Mostrar mensagens com a etiqueta William Carvalho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta William Carvalho. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 12 de junho de 2018

Punhadela nas costas

Ontem os sportinguistas sofreram uma punhadela nas costas.
Todos nós que defendemos a atitude irrefelectida de Gelson quando por amizade com Rúben Semedo se auto-excluiu do clássico do Dragão. Quem cantava a música dos AC/DC cada vez que Bas Dost marcava um golo. Quem defendia "sir" William cada vez que rabolhos e andrades vinham com a conversa de que "Ah e tal, William a tartaruga" ou "o Danilo é melhor". Quem viu num jovem desconhecido acabado de chegar de Itália talento suficiente para ser nosso titular, enquanto comentadores e jornaleiros desportivos criticavam o valor excessivo pago por um jogador da Sampdória. Juntemos a história de um "frangueiro" sempre acarinhado em Alvalade e de um rapaz que jogava com as nossas cores desde os seus 10 anos. 
Soco no estômago, punhadela nas costas, tiro na cabeça... chamem-lhe de tudo. Certo é que ontem foi mais uma de muitas noites perdidas de sono, tal o sobressalto que o Sporting me prega nestes últimos tempos. Longe vão os tempos em que tal acontecia por um mau resultado, como o empate em Setúbal. Hoje acontece porque já não reconheço o meu clube. Não reconheço quem o dirige e quem o representa no relvado. Não reconheço porque não tiveram à altura da importância das decisões a ser tomadas. E porque cagaram de alto naquela que deveria ser a sua maior prioridade: os sportinguistas.
Romanticamente, apetecia-me mandar tudo para a valente p*ta que os pariu. O presidente, que insiste no seu exercício suicida de autismo e negação da realidade, sem a mínima capacidade de fazer uma simples gestão de danos. A direcção que o acompanha, que permite com o seu silêncio o caos onde o presidente se afunda. Os jogadores, que ainda há semanas diziam "ser Sporting" e davam voltas olímpicas ao estádio, que fogem do barco sem dizer um adeus a quem ontem lhes batia palmas. Mas a realidade não é assim. Há uma dinâmica de compromisso entre adeptos e clube que entretanto se esfumaçou. Há uma equipa que, com mais ou menos rescisões, precisa de alguém minimamente competente que a treine, sabendo que neste momento é mais fácil viver na Terra de Ninguém entre as Coreias do que treinar em Alvalade. E depois há um presidente e uma direcção que desperdiçaram nos últimos dias todo um capital de confiança acumulado desde 2013. Um presidente cuja única forma de "negociar" é pedir o tudo ou nada, nem que tal implique afundar um clube na incerta esperança que o consiga reerguer "à sua imagem". Mesmo o próprio universo de sportinguistas está hoje profundamente dividido e extremado no caminho que temos de percorrer. Leio com espanto e consternação os comentários que muitos publicam, onde se prontificam para seguir com o seu líder em toda a velocidade em direcção à parede. Muitos nem se coíbem de dizer que preferem o Sporting nas distritais a ter de jogar com "mercenários" no seu plantel. Não foi para fugir às distritais, para onde seriamos remetidos em caso de falência da SAD, que em 2013 votámos todos em Bruno de Carvalho?
Se quem ainda está no Sporting tem um mínimo de amor ao clube, por favor façam uma coisa simples como esta: devolvam a palavra aos sócios do Sporting. Sem rodriguinhos, segundas intenções ou outro tipo de subterfúgios sonsos. Deixem-nos a nós, sócios do Sporting, decidir. 
Devolvam o Sporting aos sócios.

domingo, 20 de maio de 2018

Desolação final e os tempos difíceis que aí vem

Hoje seria a derradeira oportunidade para levarmos algo de positivo desta época, mas os acontecimentos dos últimos dias tornaram esse aspecto irrelevante. A derrota de hoje é o corolário de um desabamento que começou há duas semanas em Alvalade, quando ainda tínhamos algumas aspirações a acabar positivamente a temporada. É um final de época parecido com o de José Peseiro em 2005. Se bem que aqui com consequências mais gravosas.
O balanço de 2017/2018 é necessariamente negativo. A época começou tremida, mas a certa altura pareceu que tínhamos um plantel capaz de bater-se até ao fim nas quatro frentes em que jogávamos, com boas exibições pelo meio. Um empate em Setúbal e uma derrota no Estoril deixaram-nos prematuramente fora da luta pelo campeonato. A conquista da taça da Liga foi um feito importante, até porque foi a primeira vez que ganhámos esse troféu, mas foi muito pouco. Perder o segundo lugar e a taça de Portugal da forma como se perdeu, é imperdoável para uma equipa que até meio da época tinha aspirações a ser campeã.
O modelo de Jorge Jesus esgotou-se completamente em Alvalade. Hoje voltou a cometer os mesmos equívocos dos últimos jogos, lançando em jogo um William completamente sem ritmo nem cabeça para competir nesta fase da época. Fábio Coentrão arrastou-se em campo praticamente desde o início da partida. A perder, não queimámos a última substituição para, sei lá, lançar mais uma torre para o chuveirinho final. Uma supertaça e uma taça da liga em três épocas é muito pouco para um treinador que chegou ao Sporting com os pergaminhos que JJ trazia. Cada vez mais é evidente que sem o "Estado Lampiânico", JJ é a versão "made in Amadora" de José Peseiro.
Para alguns jogadores também chegou ao fim o seu tempo. Seja porque foram empurrados para a porta da saída, seja porque eles mesmos se alhearam do clube, é tempo de dizermos adeus a jogadores como Rui Patrício ou William. Aqui só espero que ambas as entidades (jogadores, agentes e clube) mantenham a dignidade até ao fim e evitem a vergonha de arrastar pela rua um processo litigioso. E que os sportinguistas lhes prestem a homenagem que creio que lhes é merecida.
Bruno de Carvalho também terá de tirar as devidas ilações de tudo o que se passou nos últimos dias. A sua falha de liderança atingiu o cúmulo do ridículo de o clube não ter estado hoje representado oficialmente na tribuna. Pelo que disse ontem, parece que o presidente levará às últimas consequências a sua saída do Sporting, que passa por enfrentar os sócios em AG. É a continuação da guerra civil entre sportinguistas.
Adivinham-se tempos conturbados em Alvalade nas próximas semanas. Isto tudo quando se deveria começar a preparar uma época que deveria ser de reset, com uma nova equipa técnica e de renovação do plantel. Com um presidente a dirigir o clube a partir de uma trincheira, sem team manager, com um treinador que agora não saberemos se sai ou não, com jogadores que não saberemos se vão rescindir com o Sporting ou não, com a comunicação social diariamente a meter carvão... 
Só peço uma coisa a quem ficar. Que a próxima temporada seja preparada e iniciada com o mínimo de dignidade que esta instituição centenária, os seus sócios e simpatizantes merecem. E que não se esqueçam que em primeiro lugar estão sempre os interesses do Sporting Clube de Portugal.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Desilusão de um sábado à noite

Desilusão.
Depois do empate do Braga no dia anterior, uma vitória no derby encerraria em definitivo a questão do segundo lugar, com a agravante de que chutaríamos para o dia seguinte a festa de consagração do porto. Mas tudo isto seria demasiado fácil e se há coisa a que nós, sportinguistas, não estamos habituados, é a coisas fáceis.
Jorge Jesus fez a sua parte e lançou no onze inicial William e Picinni, claramente sem ritmo para um jogo desta envergadura. Rafa fez o que quis pela direita e William, ainda por cima fora de posição, andava perdido no meio-campo. Gastámos milhões de euros para comprar médios, mas chegamos a um jogo desta importância e lançamos um jogador acabado de recuperar de uma longa lesão. Não compreendo estas "embicações" do nosso treinador, onde por mais extenso que seja o plantel, acabam sempre por ser os mesmos a ser chamados a resolver os jogos. 
Já o disse aqui, e mantenho-o, que o nosso plantel desta época seria o melhor desde 2002. Também o disse, e continuo convencido disso, que esta equipa do benfica não está 6 ou 7 pontos atrás de nós porque é protegida pelos agentes desportivos, sejam eles árbitros, clubes pequenos ou dirigentes federativos. Por isso não compreendo como é que contra uma equipa onde Samaris, Douglas ou Rafa foram titulares, tenhamos feito uma das piores primeiras partes que já fizémos esta época. E mesmo que tenhamos equilibrado as coisas na segunda, nunca fomos uma equipa dominadora e avassaladora. E tínhamos de o fazer, porque somos melhores e a vitória resolveria tudo para o nosso lado. 
Para me recordar do último derby ou clássico onde tenhamos sido claramente superiores ao adversário, tenho de recuar pelo menos duas épocas. Causa-me algum prurido esta nossa queda de qualidade nos jogos grandes. Mas não deixa de ser curioso que o jogo grande onde jogamos melhor esta época tenha sido o único que perdemos (para o campeonato). 

Xistra como ele próprio é
O nosso jogo foi tão fraco, tão mau, tão decepcionante, que sinceramente nem sinto conforto em ter de referir que, mesmo jogando mal, tiveram de nos negar duas grandes penalidades óbvias, além da possibilidade de jogarmos os últimos minutos em superioridade numérica. E falo-o apenas por despeito à absurda argumentação de Rui Vitória, que atribuiu ao árbitro a sua incompetência para vencer um jogo onde conseguiu ser superior.
Carlos Xistra, que em 2015/2016 salvou literalmente o benfica em Guimarães, voltou novamente a ser como sempre foi. Prejudicou-nos sempre que pôde. No final da primeira parte viu uma falta sobre Rafa num desarme limpo de William, de onde resultou uma série de jogadas perigosas para a nossa baliza. Na segunda parte mostrou o amarelo a Jardel quase por favor, tal foi o tempo de levou a puxar o cartão do bolso. Perdoou a expulsão a Bruno Fernandes, mas antes disso fez vista grossa a uma cotovelada de Rúben Dias sobre Gelson.

Falta de killer instinct
Já perdi a conta às inúmeras situações onde Bas Dost, em frente à baliza, prefere passar a bola ao lado e perde uma excelente ocasião para desatar um jogo a nosso favor. Gosto do nosso matador holandês, mas a sua dificuldade em se assumir neste tipo de jogos (lembro-me de um lance semelhante contra o Barcelona) só me leva a ter saudades de... Slimani. Não estará ele por aí disponível para vir fazer uma perninha a Alvalade???

Rúben Dias: um case study à portuguesa
No inicio da década de 90, quando o Sistema estava no seu auge, havia um jovem e promissor jogador a despontar nos relvados portugueses. O seu nome era Fernando Couto, o homem da cabeleira "à Serafim Saudade", um touro de força, que tinha tanto de talentoso como de rude trauliteiro. Fernando Couto passeava-se impune pelos campos, agredindo uma série de jogadores adversários sem a devida punição disciplinar, salvo num jogo na Luz onde enfiou uma cotovelada no Moser.
Tal como Fernando Couto, Rúben Dias é o exemplo da impunidade do clube que domina os bastidores do futebol português. Um jovem jogador de vinte anos, acabado de chegar a titular da equipa sénior do benfica, mas que revela a mesma falta de decoro de Fernando Couto para agredir grosseiramente colegas de profissão. O que se passou no derby com Gelson não foi uma situação isolada, como a entrada dura de Bruno Fernandes sobre Cervi. Foi sim o repetir de um comportamento que, face á impunidade que é demonstrada, já decorre de forma reiterada. É ridículo pensarmos que Rúben Semedo, sem metade da agressividade de Rúben Dias, foi mais reprimido disciplinarmente pelos árbitros.

Última jornada
A deslocação à casa do Marítimo insere-se naquelas deslocações tipicamente dificeis para nós. Sendo o derradeiro jogo do campeonato e significando a vitória a possibilidade de aceder à milionária Liga dos Campeões, só espero que façamos ali o grande jogo que devíamos ter feito no sábado. E que tenhamos muito cuidado para não nos acontecer o mesmo que em 2005, onde na última jornada, também contra uma equipa madeirense, fomos grosseiramente espoliados do segundo lugar.

domingo, 28 de janeiro de 2018

História com VAR feliz

Certamente que todos nós já fomos ao cinema ver aquele filme romântico, onde no final o protagonista beija a protagonista e o filme acaba como todos felizes, espectadores e personagens.
Geralmente nesse tipo de filmes percebemos aos 5 minutos que no fim os protagonistas ficam juntos e darão o seu beijo da praxe. Mas se fosse assim tão fácil, ele chegar ao pé dela, arrebatar-lhe pela cintura e beijá-la ao fim de 10 minutos, a história acabava logo ali e não tinha piada nenhuma. Por isso é que os filmes românticos são sempre mais complicados. A protagonista já namora com um gajo que é um grande otário, depois conhece o protagonista através da melhor amiga, entretanto a protagonista apaixona-se pelo protagonista mas vê-o a beijar uma loira escaldante que afinal é uma prima afastada que veio à cidade de férias, há umas quantas correrias, uns desencontros, até que por fim o protagonista vai a correr pelo aeroporto fora e à porta do avião berra um "I love you" e beijam-se os dois ao som dos aplausos dos transeuntes que assistem à cena. E com isto passam-se duas horas no cinema, onde ficamos prendidos ao ecran à espera de um final que desde os 5 minutos sabíamos que só poderia ser aquele.
Com o Sporting passa-se também o mesmo. Ontem poderia ter chegado ao pé do Vitória de Setúbal e ter arrumado a questão em 30 minutos, bastando para isso ter posto a equipa que jogou na segunda parte e ter marcado uns 2 ou 3 golos para arrumar logo com a questão. O problema é que com isso acabávamos por mudar de canal aos 30 minutos e cagávamos para o raio da taça, porque nunca gostámos dela e naqueles primeiros 30 minutos não tínhamos feito mais do que a nossa obrigação de clube grande. Mas isso não é o Sporting. Não me lembro de ter ganho uma competição que fosse sem que houvesse uma ponta de dramatismo. Fosse o campeonato de 2002, a final da Taça do Tiuí, ou outras dezenas de troféus ganhos na "garra", tudo teve de ter sangue, suor e lágrimas para ser ganho. Para o bem ou para o mal, isto é o que eu chamo "ganhar à Sporting".
Começámos mal o jogo. O Setúbal entrou melhor e o Paciência filho revela já a mesma apetência que o Paciência pai tinha para nos marcar golos. Um pouco de sorte à mistura, pois podíamos ter sofrido o segundo golo, lá chegámos ao empate num lance que, como não poderia deixar de ser, teve tanto de decisivo como de épico. Um lance claríssimo, que tal como em 2009 iria passar em claro, não tivesse sido a perseverança de alguns defensores da verdade desportiva em implementar em Portugal uma coisa chamada VAR. E aquilo que há 4 anos era visto como uma "patetice" do gordo líder dos carneiros de Alvalade, eis que em 2018 serviu para que mais outra final não ficasse borrada da merda que outros teimam em fazer nos nossos jogos. Era a primeira lição do destino.
Depois vieram os penaltis. Novamente o destino a ensinar-nos que quem espera sempre alcança e de lá veio a sua segunda lição: o jogador do Vitória, que deveria ter sido expulso no lance do penalti, falha o único pontapé da sua equipa. 
E como mandam as regras da vida, não há duas sem três. E eis que a terceira e última lição do destino surge nas mãos de William Carvalho. Ele que sozinho carregou o fardo de falhar o penalti decisivo do europeu de juniores, que falhou ano passado um penalti decisivo na Madeira e que ainda na meia final também havia falhado, acabou por ser o herói improvável de um jogo onde desde o início sabíamos que iria acabar com a vitória do nosso lado.
Apesar desta competição não ter grande interesse para mim nem para a maioria dos sportinguistas, foi tanta a azia que esta vitória despertou em andrades e lampiões, que no final todos nós sentimos um gosto especial quando o nosso capitão Rui Patrício, que num gesto do seu já típico altruísmo, chamou William Carvalho para levantarem uma taça que já devia ser nossa há nove anos.  

sábado, 2 de setembro de 2017

O Al-Carnidão volta ao ataque: o mercado de Agosto

Todos estarão recordados da feliz expressão que o grande sportinguista José de Pina inventou para a cartilha, o "Al-Carnidão". Pois bem, depois de algumas semanas escondido, eis que o Al-Carnidão nos volta a entrar pelas nossas casas, entoado até à exaustão. E desta vez os seus argumentos são tão absurdos e tão ridículos, que chega a ser doentio. Nem os benfiquistas mais sérios acreditam no que lhes tentam impingir, tal é a desfaçatez da narrativa inventada. E eu já vi a reacção de muitos nas redes sociais. 
Tudo começou com os últimos dias do mercado de verão. Basicamente os três clubes grandes de Portugal tiveram a seguinte prestação:
Clube X: Vendeu 4 dos seus titulares da época passada: o guarda-redes, o defesa direito, um defesa central e um avançado. Nenhum dos seus substitutos parece estar à altura de quem saiu, excepção feita de quem chegou para ponta-de-lança. Fez muito dinheiro com as vendas, é certo, mas o investimento no plantel ficou muito à quem desse valor recebido.
Clube Y: Vendeu vários jogadores, dos quais só um é que costumava ser titular: o ponta-de-lança. Substituiu-o no plantel por outros avançados que estavam emprestados e que tem vindo a fazer um bom inicio de campeonato. Compraram um guarda-redes, que deverá ser suplente.
Clube Z: Vendeu 4 jogadores que eram titulares: um defesa central, dois laterais e um centro-campista, que também era o seu capitão de equipa. Para os seus lugares chegaram jogadores que são actualmente titulares indiscutíveis, estando a equipa a jogar melhor futebol que no ano anterior. O investimento foi forte mas é compensado pelos ganhos em vendas.
Olhando para os três clubes, o X parece ter feito o melhor mercado, pelo menos em dinheiro. No entanto a qualidade do plantel formado parece, até agora, inferior ao que tinha antes. O clube Y mantêm a sua base, fazendo da estabilidade a sua grande arma. O clube Z perdeu o seu capitão, mas ganhou melhores jogadores para posições deficitárias no seu plantel, inclusivamente a posição onde estava o capitão de equipa. Os clubes X,Y e Z são perfeitamente identificáveis. Como também é perfeitamente identificável que dos três, foi o clube X quem ficou mais a perder neste mercado em qualidade. Como para o Estado Lampiânico é impensável o seu clube ficar atrás do que quer que fosse, urgia olear a sua máquina propagandista para distorcer a realidade, vendendo a ilusão de que o clube X tinha, afinal, sido o grande triunfador do mercado. E o clube Z o grande derrotado.
O Estado Lampiânico há muito que definiu o Sporting como alvo a abater. Quer pelo facto do nosso presidente ser muito crítico sobre a sua actuação, quer porque o EL ainda não se sente muito à vontade para atacar o Sistema. É um pouco como aquele fanfarrão lá da rua, que tendo medo do matulão do tamanho dele, tenta virar-se contra outro alvo mais vulnerável. É certo que a vulnerabilidade do Sporting já não é a mesma de há 3 ou 4 anos, mas ainda não estamos no patamar do porto. Temos conseguido e aprendido a defender melhor. Mas ainda somos o alvo. Resta-nos a consolação de que os ataques que nos fazem são cada vez mais ridículos e absurdos.
Escrevi aqui, algures no final da época passada, de que precisávamos de uma estrutura mais competente para o nosso futebol profissional, de modo a conseguirmos implementar uma política de contratações diferente dos últimos anos. O nosso scouting era o calcanhar de Aquiles da direcção de Bruno de Carvalho, pois eram poucas as nossas contratações que se conseguiam impor na equipa principal, com qualidade acrescida. Este ano assistimos precisamente ao contrário das últimas épocas, pois de quem entrou, poucos não se tornaram titulares de imediato. Com a agravante de que a qualidade da equipa e do futebol praticado subiu face aos últimos anos. Sem comparar com os nossos adversários, esta constatação bastaria, por si só, para reconhecer o bom mercado de verão do nosso clube.
Em relação a vendas, saíram 3 titulares cujo rendimento não parecia condizente com aquilo que queríamos para a equipa. Marvin, Schelotto e Rúben Semedo foram bem vendidos, rendendo quase 20 milhões em vendas. A quarta saída (a efectivar-se) será a mais importante do ponto de vista desportivo. Adrien Silva, além de capitão, era o dínamo do nosso meio-campo nestas últimas épocas, bem como da selecção campeã da Europa. Mas depois da novela da época passada, e atendendo à idade do jogador, era uma saída mais do que esperada. E pode-se dizer que a SAD tratou e bem de colmatar a sua saída, contratando um jovem promissor jogador, Bruno Fernandes, e o raçudo Battaglia. E veremos se a partir de agora, Matheus Oliveira não terá mais chances de mostrar o seu valor a JJ. Quanto a William, sobre quem cheguei a escrever um requiem em tom de despedida, a sua permanência é sem dúvida alguma uma mais valia para a nossa equipa. O West Ham era demasiado pequeno para a sua categoria, mas acredito que os ingleses lhe tenham acenado com um ordenado milionário, daqueles de dar a volta à cabeça, apostando mais em pôr o jogador a forçar a sua saída do que propriamente em discutir seriamente a sua compra com o Sporting. Esta forma de negociar já funcionou em tempos com o Sporting, basta-nos lembrar de João Moutinho. Mas agora já não é assim. William ficou, será o nosso capitão, e merece um trabalho específico para recuperar anímica e moralmente do mercado. E acredito que a nossa estrutura de futebol estará à altura de o fazer.
Este foi o mercado que tivemos, em termos genéricos positivos. Mas será que o Al-Carnidão dirá o mesmo sobre ele? Claro que não. Uma das nossas melhores contratações afinal tinha sido oferecida e recusada pelo benfica, que agora sim, vai apostar a sério na formação!!! Gabigol preferiu o benfica ao Sporting, porque o benfica é grande e não porque estes lhe vão pagar 40% do seu milionário ordenado. Jimenez não saiu e Garay e Gaitan não vieram porque o benfica não quis. Mitroglou não saía por 25 M€ mas saiu por 15€ (mais um pouco e Gabigol sairia tão caro como o grego). William, que afinal já era um trinco de classe mundial, é agora vítima de escravatura, pois o Sporting cortou-lhe as pernas. Até com Schelotto foram embirrar...
Mas isto não ficará por aqui. Nos próximos dias aposto que o presidente do West Ham continuará a ter tempo de antena para ir despejando as suas alarvidades. E não me admirava nada de que o pai do Gelson Martins viesse dar uma entrevista ou que se viesse a descobrir que o Sporting proibiu Acuña de treinar em Alcochete com cuecas vermelhas. Enquanto isso Eliseu continuará a espalhar classe pelos relvados, Vasco Santos apitará mais uns jogos e Gabigol será o novo fenómeno do futebol mundial, depois de Renato Sanches.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A estranha ironia do destino de William Carvalho

Certamente que muitos já não se recordarão, mas no final da época de 2012-2013, quem era o nosso trinco titular era um argentino de seu nome Fito Rinaudo. E era um dos jogadores mais queridos da massa adepta.
Foi por isso com algum espanto, eu incluído, que os sportinguistas se deram conta que o novo treinador do Sporting, Leonardo Jardim, se preparava para lançar um trinco desconhecido na época seguinte.
Oriundo das nossas escolas, William Carvalho passou por um curto desterro na Bélgica, num clube com quem tínhamos então um protocolo de colaboração, o Circle de Brugges. Não era dos nomes mais sonantes da nossa academia, como o eram na altura Mané, Dier ou Esgaio. Mas o luso-angolano franzino impressionou na pré-época e confirmou aquela velha máxima de que por vezes o melhor é mesmo estar no local certo à hora certa. O Sporting estava em risco de falência e não podia gastar euros em contratações, pelo que tinha-se de jogar com o que havia em casa. O nosso treinador era alguém a quem não lhe fez confusão esse tipo de contingências, pelo que apostou sem receio no desconhecido William Carvalho. Fosse uns anos atrás ou à frente, e muito provavelmente WC teria sido recambiado para outras paragens europeias ou para algum Rio Ave ou Boavista desta Liga, sendo hoje um jogador pouco mais que caceteiro. Mas as estrelas assim não o quiseram.
Lembro-me de logo na época de 2013-2014 recebermos o benfica em Alvalade, ainda no inicio da época, talvez Agosto ou Setembro. Muitos duvidavam que Leonardo Jardim desse ao miúdo a responsabilidade de ser titular num jogo dessa envergadura, apostando num regresso de Rinaudo ao lugar 6. Mas o miúdo não só foi titular como fez uma belíssima exibição, estancando o ataque encarnado e aproveitando para ir saindo de bola jogada ou em passe, já com aquele rodopio tão típico que ainda tem.
William acabou esse campeonato como uma das revelações da época, e foi premiado com uma justa convocatória para o Mundial de selecções no Brasil. Como é hábito nos jovens jogadores deste clube, a sua afirmação nas selecções foi muito a custo, pois teve de ombrear com esse grande jogador que era Miguel Veloso. Ou até André Almeida, de quem se dizia que era tão bom, tão bom, que até fazia uma perninha naquela posição. William não jogou muito, creio que só foi titular no último jogo, mas a experiência foi-lhe decisiva. No europeu de sub-21, disputado no ano seguinte, a sua qualidade e futebol impressionou todo o mundo desportivo, acabando por ser justamente eleito o melhor jogador do certame. A forma como, ao contrário de outros, não se encolheu quando lhe coube a tarefa de marcar o penalti decisivo na final, demonstra o grande carácter que tem. E nem mesmo o facto de ter falhado esse penalti abanou esse carácter.
Amado lá fora, odiado cá dentro. Não pelos sportinguistas, que o veneram, mas por todos os outros. Desde a lentidão, a lateralização, e outros "ãos" que lhe quiseram colar, a forma como levou Portugal à vitória do Europeu de 2016 acabou por ser a melhor resposta de WC aos críticos. Hoje, se bem que ainda muito a custo, já quase todos admitem o óbvio: William Carvalho é actualmente o melhor jogador português daquela posição. E do campeonato, pois se Fejsa também é bom, se calhar passa lesionado metade dos jogos que William Carvalho faz. 
Escrevo esta espécie de texto de despedida ainda sem saber se o nosso "Sir" sempre se vai mudar para o West Ham. Enquanto sportinguista fico triste, pois isso significa perdermos um dos nossos melhores jogadores de futebol, um dos nosso capitães, um exemplo de carácter e profissionalismo para as nossas cores e um grande desportista que ajuda sempre a enriquecer um campeonato como o nosso. Enquanto adepto do futebol português também fico triste pela sua saída. Mas fico ainda mais triste quando vejo que um dos melhores jogadores do nosso campeonato e da nossa selecção, um dos melhores do mundo naquela posição, irá, tudo indica, para um clube mediano de Inglaterra.
Penso que William Carvalho mereceria mais, mas talvez seja aqui que se costuma dizer que o "Karma é fodido". Da mesma forma que lhe caiu do céu aquela oportunidade para ser titular do Sporting, hoje William acaba por ser prejudicado por o Sporting não ter relações com Jorge Mendes ou fundos manhosos de jogadores. É a ironia do estranho destino de William Carvalho. O Sporting vende o jogador, e bem, por 30 e tal milhões de euros (a cláusula é de 45 M€, pelo que não sendo um grande negócio, não deixa de ser um bom valor). O jogador irá para um clube mediano, onde terá de dar muita corda às pernas para conseguir aí dar o salto para um grande de Inglaterra ou outro grande europeu. 
A William Carvalho desejo-lhe tudo de bom, e que o seu estranho destino o coloque novamente na rota de Alvalade, daqui a uns anos.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Balanços da pré-época

A uma semana antes do inicio oficial das competições, eis que voltamos a ser novamente candidatos a vencer a Champions League, fruto da última vitória da nossa equipa em Alvalade. 
Foi uma pré-época de altos e baixos. No Algarve começámos com um empate frente ao Belenenses, seguindo-se depois uma vitória na Suiça diante o Fenerbaçe. Quando alguns já viam o esboço de uma equipa galáctica, disposta a limpar tudo o que era troféu nos quatro cantos deste mundo, eis que duas derrotas frente a Marselha e Basileia nos lançou para um abismo profundo. O abismo durou uma semana e basicamente nesses dias ninguém prestava, desde o defesa direito, passando pelos pernetas do meio-campo, os marrecos do avançado, os tuberculosos dos defesas centrais, até ao Paulinho e à senhora da limpeza. A vitória em casa frente ao Mónaco devolveu-nos nova lufada de euforia, travada estrondosamente num jogo de experiências mal conseguidas em Rio Maior. Após nova fase de depressão, regresso às vitórias e à esperança de um bom arranque de época. Foi mais ou menos isto.
Pelo caminho, o tal que prefere sul-americanos aos "Manéis" de Alcochete, parece apostado em lançar Podence no onze base e Iuri Medeiros como opção válida nas alas. 
Está tudo bem? Claro que não. Era impossível estar tudo bem nesta fase da época. Mas salvo raras excepções, olhamos para os nossos jogadores, em especial para quem chegou este ano, e ficamos com a sensação que estão todos a evoluir, em fase de crescendo. Piscinni não é perneta, Coentrão e Mathieu não são tuberculosos, Bataglia não é marreco. E no dia 6 acredito que estarão melhor do que estiveram sábado passado.
Se para quem chegou estou muito esperançado que sejam bons reforços para a equipa, dos que vieram do ano passado tenho dúvidas de alguns. A começar em Alan Ruiz, que pela forma como acabou a última época parecia ter tudo para se afirmar este ano. Pelo que vi na pré-época, Alan Ruiz foi uma tremenda decepção. Lento, errático, sem acutilância, está neste momento a anos-luz de Podence ou até de Doumbia. É impossível continuar a insistir no argentino se ele não conseguir dar mais do que isto. E mesmo o melhor Alan Ruiz da época passada é pouco para um meio-campo/ataque de uma equipa com aspirações para conquistar o título. Pergunto-me se não seria melhor despachá-lo para outras paragens, uma vez que parece ter mercado à sua espreita.
Outros jogadores que vieram da época passada e que olho com alguma prudência são os nossos internacionais. Não que a sua qualidade esteja em causa, mas sim se não estarão já a caminho de outros campeonatos. O mês de Agosto vai ser longo e até às 24 horas de 31 muita água vai passar pela ponte. Do vejo, parece-me evidente que a relação de Adrien com o Sporting é de alguém que já se está a despedir e a fazer as malas para outro lugar. É perfeitamente justo para o nosso capitão, pois está no limite para dar o salto para um grande campeonato. Além de que acho que a sua ausência tem sido testada e com resultados aceitáveis na pré-época. Entre Gelson, Rui Patrício ou William, este último também se perfila na iminência de sair. O William da época passada não me deixa grandes saudades. Não foi o mesmo jogador de há dois ou três anos. Não vou aqui tentar adivinhar porque motivo na última época jogou de forma tristonha, por vezes apática ou cansado. Desse William não temos grandes saudades. Mas do William que corre, ganha bolas, lança ataques e passes longos, esse sim, faz-nos falta e não temos que o substitua à altura. Se William ficar mais um ano, espero que volte ao que era no primeiro ano de JJ no Sporting. É daquele tipo de jogadores que influencia qualitativamente uma equipa, para ser campeã. 
Uma última palavra para a pré-época realizada pelos nossos rivais. O benfica tem demonstrado o que já se esperava, dificuldades na defesa depois de ter perdido o seu guarda-redes, o lateral direito e um central. Quem está ou veio não tem claramente a qualidade de quem saiu, pelo que estou curioso de ver o impacto dessas mudanças nos seus primeiros jogos da época. Se o Vitória de Guimarães jogar da mesma forma personalizada como jogou contra nós em Rio Maior, prevejo grandes dificuldades para o clube do povo conquistar a Supertaça. E a estreia do campeonato diante do Braga também é algo que eu aguardo com muita curiosidade.
Do porto sobressai-se os bons resultados. Vitórias com muitos golos marcados e poucos sofridos, quase a antítese da nossa. Mas se nós, e até mesmo o benfica, tivemos adversários de nível igual ou superior ao nosso, o porto preferiu enfrentar equipas inferiores. Não é uma opção descabida, pois o campeonato é constituído, teoricamente, por 15 equipas inferiores ao porto. Além de que os resultados alcançados já criaram uma onda de entusiasmo junto dos seus adeptos, o que acaba por ter efeitos de galvanização da equipa. Tenho bastante curiosidade em ver o que vale este porto em jogos mais a sério, bem como da capacidade do seu treinador em conduzir aquele colectivo, correndo o risco de se Nuno-Espirito-Santizar.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Regressos

Após uma breve paragem para recuperar baterias, eis que regressei a esta bela vidinha de opinar por tudo e por nada. Mas não foi o único regresso. Houve outros mais interessantes.

1) Rola a bola!!!
Primeiro jogo da época, ainda em ritmo de futebol de praia. Fora o resultado, que não é o mais importante destes primeiros jogos, foi já possível assitir a algumas estreias. Gostei do Petrovic, Leonardo Ruiz e Gelson Dala. Nem tanto do Matheus Oliveira ou do Battaglia. Vamos esperar pelos jogos na Suiça para vermos em acção os reforços que mais prometem esta época, como Doumbia, Coentrão ou Mathieu. Quanto aos jogadores que estiveram na Rússia, aguardo também com espectativa a confirmação de quem fica ou vai. Dou já Adrien como perdido e William também a sair. Gelson parece-me ainda cedo para sair e acredito que Rui Patrício ainda fique pelo menos até ao Mundial de 2018.

2) Fábio Coentrão
O regresso do lateral esquerdo a Portugal fez correr muita tinta pela pasquinada desportiva aqui do burgo. Seja porque afinal Coentrão é um fumador tuberculoso, um perneta aleijado crónico ou um barrigudo, tudo serviu para digerir mais um regresso de um filho-querido-que-afinal-já-não-é-querido. Depois da novela Markovic, veio Coentrão. Tirando o facto de estar apreensivo com o actual estado físico e anímico do jogador (isso sim, é que é importante), não pude deixar de me rir com o espernear do Estado Lampiânico, que se deu ao trabalho de mandar Javi Garcia gritar lá de longe que em Portugal só o benfas... O trabalho que esta malta tem, plantar primeiro notícias para depois as desmentirem com pompa e circunstância. 

3) Bruno de Carvalho
Regressou mas pela mão da consagrada estação televisiva Bloomberg, especialista em economia e finanças. Sim, bem sabemos que essa entrevista não tem o impacto mundial da capa da Bola e do Record sobre as supervendas do benfas ou da Universidade das Bocas de Piano, mas é o que se arranja. Felizmente lá fora somos melhor tratados do que cá dentro. Noto também com satisfação que o nosso presidente tem estado mais comedido nas palavras. Se é porque está em lua de mel ou se é uma mudança de postura já assumida, só tenho a registar que tal se mantenha. Precisamos do nosso presidente focado na dificil missão de nos catapultar para a frente do futebol nacional, sem estar diariamente a ser cozinhado em lume brando na praça pública. 

4) Jorge Jesus
Faço aqui as mesmas palavras que fiz com o presidente. Menos conversa e mais trabalho. Tenho a certeza que JJ é o melhor treinador do campeonato e é nisso que se deve concentrar: em treinar. Deixar as conversas, as lenga-lengas e os mind-games em casa.

5) O Estado Lampiânico
Agitado e ainda meio zonzo das constantes bicadas que tem levado ao longo da telenovela dos e-mails, mostrando que elas não matam mas moem, a propaganda do clube do povo parece meio afectada nestes dias. A reacção à contratação de Coentrão foi pífia e aquela coisa do Javi Garcia fez mais rir os sportinguistas do que irritá-los. A notícia do CM de que BdC e JJ estariam zangados por causa da não contratação de Edgar Ié também é mais para rir do que para ser levada a sério. É certo que nos telejornais e na imprensa dita generalista ainda há muita parcimónia e paninho quente para tratar dos últimos escândalos do nosso futebol, mas as coisas lá se vão falando. E acredito que até começar o campeonato ainda teremos mais algumas pérolas para apreciar.

6) O calendário para 2017/2018
Parece-me que não nos podemos queixar do calendário para a próxima época. É certo que temos de jogar com todos em todos os estádios, mas não dar importância ao encadeamento dos jogos é uma estupidez. Com a pré-eliminatória da LC para ser jogada, obviamente que é diferente começar o campeonato em Aves do que, por exemplo, em Braga ou Guimarães. Até à oitava jornada, quando jogamos em casa com o Porto, temos 6 jogos acessíveis e uma deslocação dificil a Guimarães. É importante chegar a esse jogo com 21 pontos, para em caso de vitória com os nossos rivais do norte, possamos assim embalar na classificação. 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Sonhos e desejos

Começa agora o chamado "defeso", aquela altura do ano onde a época já acabou e a pré-época seguinte ainda não começou. Neste espaço de pouco mais de um mês, os jornais aproveitam para comprar e vender carradas de jogadores ao Sporting e outros clubes. Fontes oficiais ou próximas dos decisores garantem que fulano sai por X e beltrano entra por Y. Todos torcem para que as estrelas não sejam vendidas, ou a sê-lo que o seja por valores astronómicos, e entrem craques para as posições mais desfavorecidas.
Fecho os olhos e recordo-me daqueles defesos onde se anunciavam Rijkaard, Pancev, Schemeichel ou Silas, enquanto vendíamos Ronaldo, Simão, Nani ou Quaresma por valores acima da realidade portuguesa. Rijkaard e Pancev não vieram (quer dizer, o primeiro até veio, mas não jogou), mas veio o gigante dinamarquês e o criativo brasileiro. E as vendas, bem vistas as coisas, apesar de alguma euforia criada, não foram tão boas quanto isso.
Para 2017/2018, gostava de ter dois craques nas laterais. Quem vê os jogos ao vivo percebe melhor a falta que fazem dois bons defesas laterais no Sporting. A forma como defensivamente recuperam as bolas ou tapam o seu corredor, enquanto ofensivamente se enquadram no envolvimento do ataque da equipa, com boas desmarcações e centros apimentados. Piccini não me entusiasma, mas espero para ver. Para o lado esquerdo espero ver alguém mais creditado a ocupar a posição. Sim, a qualidade paga-se, mas caramba, Bas Dost também foi bem pago e ficámos a ganhar. Por isso não me chocaria ver o Sporting a desembolsar uma verba acima dos 6 ou 7M€ para trazer um bom lateral esquerdo para a nossa equipa.
O resto do plantel creio que dependerá das vendas que se fizerem. Gelson Martins, William Carvalho, Adrien e Rui Patrício são elegíveis a ser vendidos por verbas irrecusáveis. Ou até Bas Dost. E terão de ser substituídos por jogadores de igual ou maior valia. Aqui só espero que não se repita o que aconteceu no ano passado, quando apenas no último dia de mercado se fechou Slimani e João Mário. A haver uma venda dessas, que seja já esta semana. Não em Agosto.
Já agora, um desejo secreto. Um não, dois. João Mário regressar emprestado a Alvalade. E apesar de depositar muitas esperanças no jovem Gelson Dala, também o regresso de Slimani emprestado. Isso já me faria começar a sonhar.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Adeus 16/17, 17/18 à vista

Ao contrário das previsões mais pessimistas, ontem o Sporting mostrou uma atitude vencedora, na procura dos golos e da vitória, ao contrário dos dois últimos jogos. Muito provavelmente o facto de terem jogado as segundas linhas terá contribuído para isso, pois quem entrou de inicio entrou com vontade de mostrar trabalho e de dizer "Mister, pró ano conte connosco!". Tive pena que Dala e Geraldes não tivessem jogado de inicio, mas fiquei contente pela titularidade de Palhinha, Matheus e Podence. Espero que este quinteto tenha a sua oportunidade de brilhar na próxima época, e que expludam o potencial futebolístico que tem dentro deles. E a este quinteto junto Iuri Medeiros, que espero venha mais maduro e mais concentrado na sua missão, depois de não ter caído no goto de JJ, por, dizem, ter mostrado falta de empenho.
Infelizmente o resultado do último jogo não foi o espelho da época. Entrámos displicentes em muitos jogos, o que nos custou pontos preciosos. É certo que pelo meio, especialmente na primeira volta, também fomos puxados para trás em momentos chave. O jogo da Luz e depois a derrota caseira ante o Braga foi um desses. Nunca saberemos se duas vitórias nesses jogos nos catapultariam para exibições de outro nível. Mas o que veio à tona foi do piorzinho que vimos nestes últimos quatro anos: jogadores descomprometidos com a história do clube, equipa sem entrosamento nem garra, treinador e presidente sem capacidade de reacção... A segunda volta foi um longo arrastar, uma autêntica via sacra, onde salvo uma ou outra exibição mais conseguida, nunca nos aproximamos do brilhantismo da última época. Perante um porto em claro declínio anímico e emocional e um benfica em serviços mínimos, tínhamos a obrigação de ter feito muito mais e melhor.
No campeonato falhámos redondamente a luta pela sua conquista e nem ao segundo lugar conseguimos chegar. No início da próxima temporada iremos pagar esta factura, pois isso irá implicar um inicio de época antecipado, com dois jogos decisivos logo a abrir. E se ficarmos logo arredados da CL, continuaremos este ciclo vicioso de não conseguirmos virar o fraco ranking que temos. Com a nossa espinha dorsal empenhada no mundial de selecções, não se adivinha um inicio de época auspicioso para as nossas partes. É muita coisa em jogo logo em Agosto/Setembro.
Entretanto de Inglaterra chegam rumores de que o City poderá fazer uma proposta irrecusável por William e Gelson. William é um fetiche antigo de Guardiola, pelo que poderá facilmente rumar para lá. Já Gelson acredito que tenha deixado boas indicações em Espanha, pelo que não sei se não virá dali uma proposta... Quanto a Adrien e Rui Patrício, começam a chegar àquela fase da carreira que ou fazem agora o contrato da vida ou vão para a China daqui a 5 ou 6 anos. No caso dos dois acho que o Sporting deveria fazer tudo para os manter. E quando digo tudo, falo em renovar-lhes o contrato com um salário generoso. São os capitães de equipa, são fruto da nossa formação e são ícones do nosso clube. Se há jogadores que se entregam em campo e transpirar a sua camisola, são eles. Vejo Adrien ou Rui Patrício e lembro-me dos antigos capitães do Sporting, como Jordão, Manuel Fernandes, Damas ou Oceano. Referencias não só nossas mas também do futebol português. É daquele tipo de identidade que deveríamos cultivar e preservar. E são estes jogadores que na próxima época servirão de exemplo aos Geraldes, Dalas ou Iuris do nosso clube. Mais do que nunca precisamos de jogadores comprometidos com o Sporting, verdadeiros sportinguistas, que chorem e não consigam dormir à noite depois de perder um jogo. Que mostrem aos novos jogadores que jogar no Sporting não é fácil, é preciso saber sofrer, que este clube por vezes devora os próprios filhos (inacreditável a faixa a Rúben Semedo), mas que por mais anos que não consigamos ser campeões a massa adepta nunca desmobiliza e por isso nos odeiam. Pró ano será mais do mesmo, estaremos constantemente debaixo do fogo das cartilhas e pazadas de carvão dos incendiários do costume. Não seremos salvos pelo video-árbitro, por muito benéfica que seja esta medida. Pelo contrário, tentarão por todas as formas e feitios desmobilizar o nosso balneário e contra isso temos de estar unidos, de fileiras cerradas.
Voltaremos ao tema da próxima época, pois temos ainda quase 3 meses até ao seu arranque. Entretanto não posso deixar de congratular o excelente arranque do futebol profissional feminino, onde acredito que iremos ainda colher muitos frutos. E o andebol, que muitos julgavam já morto, afinal iremos chegar à última jornada a depender só de nós para sermos campeões. É um volte-face espectacular nesta modalidade e espero que, no derradeiro teste, mostremos a verdadeira alma de leão deste clube.