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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

A lampionagem e o #FicaBruno: Aquele nervosismo miudinho

Paralelamente à discussão em torno da AG do Sporting de 17FEV, surgiu nas redes sociais um movimento de benfiquistas em apoio de Bruno de Carvalho, identificável pela hashtag #ficabruno. Sem surpresa, o movimento foi lançado pelo blog Nova Geração Benfica, onde um dos seus colaboradores é o inenarrável Rui Gomes da Silva. O ex-ministro já por diversas vezes tentou vender-nos a narrativa de que Bruno de Carvalho na presidência do Sporting é sinónimo de vitórias para o benfica, pelo que entre gracejos e galhofa vai-nos tentando impingir essa ideia. Lembro que Pedro Madeira Rodrigues chegou a usar esse argumento contra Bruno de Carvalho, durante a campanha eleitoral de 2017.
Esta apoio lampiónico à permanência de Bruno de Carvalho deixou-me intrigado, por diversos motivos. O principal é que são precisamente os lampiões quem mais tem atacado o actual presidente do Sporting. Isso é visível na forma como mantém contacto com os adversários de Bruno de Carvalho, patrocinando fugas de informação que visam sempre enxovalhar o seu nome na praça pública. Noutro plano, mas tão ou mais importante do que o primeiro, basta ouvir o que dizem do nosso presidente os lampiões nos cafés, transportes públicos, televisões, filas de supermercado, etc. Ele é o coreano, o trinca-bolotas, o ditador, entre outros epítetos de igual calibre. Sobram alguns benfiquistas, como Ricardo Araújo Pereira, que entre as névoas da rivalidade consegue manter a lucidez e vislumbra no presidente sportinguista algumas virtudes.
Se o geral da lampionagem detesta Bruno de Carvalho e envereda naquele discurso fácil de que é ele quem está a estragar o bom futebol português, então porque motivo um "senador" benfiquista como é Rui Gomes da Silva, patrocinado pelo blog NGB, arrasta outros lampiões que acham que afinal Bruno de Carvalho até serve os seus interesses? Olhando assim de alto para o panorama desportivo português, diria que esta graçola do ex-vice-presidente encarnado lembra aqueles momentos de nervosismo miúdo, onde para disfarçarmos uma situação embaraçante ou um temor iminente, soltamos risinhos nervosos para passarmos uma ideia de situação controlada, quando na verdade sabemos que caminhamos para a tragédia. Senão, vejamos.
No panorama do futebol sénior, efectivamente a coisa tem corrido bem ao benfica. Conquistaram o inédito tetra mas esses campeonatos conquistados estiveram longe de ser passeios, como aconteceu com o porto no final do século passado, quando foram pentacampeões. Todos os campeonatos foram conquistados nas últimas jornadas, o que contrasta com a ideia de "domínio" avassalador. Mas mais padre, menos voucher, podemos dizer que no futebol sénior tem dominado nos últimos anos.
O panorama muda de figura quando analisamos as camadas jovens de futebol ou as modalidades mais importantes depois do futebol. Nas camadas jovens, verificamos que nos juniores os lampiões não são campeões há 5 anos, enquanto o Sporting é o actual campeão nacional. Nos últimos 5 anos, o porto conquistou dois campeonatos e o braga um. Em juvenis somos bicampeões nacionais, enquanto o benfica não ganha a prova desde 2015. Em iniciados, os lampiões são bicampeõs nacionais, numa prova onde o campeão alterna desde 2011 entre Sporting e benfica.
Nas modalidades, importa referir que tirando o andebol e futsal, o Sporting começou de trás, face ao benfica. E mesmo aqui não se pode falar bem em "pé de igualdade", pois como é sabido o Sporting não tinha o seu próprio pavilhão, o que lhe conferia uma desvantagem face ao benfica. Mesmo assim, em andebol somos os actuais campeões nacionais, numa prova dominada pelo porto e onde o benfica, o melhor que conquistou nos últimos anos foi uma taça de Portugal. Em futsal somos bicampeões da modalidade. Nos últimos 5 anos conquistamos quatro campeonatos, naquela que é actualmente considerada a mais popular modalidade de pavilhão. No futsal o benfica teve protagonismo até há cerca de seis anos, quando conquistaram o tricampeonato e a final four europeia de clubes. Mas é mais ou menos consensual que actualmente é o Sporting quem domina a modalidade.
Nas outras modalidades de pavilhão onde partimos atrás do benfica, pois as nossas secções profissionais estavam extintas até há pouco tempo, temos assistido a um aproximar sustentado ao nosso rival lisboeta. No hóquei, já nos estávamos a chegar do trio benfica/porto/Oliveirense, que tem dominado a modalidade nos últimos anos. Ainda é cedo para falarmos deste ano, mas as prespectivas são animadoras: estamos em segundo lugar logo atrás do benfica. Veremos como nos aguentamos (e os outros se aguentam) até ao fim. No vóleibol, a coisa correu melhor que no hóquei, pois logo no primeiro ano estamos lançados destacadíssimos na frente para a conquista do campeonato. Nesta modalidade o benfica teria pergaminhos a defender, pois além de campeão nacional, conquistou esse título quatro vezes nos últimos 5 anos.
Em futebol feminino, onde o benfica já prometeu começar a competir na próxima época, o Sporting tem estado a dominar desde que criou a respectiva secção profissional. No basquetebol domina o benfica, aqui sem a presença do Sporting que desisitiu da ideia de reactivar a sua secção profissional. No atletismo, Sporting e benfica tem dividido salomonicamente as suas vitórias em feminino e masculino. Apesar disso, o Sporting conquistou nos últimos dois anos três competições europeias de clubes (europeu feminino de pista e corta-mato feminino e masculino).
Como facilmente se verifica, o Sporting cresceu e muito desde que Bruno de Carvalho chegou ao Sporting. Nas modalidades estamos a dominar o futsal, em andebol podemos passar o porto em hegemonia e podemos fazer o mesmo ao benfica em vólei. No hóquei já nos estamos a posicionar para lutar directamente pelo campeonato nacional. Nas camadas jovens de futebol reconquistámos o nosso espaço, no futebol e atletismo feminino dominamos. Mesmo no atletismo masculino, onde aqui o benfica tem mantido a hegemonia, acabámos de conquistar mais um título europeu, desta feita em corta-mato. Quanto ao futebol sénior profissional, que é sem dúvida o que mais nos interessa, facilmente concluímos que estivémos muito melhor nestes últimos 5 anos do que nos anos anteriores. Ainda não conseguimos o tão almejado título de campeão nacional, mas se olharmos para a evolução de todas as modalidades do clube nestes últimos anos (ao fim e ao cabo, a evolução do Clube como um todo), não é dificil concluir que mais cedo ou mais tarde, com mais ou menos padre ou fruta, chegaremos lá. E uma vez lá chegados, destituiremos a hegemonia de quem agora está no topo. Daí o nervosismo miúdinho da lampionagem.
Esperem para ver.
#FicaBruno

terça-feira, 2 de maio de 2017

Modalidades: o presente e o futuro

Se me perguntassem se na próxima época preferia ser eliminado da Liga dos Campeões logo no play-off ou chegar à final e levar 7-0 do Barcelona, eu responderia que preferia ir à final. 
É uma conversa de merda, bem sei, mas é algo que teremos de analisar e opinar nas próximas semanas: a aposta desta época nas modalidades foi positiva, assim-assim ou negativa?
Começo pelo óbvio futsal. Partindo do princípio que seremos campeões nacionais, pois somos de longe a melhor equipa do campeonato, como ficará a fotografia final após a derrota do passado domingo? Fizemos um mau jogo, em contraste com o bom jogo feito na meia-final. Mas chegámos lá à final, fomos vice-campeões europeus e a amplitude dos números é enganadora. Sofremos 7 golos porque a determinada altura do jogo tivemos de ir para a frente e correr riscos. Como dizia o comentador do jogo, é algo que nos últimos tempos desconhecemos, que é estarmos a perder por muitos e termos de arriscar tudo para inverter o resultado. Também aqui se paga o facto de sermos oriundos de um campeonato pouco competitivo, onde o nosso principal rival tem decaído de nível, ao contrário do que se passa em Espanha. É certo que a aposta no plantel desta época permitia-nos sonhar mais alto e que em função disso as expectativas levantaram-se. Mas, caramba!, não podemos agora embandeirar por um discurso derrotista só porque perdemos a final da principal prova europeia de clubes. É nestas alturas que temos de ter nervos de aço, respirar fundo, analisar a prova, mudar o que correu mal e conservar o que correu bem. Tal como as grandes descobertas da ciência, também aqui temos de chegar lá por tentativa e erro. Logo agora que iremos usufruir do nosso novo pavilhão, era impensável retroceder o caminho daquela que é, neste momento e de longe, a nossa melhor modalidade de pavilhão.
Depois do futsal, o andebol. Aqui, em vez da prova nacional, que me parece já algo improvável de conquistar, temos boas hipóteses de repetir a vitória na taça Challenge. Uma vitória numa prova europeia de clubes também é algo que não pode ser desprezado, pelo que a sua vitória terá sempre impacto na forma como faremos o balanço ao nosso andebol. Modalidade onde em tempos liderámos o palmarés, é o espelho da indigência que nos dirigiu nos últimos 20 anos. Se havia modalidade onde teríamos sempre que ter brio era esta, porque éramos lideres. Entretanto fomos ultrapassados por porto, benfica e ABC, pelo que quando recomeçámos a aposta na modalidade quase que começámos do zero. Nestas 3 últimas épocas recuperámos algum do nosso prestígio na modalidade, com vitórias na taça de Portugal e uma maior luta pela conquista do título. Esta época, face ao reforço da equipa, tínhamos esperanças em algo mais. A forma como perdemos os jogos decisivos, especialmente o jogo em casa com o porto, foi tremendamente desmotivador. Também aqui temos de manter os nervos de aço, e analisar bem o que se passou de errado. Se queremos voltar a liderar nas modalidades, temos de acarinhar aquelas onde o nosso palmarés é mais forte. E o andebol é uma delas.
O hóquei em patins também vai fazendo o seu caminho de afirmação. Sem o show-off do futsal ou as expectativas do andebol, esta modalidade vai crescendo e amadurecendo, num campeonato onde já lá estão porto e benfica fortíssimos. Aqui temos todos a noção que ainda é cedo para se exigir mais do nosso hóquei. Esperemos pelas próximas épocas para vermos se podemos sonhar mais alto ou não.
Isto no dia onde se fala no possível regresso do voleibol ao Sporting, estupidamente extinto dois anos depois de sermos campeões nacionais. Louvo o empenho desta direcção, no ano em que teremos o novo pavilhão, em fazer renascer aquele velho espírito ecléctico que caracterizava o nosso clube. Mas temos de ter consciência que não podemos chegar e conquistar logo tudo de uma vez. O que se passou esta épcoa com o futebol feminino é uma excepção, não é a regra no mundo do desporto. Há um caminho longo para se fazer e é nestas alturas que as direcções, os associados e os adeptos mais tem de estar juntos e em uníssono apontarem as setas para o objectivo final: fazer do Sporting a referência do desporto nacional, como foi em tempos.