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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

"Monterização" de Doumbia á vista? Nem pensar!

Continua a nossa maratona. Estamos lá em cima, no comando da prova. Caímos na Liga Europa, como de resto era esperado. Se nenhum cataclisma acontecer, quarta-feira passamos o Vilaverdense e seguimos para os quartos-de-final da Taça de Portugal. A Taça da Liga fica para a quadra natalícia, pois antes temos a recepção ao Portimonense. Jogo para vencer e acabar o ano lá no topo da classificação.
Quando em Agosto empatámos em casa frente ao Steaua ou quando nos vimos à rasquinha para vencer o Vitória de Setúbal, muitos torciam o nariz face á real capacidade da nossa equipa. Felizmente esse inicio titubeante deu lugar a um conjunto de bons resultados, muitos com boas exibições, outras nem tanto mas suficientes para ir garantindo as vitórias. Podemos chorar os quatro pontos perdidos contra Moreirense e Braga, como também a forma inglória como não ganhámos à Juventus em casa e perdemos em Turim. Mas o que fica na retina é uma equipa competente, sólida defensivamente, combativa no meio-campo, concretizadora lá na frente e sobriamente dirigida pelo seu treinador. Fora as histéricas que em Alvalade teimam em continuar a assobiar a nossa equipa, todos estão confiantes para o que falta da presente época.
No campeonato, até agora, só estivemos mal em dois jogos: Rio Ave e porto. Em Vila do Conde podemos mesmo falar em "sorte", pois sentimos muitas dificuldades para bater uma das melhores equipas da Liga. Em casa, diante do porto, esperava-se mais de nós, mas na ressaca de uma belíssima exibição diante o Barcelona, acabamos atraiçoados pelo cansaço e fadiga. Mesmo assim não vacilámos perante aquele que é, a par de nós, o mais sério candidato a ser campeão esta época. Ora, se o saldo final destes "maus jogos" são quatro pontos, está aqui um belo resumo do que tem sido a nossa época até aqui. Continuem a assobiar, portanto.
Entretanto já se começa a falar na próxima janela de transferências, saltando à vista alguns nomes, uns mais óbvios que outros. Alan Ruiz e Iuri Medeiros são sérios candidatos a deixar Alvalade. Não mostraram as expectativas que traziam no inicio da época e como tal o seu espaço diminuiu bastante. Petrovic e Palhinha também foram menos utilizados do que seria esperado, sendo que o último precisa de minutos para evoluir. Salvo uma aparição destes dois nos últimos jogos do ano, dúvido se continuarão no plantel. Já Doumbia, de quem se fala que também pode estar de saída, espero sinceramente que não passe de mais um boato da imprensa local. Doumbia ganhará mais do que a sua utilização justificaria, acredito que sim. Mas tem sido um jogador que quando é chamado à titularidade, ou entra durante os jogos, cumpre o que lhe é pedido, não tendo ajudado mais porque entretanto se lesionou. E nestas coisas não se pode ligar a poupanças, pelo menos a meio de uma época onde temos sérias ambições de sermos campeões. Doumbia pode ser caro, como caros serão todos aqueles avançados que, como ele, são chamados a tapar os buracos e as ausências do goleador principal. 
Em 2015/16 cometemos o tremendo disparate de vender Montero, esperando que um tal de Barcos cumprisse à risca o papel do avançado colombiano. Montero já nos tinha ajudado a desloquear alguns jogos nessa época, como por exemplo uma vitória caseira à tangente diante o Nacional. Montero já na época anterior, quando perdeu em definitivo a titularidade para Slimani, havia demonstrado que lhe assentava bem o papel do ponta de lança que sai do banco para virar resultados negativos (lembram-se da final da Taça?). Quando Slimani entrou em bloqueio mental, durante a telenovela do castigo-não-castigo, fez-nos falta um matador para desbloquear as partidas contra o Rio Ave e Guimarães. Além das arbitragens, foi também pela falta de Montero que perdemos esse campeonato.  A não ser que em vez de Barcos, el Pirata, venha, por exemplo... Slimani por empréstimo... espero que esta época não cometam o mesmo erro do passado e não caiam no erro de "monterizar" o Doumbia. 

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O pé frio e a cueca borrada de JJ

Não sei se isto é alguma dor de crescimento ou se é um simples mau perder. Mas fiquei fodido da minha vida com mais outra exibição onde "jogámos como nunca e perdemos como sempre". Sim, eu sei que Real Madrid, Dortmund, Barcelona, Chelsea e Juventus são tubarões e tal, muita fortes. Aqui há quatro/cinco anos atrás jogar contra eles na Champions era uma miragem e acabar o jogo sem ser cilindrado, como contra o Bayern, era muito bom. Mas está na altura dos sportinguistas exigirem um pouco mais. Como deixar de perder jogos nos minutos finais, em lances perfeitamente infantis. 
Que Jorge Jesus é um excelente treinador, não tenho dúvidas e sempre o defendi. Em 2015/16 não foi campeão no seu ano de estreia porque, como se lembrarão, a equipa campeã foi literalmente puxada para cima quando estava no fundo do poço. No ano passado a coisa correu mal, mas este ano, pelo menos até agora, a nossa prestação tem sido prometedora. Nos jogos para a Liga dos Campeões, Jesus tem posto a funcionar uma das suas principais virtudes: estuda bem a equipa adversária, explora as suas fraquezas e monta a equipa de forma a tirar o melhor partido do jogo. Foi assim no jogo de Madrid e de Dortmund, e foi assim ontem em Turim. Mas depois evidencia algo que começa a tornar-se uma característica sua nos jogos desta envergadura, que é a de não evitar o soçobrar da equipa nos minutos finais. JJ começa a lembrar aquele nosso amigo, bem parecido e bem falante, que quando sai à noite é incapaz de manter um diálogo com uma rapariga porque bloqueia... e tem azar com as miúdas. Um pé frio, portanto.
Chamem-lhe fado, destino, azar dos Távoras, whatever. Ontem, mais uma vez, JJ mostrou que "miúdas" (neste caso tubarões europeus) não é com ele. Começamos o jogo da melhor maneira, a marcar num lance em que - pasme-se!!! - tivémos sorte. Marcar golos de ressalto contra adversários desta dimensão, é obra. Depois veio a avalanche italiana. Basicamente fomos encostados, não conseguiamos sair a jogar, Rui Patrício ia adiando o empate, que acabou por chegar depois da meia-hora de jogo. A equipa aguentou a igualdade até ao intervalo, esperando-se uma segunda parte complicada para as nossas partes. Mas não, antes pelo contrário. O Sporting arrancou para a etapa complementar jogando o melhor que nos tem mostrado nesta prova. Dominou no meio-campo, fechou os espaços nas alas e foi lançando ataques que cheiravam a área da Juventus. É certo que não tivemos nenhuma oportunidade flagrante de golo, mas sentíamos que com um pouco mais de acerto e audácia, a coisa podia dar-se. O jogo começava a pedir Doumbia, a Juventus mostrava-se frágil à medida que William e Bataglia iam ganhando os confrontos no miolo. 
Foi então que JJ, quiçá escaldado por derrotas inglórias perto do fim, em vez de cavalgar para cima da Juventus em busca de uma vitória histórica, encolheu-se acagaçado, preferindo defender o empate. A cueca borrada do treinador valeu a estreia de Palhinha nestas andanças, para o lugar de um Gelson Martins que, não estando a fazer uma partida fulgorante, estava a ser uma peça importante na condução do jogo. A equipa ressentiu-se da falta de Gelson, perdendo algum fio de jogo e entregando o jogo à Juve, que ganhou forças para tentar o golpe final. O "pé frio" de JJ veio logo depois, quando decidiu retirar Fábio Coentrão por precaução (o desânimo do jogador parece indicar que ainda teria condições para acabar a partida), pondo no seu lugar Jonathan Silva, que desde a famosa "mão" em Gelsenkirchen aparece fatalmente ligado a desaires nossos na Champions. O jogador até entrou bem no jogo, com uma cavalgada até perto da área italiana, mas borrou a pintura pouco depois, quando permitiu o golo de Mandzukic. 
Não sei se o resultado seria diferente se JJ põe Doumbia no lugar de Gelson Martins. Doumbia, que até é um jogador de "pé quente" na Champions, acabou por protagonizar a melhor oportunidade de golo do Sporting na segunda parte, a fechar a partida (a reacção de Buffon ao falhanço diz tudo). Mas este foi (mais) um jogo onde tivemos "pés frios" a mais e audácia a menos. Não sei se em Alvalade a Juventus nos permitirá ter a veleidade de discutir o resultado do jogo até ao fim, mas parece-me que a oportunidade de ontem é daquelas que tão cedo não se repetirá. Agora é descer á terra, mandar as "vitórias morais" às urtigas e lamber as feridas, porque domingo vem aí um daqueles adversários chatos, que costumam comer a relva quando jogam contra nós. 
Chaves é para vencer, categoricamente.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Balada de uma noite mal perdida

Ontem quando saí de casa para me deslocar a Alvalade, se me dissessem que uma equipa portuguesa perderia por cinco golos sem resposta, ficaria lívido de pânico. Mas não, ontem era impossível perdermos por números tão expressivos. Sem deslumbrar, como chegámos a fazer há um ano em Madrid, fizémos uma partida muito competente e concentrada. E se defensivamente estivémos quase soberbos (maldito auto-golo), no ataque faltou-nos algum génio, audácia ou até mesmo sorte.
Quando o árbitro apitou o final da partida de ontem, nenhum sportinguista no estádio se poderia dar como envergonhado com a exibição da equipa. Entrámos em campo com ganas de disputar o jogo, iamos anulando as jogadas ofensivas do Barcelona, sem descurar algumas aproximações perigosas à baliza adversária. Pelo meio, como de costume nestas andanças, fomos brindados com (mais uma) arbitragem parcial contra nós. Sim, porque nisto da Europa de clubes estamos ao nível do Tondela ou do Portimonense no que toca a importância para a UEFA. Junte-se a isso um golo de bola parada após uma infelicidade de Coates e voilá, estávamos em desvantagem. A equipa reagiu bem e quando alguns temiam que a nossa procura do empate implicaria por-nos a jeito para abrir espaços atrás e sofrermos golos, eis que demonstramos segurança e equilibrio defensivo, ao mesmo tempo que procurámos chegar perto da baliza adversária. E tivémos uma opotunidade flagrante para empatar, fora o penalti que ficou por assinalar e daria, pelo menos, mais outra oportunidade.
Muito se falou do mau banco que JJ fez para este jogo. Em parte essa crítica deve-se à ausência de avançados para atacar o empate na segunda parte. Considero essa uma falsa questão, pois acho improvável que JJ viesse, por exemplo, a apostar em Dost e Doumbia juntos no ataque. Simplesmente porque essa alteração implicaria quebrar o equilíbrio da equipa no meio-campo, um risco que duvido que JJ estivesse disposto a correr num jogo desta envergadura. Bruno César é um jogador fetiche de JJ porque consegue dar esse equilíbrio à equipa, mas em prejuízo do arrojo ofensivo. Talvez Iuri, mais que Podence, pudesse também emprestar esse equilíbrio. Mas os últimos jogos pouco conseguidos de Iuri provavelmente pesaram no seu afastamento do banco.
Sobre Doumbia, reside aqui a grande baixa para o embate de domingo. Doumbia podia perfeitamente ser outra vez lançado de inicio da partida ou entrar como arma secreta num fase de jogo onde, por exemplo, estivéssemos a ganhar, para explorar os espaços nas costas da defesa portista. O seu previsivel afastamento do jogo poderá abrir portas a Gelson Dala, pelo menos as do banco de suplentes. Estará JJ disposto à audácia de lançar a pérola angolana no clássico?
Por fim a questão da fadiga. Muito se tem dito sobre o impacto no clássico da nossa grande prestação de ontem. Ora, até lá temos 4 dias de preparação, sem deslocações pelo meio. O porto tem mais um dia, mas pelo meio teve viagens de avião e de autocarro. A questão de domingo não será tanto de fadiga mas mais de foco e concentração. Foi por isso que perdemos em Vila do Conde após a soberba exibição de Madrid. JJ não costuma facilitar na preparação dos jogos grandes, como facilita por vezes contra os Moreirenses da nossa liga. Por isso acredito que no domingo teremos novamente em campo 11 jogadores dispostos a fazer tudo para vencer uma partida importantíssima, frente a um adversário que tem estado bem esta época.