Mostrar mensagens com a etiqueta Adrien. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Adrien. Mostrar todas as mensagens

sábado, 5 de janeiro de 2019

Nós, as lampionices e as andradices

Lampionices.
Como seria de esperar, Rui Vitória lá teve de seguir o seu solitário caminho até à porta de saída do Seixal. O actual momento lampiónico precisava de um bode expiatório, papel esse que assenta que nem uma luva ao treinador entretanto despedido. Vitória, apesar dos títulos conquistados, estava completamente desacreditado junto da massa associativa encarnada. Não conheço nenhum benfiquista que, nesta altura, ousasse conceder uma ponta de benefício de dúvida ao treinador que conquistou o recorde de 88 pontos num campeonato. Isso diz muito do que os benfiquistas pensam do mérito da pessoa que treinava o seu clube nessa época. Sem carisma, sonso, com um discurso cheio de vacuidades, sem pinga de espontaneidade, certamente que Vitória irá desaparecer algures pelos desertos das arábias ou pelas estepes asiáticas, pois não acredito que algum clube europeu de topo o queira contratar. 
Apesar dos contratempos da nossa justiça, que não é propriamente conhecida pela sua celeridade, não há dúvida que o Estado Lampiânico ficou combalido com tudo o que saiu sobre o seu mecanismo. Os "padres", as "missas", o conluio com os "grupos de sócios organizados", as cartilhas com comentadores e jornalistas, as facilitações aos "clubes amigos" e, mais importante ainda, a queda de Paulo Gonçalves. Este rombo que o EL levou nos bastidores do futebol português acabou por se reflectir na performance da equipa no campeonato. A mediocridade do futebol lampiónico, que já era bem visível nas últimas campanhas europeias, ainda era por aqui disfarçada com a ajuda dos "padres", "missas", Bragas e Tondelas. Com o tempo, os "padres" foram-se afastando, chegando ao ponto "cereja em cima do bolo" de já expulsarem Jonas. Os clubes pequenos já vão batendo o pé ao clube DDT, pelo que se tornava cada vez mais difícil ao "Rei Midas" explicar aos seus sócios como é que a equipa que há duas épocas fez 88 pontos, apresenta hoje uma mediocridade de futebol (excepto com o Braga, claro está). Rui Vitória assumiu assim as vestes de "cordeiro pascal", sendo lançado aos lobos sem apelo nem agravo. Vieira ganha alguma margem de manobra, pois terá sempre a desculpa de ter de partir do zero a meio da época. Os adeptos, embalados pela mão presidencial e pela cartilha jornaleira, que ao contrário do que fizeram com Peseiro não perderam tempo em denegrir o trabalho do campino de Vila Franca de Xira, ficam assim com a sua atenção desviada do essencial. E o "essencial" desta história está bem à vista de todos: sem Paulo Gonçalves e os seus expedientes, este benfica é banal.

Andradices.
Com o ocaso do Estado Lampiânico, adivinhem quem é que voltou a aparecer? O Sistema, não ainda o velho Sistema da fruta e das viagens para o Brasil, mas que para lá caminhará se não lhe puserem a mão. Esta jornada mais uma vitória tangencial, mais uma ajudinha milagreira. Podem refilar que o protocolo do VAR não permitiria anular aquele lance, mas não é por isso que ele não deixa de ser ilegal. Já perdi a contagem aos lances duvidosos cuja avaliação, nesta época, descai sempre para o lado dos andrades. Os "padres", percebendo de que lado toca agora a música que embala as suas missas, lá se começaram a adaptar à nova realidade. É voltar a ver Maxi Pereira a passear incólume pelos relvados, acompanhado por Felipe.
Empurrados pelos seus novos amigos, os andrades lá vão conseguindo passar "à rasquinha" nos vários jogos que tem disputado. Por enquanto ainda conseguem disfarçar as suas limitações com a "garra" ou "força de vontade" com que conseguem entrar em jogo. O seu futebol é semelhante ao da última época, marcada pelas correrias dos seus avançados e constante bombeamento de bolas para a frente. Não é um futebol bonito mas é eficaz. Veremos até quando dura essa eficácia.

E nós.
O Sporting vai seguindo o seu caminho. A derrota de Guimarães foi justa, pois foi o espelho de uma exibição fraca frente a um Vitória que jogou muitíssimo bem. Foi este Vitória que ganhou no porto, virando um resultado de 2-0 para 2-3, e que perdeu pela margem mínima na Luz. Foi um tropeção desnecessário, pois vimos aumentar a distância para o primeiro classificado, mas foi justo. Entretanto conseguimos o apuramento para a final-four da Taça da Liga e voltámos às vitórias no campeonato, diante de um difícil Belenenses. As exibições continuam bem acima das do tempo de Peseiro, mas sentimos que ainda falta muita coisa para apurar. O ataque ao mercado de Inverno, onde até agora só se contratou um avançado e fez-se regressar Geraldes, ainda está longe de ter respondido aos nossos anseios. Continuo a achar que precisávamos de melhores defesas laterais, mais da direita do que da esquerda. E mais opções para o meio-campo, que como se viu nos últimos jogos, fica logo abalado com lesão ou castigo de um dos seus titulares. Aqui não compreendo como se possa considerar que um putativo empréstimo de Adrien não seja uma boa aquisição para a equipa. Adrien será sempre uma opção muito válida no nosso plantel, seja como titular ou como substituto, pelo que ficaria muito satisfeito com o seu regresso.
Quanto aos negócios mendianos que neste Inverno voltámos a fazer, falarei disso num outro post. Mas não posso deixar de expressar o meu desalento pelo facto de, mais uma vez, termos dado mostras de não ter memória, deixando entrar em nossa casa quem muito fez para a destruir.

sábado, 2 de setembro de 2017

O Al-Carnidão volta ao ataque: o mercado de Agosto

Todos estarão recordados da feliz expressão que o grande sportinguista José de Pina inventou para a cartilha, o "Al-Carnidão". Pois bem, depois de algumas semanas escondido, eis que o Al-Carnidão nos volta a entrar pelas nossas casas, entoado até à exaustão. E desta vez os seus argumentos são tão absurdos e tão ridículos, que chega a ser doentio. Nem os benfiquistas mais sérios acreditam no que lhes tentam impingir, tal é a desfaçatez da narrativa inventada. E eu já vi a reacção de muitos nas redes sociais. 
Tudo começou com os últimos dias do mercado de verão. Basicamente os três clubes grandes de Portugal tiveram a seguinte prestação:
Clube X: Vendeu 4 dos seus titulares da época passada: o guarda-redes, o defesa direito, um defesa central e um avançado. Nenhum dos seus substitutos parece estar à altura de quem saiu, excepção feita de quem chegou para ponta-de-lança. Fez muito dinheiro com as vendas, é certo, mas o investimento no plantel ficou muito à quem desse valor recebido.
Clube Y: Vendeu vários jogadores, dos quais só um é que costumava ser titular: o ponta-de-lança. Substituiu-o no plantel por outros avançados que estavam emprestados e que tem vindo a fazer um bom inicio de campeonato. Compraram um guarda-redes, que deverá ser suplente.
Clube Z: Vendeu 4 jogadores que eram titulares: um defesa central, dois laterais e um centro-campista, que também era o seu capitão de equipa. Para os seus lugares chegaram jogadores que são actualmente titulares indiscutíveis, estando a equipa a jogar melhor futebol que no ano anterior. O investimento foi forte mas é compensado pelos ganhos em vendas.
Olhando para os três clubes, o X parece ter feito o melhor mercado, pelo menos em dinheiro. No entanto a qualidade do plantel formado parece, até agora, inferior ao que tinha antes. O clube Y mantêm a sua base, fazendo da estabilidade a sua grande arma. O clube Z perdeu o seu capitão, mas ganhou melhores jogadores para posições deficitárias no seu plantel, inclusivamente a posição onde estava o capitão de equipa. Os clubes X,Y e Z são perfeitamente identificáveis. Como também é perfeitamente identificável que dos três, foi o clube X quem ficou mais a perder neste mercado em qualidade. Como para o Estado Lampiânico é impensável o seu clube ficar atrás do que quer que fosse, urgia olear a sua máquina propagandista para distorcer a realidade, vendendo a ilusão de que o clube X tinha, afinal, sido o grande triunfador do mercado. E o clube Z o grande derrotado.
O Estado Lampiânico há muito que definiu o Sporting como alvo a abater. Quer pelo facto do nosso presidente ser muito crítico sobre a sua actuação, quer porque o EL ainda não se sente muito à vontade para atacar o Sistema. É um pouco como aquele fanfarrão lá da rua, que tendo medo do matulão do tamanho dele, tenta virar-se contra outro alvo mais vulnerável. É certo que a vulnerabilidade do Sporting já não é a mesma de há 3 ou 4 anos, mas ainda não estamos no patamar do porto. Temos conseguido e aprendido a defender melhor. Mas ainda somos o alvo. Resta-nos a consolação de que os ataques que nos fazem são cada vez mais ridículos e absurdos.
Escrevi aqui, algures no final da época passada, de que precisávamos de uma estrutura mais competente para o nosso futebol profissional, de modo a conseguirmos implementar uma política de contratações diferente dos últimos anos. O nosso scouting era o calcanhar de Aquiles da direcção de Bruno de Carvalho, pois eram poucas as nossas contratações que se conseguiam impor na equipa principal, com qualidade acrescida. Este ano assistimos precisamente ao contrário das últimas épocas, pois de quem entrou, poucos não se tornaram titulares de imediato. Com a agravante de que a qualidade da equipa e do futebol praticado subiu face aos últimos anos. Sem comparar com os nossos adversários, esta constatação bastaria, por si só, para reconhecer o bom mercado de verão do nosso clube.
Em relação a vendas, saíram 3 titulares cujo rendimento não parecia condizente com aquilo que queríamos para a equipa. Marvin, Schelotto e Rúben Semedo foram bem vendidos, rendendo quase 20 milhões em vendas. A quarta saída (a efectivar-se) será a mais importante do ponto de vista desportivo. Adrien Silva, além de capitão, era o dínamo do nosso meio-campo nestas últimas épocas, bem como da selecção campeã da Europa. Mas depois da novela da época passada, e atendendo à idade do jogador, era uma saída mais do que esperada. E pode-se dizer que a SAD tratou e bem de colmatar a sua saída, contratando um jovem promissor jogador, Bruno Fernandes, e o raçudo Battaglia. E veremos se a partir de agora, Matheus Oliveira não terá mais chances de mostrar o seu valor a JJ. Quanto a William, sobre quem cheguei a escrever um requiem em tom de despedida, a sua permanência é sem dúvida alguma uma mais valia para a nossa equipa. O West Ham era demasiado pequeno para a sua categoria, mas acredito que os ingleses lhe tenham acenado com um ordenado milionário, daqueles de dar a volta à cabeça, apostando mais em pôr o jogador a forçar a sua saída do que propriamente em discutir seriamente a sua compra com o Sporting. Esta forma de negociar já funcionou em tempos com o Sporting, basta-nos lembrar de João Moutinho. Mas agora já não é assim. William ficou, será o nosso capitão, e merece um trabalho específico para recuperar anímica e moralmente do mercado. E acredito que a nossa estrutura de futebol estará à altura de o fazer.
Este foi o mercado que tivemos, em termos genéricos positivos. Mas será que o Al-Carnidão dirá o mesmo sobre ele? Claro que não. Uma das nossas melhores contratações afinal tinha sido oferecida e recusada pelo benfica, que agora sim, vai apostar a sério na formação!!! Gabigol preferiu o benfica ao Sporting, porque o benfica é grande e não porque estes lhe vão pagar 40% do seu milionário ordenado. Jimenez não saiu e Garay e Gaitan não vieram porque o benfica não quis. Mitroglou não saía por 25 M€ mas saiu por 15€ (mais um pouco e Gabigol sairia tão caro como o grego). William, que afinal já era um trinco de classe mundial, é agora vítima de escravatura, pois o Sporting cortou-lhe as pernas. Até com Schelotto foram embirrar...
Mas isto não ficará por aqui. Nos próximos dias aposto que o presidente do West Ham continuará a ter tempo de antena para ir despejando as suas alarvidades. E não me admirava nada de que o pai do Gelson Martins viesse dar uma entrevista ou que se viesse a descobrir que o Sporting proibiu Acuña de treinar em Alcochete com cuecas vermelhas. Enquanto isso Eliseu continuará a espalhar classe pelos relvados, Vasco Santos apitará mais uns jogos e Gabigol será o novo fenómeno do futebol mundial, depois de Renato Sanches.

domingo, 27 de agosto de 2017

Como esfolar um borrego em quatro tempos

Primeiro foi Guimarães. Estádio tradicionalmente complicado para as nossas cores, em especial nos últimos dois anos. Em 2015/16 começámos aí a perder a liderança e na época seguinte, depois de uns 70 minutos muito bem jogados com 3 golos marcados, acabámos infantilmente por nos deixar empatar.
Depois o play-off para a Liga dos Campeões. Já não passávamos um play-off desde que ganhámos ao Beitar de Jerusalém, ainda no século passado. E também nunca tínhamos ganho na Roménia. 
Hoje, para finalizar, o fantasma do pós competições europeias. Tradicionalmente lidávamos sempre mal com as ressacas dos jogos internacionais, fruto mais dos nossos curtos plantéis do que por outro motivo esotérico. Foi sem dúvida a parte mais difícil do esfolamento que temos vindo a fazer ao borrego desde a semana passada. Parecia fácil, a coisa complicou-se e só não deu para o torto porque, felizmente, os tempos já são outros. No fim do dia a merecida festa: o borrego foi impecavelmente esfolado. Seguimos na frente com 12 pontos em outros tantos possíveis e com o apuramento para a LC garantido. Fechou-se um ciclo em beleza. 
Não vi como é que o Estoril levou 4 golos do porto. Mas o que vi hoje foi uma equipa aguerrida, bem arrumada no seu meio-campo, nada tosca a trocar a bola e com alguns jogadores interessantes para seguirmos neste campeonato. A meu ver, este Estoril tem tudo para ser uma espécie de revelação na primeira metade do campeonato, à semelhança do Rio Ave. Vai ser um osso duro de roer para os nossos adversários (não o foi com o porto porque deduzo que a equipa ainda não estava entrosada...). A este lote de equipas sensação, junto também o Feirense, que está a fazer um bom inicio de época. Com quem, curiosamente, vamos ter de jogar na próxima jornada. 
Este jogo contra o Estoril tinha alguns aliciantes, desde logo a qualidade do adversário e a gestão do cansaço da nossa equipa, que jogara 3 dias antes um importante jogo em Bucareste. O Sporting apresentava-se com algumas limitações: William continua na sua novela sai/não sai, Adrien veio tocado da Roménia, a maior parte dos nossos titulares estavam a acusar fadiga... 
JJ, a meu ver bem, respeitou a qualidade do adversário e mexeu o menos possível na sua equipa-tipo. Tirou Adrien e lançou Alan Ruiz. Mas a qualidade do nosso meio-campo ressentiu-se e não apresentou a mesma intensidade dos jogos anteriores. Ajudou termos marcado dois golos madrugadores e pudemos fazer gestão de esforço, mas o adversário soube sempre jogar com essa nossa gestão e foi tentando superiorizar-se ao nosso meio-campo. Tiveram algumas jogadas perigosas, que iam sendo destruídas pela nossa defesa. Na segunda parte entraram melhor e iam tentando empurrar-nos para a nossa baliza, mas a inspiração do nosso sector mais recuado, com Mathieu à cabeça, não deu grandes veleidades aos estorilistas.
A partir dos 70 minutos pareceu-me que o Estoril esgotara a sua capacidade para pressionar os nossos homens e que o resultado do jogo estava selado. Contudo, um excelente golo de Lucas devolveu a incerteza ao resultado final. Mas o Estoril não demonstrou arcaboiço físico para cavalgar sobre nós. Conseguimos ir segurando a bola e deixar o adversário longe da nossa área. Caso o fiscal de linha tivesse visto o enorme fora-do-jogo de onde resultou o final dramático do jogo, teria sido tudo muito mais tranquilo. Ou menos intranquilo. Felizmente este jogo foi em Agosto de 2017, pelo que o seu resultado final está condizente com a verdade desportiva.
Boa parte da nossa quebra na segunda parte resultou, como disse, da fadiga provocada pelo jogo da Roménia. Esta época temos mais soluções para a zona central, pelo que a ausência de Adrien, apesar de notada, não resultou em descalabro. Já a falha física de Coentrão sim. JJ precaveu-se para uma quebra de Piccini e deixou Ristovski no banco. Jonathan foi preterido porque, além de já lá ter 2 defesas, ainda tinha Bruno César. Bruno César desenrascou na esquerda mas teve muitas dificuldades a defender, numa fase em que Acuña, também em quebra, já não defendia. Pergunto-me se não teria sido possível lançar o único central no banco (Tobias) e meter Mathieu à esquerda. O problema aqui é que Tobias oferece menos garantias a central do que Bruno César a defesa esquerdo. A 4 dias do fecho do mercado, com o dinheiro da Champions e da (possível) venda de William, não deveríamos ir buscar mais um central de classe? É que se a actual dupla de centrais se desfaz, e há-de se desfazer por castigos ou lesões, não creio termos substitutos à altura, tal como temos no meio campo e até no ataque. 
Outras notas para Alan Ruiz, que tarda em mostrar-se no Sporting. A segunda parte correu-lhe melhor que a primeira, mas fez muito pouco. Bruno Fernandes esteve mais apagado, pese embora o excelente golo de livre que marcou. E é tão bom saber que temos um especialista em livres frontais à balizada. Mas não deixa de ser curioso que nas primeiras quatro jornadas já tenha visto mais cartões amarelos que Eliseu. Mathieu tem estado soberbo. Piccini hoje assinou um bom jogo. Battaglia continua a surpreender pela positiva, mas num jogo em que se está a ganhar 2-0, faz aquela falta para cartão amarelo no meio campo adversário, numa jogada inofensiva, indica que ainda tem ali muita coisa para aprender.
So far, so good. Agora venham as selecções, daqui a duas semanas há mais.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Os equívocos de Jorge Jesus. Os laterais. A segurança defensiva.

Após uma noite de sono bem dormida, passadas que estão 12 horas do final do jogo entre Sporting e Steaua, sinto-me mais capaz e com a cabeça mais fria para escrever sobre o embate de ontem. Sim, porque se tenho escrito isto logo após o final do jogo, corria o risco de me encerrarem o blog por excessivo uso de linguagem obscena.
Sejamos claros, directos e francos: a 15 de Agosto de 2017, o Sporting não tem equipa e futebol para ganhar ao Steaua de Bucareste, campeão em título da Roménia, antiga glória europeia do século passado, e uma das mais fracas (senão mesmo a mais fraca) equipas deste play-off. O que é que isto significa? Simplesmente que não temos estofo, cabedal, arcaboiço, para jogar numa prova como a Liga dos Campeões. Atenção que daqui a uma semana a coisa pode já ser diferente, e podemos já estar a praticar um futebol de nivel mais elevado. Mas hoje (ontem) não é assim. E temos de refletir sobre isso.
O Steaua de Bucareste apresentou-se em Alvalade como se apresentou o Vitória de Setúbal na passada sexta-feira e como se irão apresentar 99% das equipas que esta época ali forem jogar. Linhas baixas, meio campo a jogar compacto com o bloco defensivo e na frente um ou dois corredores para apanhar os chutões vindos de trás. Enquanto não percebermos isso, de que estamos destinados a jogar quase a totalidade da época com equipas assim, não vale a pena termos muitas esperanças sobre a presente época.
Jorge Jesus continua a ser Jorge Jesus. Mas não aquele que imprimia nas suas equipas características de rolo compressor, como se viu na primeira época que fez em Alvalade. Salvo um ou outra melhoria face à época transacta, continua a cair nos mesmos equívocos que resultam do seu autismo de não mudar o que só ele acha que está bem. Veja-se o caso de Adrien. O nosso capitão é uma das pedras fundamentais da equipa, quando está em forma. E nesta altura não está. Nota-se perfeitamente que no inicio das segundas partes já joga fatigado e ainda lhe falta clareza na maior parte dos movimentos. Parte da nossa incapacidade em construir jogo interior deriva da desinspiração actual do nosso capitão. E quando temos no banco um dos jogadores mais caros da história do clube, que na pré-época e nos jogos oficiais quando entra tem demonstrado capacidade para jogar naquela posição, pergunto-me porque razão JJ insiste tão sofregamente em Adrien?
Além da idiotice que significa usar os jogos oficiais para dar ritmo a Adrien, pois tal reflete-se no rendimento da equipa, JJ coleciona outros equívocos neste inicio de época. Jogar com Podence, neste momento, não se justifica. Podence simplemente não rende a jogar de costas para a baliza. Continuo a achar que nesta fase da época deveria ser utilizado em fases mais adiantadas do jogo, aproveitando o cansaço dos nossos adversários. Doumbia, além de ser um jogador já feito, tem melhores características para jogar no lugar de Podence. Tem mais presença na área e fisicamente é forte. Gostava de o ver jogar de inicio já em Guimarães.
Battaglia, não sendo mau, também não é muito bom. É "jeitozinho", desenrasca. Corre, luta, transporta, mas depois falta-lhe algo. Ontem, na fase final do jogo quando precisávamos de encostar o adversário às cordas, notou-se prefeitamente a sua incapacidade para acelerar o jogo. Com equipas de bloco baixo, jogar com um trinco clássico é um desperdício. E aqui, JJ tinha uma boa alternativa (isto se William não sair), que era pôr Adrien a jogar recuado, deixando Battaglia reservado para fases do jogo onde fosse necessário jogar mais em contenção. E Bruno Fernandes poderia assim assumir naturalmente a sua posição em campo onde rende mais, a 8 a distribuir jogo.
Fora da área dos equívocos, pois aqui ainda não há muitas alternativas, a questão dos laterais. Coentrão mesmo sem ritmo competitivo empresta mais qualidade ao jogo que Jonathan. Aqui todos esperamos que dentro de algumas semanas, Coentrão esteja finalmente pronto para jogar a todo o gás. Se não se lesionar. Quanto a Piccini, só desejo que Ristovski ganhe as rotinas de jogo tão cedo quanto possível. Ontem houve uma jogada sintomática daquilo que vale o jogador, aos 34 minutos. Gelson Martins está no lado direito do ataque, driblando 2 ou 3 adversários, no espaço entre a quina da área e a linha de fundo. O nosso prodígio, que mesmo sem fulgor físico é de longe o melhor do meio-campo para a frente, consegue no meio de tanta perna romena soltar para Piccini, que estava solto na quina da área. Piccini podia centrar de primeira, ajeitar a bola com o pé esquerdo e centrar logo com o direito, ou até rematar de primeira ou segunda à baliza. Mas não, recebeu a bola e congelou durante uma fracção de segundos, como quem pensa "o que é que eu vou fazer com esta coisa redonda, que me está a queimar os pés?". Não fez nada, recebeu a bola, parou, olhou e perdeu a bola. Piccini é isto, um lateral direito sem classe, que a atacar raramente sabe o que fazer à bola, senão soltá-la para Gelson ou enviar de biqueirada para dentro da área. A sua sorte é que como tem Gelson ao seu lado, que vai resolvendo despiques contra um ou dois adversários, acaba por disfarçar a sua clara falta de jeito para jogar em ataque. Tivesse Gelson a sorte de ter Cedric a jogar ao seu lado e outro galo cantaria naquele flanco. E Gelson não só tem de atacar sozinho contra 2 ou 3 adversários com ainda tem de vir atrás a correr para safar o seu colega de lateral. Não admira por isso que o nosso extremo chegue aos 70 minutos completamente estoirado.
Palavra final para a melhor coisa que se tem visto nestes primeiros jogos a doer, que é a segurança defensiva. Sem dúvida fruto do acrescento de Mathieu, bem como das características defensivas de Battaglia, além do trabalho colectivo de posicionamento em campo quando se defende. Apesar de não termos ainda enfrentado adversários que joguem em ataque continuado, jogos como estes correram-nos muito mal no ano passado. Mas em três jogos deveremos ter consentido tantas oportunidades de golo como ano passado num só jogo, o que é positivo. Ainda estamos na fase inicial da época e no ano passado por esta altura também tínhamos a nossa baliza a zeros. As próximas deslocações a Guimarães e Bucareste serão testes de fogo ao nosso jogo defensivo. Mas, neste momento, é onde eu e a maior parte dos sportinguistas se tem agarrado. A esperança de que a segurança defensiva consiga empurrar a equipa para exibições mais fulgorantes no ataque.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Entradas de leão

Como seria expectável, o Sporting entrou na nova época com uma vitória. Não fez uma exibição deslumbrante, longe disso. As notas artísticas ficarão para uma fase mais adiantada da temporada. Por enquanto urge ainda gerir a condição física, pois alguns dos nossos titulares ainda estão a recuperar a sua melhor forma. O que faltou em deslumbramento bastou e sobrou em sobriedade. A equipa jogou compacta, muito competente nos processos defensivos, evitando cavalgadas para a frente para não abrir espaços atrás. Jorge Jesus apostou na quebra física do seu adversário e na sua falta de entrosamento. A justificação de ter deixado Podence no banco para o lançar aos 60 minutos é aceitável. 
Como costume a nação sportinguista pegou numa exibição competente, com um resultado justíssimo, e dividiu-se na sua análise. Da minha parte, já o leram em cima, preferi realçar a parte do jogo colectivo, na segurança defensiva, do critério atacante e, com toda a justiça, da boa abordagem de JJ para este jogo. Já outros preferiram embirrar com a não titularidade de Podence, alegando uma futura desmotivação do nosso avançado, ou então com a forma conservadora como JJ abordou um jogo contra um adversário manifestamente inferior.
Sobre a não titularidade de Podence, duvido que tal já não tivesse sido trabalhado ao longo da semana, logo não acredito que o jogador tenha sido apanhado de surpresa. Adrien, mesmo tendo a sua condição física um furos abaixo da restante equipa, é sempre um jogador preponderante. Mesmo com um pé fora de Alvalade, também poderá haver aqui uma política de não desvalorizar um importante activo nosso, para manter o seu valor de mercado elevado. Bruno Fernandes, pelo que mostrou na pré-época, também teria o seu lugar no onze assegurado. Sendo expectável que Adrien apenas duraria 60 minutos em jogo, provavelmente Podence já saberia que entraria para o lugar do capitão. E, diga-se em abono da verdade, Podence ainda entrou a tempo de fazer uma boa meia-hora de jogo.
A abordagem ao jogo de JJ, que alguns consideraram medrosa face ao adversário, creio que foi a mais sensata e realista. Mais do que ninguém, o nosso treinador sabe qual é a condição física da equipa. Sabe também que se aproximam quatro jogos dificeis, onde os índices físicos dos jogadores terão de estar elevados. O jogo da próxima sexta-feira contra os sadinos será, à partida, mais complicado que este último, com a agravante que se realizará nas vésperas do jogo contra o Steua. Depois vem o Steua, a deslocação a Guimarães e novo jogo contra os romenos, em Bucareste.
Será que havia necessidade de lançar a carne toda no assador logo neste primeiro jogo? É certo que não criámos muitos lances de perigo na primeira parte, logo a estratégia poderia ter corrido mal. Mas JJ teve confiança suficiente na equipa para apostar que, mais cedo ou mais tarde, marcaríamos o nosso golo. Bem vistas as coisas, esta abordagem de JJ até foi mais audaciosa do que medrosa. Veremos como abordará os próximos jogos. Aposto que contra o Setúbal JJ manterá o mesmo onze, ou pelo menos as mesmas características. Correrá bem desta vez? Esperemos que sim.
Depois das depressões causadas pelos jogos na pré-época, alguém já reparou que não sofremos golos há dois jogos? Piccini ainda assustou, mas agora que chega o seu concorrente para a lateral direita, esperemos que a coisa melhore.
Foi o primeiro jogo, ganhámos a uma equipa inferior, não tivemos nota artística mas tivemos um colectivo compacto, não facilitámos e jogámos sempre focados no nosso objectivo. Ainda é cedo para tirarmos conclusões sobre o resto da época? É. Mas as primeiras indicações deixaram-me entusiasmado. Agora é manter o ritmo em crescendo, porque os próximos jogos vão ser fulcrais para o resto da época.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Balanços da pré-época

A uma semana antes do inicio oficial das competições, eis que voltamos a ser novamente candidatos a vencer a Champions League, fruto da última vitória da nossa equipa em Alvalade. 
Foi uma pré-época de altos e baixos. No Algarve começámos com um empate frente ao Belenenses, seguindo-se depois uma vitória na Suiça diante o Fenerbaçe. Quando alguns já viam o esboço de uma equipa galáctica, disposta a limpar tudo o que era troféu nos quatro cantos deste mundo, eis que duas derrotas frente a Marselha e Basileia nos lançou para um abismo profundo. O abismo durou uma semana e basicamente nesses dias ninguém prestava, desde o defesa direito, passando pelos pernetas do meio-campo, os marrecos do avançado, os tuberculosos dos defesas centrais, até ao Paulinho e à senhora da limpeza. A vitória em casa frente ao Mónaco devolveu-nos nova lufada de euforia, travada estrondosamente num jogo de experiências mal conseguidas em Rio Maior. Após nova fase de depressão, regresso às vitórias e à esperança de um bom arranque de época. Foi mais ou menos isto.
Pelo caminho, o tal que prefere sul-americanos aos "Manéis" de Alcochete, parece apostado em lançar Podence no onze base e Iuri Medeiros como opção válida nas alas. 
Está tudo bem? Claro que não. Era impossível estar tudo bem nesta fase da época. Mas salvo raras excepções, olhamos para os nossos jogadores, em especial para quem chegou este ano, e ficamos com a sensação que estão todos a evoluir, em fase de crescendo. Piscinni não é perneta, Coentrão e Mathieu não são tuberculosos, Bataglia não é marreco. E no dia 6 acredito que estarão melhor do que estiveram sábado passado.
Se para quem chegou estou muito esperançado que sejam bons reforços para a equipa, dos que vieram do ano passado tenho dúvidas de alguns. A começar em Alan Ruiz, que pela forma como acabou a última época parecia ter tudo para se afirmar este ano. Pelo que vi na pré-época, Alan Ruiz foi uma tremenda decepção. Lento, errático, sem acutilância, está neste momento a anos-luz de Podence ou até de Doumbia. É impossível continuar a insistir no argentino se ele não conseguir dar mais do que isto. E mesmo o melhor Alan Ruiz da época passada é pouco para um meio-campo/ataque de uma equipa com aspirações para conquistar o título. Pergunto-me se não seria melhor despachá-lo para outras paragens, uma vez que parece ter mercado à sua espreita.
Outros jogadores que vieram da época passada e que olho com alguma prudência são os nossos internacionais. Não que a sua qualidade esteja em causa, mas sim se não estarão já a caminho de outros campeonatos. O mês de Agosto vai ser longo e até às 24 horas de 31 muita água vai passar pela ponte. Do vejo, parece-me evidente que a relação de Adrien com o Sporting é de alguém que já se está a despedir e a fazer as malas para outro lugar. É perfeitamente justo para o nosso capitão, pois está no limite para dar o salto para um grande campeonato. Além de que acho que a sua ausência tem sido testada e com resultados aceitáveis na pré-época. Entre Gelson, Rui Patrício ou William, este último também se perfila na iminência de sair. O William da época passada não me deixa grandes saudades. Não foi o mesmo jogador de há dois ou três anos. Não vou aqui tentar adivinhar porque motivo na última época jogou de forma tristonha, por vezes apática ou cansado. Desse William não temos grandes saudades. Mas do William que corre, ganha bolas, lança ataques e passes longos, esse sim, faz-nos falta e não temos que o substitua à altura. Se William ficar mais um ano, espero que volte ao que era no primeiro ano de JJ no Sporting. É daquele tipo de jogadores que influencia qualitativamente uma equipa, para ser campeã. 
Uma última palavra para a pré-época realizada pelos nossos rivais. O benfica tem demonstrado o que já se esperava, dificuldades na defesa depois de ter perdido o seu guarda-redes, o lateral direito e um central. Quem está ou veio não tem claramente a qualidade de quem saiu, pelo que estou curioso de ver o impacto dessas mudanças nos seus primeiros jogos da época. Se o Vitória de Guimarães jogar da mesma forma personalizada como jogou contra nós em Rio Maior, prevejo grandes dificuldades para o clube do povo conquistar a Supertaça. E a estreia do campeonato diante do Braga também é algo que eu aguardo com muita curiosidade.
Do porto sobressai-se os bons resultados. Vitórias com muitos golos marcados e poucos sofridos, quase a antítese da nossa. Mas se nós, e até mesmo o benfica, tivemos adversários de nível igual ou superior ao nosso, o porto preferiu enfrentar equipas inferiores. Não é uma opção descabida, pois o campeonato é constituído, teoricamente, por 15 equipas inferiores ao porto. Além de que os resultados alcançados já criaram uma onda de entusiasmo junto dos seus adeptos, o que acaba por ter efeitos de galvanização da equipa. Tenho bastante curiosidade em ver o que vale este porto em jogos mais a sério, bem como da capacidade do seu treinador em conduzir aquele colectivo, correndo o risco de se Nuno-Espirito-Santizar.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Regressos

Após uma breve paragem para recuperar baterias, eis que regressei a esta bela vidinha de opinar por tudo e por nada. Mas não foi o único regresso. Houve outros mais interessantes.

1) Rola a bola!!!
Primeiro jogo da época, ainda em ritmo de futebol de praia. Fora o resultado, que não é o mais importante destes primeiros jogos, foi já possível assitir a algumas estreias. Gostei do Petrovic, Leonardo Ruiz e Gelson Dala. Nem tanto do Matheus Oliveira ou do Battaglia. Vamos esperar pelos jogos na Suiça para vermos em acção os reforços que mais prometem esta época, como Doumbia, Coentrão ou Mathieu. Quanto aos jogadores que estiveram na Rússia, aguardo também com espectativa a confirmação de quem fica ou vai. Dou já Adrien como perdido e William também a sair. Gelson parece-me ainda cedo para sair e acredito que Rui Patrício ainda fique pelo menos até ao Mundial de 2018.

2) Fábio Coentrão
O regresso do lateral esquerdo a Portugal fez correr muita tinta pela pasquinada desportiva aqui do burgo. Seja porque afinal Coentrão é um fumador tuberculoso, um perneta aleijado crónico ou um barrigudo, tudo serviu para digerir mais um regresso de um filho-querido-que-afinal-já-não-é-querido. Depois da novela Markovic, veio Coentrão. Tirando o facto de estar apreensivo com o actual estado físico e anímico do jogador (isso sim, é que é importante), não pude deixar de me rir com o espernear do Estado Lampiânico, que se deu ao trabalho de mandar Javi Garcia gritar lá de longe que em Portugal só o benfas... O trabalho que esta malta tem, plantar primeiro notícias para depois as desmentirem com pompa e circunstância. 

3) Bruno de Carvalho
Regressou mas pela mão da consagrada estação televisiva Bloomberg, especialista em economia e finanças. Sim, bem sabemos que essa entrevista não tem o impacto mundial da capa da Bola e do Record sobre as supervendas do benfas ou da Universidade das Bocas de Piano, mas é o que se arranja. Felizmente lá fora somos melhor tratados do que cá dentro. Noto também com satisfação que o nosso presidente tem estado mais comedido nas palavras. Se é porque está em lua de mel ou se é uma mudança de postura já assumida, só tenho a registar que tal se mantenha. Precisamos do nosso presidente focado na dificil missão de nos catapultar para a frente do futebol nacional, sem estar diariamente a ser cozinhado em lume brando na praça pública. 

4) Jorge Jesus
Faço aqui as mesmas palavras que fiz com o presidente. Menos conversa e mais trabalho. Tenho a certeza que JJ é o melhor treinador do campeonato e é nisso que se deve concentrar: em treinar. Deixar as conversas, as lenga-lengas e os mind-games em casa.

5) O Estado Lampiânico
Agitado e ainda meio zonzo das constantes bicadas que tem levado ao longo da telenovela dos e-mails, mostrando que elas não matam mas moem, a propaganda do clube do povo parece meio afectada nestes dias. A reacção à contratação de Coentrão foi pífia e aquela coisa do Javi Garcia fez mais rir os sportinguistas do que irritá-los. A notícia do CM de que BdC e JJ estariam zangados por causa da não contratação de Edgar Ié também é mais para rir do que para ser levada a sério. É certo que nos telejornais e na imprensa dita generalista ainda há muita parcimónia e paninho quente para tratar dos últimos escândalos do nosso futebol, mas as coisas lá se vão falando. E acredito que até começar o campeonato ainda teremos mais algumas pérolas para apreciar.

6) O calendário para 2017/2018
Parece-me que não nos podemos queixar do calendário para a próxima época. É certo que temos de jogar com todos em todos os estádios, mas não dar importância ao encadeamento dos jogos é uma estupidez. Com a pré-eliminatória da LC para ser jogada, obviamente que é diferente começar o campeonato em Aves do que, por exemplo, em Braga ou Guimarães. Até à oitava jornada, quando jogamos em casa com o Porto, temos 6 jogos acessíveis e uma deslocação dificil a Guimarães. É importante chegar a esse jogo com 21 pontos, para em caso de vitória com os nossos rivais do norte, possamos assim embalar na classificação. 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Sonhos e desejos

Começa agora o chamado "defeso", aquela altura do ano onde a época já acabou e a pré-época seguinte ainda não começou. Neste espaço de pouco mais de um mês, os jornais aproveitam para comprar e vender carradas de jogadores ao Sporting e outros clubes. Fontes oficiais ou próximas dos decisores garantem que fulano sai por X e beltrano entra por Y. Todos torcem para que as estrelas não sejam vendidas, ou a sê-lo que o seja por valores astronómicos, e entrem craques para as posições mais desfavorecidas.
Fecho os olhos e recordo-me daqueles defesos onde se anunciavam Rijkaard, Pancev, Schemeichel ou Silas, enquanto vendíamos Ronaldo, Simão, Nani ou Quaresma por valores acima da realidade portuguesa. Rijkaard e Pancev não vieram (quer dizer, o primeiro até veio, mas não jogou), mas veio o gigante dinamarquês e o criativo brasileiro. E as vendas, bem vistas as coisas, apesar de alguma euforia criada, não foram tão boas quanto isso.
Para 2017/2018, gostava de ter dois craques nas laterais. Quem vê os jogos ao vivo percebe melhor a falta que fazem dois bons defesas laterais no Sporting. A forma como defensivamente recuperam as bolas ou tapam o seu corredor, enquanto ofensivamente se enquadram no envolvimento do ataque da equipa, com boas desmarcações e centros apimentados. Piccini não me entusiasma, mas espero para ver. Para o lado esquerdo espero ver alguém mais creditado a ocupar a posição. Sim, a qualidade paga-se, mas caramba, Bas Dost também foi bem pago e ficámos a ganhar. Por isso não me chocaria ver o Sporting a desembolsar uma verba acima dos 6 ou 7M€ para trazer um bom lateral esquerdo para a nossa equipa.
O resto do plantel creio que dependerá das vendas que se fizerem. Gelson Martins, William Carvalho, Adrien e Rui Patrício são elegíveis a ser vendidos por verbas irrecusáveis. Ou até Bas Dost. E terão de ser substituídos por jogadores de igual ou maior valia. Aqui só espero que não se repita o que aconteceu no ano passado, quando apenas no último dia de mercado se fechou Slimani e João Mário. A haver uma venda dessas, que seja já esta semana. Não em Agosto.
Já agora, um desejo secreto. Um não, dois. João Mário regressar emprestado a Alvalade. E apesar de depositar muitas esperanças no jovem Gelson Dala, também o regresso de Slimani emprestado. Isso já me faria começar a sonhar.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Adeus 16/17, 17/18 à vista

Ao contrário das previsões mais pessimistas, ontem o Sporting mostrou uma atitude vencedora, na procura dos golos e da vitória, ao contrário dos dois últimos jogos. Muito provavelmente o facto de terem jogado as segundas linhas terá contribuído para isso, pois quem entrou de inicio entrou com vontade de mostrar trabalho e de dizer "Mister, pró ano conte connosco!". Tive pena que Dala e Geraldes não tivessem jogado de inicio, mas fiquei contente pela titularidade de Palhinha, Matheus e Podence. Espero que este quinteto tenha a sua oportunidade de brilhar na próxima época, e que expludam o potencial futebolístico que tem dentro deles. E a este quinteto junto Iuri Medeiros, que espero venha mais maduro e mais concentrado na sua missão, depois de não ter caído no goto de JJ, por, dizem, ter mostrado falta de empenho.
Infelizmente o resultado do último jogo não foi o espelho da época. Entrámos displicentes em muitos jogos, o que nos custou pontos preciosos. É certo que pelo meio, especialmente na primeira volta, também fomos puxados para trás em momentos chave. O jogo da Luz e depois a derrota caseira ante o Braga foi um desses. Nunca saberemos se duas vitórias nesses jogos nos catapultariam para exibições de outro nível. Mas o que veio à tona foi do piorzinho que vimos nestes últimos quatro anos: jogadores descomprometidos com a história do clube, equipa sem entrosamento nem garra, treinador e presidente sem capacidade de reacção... A segunda volta foi um longo arrastar, uma autêntica via sacra, onde salvo uma ou outra exibição mais conseguida, nunca nos aproximamos do brilhantismo da última época. Perante um porto em claro declínio anímico e emocional e um benfica em serviços mínimos, tínhamos a obrigação de ter feito muito mais e melhor.
No campeonato falhámos redondamente a luta pela sua conquista e nem ao segundo lugar conseguimos chegar. No início da próxima temporada iremos pagar esta factura, pois isso irá implicar um inicio de época antecipado, com dois jogos decisivos logo a abrir. E se ficarmos logo arredados da CL, continuaremos este ciclo vicioso de não conseguirmos virar o fraco ranking que temos. Com a nossa espinha dorsal empenhada no mundial de selecções, não se adivinha um inicio de época auspicioso para as nossas partes. É muita coisa em jogo logo em Agosto/Setembro.
Entretanto de Inglaterra chegam rumores de que o City poderá fazer uma proposta irrecusável por William e Gelson. William é um fetiche antigo de Guardiola, pelo que poderá facilmente rumar para lá. Já Gelson acredito que tenha deixado boas indicações em Espanha, pelo que não sei se não virá dali uma proposta... Quanto a Adrien e Rui Patrício, começam a chegar àquela fase da carreira que ou fazem agora o contrato da vida ou vão para a China daqui a 5 ou 6 anos. No caso dos dois acho que o Sporting deveria fazer tudo para os manter. E quando digo tudo, falo em renovar-lhes o contrato com um salário generoso. São os capitães de equipa, são fruto da nossa formação e são ícones do nosso clube. Se há jogadores que se entregam em campo e transpirar a sua camisola, são eles. Vejo Adrien ou Rui Patrício e lembro-me dos antigos capitães do Sporting, como Jordão, Manuel Fernandes, Damas ou Oceano. Referencias não só nossas mas também do futebol português. É daquele tipo de identidade que deveríamos cultivar e preservar. E são estes jogadores que na próxima época servirão de exemplo aos Geraldes, Dalas ou Iuris do nosso clube. Mais do que nunca precisamos de jogadores comprometidos com o Sporting, verdadeiros sportinguistas, que chorem e não consigam dormir à noite depois de perder um jogo. Que mostrem aos novos jogadores que jogar no Sporting não é fácil, é preciso saber sofrer, que este clube por vezes devora os próprios filhos (inacreditável a faixa a Rúben Semedo), mas que por mais anos que não consigamos ser campeões a massa adepta nunca desmobiliza e por isso nos odeiam. Pró ano será mais do mesmo, estaremos constantemente debaixo do fogo das cartilhas e pazadas de carvão dos incendiários do costume. Não seremos salvos pelo video-árbitro, por muito benéfica que seja esta medida. Pelo contrário, tentarão por todas as formas e feitios desmobilizar o nosso balneário e contra isso temos de estar unidos, de fileiras cerradas.
Voltaremos ao tema da próxima época, pois temos ainda quase 3 meses até ao seu arranque. Entretanto não posso deixar de congratular o excelente arranque do futebol profissional feminino, onde acredito que iremos ainda colher muitos frutos. E o andebol, que muitos julgavam já morto, afinal iremos chegar à última jornada a depender só de nós para sermos campeões. É um volte-face espectacular nesta modalidade e espero que, no derradeiro teste, mostremos a verdadeira alma de leão deste clube.