terça-feira, 21 de novembro de 2017

Bruno e o Dom Quixote

Os últimos dias tem sido uma defecação.
Quando pensamos que o futebol português bateu no fundo, eis que a realidade nos continua a surpreender. Continuam as lutas de bastidores entre Estado Lampiânico e Sistema, cada um chafurdando com mais avinco na podridão do nosso futebol. Qualquer adepto minimamente atento às notícias desportivas percebe a luta titânica em curso. São e-mails, cartilhas, diagramas, conversas, entrevistas. Tudo tresanda a putrefacção. 
Do Estado Lampiânico muito escrevi aqui, a que se juntaram outras tantas histórias entretanto descobertas e relatadas pela revista Sábado. O Piriquito, qual espécie voadora armada em ave de grande porte, transmitia dados financeiros sobre os clubes rivais do benfica aos seus amigos Pedro Guerra e André Ventura, enfatizando os temas que estes deveriam explorar nos seus programas de tortura com que nos vão brindando na televisão. Queixou-se o piriquito que nada daquilo era confidencial, mas por algum motivo ganhou vergonha na cara e pediu para sair. Usar a sua posição de acesso previlegiado à informação para "cuscuvilhar" a vida de outros clubes, pode não ser ilegal. Mas de certeza que não é ético. Hoje sabemos de onde é que Pedro Guerra foi buscar algumas das suas "informações" sobre as contas do Sporting, por exemplo. E sendo Pedro Guerra um mestre na arte de "rumorizar", nem quero imaginar que mais fontes e lacaios terá espalhado por esses gabinetes fora. Pedro Guerra, por muito que o queiram esconder, é mais do que um blogger ou paineleiro da nossa praça. É um funcionário do benfica. E um funcionário que tem utilizado reiteradamente esquemas sem ética para prejudicar a imagem dos adversários do benfica. Alguns dos quais ilegais. E criminais. Adiante.
Do lado do Sistema, é caso para dizer que a "besta" acordou. O que A BTV divulgou ontem sobre apitos dourados, braços armados e braços civis, não é novidade nenhuma. A única novidade foi como o Sistema se deixou ultrapassar nestes últimos anos pelos Talibans de Carnide. Longe vão os tempos em que benfica e porto iam de braço dado até à liga para escolher Luis Duque, ex-dirigente do Sporting contrário à actual direcção do clube, presidente da Liga de Clubes. Pinto da Costa lá terá acordado da sua longa hibernação e voltou a fazer aquilo que sempre fez nos últimos 30 anos: "mafiar". Pode não ter a sofisticação do EL, nem a sua enorme falange de activistas, mas tem a experiência de quem sabe onde estão as pontas certas para serem puxadas. E essas pontas são invarivelmente as mesmas de sempre: a arbitragem. Quem nomeia, quem observa, quem classifica. 
Entre a luta de titâs, está o Sporting. Bem que nos tentam puxar para a lama, dar holofotes mediáticos a ex-policias condenados ou a empresários de futebol sem escrúpulos. A última agora é o aparecimento de Pedro Madeira Rodrigues, que no meio desta guerra porto-benfica apressou-se a fazer o papel de palerma que sempre lhe coube, empurrando de novo o holofote para o local errado.
Tentar ser campeão no meio desta trampa toda, é um trabalho de Hércules. Conseguir ser campeão é um trabalho quixotesco. Só alguém muito puro no seu coração, um romântico, acredita ser possível ganhar-se alguma coisa contra o EL ou o Sistema. Só um Don Quixote aceita este papel de defensor intransigente dos valores desportivos, no contexto em que estamos. Mas ao contrário da personagem de Cervantes, este Don Quixote não pode continuar a perder o seu tempo a investir contra moinhos de vento. Não pode continuar a perder o seu tempo com discursos do "feitio de gaja" ou da "entrevista idiota". 
Se quer ser uma voz diferente no seio do nosso futebol, tem de primar pelo discurso diferenciador, por apontar o dedo à pouca vergonha que se tem passado nestes últimos dias. Não pode dar argumentos aos nossos inimigos para que estes nos apontem os holofotes, conseguindo assim manter os seus na penumbra. Para isso já bastam os palermas que de leão ao peito se agacham para fazer esse serviço. Mais foco, Bruno. Mais foco.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O momento: ponto de situação e próximo ciclo

Depois de mais uma paragem para os compromissos das selecções nacionais, eis que ontem se iniciou um novo ciclo de nove jogos seguidos, que se prolongará até 21 de Dezembro. Depois, mais futebol só em 2018.
São nove jogos em 5 semanas, o que dá uma média de quase dois jogos por semana. Parece mais um ciclo infernal de jogos, mas nem por isso. Um jogo foi para a Taça de Portugal e outros dois para a taça CTT. Os outros seis serão mais complicados, sendo que dois são da Liga dos Campeões e quatro para o Campeonato. Com todo o respeito para o Famalicão, que ontem fez uma belíssima figura em Alvalade, o jogo da Taça de Portugal não pode ser considerado complicado. E mesmo os dois jogos da taça CTT, um deles em Belém, também não podem ser encarados como se fossem jogos para o campeonato. Ou mesmo para a Taça de Portugal. Desejo apenas que o nosso treinador não resolva apostar nos titulares do costume e aproveite esses jogos para rodar a equipa e para dar minutos às nossas estrelas emergentes.
Ponto de situação: Estamos nos oitavos da Taça de Portugal, a Taça CTT está em aberto, na Liga dos Campeões ainda alimenamos a ténue esperança de passar aos oitavos, se bem que a Liga Europa pareça ser o futuro mais razoável da época europeia. Para o campeonato seguimos em segundo, a quatro pontos do lider. Empatámos três jogos em onze, marcámos 24 golos e sofremos 7. Temos o segundo melhor ataque e defesa da Liga. Estivémos muito bem em Guimarães, na Vila da Feira e em casa com o Chaves. Tivémos sorte nos jogos com Porto e Rio Ave. E cedemos empates inexplicáveis com o Braga e Moreirense. Estes quatro pontos (mal) perdidos acabam por ditar a actual diferença para o líder. Concluíndo, temos tudo em aberto nas quatro frentes em que lutamos. E o próximo ciclo será determinante em duas delas.
Começando já no próximo jogo, que será em casa com o Olympiakos. Uma vitória assegura-nos a Liga Europa, deixando a decisão da passagem aos oitavos da LC para o jogo em Barcelona, a 05/12. Um empate ou derrota diante dos gregos afasta-nos da LC e poderá comprometer a nossa passagem á Liga Europa. Com a paragem do campeonato, a recuperação física da maior parte dos jogadores deixa-nos quase na máxima força para o jogo de quarta-feira. Acredito que faremos um bom resultado, coroando uma exibição eficaz. Basta jogarmos ao nível dos outros quatro jogos que fizemos para a LC. Creio que chegará.
Para o campeonato, após um jogo que se antevê renhido com o Olympiacos, iremos a Paços de Ferreira. Os pacenses estão longe do fulgor de outras épocas e ocupam o 12.º lugar. É lidar com a ressaca europeia e jogar esse jogo com toda a garra e empenho desde o primeiro minuto. 
Depois de Paços de Ferreira iremos jogar duas vezes com o Belenenses no espaço de três dias. Primeiro em Belém, para a Taça CTT. Depois em casa para o campeonato. Este será talvez o jogo mais complicado para o campeonato neste ciclo. Os azuis estão em 7.º lugar e tem mostrado bom futebol neste início de época. O jogo antes para a taça CTT não me preocupa, pois duvido que JJ ponha os titulares nesse jogo. Preocupa-me mais o facto de jogarmos com o Barcelona cinco dias depois e os jogadores entrem em campo com a cabeça na Catalunha.
Na Catalunha, a 05/12, decidir-se-á o nosso futuro europeu. Se é a LC, a LE ou nada. Esta última hipótese poderá ter impacto negativo na cabeça dos jogadores, além de que os adeptos nunca aceitarão outro desaire como o da época passada. Mas partindo do princípio que as coisas correm bem e seguimos pela Europa, estaremos com a motivação em alta para jogarmos no Bessa contra o 9.º classificado Boavista e passado uma semana em Alvalade contra o 11.º Portimonense. O ciclo encerra a 21/12 quando jogarmos o último jogo da fase de grupos da CTT, contra o União. Salvo uma derrota em Belém, provavelmente iremos assegurar a nossa passagem às meias-finais da prova nesse jogo, disputado numa fase da época sem grandes pressões.
Assim, neste conjunto de jogos elegeria por ordem de importância já o próximo, contra o Olympiakos, face ao que pode condicionar na nossa presença europeia. O jogo em Paços de Ferreira, como no Bessa, serão também importantes pois virão nas ressacas europeias. Mas dentro de portas chateia-me mais o Belenenses. Aqui peço cabeça ao treinador para não queimar titulares no jogo antes da taça CTT. E cabeça aos jogadores para não pensarem no Barcelona. O Portimonense é - tem de ser!!! - para ganhar. E a taça de Liga... é a taça da liga. Se vier é bom. Se não vier... paciência.
Ah, e cruzar os dedos para não hajam (muitas) lesões até ao Natal!

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Ver o Campeonato por um canudo

Se ontem aos 70 minutos me dissessem o que iria acontecer nos 25 seguintes, não iria acreditar. Mas depois lembrava-me que isto é o Sporting e provavelmente aceitaria a profecia como certa. E foi.
Depois de onde jogo terrível em Vila do Conde, onde deveremos ter gasto o plafond de "sorte" para os próximos 10 anos, não estava nada à espera de empatar o jogo com o Braga. Ainda por cima um empate a lembrar um outro ocorrido há cerca de um ano, também em casa, frente ao Tondela, com a derrota a ser evitada mesmo ao cair do pano.
O jogo até prometia outra coisa diferente, tal foi a facilidade como na segunda parte nos íamos aproximando a área bracarense. A primeira parte, menos inspirada, foi rasgadinha, tendo as melhores oportunidades sido nossas. Após um jogo europeu, ainda por cima com algumas baixas importantes, não estava à espera de uma grande exibição do Sporting, mas estávamos a jogar o suficiente para merecermos o golo, que acabou por aparecer aos 66 minutos. O Braga, até então na segunda parte, tinha-se limitado a defender e a dar cacetada, salvo um único lance onde até acabou por marcar um golo mal anulado. A equipa bracarense vinha de um jogo europeu disputado três dias antes, pelo que não acreditava que ainda viesse a ter força para conseguir empurrar-nos nos minutos finais da partida... como acabou por empurrar.
Eu sei que uma partida de futebol tem 90 minutos, logo não estaria a ser justo se disser que o Braga mereceu ganhar pelo que fez nos últimos 20/25 minutos. Mas uma equipa, como a nossa, que entrega o jogo ao adversário como entregámos nessa fase crucial da partida, também não o merece ganhar. E diga-se, sem qualquer complexo, que não perdemos também por fruto de decisões erradas da arbitragem que nos beneficiaram, pois além do golo mal anulado, o penalti a nosso favor é precedido de falta clara de Doumbia. 
Mas aqueles últimos vinte e tal minutos é que foram o diabo. Muitos dirão que é fatal como o destino, não fosse isto o Sporting, quebrarmos no final dos jogos e transformarmos jogos controlados em derrotas quase certas. Pensava que este ano seria diferente, face à injecção de qualidade e experiência que o plantel levou. Voltámos a ver esse filme nos dois jogos contra a Juventus, e íamos vendo-o de novo na Grécia e em casa contra o Estoril. Mas que raio, Juventus é a Juventus e a competição é a Liga dos Campeões. Na Grécia e contra o Estoril íamos soçobrando à beira do fim, mas aguentámos e no final conta é o resultado. Ontem, diante um equipa que, repito, jogara numa competição europeia 3 dias antes, portanto com menos 2 dias de descanso que nós, não podíamos ter permitido a quebra física e mental na recta final. 
Dir-me-ão que tal se ficou a dever às lesões antes do jogo e daquelas que fatalmente nos surgiram ontem. Aceito o argumento, mas não chega. De que vale a pena ter Doumbia quando JJ prefere ter Bas Dost completamente estourado a arrastar-se na parte final dos jogos? De que vale termos Iuri Medeiros no plantel quando Acuña, que não pára há mais de um ano, continua a ser usado sistematicamente em todos os jogos, também em claro esforço? Porque é que temos Petrovic ou Palhinha no banco se quando a equipa quebra a meio-campo, o treinador está 15 minutos para a reforçar (ia meter Petrovic quando o Braga faz o empate)? De que serve termos Matheus Oliveira no banco, para nunca ser utilizado, e do outro lado o Fábio Martins entra e mexe de imediato com a dinâmica de uma equipa até então amorfa? E Alan Ruiz, para que serve mesmo? E voltando à lesão de Acuña, quando vale a aposta como o seu substituto será... Bruno César? De que vale a pena termos sequer "opções" quando temos sempre Bruno César?
Não adianta ter jogadores experientes ou de qualidade no plantel se o treinador se limita a utilizar apenas 12 ou 13 desses jogadores até à exaustão. Ristovski já podia ter sido utilizado há mais jogos, prevenindo uma lesão a Piscinni. André Pinto e Doumbia a mesma coisa. Gelson Martins e Bruno Fernandes já demonstram demasiada fadiga para esta fase da temporada (estamos em Novembro!!!). Será preciso pagar a clausula milionária de Pity Martinez para termos, finalmente, rotatividade na equipa?
Durante estes dois anos fui defensor do nosso actual treinador, pois considerei que a sua chegarda trouxe um upgrade à nossa equipa profissional de futebol. Mas pelo ordenado principesco que recebe, nesta altura esperava mais, muito mais. Vejo o Sporting acumular erros atrás de erros que na maior parte dos casos se devem à teimosia e casmurrice de Jorge Jesus. Tive esperança que o plantel equilibrado que construímos esta época pudesse tornar as coisas diferentes dos últimos dois anos mas, aqui chegados, concluo que não. 
O campeonato não está perdido, longe disso, mas a duas jornadas dos nossos rivais jogarem entre si, era muito importante não cedermos pontos, ainda por cima num jogo em casa. Não quero chegar a Maio e chorar pela perda destes dois pontos, como o fiz há duas épocas. Estou farto de entregar estes pontinhos de bandeja.

sábado, 28 de outubro de 2017

Sangue, suor e lágrimas... e a mão do São Patrício

É fatal como o destino. Numa prova de 34 jornadas, por muito bom futebol que a nossa equipa jogue, há sempre aqueles 3 ou 4 jogos que ganhamos sem saber bem como. Uns chamam-lhe "vaca", outros chamam-lhe "estrelinha de campeão". Foi assim há dois anos, quando, por exemplo, ganhamos em Arouca com 10 e um golo já no final. Hoje a história repetiu-se. E haveremos de ter mais jogos assim.
Não há como o negar, o Rio Ave foi melhor. Os jogadores correram mais, remataram mais, acertaram mais vezes na baliza. No meio campo a sensação que tenho é que ganharam-nos mais duelos e bolas divididas. Tiveram mais oportunidades de golo, permitindo ao Rui Patrício assinar (mais) uma noite de grande nível. E muito provavelmente, não fosse aquele falhanço inacreditável de Guedes, teriam com justiça levado os três pontos. Muita atenção a Miguel Cardoso, que começa a demonstrar ser um treinador muito interessante, após uma carreira como adjunto de Domingos e Paulo Fonseca.
A sensação que me deu é que até nem fizemos um mau jogo, o Rio Ave é que fez um jogo excelente. Da nossa parte tivemos os nossos méritos. Rui Patrício assinou uma exibição de luxo. André Pinto, apesar de chamado a frio para entrar em jogo, esteve à altura da sua missão. O resto da equipa, não sendo brilhante, batalhou, correu, respeitou o adversário. Não se limitou a vestir o fato de macaco. Deu o litro, carregou o piano e teve coração mesmo quando as pernas falhava. De tal modo que, apesar do grande jogo do Rio Ave, também não posso dizer que não merecêssemos o resultado final, pois o futebol também é feito de sofrimento, de dor, de reacção às adversidades e de uma pontinha de felicidade. Estas vitórias valem muito mais de 3 pontos, pela carga anímica que despejam na equipa. E os campeonatos também se decidem nestes jogos, onde conseguimos conquistar pontos mesmo sem jogar grande coisa.
Sinceramente não sei que onze teremos na terça-feira, contra a Juventus. Preferi mil vezes ganhar este jogo, como também preferia ganhar ao Moreirense, do que poupar-me para a CL. Parece inevitável não contar com Mathieu e Piccini. Veremos como estará Coentrão e o resto da equipa. É que depois da Juve recebemos o Braga. E o Braga é que é pra ganhar.
Nota final para a arbitragem. Jorge Sousa, na senda de Rui Costa, foi contemplativo com as cargas mais duras sobre os nossos jogadores, mostrando o primeiro amarelo a um dos nossos, por anti-jogo. Começa a ser um clássico dos nossos jogos: levarmos uma arraial de porrada até finalmente sair o primeiro amarelo, que começa sempre por um dos nossos. Em relação ao VAR, nada a apontar. Esteve bem ao anular o golo do Bruno Fernandes. No nosso golo, apesar da histeria que já se está a levantar nas redes sociais, parece-me claro que Bas Dost está em linha com o último defesa vila-condense. Esperemos pelos habilidosos do "photoshop" para vermos se o holandês estava ou não em fora do jogo, mesmo que milimetricamente. Adivinha-se uma semana de choradeira por aí.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O VAR actual e uma proposta para o futuro

Diz-nos a Lei de Murphy que, se algo puder correr mal, vai correr mal.
O passado domingo foi um bom exemplo da aplicação da Lei de Murphy à realidade. Na semana em que foram executadas buscas judiciais no estádio da Luz, ou em casa de dirigentes do benfica, no âmbito do processo dos emails, alguém achou que um dos árbitros envolvidos no caso - Nuno Almeida, o "ferrari vermelho" - era o mais indicado para arbitrar o jogo dos encarnados. O resto da história todos sabemos como acabou. Mal.
Mantendo a agulha virada para as leis epigramáticas, lembro-me da "navalha de Hanlon", que nos dizia para nunca atribuirmos à malícia o que poderia ser bem explicado pela estupidez. E como dizia Einstein, a estupidez não tem limites, ao contrário do Universo. 
Sobre o corte de comunicações ocorrido no jogo Aves-Benfica ou da decisão do árbitro Rui Costa no lance do penalti em Alvalade, não acrescentarei mais nada, pois tudo o que haveria para opinar já foi opinado. O que salta à vista dos olhos é que neste momento temos uma classe - os árbitros "profissionais" - que está descaradamente a boicotar uma medida imposta pela Liga de Clubes, que é a implementação do VAR. Só assim se explicam os apagões, os vazios, os cortes de comunicação, o "aguenta" para uns ou o silêncio para outros. Quando os árbitros, que deveriam ser os mais interessados em credibilizar esta ferramenta de apoio ao seu trabalho e dos colegas, são os primeiros a achincalha-la, está tudo dito quanto à sua intenção. 
Mas voltemos á epigramática, mais concretamente ao conhecidíssimo princípio de Peter. Disse-nos Lawrance J. Peter que todo o indivíduo tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência. Terão os árbitros que ocupam o actual quadro de árbitros profissionais atingido o seu nível de incompetência? Terá o actual estado do futebol português chegado ao um ponto onde Peter, Hanlon e Murphy se cruzaram, e onde chegamos facilmente à conclusão que os árbitros são incompetentes, que os seus actos se explicam pela sua incompetência e que por isso mesmo tudo o que fazem é desastroso?
É que antigamente havia a desculpa do momento. O jogador caía na área, o avançado desmarcava-se depressa, o defesa enfiava uma cotovelada ao adversário quando o "bandeirinha" estava de costas. Ou seja, o decisor só tinha uma oportunidade para visualizar o acontecimento, era ali ou nunca. Hoje não. E por isso estão os adeptos e os clubes cada vez mais fartos de quem nos apitar. Sejam eles estupidos ou maldosos.
Vem esta conversa toda a propósito da recente greve convocada pelos nossos árbitros. Que é que hoje há que não havia há um, dois, cinco ou dez anos atrás? Agressões? Check. Rumores de corrupção? Check. Dúvidas na atribuição de classificações? Check. Casos, comentadores e paineleiros? Check. O que mudou mesmo nestes últimos anos? Pois, a introdução do VAR. E lá vou eu outra vez à epigramática: "Não há almoços grátis". E está na hora destes nossos árbitros pagarem o seu "almoço" a quem os ofereceu no passado.
Neste momento, perante o boicote que se assiste ao VAR por parte dos árbitros, parece-me importante começar a pensar em alternativas ao modelo existente. E permitam-me que aqui, neste meu pequeno espaço, lance uma ideia: porque não pegar em antigos árbitros para fazerem de VAR? E porque não fazer equipas de dois ou três indivíduos como VAR? No primeiro caso, são pessoas que já não estão constrangidas pela avaliação do seu desempenho, como as notas dos observadores, pois o seu percurso já chegou ao fim. E digo antigos árbitros, porque temos muitos que continuam ligados à sua função, comentando as arbitragens na TV ou em jornais. No segundo caso, mais do que um decisor atrás do VAR, porque duas ou três cabeças pensam melhor que uma e quatro ou seis olhos veêm melhor que dois. E o erro dilui-se sempre quanto mais pessoas capazes estão a julgar.
Pensem nisto.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O pé frio e a cueca borrada de JJ

Não sei se isto é alguma dor de crescimento ou se é um simples mau perder. Mas fiquei fodido da minha vida com mais outra exibição onde "jogámos como nunca e perdemos como sempre". Sim, eu sei que Real Madrid, Dortmund, Barcelona, Chelsea e Juventus são tubarões e tal, muita fortes. Aqui há quatro/cinco anos atrás jogar contra eles na Champions era uma miragem e acabar o jogo sem ser cilindrado, como contra o Bayern, era muito bom. Mas está na altura dos sportinguistas exigirem um pouco mais. Como deixar de perder jogos nos minutos finais, em lances perfeitamente infantis. 
Que Jorge Jesus é um excelente treinador, não tenho dúvidas e sempre o defendi. Em 2015/16 não foi campeão no seu ano de estreia porque, como se lembrarão, a equipa campeã foi literalmente puxada para cima quando estava no fundo do poço. No ano passado a coisa correu mal, mas este ano, pelo menos até agora, a nossa prestação tem sido prometedora. Nos jogos para a Liga dos Campeões, Jesus tem posto a funcionar uma das suas principais virtudes: estuda bem a equipa adversária, explora as suas fraquezas e monta a equipa de forma a tirar o melhor partido do jogo. Foi assim no jogo de Madrid e de Dortmund, e foi assim ontem em Turim. Mas depois evidencia algo que começa a tornar-se uma característica sua nos jogos desta envergadura, que é a de não evitar o soçobrar da equipa nos minutos finais. JJ começa a lembrar aquele nosso amigo, bem parecido e bem falante, que quando sai à noite é incapaz de manter um diálogo com uma rapariga porque bloqueia... e tem azar com as miúdas. Um pé frio, portanto.
Chamem-lhe fado, destino, azar dos Távoras, whatever. Ontem, mais uma vez, JJ mostrou que "miúdas" (neste caso tubarões europeus) não é com ele. Começamos o jogo da melhor maneira, a marcar num lance em que - pasme-se!!! - tivémos sorte. Marcar golos de ressalto contra adversários desta dimensão, é obra. Depois veio a avalanche italiana. Basicamente fomos encostados, não conseguiamos sair a jogar, Rui Patrício ia adiando o empate, que acabou por chegar depois da meia-hora de jogo. A equipa aguentou a igualdade até ao intervalo, esperando-se uma segunda parte complicada para as nossas partes. Mas não, antes pelo contrário. O Sporting arrancou para a etapa complementar jogando o melhor que nos tem mostrado nesta prova. Dominou no meio-campo, fechou os espaços nas alas e foi lançando ataques que cheiravam a área da Juventus. É certo que não tivemos nenhuma oportunidade flagrante de golo, mas sentíamos que com um pouco mais de acerto e audácia, a coisa podia dar-se. O jogo começava a pedir Doumbia, a Juventus mostrava-se frágil à medida que William e Bataglia iam ganhando os confrontos no miolo. 
Foi então que JJ, quiçá escaldado por derrotas inglórias perto do fim, em vez de cavalgar para cima da Juventus em busca de uma vitória histórica, encolheu-se acagaçado, preferindo defender o empate. A cueca borrada do treinador valeu a estreia de Palhinha nestas andanças, para o lugar de um Gelson Martins que, não estando a fazer uma partida fulgorante, estava a ser uma peça importante na condução do jogo. A equipa ressentiu-se da falta de Gelson, perdendo algum fio de jogo e entregando o jogo à Juve, que ganhou forças para tentar o golpe final. O "pé frio" de JJ veio logo depois, quando decidiu retirar Fábio Coentrão por precaução (o desânimo do jogador parece indicar que ainda teria condições para acabar a partida), pondo no seu lugar Jonathan Silva, que desde a famosa "mão" em Gelsenkirchen aparece fatalmente ligado a desaires nossos na Champions. O jogador até entrou bem no jogo, com uma cavalgada até perto da área italiana, mas borrou a pintura pouco depois, quando permitiu o golo de Mandzukic. 
Não sei se o resultado seria diferente se JJ põe Doumbia no lugar de Gelson Martins. Doumbia, que até é um jogador de "pé quente" na Champions, acabou por protagonizar a melhor oportunidade de golo do Sporting na segunda parte, a fechar a partida (a reacção de Buffon ao falhanço diz tudo). Mas este foi (mais) um jogo onde tivemos "pés frios" a mais e audácia a menos. Não sei se em Alvalade a Juventus nos permitirá ter a veleidade de discutir o resultado do jogo até ao fim, mas parece-me que a oportunidade de ontem é daquelas que tão cedo não se repetirá. Agora é descer á terra, mandar as "vitórias morais" às urtigas e lamber as feridas, porque domingo vem aí um daqueles adversários chatos, que costumam comer a relva quando jogam contra nós. 
Chaves é para vencer, categoricamente.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

A utópica ideia da "festa da taça"

Enquanto esperamos que a nossa selecção carimbe mais uma passagem à fase final de um Mundial, analisemos o actual estado do Sporting.
No campeonato, apesar do pessimismo endémico dos sportinguistas que se nota bem na blogosfera ou nas redes sociais, estamos na luta. É certo que perdemos uma boa oportunidade para nos isolarmos na frente, mas perante o estado físico com que nos apresentámos no último jogo, acabámos por fazer o resultado possível. Por vezes também é preciso ter esse tipo de discernimento, saber esperar pela altura certa, não correr riscos desvairados. Ter a maturidade suficiente para sabermos que há mais marés que marinheiros, e que se desperdiçámos a oportunidade no passado dia 01 de Outubro, outras mais surgirão no futuro. Basta que encaremos com o devido foco os Moreirenses deste campeonato, que chegará a altura em que passaremos para a frente. E de resto, como eu li algures por aí, o porto na sua melhor fase não conseguiu vencer o Sporting na sua pior fase e num pico de cansaço. O futuro é, se não risonho, pelo menos de esperança. 
Passados estes dias para esticar pernas e respirar fundo, eis que no dia 12 estaremos de volta, e logo na simpática vila de Oleiros, no centro do país. Esta partida ficou inicialmente marcada por mais uma investida do Estado Lampiânico sobre o nosso clube. Por razões que permanecem no mais profundo desconhecimento do comum dos mortais, na semana passada começou-se a falar num hipotético boicote do Sporting ao jogo da taça, devido à falta de condições do recinto onde o mesmo iria decorrer. De boicote ao jogo rapidamente se passou para um ataque aos habitantes de Oleiros perpetrado por essa entidade diabólica que é o nosso clube. Infelizmente para a cartilha, Bruno de carvalho saiu de forma airosa - diria mesmo que levado em ombros! - desta triste história. Não só revelou o prazer de ir jogar numa região do país geralmente arredada destes grandes palcos futebolísticos, como ainda ofereceu a receita do jogo aos bombeiros locais, sabendo-se que esta é uma zona sempre muito fustigada pelos incêndios florestais. E tanta coisa se escreveu sobre este jogo que se "esqueceu" que o Sporting será a única equipa a jogar "mesmo" no campo do seu adversário. O benfica, que deveria jogar em Olhão, vai afinal fazê-lo no Estádio do Algarve. Já o porto, em vez de Évora, jogará no confortável estádio do Restelo. O caso do benfica é compreensível, pois os estádio do Algarve é porto de Olhão. Já o porto....
A FPF quando teve a ideia de por as equipas primodivisionárias a jogar nestes campos secundários, fê-lo para ressuscitar aquela velha ideia da "festa da taça". Lembro-me perfeitamente, de nos anos 80 e 90, jogarmos em campos tão distantes e desconhecidos como em Porto Santo ou Ponte-de-Sôr, do benfica ir a Macedo de Cavaleiros ou o porto a Moura. As vilas do interior paravam quase uma semana para preparar a recepção aos grandes e os jogos decorriam sempre em clima de festa. Os campos de futebol, muitas das vezes ainda pelados, a forma aguerrida como os jogadores da casa se esforçavam nesses jogos, o apoio do público à equipa da sua terra, contribuiam para jogos empolgantes e emotivos, que não raramente terminavam com invasões de campo e com os jogadores levados em ombros pelo público em delírio. Os bilhetes custavam 100, 200, 500 escudos no máximo, fora as borlas que os porteiros davam sempre à miudagem e aquelas árvores em volta dos campos, onde em cada galho se sentavam mais 3 ou 4 espectadores. O negócio era coisa para os cafés e restaurantes da terra, porque o mais importante neste jogos era mesmo a festa do futebol.
Entretanto o futebol nacional foi perdendo esses resquícios de amadorismo e no final dos anos 90, mais do que a emoção do jogo, importava a parte do negócio e do lucro. Foi assim que também as equipas mais pequenas, em vez de aproveitarem as visitas de equipas grandes para fazer a "festa da taça", trocavam os seus pequenos campos "infernais" por estádios maiores, tendo em vista o lucro imediato da bilheteira ou a transmissão televisiva. O Lusitano de Évora prefere jogar a mais de 100 Km longe de casa e fazer um bom lucro, assim como o Vilafranquense também preferiu jogar contra nós no Estoril. Por outro lado, o actual estado profissional do nosso futebol não se compatibiliza com equipas grandes a jogar em pelados. Os campos, relvados ou sintécticos, tem de ter um mínimo de qualidade para assegurar que nenhum jogador fique em risco de contrair lesões por jogar ali.
Acho louvável a atitude da FPF de recuperar a "festa da taça", mas como se está a ver nesta eliminatória, tirando o Oleiros que receberá o adversário no seu estádio, há outros clubes que se estão a marimbar para a festa e querem é fazer o seu negócio. Ora, aqui a FPF terá de tirar as devidas ilações para o futuro, que creio que terão de ser as seguintes: os clubes pequenos terão obrigatoriamente de jogar no seu estádio contra as equipas grandes. Se esses estádios não tem condições para receber um jogo da taça (pergunto-me como conseguem jogar ali para o Campeonato Nacional de Séniores), então se calhar é melhor ponderar se não é preferível deixarmo-nos de utopias românticas, voltando ao figurino anterior. Pelo menos por enquanto.
E que no dia 12 de Outubro façamos do jogo em Oleiros uma enorme festa ao futebol. Se possível com uma grande exibição da nossa parte, coroada por uma vitória. A Juventus virá depois.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Crónica de um empate e de uma fadiga anunciada

Ponto prévio deste post: pode não parecer, mas o Sporting NÃO ESTÁ em crise!
Sim, é certo que já não ganhamos há quatro jogos seguidos. Um deles é para uma competição cuja importância para nós é pouco mais que nenhuma. Outro dos jogos foi uma derrota caseira com o... Barcelona! Os restantes dois jogos que não ganhos foram para o campeonato. E se o empate em Moreira de Cónegos foi mesmo um mau, péssimo, resultado, já o empate de ontem... foi assim-assim.
Na minha antevisão para este jogo, escrevi que mais do que a fadiga, o problema do Sporting poderia ser a perca de foco ou concentração do jogo. Enfrentávamos uma equipa que também vinha de um jogo europeu, por isso os índices físicos estariam semelhantes. JJ costuma preparar bem os clássicos, quer do ponto de vista táctico quer motivacional da equipa. Apesar dos sinais de cansaço já evidenciados no jogo contra o Barcelona, havia nos sportinguistas uma esperança de que um coelho sairia da cartola. Mas os sinais começavam a apontar no sentido oposto: confirmou-se a lesão de Doumbia e Coentrão também ficou de fora. Dala, em quem depositei esperança de poder ser um dos "coelhos" a sair da cartola, foi para a equipa B espalhar magia. Equipa fatigada, banco sem opções ao nível dos titulares... desenhava-se no horizonte um jogo complicado.
E foi. O porto entrou melhor na partida, anulando as nossas investidas e procurando sempre ganhar os espaços entre as nossas linhas e as costas dos laterais. Verdade seja dita que, mesmo estando por cima na primeira parte, o ascendente portista nunca nos sufocou. Mas também é verdade que tiveram umas três boas ocasiões para marcar, enquanto nós só tivémos uma, numa cabeçada de William já perto do intervalo. Gelson e Bruno Fernandes começavam a arrastar-se em campo, Battaglia e Acuña lutavam muito mas com falta de discernimento. William ia tapando os buracos ao meio, Mathieu e Coates limpavam as sobras. Jonathan e Piscinni iam defendendo como podiam, mas a atacar eram uma nulidade. Bas Dost passou ao lado do jogo na primeira parte. Rui Patrício, seguríssimo, aguentou o empate a zero até ao intervalo.
Se o sufoco não apareceu até então, esperava-se que no segundo tempo tal viesse a ocorrer. Se o porto, sem apertar muito, estivera muito perto de marcar, adivinhava-se que Sérgio Conceição aproveitaria a melhor forma física da sua equipa e encostasse o Sporting às cordas. Felizmente que o porto também jogou durante a semana, pelo que acabaram por acusar fadiga na segunda parte. Aproveitámos para equilibrar a equipa, tivémos mais bola no meio campo adversário, mas faltavam lances de golo junto à baliza portista. Mesmo com esse ascendente, acabou por ser o porto a ficar mais perto de marcar, já no final do encontro, obrigando o nosso São Patrício a duas grandes defesas. Tivesse sido este jogo contra um adversário mais fresco, e se calhar as coisas correriam muito pior.
Face ao que aconteceu em campo, não nos resta outra coisa senão admitir que o empate não foi um mau resultado. Fizémos uma partida competente e combativa, mas não fosse São Patrício dificilmente seguraríamos o empate. Olhando para o que fizémos contra o Barcelona e para o que fizémos ontem, chegamos à conclusão que o resultado do clássico, não sendo o melhor, foi o possível dentro das nossas limitações para este jogo.
Agora é tempo de respirar fundo, esticar as pernas e recuperar outra vez a forma física. E esperar que os nossos internacionais não se lesionem. Também é tempo para pensarmos porque motivo alguns jogadores nossos rebentam tão cedo, face ao que acontece com os nossos rivais. O porto, de quem se dizia ter o plantel curto, está a conseguir retirar mais rendimento que o nosso plantel. Por cá, além dos titulares, vejo que Iuri desapareceu, Podence tarda em regressar, Coentrão não vinga, Dala não tem a sua oportunidade e Alan Ruiz não explode. O tal plantel com mais soluções, que diziam e eu pensava no inicio da época que tínhamos, começa a relevar-se (outra vez) curto. Será uma coisa momentânea, os tais "ciclos" que JJ disse que todas as equipas tinham? Ou será algo mais?

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Balada de uma noite mal perdida

Ontem quando saí de casa para me deslocar a Alvalade, se me dissessem que uma equipa portuguesa perderia por cinco golos sem resposta, ficaria lívido de pânico. Mas não, ontem era impossível perdermos por números tão expressivos. Sem deslumbrar, como chegámos a fazer há um ano em Madrid, fizémos uma partida muito competente e concentrada. E se defensivamente estivémos quase soberbos (maldito auto-golo), no ataque faltou-nos algum génio, audácia ou até mesmo sorte.
Quando o árbitro apitou o final da partida de ontem, nenhum sportinguista no estádio se poderia dar como envergonhado com a exibição da equipa. Entrámos em campo com ganas de disputar o jogo, iamos anulando as jogadas ofensivas do Barcelona, sem descurar algumas aproximações perigosas à baliza adversária. Pelo meio, como de costume nestas andanças, fomos brindados com (mais uma) arbitragem parcial contra nós. Sim, porque nisto da Europa de clubes estamos ao nível do Tondela ou do Portimonense no que toca a importância para a UEFA. Junte-se a isso um golo de bola parada após uma infelicidade de Coates e voilá, estávamos em desvantagem. A equipa reagiu bem e quando alguns temiam que a nossa procura do empate implicaria por-nos a jeito para abrir espaços atrás e sofrermos golos, eis que demonstramos segurança e equilibrio defensivo, ao mesmo tempo que procurámos chegar perto da baliza adversária. E tivémos uma opotunidade flagrante para empatar, fora o penalti que ficou por assinalar e daria, pelo menos, mais outra oportunidade.
Muito se falou do mau banco que JJ fez para este jogo. Em parte essa crítica deve-se à ausência de avançados para atacar o empate na segunda parte. Considero essa uma falsa questão, pois acho improvável que JJ viesse, por exemplo, a apostar em Dost e Doumbia juntos no ataque. Simplesmente porque essa alteração implicaria quebrar o equilíbrio da equipa no meio-campo, um risco que duvido que JJ estivesse disposto a correr num jogo desta envergadura. Bruno César é um jogador fetiche de JJ porque consegue dar esse equilíbrio à equipa, mas em prejuízo do arrojo ofensivo. Talvez Iuri, mais que Podence, pudesse também emprestar esse equilíbrio. Mas os últimos jogos pouco conseguidos de Iuri provavelmente pesaram no seu afastamento do banco.
Sobre Doumbia, reside aqui a grande baixa para o embate de domingo. Doumbia podia perfeitamente ser outra vez lançado de inicio da partida ou entrar como arma secreta num fase de jogo onde, por exemplo, estivéssemos a ganhar, para explorar os espaços nas costas da defesa portista. O seu previsivel afastamento do jogo poderá abrir portas a Gelson Dala, pelo menos as do banco de suplentes. Estará JJ disposto à audácia de lançar a pérola angolana no clássico?
Por fim a questão da fadiga. Muito se tem dito sobre o impacto no clássico da nossa grande prestação de ontem. Ora, até lá temos 4 dias de preparação, sem deslocações pelo meio. O porto tem mais um dia, mas pelo meio teve viagens de avião e de autocarro. A questão de domingo não será tanto de fadiga mas mais de foco e concentração. Foi por isso que perdemos em Vila do Conde após a soberba exibição de Madrid. JJ não costuma facilitar na preparação dos jogos grandes, como facilita por vezes contra os Moreirenses da nossa liga. Por isso acredito que no domingo teremos novamente em campo 11 jogadores dispostos a fazer tudo para vencer uma partida importantíssima, frente a um adversário que tem estado bem esta época. 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Deixem-me sonhar!

Hoje é daqueles dias para desfrutar do melhor futebol europeu.
Antes da grande seca de participações na Liga dos Campeões, o último grande jogo que vi em Alvalade havia sido uma eliminatória para os oitavos de final da prova, quando recebemos o Bayern de Munique. Ainda jogavam Polga, Derlei ou Liedson. O Rui Patrício já era o nosso guarda-redes titular. Yannick Djaló era a nossa arma secreta e ainda jogou na segunda parte. Apesar do bom inicio de jogo, assim que sofremos o primeiro golo acabámos por desmotivar e perdemos por 0-4. Depois disso tivémos de esperar uns bons 6 anos para voltar a ver um colosso europeu em Alvalade, para a LC (o Manchester City e o Atlético de Madrid passaram por cá, mas para a Liga Europa). Em 2014 veio o Chelsea de José Mourinho. Perdemos por 1-0, Rui Patrício fez uma exibição fenomenal, e a equipa não nos envergonhou. Dois anos depois, outro colosso. O Real Madrid do nosso Ronaldo. Outra derrota, mas novamente com uma exibição satisfatória da nossa parte.
Quando em 2013 acabámos em sétimo lugar, arredado das competições europeias, muitos talvez duvidassem que voltássemos a ver equipas campeãs europeias em Alvalade. Esta é a terceira vez em quatro épocas em que conseguimos estar perto dos grandes. E se ainda tardam os bons resultados no nosso estádio frente aos colossos, as exibições que temos vindo a fazer contra esses clubes dão-nos a esperança de que um resultado positivo poderá estar para breve. Será hoje?
Hoje espero do meu Sporting a mesma atitude que teve contra o Chelsea há três anos ou contra o Real Madrid no ano passado: entrar em campo sem medo do adversário, com vontade em vencer o jogo, sem olhar à sonância dos onze nomes que estão do outro lado. Voltarmos a ver noites europeias como aquela nos anos 80 onde ganhámos 2-1 a este mesmo Barcelona, a meia-final da UEFA em que pouco faltou para derrotarmos o Inter ou aquela eliminatória em Alvalade onde estivémos a centímetros de eliminar o Real Madrid (ainda hoje não consigo esquecer o olhar do Cadete a ver a bola a passar-lhe à frente, em cima da linha de golo). 
Sei que a derrota é quase certa, mas também sei que deste lado há uma equipa com muita vontade de triunfar, uma massa adepta desejosa em ver um grande jogo com os melhores da Europa, empolgada para puxar pelo seu clube naquele que é o palco de todos os nossos sonhos.
Hoje é o dia de parafrasearmos aquela célebre frase de José Torres, antes do nosso apuramento para o mundial de 1986 no México: "Deixem-nos sonhar!". A realidade, essa, pode esperar até ao jogo contra o porto.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O costume

É fatal como o destino. Algures na época, acabamos sempre por perder pontos inesperados diante um adversário considerado fraco. Tem sido assim desde que me lembro de ver o Sporting jogar à bola. Quando fomos campeões em 2000, quando já liderávamos o campeonato isolados, fomos a Leiria empatar 1-1 com o União, que lutava então para não descer. Em 2002 também perdemos em casa com o Alverca, que acabaria o campeonato em último lugar. No tempo de Peseiro perdemos um campeonato graças à quantidade estupidamente elevada de pontos perdidos contra adversários mais fracos. Em 2007, Paulo Bento queixou-se e com razão da célebre "mão de Ronny", num jogo que perdemos em casa contra o Paços de Ferreira. Jorge Jesus coleccionou (demasiados) desaires semelhantes quando empatou em casa com o Tondela, nas duas últimas épocas. A única diferença, é que em 2000 e 2002 conseguimos perder pontos "apenas" nesses jogos, enquanto que nas eras Peseiro, Paulo Bento, Jardim, Marco Silva e JJ infelizmente os momentos "Moreirense" repetiram-se demasiadas vezes.
Era previsivel que o jogo de sábado passado tivesse alguma dificuldade acrescida, face aos dois enormes desafios que se iriam seguir. No entanto, sendo o nosso adversário o 16.º classificado, com apenas 5 pontos conquistados em 18 possíveis, 3 golos marcados contra 10 sofridos, a tarefa não se antevia tão complicada como se revelou. Esta época o Sporting tem-nos acostumado com entradas fortes em jogo, geralmente traduzidas em muitos golos, contrastando com finais de jogos algo sofriveis. Esperava algo semelhante neste jogo, apesar da equipa inicial não me ter inspirado grande entusiasmo. 
A partida em si foi muito má. Na primeira parte não estivemos em jogo e na segunda, salvo o periodo inicial quando empatámos e Gelson acertou na barra, praticamente não conseguimos mostrar mais futebol. Empatamos bem e se o adversário tivesse outro tipo de argumentos, se calhar nem um pontinho trazíamos. Apesar das boas indicações neste inicio de época, com a equipa a conseguir "mudar de chip" antes e depois dos jogos europeus, voltámos outra vez ao que estamos acostumados, em particular com este treinador: a incapacidade de nos concentrarmos no jogo, independentemente da sua dificuldade, quando outros desafios mais importantes estão à porta. Resta-nos esperar que este seja um momento sem repetição esta época, à semelhança do que se passou em 2000 e 2002.
E o que correu mal desta vez? Em primeiro lugar a equipa inicial, onde faltaram elementos de ruptura e irreverência. Bruno César é um jogador "certinho" e não de rasgos. Alan Ruiz continua a ser um elemento não decisivo da equipa. As ausências de Acuña e Podence, quando foram chamados algo intempestivamente na quarta-feira (especialmente Acuña). A ausência de Battaglia do onze inicial. A falta de inspiração dos nossos melhores jogadores, como Bruno Fernandes ou Gelson. 
E porque razão ficaram de repente os sportinguistas tão pessimistas em relação à presente época, quando ainda temos tudo para ser campeões? Basicamente porque a maior parte de nós está a reconhecer um filme que viu demasiadas vezes nos últimos anos. A adopção do VAR, apesar de ter reduzido o impacto dos erros de arbitragem nos nossos jogos, não os eliminou, como se viu no penalti sobre Doumbia que ficou por marcar. Os critérios disciplinares dos árbitros tem sido ridiculamente parciais, como de resto o Artista do Dia resumiu muito bem. Por fim, a "motivação" dos nossos adversários face ao que se vê contra os nossos rivais. A forma como o Moreirense "comeu a relva" em campo, em linha com a entrega de Feirense, Tondela ou Estoril nos jogos contra nós, face aos "passeios" que os nossos rivais dão. Ou as enérgicas críticas à arbitragem de Manuel Machado, em contraste com outros jogos onde foi ainda mais prejudicado.
É por isso que estes momentos "Moreirense" nos deixam de pé atrás. Porque sabemos que o campeonato, para o Sporting, não é um passeio. E que a forma mais rápida de perdermos esta competição é precisamente pensarmos isso, que teremos jogos que serão passeios. 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A equipa de ontem e o padre Manuel Mota.

Se há competição que os sportinguistas mais se estarão "nas tintas" para a ganhar, ela é a Taça da Liga. Desde o famoso penalti do Pedro Silva, até ao "dolo sem intenção", esta competição é apenas a prova da forma como o nosso clube tem sido tratado pelas altas instãncias do futebol nacional: mal e porcamente.
Já era expectável que entre dois jogos para o campeonato no espaço de oito dias, e uma semana antes de recebermos o Barcelona e depois o porto, este jogo fosse encarado mais como um treino, tipo aqueles torneios de inicio de época, onde mais do que a vitória em si, interessa é dar ritmo ao jogadores e criar alternativas de jogo.
Apesar do empate sem golos, gostei de um modo geral da prestação dos jogadores. Não da "equipa" em si, pois juntar onze jogadores sem rotinas entre eles não é suficiente para criar uma "equipa de futebol". Mas houve sem dúvida oportunidades que foram aproveitadas. Outras nem tanto.
Começamos pela defesa. Num jogo contra outra equipa que também se apresentou com segundas linhas, mais interessada em defender o empate do que procurar a vitória, já se esperava que não tivéssemos muito trabalho defensivo. Mas do pouco que houve, os nossos defesas estiveram bem. Salin, excepção feita a uma deficiente reposição de bola com os pés na primeira parte, esteve seguro. Tobias e André Pinto também demonstraram consistência a defender, pecando apenas na fase de construção de jogo, onde ainda não estão ao nível da dupla titular. Os laterais também estiveram bem a defender. Destaque para Ristovski, que esteve muito bem na estreia e foi mesmo o jogador que ontem mais deu nas vistas. Raramente perdeu bolas para o rápido Piqueti e quando teve de atacar fê-lo bem. Jonathan esteve ao nível que nos habituou, muito combativo e voluntarioso, por vezes revelando alguma falta de serenidade.
No meio campo foi Petrovic quem esteve em destaque. Ganhou muitas bolas e na primeira parte foi o principal construtor de jogo da equipa. Enquanto teve pulmão foi um elemento preponderante, decaindo na segunda parte por clara falta de frescura física. Matheus Oliveira teve alguns pormenores interessantes mas ficou um pouco àquem do esperado. Precisa nitidamente de mais minutos de jogo para ganhar ritmo e rotinas. Já Alan Ruiz, por mais minutos que tenha, não consegue passar daquele "rame-rame" do costume. Posiciona-se bem, consegue ganhar espaços, mas quando recebe a bola demora uma eternidade para saber o que fazer com ela. Ontem teve (mais uma) oportunidade falhada para mostrar ser uma opção válida para titular da equipa. Bruno César foi o bombeiro do costume, correndo, posicionando-se, marcando as bolas paradas. De tanto para fazer, pouco acabou por fazer. Mas Bruno César é isso mesmo, um pau para toda a obra, o "habilidoso" da equipa que serve para tudo um pouco, sem ser especialista em coisa alguma.
Na frente, Doumbia não esteve nem bem nem mal. Ganhou espaços e bolas para golo, mas pecou na finalização. Por fim Iuri Medeiros, de quem se esperava muito mais do que apresentou ontem. Iuri mostrou bons pormenores no sábado passado e na retina de todos está o bom final de jogo que fez em Guimarães. Contudo, sente ainda dificuldades em assumir o jogo atacante, demonstrando alguma incapacidade para se libertar do peso da camisola. Face à habitual fadiga que Acuña acusa nos finais dos jogos, continuo a achar que Iuri é a melhor alternativa ao argentino. Mas com o regresso de Podence, e com Bruno César sempre à espreita, é tempo de Iuri arrepiar caminho, para demonstrar que tem lugar no nosso onze.
Por fim os suplentes. Battaglia e Acuña não trouxeram muito mais ao jogo. Acuña tentou dinamizar o flanco esquerdo e a sua entrada coincidiu com uma maior acutilância atacante de Jonathan, lembrando por vezes alguns dos melhores pormenores de Coentrão na ala. Podence entrou melhor, dando velocidade ao ataque. Contudo decaiu ao longo do jogo, deixando-se enrolar por alguma ansiedade. Precisa também de jogar mais vezes para recuperar a forma física e mental.
Uma nota também para o árbitro Manuel Mota, um dos padres do Estado Lampiânico. Num jogo sem grande interesse, o homem do talho revelou ontem que bem merece a estima que lhe depositam as altas instâncias do EL. Impressionante a forma passiva como ao longo do jogo actuou disciplinarmente sobre a equipa insular. Rídicula a forma como condicionou o jogo nos últimos 10/15 minutos, apitando toda e qualquer queda dos jogadores maritimístas, permitindo-lhes queimar tempo e quebrar o ritmo do jogo. O que aqui me assustou não foi tanto a arbitragem em si, mas sim aquela sensação de que se o padre faz uma missa destas numa prova menor, nem imagino o que poderá fazer em jogos para o campeonato. E é bom que toda a equipa perceba isto: temos de entrar em todos os jogos com a máxima atitude para ganhar, pois se caímos no erro de ter de depender dos padrecos, eles bem que nos fazem a extrema-unção.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

André Geraldes, és tu?

Assim de repente, tenho de puxar pelas minhas memórias de adolescência, para me lembrar de um arranque de época tão positivo como este. Fosse o Sporting de Robson de 1993/94 ou o de Marinho Peres de 1990/91, são mais de duas décadas que temos de recuar para assistir a um começo tão promissor. E se em 1993/94 ainda lutámos quase até ao fim pela vitória no campeonato (malditos 3-6...), em 1990/91 perdemos o fulgor a meio e acabamos a 13 pontos do campeão benfica (a vitória só valia 2 pontos). Ou seja, como diz o nosso treinador e bem, isto não é como começa, é como acaba. Por isso não vale a pena entrar em euforias.
Mas, euforias à parte, nada nos impede - antes pelo contrário! - de aplaudir o que de bom o nosso clube tem feito, até porque algumas coisas representam um corte radical com o nosso passado mais recente. Destaco sobretudo dois aspectos: a política de aquisições e a estratégia de comunicação. Falemos hoje do primeiro.
Desde que Bruno de Carvalho chegou ao Sporting, que a nossa política de contratações tem falhado sobretudo em adquirir alternativas fiáveis aos nossos melhores titulares. O nosso onze base de 2013/2014 até 2016/2017 era praticamente o mesmo: Rui Patrício manteve-se e quem o substituia nem sempre o fez da melhor forma. Cedric saiu e Schelotto ou João Pereira não estiveram à sua altura. Jefferson esteve na esquerda, substituído por Marvin na última época. Nos centrais, passámos de Rojo/Maurício para Maurício/Sarr ou Tobias, e depois para Coates/Semedo. No meio-campo William e Adrien mantiveram-se, enquanto João Mário tirou o lugar a André Martins e Gelson a Carrillo. Na frente, Slimani e Fredy Montero mantiveram-se, com Teo pelo meio a espreitar. Ano passado Bas Dost rendeu Sli na frente. Em traços gerais foi essa a evolução do plantel em quatro épocas. Tirando a entrada de Coates ou Bas Dost, creio que não tivémos mais nenhum upgrade de qualidade dos jogadores. Gelson Martins e João Mário vieram na formação, pelo que nestes casos não podemos falar de "aquisições". E mesmo Bas Dost não é propriamente um "upgrade", mas sim uma manutenção de qualidade face a quem substituiu.
Esta época tem sido muito diferente. Nas laterais podemos por em questão a disponibilidade física de Coentrão ou a qualidade de Piscinni (que até tem subido de rendimento), mas defensivamente estamos melhor que nos últimos anos. No meio-campo contratámos dois verdadeiros reforços - Battaglia e Bruno Fernandes. Para as alas adquirimos Acuña e mandámos regressar Iuri. Na frente, Doumbia tem-se revelado uma boa alternativa a Bas Dost. Falta ainda André Pinto, que verá a sua hora chegar assim que começarem os castigos aos nossos centrais, e o Bebeto Júnior, que espero ver já na Taça CTT "reclamar" por uma oportunidade no onze para o campeonato. Ristovski idem.
Escrevi algures entre as eleições de Março último e o final da época passada, que precisávamos de um director desportivo a sério. Octávio Machado chegou com um objectivo que praticamente se esfumou na primeira época que aqui esteve. Tínhamos de ter algo completamente diferente. Não mais um papagaio para mandar larachas para a imprensa ou fazer cara feia no banco de suplentes. Mas, entre outras coisas, ajudar à definição de uma política de contratações incisiva, com igual competência para efectivar contratações "complicadas". 
Se há palavra que ajuda a definir a política de contratações do Sporting desta época, é COMPETÊNCIA.  E não estou a falar apenas da qualidade dos jogadores. Refiro-me também ao timing (quase todos antes ou logo no inicio da preparação), bem como do esforço negocial nos casos onde aparentemente houve mais dificuldades, como com Doumbia. 
Confesso que não conheço bem a estrutura directiva do nosso clube. Sei que Carlos Vieira faz parte da área financeira, Vicente Moura era das modalidades até sair e que André Geraldes assumiu a parte da direcção desportiva do nosso futebol profissional. Ou, como agora se chama, o seu team manager. Desconheço qual a essência desta nova nomenclatura, mas acredito que seja basicamente a mesma do clássico "Director desportivo". 
A mudança de paradigma da nossa política de contratações coincidiu com a chegada de André Geraldes a team manager do nosso futebol profissional. No passado, prespectivando-se que seria ele a ocupar o cargo de Octávio, tive dúvidas de que a sua escolha fosse a mais acertada. Não sei bem se realmente a construção do plantel actual foi obra sua, mas sendo - como parece que é - apenas me resta engolir as minhas anteriores dúvidas e saudar o nosso presidente pela humildade em delegar essas competências no seu director, bem como a clareza de escolher essa pessoa para o cargo. E que no final da época possa alegremente dizer que André Geraldes "Foi a pessoa certa para o lugar certo!". 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Descer do Olimpo e aterrar em Alvalade, focadíssimos em vencer!

Depois da grande exibição e vitória alcançada na Grécia, é tempo dos nossos jogadores descerem do Olimpo onde estiveram estes dias e colocar os pés bem assentes na terra. Vem aí uma das nossas bestas negras, especialmente quando jogamos no nosso estádio: o Tondela.
Estamos a fazer um excelente campeonato e a nossa entrada na Liga dos Campeões não podia ter corrido melhor. E face às paupérrimas prestações de benfica e porto na LC, ainda mais os focos estão virados para nós. Neste momento somos a equipa portuguesa que melhor futebol joga, que tem o plantel mais completo e o treinador mais competente. E isto significa, também, que somos os alvo a abater no momento.
Na Liga dos Campeões, infelizmente é uma questão de mais jogo, menos jogo, sairmos pela primeira vez derrotados. Os nossos rivais estão desejosos que a nossa equipa escorregue, para assim aliviarem a pressão mediática que se lançou sobre eles. Enquanto o nosso jogo com o Barcelona não chega, temos dois confrontos importantíssimos para o campeonato. E como alguém do futebol disse, o próximo jogo é sempre o mais difícil.
Há duas épocas atrás, o Tondela ajudou a enterrar uma época que tinha tudo para ser de sonho. Estavamos a jogar um bom futebol, éramos a melhor equipa do campeonato e tínhamos vantagens pontuais confortáveis sobre os nossos rivais. Facilitámos na abordagem a esse jogo, a arbitragem fez o seu trabalho de manipulação e os dois pontos perdidos teriam sido suficientes para termos sido campeões nacionais. Na época seguinte, recebemos o Tondela à oitava jornada, mas aqui as coisas não estavam a correr tão bem. Na jornada anterior haviamos cedido aquele incrível empate 3-3 em Guimarães e na véspera perdemos em casa com o Dortmund. E equipa tremia por todos os lados, o bom futebol teimava em não aparecer e bastou apanharmos uma equipa com um sistema ultra-defensivo para bloquearmos. O Tondela inaugurou o marcador e não fosse Campbell já nos descontos, teríamos sofrido uma humilhação ainda maior no nosso estádio.
Este ano estaremos ao nível do que estávamos em 2015/16. Praticamos bom futebol e estamos na frente do campeonato. Há dois anos JJ facilitou (o Tondela estava em último lugar) e lançou Ewerton no jogo, sem ritmo de competição. A equipa entrou em jogo sem velocidade e foi surpreendida pela forma aguerrida como os tondelenses entraram. O penalti e expulsão de Rui Patrício ajudaram a complicar um jogo que, em situação normal, teria sido facilmente vencido por nós. A dualidade de critérios de Jorge Ferreira fez o resto.
Por isso é importante que Jorge Jesus encare este jogo da mesma forma que encarou o jogo na Grécia: focado nas debilidades do adversário e apostando em golpeá-lo logo nos momentos iniciais da partida. Ao nível das nossas entradas em Guimarães e em casa ante o Estoril. E caso o resultado atinja um fosso mínimo de 2 ou 3 golos, então sim fazer a gestão do esforço da equipa, evitando manter em campo jogadores demasiado fatigados. Pepa e alguns jogadores do Tondela já prometeram fazer um grande jogo em Alvalade, de grande intensidade. Provavelmente, apostarão tudo em 1) retardar ao máximo o primeiro golo do Sporting e 2) mesmo em desvantagem, aproveitar a nossa fadiga/desligamento nos últimos 20 minutos de jogo para tentar equilibrar a partida. Daí a importância de uma entrada forte nossa em jogo, traduzida em golos, e uma gestão inteligente de esforço na 2.ª parte que impeça os sobressaltos sentidos nas últimas partidas.
O Tondela virá a Alvalade, como de costume, disposto a comer a relva toda. Jogarão com o autocarro à frente da baliza e um ou dois corredores lá na frente para explorar as nossas subidas. Tacticamente, acredito que seja menos complicado marcar golos a este Tondela do que ao Feirense, por exemplo. Em Santa Maria da Feira, principalmente na 2.ª parte, mostrámos que também sabemos abrir espaços contra equipas "certinhas". Velocidade nas alas, acutilância no corredor central, não inventar nas bolas paradas. E muita fome de vencer, para vingar os últimos resultados dos beirões em Alvalade. Seja em fato de gala, seja com fato de macaco.
Para o campeonato, depois do Tondela, iremos jogar ao Moreirense e receberemos o porto, antes de nova interrupção do campeonato por causa das selecções. É importante chegar ao jogo com o porto com os 21 pontos somados. Em casa, com um pleno de vitórias para o campeonato, teremos motivação mais do que suficiente para batermos os andrades no nosso estádio. 
Sábado é dia de esfolar o borrego. Mais um nesta época. 

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A matança dos borregos continua!

Este ano andamos a matar borregos atrás de borregos. Ontem matámos mais um: vencemos fora para a fase de grupo da Liga dos Campeões, o que já não acontecia desde 2008!!! E em tempo de matar borregos, vem aí mais outro, daqueles gordinhos que até irritam como nunca o conseguimos matar antes: vencer o Tondela em Alvalade!
O jogo de ontem poderia ter sido histórico, pois uma vitória de 5 ou 6 golos fora, ainda por cima quase todos marcados na primeira parte, é sempre algo de valor numa competição como esta. E quem diria que o nosso Sporting, que ainda há uns 3 anos não conseguia vencer fora o Maribor, chegava a um dos estádios europeus mais complicados e impunha um futebol de classe.
Como disse na minha antevisão, se quiséssemos sonhar com algo mais do que o 3.º lugar no nosso grupo da LC, tínhamos de ganhar ontem. Agora tudo é possível e parafraseando o já falecido José Torres, "deixem-nos sonhar!". O Barça, como se viu ontem, está a voltar ao nível que nos foi habituando nestes últimos anos. Aqui será praticamente impossível sacar pontos. Resta-nos esperar por dois jogos fabulosos ante a Juventus e... que o sonho se torne realidade.
A exibição na Grécia seria imaculada caso os últimos minutos do jogo fossem apagados. Não foi isso que tirou o brilho da nossa exibição, mas deixou um travo amargo na boca. Jorge Jesus disse, e com razão, que para competir na Liga dos Campeões não podemos relaxar com tanta auto-confiança. Da mesma forma que no ano passado fomos atraiçoados em Madrid nos últimos minutos, também na Grécia passámos por calafrios finais desnecessários. Há que incutir na cabeça dos jogadores que os jogos só estão ganhos depois do apito final do árbitro e não antes. A tremideira que se tem sentido nos últimos jogos tem de desaparecer de vez.
E porque temos tremido tanto na parte final dos jogos? Temos entrado bem, pressionando e marcando cedo. Ainda há bem pouco tempo os sportinguistas se queixavam que dávamos sempre 45 minutos de avanço ao adversário. Nestes últimos jogos, salvo o jogo com o Feirense, não tem sido assim. Entramos fortes, marcamos golos e criamos oportunidades, sem deixar jogar o adversário. Pelo que me apercebo, há jogadores que quebram fisicamente apartir dos 70 minutos. Bruno Fernandes, Acuña, Bas Dost ou até Gelson, acabam os jogos de rastos. Acho que JJ mexe tarde na equipa, por exemplo contra o Estoril e Feirense só mexeu quando já estávamos a ser sufocados. E não há necessidade para isso, pois temos no banco bons substitutos: Doumbia, Iuri, Podence (quando regressar), Bruno César e... Matheus Oliveira. Sem Adrien, perdemos alternativas de qualidade ao actual trio do meio-campo. Bruno César é competente, mas falta-nos algo mais. Pergunto-me se não estará na altura de começar a dar minutos ao Bebeto junior, para vermos se temos ali alternativa credível. Também temos Petrovic, é certo, mas para posições mais recuadas. Precisamos de mais alguém no miolo, que saiba segurar a bola e pautar o jogo.
Por fim a lateral esquerda. Dos últimos 4 golos sofridos, 3 tem a Jonathan Silva envolvido. Não estou a dizer que a culpa é só dele, mas sim que o nosso lateral canhoto não está de momento a dar a segurança defensiva necessária à nossa equipa, principalmente em alturas onde devíamos ter o jogo controlado. Caso Coentrão continue lesionado ou se venha a constatar que não tem condições para jogar assiduamente ao longo da época, acho melhor que comecemos a procurar alternativas dentro do plantel (adaptar Ristovski à esquerda? voltar a insistir em Bruno César? Equipa B?) ou de fora.
Sábado jogamos com uma das bestas negras de Alvalade nos últimos anos. Irrita-me a forma desinibida como o Tondela, que leva de tudo e todos, chega a Alvalade e come a relva para nos vencer. Se há jogo onde temos de golear, é no próximo. E sem arrepios no final.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O VAR: entre o Estado Lampiânico e o Sistema, nós!

Quinta jornada, quinta vitória. Podia ter sido um jogo com história simples, do género "má primeira parte, mas segunda parte de nível embala leão para mais uma vitória". Mas não, sportinguista que se preze não se contenta com vitórias fáceis. E lá tivemos nós de entrar em modo "hara-kiri" nos últimos momentos do jogo, para depois sim, ganharmos mais um jogo "à Sporting".
O Feirense é uma das equipas mais complicadas da Liga, principalmente a jogar em casa. Faz parte do mesmo lote de Chaves, Estoril ou Marítimo. Equipas pequenas, com orçamentos limitados, mas tacticamente muito certinhas e com filosofias de jogo que vão muito além do autocarro. 
Adeus Santa Maria da Feira, olá Atenas. Amanhã jogaremos uma importante cartada na Liga dos Campeões. Ainda é o primeiro jogo, é certo, mas para sonharmos com algo mais do que o terceiro lugar neste grupo, qualquer deslize é o seu fim. Uma vitória amanhã deixa-nos logo na frente da luta pelo terceiro lugar e abre-nos excelentes prespectivas para tentar o segundo lugar. Uma derrota praticamente nos arreda da luta pelos primeiros lugares do grupo, restando-nos ombrear com o Olimpyakos por um lugar na Liga Europa. O empate, como este jogo é fora, não será mau do ponto de vista da luta pelo terceiro lugar. Mas deixa-nos com pouca margem de manobra para mais.
Sejamos realistas, para passarmos aos oitavos de final da Liga dos Campeões, teríamos de fazer pelo menos 9 pontos (o benfica passou com 8 no ano passado e a Roma com 6 há dois anos, mas são casos muito raros). Isso implica obrigatoriamente vencer os dois jogos com o Olimpyakos e ganhar pelo menos um jogo a Juventus ou Barcelona. Por isso, amanhã, se quisermos fazer história nesta competição, só há um resultado possivel: a vitória.
Olhando novamente para a competição interna, vimos entretanto como os discursos se vão ajustando às necessidades. E convêm que os sportinguistas estejam atentos a estes "sinais dos tempos" e não deixem que lhes façam o ninho atrás da orelha. É que já vi alguns sportinguistas a alinhar nos discursos dos nossos rivais, o que sinceramente não me agrada.
Vamos por partes. O Al-Carnidão, como já se esperava, usou a sua última vitória in-extremis para atacar o VAR, usando como de costume a sua típica basófia e fanfarronice. Diz a cartilha que afinal o benfica não só não perde pontos com o VAR como até os garante. Nada de mau por aqui, pois eu prefiro estar dois pontos à frente sem espinhas do que quatro pontos com calimeros em choro compulsivo. Mas dois pontos são dois pontos, e o Estado Lampiânico lá começou com o seu típico trabalho de ameaça e coação, como a entrevista de Luis Bernardo ao Record. E mais se seguirá nos próximos dias, estejam atentos.
A novidade vem do velho "Sistema", que após a vitória do benfica desatou num ataque cerrado ao VAR. Basicamente a narrativa portista é que o VAR não serve para nada, pois o benfica continua a ganhar com marosca. Este discurso é perigoso, e para mim não é nada inocente. Quem está no poleiro do futebol nacional obviamente que não quer que estejam sempre em cima dele a escrutinar o seu trabalho. O VAR, com todos os seus defeitos, é uma arma de escrutínio e estamos bem melhor com ele do que sem ele. Não sei se o Sistema estará já preparado para tomar de assalto o nosso futebol, ou se o EL está já tão enfranquecido que se deixe derrotar. Mas que esta conversa de desvalorizar o VAR já está a ser lançada com o alto patrocínio dos baluartes andrades, isso está. E quando vejo sportinguistas a amplificar essa desvalorização, alinhando na conversa de um dos nossos rivais, fico preocupado.
Em Portugal, o VAR está na sua primeira época de implementação. O projecto é ainda isso mesmo, um projecto. Precisa de ser estudado, analisado e alterado naquilo que melhor servirá o desporto. Tenham lá a santa paciência, mas um fora do jogo mesmo de um milímetro é um fora-do-jogo. E continua a ser fora-do-jogo dependendo do entusiasmo (ou falta dele) do video-árbitro. Não nos percamos em truques comunicacionais ou clubites mal amanhadas. Foquemo-nos só e apenas na verdade desportiva e em contribuir para a sua valorização. Conversa de lobos com pele de carneiro, não obrigado!

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Eu Show Bruno

Ponto prévio: É por demais claro e evidente que o nosso actual presidente tem sido maltratado um pouco por todo o jornalismo lusitano. Tudo é pretexto para o atacar, denegrir e enxovalhar, como por exemplo inventar suspeitas de violência doméstica sobre a sua ex-mulher. Impunha-se portanto uma atitude forte, incisiva e esclarecedora da sua parte. E não é de agora, já é de há muitos anos.
As recentes decisões do conselho de disciplina da FPF também tem sido, no mínimo, polémicas. Não me vou alongar por aqui, refiro apenas o recente caso do túnel. Todos viram quem começou, quem provocou, quem prevaricou. A pena daqui resultante para o nosso presidente é absurda. O mesmo conselho de disciplina que pariu tal decisão foi o mesmo que, perante uma nítida agressão de um jogador de futebol a outro colega de profissão, encolheu os ombros e virou costas. Actualmente este é o estado do nosso futebol: um nicho de oportunistas que querem sacar o máximo com o mínimo esforço possível, acompanhados de cobardes que se encolhem perante o poder estabelecido, perante a passividade do poder político e judicial. Impõe-se hoje mudar este estado de coisas.
As notícias, o burburinho, o rumor, que sempre se levanta em torno do Sporting, não é inocente. Tem uma fonte bem definida e colunas que ampliam esse ruído. Vejamos por exemplo as recentes transferências de Adrien, Mitroglou e a não transferência de William Carvalho. Sobre Mitriglou foram levantadas suspeitas e insinuações graves por parte de um agente de futebol, que até poderão configurar gestão danosa por parte do actual presidente do benfica. Veja-se no entanto sobre quais transferências se tem posto o foco mediático. Junte-se a isto a recente saída de Nuno Gomes da pasta ligada à formação encarnada, sobre a qual nada de relevante se ouviu pela mídia portuguesa. O mais pequeno rumor sobre o nosso clube é chafurdado até à exaustão pela painelagem futebolística. A mais bombástica revelação sobre o nosso clube do lado é imediatamente abafada e remetida para o esquecimento.
O espaço de Bruno de Carvalho na Sporting TV é, por isso mesmo, importante. É um espaço mediático qb, com a vantagem de ser amigável, pois é dentro de sua casa. Mas da mesma forma que as atordoadas no Facebook acabaram por ser infrutíferas, pois o protagonista banalizou a sua utilização, também o tempo de antena na Sporting TV correrá o mesmo risco de se transformar numa manifestação pífia, caso não seja usada com a devida parcimónia.
O que se passou ontem não foi uma entrevista esclarecedora, focada e incisiva. Foi um circo.
Li hoje na nossa blogosfera que deveríamos prestar mais atenção ao conteúdo do que à forma. Estou de acordo. E o conteúdo do espectáculo de ontem até foi interessante. Desmontaram-se as incríveis decisões dos órgãos federativos. Bruno prometeu que os responsáveis pelas más decisões pagarão por elas nas devidas instâncias. O homem que lutou contra os fundos, que promoveu a adopção do VAR, que introduziu as milionárias cláusulas de rescisão nos contratos, que construiu o pavilhão João Rocha, que negociou com a banca melhores condições para o nosso clube, afastando o fantasma da falência, prometeu levar a justiça futebolística às instâncias judiciais civis. Eis Bruno de Carvalho, o homem que transforma causas perdidas em causas ganhas.
Mas a forma como tudo isto foi apresentado não pode ser afastada ou negligenciada. Estamos no século XXI, onde a imagem, as estratégias de comunicação e o impacto mediático ditam as regras. É assim tão difícil perceber isto, PORRA?!?!?! Nos próximos dias os painéis de opinião irão passar horas a fio a discutir a discutir as "nalgadas no Serpa", o "paizinho do Joel", "o casaco pele de camelo do Bruno", etc., etc., etc. Do essencial pouco se falará.
Depois do que se passou ontem, Meirim provavelmente patrocinará outro castigo exemplar e inédito em Portugal sobre um dirigente desportivo. Aposto em mais de um ano de suspensão. Curiosamente as coisas dentro de portas tem corrido bem nestes últimos 3 meses, precisamente enquanto tem durado os últimos castigos a Bruno de Carvalho. Se é coincidência ou não, não sei. Mas que o tempo parece estar a ser melhor aproveitado pelo nosso presidente, lá isso parece. E se o preço para continuarmos na senda dos resultados desportivos positivos é o silêncio de quem nos dirige, intermediado por estes momentos de comédia, então que a coisa role assim até Maio. E depois sim, diremos todos que o homem é um visionário!

sábado, 2 de setembro de 2017

O Al-Carnidão volta ao ataque: o mercado de Agosto

Todos estarão recordados da feliz expressão que o grande sportinguista José de Pina inventou para a cartilha, o "Al-Carnidão". Pois bem, depois de algumas semanas escondido, eis que o Al-Carnidão nos volta a entrar pelas nossas casas, entoado até à exaustão. E desta vez os seus argumentos são tão absurdos e tão ridículos, que chega a ser doentio. Nem os benfiquistas mais sérios acreditam no que lhes tentam impingir, tal é a desfaçatez da narrativa inventada. E eu já vi a reacção de muitos nas redes sociais. 
Tudo começou com os últimos dias do mercado de verão. Basicamente os três clubes grandes de Portugal tiveram a seguinte prestação:
Clube X: Vendeu 4 dos seus titulares da época passada: o guarda-redes, o defesa direito, um defesa central e um avançado. Nenhum dos seus substitutos parece estar à altura de quem saiu, excepção feita de quem chegou para ponta-de-lança. Fez muito dinheiro com as vendas, é certo, mas o investimento no plantel ficou muito à quem desse valor recebido.
Clube Y: Vendeu vários jogadores, dos quais só um é que costumava ser titular: o ponta-de-lança. Substituiu-o no plantel por outros avançados que estavam emprestados e que tem vindo a fazer um bom inicio de campeonato. Compraram um guarda-redes, que deverá ser suplente.
Clube Z: Vendeu 4 jogadores que eram titulares: um defesa central, dois laterais e um centro-campista, que também era o seu capitão de equipa. Para os seus lugares chegaram jogadores que são actualmente titulares indiscutíveis, estando a equipa a jogar melhor futebol que no ano anterior. O investimento foi forte mas é compensado pelos ganhos em vendas.
Olhando para os três clubes, o X parece ter feito o melhor mercado, pelo menos em dinheiro. No entanto a qualidade do plantel formado parece, até agora, inferior ao que tinha antes. O clube Y mantêm a sua base, fazendo da estabilidade a sua grande arma. O clube Z perdeu o seu capitão, mas ganhou melhores jogadores para posições deficitárias no seu plantel, inclusivamente a posição onde estava o capitão de equipa. Os clubes X,Y e Z são perfeitamente identificáveis. Como também é perfeitamente identificável que dos três, foi o clube X quem ficou mais a perder neste mercado em qualidade. Como para o Estado Lampiânico é impensável o seu clube ficar atrás do que quer que fosse, urgia olear a sua máquina propagandista para distorcer a realidade, vendendo a ilusão de que o clube X tinha, afinal, sido o grande triunfador do mercado. E o clube Z o grande derrotado.
O Estado Lampiânico há muito que definiu o Sporting como alvo a abater. Quer pelo facto do nosso presidente ser muito crítico sobre a sua actuação, quer porque o EL ainda não se sente muito à vontade para atacar o Sistema. É um pouco como aquele fanfarrão lá da rua, que tendo medo do matulão do tamanho dele, tenta virar-se contra outro alvo mais vulnerável. É certo que a vulnerabilidade do Sporting já não é a mesma de há 3 ou 4 anos, mas ainda não estamos no patamar do porto. Temos conseguido e aprendido a defender melhor. Mas ainda somos o alvo. Resta-nos a consolação de que os ataques que nos fazem são cada vez mais ridículos e absurdos.
Escrevi aqui, algures no final da época passada, de que precisávamos de uma estrutura mais competente para o nosso futebol profissional, de modo a conseguirmos implementar uma política de contratações diferente dos últimos anos. O nosso scouting era o calcanhar de Aquiles da direcção de Bruno de Carvalho, pois eram poucas as nossas contratações que se conseguiam impor na equipa principal, com qualidade acrescida. Este ano assistimos precisamente ao contrário das últimas épocas, pois de quem entrou, poucos não se tornaram titulares de imediato. Com a agravante de que a qualidade da equipa e do futebol praticado subiu face aos últimos anos. Sem comparar com os nossos adversários, esta constatação bastaria, por si só, para reconhecer o bom mercado de verão do nosso clube.
Em relação a vendas, saíram 3 titulares cujo rendimento não parecia condizente com aquilo que queríamos para a equipa. Marvin, Schelotto e Rúben Semedo foram bem vendidos, rendendo quase 20 milhões em vendas. A quarta saída (a efectivar-se) será a mais importante do ponto de vista desportivo. Adrien Silva, além de capitão, era o dínamo do nosso meio-campo nestas últimas épocas, bem como da selecção campeã da Europa. Mas depois da novela da época passada, e atendendo à idade do jogador, era uma saída mais do que esperada. E pode-se dizer que a SAD tratou e bem de colmatar a sua saída, contratando um jovem promissor jogador, Bruno Fernandes, e o raçudo Battaglia. E veremos se a partir de agora, Matheus Oliveira não terá mais chances de mostrar o seu valor a JJ. Quanto a William, sobre quem cheguei a escrever um requiem em tom de despedida, a sua permanência é sem dúvida alguma uma mais valia para a nossa equipa. O West Ham era demasiado pequeno para a sua categoria, mas acredito que os ingleses lhe tenham acenado com um ordenado milionário, daqueles de dar a volta à cabeça, apostando mais em pôr o jogador a forçar a sua saída do que propriamente em discutir seriamente a sua compra com o Sporting. Esta forma de negociar já funcionou em tempos com o Sporting, basta-nos lembrar de João Moutinho. Mas agora já não é assim. William ficou, será o nosso capitão, e merece um trabalho específico para recuperar anímica e moralmente do mercado. E acredito que a nossa estrutura de futebol estará à altura de o fazer.
Este foi o mercado que tivemos, em termos genéricos positivos. Mas será que o Al-Carnidão dirá o mesmo sobre ele? Claro que não. Uma das nossas melhores contratações afinal tinha sido oferecida e recusada pelo benfica, que agora sim, vai apostar a sério na formação!!! Gabigol preferiu o benfica ao Sporting, porque o benfica é grande e não porque estes lhe vão pagar 40% do seu milionário ordenado. Jimenez não saiu e Garay e Gaitan não vieram porque o benfica não quis. Mitroglou não saía por 25 M€ mas saiu por 15€ (mais um pouco e Gabigol sairia tão caro como o grego). William, que afinal já era um trinco de classe mundial, é agora vítima de escravatura, pois o Sporting cortou-lhe as pernas. Até com Schelotto foram embirrar...
Mas isto não ficará por aqui. Nos próximos dias aposto que o presidente do West Ham continuará a ter tempo de antena para ir despejando as suas alarvidades. E não me admirava nada de que o pai do Gelson Martins viesse dar uma entrevista ou que se viesse a descobrir que o Sporting proibiu Acuña de treinar em Alcochete com cuecas vermelhas. Enquanto isso Eliseu continuará a espalhar classe pelos relvados, Vasco Santos apitará mais uns jogos e Gabigol será o novo fenómeno do futebol mundial, depois de Renato Sanches.

domingo, 27 de agosto de 2017

Como esfolar um borrego em quatro tempos

Primeiro foi Guimarães. Estádio tradicionalmente complicado para as nossas cores, em especial nos últimos dois anos. Em 2015/16 começámos aí a perder a liderança e na época seguinte, depois de uns 70 minutos muito bem jogados com 3 golos marcados, acabámos infantilmente por nos deixar empatar.
Depois o play-off para a Liga dos Campeões. Já não passávamos um play-off desde que ganhámos ao Beitar de Jerusalém, ainda no século passado. E também nunca tínhamos ganho na Roménia. 
Hoje, para finalizar, o fantasma do pós competições europeias. Tradicionalmente lidávamos sempre mal com as ressacas dos jogos internacionais, fruto mais dos nossos curtos plantéis do que por outro motivo esotérico. Foi sem dúvida a parte mais difícil do esfolamento que temos vindo a fazer ao borrego desde a semana passada. Parecia fácil, a coisa complicou-se e só não deu para o torto porque, felizmente, os tempos já são outros. No fim do dia a merecida festa: o borrego foi impecavelmente esfolado. Seguimos na frente com 12 pontos em outros tantos possíveis e com o apuramento para a LC garantido. Fechou-se um ciclo em beleza. 
Não vi como é que o Estoril levou 4 golos do porto. Mas o que vi hoje foi uma equipa aguerrida, bem arrumada no seu meio-campo, nada tosca a trocar a bola e com alguns jogadores interessantes para seguirmos neste campeonato. A meu ver, este Estoril tem tudo para ser uma espécie de revelação na primeira metade do campeonato, à semelhança do Rio Ave. Vai ser um osso duro de roer para os nossos adversários (não o foi com o porto porque deduzo que a equipa ainda não estava entrosada...). A este lote de equipas sensação, junto também o Feirense, que está a fazer um bom inicio de época. Com quem, curiosamente, vamos ter de jogar na próxima jornada. 
Este jogo contra o Estoril tinha alguns aliciantes, desde logo a qualidade do adversário e a gestão do cansaço da nossa equipa, que jogara 3 dias antes um importante jogo em Bucareste. O Sporting apresentava-se com algumas limitações: William continua na sua novela sai/não sai, Adrien veio tocado da Roménia, a maior parte dos nossos titulares estavam a acusar fadiga... 
JJ, a meu ver bem, respeitou a qualidade do adversário e mexeu o menos possível na sua equipa-tipo. Tirou Adrien e lançou Alan Ruiz. Mas a qualidade do nosso meio-campo ressentiu-se e não apresentou a mesma intensidade dos jogos anteriores. Ajudou termos marcado dois golos madrugadores e pudemos fazer gestão de esforço, mas o adversário soube sempre jogar com essa nossa gestão e foi tentando superiorizar-se ao nosso meio-campo. Tiveram algumas jogadas perigosas, que iam sendo destruídas pela nossa defesa. Na segunda parte entraram melhor e iam tentando empurrar-nos para a nossa baliza, mas a inspiração do nosso sector mais recuado, com Mathieu à cabeça, não deu grandes veleidades aos estorilistas.
A partir dos 70 minutos pareceu-me que o Estoril esgotara a sua capacidade para pressionar os nossos homens e que o resultado do jogo estava selado. Contudo, um excelente golo de Lucas devolveu a incerteza ao resultado final. Mas o Estoril não demonstrou arcaboiço físico para cavalgar sobre nós. Conseguimos ir segurando a bola e deixar o adversário longe da nossa área. Caso o fiscal de linha tivesse visto o enorme fora-do-jogo de onde resultou o final dramático do jogo, teria sido tudo muito mais tranquilo. Ou menos intranquilo. Felizmente este jogo foi em Agosto de 2017, pelo que o seu resultado final está condizente com a verdade desportiva.
Boa parte da nossa quebra na segunda parte resultou, como disse, da fadiga provocada pelo jogo da Roménia. Esta época temos mais soluções para a zona central, pelo que a ausência de Adrien, apesar de notada, não resultou em descalabro. Já a falha física de Coentrão sim. JJ precaveu-se para uma quebra de Piccini e deixou Ristovski no banco. Jonathan foi preterido porque, além de já lá ter 2 defesas, ainda tinha Bruno César. Bruno César desenrascou na esquerda mas teve muitas dificuldades a defender, numa fase em que Acuña, também em quebra, já não defendia. Pergunto-me se não teria sido possível lançar o único central no banco (Tobias) e meter Mathieu à esquerda. O problema aqui é que Tobias oferece menos garantias a central do que Bruno César a defesa esquerdo. A 4 dias do fecho do mercado, com o dinheiro da Champions e da (possível) venda de William, não deveríamos ir buscar mais um central de classe? É que se a actual dupla de centrais se desfaz, e há-de se desfazer por castigos ou lesões, não creio termos substitutos à altura, tal como temos no meio campo e até no ataque. 
Outras notas para Alan Ruiz, que tarda em mostrar-se no Sporting. A segunda parte correu-lhe melhor que a primeira, mas fez muito pouco. Bruno Fernandes esteve mais apagado, pese embora o excelente golo de livre que marcou. E é tão bom saber que temos um especialista em livres frontais à balizada. Mas não deixa de ser curioso que nas primeiras quatro jornadas já tenha visto mais cartões amarelos que Eliseu. Mathieu tem estado soberbo. Piccini hoje assinou um bom jogo. Battaglia continua a surpreender pela positiva, mas num jogo em que se está a ganhar 2-0, faz aquela falta para cartão amarelo no meio campo adversário, numa jogada inofensiva, indica que ainda tem ali muita coisa para aprender.
So far, so good. Agora venham as selecções, daqui a duas semanas há mais.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Alea Jacta Est - Parte II

Entre o muito mau e um assim-assim, calhou-nos um grupo mauzinho.
Era pouco provável que acontecesse mais algum alinhamento de estrelas como aconteceu no play-off de acesso à Liga dos Campeões, onde fomos manifestamente bafejados pela sorte. Nesta fase da competição, atendendo aos clubes que alcançaram a fase de grupos e à nossa posição no pote 4, era pouco provável que não nos calhassem pelo menos dois tubarões.
Longe vão os tempos onde chegávamos a este sorteio no pote 2, já a cair para o 3. Fruto de uma década perdida pelo nosso clube, no que toca a competições europeias, onde só aquela meia-final em 2012 destoou face às péssimas campanhas que levámos a cabo. Temos um longo trabalho a percorrer, se queremos voltar a uma posição de respeito na UEFA. Esperemos que este ano seja o início.
Juventus, Barcelona e Olympiakos.
Podia ser melhor, mas também podia ser pior. No cômputo geral foi um mau sorteio, pois será tremendamente dificil chegar aos oitavos de final da Liga dos Campeões. Mas há aspectos positivos que convinha reter nesta fase.
Desde o clube que nos calhou do pote 1. A Juventus é um dos tubarões europeus, sem dúvida. Mas não é um tubarãozão como o Real Madrid, Bayer de Munich ou o Barcelona de outras épocas (já lá vamos ao Barcelona). A "Velha Senhora" já foi em tempos mais poderosa do que hoje, um pouco à imagem do futebol italiano. Mas tem feito um trabalho de recuperação notável a nível interno, o que se reflecte nas competições europeias. A final da última edição da competição é a prova de que o clube está em crescendo. Mas ainda não está no topo dos clubes europeus. Não deixando de ser complicado, até pelo mau historial do Sporting com equipas italianas, não era o pior adversário possível.
Do pote 2 caiu-nos o Barcelona. Este sim, um tubarãozão. Era, junto com o PSG, do pior que poderia sair daquele pote. Não vale a pena referir tudo o que de mau advém de nos ter tocado este adversário. Vale a pena sim referir que provavelmente este será o pior Barcelona dos últimos anos, logo aqui até podemos reivindicar alguma "sortezinha". O Barça entrou mal na época, sendo batido pelo seu rival de Madrid na Supertaça. Mas sim, estamos a falar de dois jogos contra a actual melhor equipa do mundo. E da mesma forma que na semana passada eu disse que o Sporting não tinha estofo de Champions, também daqui a um mês, quando recebermos o Barcelona, podemos já apanhar o velho super-Barça do costume. 
Do pote 3 saiu-nos o Olympiakos da Grécia. Equipa que tem dominado o futebol daquele país, o Olympiakos será, à partida, o nosso principal rival na luta pelo 3.º lugar do grupo D. Aqui tivemos alguma sorte, pois evitámos equipas graúdas dos melhores campeonatos europeus. O Olympiakos é uma equipa aguerrida e as equipas gregas são terríveis sobretudo nos jogos em casa. Aqui sem dúvida que teremos que nos impor ao campeão grego, se queremos voltar a ter projecção internacional. Não será a nossa prova de fogo, mas será um marco importante a ultrapassar.
Outro aspecto positivo do sorteio é que calharam-nos equipas mediterrânicas no grupo. Evitamos assim longas deslocações à Europa Central e do Leste, especialmente em alturas de frio. O mais longe que teremos que ir é à Grécia, umas 3 horas de viagem. A viagem a Turim, talvez a mais fria das cidades onde teremos que ir, é em meados de Outubro, portanto ainda longe do Inverno alpino.
Quanto à cadência das jornadas, entramos logo no difícil ambiente do estádio do Olympiakos, onde teremos logo pela frente um bom teste às nossas capacidades. Um bom resultado na Grécia logo na primeira jornada, permitia-nos ganhar algum ascendente sobre o nosso principal concorrente dentro do grupo, além de moral para jogar contra Juventus e Barcelona. Preferia jogar primeiro em casa com a Juventus e fora com o Barcelona. A ordem é a inversa e só espero que no dia 27 de Setembro os catalães cheguem atordoados a Alvalade por um mau inicio de época em Espanha. Se isso acontecer, então acho legítimo os sportinguistas sonharem...
No dia 5 de Dezembro encerramos a fase de grupos em Barcelona. Espero que por essa altura já tenhamos o apuramento para a Liga Europa assegurado e, quem sabe, uma réstia de esperança para chegarmos aos oitavos da Liga dos Campeões. E esta esperança ainda houver, que nesse dia entremos em campo dispostos a vingar aquela eliminatória da Taça UEFA em 1986/87, ingloriamente perdida.
Como disse o nosso treinador, que os jogadores agora desfrutem a sua presença na fase de grupos da Liga dos Campeões, e que se inspirem para fazer coisas bonitas. E alegrias para nós! 

Alea Jacta Est

Na passada semana, após o empate em casa na primeira mão do play-off, escrevi aqui que àquela data, o Sporting não tinha estofo para a Liga dos Campeões. Aventei a hipótese de passado uma semana, a coisa já ser diferente. E foi. Duas vitórias, dez golos marcados e um golo sofrido depois, não estamos melhor do que estávamos a 15 de Agosto. Estamos muito melhores. Fruto da entrada de Bruno Fernandes no onze, da melhoria dos índices físicos de alguns jogadores e da continuação do nosso acerto defensivo.
Sobre o que se passou ontem à noite, aquilo que chegou a parecer ser um jogo "à Sporting na Europa", com uma boa entrada, o golo marcado fora, resvalando para um golo conssentido de forma estúpida até à tremideira no início da segunda parte, deu lugar a um jogo onde vimos coisas que já não víamos há muitos anos: golos em contra-ataque, vitória fora de portas na Europa e uma exibição digna das melhores campanhas europeias da nossa história.
Ontem, a equipa sobre juntar o bom futebol e a sua superior qualidade à sorte tremenda que teve no sorteio. Desde o quase impossível estatuto de cabeça de série, até ao próprio adversário em si. JJ disse, e bem, que agora é desfrutar o momento europeu e que logo se vê quem vem por aí. Face a uma das Ligas dos Campeões mais fortes dos últimos anos, onde encontramos equipas no pote 2, 3 e até no 4 ao nível de algumas do primeiro pote, só podemos pedir ao diabo que venha e escolha.
Se a nossa estrelinha se mantiver, pedia este grupo para poder sonhar com os oitavos de final:
Spartak de Moscovo
Sevilha
Besiktas ou Basileia
Sporting
Se a estrelinha se for embora, então ao menos que desfrute de jogos em Alvalade contra o melhor que essa Europa pode oferecer, que seria qualquer coisa como:
Real Madrid
Paris SG
Nápoles ou Tottenham
Sporting

Alea jacta est!!!!

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Jesus, o Mártir?

Tenho visto e revisto aquela famosa jogada de Eliseu, que entra a pés juntos sobre um adversário, sem dúvida alguma de forma intencional logo merecedora de cartão vermelho directo, mas que foi transformada pelo árbitro em falta a favor do benfica.
Essa jogada é uma antologia do que tem sido estes últimos campeonatos. Uma equipa que ainda na época passada jogou remendada, pois vários dos seus titulares estavam no estaleiro, conseguiu milagrosamente vitórias atrás de vitórias. Eliseu foi um desses jogadores repescados, pois Grimaldo passou boa parte da época lesionado. E a saga continua esta época. Causa assim alguma estranheza que o benfica remendado consiga tão bons ou melhores resultados do que a sua dita equipa principal. 
Vejamos o Sporting. Todos se lembram da tragédia que assolava a nossa nação cada vez que Adrien ou William Carvalho se lesionavam. Não tínhamos jogadores à altura de os substituir, logo as coisas tinham a tendência para correr menos bem. E nem é preciso ser um mestre da táctica para perceber isto, aliás a própria estatística ajudaria a confirmar tal coisa. Se são os melhores, é porque a equipa com eles consegue os melhores resultados. Os restantes até podiam fazer um brilharete num ou outro jogo, mas quando atingem o mesmo nível da melhor equipa, ou são "muita" bons ou então algo se passa. E quando percebemos que estamos a comparar Eliseu com Grimaldo, Fesja com Samaris, Bruno Varela com Ederson, Sálvio com Cervi, André Almeida com Nelson Semedo, etc. etc., mais convencidos ficamos que alguma coisa não bate certo.
Trago este tema à colação porque ainda esta semana ouvi a conversa do costume, de que o nosso treinador só quer saber do campeonato e está-se a borrifar para as restantes competições, Liga dos Campeões inclusive. Ou seja, JJ convence-se de que tem uma equipa apenas com 12 ou 13 jogadores capazes de render aquilo que ele gostaria que rendessem, logo para os proteger foca-se na principal competição interna. O resto é para ir dando uns chutos, uma espécie de jogos-treino a meio da semana. Esta época parece diferente, pois o plantel já oferecerá mais soluções do que nas últimas épocas, mas o estigma sobre Jesus continua lá. 
Esta semana li textos de sportinguistas a defender a adopção de um sistema "à Rui Vitória" ou seja, jogar sempre para ganhar, seja qual for a competição e o adversário. Até aqui tudo bem, o Sporting deve jogar sempre para ganhar. Em Guimarães, no meio de dois jogos importantíssimos para nós, jogámos com grande intensidade e as coisas correram-nos bem. Resta agora vermos se o que corremos sábado não fará falta para correr na quarta-feira. Veremos. Já o Steaua, por exemplo, deu-se ao luxo de descansar praticamente toda a equipa no jogo do campeonato. Se o Sporting tivesse jogado em casa com o Tondela ou com o Boavista, será que faria sentido jogar da mesma forma como jogou em Guimarães? Claro que sim. E essa abordagem era realista? Pois, aqui torço o nariz.
Jorge Jesus, fora aquela sua típica presunção e jactância, é um treinador experiente, que sabe de futebol. Não é um treinador de bancada, alguém susceptível às opiniões dos adeptos ou dos jornais. Ele sabe que o Sporting, como antes o benfica, entram em tudo para ganhar. E também sabe que é tudo muito bonito, mas o que o pessoal gosta mesmo é de ser campeão nacional. E entre apostar todas as fichas numa eliminatória ou ir gerindo os jogos do campeonato jogo após jogo, ele prefere a segunda. Foi assim no benfica e tem sido assim no Sporting. Daí que quando esteve nos nossos rivais nunca tenha feito grandes campanhas na CL. Ele sabia que para ter um benfica forte, capaz de internamente bater o pé ao porto, teria de ter todos os seus jogadores disponíveis para o campeonato. Isto é pragmatismo. Mas também é levar o futebol a sério.
Foi com Jorge Jesus à frente do benfica que o colinho encarnado começou a substituir o colinho azul. O seu último campeonato conquistado em Carnide foi assim ganho, já à custa de muitos jogos a jogar contra 10. Se Jorge Jesus quisesse, podia ter feito todos os jogos com os mesmos 11 jogadores, que era capaz de ter sido bicampeão na mesma. Jogando "à Rui Vitória". Mas JJ não gosta de jogar "à Rui Vitória". É demasiado fácil para ele. JJ ainda é daqueles treinadores à antiga, que gosta das suas equipas a jogar como se jogava nos anos 80 ou 90, sempre para o espectáculo que o resultado viria depois. Gosta de desafios tácticos e mind-games, mesmo que não tenha pedalada para eles. JJ gosta demasiado do futebol para tratá-lo como a farsa que é hoje. Daí que no seu último ano na Luz, em vez de se sentar comodamente no banco, mandar a equipa para a frente e esperar que os padres tratassem de tudo durante a missa, JJ tenha preferido levar o futebol com a seriedade que ele (não) merece. E se calhar até foi por isso que JJ terá saído do benfica em 2015, quando percebeu que já era indiferente para o clube quem era o seu treinador. E a coisa é tão simples como isto: imaginam Rui Vitória ser campeão com outra equipa e/ou outro campeonato? Pois...
Acabo este meu sucinto raciocínio com uma ideia, quiçá arrojada, de que no final de contas Jorge Jesus não é mais do que um mártir do actual futebol português. Mártir pela ingenuidade de ter acreditado que, só pelas suas tácticas, uma equipa foi bicampeã em Portugal. E pela ingenuidade de querer levar o futebol a sério, num país onde o futebol é de faz-de-conta. Um país onde o campeão nacional joga com Eliseu, Samaris e André Almeida a titulares. Mas onde o meio-campo do campeão da Europa não consegue ser campeão em Portugal. Um país onde uma agressão é transformada em falta contra o agredido.