do Slimani?".
Aquele nosso grupo de amigos da escola, de infância, aqueles sportinguistas com quem falamos de futebol desde os anos 70 ou 80, todos lembravam o regresso das modalidades, a luta no ano passado. as noites frias de Alvalade há 4 ou 5 anos e o calor humano que agora por lá se sente. "Bolas, é obra!". Nem aquele nosso amigo sportinguista resmungão, para quem "São todos coxos!" ou "Não jogam o caracol", "Querem é ganhá-lo, correr tá quieto", alguma vez disse "Fdx lá ao Azevedo de Carvalho, vou dar agora a oportunidade a outro!".
Nos jornais, os escribas de serviço vendiam crónicas e peças jornalísticas com mil e uma teorias sobre a divisão que existe no Sporting, a rotura entre os sócios, a atitude do presidente Bruno que só separa, não unifica. Nos espaços de opinião pululavam sportinguistas que repetiam a mesma lenga-lenga, de que estamos num clube dividido, crispado e que após estas eleições ainda mais divididos e crispados ficaríamos. 
Após o debate, onde muitos viram cobardia, fraqueza, embaraço de Bruno de Carvalho, eu vi postura e sentido de estado, com muito pragmatismo à mistura. Onde os jornais, adeptos adversários e alguns croquetes, viram PMR entalar o Bruno, ganhar pontos ou arrancar para a vitória, eu vi vacuidade, cretinice e falta de vergonha na cara.
Para mim era óbvio quem iria ganhar as eleições, e cheguei a ponderar nem perder o meu precioso tempo a ir votar ao estádio. Todos os sportinguistas a quem confidenciei este desabafo avisavam-me dos perigos disso: "Olha, como foi na América, pensavam o mesmo e ganhou o Trump", "Olha os ingleses, ninguém dava nada pelo Brexit e lá vão eles agora de patins". 
Nestes últimos dias a sombra adensava-se. O nosso presidente era um Trump, o nosso lucro era martelado, as eleições iam ser uma tragédia, no dia 5 de março ia começar a guerra civil...

Chegamos ao dia 4 de Março.

Estacionei o carro por debaixo do Alvaláxia, eram quase 11 horas. Vim de manhã, convencido que àquela hora ainda havia pouca gente. Passei pela porta do Directivo e comecei a ver cada vez mais gente, até parar perto da porta 4, onde começava a fila. Olhava para a face dos outros sócios que ali esperavam como eu ou que por ali passavam e reparei em algo extraordinário. Onde contava ver rostos apreensivos, ares preocupados, silêncio, temor, pois o momento do Sporting era grave, deparei-me com olhares de esperança, caras alegres, sorrisos e aquele brilho dos olhos de quem se sente motivado e confiante para um embate. Apesar da espera, que ainda passou os 30 minutos, não se via ali ninguém zangado, aborrecido, preocupado. Estava uma atmosfera estranhamente tranquila, amistosa até. Todos se riam do tamanho da fila, todos falavam do Bruno, não ouvi ninguém dizer "Basta" ou "Quero mudar". Não. E por cada magote cada vez maior de sócios que chegava à fila, mais essa confiança se notava, transbordava e entranhava. Mas não se ouviu um impropério, um insulto, uma palavra feia, fosse sobre o BdC ou PMR ou até dos jornalistas que assistiam atónitos ao que se ali se passava.
À noite ainda ouvi na TV que os 18755 votantes, que constituíram o maior número de votantes numas eleições do Sporting, vieram votar por "medo". Seja lá o que isso for.

Imaginem agora que os 18755 sócios que votaram ontem, mais aqueles cujo voto não foi reconhecido por falhas notariais, eram uma grande mão.
O que se passou ontem foi que essa grande mão calçou uma luva branca, aquela luva branca que o Éder levou para a final do Europeu, e deu uma valente chapada de luva branca em todos aqueles que nestes últimos 4 anos mentiram, omitiram, distorceram, gozaram, com o Sporting, sejam eles jornalistas, opinadores, adeptos rivais, sportinguistas ilustres, croquetes anónimos. E com um sorriso nos lábios, os olhos lacrimejados pela emoção mas já ensonado pelo adiantar da hora, lhes disse baixinho: "Ide bardamerda mais a desunião e a crispação no Sporting!".


quinta-feira, 2 de março de 2017

Balanço da campanha eleitoral

A menos de 48 horas do início do acto eleitoral, penso que já é possível fazer o balanço da campanha eleitoral dos dois candidatos à presidência do Sporting.
Tal como as campanhas eleitorais para os nossos órgãos políticos, também esta teve a particularidade de ter sido pobre, ficando pela "troca de galhardetes" entre os candidatos e predominando o soundbyte face ao debate de ideias ou projectos.

Contexto eleitoral:
Antes de fazermos o balanço destas últimas semanas, temos de analisar o actual momento do clube. Ao fim de quatro anos de mandato, Bruno de Carvalho pode muito bem apresentar como seus trunfos eleitorais a recuperação económica e desportiva do clube. Da falência inevitável, passamos a clube lucrativo. Renegociámos a dívida com a banca e conseguimos um excelente contrato de patrocínio com a NOS. 
Desportivamente, nestas últimas épocas, a equipa principal de futebol tem estado na luta pelo campeonato. Os sócios e adeptos ainda não esqueceram a última época, onde o campeonato nos fugiu por razões exógenas. Junte-se a isto a recuperação de modalidades históricas do clube, como o andebol e o hóquei em patins, a consagração hegemónica do nosso futsal e o aparecimento bem sucedido do futebol feminino. A cereja no topo do bolo será a concretização do Pavilhão João Rocha, que finalmente debelará uma das lacunas mais preocupantes do nosso clube, que era a falta de um espaço único nosso para as modalidades.
A recuperação dos sócios, o crescimento das assistências no nosso estádio, a onda verde criada em todo o país a que assistimos quando jogamos fora. Tudo sinais de uma vitalidade que há quatro anos julgávamos já irremediavelmente perdida para o nosso clube. Perante a constatação clara e evidente que o nosso clube está melhor em 2017 do quem em 2013, seria muito difícil a qualquer adversário ganhar as próximas eleições ao actual presidente.

Dos candidatos à presidência:
Apesar do mini-tabu, era por demais evidente que Bruno de Carvalho se candidataria ao próximo acto eleitoral. A sua candidatura surpreendeu quem tem vindo a defender que nestes quatro anos se tem assistido à divisão dos sócios. A lista de apoiantes abrange vários quadrantes políticos, sociais e económicos de sócios do clube. A presença de, por exemplo, José Maria Ricciardi na sua comissão de honra é um bom exemplo dessa abrangência: se por um lado a presença deste nome lembra um passado negro recente, por outro lado BdC não quis ostracizar um sócio que, diga-se em abono da verdade, representa um segmento da nossa sociedade do qual ainda necessitamos - a banca.  É este tipo de pragmatismo que espero que BdC empenhe no clube, caso ganhe as eleições. 
Após alguns esboços de reacção, do lado da oposição apenas saiu um nome, o de Pedro Madeira Rodrigues. O candidato surpreendeu inicialmente pela forma motivada como se apresentou aos sócios. Prometeu trabalho, vitórias e uma estrutura "fortíssima" para o futebol. A forma como se soube cercar de uma imprensa "amiga" era um desanuviamento face aos últimos anos de conflito entre o Sporting e a Comunicação Social. Com um currículo profissional competente, PMR parecia ser um nome credível para ser alternativa ao actual presidente.

Decorrer da campanha:
Tendo o duplo prejuízo de ser um desconhecido e ter de correr contra o tempo, PMR tentou logo de inicio puxar pelos focos mediáticos. Agradou-me inicialmente a motivação que empregou nestas eleições, em contraste com algum desgaste evidenciado por BdC. Com o passar do tempo a candidatura de PMR foi perdendo gás. Foi-se percebendo que o seu projecto para o futebol era, afinal, uma manta de retalhos e de terceiras opções. Apesar das boas indicações iniciais e da sua boa prestação no debate com BdC, o candidato acabou por resvalar para o ataque pessoal e por um quase doentio anti-brunismo. Nos últimos dias, a sua campanha entrou numa completa agonia, não parecendo ter capacidade para, sequer, se aproximar de um resultado eleitoral semelhante ao de Bruno de Carvalho.
Bruno de Carvalho soube nestas semanas proteger a sua imagem. Parecendo demasiado defensivo, outras vezes cansado, o actual presidente conseguiu manter algum distanciamento sobre o seu opositor, negando-se a entrar no ataque pessoal. Após o debate televisivo, BdC voltou a usar a sua plataforma favorita - o Facebook - para desferir alguns ataques a PMR. Apesar desta fase mais crispada da sua campanha eleitoral, tal acabou por passar praticamente despercebido aos sportinguistas, pois estes estavam mais entretidos a assistir ao espalhanço do seu opositor. 
Apesar da campanha eleitoral pouco inspirada de BdC (em 2013 esteve muito melhor), acabou por beneficiar da mediocridade da campanha adversária, mostrando que por vezes o silêncio é de ouro (que lhe sirva de lição para o futuro).

Prognósticos para sábado:
À primeira vista, pelo que as redes sociais e os blogs vão reproduzindo, diria que a única dúvida para sábado é se Bruno de Carvalho vai ganhar por muito ou por pouco. Os espaços de opinião tem sido concordantes no que toca ao merecimento do actual presidente em ter mais um mandato à frente do clube. Mesmo os opinadores contra a actual direcção reconhecem que a campanha de PMR ficou aquém das suas expectativas. Mas será mesmo assim no mundo real?
A questão que aqui se põe, e é onde PMR deposita a sua esperança, reside no facto de que os espaços de opinião não constituem uma boa amostra do universo de eleitores. Primeiro, porque quem aí comenta se calhar nem pode votar no sábado. Segundo, atente-se que as novas tecnologias são mais utilizadas por faixas etárias inferiores, logo com menor capacidade eleitoral activa. Creio que tal foi evidente nas eleições de 2011, onde o eleitorado brunista, mais numeroso mas jovem, foi batido pelo eleitorado mais antigo de Godinho Lopes (urnas desaparecidas à parte). Confesso que neste momento não tenho a percepção sobre quem apoiará esse eleitorado mais antigo, pelo que aqui talvez resida a chave da vitória folgada de BdC. Ou da sua derrota.
Uma vitória de PMR será sempre uma grande vitória sua. Já BdC, se não conseguir um resultado expressivo (acima de 60/70% sempre), deverá encara-lo com um aviso à sua navegação. Mas deixarei essa análise para depois de dia 04 de Março.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

A Canalha

CA-NA-LHA
Substantivo feminino
1. Bando de pessoas consideradas desprezíveis ou de mau carácter
2. Conjunto de crianças pequenas
Substantivo masculino:
1. Patife

"Canalha" in dicionário Priberan da Língua Portuguesa em linha, consultado a 28-02-2017.


"Quem criticou não é adepto do Sporting, é adepto de um novo clube que é o Sporting Clube de Carvalho". Foi desta maneira seca e rude que o candidato, ou quem gere a sua página oficial, argumentou contra quem critica a sua escolha para treinador do Sporting. O que para muitos é uma surpresa, para mim é apenas uma confirmação. Experimentem ir ao Camarote Leonino debater contra a opinião dos seus editores. Serão brindados com mimos do género: "soldadinhos da falange", "brunistas", "avençados", etc. Esta frase é só PMR a ser CityLion, apenas isso.
Actualmente a oposição a Bruno de Carvalho resume-se a isto: uma canalha mal-educada, mimada, que na falta de melhores argumentos recorre ao insulto, à maledicência e à mentira descarada.
As canalhices desta chusma de ressabiados vem desde os primeiros tempos de Bruno de Carvalho. A sua face visível era a invisibilidade de alguns blogs. Desde a distorção intelectual que promovem diariamente, passando pelos ataques pessoais aos elementos da actual direcção do Sporting, até ao uso exaustivo de "Azevedo de Carvalho", estes blogs tem feito de tudo para atacar e descredibilizar o nosso clube. Juntemos-lhe os cartazes anónimos da 2.ª circular, a gravação anónima do Ricciardi... é muito anonimato para tão pouca assumpção. 
Ao assumir-se como candidato a presidente do clube, Pedro Madeira Rodrigues deveria ter dito logo ao que vinha, apresentado o seu jogo. Da mesma forma que o General Sem Medo disse sem hesitar que "Obviamente demitia" Salazar, também o nosso candidato deveria ser homenzinho o suficiente para admitir que sim, era ele que escrevia os artigos assinados pelo CityLion; Sim, sempre detestou e desprezou Jorge Jesus e que iria correr com ele no primeiro dia; Sim, a indemnização jamais seria paga pelo Sporting porque ele iria recorrer para os tribunais ou imputaria a dívida a BdC; Dizer logo que pretende reatar relações com os nossos rivais, com os fundos, com quem cortámos relações nestes últimos anos. Assume-te, sai do armário, porra!
Ao invés, o candidato preferiu empregar um discurso enviesado, retorcido, com jogos de palavras. Admitiu ter colaborado em alguns blogs, mas não confirma ser o CityLion; não diz como vai fazer para pagar a indemnização a JJ, recorrendo a subterfúgios; a sua contribuição para o pavilhão é outra história rocambolesca; a telenovela do anúncio do treinador fortíssimo, a utilização de uma gravação anónima, sem data, como arma eleitoral. Tudo é obscuro, confuso e incoerente. Nada é claro, inequívoco, assumido.
A forma patética como foge das questões embaraçosas, menorizando a inteligência do público, demonstra o tique sobranceiro da sua personalidade. A contra argumentação com um adepto sportinguista antes do jogo no Estoril, em frente às câmaras, ou a refutação das críticas ao treinador fortíssimo é de alguém que pensa, genuinamente, que só os parvos estão contra ele. É a reacção de um menino mimado, a quem não reconhecem ser o maior lá da escola. Para quem com ele estão os verdadeiros sportinguistas e contra ele os parvos, os "brunistas", os "coreanos", a turba.
Canalha mimada, mal-educada, com tiques de sobranceria e arrogante. Eis a oposição no Sporting.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

A lampionização do Sporting

Uma das narrativas que mais tem passado nos blogs anti-Bruno, quiçá delineada nalgum escritório de marketing e publicidade, é que nestes últimos 4 anos temos assistido à lampionização do Sporting.
A narrativa gira em torno de uma das nossas principais fobias de um Sportinguista, a de sermos associados à lampionagem. Passa por nos fazer acreditar que o Sporting, até então um clube de gente séria, moralmente superior, eticamente inatacável, tem vindo a ser transformado num clube de gente boçal, labrega, seguidista, sem espírito crítico para com a hidra diabólica que nos dirige.
Que o Sporting é um clube diferente no panorama desportivo nacional, não há grande margem para dúvidas: somos  um clube ecléctico, que privilegia o mérito desportivo, que se recusa a entrar em lutas de bastidores pelo controlo imoral do desporto, que não aparece associado a escândalos de corrupção (antes pelo contrário, até os denuncia), onde cada adepto e associado não é estigmatizado pela origem social, económica ou étnica de onde provém. 
Por vezes, a nossa cultura diferente faz com que nos tornemos bonzinhos, como aquela malta que faz falta ao desporto nacional porque dá jeito uns chavões éticos nisto tudo, mas que não conta para nada porque se deixam comer. Também tivemos ovelhas tresmalhadas no nosso seio, como aquele ex-inspector da PJ que tentou entalar o Cardinal mas acabou entalado. Ou episódios tristes, como aquelas eleições de 2011, onde desapareceram urnas que apareceram depois e tudo acabou como sabem.
Desde 2013 até ao dia de hoje, que eu me tenha apercebido, não violámos os princípios éticos e morais que nos diferenciam: mantemos o ecletismo, continuamos a privilegiar o mérito desportivo, lideramos na luta pela transparência do fenómeno desportivo em geral, desde as arbitragens aos fundos de investimento, recebemos todos os sportinguistas de braços abertos. Isto tudo sem sermos bonzinhos, sem termos ovelhas tresmalhadas e sem episódios tristes. Por isso pergunto eu: onde está a lampionização do Sporting?
A lampionização do Sporting, segundo PMR e seus amigos, está nas voltas olímpicas do seu presidente, como se festejar uma vitória do nosso clube com os nossos jogadores para os nossos adeptos fosse reprovável. Está no estilo populista do presidente, como se o enaltecimento das qualidades do nosso clube, o apregoar do apoio incondicional ao clube, a defesa cerrada do clube face a ataques externos, fosse algo apenas ao alcance de lampiões. O vibrar com as vitórias da equipa, com os golos marcados, as exibições, o orgulho de vestir a verde-e-branca na rua, é isso a lampionização do Sporting?
Não meu caro CityLion. Por muito que lhe custe, a lampionização do Sporting não é isso. Lampionização é quando não olhamos a meios para atingir os fins, nem que isso signifique amplificar a mais miserável, vil e mentirosa  propaganda lampiónica anti-Sporting. É quando atacamos o carácter do nosso oponente e vamos buscar o seu passado, porque não temos mais argumentos sérios. É quando inventamos histórias e retorcemos a realidade, por vezes escondidos no anonimato de um blogger ou num cartaz de rua, porque tal serve os nossos intentos ganhadores. É dizer na rua que "sovamos" o adversário. É quando argumentamos que os Sportinguistas tem maior poder financeiro que os outros, como se ser Sportinguista fosse apanágio económico ou social.  
E o que leva um sportinguista como Pedro Madeira Rodrigues, a juntar-se a outros sportinguistas, utilizando meios ignóbeis, baixos, mesquinhos, mentirosos, arrogantes, para conseguirem conquistar a presidência do clube? Senhoras e senhores, eis a Lampionização do Sporting.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O Debate


Ontem finalmente vimos a confrontação dos candidatos a presidente do Sporting. Entre surpresas ou confirmações, eis o que achei do debate:

Postura dos candidatos:
Uma das surpresas da noite. Quem esperava um Bruno esmagador, politicamente incorrecto, provocador e agressivo, certamente ficou estupefacto com a postura moderada do actual presidente. Ele raramente respondeu às provocações, mesmo as rasteiras, soube manter o foco no bom que fez desde 2013, manteve o trato cordial do debate e não enveredou pela provocação.
Pedro Madeira Rodrigues entrou no debate motivadíssimo. Sempre a atacar, procurou ser acutilante nas críticas a BdC. Da mesma forma que o presidente procurou focar os sucessos do seu mandato, PMR focou os aspectos negativos, como por exemplo a venda de Montero. A postura de PMR, claramente o mais "desesperado" para ganhar o debate de hoje, levou a que por alguns momentos despertasse o CityLion que há dentro dele, como quando aludiu à vida profissional de BdC antes de 2013 ou ao seu carácter enquanto lida com o plantel profissional ou os colaboradores do Sporting.

O que disse Pedro Madeira Rodrigues:
Tal como nos debates políticos, também não foi aqui que se discutiram os conteúdos programáticos das candidaturas. Pedro Madeira Rodrigues usou e abusou do futebol, que como o próprio referiu, era o seu grande trunfo para o debate. Enalteceu as suas escolhas para a estrutura do futebol, mas não conseguiu camuflar que a escolha de Boloni foi algo apressada. Também não convenceu quando afirmou não pretender desestabilizar o balneário  com o anúncio do treinador. A forma como depreciou a formação e as modalidades, além de injusta, demonstrou algum distanciamento seu. Principalmente no que às modalidades diz respeito.
Sobre a área financeira do clube, onde PMR estaria até mais à vontade do que o seu oponente, pareceu-me pouco preparado. Insistiu que a Academia era do BCP, sem o provar. Insinuou que as contas do clube, nomeadamente o rácio custos operacionais/receitas, estariam "martelados". Não explicou porque considerou as VMOCs passivo do clube. Considerou que o Sporting, com ele, faria um melhor negócio com a NOS, porque os sportinguistas tem um nível financeiro superior ao dos seus rivais(!!!!). Por fim, bateu na tecla de que o clube está hoje como estava em 2013, quando Godinho Lopes saiu. O que é absurdo. 

Bruno de Carvalho:
Menos efusivo do que o seu oponente, BdC optou por uma postura "Medina Carreira": exibiu um conjunto de gráficos para os telespectadores perceberem a evolução positiva das constas do clube nestes 4 anos. Foi suficientemente convincente, até porque PMR enveredou por lançar suspeitas sobre as credibilidades dos números apresentados. Sabendo-se o escrutínio a que as nossas contas tem sido sujeitos nestes últimos anos, pareceram-me descabidas as dúvidas do seu adversário.
Sobre o futebol, BdC não apresentou surpresas: ele será o homem forte do futebol profissional e da formação. Aqui PMR, como seria esperado, pegou nos aspectos de gestão criticáveis, como as várias contratações falhadas ou a venda de Montero. BdC terá tido aqui a sua pior prestação no debate: não fez a contrição pelas escolhas falhadas, preferindo destacar que no deve/haver de compras e vendas, estes últimos 4 anos foram positivos. Depois apresentou uma descabida estatística de taças e campeonatos ganhos. 
Defendeu bem a política do clube no que à formação e modalidades diz respeito, contrastando com a ligeireza com que PMR tratou destes temas. BdC teve ainda tempo para dar uma bicada no adversário sobre a questão do milhão e meio para o fosso, cadeiras e LEDs, sem que este tivesse capacidade para retorquir.

Resultado final:
Este debate assemelhava-se àqueles jogos de futebol já em fim de campeonato, onde o 2.º classificado vai a casa do líder tentar encurtar a sua desvantagem. O 2.º classificado, como sendo o que tem mais a ganhar, assume o jogo, a posse de bola e tenta carregar sobre o adversário. O líder, escudado por jogar em casa, consciente da sua vantagem e do seu valor, deixa o adversário jogar, cansar-se, procura explorar-lhe as fraquezas mas não arreda na defesa. O segundo bem que tenta, mas não conseguindo facturar tenta no final desestabilizar o adversário com sarrafadas na grande área e jogo agressivo. O líder, consciente que se cair no jogo do oponente pode enfraquecer a sua posição no jogo, prefere não responder e até fazer um pouco de anti-jogo. Sem golos, a partida chega ao fim empatada, com sabor a vitória para o líder e com sabor a derrota para o desafiante.
Foi assim que vi o debate de ontem. Um empate com consequências diferentes para os candidatos. Os apoiantes de BdC dirão que se limitou a focar o que de bom se fez sem sair beliscado, enquanto os adeptos de PMR falarão da maior presença em jogo do seu candidato mas sem tirar grande proveito disso.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Habemus director para o futebol

O dia de hoje chegou cheio de novidades. Não estava à espera que o candidato Pedro Madeira Rodrigues ainda conseguisse apresentar os nomes dos seus homens pró futebol a tempo do debate de logo. Seria uma falha grave desta candidatura chegar ao debate sem um único nome, pelo que este anúncio obrigará BdC a rever a estratégia para logo. Uma coisa seria atacar um saco de vento, outra é atacar o nome de Boloni ou Delfim...
Já havia dito num post anterior que a actual estrutura de futebol estava demasiado concentrada nas figuras do presidente e do treinador. O director desportivo tem mais a função de assessor do treinador e/ou do presidente do que de dirigir o futebol. Também é da minha opinião que uma das falhas da actual estrutura é mesmo a falta efectiva de alguém que cumpra essas funções: coordenação de todo o futebol profissional, as contratações, necessidades do plantel, ponte entre o treinador e a direcção, etc. A falta de um verdadeiro director desportivo pode ser uma das explicações do fracasso desta época.
Aguardava por isso, com bastante curiosidade, para saber qual era a cartada que PMR iria jogar aqui, precisamente numa das áreas onde BdC não conseguiu convencer. Do que se sabe hoje, pois o treinador para 2017/18 não será conhecido antes da próxima semana, retenho o seguinte:
- Estrutura para o futebol: 
PMR decidiu aqui inovar. Não que o modelo proposto já não tivesse sido posto em prática no Sporting, mas sim porque escapou um pouco aquilo que o candidato ia anunciando. O director desportivo assumirá quer o planeamento e supervisão do plantel principal, quer a sua coordenação com a formação, tornando-se numa espécie de "homem forte" para o futebol. Para o apoio directo à equipa principal de futebol haverá um Team Menager, que fará trabalho de sapa no balneário em conjunto com o treinador, um pouco o que Octávio tem feito nestas duas épocas. PMR juntou mais um terceiro cargo, o do gestor de activos, para assumir a pasta das contratações, renovações e vendas. Aqui a minha dúvida é se o cargo terá apenas a vertente jurídica associada, ou terá também a parte técnica, como a prospecção de mercado.
- Nomes associados: 
Dos nomes apresentados por PMR, o de Boloni é o que causa mais sensação. Foi o último treinador campeão pelo Sporting, tem uma personalidade moderada, pouco exuberante mas desportivamente muito correcta. Basicamente, é uma antítese de JJ. Ficou-me na retina a forma como soube tirar partido da dupla Jardel/João Pinto, mas também como não soube ultrapassar a falta do avançado na época seguinte. Após ter saído do Sporting em 2003, não me lembro de mais nenhum sucesso relevante que tenha tido. É uma figura que creio ser consensual no universo sportinguista, sendo por isso o trunfo de PMR. A grande dúvida que reside é se o ex-treinador tem capacidade para ser director desportivo do Sporting, pois não me lembro que tenha estado alguma vez nesse cargo. O facto de, segundo Boloni, o convite ter sido efectuado ontem, dá a sensação de que esta não seria das primeiras opções do candidato, o que poderá questionar a empatia que existirá entre ambos. 
O segundo nome, Delfim, também acredito que recolha simpatias no nosso universo. Foi campeão em 2000, lesionou-se com gravidade, mas manteve sempre uma atitude profissional louvável. Também aqui a minha dúvida é se a pessoa em si é a indicada para encarnar aquilo que PMR quer do Team Menager. Da forma como definiu o cargo, de alguém que transmita ao balneário o que é sentir a nossa camisola, eu lembrei-me de nomes como Manuel Fernandes, Oceano ou Sá Pinto. Haveria outros, menos carismáticos mas bem conhecidos pelo seu sportinguismo, como Carlos Xavier, Beto ou Vidigal. Mas a Delfim, neste momento, não lhe reconheço capacidade para transmitir a nossa mística para o balneário.
Por fim Ricardo Pina Cabral, que para mim é um ilustre desconhecido. Por enquanto prefiro saber mais sobre o conteúdo funcional do cargo de Gestor de Activos. 

Estrutura definida, nomes apresentados, a candidatura de PMR lançou ontem a sua grande cartada, a que se juntará na próxima semana o nome do treinador para 2017/18. O desenho da estrutura em si é ambicioso. Os nomes são interessantes, pecando por parecerem inexperientes ou sem preparação para os cargos. Veremos se PMR conseguirá dissipar estas dúvidas sobre a sua estrutura. E se BdC responderá à altura.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Nunca mais chega o debate!

Um pouco por toda a blogosfera sportinguista, começaram já a discorrer sobre o conteúdo programático da candidatura de Pedro Madeira Rodrigues, bem como do que vai apresentando durante a campanha eleitoral. E salvo alguns excepções de camarote, nota-se a decepção pela forma oca como a campanha de PMR tem decorrido
Na próxima quinta-feira teremos o que eu considero a prova de fogo do candidato PMR, provavelmente a única. Irá enfrentar o actual presidente, que pelo que se viu noutros debates, irá estar num plano onde se sente bem (lembro-me do debate de 2011 contra os outros candidatos, mas também me lembro da forma como meteu Pedro Guerra no bolso em 2015). Salvo algum factor extraordinário, não acredito que PMR leve a melhor, pois ao contrário de BdC, já se percebeu que não reage bem a situações de aperto.
Esperava-se que a candidatura de PMR pusesse em apuros ou apertos BdC, mas tem-se visto precisamente o contrário. Apesar da boa comunicação social do candidato CityLion (ontem lá estavam eles no Aeroporto à sua espera), tem-se notado um certo embaraço em explicar os últimos desenvolvimentos da sua campanha:
1) Continua a faltar o nome do seu treinador e director desportivo, apesar dos constantes soundbytes que a sua "imprensa amiga" vai mandando;
2) A história do fosso, das cadeiras e dos LEDs por 1,5M€ não convenceu;
3) A ida às Arábias, depois de ter criticado os investidores russos de BdC em 2011. Neste caso, não só não soube explicar o que dali resultou (falaram do naming do estádio), como já chutou novos desenvolvimentos para depois das eleições, quando ganhar...
Por enquanto a táctica do rumor tem sido a única utilizada pela candidatura para passar ideias. Vão surgindo alguns nomes na imprensa amiga, como Pedro Barbosa para director técnico ou Rui Jorge para treinador. Apesar de não serem confirmados, esta táctica vai atingindo o seu objectivo de se ir falando do candidato nos cafés, de por os sportinguistas a discutir se o Rui Jorge vai apostar mais na formação que JJ ou se Pedro Barbosa não faria melhor que o Octávio. É aquela velha máxima, de que não importa se se fala bem ou não, desde que se fale. Quiçá uma ideia dos amigos publicitários de PMR.
Talvez avisado que o o anti-brunismo não seria a melhor táctica a seguir, PMR largou por momentos essa sua faceta, deixando-a para os seus inefáveis amigos. Basta ir ao Camarote Leonino para se perceber qual é a nova telenovela inventada pelos amigos do CityLion: o número de sócios do Sporting. Como em tantos outros assuntos, a táctica é igual: falar no tema, insultar quem contrapõe, continuar a falar, dá-lo como certo e com isso beliscar a presidência de BdC. 
A 22 de Fevereiro de 2017 é esta a oposição da actual direcção do Sporting Clube de Portugal: um vazio de ideias, uma tremenda vontade de apanhar o bocado, pois ele agora já tem "chicha", anti-brunismo primário, como insultar e denegrir o presidente e os seus apoiantes, menorizar as conquistas feitas desde 2013. E é este anti-brunismo primário que me assusta, pois temo que muito em breve (ou terá já começado) descambe em anti-sportinguismo descarado, como aquele que vem do outro lado da 2.ª circular.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Sondagens e Rio Ave

1) Momento eleitoral
A campanha eleitoral vai-se arrastando ao longo dos dias, sem nenhuma grande novidade. A notícia de hoje diz respeito à sondagem encomendada pelo Correio da Manhã, onde de 601 inquiridos, 39,7% acreditam na vitória de Pedro Madeira Rodrigues, contra 28,6% que acreditam em Bruno de Carvalho. Curiosamente 31,7% não tem opinião. Apesar deste resultado ter tido destaque (porque será?), noto que entre os sportinguistas, a maioria prefere BdC (40,2% contra 36% de PMR). Apesar da desvantagem, 4% de diferença não deixa de ser animador para PMR. Mas...
Estamos a falar de uma entrevista a 601 adeptos, dos quais X serão sportinguistas. E destes X sportinguistas, Y estarão em condição de votar no próximo acto eleitoral. A acreditar que temos quase 1/3 de portugueses sportinguistas, e destes só 5% é que serão sócios, então só uns 15 entrevistados é que seriam sócios do Sporting. E destes 15, ou Y, qual o peso de cada voto? É fácil verificar que sondagens deste género são tão certeiras como um tiro no escuro. Basta que nos lembremos das sondagens efectuadas no nosso último acto eleitoral para perceberem o que digo. De resto, estes tempos não são muito favoráveis a sondagens, conforme se viu nos Estados Unidos ou no Brexit.
É evidente, até pelo destaque dado, que esta notícia tem o particular objectivo de "morder" BdC. O que provavelmente este tipo de sondagens irá criar é uma vaga de sócios pró-Bruno que irão às urnas votar "pelo sim, pelo não", e não ficar em casa a contar com a vitória fácil.
Outra notícia que hoje fez algum furor foi o nome de Rui Jorge como potencial treinador do Sporting, em caso de vitória de PMR. À semelhança de Bielsa, primeiro surgem os rumores na imprensa, para depois vir a confirmação ou não por parte do candidato. PMR negou o interesse no argentino, pelo que aguardo a sua reacção ao nome do português. Não deixa de ser curioso que à falta de nomes oficiais, surjam estas notícias com o claro objectivo de impelir a candidatura de PMR, criando sound-bytes no universo sportinguista. Aguardemos serenamente o que PMR tem a dizer sobre Rui Jorge, mas ressalvo já que, a ser verdade, é um nome muito interessante para treinar a tal equipa do Sporting, apostada na sua formação.
Já agora, relacionado com a formação, PMR afirmou que com ele à frente do Sporting, a equipa B nunca desceria de divisão. Fiquei mais aliviado!!!

2) Amanhã é #DiaDeSporting
Joga-se amanhã mais uma importante partida da nossa pré-pré-época de 2017/18. Esta terá o tónico extra de ser em casa, contra uma das nossas bestas negras do campeonato. Foi em Vila do Conde que começou o nosso descalabro 2016/2017. Ano passado, o empate em casa com os vila-condenses teve implicações directas na nossa luta pelo título. O Rio Ave é daquelas equipas que se esfarrapam todas contra nós, pelo que espero um verdadeiro espírito leonino amanhã em campo, com vontade de trucidar o adversário. Gostaria mesmo que amanhã ganhássemos por uns 5-0.
Outro tónico para o nosso jogo é o facto de dois adversários nosso jogarem entre sim no Domingo. Em caso de vencermos o Rio Ave, ganharemos de certeza pontos a um deles. Ou nos aproximamos da frente, ou ganhamos vantagem sobre o quarto. São motivos mais que suficientes para a nossa equipa entrar amanhã em campo com toda a vontade do mundo em vencer a partida. 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O que move os amigos do CityLion contra BdC?

Há dias o Mister do Café apresentou uma pesquisa interessante sobre os compagnon de route de Pedro Madeira Rodrigues neste seu assalto à presidência do Sporting.
Esse artigo tocou nalguns temas que já conhecia, como o envolvimento de PMR na blogosfera anti-BdC. A grande novidade no trabalho engendrado pelo Míster do Café, pelo menos para mim, é o grande envolvimento de agências de marketing e comunicação na campanha de PMR e também na campanha anti-BdC que tem vindo a ser feita desde 2013.
Seja a "Gravity" ou a "Partners", não deixa de ser chocante o envolvimento dos seus sócios em vários episódios infelizes para o Sporting, como os cartazes da 2.ª circular, a publicidade da RTP aos jogos de futebol ou a criação de "factos alternativos" do nosso clube que foram veiculados pelas vozes do estado lampiânico. É quase caso para dizer, com sportinguistas destes, mais valia andarmos com lampiões ou andrades.
Outro aspecto importante a retirar do post do Mister, e que também me passou completamente ao lado, diz respeito ao facto de que esta ligação tão estreita entre agências de marketing e candidatos a presidente do Sporting não ser novidade. A maior parte dos nomes da "Partners" que hoje apoiam PMR, em 2011 apoiaram Pedro Baltazar. Posso por isso concluir que tudo isto faz parte de uma estratégia que tem vindo a ser concertada desde 2011, com o claro fim de dominar a direcção do nosso clube.
Nestes últimos 4 anos, a política comunicacional de BdC foi desastrosa. Já falei em posts anteriores sobre o que acho disso e como a imagem do clube foi prejudicada. O que agora para mim é novidade é que os nossos adversários - o estado lampiânico - alimentam-se de produtos fabricados por esta gente. Uma coisa é a lampionagem difundir pela net os posts anti-brunistas do Camarote Leonino. Mas o que estas agências de marketing estão a fazer é de outra dimensão. Participam activamente no denegrir da imagem do clube, seja em outdoors, seja em publicidade "isenta" na RTP. Se calhar também participaram na célebre publicidade da Sagres contra o Sporting.  Com isto procuram atingir directamente a confiança dos sportinguistas no seu clube. E isto é muito grave.
No final do artigo coloquei uma pergunta ao Mister, que basicamente questionava o que movia esta gente contra a actual direcção do Sporting. Esta campanha de ódio parece desproporcionada, a não ser que haja muito ganho em contrapartida. O Mister respondeu-me que ganham a notoriedade de trabalhar com a marca "Sporting". A mim parece-me pouco. E pergunto-me se isto não será apenas a ponta do iceberg, se debaixo das águas turvas não estará outro plano mais poderoso para tomar de assalto o nosso clube, ao serviço de outros... interesses.... 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

CityLion, és tu?

Na senda do meu anterior post, continuo a constatar que um dos grandes méritos da candidatura de Pedro Madeira Rodrigues foi a conquista de cobertura diária que a comunicação social lhe dispensa. O candidato tem boa imprensa, é um facto, e tem sabido explorar essa vantagem para se mostrar. Graças ao próximo acto eleitoral do Sporting, PMR passou de mero desconhecido, um sócio entre tantos, para um dos rostos mais visíveis da oposição ao actual presidente. Sendo que me parece provável, a estes dias de distância, que a vitória sorrirá facilmente a BdC, PMR poderá já perspectivar um futuro como comentador do quotidiano sportinguista, como já acontece com Carlos Xavier ou Abrantes Mendes, figuras a quem a comunicação social recorre quando quer meter mais carvão nos nossos assuntos. Se até a personagem inócua de Paulo Farinha Alves conseguiu tempo de antena na SIC Notícias, imaginemos o que não conseguirá PMR, sabendo nós como a CS gosta de beliscar BdC.
Infelizmente o conteúdo das intervenções mediáticas de PMR não tem passado de um mero desenrolar de banalidades e vacuidades, desprovidas de ideias assertivas, projectos ou políticas de futuro para o clube. Aliás, o que tem surgido da espuma que diariamente PMR debita na CS é precisamente a sua faceta "CityLion", que tanto nos habituou no Camarote Leonino. A crítica pela crítica, por vezes pessoal, contra BdC, pegando em temas como a "supertaçazinha" de 2016, os treinadores do Sporting ou as contratações "cirúrgicas".
Ao enveredar pela crítica fácil, PMR acaba por cometer um erro básico: dá mais ares de anti-brunismo do que sportinguismo. É certo que só ganhamos a "supertaçazinha" e a Taça de Portugal, mas foi o melhor que fizemos em 9 anos. Também é certo que não conseguimos manter Leonardo Jardim, mas os treinadores dos últimos 4 anos deram mais garantias que os dos anos anteriores. As contratações "cirúrgicas", mesmo tendo sido uma das pechas da actual direcção, não deixou de apresentar melhorias face às anteriores.
Todos os sportinguistas não deixam de fazer a comparação destes últimos 4 anos com os últimos 15, e mesmo aqueles que possam não se rever no excessivo voluntarismo de  BdC, não deixarão de lhe dar, no mínimo, o benefício da dúvida de lhe conceder outros 4 anos. Mais não seja porque BdC, tem vindo a dar a sua cara desde 2011, quando a crise se tornou manifesta. E porque o clube, de um modo geral, está melhor hoje do que em 2013. 
Quanto a ideias e projectos para o futuro do clube, aguardo com interesse o anúncio de PMR do seu treinador, do seu director para o futebol, bem como outras ideias inovadoras, como a construção do velódromo Joaquim Agostinho ou o clube naval do Sporting.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A boa imprensa de PMR

Anteriormente já me tinha debruçado sobre as falhas na política de comunicação da actual direcção do Sporting (aqui), face ao que anuncia a candidatura adversária.
Olhando para a promessa de PMR, de que "ladraria menos" e actuaria mais nos bastidores, a maioria dos sportinguistas até se sentiriam tentados a simpatizar com isto, pois muitos estão cansados dos constantes vai-vens comunicacionais que hoje marcam o Sporting. Mas mais do que o constante fluxo de palavras, o que nos cansa mesmo é a sua esterilidade. Seja por culpa própria, seja porque o terreno está minado, a nossa mensagem não passa, sendo inclusivamente utilizada contra nós. O melhor exemplo disto foi a mediatização do processo de rescisão com Marco Silva, onde a história do fato de treino foi usada até à exaustão para ridicularizar BdC.
Sabendo então o que temos, veremos o que poderemos vir a ter.
Pedro Madeira Rodrigues prometeu então menos picardias e ruído na praça pública e mais actuação nos meandros do futebol nacional. Se a forma da política de comunicação parece adequada, olhemos então para o seu conteúdo. Já percebemos que PMR irá tentar normalizar as relações institucionais com porto e benfica, portanto será de esperar menos palavras contra estes clubes. Sobre o resto, saberemos apenas depois de 04 de Março, caso ganhe as eleições. Mas até lá podemos ir lendo nas entrelinhas do que nos está a ser oferecido.
Em primeiro lugar, há a constatação de que PMR está rodeado de boa imprensa. Desde que anunciou a sua candidatura, é raro o dia em que não aparece a lançar bitaites nos jornais desportivos, com repercussão nos generalistas. Já concedeu algumas entrevistas nos canais temáticos por cabo. Até uma acção de campanha em Londres mereceu destaque fotográfico na imprensa. De um modo geral, a interacção com os jornalistas tem sido num registo suave, sem perguntas embaraçosas ou complicadas (por exemplo, "É você que é o CityLion?"). Quem quiser saber como é PMR num registo mais agreste, que oiça a sua entrevista ao "Sporting160".
Em segundo lugar, temos de admitir que a questão da short-list dos três treinadores foi uma boa jogada, depois da "pezada" que deu no caso de Jorge Jesus. Apesar de ter saído diminuído no fait-diver com JJ, PMR poderá sair por cima se os seus três treinadores forem efectivamente nomes sonantes. Bielsa já gerou um burburinho, sem confirmação. Aguardemos pelo nome, ou nomes, oficiais.
Claro está que se até dia 4 de Março o nome do treinador não aparecer, nem o do seu director para o futebol profissional, tudo não passará de um enorme tiro de pólvora seca. O que para já é algo que está a caracterizar a sua campanha, não obstante a boa imprensa que ajuda a formar o florido pacote onde PMR está embrulhado.
Dois exemplos disto: o anúncio do mandatário de PMR, Pedro Ribeiro Ferreira, que parecia mais uma acção de campanha de BdC; A desistência do proto-candidato Severino, anunciada com pompa e circunstância, de braço dado com PMR, dias depois daquele ter estado com Abrantes Mendes na sala de paredes vermelhas do restaurante "Barbas"....

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

As lacunas do Bruno

Enquanto a única candidatura opositora à actual direcção não concretiza o conjunto de boas intenções que tem vindo a debitar na praça pública, vou fazendo um apanhado do que queria ver alterado nos próximos 4 anos, caso o Bruno vença as eleições.

Política de comunicação:
Sem dúvida o grande espinho da actual direcção. Se por um lado considero que por vezes se berrou demasiado, por outro também acho que é difícil outra forma de nos fazemos ouvir. O actual panorama nos midia está controlado por figuras afectas ao estado lampiânico, que minam a opinião pública, criando fait-divers, casos, etc. Cabem aqui os paineleiros afectos ao benfica, mas também cabem os jornalistas, que deveriam ter uma posição deontológica afastada da luta clubística, mas que usam das suas colunas de opinião para manipular a informação, a cobro do manto da isenção jornalística.
Quando sofremos ataques de Farinhas, Guerras, Delgados, Venturas, etc. torna-se por vezes difícil escolher um alvo. Juntemos a isto outras frentes de conflito com outros dirigentes desportivos e associativos. 
PMR já referiu que parte da sua estratégia passará por "ladrar menos" e ter mais influencia a partir dos bastidores. Acção por trás do palco parece-me interessante, mas pergunto-me se contra uma opinião pública desfavorável se terá condições de manter essa estratégia. O Sistema portista aguentou-se mais de uma década contra uma opinião pública adversa, mas estava bem sedimentado numa rede de compadrios na estrutura associativa da época. Partindo do princípio que queremos ganhar com justiça e transparência, não podemos copiar o modus operandi do Sistema.
Parece-me que neste ponto BdC arranca atrás do seu adversário, pois muitos, como eu, duvidam que nos próximos 4 anos possamos passar a berrar menos, mas melhor, com BdC no leme.

Política para o futebol:
Outra pecha desta direcção teve que ver com a aparente falta de um elo de ligação entre o Presidente e o treinador da equipa principal. Essa posição, geralmente denominada de director desportivo, pareceu-me que foi sempre ocupada por pessoas cujo principal objectivo não era o de dirigir o futebol, mas sim o de servir de suporte ao Presidente, para resguardo da sua imagem. Augusto Inácio primeiro, Octávio Machado depois, cumpriram com essa função de ser um braço-direito de BdC no balneário e na comunicação do clube em algumas fases da época. Contudo, o seu trabalho ao nível das contratações, definições do plantel, articulação com a equipa B, etc., pareceu-me sempre ter sido negligenciado. Com Jorge Jesus o esquema assumido passou por dar parte das competências de director desportivo ao treinador, o que acabou por se revelar inconsequente, se não mesmo nefasto, para as nossas aspirações nesta época.
Onde a falta de uma política desportiva para o futebol mais se sente é na parte das contratações. É certo que nestes 4 anos tivemos Slimani, Montero, agora Coates, etc. Mas também tivemos Markovic, Sarr, Petrovic, Slavchev, etc., com a agravante que nestes anos nunca conseguimos criar um plantel de, digamos assim, 20 bons jogadores. Pelo contrário, continuamos a viver com 11 ou 12 bons jogadores e o resto "vai-se safando".
Também a política da equipa B, bem como a sua articulação entre a equipa principal, necessita urgentemente de uma redefinição, que promova um melhor aproveitamento da nossa formação.
Espero com bastante interesse novidades que possam vir na campanha eleitoral. Por um lado, aguardo por BdC algum tipo de anúncio sobre o futuro, pois não acredito que Otávio Machado se mantenha na próxima época. Por outro lado, PMR terá aqui uma oportunidade de luxo para reverter a patada que meteu ao anunciar a dispensa de JJ, se conseguir apresentar um nome forte para dirigir o futebol profissional.

Aguardemos.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

PMR e o CityLion

Continuando o périplo pela candidatura presidencial de Pedro Madeira Rodrigues ao nosso clube, irei agora debruçar-me numa questão que, creio eu, não tem merecido o devido destaque, salvo em um ou outro blogue. Estou a falar sobre a verdadeira identidade do bloguista do Camarote Leonino, o CityLion.
O Míster do Café fez um trabalho importante nessa matéria, conforme podem ver neste link:

O blog "Camarote Leonino" é conhecido nas redes sociais como sendo de oposição a Bruno de Carvalho. Moderado por "Rui Gomes", tem assumido uma postura crítica à direcção dos últimos 4 anos, por vezes com conteúdo assertivo e pertinente, outras nem tanto. O que está em causa não é a postura crítica do blog, que é perfeitamente legítima, mas sim a incoerência do que diz o blogger CityLion e o candidato PMR.

Por exemplo, num texto que o CityLion escreveu a 25-07-2016, refere-se à dupla BdC/JJ como "Casal de Parolos", que estariam a fazer do nosso clube um clube "popularucho como o Benfica". Para este opinion maker, nos últimos anos assistiu-se à lampionização do Sporting, as nossas queixas sobre a arbitragem são "calimerices" e todos os que gravitam em torno de BdC são arrogantes e ordinários.

Enquanto candidato, Pedro Madeira Rodrigues tem-se esforçado por apresentar uma postura mais serena e polida, apesar de num ou outro momento ir deixando cair a máscara. O caso com Jorge Jesus, que eu tratei no posto anterior, é um bom exemplo. Apelidar de "ladrar" as nossas queixas sobre o actual estado do futebol é incompatível com a "elevação" que PMR afirma querer trazer. As críticas sobre a nossa política de formação ou o reatamento das relacões com os "agentes desportivos" (leia-se fundos e empresários), demonstram a verdadeira posição do candidato PMR. 

Saber se a pessoa que escreveu tanta coisa nestes últimos anos sobre o Sporting é ou não o candidato PMR, é fulcral para todos os sócios do nosso clube. Para sabermos qual é a verdadeira faceta da pessoa e do que ela realmente pensa sobre o clube. E não a imagem acolhedora e moderada que tem passado nestas últimas semanas na comunicação social.

Para quando a principal e verdadeira pergunta sobre PMR que interessa aos sócios do Sporting, "É você quem era o CityLion do Camarote Leonino"?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Considerações sobre PMR – A questão “Jorge Jesus”

Tenho seguido atentamente a pré-campanha em torno das próximas eleições presidenciais do Sporting. Enquanto não surgem mais candidaturas oficiais, debruçar-me-ei, por agora, pela única oponente à actual direcção.

Independentemente do currículo profissional de Pedro Madeira Rodrigues, que me parece interessante, creio que para ser presidente do Sporting ainda faltam outro tipo de características que PMR não tem revelado nestes dias. Falo de um discurso arrebatador, carismático, de líder. Mas, sobretudo, de coerência. E o assunto do treinador esbarra precisamente nesse aspecto: coerência.

Inicialmente PMR revelou que, caso fosse eleito, trabalharia de bom grado com Jorge Jesus. Após o anúncio de que o treinador fazia parte da comissão de honra de BdC, o candidato optou por excluir JJ dos seus planos. Questionado sobre como arranjará dinheiro para despedir JJ, PMR tem apostado num ingénuo“acredito que ele se demitirá”, coisa que o próprio treinador já afirmou que não fará. PMR aproveitou um fait-diver para justificar correr do clube o actual melhor treinador no nosso campeonato, quando uns dias antes estava entusiasmado para trabalhar com ele.

E o que levou PMR a mudar em poucos dias a sua posição, numa decisão a quente (ele que tanto critica as decisões a quente de BdC)? Como diria Jack-O-Estripador, vamos por partes.

I – Qual a opinião que PMR tem sobre JJ?
Uma das perguntas que deveria ser feita a PMR é se é ele o “Citylion” do Camarote Leonino. Creio que a pergunta apenas foi feita no “Sporting160” e não obteve uma resposta clara. É uma pergunta importante, porque uma coisa é ter uma opinião sobre alguém ontem, mas alterá-la hoje por despeito a algo que se passou. Outra coisa é nunca ter gostado dessa pessoa, mas em público passar inicialmente uma ideia contrária para dar uma imagem conciliadora, para à primeira ocasião descartá-la. Basta consultar o arquivo do Camarote Leonino para sabermos o que pensava o “Citylion” de JJ e concluirmos que era uma questão de tempo, ou oportunidade, até JJ ser descartado por PMR.

II – Mas JJ tem lugar no Sporting nos próximos meses?
A partir do momento que a actual direcção decidiu renovar com o actual treinador, creio que é uma pergunta redundante. Temos de verificar os seguintes factos: a rescisão com Jorge Jesus é milionária. Fala-se em 15 milhões, mas também já li 20 milhões com a equipa técnica. Mas também estamos a falar no melhor treinador actualmente a treinar em Portugal. Creio que antes se deveria perguntar se faria sentido despedir JJ nesta altura. E pensar que JJ simplesmente diz “adeus e um queijo” ao Sporting em caso de vitória do PMR é demasiado ingénuo para ser levado a sério.

III – Que sentido faz despedir JJ em Março?
Faz tanto sentido como o Barcelona despedir Messi, que também está a passar por uma fase menos boa. A não ser que no dia seguinte apresentassem CR7 como reforço do plantel. O que mesmo assim não poderia ser visto como um bom negócio, pese embora o actual grande momento de CR7.
Quando o Sporting rescindiu com Marco Silva, pagou algumas dezenas de milhares de euros para despedir um treinador que, por muito bom que fosse, ainda não era mais do que promissor. E para o seu lugar veio um treinador tarimbado e consagrado.
A não ser que PMR anuncie Capello, Guardiola ou Simeone como treinador do Sporting, quem vier será necessariamente pior que JJ.

IV – O que é que PMR tem a ganhar com isto tudo?
Parece um paradoxo, mas ganha coerência. Coerência com aquilo que escreveu durante os últimos meses no Camarote. Mas aquela coerência que procura agora mostrar na campanha eleitoral perdeu-a. Não pode anunciar “princípios” em cortar com JJ mas depois esquecer-se deles e falar em reatar relações com os “agentes desportivos” (Doyens, Gestifutes, etc.). Ou falar em “exigência” mas depois esbanjar milhões em despedir o melhor treinador que passou pelo Sporting desde, digamos assim, Bobby Robson…

No final talvez ganhe os votos daqueles sócios que, por exemplo, em 2001 acharam bem que não tivéssemos contratado José Mourinho para ser o nosso treinador.