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segunda-feira, 7 de maio de 2018

Desilusão de um sábado à noite

Desilusão.
Depois do empate do Braga no dia anterior, uma vitória no derby encerraria em definitivo a questão do segundo lugar, com a agravante de que chutaríamos para o dia seguinte a festa de consagração do porto. Mas tudo isto seria demasiado fácil e se há coisa a que nós, sportinguistas, não estamos habituados, é a coisas fáceis.
Jorge Jesus fez a sua parte e lançou no onze inicial William e Picinni, claramente sem ritmo para um jogo desta envergadura. Rafa fez o que quis pela direita e William, ainda por cima fora de posição, andava perdido no meio-campo. Gastámos milhões de euros para comprar médios, mas chegamos a um jogo desta importância e lançamos um jogador acabado de recuperar de uma longa lesão. Não compreendo estas "embicações" do nosso treinador, onde por mais extenso que seja o plantel, acabam sempre por ser os mesmos a ser chamados a resolver os jogos. 
Já o disse aqui, e mantenho-o, que o nosso plantel desta época seria o melhor desde 2002. Também o disse, e continuo convencido disso, que esta equipa do benfica não está 6 ou 7 pontos atrás de nós porque é protegida pelos agentes desportivos, sejam eles árbitros, clubes pequenos ou dirigentes federativos. Por isso não compreendo como é que contra uma equipa onde Samaris, Douglas ou Rafa foram titulares, tenhamos feito uma das piores primeiras partes que já fizémos esta época. E mesmo que tenhamos equilibrado as coisas na segunda, nunca fomos uma equipa dominadora e avassaladora. E tínhamos de o fazer, porque somos melhores e a vitória resolveria tudo para o nosso lado. 
Para me recordar do último derby ou clássico onde tenhamos sido claramente superiores ao adversário, tenho de recuar pelo menos duas épocas. Causa-me algum prurido esta nossa queda de qualidade nos jogos grandes. Mas não deixa de ser curioso que o jogo grande onde jogamos melhor esta época tenha sido o único que perdemos (para o campeonato). 

Xistra como ele próprio é
O nosso jogo foi tão fraco, tão mau, tão decepcionante, que sinceramente nem sinto conforto em ter de referir que, mesmo jogando mal, tiveram de nos negar duas grandes penalidades óbvias, além da possibilidade de jogarmos os últimos minutos em superioridade numérica. E falo-o apenas por despeito à absurda argumentação de Rui Vitória, que atribuiu ao árbitro a sua incompetência para vencer um jogo onde conseguiu ser superior.
Carlos Xistra, que em 2015/2016 salvou literalmente o benfica em Guimarães, voltou novamente a ser como sempre foi. Prejudicou-nos sempre que pôde. No final da primeira parte viu uma falta sobre Rafa num desarme limpo de William, de onde resultou uma série de jogadas perigosas para a nossa baliza. Na segunda parte mostrou o amarelo a Jardel quase por favor, tal foi o tempo de levou a puxar o cartão do bolso. Perdoou a expulsão a Bruno Fernandes, mas antes disso fez vista grossa a uma cotovelada de Rúben Dias sobre Gelson.

Falta de killer instinct
Já perdi a conta às inúmeras situações onde Bas Dost, em frente à baliza, prefere passar a bola ao lado e perde uma excelente ocasião para desatar um jogo a nosso favor. Gosto do nosso matador holandês, mas a sua dificuldade em se assumir neste tipo de jogos (lembro-me de um lance semelhante contra o Barcelona) só me leva a ter saudades de... Slimani. Não estará ele por aí disponível para vir fazer uma perninha a Alvalade???

Rúben Dias: um case study à portuguesa
No inicio da década de 90, quando o Sistema estava no seu auge, havia um jovem e promissor jogador a despontar nos relvados portugueses. O seu nome era Fernando Couto, o homem da cabeleira "à Serafim Saudade", um touro de força, que tinha tanto de talentoso como de rude trauliteiro. Fernando Couto passeava-se impune pelos campos, agredindo uma série de jogadores adversários sem a devida punição disciplinar, salvo num jogo na Luz onde enfiou uma cotovelada no Moser.
Tal como Fernando Couto, Rúben Dias é o exemplo da impunidade do clube que domina os bastidores do futebol português. Um jovem jogador de vinte anos, acabado de chegar a titular da equipa sénior do benfica, mas que revela a mesma falta de decoro de Fernando Couto para agredir grosseiramente colegas de profissão. O que se passou no derby com Gelson não foi uma situação isolada, como a entrada dura de Bruno Fernandes sobre Cervi. Foi sim o repetir de um comportamento que, face á impunidade que é demonstrada, já decorre de forma reiterada. É ridículo pensarmos que Rúben Semedo, sem metade da agressividade de Rúben Dias, foi mais reprimido disciplinarmente pelos árbitros.

Última jornada
A deslocação à casa do Marítimo insere-se naquelas deslocações tipicamente dificeis para nós. Sendo o derradeiro jogo do campeonato e significando a vitória a possibilidade de aceder à milionária Liga dos Campeões, só espero que façamos ali o grande jogo que devíamos ter feito no sábado. E que tenhamos muito cuidado para não nos acontecer o mesmo que em 2005, onde na última jornada, também contra uma equipa madeirense, fomos grosseiramente espoliados do segundo lugar.

domingo, 27 de agosto de 2017

Como esfolar um borrego em quatro tempos

Primeiro foi Guimarães. Estádio tradicionalmente complicado para as nossas cores, em especial nos últimos dois anos. Em 2015/16 começámos aí a perder a liderança e na época seguinte, depois de uns 70 minutos muito bem jogados com 3 golos marcados, acabámos infantilmente por nos deixar empatar.
Depois o play-off para a Liga dos Campeões. Já não passávamos um play-off desde que ganhámos ao Beitar de Jerusalém, ainda no século passado. E também nunca tínhamos ganho na Roménia. 
Hoje, para finalizar, o fantasma do pós competições europeias. Tradicionalmente lidávamos sempre mal com as ressacas dos jogos internacionais, fruto mais dos nossos curtos plantéis do que por outro motivo esotérico. Foi sem dúvida a parte mais difícil do esfolamento que temos vindo a fazer ao borrego desde a semana passada. Parecia fácil, a coisa complicou-se e só não deu para o torto porque, felizmente, os tempos já são outros. No fim do dia a merecida festa: o borrego foi impecavelmente esfolado. Seguimos na frente com 12 pontos em outros tantos possíveis e com o apuramento para a LC garantido. Fechou-se um ciclo em beleza. 
Não vi como é que o Estoril levou 4 golos do porto. Mas o que vi hoje foi uma equipa aguerrida, bem arrumada no seu meio-campo, nada tosca a trocar a bola e com alguns jogadores interessantes para seguirmos neste campeonato. A meu ver, este Estoril tem tudo para ser uma espécie de revelação na primeira metade do campeonato, à semelhança do Rio Ave. Vai ser um osso duro de roer para os nossos adversários (não o foi com o porto porque deduzo que a equipa ainda não estava entrosada...). A este lote de equipas sensação, junto também o Feirense, que está a fazer um bom inicio de época. Com quem, curiosamente, vamos ter de jogar na próxima jornada. 
Este jogo contra o Estoril tinha alguns aliciantes, desde logo a qualidade do adversário e a gestão do cansaço da nossa equipa, que jogara 3 dias antes um importante jogo em Bucareste. O Sporting apresentava-se com algumas limitações: William continua na sua novela sai/não sai, Adrien veio tocado da Roménia, a maior parte dos nossos titulares estavam a acusar fadiga... 
JJ, a meu ver bem, respeitou a qualidade do adversário e mexeu o menos possível na sua equipa-tipo. Tirou Adrien e lançou Alan Ruiz. Mas a qualidade do nosso meio-campo ressentiu-se e não apresentou a mesma intensidade dos jogos anteriores. Ajudou termos marcado dois golos madrugadores e pudemos fazer gestão de esforço, mas o adversário soube sempre jogar com essa nossa gestão e foi tentando superiorizar-se ao nosso meio-campo. Tiveram algumas jogadas perigosas, que iam sendo destruídas pela nossa defesa. Na segunda parte entraram melhor e iam tentando empurrar-nos para a nossa baliza, mas a inspiração do nosso sector mais recuado, com Mathieu à cabeça, não deu grandes veleidades aos estorilistas.
A partir dos 70 minutos pareceu-me que o Estoril esgotara a sua capacidade para pressionar os nossos homens e que o resultado do jogo estava selado. Contudo, um excelente golo de Lucas devolveu a incerteza ao resultado final. Mas o Estoril não demonstrou arcaboiço físico para cavalgar sobre nós. Conseguimos ir segurando a bola e deixar o adversário longe da nossa área. Caso o fiscal de linha tivesse visto o enorme fora-do-jogo de onde resultou o final dramático do jogo, teria sido tudo muito mais tranquilo. Ou menos intranquilo. Felizmente este jogo foi em Agosto de 2017, pelo que o seu resultado final está condizente com a verdade desportiva.
Boa parte da nossa quebra na segunda parte resultou, como disse, da fadiga provocada pelo jogo da Roménia. Esta época temos mais soluções para a zona central, pelo que a ausência de Adrien, apesar de notada, não resultou em descalabro. Já a falha física de Coentrão sim. JJ precaveu-se para uma quebra de Piccini e deixou Ristovski no banco. Jonathan foi preterido porque, além de já lá ter 2 defesas, ainda tinha Bruno César. Bruno César desenrascou na esquerda mas teve muitas dificuldades a defender, numa fase em que Acuña, também em quebra, já não defendia. Pergunto-me se não teria sido possível lançar o único central no banco (Tobias) e meter Mathieu à esquerda. O problema aqui é que Tobias oferece menos garantias a central do que Bruno César a defesa esquerdo. A 4 dias do fecho do mercado, com o dinheiro da Champions e da (possível) venda de William, não deveríamos ir buscar mais um central de classe? É que se a actual dupla de centrais se desfaz, e há-de se desfazer por castigos ou lesões, não creio termos substitutos à altura, tal como temos no meio campo e até no ataque. 
Outras notas para Alan Ruiz, que tarda em mostrar-se no Sporting. A segunda parte correu-lhe melhor que a primeira, mas fez muito pouco. Bruno Fernandes esteve mais apagado, pese embora o excelente golo de livre que marcou. E é tão bom saber que temos um especialista em livres frontais à balizada. Mas não deixa de ser curioso que nas primeiras quatro jornadas já tenha visto mais cartões amarelos que Eliseu. Mathieu tem estado soberbo. Piccini hoje assinou um bom jogo. Battaglia continua a surpreender pela positiva, mas num jogo em que se está a ganhar 2-0, faz aquela falta para cartão amarelo no meio campo adversário, numa jogada inofensiva, indica que ainda tem ali muita coisa para aprender.
So far, so good. Agora venham as selecções, daqui a duas semanas há mais.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Os equívocos de Jorge Jesus. Os laterais. A segurança defensiva.

Após uma noite de sono bem dormida, passadas que estão 12 horas do final do jogo entre Sporting e Steaua, sinto-me mais capaz e com a cabeça mais fria para escrever sobre o embate de ontem. Sim, porque se tenho escrito isto logo após o final do jogo, corria o risco de me encerrarem o blog por excessivo uso de linguagem obscena.
Sejamos claros, directos e francos: a 15 de Agosto de 2017, o Sporting não tem equipa e futebol para ganhar ao Steaua de Bucareste, campeão em título da Roménia, antiga glória europeia do século passado, e uma das mais fracas (senão mesmo a mais fraca) equipas deste play-off. O que é que isto significa? Simplesmente que não temos estofo, cabedal, arcaboiço, para jogar numa prova como a Liga dos Campeões. Atenção que daqui a uma semana a coisa pode já ser diferente, e podemos já estar a praticar um futebol de nivel mais elevado. Mas hoje (ontem) não é assim. E temos de refletir sobre isso.
O Steaua de Bucareste apresentou-se em Alvalade como se apresentou o Vitória de Setúbal na passada sexta-feira e como se irão apresentar 99% das equipas que esta época ali forem jogar. Linhas baixas, meio campo a jogar compacto com o bloco defensivo e na frente um ou dois corredores para apanhar os chutões vindos de trás. Enquanto não percebermos isso, de que estamos destinados a jogar quase a totalidade da época com equipas assim, não vale a pena termos muitas esperanças sobre a presente época.
Jorge Jesus continua a ser Jorge Jesus. Mas não aquele que imprimia nas suas equipas características de rolo compressor, como se viu na primeira época que fez em Alvalade. Salvo um ou outra melhoria face à época transacta, continua a cair nos mesmos equívocos que resultam do seu autismo de não mudar o que só ele acha que está bem. Veja-se o caso de Adrien. O nosso capitão é uma das pedras fundamentais da equipa, quando está em forma. E nesta altura não está. Nota-se perfeitamente que no inicio das segundas partes já joga fatigado e ainda lhe falta clareza na maior parte dos movimentos. Parte da nossa incapacidade em construir jogo interior deriva da desinspiração actual do nosso capitão. E quando temos no banco um dos jogadores mais caros da história do clube, que na pré-época e nos jogos oficiais quando entra tem demonstrado capacidade para jogar naquela posição, pergunto-me porque razão JJ insiste tão sofregamente em Adrien?
Além da idiotice que significa usar os jogos oficiais para dar ritmo a Adrien, pois tal reflete-se no rendimento da equipa, JJ coleciona outros equívocos neste inicio de época. Jogar com Podence, neste momento, não se justifica. Podence simplemente não rende a jogar de costas para a baliza. Continuo a achar que nesta fase da época deveria ser utilizado em fases mais adiantadas do jogo, aproveitando o cansaço dos nossos adversários. Doumbia, além de ser um jogador já feito, tem melhores características para jogar no lugar de Podence. Tem mais presença na área e fisicamente é forte. Gostava de o ver jogar de inicio já em Guimarães.
Battaglia, não sendo mau, também não é muito bom. É "jeitozinho", desenrasca. Corre, luta, transporta, mas depois falta-lhe algo. Ontem, na fase final do jogo quando precisávamos de encostar o adversário às cordas, notou-se prefeitamente a sua incapacidade para acelerar o jogo. Com equipas de bloco baixo, jogar com um trinco clássico é um desperdício. E aqui, JJ tinha uma boa alternativa (isto se William não sair), que era pôr Adrien a jogar recuado, deixando Battaglia reservado para fases do jogo onde fosse necessário jogar mais em contenção. E Bruno Fernandes poderia assim assumir naturalmente a sua posição em campo onde rende mais, a 8 a distribuir jogo.
Fora da área dos equívocos, pois aqui ainda não há muitas alternativas, a questão dos laterais. Coentrão mesmo sem ritmo competitivo empresta mais qualidade ao jogo que Jonathan. Aqui todos esperamos que dentro de algumas semanas, Coentrão esteja finalmente pronto para jogar a todo o gás. Se não se lesionar. Quanto a Piccini, só desejo que Ristovski ganhe as rotinas de jogo tão cedo quanto possível. Ontem houve uma jogada sintomática daquilo que vale o jogador, aos 34 minutos. Gelson Martins está no lado direito do ataque, driblando 2 ou 3 adversários, no espaço entre a quina da área e a linha de fundo. O nosso prodígio, que mesmo sem fulgor físico é de longe o melhor do meio-campo para a frente, consegue no meio de tanta perna romena soltar para Piccini, que estava solto na quina da área. Piccini podia centrar de primeira, ajeitar a bola com o pé esquerdo e centrar logo com o direito, ou até rematar de primeira ou segunda à baliza. Mas não, recebeu a bola e congelou durante uma fracção de segundos, como quem pensa "o que é que eu vou fazer com esta coisa redonda, que me está a queimar os pés?". Não fez nada, recebeu a bola, parou, olhou e perdeu a bola. Piccini é isto, um lateral direito sem classe, que a atacar raramente sabe o que fazer à bola, senão soltá-la para Gelson ou enviar de biqueirada para dentro da área. A sua sorte é que como tem Gelson ao seu lado, que vai resolvendo despiques contra um ou dois adversários, acaba por disfarçar a sua clara falta de jeito para jogar em ataque. Tivesse Gelson a sorte de ter Cedric a jogar ao seu lado e outro galo cantaria naquele flanco. E Gelson não só tem de atacar sozinho contra 2 ou 3 adversários com ainda tem de vir atrás a correr para safar o seu colega de lateral. Não admira por isso que o nosso extremo chegue aos 70 minutos completamente estoirado.
Palavra final para a melhor coisa que se tem visto nestes primeiros jogos a doer, que é a segurança defensiva. Sem dúvida fruto do acrescento de Mathieu, bem como das características defensivas de Battaglia, além do trabalho colectivo de posicionamento em campo quando se defende. Apesar de não termos ainda enfrentado adversários que joguem em ataque continuado, jogos como estes correram-nos muito mal no ano passado. Mas em três jogos deveremos ter consentido tantas oportunidades de golo como ano passado num só jogo, o que é positivo. Ainda estamos na fase inicial da época e no ano passado por esta altura também tínhamos a nossa baliza a zeros. As próximas deslocações a Guimarães e Bucareste serão testes de fogo ao nosso jogo defensivo. Mas, neste momento, é onde eu e a maior parte dos sportinguistas se tem agarrado. A esperança de que a segurança defensiva consiga empurrar a equipa para exibições mais fulgorantes no ataque.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Entradas de leão

Como seria expectável, o Sporting entrou na nova época com uma vitória. Não fez uma exibição deslumbrante, longe disso. As notas artísticas ficarão para uma fase mais adiantada da temporada. Por enquanto urge ainda gerir a condição física, pois alguns dos nossos titulares ainda estão a recuperar a sua melhor forma. O que faltou em deslumbramento bastou e sobrou em sobriedade. A equipa jogou compacta, muito competente nos processos defensivos, evitando cavalgadas para a frente para não abrir espaços atrás. Jorge Jesus apostou na quebra física do seu adversário e na sua falta de entrosamento. A justificação de ter deixado Podence no banco para o lançar aos 60 minutos é aceitável. 
Como costume a nação sportinguista pegou numa exibição competente, com um resultado justíssimo, e dividiu-se na sua análise. Da minha parte, já o leram em cima, preferi realçar a parte do jogo colectivo, na segurança defensiva, do critério atacante e, com toda a justiça, da boa abordagem de JJ para este jogo. Já outros preferiram embirrar com a não titularidade de Podence, alegando uma futura desmotivação do nosso avançado, ou então com a forma conservadora como JJ abordou um jogo contra um adversário manifestamente inferior.
Sobre a não titularidade de Podence, duvido que tal já não tivesse sido trabalhado ao longo da semana, logo não acredito que o jogador tenha sido apanhado de surpresa. Adrien, mesmo tendo a sua condição física um furos abaixo da restante equipa, é sempre um jogador preponderante. Mesmo com um pé fora de Alvalade, também poderá haver aqui uma política de não desvalorizar um importante activo nosso, para manter o seu valor de mercado elevado. Bruno Fernandes, pelo que mostrou na pré-época, também teria o seu lugar no onze assegurado. Sendo expectável que Adrien apenas duraria 60 minutos em jogo, provavelmente Podence já saberia que entraria para o lugar do capitão. E, diga-se em abono da verdade, Podence ainda entrou a tempo de fazer uma boa meia-hora de jogo.
A abordagem ao jogo de JJ, que alguns consideraram medrosa face ao adversário, creio que foi a mais sensata e realista. Mais do que ninguém, o nosso treinador sabe qual é a condição física da equipa. Sabe também que se aproximam quatro jogos dificeis, onde os índices físicos dos jogadores terão de estar elevados. O jogo da próxima sexta-feira contra os sadinos será, à partida, mais complicado que este último, com a agravante que se realizará nas vésperas do jogo contra o Steua. Depois vem o Steua, a deslocação a Guimarães e novo jogo contra os romenos, em Bucareste.
Será que havia necessidade de lançar a carne toda no assador logo neste primeiro jogo? É certo que não criámos muitos lances de perigo na primeira parte, logo a estratégia poderia ter corrido mal. Mas JJ teve confiança suficiente na equipa para apostar que, mais cedo ou mais tarde, marcaríamos o nosso golo. Bem vistas as coisas, esta abordagem de JJ até foi mais audaciosa do que medrosa. Veremos como abordará os próximos jogos. Aposto que contra o Setúbal JJ manterá o mesmo onze, ou pelo menos as mesmas características. Correrá bem desta vez? Esperemos que sim.
Depois das depressões causadas pelos jogos na pré-época, alguém já reparou que não sofremos golos há dois jogos? Piccini ainda assustou, mas agora que chega o seu concorrente para a lateral direita, esperemos que a coisa melhore.
Foi o primeiro jogo, ganhámos a uma equipa inferior, não tivemos nota artística mas tivemos um colectivo compacto, não facilitámos e jogámos sempre focados no nosso objectivo. Ainda é cedo para tirarmos conclusões sobre o resto da época? É. Mas as primeiras indicações deixaram-me entusiasmado. Agora é manter o ritmo em crescendo, porque os próximos jogos vão ser fulcrais para o resto da época.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Manter a sobriedade

Começo com um desabafo: ainda sou do tempo em que os sportinguistas diziam, e com orgulho, que éramos do único clube tetracampeão de Portugal. Hoje não só essa marca já é banal, como nos arriscamos a que daqui a um ano nos digam que somos os únicos a não ser penta... cala-te boca, que dás mau agoiro!
Adiante.
Perante a tragédia que está a ser este final de época, quando até estávamos a fazer uma 2.ª volta melhorzinha, tem-se estado a revelar aquela faceta tão típica nos sportinguistas: uma espécie de depressão, onde tudo o que está no clube é mau e o que está para vir é pior. É uma espécie de sebastianismo mas ao contrário. O sebastianismo acreditava no regresso do malogrado D. Sebastião para libertar a pátria subjugada. Nós acreditamos é na vinda de mais desgraças para o Sporting. E como já li algures na nossa blogosfera, esta época só não é mais trágica que a de 2012/2013 porque desta vez não acabámos em sétimo lugar...
Este fim de semana foi terrível para nós. As derrotas na Feira, no futsal, da equipa B... até a vitória do andebol teve sabor a derrota. Com os nossos vizinhos do lado em êxtase, foi com bastante custo que muitos de nós hoje tiveram de sair de casa para ir trabalhar e enfrentar o resto do mundo.
Com o jogo frente ao Chaves relegado para o mesmo plano que a final de sueca do Clube Recreativo de A-dos-Cãos, começamos já a fazer contas à próxima época. As palavras de JJ no final do último jogo foram mais um preparar de desculpas do que uma afirmação de vontade em preparar uma época radicalmente diferente desta. E se um dos problemas este ano foi a falta de atitude, assusta-me que quem tem o dever de a incutir demonstre (por enquanto) incapacidade em cultivá-la. Que não nos costumamos dar bem com inícios antecipados de época, já o sabemos. Que são muito os constrangimentos em ser um dos principais fornecedores de jogados à selecção, também o sabemos. Que pagamos uma pipa de massa a um treinador para, na medida do possível, tornear esses e outros contratempos, era o que eu gostava. 
Obviamente que precisamos de reforços em algumas posições chave do plantel, como nas laterais da defesa. Precisamos de mais um jogador no meio-campo que faça a diferença, puxe pela equipa, gere intensidade nas transições ou na posse de bola. Alguém para jogar ao lado ou à frente de Adrien. E precisamos também de um segundo avançado ou ponta de lança com faro para golo, que nos faça esquecer os Teos e os Castaignos desta vida. E isto se nenhuma das nossas pedras basilares sair, porque se Adrien, William Carvalho (não este, mas o da época passada), Rui Patrício, Coates ou Bas Dost saírem, terão de ser substituídos por alguém à altura.
Para já, não estou muito entusiasmado com os nossos reforços. André Pinto talvez seja uma boa opção para disputar com Rúben Semedo ou Paulo Oliveira o lugar ao lado de Coates, mas para já não será o "patrão" da defesa. Gelson Dala, pelo que tem jogado na equipa B, será o sucessor natural de Castaignos no plantel principal. Não acredito que JJ desperdice o talento do jovem angolano, a não ser que a pré-época corra muito mal para o avançado (benzo-me repetidamente!!!). Para as laterais, o primeiro nome não me entusiasma. Piccini soa-me demasiado a Schelotto, o que para mim é deprimente. O galgo pode correr muito e tal, mas na prática não é mais do que um Marian Had com jeito para a restauração italiana. A centrar é uma lástima e a defender não é regular. Curiosamente é o mesmo que se diz de Piccini. Quando à outra quase contratação, o filho de Bebeto, pergunto-me se um jogador "jeitozinho" do Estoril é o ideal para ser o dínamo do meio-campo do Sporting. Já nem vou ao ponto de perguntar o que é que este Matheus tem de diferente do nosso Matheus, do Geraldes ou do Gauld, não entro por aí (perdoem-me, mas tenho muitas dúvidas que qualquer um desses jogadores seja hoje uma opção válida para o onze inicial de um candidato ao título português). Se o objectivo era contratar alguém com ADN de estrela, então a escolha foi acertada. Agora se a ideia era injectar dinamismo e criatividade na equipa, mas sem o jogo pausado de Alan Ruiz, tenho dúvidas da utilidade dessa transferência. 
Para já não tenho muitos motivos para ficar entusiasmado com a próxima temporada, antes pelo contrário. Mas apelo a que todos os sportinguistas mantenham um pouco de sobriedade nesta fase da época, onde tudo nos parece mau ou não presta. Esperemos serenamente a preparação do plantel, o início da pré-época e os primeiros jogos amigáveis. Faço cruzes, e lá no fundo acredito, que esta época não tenha passado de um sonho mau, um dia difícil, o passo atrás antes dos três ou quatro à frente.