quinta-feira, 27 de julho de 2017

Algumas notas sobre o jogo de ontem

Depois de no passado sábado termos estado perto de ser campeões europeus, eis que ontem voltámos a ser uma equipa que, com um bocadinho de sorte, ainda se conseguirá apurar para a Liga Europa da próxima época. Sim, porque vai tudo ser uma desgraça. Os guarda-redes vão ser vendidos, os defesas são todos uns pernetas, no meio campo vão sair o William e o Adrien e só lá vão ficar coxos e na frente escapa-se o Dost e o Podence. Vai ser assim a próxima época. Ou não.
No jogo de ontem, que foi obviamente um jogo de treino entre dois jogos que irão ser mais levados a sério (o último com o Mónaco e o próximo com a Fiorentina), deve ser olhado na estrita medida do que realmente foi: um treino, sendo que este foi à porta aberta e foi transmitido na TV. E como em qualquer treino de qualquer modalidade, houve coisas que correram de feição, outras nem tanto:
1) Jogar com três centrais: Sou muito céptico quanto à capacidade de termos uma equipa a jogar em 3-4-3 ou 3-5-2. Ontem foi mais uma prova disso, não tendo também ajudado o facto de não termos jogado com os "supostamente" melhores jogadores. Faltou Piscinni e Fábio Coentrão nas alas e o André Pinto ao centro. Apesar de tudo, prefiro que as experiências, por mais desastrosas que sejam, se façam nesta fase da época do que nos jogos a doer. Veremos se o JJ vai continuar a insistir neste esquema, já com os melhores jogadores.
2) Jogadores lesionados: Nesta fase da época era previsível que o físico de alguns jogadores começasse a quebrar. Picinni e André Pinto, pouco utilizados nos últimos meses, provavelmente ter-se-ão ressentido disso mesmo. Mathieu idem. E o próprio Fábio Coentrão não deverá escapar a uns dias de treinos limitados. Pelo que percebi, nenhuma das lesões é grave e resultarão precisamente da fadiga muscular dos treinos. Assim sendo, não será uma tragédia, como já vi por aí escrito. De qualquer forma, um jogo com uma equipa como a do Vitória de Guimarães nesta fase não seria o ideal para preservar a forma física do nosso plantel, mesmo que fosse previsível alinhar com as segundas linhas.
3) As nossas segundas linhas: Face a um adversário que fez alinhar um conjunto mais próximo do que será o seu onze titular no início da época, era previsível que sentissem bastantes dificuldades para impor o seu futebol. Pergunto-me até que ponto um jogo deste calibre é suficientemente motivador para as nossas segundas linhas. E até que ponto o resultado final não terá mesmo o efeito contrário, desmotivando em vez de motivar estes jogadores.
4) Coates: A sua expulsão é daquelas coisas estúpidas que, acredito eu, de volta e meia ocorrem nos vários treinos em Alcochete ao longo da época. A diferença é que este foi num jogo e daqui resultou uma expulsão desnecessária. Não sei se Coates ficará fora do jogo com o Aves ou se pode limpar o jogo de exclusão já com a Fiorentina. Mas que foi uma tremenda nabice do nosso central, concerteza que foi. Sem dúvida o pior aspecto que se retirou deste jogo de preparação.
5) A histeria colectiva, outra vez: como costume a blogosfera e as redes sociais amplificaram o sentimento apoclíptico e de desgraça que tem assolado os sportinguistas. Mas aqui apelo para que haja um pouco de bom senso por parte de quem tem a obrigação de manter uma certa sobriedade nas emoções. Não se espera que nesta altura da época os nossos comentadores (aqueles assumidamente sportinguistas) comecem já a gritar "Salve-se quem puder" ou "Fujam pelas vossas vidas". Há aqui um certo trabalho pedagógico que a posição deles obriga. Uma coisa sou eu, com algumas dezenas diárias de leitores, aqui vai dizendo. Outra coisa é alguém como Nicolau Santos fazer o artigo que fez hoje sobre o Sporting.  Fica-lhe mal tanta precipitação, vindo de um jornalista com responsabilidades num dos principais jornais de Portugal.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

A coisa boa disto tudo

A coisa boa disto tudo é que no final, se formos campeões, ninguém vai querer saber se o nosso presidente continua a perder tempo e latim com terceiras ou quatro escolhas, com o presidente do Arouca ou com o ex-futebolista do Damaiense.
Se no final não formos campeões... bem, se calhar estaria na altura do Bruno se calar de vez. Ou ser calado de vez.
Bruno, não há pachorra para te estar sempre a ver a chamuscar-te nas trezentas e tal guerras em que já entraste desde que és presidente. A sério, a malta até curte a cena do presidente adepto, voltaste a dar-nos motivos para acompanharmos a equipa, em casa e fora, fizeste o pavilhão, recuperaste a parte financeira do clube... Mas f*#$-se, é assim tão difícil só abrires a boca para falares em coisas que realmente interessam ao clube e aos sócios???? Mas quem é que quer saber do Octávio????? Vou ter de acender uma velinha à Senhora de Caravaggio para o Meirim te mandar mais uma suspensão???
Só faltava mais esta aos sportinguistas, um bate-boca com um lavrador de Palmela...

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Octávio Machado

Só quem nunca se debruçou pelo percurso de Octávio Machado pelo futebol português é que ficará surpreendido pela sua última entrevista dada.
Octávio, o palmelão, tem essa característica que muitas vezes deixa revelar. Tem uma apetência enorme pelos holofotes mediáticos e uma atracção fatal por microfones e canetas de jornalista. Por vezes o Palmelão, tal é a fome com que acorre à "arca" jornalística, nem se dá conta da figura rídicula que nos vai proporcionando. Todos se lembrarão dos "Bin-Ladens do futebol" ou do "Vocês sabem do que estou a falar". Uma mão cheia de nada, vento, vácuo, vazio. Um "agarrem-me senão vou-me a ele!". 
Octávio Machado tem um currículo invejável no futebol português, desde que começou como treinador adjunto do porto, passando por ser treinador principal da nossa equipa e outra vez do porto. Não tenho dúvidas que é alguém que conhece bem os meandros do nosso futebol, os seus pontos fulcrais, o relvado e os bastidores. Por isso é que Jorge Jesus trouxe-o para a estrutura do nosso futebol, na tentativa de nos fortalecer com alguém que entendia estar em boas condições para nos contrapor ao benfica. Octávio nunca teve a incubência de ser um manager do futebol profissional do Sporting. A missão dele era mais subterrânia, mais táctica. De um modo geral, olhando para os resultados obtidos, neste momento estou inclinado a considerar que a sua entrada no nosso futebol foi um falhanço. Continuámos expostos e em momentos cruciais da época fomos demasiado "passarinhos", num futebol dominado por aves de rapina. Provavelmente saberemos mais nos próximos dias, mas para já é este o juízo que a História faz sobre a última passagem do Palmelão pelo nosso clube.
O resto é mais do mesmo. Suceder-se-ão as entrevistas de Octávio ao jornalixo nacional, as parangonas serão aquelas que todos sabemos e, enfim, resta-nos olhar para isso e encolher os ombros, esperando que este tipo de erros de casting não se repitam.
A última entrevista de Octávio está, no final de contas, ao nível da escolha do pior onze com quem o Simulão Sabrosa jogou. Ainda nem sequer arrefeceu a cadeira do Palmelão em Alvalade e já começou este a atacar, insultar e humilhar os seus ex-colegas de clube. No fim de contas, quem é verdadeiramente enxolhado é quem encarna esta triste figura, de falta de ética, moral e vergonha na cara. Espero sinceramente que Bruno de Carvalho continue na sua postura low-profile perante a comunicação social e, se for questionado ou interpelado para comentar a última entrevista do Palmelão ao CM, diga apenas que está grato pelo excelente trabalho prestado pelo ex-dirigente  em prol do nosso clube. E lhe deseje todo o sucesso profissional e pessoal. 

sábado, 15 de julho de 2017

Histeria Colectiva

As redes sociais tem essa coisa extraordinária de seguirmos em tempo real as emoções de milhares de cidadãos anónimos por esse mundo fora. É uma realidade à qual ainda nos estamos a adaptar, pois toda ela é uma novidade para a Humanidade. Ocorre um atentado numa qualquer cidade europeia, levanta-se logo uma onda de "Je suis quelque chose". Um político é apanhado em esquemas manhosos, logo a seguir todos os políticos são corruptos, a democracia é uma treta e no tempo da velha senhora é que era. O nosso clube vence um jogo de treino numa aldeola alpina, somos os maiores, ninguém nos pára e a malta da Champions que se prepare, pois somos sérios candidatos a palmá-la. No dia seguinte perdemos outro jogo na aldeola ao lado e já não valemos um chavo, este ano é para lutarmos com o Braga pelo terceiro lugar e se não nos pomos a pau nem à Europa vamos.
Senhoras e senhores, bem-vindos ao admirável mundo novo das redes sociais, onde tudo é efémero, histérico, emotivo, e outras sensações igualmente excitantes!!!
É um facto que contra o Fenerbahçe fizemos um jogo interessante, com boas movimentações, entendimentos entre jogadores com resultado final positivo. Também é outro facto que contra o Valência fomos uma equipa pesada, cansada, sem cabeça para produzir jogadas de perigo, cujo resultado final apenas espelha a diferença de forma momentânea das equipas, a nossa em construção, face a um Valência mais entrosado. É outro facto que os principais objectivos da pré-época são o de criar rotinas e entrosamentos entre quem está e quem chega, bem como preparar a parte física para 10 meses de intenso futebol. O resultado, por mais que ninguém queira perder a feijões, é neste aspecto particular o menos importante. 
O que assisti, e ainda venho assistindo desde que terminou este último jogo, é a uma histeria colectiva sportinguista. Ou porque o treinador levou 30 e jogam 18, ou porque não gosta do Saramago e humilha o outro Chico-esperto, ou é o Chico que se anda a armar em esperto a ler Saramago nos treinos, o Piscinni que afinal já é pior que o Schelotto, o Matheus Oliveira ainda agora chegou mas já é um perneta, o Paulo Oliveira era o novo André Cruz, etc. etc.
Sobre a telenovela Francisco Geraldes já dei a minha opinião no último post e mantenho-a. Por muito gozo que me dê ver o jogador a ler Saramago nas horas vagas, não é por ele ter bom gosto literário que faz dele um grande jogador. Continuo, e insisto, a dizer que é tão importante o jogo com o Valência como o treino de hoje ou de amanhã. Pelo amor da santa, não me venham com a lenga-lenga de que o JJ embirra com ele e com os miúdos da formação e - esta é brilhante!!!! - está a fazer aqui o mesmo que fez no benfica... Ou seja, afinal os putos do benfica eram bons e a cartilha de que o Bernardo ia ser testado a defesa esquerdo era verdadeira... Meus caros, o JJ lançou João Mário (era o Chico do tempo do Marco Silva, que preferia o André Martins ao pantufas), Rúben Semedo, Gelson Martins, Podence, está a lançar o Iuri... se o Chico for mesmo bom, vai ter o seu lugar no plantel. E, já agora, também o Gauld... 
Quanto ao Paulo Oliveira, o novo André Cruz ou Maldini, tenho-o em excelente conta como profissional e pessoa. Falta-lhe o que tem o Rúben Semedo, capacidade de choque, tamanho, saída de bola (a assistência ao Montero no Jamor é a excepção que confirma a regra, não me lixem!). Mas tem aquilo que falta ao Rúben, que é cabeça. Quando o Paulo chegou a Alvalade fiquei com a esperança que conseguisse evoluir na capacidade física e no jogo de pés. Infelizmente ele estagnou e não evoluiu de promessa a certeza. Ou ficava no plantel como uma espécie de bombeiro de serviço, o que para alguém da sua idade era algo redutor, ou então estava na hora de procurar novos desafios e uma oportunidade fora de portas. Ou seja, o nosso Paulo Oliveira, que parece-me ser um jogador mediano, uma espécie de Beto (o central), terá agora a oportunidade de ter o seu momento Carriço, de evoluir quando já ninguém acreditava nisso. Valha-nos a consolação de que os valores que se falam (4 M€) serem muito superiores aos 750 mil de Carriço. Além de se providenciar por conseguir lucro numa futura transferência.
Meus amigos sportinguistas, por isso vamos ter alguma calma, paciência, acreditar em quem sabe (mesmo que seja pouco, sempre saberá um pouco mais do que nós) e quando for o jogo de apresentação ou o troféu 5 violinos falaremos outra vez da qualidade (ou falta dela) da nossa equipa.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Francisco Geraldes

Antes que me comecem a atirar pedras e a cuspirem-me em cima, aviso já que espero enganar-me redondamente naquilo que vou escrever.
Francisco de Oliveira Geraldes, nascido em Lisboa a 18-04-1995 (22 anos), pertence ao Sporting Clube de Portugal desde a época de 2003/2004. de onde apenas saiu na época passada para representar o Moreirense em regime de empréstimo. 1,75 metros de altura, 65 Kg de peso, destro, participou em quatro jogos pela equipa principal na época passada, tendo também participado no primeiro jogo amigável da presente temporada. Tem contrato até Junho de 2021 (*).
Francisco Geraldes, o "Chico" como é carinhosamente tratado pelos sportinguistas, é um bom e humilde rapaz da classe média lisboeta. Chegou a ser fotografado a viajar de metro do estádio para casa, após um jogo pela equipa principal no último campeonato, a ler um livro ou a ouvir calmamente música. É participativo nas redes sociais, em amenos despiques com outros colegas da nossa cantera, como Podence ou Palhinha. Ficou famoso um tweet seu onde corrige o português de um insulto produzido por um adepto rival.
O Chico é aquele protótipo de jogador-ídolo que todos sonhamos para o nosso clube: sportinguista dos sete costados, com uma longa história (14 anos) de defesa em campo das nossas cores, um desportista dentro de campo e um gentleman fora das quatro linhas. Lembra-me aquelas lendas dos anos 50, 60 ou 70 de quem ouvimos falar, que por tuta e meia jogavam no seu clube de coração e sempre com e por amor à camisola. O seu bigode e pêra encerram um quadro romântico que nos leva para um futebol que infelizmente já não existe e de que só conhecemos por ouvir falar aqueles velhos adeptos lá da tasca, do tempo que "assim é que era".
Não surpreende por isso que pela blogosfera leonina, seja em posts ou em comentários, o Chico desperte tanto entusiasmo e empatia. Em sentido oposto ao treinador, vilipendiado por se recusar em pôr a jogar o prodígio da nossa Academia. Sim, o treinador que não aposta nos jogadores portugueses, dos Manuéis desta vida, que tem de nascer 10 vezes para serem bons ou então vão para laterais esquerdos adaptados.
Nós, sportinguistas, temos de nos decidir de uma vez por todas: afinal o JJ não apostava na formação do Seixal porque ele não gosta de miúdos ou porque eles não eram afinal assim tão bons? Olhando para as fornadas de "golden boys" que vieram de lá, quantos andam agora em clubes de topo? Cavaleiro? Cancelo? O Gonçalo Guedes e o André Gomes até andam, mas... a coisa não lhes tem corrido bem. Bernardo Silva? Sim, provavelmente o melhor do lote. Mas quando olho para este jogador acho que falta ali qualquer coisa. É bom, está anos luz à frente do André Gomes, mas mesmo assim acho que lhe falta intensidade. Estaria na altura apto a ser titular de caras no benfica?
Jorge Jesus, desde que chegou ao Sporting, foi apostando no que havia aqui para se apostar. Não teve problemas em lançar Gelson Martins ou o Rúben Semedo (enquanto este teve cabecinha). Deu minutos a Podence, foi lançando Palhinha e o próprio Chico também teve as suas oportunidades. Foram poucas, bem sei. Mas JJ trabalha com eles diariamente. É teimoso mas também quer ganhar. E, aqui chegados, pergunto eu: será que o nosso Chico está assim tão preparado para a equipa principal como nós achamos ou queríamos que estivesse?
No último campeonato europeu de sub-21, Rui Jorge também deixou-o fora do onze, preterindo-o a outros como, por exemplo, Bruno Fernandes. Bem sei que o Rui Jorge foi algo pressionado para fazer algumas escolhas, como a inclusão do Bob Marley da Musgueira, mas... Rui Jorge também quer ganhar, como Fernando Santos quis ganhar no ano passado. Da mesma forma que o engenheiro teve de se render às evidências e pôs os melhores a jogar, também Rui Jorge fez o mesmo.
Lembro-me que aqui há uns 2 ou 3 anos, andavam os sportinguistas a discutir o mesmo sobre outro produto da nossa academia, de seu nome Wallyson Mallmann. Todos achávamos que era a última Coca-cola do deserto, discorriamos sobre a sua não utilização pela equipa principal e questionavamos as opções técnicas do treinador à época. Wallyson teve as suas oportunidades, mas não convenceu. Acabou por sair para outras paragens e soube agora que regressou a Portugal, ao Moreirense. Teve uma lesão grave quando ainda estava em França, é certo, mas hoje parece claro que lhe faltava ainda algo mais para ser titular do Sporting.
Hoje olho para Francisco Geraldes e sinceramente pergunto-me se não andarão os sportinguistas também iludidos como no passado andámos com Wallyson. Também ponho Ryan Gauld na mesma equação. Será o nosso querido "Chico" jogador para o nosso Sporting, aquele que quer lutar até ao fim pela vitória do campeonato, que não tropece estupidamente nas taças internas e faça uma boa figura na Liga dos Campeões? Terá o Chico nervos de aço para ultrapassar os primeiros assobios em Alvalade, capacidade física para jogar durante o inverno nos batatais de Portugal, coração para enfrentar arbitragens habilidosas sem desmotivar e cabeça fria para não se melindrar perante os berros histéricos do JJ? 
Infelizmente o futebol português não é como ler um livro no metro à hora de ponta. É mais como andar aos pontapés e trambolhões no meio de uma poça de lama. Não basta saber falar bem português, às vezes é preciso entrar em campo de faca nos dentes. E isso, como todos sabemos, não é para todos.

(*) - Dados consultados aqui, no ZeroZero.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Regressos

Após uma breve paragem para recuperar baterias, eis que regressei a esta bela vidinha de opinar por tudo e por nada. Mas não foi o único regresso. Houve outros mais interessantes.

1) Rola a bola!!!
Primeiro jogo da época, ainda em ritmo de futebol de praia. Fora o resultado, que não é o mais importante destes primeiros jogos, foi já possível assitir a algumas estreias. Gostei do Petrovic, Leonardo Ruiz e Gelson Dala. Nem tanto do Matheus Oliveira ou do Battaglia. Vamos esperar pelos jogos na Suiça para vermos em acção os reforços que mais prometem esta época, como Doumbia, Coentrão ou Mathieu. Quanto aos jogadores que estiveram na Rússia, aguardo também com espectativa a confirmação de quem fica ou vai. Dou já Adrien como perdido e William também a sair. Gelson parece-me ainda cedo para sair e acredito que Rui Patrício ainda fique pelo menos até ao Mundial de 2018.

2) Fábio Coentrão
O regresso do lateral esquerdo a Portugal fez correr muita tinta pela pasquinada desportiva aqui do burgo. Seja porque afinal Coentrão é um fumador tuberculoso, um perneta aleijado crónico ou um barrigudo, tudo serviu para digerir mais um regresso de um filho-querido-que-afinal-já-não-é-querido. Depois da novela Markovic, veio Coentrão. Tirando o facto de estar apreensivo com o actual estado físico e anímico do jogador (isso sim, é que é importante), não pude deixar de me rir com o espernear do Estado Lampiânico, que se deu ao trabalho de mandar Javi Garcia gritar lá de longe que em Portugal só o benfas... O trabalho que esta malta tem, plantar primeiro notícias para depois as desmentirem com pompa e circunstância. 

3) Bruno de Carvalho
Regressou mas pela mão da consagrada estação televisiva Bloomberg, especialista em economia e finanças. Sim, bem sabemos que essa entrevista não tem o impacto mundial da capa da Bola e do Record sobre as supervendas do benfas ou da Universidade das Bocas de Piano, mas é o que se arranja. Felizmente lá fora somos melhor tratados do que cá dentro. Noto também com satisfação que o nosso presidente tem estado mais comedido nas palavras. Se é porque está em lua de mel ou se é uma mudança de postura já assumida, só tenho a registar que tal se mantenha. Precisamos do nosso presidente focado na dificil missão de nos catapultar para a frente do futebol nacional, sem estar diariamente a ser cozinhado em lume brando na praça pública. 

4) Jorge Jesus
Faço aqui as mesmas palavras que fiz com o presidente. Menos conversa e mais trabalho. Tenho a certeza que JJ é o melhor treinador do campeonato e é nisso que se deve concentrar: em treinar. Deixar as conversas, as lenga-lengas e os mind-games em casa.

5) O Estado Lampiânico
Agitado e ainda meio zonzo das constantes bicadas que tem levado ao longo da telenovela dos e-mails, mostrando que elas não matam mas moem, a propaganda do clube do povo parece meio afectada nestes dias. A reacção à contratação de Coentrão foi pífia e aquela coisa do Javi Garcia fez mais rir os sportinguistas do que irritá-los. A notícia do CM de que BdC e JJ estariam zangados por causa da não contratação de Edgar Ié também é mais para rir do que para ser levada a sério. É certo que nos telejornais e na imprensa dita generalista ainda há muita parcimónia e paninho quente para tratar dos últimos escândalos do nosso futebol, mas as coisas lá se vão falando. E acredito que até começar o campeonato ainda teremos mais algumas pérolas para apreciar.

6) O calendário para 2017/2018
Parece-me que não nos podemos queixar do calendário para a próxima época. É certo que temos de jogar com todos em todos os estádios, mas não dar importância ao encadeamento dos jogos é uma estupidez. Com a pré-eliminatória da LC para ser jogada, obviamente que é diferente começar o campeonato em Aves do que, por exemplo, em Braga ou Guimarães. Até à oitava jornada, quando jogamos em casa com o Porto, temos 6 jogos acessíveis e uma deslocação dificil a Guimarães. É importante chegar a esse jogo com 21 pontos, para em caso de vitória com os nossos rivais do norte, possamos assim embalar na classificação. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Tâmaras do Estado Lampiânico

Uma coisa é dizer aquilo que achamos ser assim. Outra coisa é dizermos o que realmente é. E quando aquilo que achamos se vai confirmando, o nosso ego sente-se mais elevado. Hoje, eu e mais uns quanto sportinguistas, estamos assim, de ego bem levantado.
Em primeiro lugar, o aperitivo: o nosso pavilhão. Falha incrível na construção do novo estádio, não se ter logo previsto a construção de uma casa para as nossas modalidades de pavilhão, devido a situações que todos sabemos quais foram e que por isso não irei perder tempo a enumerar. Com 13 anos de atraso foi finalmente suprimido este colossal erro, bem como o outro erro menor, aquele de deixar esquecida e a ganhar pó a estátua do leão, finalmente exposta num lugar digno.
Depois veio a refeição, estragada pelo meio com uma derrota no futsal. O prato principal, servido pelo porto canal, revela-nos mais um pouco sobre onde chegou o polvo. SMSs do presidente da FPF interceptadas e guardadas por alguém a mando do presidente da assembleia geral da Liga, para posterior envio a Pedro Guerra. O segundo prato parecia suculento, versando sobre a arte de bem fazer pressão sobre o conselho de disciplina. Mas a vista do prato foi muito melhor que o seu sabor insosso, não saindo daqui nada de espetacular face ao que já foi revelado. E ao que falta revelar.
Por fim, não há jantar que não acabe numa bela sobremesa. Como estamos às portas do verão, o que sabe mesmo bem é fruta, para não perdermos a linha antes de ir à praia. E que fruta nos saiu ontem! Uma fruta especialmente confeccionada pelo Estado Lampiânico, fazendo jus às suas origens no deserto, onde o Kadhafi dos pneus fez a sua primeira fortuna. Nada mais, nada menos que umas deliciosas, suculentas, vermelhas e doces tâmaras! E que tãmaras são essas? Pois bem, relatos minuciosos sobre a vida íntima dos árbitros, alguns até apimentados com fotografias da amante. E se achamos que essas tãmaras sabem a pouco, parece que por 400 euros podemos comer mais algumas...
O que foi revelado ontem demonstra que a tese do lume brando continua a ser seguida por Francico J. Marques. Todas as semanas vai saindo mais qualquer coisa, mais grave que na anterior, como que levantando o véu um pouquinho mais de cada vez. Neste momento não há lampião que não trema como varas verdes cada vez que é anunciado mais um episódio das conversas de FJM. E não há sportinguista que não se ria com o que vai sendo revelado, principalmente quando nos lembramos daquele vizinho lampião que no elevador atira-nos sempre com aquela "Ah e tal, quando o Bruno sair de lá vão ver que é pior que o Vale e Azevedo!".
Que o EL tem o futebol todo na mão, não era surpresa nenhuma. Mas sinceramente que não esperava ver o EL utilizar as mesmas armas usadas pelo Sistema. Pensei que putaria e chantagem já estava fora de moda, primeiro pela diferenciação que o EL queria fazer, segundo pelos próprios árbitros, que pensei terem ficado escaldados após a fruta e o café com leite. Por um lado era fácil de mais, mas por outro lado é de uma eficácia terrível. É a melhor forma de ter ascendente sobre alguém, usar episódios da vida íntima como forma de chantagem. A simplicidade como estas coisas são feitas continua a surpreender-me.
E o mundo jornalístico, como fica? O que foi ontem divulgado é demasiado grave para continuarmos a ouvir desculpas como as escutadas nas últimas semanas. Actualmente a coisa já não está se o e-mail queria dizer isto ou aquilo. Foram feitas acusações muito sérias e gravíssimas, algumas roçando o crime. A ser verdade que foram interceptadas as mensagens de Fernando Gomes, que um clube espia e tem ficheiros detalhados sobre a vida privada de árbitros, bem como pagará umas tâmaras a quem lhe consiga servir os interesses, estamos perante um caso de adulteração de resultados desportivos ao nível do Apito Dourado. Quer-me parecer que as revelações continuarão a surgir nas próximas semanas, pelo que é expectável que a gravidade do Apito Abençoado ultrapasse a do Dourado.
Enquanto aguardo o próximo número de contorcionismo que o Al-Carnidão divulgará pelos seus fieis Ayatolas, deixo-vos esta curiosidade: hoje ainda não escutei conversas sobre futebol na rua, nos transportes públicos, no café ou no trabalho. Impera um silêncio confrangedor, intercalado por rostos preocupados e sôfregos. O que é revelador.

terça-feira, 20 de junho de 2017

A construção do próximo plantel e o novo director desportivo

Enquanto o Dr. Varandas vai esperando pelos resultados finais dos testes médicos ao Fábio Coentrão, vou fazer um apanhado ao actual estado de preparação do nosso plantel principal.
Com a chegada de Coentrão, creio que o lado esquerdo da nossa defesa fica fechado. Não é previsível que venha mais algum jogador, pelo menos daqueles de renome, para ocupar a posição. A não ser que Fábio Coentrão tenha uma recaída até final do mês ou que durante a primeira volta se revele a sua "markovicção", o lado esquerdo ficará a ele entregue, com Marvin à espreita. Duvido que nesse cenário Jonathan fique, pelo que o seu futuro será provavelmente um retorno à Argentina.
Na zona central falta o 4.º central para fechar o sector. Mathieu ou Dória são os principais candidatos, para uma vaga que certamente se abrirá com a saída de Douglas ou Paulo Oliveira. No lado direito da defesa residem as minhas dúvidas. Não acho Schelotto jogador para o Sporting e tenho dúvidas da utilidade de Picinni. Preferia um nome mais sonante (e mais caro) mas aqui terei de esperar para ver. 
No meio-campo residem neste momento as nossas maiores dúvidas. Desde logo porque os nossos jogadores mais apetecíveis jogam aí. Não me parece possível que William e Adrien continuem no nosso plantel. O primeiro tem admiradores em Inglaterra dispostos a perder a cabeça para o contratar, o segundo chegou àquela idade limite para fazer o contrato da sua vida. Gostaria que Adrien continuasse no Sporting como capitão, mas reconheço que o jogador também tenha as suas expectativas de ir para um campeonato mais competitivo. E Inglaterra é uma perdição. Para os seus lugares existem algumas alternativas interessantes. Bataglia parece-me mais indicado para substituir Adrien, mas também pode dar um bom trinco. Matheus Oliveira é uma incógnita, pois também tenho aqui dúvidas de que consiga se impôr numa equipa em luta pelo campeonato. Bruno Fernandes, que hoje foi referido como estando a caminho do Sporting, é um jogador que me agrada. Teve um percurso interessante em Itália, está a dar nas vistas no europeu sub-21 e tem muita margem de progressão. Apesar do preço algo elevado para um jogador de 22 anos (fala-se em 9 M€), penso que será uma boa aquisição tendo em vista uma possível saída de Adrien. Só com o cenário da saída do capitão é que concebo o cenário de contratarmos um jogador por 9 M€, pois com esse preço tem de ser titular de caras. Palhinha e Geraldes deverão continuar no plantel mas não acredito que consigam ser titulares. Mais o segundo que o primeiro, continuarão a evoluir na equipa principal com chamadas cirúrgicas à equipa principal, podendo ser usados em rotação com os jogadores titulares.
Nas alas, continuamos à procura de um companheiro para Gelson Martins. Iuri Medeiros será uma boa alternativa mas dúvido que fiquemos por aqui. Certamente que iremos buscar mais alguém para esta posição, muito provavelmente à América do Sul. Pity Martinez é o nome que mais me entusiasma, mas também é o mais caro (cerca de 15 M€). Depois da novela Coentrão, aposto que a próxima novela se desenrolará em torno no próximo ala da equipa. E veremos se não teremos de ir buscar mais um ala, pois Gelson Martins também está a ser cobiçado lá fora.
Na frente de ataque, mantendo-se como se prevê Bas Dost, subindo Gelson Dala à equipa principal e com a recuperação de Spalvis, pergunto-me se precisamos de investir nesta posição. Salvo uma pré-época desastrosa do jovem angolano ou uma inadaptabilidade gritante de Spalvis, os três poderão ser suficientes para o nosso ataque. Juntemos também Leonardo Ruiz, que na B mostrou serviço, bem como Ronaldo Tavares, uma das esperanças da nossa academia. Depois dos barretes André balada, Castagnos e Teo Gloria-a-Dios Gutierrez, espero que haja bom senso da nossa direcção para não andarmos a esbanjar euros em jogadores sem classe ou qualidade para essa zona do terreno.
Na baliza Rui Patrício e Beto chegam para as encomendas. Caso o nosso Rui sair, o que também é provavel, via com bons olhos a contratação de Miguel Silva ao Vitória de Guimarães. É jovem, tem potencial e qualidade suficiente para singrar cá dentro. Já lá fora...
Por fim a posição não menos importante de director desportivo. Com a saída de Octávio Machado abre-se a porta para uma das posições mais importantes do nosso futebol, precisamente o elo de ligação entre a equipa técnica e a direcção. A experiência com Octávio não foi má, mas também não foi propriamente positiva. Pelo menos não acrescentou nada de especial ao clube. Foi mais uma voz a falar, não tendo sido capaz de resguardar JJ nem BdC. A pessoa ideal para esse lugar, além de ter de perceber de futebol e capacidade para mobilizar e blindar o balneário, também ter de ser alguém capaz de superar os egos do treinador e presidente do Sporting. E tem que ser um grande sportinguista. Oceano, Beto, Manuel Fernandes, Fernando Mendes, Paulo Bento, etc., são nomes elegíveis para esse lugar, mas que não possuem todos os atributos que referi atrás. Será Bruno de Carvalho capaz de encontrar aqui a última coca-cola do deserto?

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Desmascarar a cartilha

Decidi escrever este texto antes da reacção oficial do Estado Lampiânico ao assunto dos e-mails, pois acredito que dali não há nada a esperar. Muito provavelmente vão debitar uma série de insinuações, mãos cheias de areia para os nossos olhos, e quase que aposto que o grande alvo visado será o nosso presidente. Porquê? Porque é a única forma - desesperada - que terão para tentar afastar os holofotes mediáticos, sabendo-se de antemão a apetência que a comunicação social tem em malhar no Bruno. A nossa sorte é que terça-feira é já daqui a 4 dias...
Entretanto o Estado Lampiânico lá começou a reagir no seu modo oficioso, através de jornalistas "isentos" e seus paineleiros. Aqui a cartilha manda que se diga que afinal tudo o que pediram ao benfica, nada foi conseguido. A nota de Manuel Mota, o filho do Adão, a carreira do querido. Tudo afinal teria ficado como estava. Os e-mails trocados, a forma "carinhosa" como os intervenientes se tratavam entre si, a veneração ao Senhor Primeiro-Ministro... não passou afinal de uma enorme cabala que montaram ao glorioso.
Choca-me ver programas seguidos sobre futebol onde os tais isentos tentem, com uma tal desespero que até dá pena, desmistificar, desenganar, desmontar o que não pode ser desmistificado, desenganado e desmontado. Eu, fervoroso sportinguista, cuja grande alegria seria ver o glorioso a jogar contra o Sporting B, vejo isto tudo de um modo mais sóbrio que essa malta toda avençada e encartilhada. Neste momento entendo que só se levantou a ponta do véu. Para já ainda só vimos o tornozelo e o ombro da donzela, falta ainda ver as ancas, as coxas e o peito. Espero que algo mais grave ainda seja anunciado numa destas terças-feiras, mas por enquanto o que temos é só para nos salivar. Mas temos. Qualquer pessoa minimamente isenta olharia para o que foi transmitido no Porto Canal e diria qualquer coisa como "Ok, vamos ver o resto então" ou "O que saiu é grave mas ainda é insuficiente, será que vem mais?". Mas não. A compilação que o Mestre de Cerimónias publicou (link1, link2, link3) no seu blog é o de umas tristes criaturas desesperadas a escavar o alcatrão com as unhas à espera de fazerem um buraco para se esconderem. Repito, não deviam condenar logo o benfica por o que foi divulgado, mas é de uma tamanha desfaçatez a campanha de branqueamento e desculpabilização que estão a fazer ao clube do povo.
Caso as pessoas não se lembrem, o Apito Dourado surgiu na mesma época em que o porto foi campeão europeu. Não vi nenhum jornalista dizer, por exemplo, que é absurdo pensar que o clube campeão europeu precisaria de pagar prostitutas a árbitros para ser campeão de Portugal. A célebre visita de Jacinto Paixão a casa de Pinto da Costa deu-se na véspera de um jogo de futebol onde o porto já era virtual campeão, pelo que, usando os argumentos da cartilha, tal não configuraria nenhum comportamento anormal.
Errado!
O porto, mesmo jogando mais e melhor cá dentro e lá fora, se aliciou árbitros com prostitutas, fruta da mercearia, talões de combustível do Pingo Doce ou vouchers, deveria ser condenado!
Se Jacinto Paixão pediu algum favor a Pinto da Costa, mesmo que daí não tenha havido benefício para o porto, também deveria ser condenado!
Como também deverá ser condenado o benfica caso se prove que o teor dos e-mails configura tráfico de influências ou outra ilicitude qualquer,
Como deveria ser condenado no caso dos vouchers, pois uma refeição voucher tem o mesmo valor do que uma prostituta, ou até mais valor, caso o corrompido seja celibatário.
Como Pedro Pereira Cristóvão foi condenado e bem por denúncia caluniosa e não por corrupção desportiva, como certos idiotas sugerem.
Porque em primeiro estão os princípios que regem uma sociedade moderna e o desporto em particular: o princípio da legalidade, da honestidade, da rectidão, da integridade, da honradez e da decência.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Senhoras e senhores, eis o Estado Lampiânico.

Conheces aquele gajo que declara ganhar o ordenado mínimo mas depois anda de BMW topo de gama, passa férias em Cancún e ri-se de ti por seres otário e pagares os teus impostos todos? E aquela gaja que está a receber o subsídio de desemprego, compra malas da Louis Vitton, usa o último modelo do Iphone e ainda se gaba de ser a chica-esperta do bairro? Ou aquele pintas, que é casado mas come o mulherio todo lá da rua, que quando lhe chamam a atenção para a conduta ainda goza e diz com orgulho que é muita macho e o que elas querem é...?
Todos nós conhecemos alguém assim. Pessoas que vivem do esquema, da intrujice, do engano ao próximo, mas quando enfrentadas pela conduta anti-social que levam, ainda fazem orgulho daquilo que são, pois são eles os espertos, os furas-vidas, os sobreviventes. Os outros são os otários, os burros, os degraus para subirmos mais uma escada na vida, de quem nos rimos porque foram mais uma vez comidos.
Não vou fazer aqui nenhum tratado sobre a sociedade portuguesa, pois é demais conhecida a tendência tuga para a marosca do que para a regra. Os tempos hoje estão diferentes, as novas gerações já estão mais vacinadas contra esse tipo de conduta, mas mesmo assim é vê-los por aí, os fura-vidas à cata de mais outro plano para "comer" uns papalvos, acabando o dia lá no café do bairro a gabarem-se de como são muita bons.
Claro que o clube do povo acaba por reflectir um pouco desta cagança à portuguesa. Principalmente quando à sua frente estão pessoas que foram subindo na vida um pouco mais à custa de passar a perna aos otários do que em trabalhar mais que os outros. Não me surpreende por isso ver o canal oficial desse clube fazer publicidade ao colinho, com o bebé Julio a chorar ao colo da mãe, ou os outros dois que não deviam ser inácios. Nem também a ideia de fazer cachecóis com a mensagem "A culpa é do...". Não, nada disso. Da mesma forma que o mulherengo se gaba daquilo que faz, pois no final só dá mesmo às mulheres aquilo que elas querem ou que "estão a pedi-las", também aqui o lampião se limita a gabar-se da triste realidade, eles são muita bons, os outros são uns palermas e antis, logo há que gozar com eles à força toda. Até pelos meios oficiais.
E vem esta conversa toda por causa da proibição do cigarro electrónico na zona técnica, aprovada na assembleia da Liga de clubes da passada segunda-feira. O que aqui me choca não é o facto do benfica ter proposto esta alteração, quando havia tanta coisa mais importante para discutir, tais como as claques ilegais, os empréstimos aos clubes da I Liga, etc. É mais do mesmo, em linha com os inácios e os cachecóis. É o gozar, o escarnecer, o humilhar. É como se o mulherengo, no café, ainda gozasse com o gajo que lhe critica a conduta, chamando-o de mariconço e frouxo. Não, nada disso me choca na postura do actual benfica. Chocou-me mais ver os outros que estavam no café ouvirem tudo calados, sem dizer uma palavra, quiçá com medo sofrerem de bullying, enquanto outros apoiavam o mulherengo. E só um, naquele café que podia ser numa qualquer cidade deste país, se ter insurgido contra a miserável conduta do mulherengo.
Esqueçam a troca de e-mails do gajo de braga com o gordo da BTV ou o jurista da SAD lampiónica. Não vale a pena, esqueçam isso tudo. Ouçam o que eles dizem, que já estão 10 anos à nossa frente. E estão. Neste momento o Estado Lampiânico é aquilo que se viu na última segunda-feira. Um conjunto de clubes medrosos, acobardados e por omissão completamente submissos ao novo poder. Um outro conjunto de clubes, mais restrito, que lhes faz o trabalho sujo, que vota favoravelmente as suas absurdas propostas, apenas por vingança ou por um ou outro jogador emprestado. Vejam como foi possível aprovar-se esta coisa do cigarro electrónico. Vejam também o absurdo de calendário desportivo que foi parido para Agosto. Senhoras e senhores, eis o Estado Lampiânico.
2017/2018 vai ser uma época muito difícil. Teremos pela frente 34 jogos contra adversários que, na grande maioria dos encontros, vai dar tudo por tudo para nos tirar pontos. E vamos disputá-lo contra uma equipa que, muito provavelmente, poderá contar à partida com uns 30 pontos conquistados, só por serem quem são.
Preparem-se.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O Bode Expiatório

Enquanto o mundo gira à volta da "guerra surda" entre Irão e Arábia Saudita ou das eleições inglesas, cá pelo burgo vão-se erguendo as vozes sobre o assunto que está na ordem do dia: as missas cantadas na catedral da Luz.
O jornal A Bola continua feliz e contente a viver na sua própria dimensão, assobiando para o ar como se nada fosse. Impunha-se aqui um outro tipo de jornalismo, se não de investigação pelo menos de informação. O que foi dito no Porto Canal é demasiado grave para ser ignorado, por mais firmes que sejam as convicções dos editores do jornal. É como se um jornal generalista se desse ao luxo de ignorar, por exemplo, as últimas buscas da PJ nos escritórios da EDP e REN. É actualidade informativa, ponto. Não deixa de ser irónico, que num contexto de padres, missas e sacerdotes, com a catedral em pano de fundo, seja o jornal popularmente conhecido pela "Bíblia" a prestar-se a estas figuras. Tudo na paz do Senhor, portanto.
Da mesma forma que no caso dos "vouchers" tudo começou por um desmentido categórico, passando depois por um "todos fazem" ou "ninguém se deixa corromper por tal", até à definição final do limite máximo para as prendas, também aqui tem sido delicioso assistir ao contorcionismo levado a cabo pelos spin doctores do Estado Lampiânico. A fase do desmentido nem 24 horas durou, pois aquele comunicado envergonhado e o cancelamento da entrevista ao primeiro-ministro tresandavam a comprometimento. A fase do "todos fazem" circulou um pouco por aí durante o dia de ontem. Ele era a fruta, muito mais grave que as missas, ou então o Cardinal, pior do que ter sete árbitros ao seu serviço. O argumento de que "eu porto-me mal mas ele porta-se pior" já não pega. Especialmente quando este tem sido o único usado nestes últimos 4 anos onde os escândalos se vão sucedendo. 
Hoje acordei e verifiquei que a narrativa do Estado Lampiânico é agora a do bode expiatório. Afinal a culpa é toda do Pedro Guerra, que não tem categoria, nem dimensão, para assumir o protagonismo que tem em nome do benfica. Acordaram hoje e descobriram que é um ser asqueroso e é uma das fontes do mal-estar do nosso futebol. E vão tentando incutir-nos a ideia de que terá sido ele, sozinho, a tecer a teia que onde o futebol nacional está enredado. Ou, numa linguagem mais canónica, tenha sido ele o doutor da igreja que criou a "religião" onde os padres rezam e o primeiro-ministro reina. 
Tudo acabará com Pedro Guerra a partir para o Dubai, quiçá para os braços do Arcanjo Gabriel. E pensarão todos que assim, da mesma forma que se passa o esfregão para limpar a nódoa, também o nosso futebol ficará de cara lavada e imaculado, tudo dependendo do tamanho da nódoa a limpar.
Veremos que mais terá Francisco J. Marques para mostrar. Uma coisa é certa, por estes dias irá andar muita gente nervosa e a dormir mal. 
P.S.- E o que dizer das palavras de Rui Vitória ao jornal espanhol "Marca", sobre a adaptação dos seus jogadores ao video-árbitro??? Delicioso!

quarta-feira, 7 de junho de 2017

A amizade é muito linda

Dois dias depois da conversa em privado de BdC com os jornalistas ter visto a luz do dia, eis que ontem o Porto Canal revelou mais uma episódio negro do futebol português.
Escrevi aqui ontem sobre o timing desta gravação ter sido difundida. O defeso estava calmo para as nossas bandas, contratações de jogadores razoáveis a tempo de começar os trabalhos da pré-época, pouca agitação de saídas do nosso clube, sendo que a única até agora confirmada até é um bom negócio. JJ não saiu do Sporting e BdC vai preparando o seu casamento, depois da rábula da gala não ter, afinal, gerado uma vaga contestatária de fundo no nosso universo.
Era preciso ridicularizar novamente o nosso clube, seguindo aquela velha máxima de que o importante é falar dos outros. Nada de questionar a partilha absurda dos direitos económicos do Ederson, o voto do benfica contra o valor máximo das prendas aos árbitros ou a actual política lampiónica de comprar e emprestar por essa I Liga fora.
Como o seguro morreu de velho, vai de tentar encalacrar o Sporting e o seu presidente, que se põe sempre a jeito para estas coisas. E durante 48 horas o país futebolístico falou, analisou e lambuzou a puta da gala ou a estupidez daqueles que julgam ser possível ganhar campeonatos apenas com a formação. Não se falou de café com leite, fruta, ameaças, etc. Mas mesmo assim muitos acharam haver ali matéria para debates e mesas redondas. 
Era urgente aparecer algo por estes dias que "matasse" o assunto, mas quando o tema é malhar no Sporting, não há nada que nos valha. Não havia. Ontem o canal oficial do FCP fez-nos o favor de estoirar uma bomba. Não é uma bomba, bomba. É mais uma bombinha. É o abrir de uma cortina, o relatar do primeiro raio de luz que embateu na escuridão imensa onde o nosso futebol está mergulhado. Mas o caminho está mostrado e agora há que continuar a puxar a cortina, apontar os focos de luz, e denunciar aquilo que todos sabemos: que o Estado Lampiânico tomou conta dos meandros do desporto-rei nacional, que controla tudo e, mais importante, tem árbitros lacaios à sua disposição. Como li algures na Internet, afinal era espectável que na "catedral" houve "missas" e "sacerdotes". Só quem não percebe de "religião" é que se espanta com isto.
Desconheço se houve acção concertada dos gabinetes de comunicação do porto e Sporting ou se tudo não passou de uma grande coincidência. Mas o que é certo é que o anúncio de ontem levou, ou melhor, obrigou, a comunicação social a focar-se noutra coisa que não a "puta da gala". E o adiamento da entrevista de LFV à RTP também será isso, outra grande coincidência. E eu já tenho alguns anos suficientes para não acreditar em coincidências...

terça-feira, 6 de junho de 2017

Canalhas e toupeiras

Enquanto Battaglia, Coentrão e Rúben Semedo continuam envoltos em conversações, eis que a pré-época sportinguista foi surpreendida por uma mão cheia de... nada!
Existe aquela velha máxima de que o importante não é falar-se bem ou mal. O importante é que se fale. No caso de Bruno de Carvalho, a coisa é semelhante, com uma variante: o importante é que seja embaraçoso. De filhadaputice em filhadaputice, o Estado Lampiânico lá vai alimentando a sua cruzada contra o nosso presidente. Desde beijos na tribuna, até invertendo uma situação onde foi insultado em acusado de insultar (episódio família Pinho), tudo tem servido para alimentar aquela fogueira onde o nosso presidente tem vindo a ser lentamente cozinhado. E aqui não pega aquela desculpa tipicamente portuguesa, do "pôs-se a jeito". Não, porque aqui há matéria que ultrapassa e muito a falta de carácter e a canalhice de quem transmite e amplifica estes casos. Gravar à socapa uma conversa privada não é mais do que mais uma pedra nesse triste edifício que é a credibilidade dos nossos media. 
Para desgraça dos nossos detractores, o que foi gravado não é mais do que uma conversa de homens sobre alguns temas do desporto nacional, coisa que se houve num qualquer café de Portugal à segunda-feira de manhã. Não se ouviu falar em dar fruta ou café com leite, convites para o estádio, carimbos escondidos, puxões de orelhas pedagógicos, ou outro tipo de analogias futebolísticas portuguesas. A "p*ta da gala" é o que de mais embaraçoso se ouviu, mas atendendo à novela que se gerou em torno disso, essa parte da conversa até nem nos merece muita atenção. À falta de sumo para espremer, os detractores viraram-se para a forma como o áudio foi obtido. E em causa, como é óbvio, não está a forma imoral como tal foi conseguido, mas sim o amadorismo do nosso presidente, que consente em cair neste tipo de armadilhas. Como se os culpados da ignomínia que grassa pelo mundo fosse das vítimas e não dos gaviões que o circundam.
Eis como o Estado Lampiânico, sem casos para atacar o nosso clube pois a pré-época tem decorrido sem mácula para os nossos lados (contratações bem encaminhadas, focadas e sem telenovelas), arranja já um tema para queimar o Sporting na praça. 
Mais grave é a forma como o ofício relativo a Rúben Semedo foi divulgado. Aqui não estamos a falar de jornalistas desonestos, mas sim de pessoas da nossa própria casa. Depois das fugas para o football leaks, descobrimos afinal que ainda existem ratos e toupeiras no Edifício Visconde de Alvalade. E isto sim, é um motivo sério e que deveria preocupar todos os sportinguistas, a começar no nosso presidente. 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Pezinhos de lã

A confirmar-se a vinda de Battaglia para o Sporting, serão 4 os jogadores que já contratámos para a próxima época, a mais de um mês do inicio da preparação da próxima época.
Battaglia é um centro-campista interessante. É um jogador combativo e tem boa técnica. Parece-me um puro número 8 adaptável a trinco, apesar de ontem ter também ouvido que a posição onde renderá mais será a trinco. Seja como for, parece-me uma opção válida para colmatar uma eventual venda ou indisponibilidade de Adrien ou William Carvalho. Sendo um jogador ainda novo (25 anos) terá alguma margem de progressão, pelo que o valor anunciado da compra (3,5 M€) é justificável. Em sentido contrário irão Jeferson e Esgaio. Concordo com as suas dispensas, pois eram jogadores que claramente não constituíam primeiras opções para JJ. Jeferson, depois de duas boas épocas de leão ao peito, eclipsou-se enquanto jogador. Não entendo o que se passou, se houve birra por não ter sido vendido ou algo mais. Mas tenho pena que tenha acabado assim a sua ligação, pois em forma terá sido dos melhores laterais esquerdos que passou por Alvalade, e talvez o melhorzito depois de Rui Jorge. Que a sua mudança para Braga lhe provoque um reset cerebral para, quiçá, ainda nos poder vir a ser útil num futuro próximo. Ricardo Esgaio também é outro jogador por quem tenho pena de não ter singrado com as nossas cores. Esperança das nossas camadas jovens e equipa B, onde até chegou a ser dos melhores marcadores, Esgaio nunca se conseguiu impor na equipa principal. Sempre achei ter sido um erro metê-lo a defesa lateral, pois a posição onde rendia mais na equipa B era a médio. Esgaio fez parte da última grande fornada em qualidade da nossa Academia, uma geração que contou com João Mário, Ilori, Rúben Semedo, Iuri Medeiros (mais novo), Mané, Bruma ou Betinho. Estes jogadores tiveram sortes diferentes, com Esgaio ainda a representar talvez a única dúvida deste lote. Creio que a sua dispensa é aceitável, mas se for a título definitivo, como se fala, considero um erro. Até porque assim Battaglia já não custaria 3,5 M€ mas sim uns 5 ou 6 M€, o que já acho demasiado. Mas enfim, as contratações são como os melões, só depois de "abertas" é que saberemos se valeram a pena. E se conseguir estar à altura de Adrien ou William, 6 M€ acabará por ser barato. Veremos.
Se nesta época não entrarmos numa espiral consumista, como no final de Agosto de 2016, estaremos perante a abordagem mais sóbria e bem planeada preparação de uma época dos últimos anos. Eu que tanto critiquei a política de contratações da era BdC, bem como os sucessivos maus planeamentos de época, estou a gostar do que até agora tenho visto. Que continuemos a comprar (ou obter por empréstimo) cirurgicamente e não desvairadamente.
A próxima posição de que se fala é a de lateral-esquerdo, perfilando-se Fábio Coentrão como principal opção. Lampionismos do jogador à parte, creio pessoalmente que Coentrão não estaria de momento com capacidade para ser jogador titular do Sporting. Muitas lesões, poucos minutos jogados. Por outro lado, ao contrário de, por exemplo, Markovic, Coentrão teria tempo para se adaptar à nova casa e fazer a pré-época, o que o sérvio não teve. A confirmar-se a vinda de Coentrão por empréstimo, não estaria muito seguro da real valia da aquisição, mas teria cada vez mais a certeza de que ataque à próxima época está, finalmente, a fazer-se com serenidade, profissionalismo e argúcia. E já agora, que BdC e JJ se mantenham calados, mas focados nos objectivos.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Próxima batalha: o fim das promiscuidades

Surpresa das surpresas, a utilização do video-árbitro na final da Taça de Portugal não resultou em nenhuma catástrofe ou hecatombe. A tragédia anunciada de que o VA iria provocar quebras no ritmo da partida, com inúmeros tempos mortos, como se a verdade desportiva fosse algo acessório em alta competição, afinal não se verificou. Como sempre, no final o Estado Lampiânico virou o bico ao prego e o seu Al-Carnidão, com a bazófia e fanfarronice típica daquela banda, difundiu a mensagem de que com ou sem VA, o vencedor é sempre o mesmo.
Mas não percamos muito tempo com a bazófia carnidense. Afinal, com esta narrativa, estão a passar a mensagem de que o VA não é o Apocalipse do futebol. "Vencendo os mesmos" acabam por desviar o foco na diabolização das novas tecnologias, o que é bom. Acabaremos por ler e ouvir nos próximos dias os "cartilheiros" a pregar isso mesmo, que "o VA era uma arma de arremesso dos rivais, mas que no final ganham sempre os melhores". Ao que eu acrescentaria, "ganham os melhores, sem (tantas) injustiças pelo meio". Em Agosto ninguém estará contra o VA, agora transformado em ferramenta essencial do futebol moderno. Depois disso, logo veremos...
Entretanto o Estado Lampiânico continua a copiar o guião que o Sistema foi utilizando na década de 90 e seguinte. Um dos pontos desse guião era o de emprestar fornadas de jogadores à equipas mais pequenas, de forma a torná-las mais dependentes do grande "pai" porto, logo pouco propensas a criar-lhes dificuldades ao longo do campeonato. Este negócio, a confirmar-se, demonstra cada vez mais o grau de sofisticação atingido pelo Estado Lampiânico. Não só demonstra uma boa capacidade de reacção às adversidades, o que reflecte o seu vigor, como também mostra estar apetrechado com soluções para, à semelhança do Sistema, manter entretidos e junto a si a maior parte dos clubes portugueses.
A adopção do VA, por si só, como atrás se viu, não garantirá a transparência do futebol jogado. Como disse Norton de Matos, se um jogador quiser fazer penalti contra a sua equipa, fá-lo. É certo que a implementação, ainda que embrionária, do VA dissipará alguns erros grosseiros e que custam pontos. No entanto há muito mais no nosso futebol nacional do que o golo mal anulado por fora-do-jogo ou o penalti que não foi assinalado. E será na eliminação das promiscuidades entre equipas de futebol que os nossos dirigentes (do Sporting e não só) terão de se bater nos próximos tempos.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Sonhos e desejos

Começa agora o chamado "defeso", aquela altura do ano onde a época já acabou e a pré-época seguinte ainda não começou. Neste espaço de pouco mais de um mês, os jornais aproveitam para comprar e vender carradas de jogadores ao Sporting e outros clubes. Fontes oficiais ou próximas dos decisores garantem que fulano sai por X e beltrano entra por Y. Todos torcem para que as estrelas não sejam vendidas, ou a sê-lo que o seja por valores astronómicos, e entrem craques para as posições mais desfavorecidas.
Fecho os olhos e recordo-me daqueles defesos onde se anunciavam Rijkaard, Pancev, Schemeichel ou Silas, enquanto vendíamos Ronaldo, Simão, Nani ou Quaresma por valores acima da realidade portuguesa. Rijkaard e Pancev não vieram (quer dizer, o primeiro até veio, mas não jogou), mas veio o gigante dinamarquês e o criativo brasileiro. E as vendas, bem vistas as coisas, apesar de alguma euforia criada, não foram tão boas quanto isso.
Para 2017/2018, gostava de ter dois craques nas laterais. Quem vê os jogos ao vivo percebe melhor a falta que fazem dois bons defesas laterais no Sporting. A forma como defensivamente recuperam as bolas ou tapam o seu corredor, enquanto ofensivamente se enquadram no envolvimento do ataque da equipa, com boas desmarcações e centros apimentados. Piccini não me entusiasma, mas espero para ver. Para o lado esquerdo espero ver alguém mais creditado a ocupar a posição. Sim, a qualidade paga-se, mas caramba, Bas Dost também foi bem pago e ficámos a ganhar. Por isso não me chocaria ver o Sporting a desembolsar uma verba acima dos 6 ou 7M€ para trazer um bom lateral esquerdo para a nossa equipa.
O resto do plantel creio que dependerá das vendas que se fizerem. Gelson Martins, William Carvalho, Adrien e Rui Patrício são elegíveis a ser vendidos por verbas irrecusáveis. Ou até Bas Dost. E terão de ser substituídos por jogadores de igual ou maior valia. Aqui só espero que não se repita o que aconteceu no ano passado, quando apenas no último dia de mercado se fechou Slimani e João Mário. A haver uma venda dessas, que seja já esta semana. Não em Agosto.
Já agora, um desejo secreto. Um não, dois. João Mário regressar emprestado a Alvalade. E apesar de depositar muitas esperanças no jovem Gelson Dala, também o regresso de Slimani emprestado. Isso já me faria começar a sonhar.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Adeus 16/17, 17/18 à vista

Ao contrário das previsões mais pessimistas, ontem o Sporting mostrou uma atitude vencedora, na procura dos golos e da vitória, ao contrário dos dois últimos jogos. Muito provavelmente o facto de terem jogado as segundas linhas terá contribuído para isso, pois quem entrou de inicio entrou com vontade de mostrar trabalho e de dizer "Mister, pró ano conte connosco!". Tive pena que Dala e Geraldes não tivessem jogado de inicio, mas fiquei contente pela titularidade de Palhinha, Matheus e Podence. Espero que este quinteto tenha a sua oportunidade de brilhar na próxima época, e que expludam o potencial futebolístico que tem dentro deles. E a este quinteto junto Iuri Medeiros, que espero venha mais maduro e mais concentrado na sua missão, depois de não ter caído no goto de JJ, por, dizem, ter mostrado falta de empenho.
Infelizmente o resultado do último jogo não foi o espelho da época. Entrámos displicentes em muitos jogos, o que nos custou pontos preciosos. É certo que pelo meio, especialmente na primeira volta, também fomos puxados para trás em momentos chave. O jogo da Luz e depois a derrota caseira ante o Braga foi um desses. Nunca saberemos se duas vitórias nesses jogos nos catapultariam para exibições de outro nível. Mas o que veio à tona foi do piorzinho que vimos nestes últimos quatro anos: jogadores descomprometidos com a história do clube, equipa sem entrosamento nem garra, treinador e presidente sem capacidade de reacção... A segunda volta foi um longo arrastar, uma autêntica via sacra, onde salvo uma ou outra exibição mais conseguida, nunca nos aproximamos do brilhantismo da última época. Perante um porto em claro declínio anímico e emocional e um benfica em serviços mínimos, tínhamos a obrigação de ter feito muito mais e melhor.
No campeonato falhámos redondamente a luta pela sua conquista e nem ao segundo lugar conseguimos chegar. No início da próxima temporada iremos pagar esta factura, pois isso irá implicar um inicio de época antecipado, com dois jogos decisivos logo a abrir. E se ficarmos logo arredados da CL, continuaremos este ciclo vicioso de não conseguirmos virar o fraco ranking que temos. Com a nossa espinha dorsal empenhada no mundial de selecções, não se adivinha um inicio de época auspicioso para as nossas partes. É muita coisa em jogo logo em Agosto/Setembro.
Entretanto de Inglaterra chegam rumores de que o City poderá fazer uma proposta irrecusável por William e Gelson. William é um fetiche antigo de Guardiola, pelo que poderá facilmente rumar para lá. Já Gelson acredito que tenha deixado boas indicações em Espanha, pelo que não sei se não virá dali uma proposta... Quanto a Adrien e Rui Patrício, começam a chegar àquela fase da carreira que ou fazem agora o contrato da vida ou vão para a China daqui a 5 ou 6 anos. No caso dos dois acho que o Sporting deveria fazer tudo para os manter. E quando digo tudo, falo em renovar-lhes o contrato com um salário generoso. São os capitães de equipa, são fruto da nossa formação e são ícones do nosso clube. Se há jogadores que se entregam em campo e transpirar a sua camisola, são eles. Vejo Adrien ou Rui Patrício e lembro-me dos antigos capitães do Sporting, como Jordão, Manuel Fernandes, Damas ou Oceano. Referencias não só nossas mas também do futebol português. É daquele tipo de identidade que deveríamos cultivar e preservar. E são estes jogadores que na próxima época servirão de exemplo aos Geraldes, Dalas ou Iuris do nosso clube. Mais do que nunca precisamos de jogadores comprometidos com o Sporting, verdadeiros sportinguistas, que chorem e não consigam dormir à noite depois de perder um jogo. Que mostrem aos novos jogadores que jogar no Sporting não é fácil, é preciso saber sofrer, que este clube por vezes devora os próprios filhos (inacreditável a faixa a Rúben Semedo), mas que por mais anos que não consigamos ser campeões a massa adepta nunca desmobiliza e por isso nos odeiam. Pró ano será mais do mesmo, estaremos constantemente debaixo do fogo das cartilhas e pazadas de carvão dos incendiários do costume. Não seremos salvos pelo video-árbitro, por muito benéfica que seja esta medida. Pelo contrário, tentarão por todas as formas e feitios desmobilizar o nosso balneário e contra isso temos de estar unidos, de fileiras cerradas.
Voltaremos ao tema da próxima época, pois temos ainda quase 3 meses até ao seu arranque. Entretanto não posso deixar de congratular o excelente arranque do futebol profissional feminino, onde acredito que iremos ainda colher muitos frutos. E o andebol, que muitos julgavam já morto, afinal iremos chegar à última jornada a depender só de nós para sermos campeões. É um volte-face espectacular nesta modalidade e espero que, no derradeiro teste, mostremos a verdadeira alma de leão deste clube.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Sinais

Logo após as eleições escrevi algumas considerações sobre o futuro do nosso presidente, então reeleito. Nessas, um dos pontos mais importantes onde bati foi precisamente na sua política comunicacional, que se confunde com a comunicação oficial do clube.
Acho importante que uma instituição como o Sporting, em pleno século XXI, esteja activa nas redes sociais. Considero que as suas contas oficiais no Facebook e no Twitter, que são as que eu sigo mais assiduamente, estão bem geridas na forma e nos temas com que interagem com o público. Servem precisamente para divulgar novidades da vida do clube ou efemérides interessantes (o throwback é uma óptima iniciativa). 
Ao ter a sua conta oficial de presidente do Sporting, Bruno de Carvalho começou logo por gerar equívocos. Poder-se-ia dizer que aquilo que escrevia e opinava só o vinculava a ele e não ao clube. Ora, isso é uma falsa questão. Desde logo porque a conta de Facebook de BdC apresentava-o logo como "Presidente do Sporting". Segundo, essa coisa de dizer que "uma coisa é a pessoa, o cidadão, outra é o cargo que ocupa" é uma treta. No campo mediático, o cidadão Bruno de Carvalho e o Presidente Bruno de Carvalho são vistos e tratados como a mesma pessoa. BdC pode ir de manhã passear o cão em chinelos e beber um galão ao café da esquina antes de vestir a pele a de presidente e ir trabalhar para o estádio. Isso pode funcionar na esfera pessoal e anónima. Agora, na exposição mediática, isso não existe. Daí que o desgaste da imagem do Presidente Bruno de Carvalho no Facebook implica igualmente o desgaste da imagem do Sporting. Foi tarde, 4 anos é demasiado tempo, mas ainda bem que BdC percebeu que o que estava em jogo era a própria imagem do Sporting.
Espero que este não seja o fim mas sim o início da revolução da política comunicacional do clube. Há muitas coisas ainda para alterar. Manter o foco nos temas mais importantes para o Sporting. Não cair na tentação de responder a "moços de recado" ou a "soldados de falange". Não cair na tentação de atacar constantemente e cansativamente o benfica. Como se viu nestes últimos tempos, Isso só levou à martirização do nosso rival de Lisboa. 
Sinal positivo, mas também sinal negativo. A mensagem de despedida de BdC foi muito dura para os adeptos do Sporting e para os seus atletas. Percebo que a actual direcção queira incutir no clube a tal "cultura de exigência" ou "cultura de vitória" que tanto apregoa. Mas a linguagem que utilizou é excessiva e demasiado hostil. A equipa de futsal perdeu o seu primeiro jogo da época numa final para apurar o campeão europeu da modalidade. O resultado foi desniveladíssimo não por desleixo ou negligência do treinador e atletas, mas sim porque a partir de determinada altura tiveram de aceitar correr riscos para inverter os acontecimentos. E esses riscos pagaram-se caro. No futebol também tivemos situações de perda de pontos negligentes da nossa parte. Mas tal também se deveu porque esta época foi pessimamente mal preparada. É bom que BdC reconheça que não se pode sempre culpar o árbitro ou a falta de sorte nas derrotas, mas fica-lhe mal imputar aos adeptos do clube uma cota-parte dos maus resultados, quando esses mesmos adeptos se mostraram intransigentemente ao lado da sua equipa mesmo em alturas muito difíceis da época. E salvo se a próxima época começar a correr muito bem para os nossos lados, duvido que tenhamos as mesmas assistências nos jogos que tivemos esta época.
Por fim a Gala Honoris. Ou Gala Horroris. É certo que a alteração da data não fere nenhuma determinação estatutária, mas a sua alteração por motivos da vida privada do Presidente do Sporting é um tremendo erro. O sportinguista que é apontado como culpado no desaire do clube ao não exigir mais dos seus jogadores e treinadores, vê depois que o seu crítico altera a data de um evento histórico do seu clube por causa de um evento da sua vida pessoal, que podia ter sido marcado para outra altura qualquer. Não é um erro, é uma estupidez de quem pariu uma ideia dessas.
Bruno de Carvalho despede-se do Facebook com a sua pior intervenção de sempre, o que não deixa de ser uma ironia do destino. Enquanto o desporto nacional se entretém com esta novela, o Sporting assegurou a contratação de 3 jogados para a próxima época. Outro sinal positivo, este de preparar a equipa com tempo, discretamente e focado nas necessidades prementes do plantel. 
Esperemos que daqui para a frente sejam muito mais os sinais positivos dados pela direcção.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Manter a sobriedade

Começo com um desabafo: ainda sou do tempo em que os sportinguistas diziam, e com orgulho, que éramos do único clube tetracampeão de Portugal. Hoje não só essa marca já é banal, como nos arriscamos a que daqui a um ano nos digam que somos os únicos a não ser penta... cala-te boca, que dás mau agoiro!
Adiante.
Perante a tragédia que está a ser este final de época, quando até estávamos a fazer uma 2.ª volta melhorzinha, tem-se estado a revelar aquela faceta tão típica nos sportinguistas: uma espécie de depressão, onde tudo o que está no clube é mau e o que está para vir é pior. É uma espécie de sebastianismo mas ao contrário. O sebastianismo acreditava no regresso do malogrado D. Sebastião para libertar a pátria subjugada. Nós acreditamos é na vinda de mais desgraças para o Sporting. E como já li algures na nossa blogosfera, esta época só não é mais trágica que a de 2012/2013 porque desta vez não acabámos em sétimo lugar...
Este fim de semana foi terrível para nós. As derrotas na Feira, no futsal, da equipa B... até a vitória do andebol teve sabor a derrota. Com os nossos vizinhos do lado em êxtase, foi com bastante custo que muitos de nós hoje tiveram de sair de casa para ir trabalhar e enfrentar o resto do mundo.
Com o jogo frente ao Chaves relegado para o mesmo plano que a final de sueca do Clube Recreativo de A-dos-Cãos, começamos já a fazer contas à próxima época. As palavras de JJ no final do último jogo foram mais um preparar de desculpas do que uma afirmação de vontade em preparar uma época radicalmente diferente desta. E se um dos problemas este ano foi a falta de atitude, assusta-me que quem tem o dever de a incutir demonstre (por enquanto) incapacidade em cultivá-la. Que não nos costumamos dar bem com inícios antecipados de época, já o sabemos. Que são muito os constrangimentos em ser um dos principais fornecedores de jogados à selecção, também o sabemos. Que pagamos uma pipa de massa a um treinador para, na medida do possível, tornear esses e outros contratempos, era o que eu gostava. 
Obviamente que precisamos de reforços em algumas posições chave do plantel, como nas laterais da defesa. Precisamos de mais um jogador no meio-campo que faça a diferença, puxe pela equipa, gere intensidade nas transições ou na posse de bola. Alguém para jogar ao lado ou à frente de Adrien. E precisamos também de um segundo avançado ou ponta de lança com faro para golo, que nos faça esquecer os Teos e os Castaignos desta vida. E isto se nenhuma das nossas pedras basilares sair, porque se Adrien, William Carvalho (não este, mas o da época passada), Rui Patrício, Coates ou Bas Dost saírem, terão de ser substituídos por alguém à altura.
Para já, não estou muito entusiasmado com os nossos reforços. André Pinto talvez seja uma boa opção para disputar com Rúben Semedo ou Paulo Oliveira o lugar ao lado de Coates, mas para já não será o "patrão" da defesa. Gelson Dala, pelo que tem jogado na equipa B, será o sucessor natural de Castaignos no plantel principal. Não acredito que JJ desperdice o talento do jovem angolano, a não ser que a pré-época corra muito mal para o avançado (benzo-me repetidamente!!!). Para as laterais, o primeiro nome não me entusiasma. Piccini soa-me demasiado a Schelotto, o que para mim é deprimente. O galgo pode correr muito e tal, mas na prática não é mais do que um Marian Had com jeito para a restauração italiana. A centrar é uma lástima e a defender não é regular. Curiosamente é o mesmo que se diz de Piccini. Quando à outra quase contratação, o filho de Bebeto, pergunto-me se um jogador "jeitozinho" do Estoril é o ideal para ser o dínamo do meio-campo do Sporting. Já nem vou ao ponto de perguntar o que é que este Matheus tem de diferente do nosso Matheus, do Geraldes ou do Gauld, não entro por aí (perdoem-me, mas tenho muitas dúvidas que qualquer um desses jogadores seja hoje uma opção válida para o onze inicial de um candidato ao título português). Se o objectivo era contratar alguém com ADN de estrela, então a escolha foi acertada. Agora se a ideia era injectar dinamismo e criatividade na equipa, mas sem o jogo pausado de Alan Ruiz, tenho dúvidas da utilidade dessa transferência. 
Para já não tenho muitos motivos para ficar entusiasmado com a próxima temporada, antes pelo contrário. Mas apelo a que todos os sportinguistas mantenham um pouco de sobriedade nesta fase da época, onde tudo nos parece mau ou não presta. Esperemos serenamente a preparação do plantel, o início da pré-época e os primeiros jogos amigáveis. Faço cruzes, e lá no fundo acredito, que esta época não tenha passado de um sonho mau, um dia difícil, o passo atrás antes dos três ou quatro à frente.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Amigos como dantes?

De repente voltámos a ser amigos.
Havia algo de romântico em continuarmos sós contra o mundo. Se bem que no futebol português o mundo resume-se a Sporting, benfica e porto. Os outros, tirando um ou outro clube com mística mais bairrista (Vit. Guimarães, por exemplo), limitam-se a seguir o clube mais poderoso do momento, esperando com isso comer algumas das migalhas que lhes atiram.
Éramos nós contra o Sistema e o Estado Lampiânico. Nós contra as nádegas. Contra o papa e o orelhas. Contra os corruptos, os wanna be, as frutas, os cafés com leite, os vouchers e as cartilhas. Éramos nós contra os amigos dos fundos e do Jorge Mendes. 
Éramos como aqueles cavaleiros medievais que salvavam donzelas dos perigos ou aqueles pistoleiros do Oeste que defendiam aldeias contra os bandos de malfeitores. E eu gostava desse papel que nos coube, pois como diz o ditado, "Antes quebrar que torcer". 
Dirão alguns, ou muitos, que a recente aproximação de Sporting ao porto não é mais do que a vitória do pragmatismo. Churchill teve de se aliar com Estaline contra Hitler, e os americanos apoiaram os mujahedins (futuros talibãs) contra o inimigo comum soviético. "É a política, estúpido!", dir-me-ão.
Eu gosto de Política, daquela política a sério, levada a cabo por Homens fieis às suas convicções e focados no seu objectivo, de preferência um objectivo de bem comum. E com visão de estado, que saibam interpretar não só os sinais imediatos como aqueles que virão a médio e longo prazo. Os livros de História estão carregados de personalidades que se revelaram políticos extraordinários e cujas acções mudaram o mundo. Churchill foi um deles. Antes dele, um titubeante Chamberlain foi a Munique celebrar uma paz com Hitler, que mais não foi do que um compasso de espera para o inicio da 2.ª Guerra Mundial. O primeiro focou-se num objectivo imediato, de derrotar o inimigo nazi. O segundo, mais preocupado em evitar a guerra, não leu os sinais evidentes de que os nazis iriam, mais mês, menos mês, começar com a sua guerra de conquista e extermínio mundial.
Salvo as devidas proporções, este reatar de relações este Sporting e porto soa obviamente a aliança com o objectivo de derrubar o inimigo comum. Aparentemente o momento até seria propício para nós. Embora a péssima época que estamos a fazer, no cômputo geral destes últimos quatro anos, assistimos a um declínio portista e a um incremento sportinguista. Significa isso que estamos melhor que o porto? É que uma aliança destas só faz sentido se o nosso aliado for inferior ou se tivermos a certeza que no futuro o conseguiremos ultrapassar. Churchill tinha noção que a URSS, apesar do seu poderio, soçobraria perante uma futura aliança ocidental, por isso não temeu em aliar-se a ela no momento. Que Bruno de Carvalho estará obcecado em tornar o Sporting no lado forte desta aliança, não tenho a mínima dúvida. Mas terá ele os meios necessários para o fazer? E o porto estará assim tão cambaleante para aceitar ser o lado fraco da aliança? Não estaremos, como Chambarlein, a subestimar o nosso "campagnon de route"?
Eu ainda me lembro dos resultados que estas aproximações do Sporting ao porto geravam. Sim, recebemos o Rui Jorge (que jeitaço nos dava agora), mas pouco mais. O nosso papel acabou por se reduzir a uma espécie de muleta do porto, com perda de poder competitivo, cuja consequência foi o nosso desaparecimento desportivo a partir da época de 2009/2010, cuja factura ainda estamos a pagar. Por isso sim, estou muito, mesmo muito, preocupado com este cenário. Oxalá me engane.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

De que valerá o video-árbitro na próxima época?

Com a tragédia de domingo, poucos se terão dado conta, ou se o deram nem tiveram tempo para o celebrar, das últimas alterações ao quadro competitivo do futebol profissional.
Uma das alterações, que significará a uma mudança radical na forma como vemos futebol, é a introdução do video-árbitro. A curto prazo provavelmente veremos o fim do fora-do-jogo duvidoso, as simulações dentro da área irão ser drasticamente reduzidas, as faltas dentro da área serão praticamente todas assinaladas e por fim saberemos se a bola ultrapassou totalmente ou não a linha de golo. É certamente o maior avanço civilizacional do futebol, desde que foram introduzidas as substituições e os cartões amarelos e vermelhos. E uma alteração destas originará necessariamente um futebol melhor, pois torna-o mais verdadeiro o honesto. Obviamente que o período inicial de implantação do video-árbitro terá de ser de adaptação, pelo que talvez as coisas não comecem logo bem, mas é uma alteração que tem tudo para melhorar por completo o futebol jogado.
Outra alteração que nos foi anunciada agora é a da publicação dos relatórios dos árbitros após o jogo que apitam. Aqui a medida ainda tem algumas arestas para limar, como o Mister do Café aqui descreveu. Mas a introdução do princípio em si é já de louvar, esperando eu que se estenda também ao relatório dos observadores. 
Eu por natureza sou um optimista, e acredito sinceramente no progresso da Humanidade, bem como dos mecanismos que ela própria cria para regular a vida em sociedade. No caso concreto do futebol profissional tuga, acredito que estes mecanismos para tornar os seus meandros mais transparentes resultarão num jogo mais limpo, onde o vencedor final será o que tiver mais mérito.
A concretização destas medidas é uma vitória de todos aqueles que nestas últimas épocas se bateram por elas, incluindo Bruno de Carvalho. Se na época passada estas medidas já tivessem implantadas, se calhar tínhamos sido campeões. E esta época teria sido também ela diferente, pois não nos podemos esquecer que em determinada altura, com arbitragens isentas, estaríamos numa posição mais confortável daquela para onde acabaram por nos relegar. É portanto uma vitória nossa, apesar dos defensores do video-árbitro que apareceram à última hora a apoiar o seu aparecimento.
De certo modo, nas últimas 4 épocas, nós sportinguistas temos verificado que as nossas classificações finais são um pouco fruto de decisões erradas de arbitragem. Mas também temos de admitir que, tirando a última época, a nossa equipa principal anda desfasada daquilo que os sócios e os adeptos esperam dela. O que aconteceu no último domingo, apesar de numa amplitude menor, tem acontecido amiúde nestas últimas épocas: em momentos onde precisávamos de espírito guerreiro, alma e coração leonino, temos claudicado. 
Não podemos atirar todas as culpas para cima da arbitragem, quando caímos no nosso próprio estádio perante uma equipa que vinha de sete derrotas seguidas. Ou quando não conseguimos ganhar jogos aos últimos classificados do nosso campeonato. Há perdas de pontos que simplesmente não podem acontecer, mesmo jogando contra 12 ou 14. Por exemplo, na época passada formos prejudicados em casa com o Tondela. Mas a forma como nos deixámos empatar nos minutos finais desse jogo é imperdoável. O video-árbitro pode evitar o escândalo que se passou nesse jogo, mas não evitaria as fífias finais do Ewerton e do Jefferson no golo do empate.
Temos neste momento a noção de que a próxima época ditará, à partida, resultados mais justos face à produção das equipas em campo. Por isso precisaremos de ter um plantel muito mais forte do que este, com a classe do de 2015/2016 e a combatividade de 2013/2014. É bom que Bruno de Carvalho e o treinador tenham perfeita noção disso. Para mostrarmos que com um bom plantel, ao nível ou superior ao dos nossos rivais, e sem manigâncias ou maroscas, temos perfeitas condições para sermos campeões. Ir na próxima época a jogo com uma coisa ao nível desta época, além de muito dificilmente conseguirmos ganhar algo, ainda seremos o alvo da chacota e daqueles profetas de pacotilha, que dirão algo como "Vêem como o vosso problema não era com os árbitros mas sim com vocês próprios???".
2017/2018 tem de ser o ano do leão. Temos de construir uma equipa que saiba ter a classe, a concentração e a raça para ganhar todos os jogos. E com jogadores e equipa técnica que olhem para as bancadas antes dos jogos e saibam que não tem outro caminho senão o de deixar tudo em campo para conquistar os 3 pontos. 

domingo, 7 de maio de 2017

A triste crónica de um desastre

Estou chateado, irritado, furioso. Só me apetece dizer que são todos uma merda, do presidente ao apanha-bolas, da secção de chinquilho à equipa técnica da equipa principal de futebol. Que isto é tudo uma desgraça, hão-se passar-se mais 15 à seca e... e... (expira, inspira, expira, inspira).
Billy, acalma-te! Arruma as ideias, a tua filha de 5 anos foi hoje à bola e adorou, mesmo tendo ficado a pensar que ganhamos o jogo. Calma caralho, tudo tem uma explicação, não vamos agora mandar pedras ao presidente, ao treinador e à equipa... não vamos , pois não Billy???
Bem, por onde é que eu vou começar? Comecemos então pelo inicio.
Já à muito tempo que não assistia a um jogo disputado do principio ao fim à luz do dia. Em Agosto vemos alguns começar à tarde mas no final lá se acendem as luzes da iluminação. Hoje não, era tudo ao natural, o que me relembrava os velhos anos 80 e 90 na curva sul ou na bancada nova.
O jogo prometia. Lotação esgotada, muitas crianças e senhoras prontas para assistir ao jogo. Eu decido levar a minha filha pela primeira vez à bola hoje. A hora é favorável, o jogo não conta para muito, o ambiente era previsivelmente de festa. Era uma espécie de festa de final de época antecipado. Festa sim, porque eu ainda sou do tempo de no final da época, mesmo quando acabávamos em quarto, o ultimo jogo ser sempre de festa com a clássica invasão de campo no final.
Antes do inicio do jogo, todo este quadro florido começou a ficar sombreado. A equipa inicial era uma desilusão. JJ chamou Matheus Pereira para o onze inicial, mas o seu gosto pelo risco ficou-se por aqui. Brian Ruiz e Bruno César, completamente desinspirados relegaram Geraldes para o banco. Como era previsivel, até pela lista de convocados, nem mais uma repescagem na equipa B, como Gelson Dala ou Empis. Nem Esgaio mereceu uma oportunidade.
O jogo foi do pior que se viu nesta época. Sem chama, sem vontade, sem jogo de cintura. Gelson Martins e Podence foram ausências mais do que sentidas. Não há mais ninguém capaz de fazer o que eles fazem. Matheus andou perdido, Brian arrastou-se, Bruno César passou por ali (aquele canto marcado onde acerta no defesa do Belenenses que cobre a bola é duma falta de jeito incrível). Dost creio que acaba o jogo sem uma oportunidade de jeito para marcar.
Na segunda parte, mais do mesmo. Há um golo, uma coisa rara esta época, pois nasce de uma oferta do guarda-redes Ventura que Bruno César aproveita. Depois dessa jogada, veio o desastre propriamente dito. Castagnos e Campbell entram em campo e lembram aos milhares de sportinguistas a desgraça que foram as aquisições de verão para esta época. O primeiro falha escandalosamente um golo isolado e o segundo correu e rodopiou com a bola várias vezes... para nada. A entrada de Geraldes com a equipa empatada, obrigando o miúdo a ter de carregar a equipa às costas, é de uma crueldade absurda para com este jovem jogador.
A história dos três golos do Belenenses é algo fabuloso. O Belenenses terá feito 4 ou 5 remates à baliza em todo o jogo. O primeiro golo nasce de uma grande penalidade que lembra a falta de William em Guimarães que também deu penalti: é de uma indigência profissional tremenda, pois é inaceitável que profissionais do Sporting concedam faltas desse género para penalti. Dos outros dois golos, tenho as seguintes coisas a dizer:
- A facilidade com que se marcam faltas contra o Sporting naquela zona do terreno, face à tremenda dificuldade de marcar faltas a favor do Sporting nessa mesma zona;
- A facilidade como equipas medianas (não pareceu, mas o Belenenses é uma equipa mediana) criam perigo e fazem golo nesse tipo de lances, face à dificuldade demonstrada pelo Sporting para aproveitar bolas paradas no último terço do terreno;
- O facto do lance dos golos serem iguais (bolas ao segundo poste) e a forma como a equipa é comida da mesma maneira em 3 minutos é assombroso e explica o porquê de nesta altura já estarmos a 11 pontos do líder, com mais do dobro de golos sofridos que os seus rivais da frente;
Quando saí do estádio hoje, senti algo que já não sentia desde a última época de Godinho Lopes. Senti aquela frustração de quem quer acreditar mas não consegue. Nestas últimas 4 épocas perdemos e empatámos jogos também, mas no final ficava com uma sensação de raiva, mau-perder ou azia, porque sabia que aqueles tinham sido pontos mal perdidos e que a equipa podia fazer melhor ou que não nos deixaram ganhar o jogo. Hoje não foi assim. Saí do estádio frustrado com o meu conformismo, pois o que ali vi só dava para uma desgraça assim. Lembrei-me das derrotas no tempo de Paulo Sérgio, Vercauteren ou Sá Pinto. Um estranho e terrífico conformismo da banalidade da nossa equipa.
De JJ já disse o que espero dele para a próxima época, e imputo-lhe uma parte generosa do descalabro desta época, De Bruno de Carvalho espero menos Facebook, menos tristes figuras do que fez depois do jogo (sim, porque ele também tem culpa de que tenhamos um Castagnos no plantel) e melhor trabalho na próxima época.
E atenção ao Vitória de Guimarães. Nem se atrevam a deixá-los aproximarem-se de nós.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

2017/18: Época decisiva para JJ

Parece impossível, mas se o Sporting conseguir vencer o próximo jogo, ainda terá matematicamente hipóteses de ser campeão, mesmo que por umas horas. Mas realisticamente falando, uma vitória frente ao Belenenses garante-nos, pelo menos, o play-off da Liga dos Campeões.
É pouco por uma época onde as expectativas iniciais eram bem mais altas. Na Liga dos Campeões, só com um sorteio muito favorável poderíamos aspirar ao apuramento para os oitavos de final. Mas o 3.º lugar era um objectivo mais do que alcançável pela nossa equipa, pelo que a nossa eliminação prematura das provas europeias não pode ser encarada de outra forma que não a de um tremendo fiasco.
Nas taças também podíamos ter feito muito mais. Na de Portugal fomos eliminados num dos terrenos mais difíceis da Liga, é certo, mas sem ter jogado a ponta de um chavo. Na da Liga, apesar da habilidade da arbitragem, também poderíamos ter feito muito mais do que fizemos. Comparemos esse jogo com a visita a Setúbal para o campeonato. Dois tremendos fiascos.
Por último, a competição mais importante. Esperava um campeonato diferente deste, apesar de ter as expectativas mais baixas do que a maioria dos sportinguistas. A indefinição da continuidade de pedras basilares da equipa, como Slimani, João Mário ou Adrien, adivinhavam um arranque complicado para o leão. Apesar do nosso capitão ter ficado, percebeu-se no inicio que o plano para a ausência dos primeiros era inexistente. Comprou-se Bas Dost, é certo, mas o holandês demorou a encaixar no modelo de jogo. Markovic, Campbell e Elias, apesar das expectativas criadas, não foram capazes de catapultar a equipa para um nível superior de qualidade. Os laterais revelam-se desde inicio problemáticos (João Pereira, o melhor, foi incompreensivelmente vendido). Os jogadores da formação despachados para outras equipas da Liga. O resultado foi uma primeira volta assustadoramente frágil, com perdas de pontos inacreditáveis. A segunda volta foi melhor, é certo, mas insuficiente para recuperar das asneiras cometidas antes.
Os nossos dois rivais também contribuíram para o agravamento do nosso desaire interno. O benfica, ao contrário do que eu esperava, não quebrou. Esperava que as fragilidades do plantel encarnado habilidosamente escondidas na época passada ficassem agora mais à vista. Isso não aconteceu, continuaram a ganhar os jogos aos repelões e tropeções, não sem as ajudinhas do costume. O porto, cujo plantel não me parecia (e continua a não me parecer) equilibrado para ganhar o campeonato, revelou-se afinal como uma equipa de garra. Essa garra serviu para disfarçar as debilidades do plantel, relançou a equipa na discussão do campeonato e só por falta de sangue-frio nos momentos chave é que não estão em primeiro lugar. Mas diga-se também, em abono da verdade, que o relançamento dos azuis e brancos deveu-se igualmente a algumas ajudinhas externas à equipa.
A próxima época será decisiva para Jorge Jesus. O treinador foi decisivo na nossa boa época de 2016/17, mas nesta está completamente associado ao desastre. E se para o ano queremos voltar a lutar pelo título lá no cimo da tabela, precisaremos do melhor JJ para conduzir os nossos jogadores à vitória. Do JJ que prepara exaustivamente o posicionamento da equipa, que exige intensidade de jogo, que percebe qual o melhor jogador para aquela posição. Não do JJ dos mind-games e das mudanças de chip.
É agora ou nunca, Jorge!

terça-feira, 2 de maio de 2017

Modalidades: o presente e o futuro

Se me perguntassem se na próxima época preferia ser eliminado da Liga dos Campeões logo no play-off ou chegar à final e levar 7-0 do Barcelona, eu responderia que preferia ir à final. 
É uma conversa de merda, bem sei, mas é algo que teremos de analisar e opinar nas próximas semanas: a aposta desta época nas modalidades foi positiva, assim-assim ou negativa?
Começo pelo óbvio futsal. Partindo do princípio que seremos campeões nacionais, pois somos de longe a melhor equipa do campeonato, como ficará a fotografia final após a derrota do passado domingo? Fizemos um mau jogo, em contraste com o bom jogo feito na meia-final. Mas chegámos lá à final, fomos vice-campeões europeus e a amplitude dos números é enganadora. Sofremos 7 golos porque a determinada altura do jogo tivemos de ir para a frente e correr riscos. Como dizia o comentador do jogo, é algo que nos últimos tempos desconhecemos, que é estarmos a perder por muitos e termos de arriscar tudo para inverter o resultado. Também aqui se paga o facto de sermos oriundos de um campeonato pouco competitivo, onde o nosso principal rival tem decaído de nível, ao contrário do que se passa em Espanha. É certo que a aposta no plantel desta época permitia-nos sonhar mais alto e que em função disso as expectativas levantaram-se. Mas, caramba!, não podemos agora embandeirar por um discurso derrotista só porque perdemos a final da principal prova europeia de clubes. É nestas alturas que temos de ter nervos de aço, respirar fundo, analisar a prova, mudar o que correu mal e conservar o que correu bem. Tal como as grandes descobertas da ciência, também aqui temos de chegar lá por tentativa e erro. Logo agora que iremos usufruir do nosso novo pavilhão, era impensável retroceder o caminho daquela que é, neste momento e de longe, a nossa melhor modalidade de pavilhão.
Depois do futsal, o andebol. Aqui, em vez da prova nacional, que me parece já algo improvável de conquistar, temos boas hipóteses de repetir a vitória na taça Challenge. Uma vitória numa prova europeia de clubes também é algo que não pode ser desprezado, pelo que a sua vitória terá sempre impacto na forma como faremos o balanço ao nosso andebol. Modalidade onde em tempos liderámos o palmarés, é o espelho da indigência que nos dirigiu nos últimos 20 anos. Se havia modalidade onde teríamos sempre que ter brio era esta, porque éramos lideres. Entretanto fomos ultrapassados por porto, benfica e ABC, pelo que quando recomeçámos a aposta na modalidade quase que começámos do zero. Nestas 3 últimas épocas recuperámos algum do nosso prestígio na modalidade, com vitórias na taça de Portugal e uma maior luta pela conquista do título. Esta época, face ao reforço da equipa, tínhamos esperanças em algo mais. A forma como perdemos os jogos decisivos, especialmente o jogo em casa com o porto, foi tremendamente desmotivador. Também aqui temos de manter os nervos de aço, e analisar bem o que se passou de errado. Se queremos voltar a liderar nas modalidades, temos de acarinhar aquelas onde o nosso palmarés é mais forte. E o andebol é uma delas.
O hóquei em patins também vai fazendo o seu caminho de afirmação. Sem o show-off do futsal ou as expectativas do andebol, esta modalidade vai crescendo e amadurecendo, num campeonato onde já lá estão porto e benfica fortíssimos. Aqui temos todos a noção que ainda é cedo para se exigir mais do nosso hóquei. Esperemos pelas próximas épocas para vermos se podemos sonhar mais alto ou não.
Isto no dia onde se fala no possível regresso do voleibol ao Sporting, estupidamente extinto dois anos depois de sermos campeões nacionais. Louvo o empenho desta direcção, no ano em que teremos o novo pavilhão, em fazer renascer aquele velho espírito ecléctico que caracterizava o nosso clube. Mas temos de ter consciência que não podemos chegar e conquistar logo tudo de uma vez. O que se passou esta épcoa com o futebol feminino é uma excepção, não é a regra no mundo do desporto. Há um caminho longo para se fazer e é nestas alturas que as direcções, os associados e os adeptos mais tem de estar juntos e em uníssono apontarem as setas para o objectivo final: fazer do Sporting a referência do desporto nacional, como foi em tempos.

domingo, 30 de abril de 2017

Por-se a jeito

É uma expressão tipicamente portuguesa.
Ela foi de mini-saia para uma festa onde costumam lá estar muitos homens. "Pôs-se a jeito" para ser violada. O Charlie Hebdo tinha a mania de publicar aqueles artigos e caricaturas a gozar com a religião. "Puseram-se a jeito" para serem atacados. Aquela malta do Sporting andava a fazer o quê às 3 da manhã junto ao estádio da Luz? "Puseram-se a jeito" para que houvesse aquela tragédia.
A cartilha é a mesma e tenta passar a ideia de que a culpa terá sido de quem morreu, pois provocar tem como resultado isso mesmo, a morte. Por acaso já se saberá que afinal quem provocou inicialmente nem foi quem morreu. E quem matou só não matou mais porque não conseguiu. E não seria a primeira vez que andava nesta vida de ajustes de contas com adeptos de clubes rivais.
Sou daqueles adeptos que gosta de claques de futebol. Mas gosto pela parte bonita que emprestam aos jogos e ao ambiente festivo que criam. São eles que criam os cânticos, que animam o resto do estádio, que puxam pela equipa, que são o barómetro da popularidade da equipa. Mas detesto o resto. Detesto a cultura de grupo e violência que muitas vezes carregam. Detesto a marginalidade que lhes está associada, bem como aquela sensação de impunidade de que tudo o que se passa com claques, tende a ser branqueado ou esquecido.
Se haveria assunto em Portugal que deveria unir todos os agentes desportivos ligados ao nosso futebol, esse assunto deveria ser o combate a essa marginalidade. Infelizmente, nem neste tema, mesmo que ensombrado pela morte de mais um adeptos, consegue mobilizar os nossos dirigentes. Muito pelo contrário, o que temos assistido nestes últimos dias é a mais uma sessão de branqueamento do comportamento de marginais, desvalorização daquilo que significam e do resultado das suas acções.
A forma indigente como a comunicação social tem passado pelo tema é constrangedora, mas reveladora da sua relação com o futebol. Assim que se soube do contexto da morte do adepto, bem como da identidade de quem o matou, tiveram obviamente que falar no assunto. Mas fizeram-no sem tocar no óbvio, que salta à vista de toda a gente mas que ninguém tem coragem para desmascarar: qual é a ligação desse indivíduo à claque "No Name Boys" e qual é a ligação desta claque ao benfica. Numa primeira fase tentaram-nos vender que, enfim, essa claque terá sido provocada e respondeu à altura. Hoje sabemos que não terá sido bem assim, pois terão sido os mesmos a provocar e a terminar os acontecimentos. E a forma como tudo se passou, na véspera de um derby, num espaço público, sem aparente controlo policial, demonstra alguma falta de controlo de quem deveria zelar pela nossa segurança. E pergunto eu: a não assumpção do benfica em legalizar a claque tem implicações quanto à sua monitorização policial? Não estará o benfica, nesta sua típica manobra de descartar toda e qualquer responsabilidade, a prejudicar as acções policiais preventivas? E assim sendo, em última instância, não serão os dirigentes do benfica, em nome da instituição, responsáveis morais por tudo quanto essas "claques ilegais" perpetram, nomeadamente a morte do adepto italiano?
Ou a culpa será do próprio adepto que morreu?