quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A equipa de ontem e o padre Manuel Mota.

Se há competição que os sportinguistas mais se estarão "nas tintas" para a ganhar, ela é a Taça da Liga. Desde o famoso penalti do Pedro Silva, até ao "dolo sem intenção", esta competição é apenas a prova da forma como o nosso clube tem sido tratado pelas altas instãncias do futebol nacional: mal e porcamente.
Já era expectável que entre dois jogos para o campeonato no espaço de oito dias, e uma semana antes de recebermos o Barcelona e depois o porto, este jogo fosse encarado mais como um treino, tipo aqueles torneios de inicio de época, onde mais do que a vitória em si, interessa é dar ritmo ao jogadores e criar alternativas de jogo.
Apesar do empate sem golos, gostei de um modo geral da prestação dos jogadores. Não da "equipa" em si, pois juntar onze jogadores sem rotinas entre eles não é suficiente para criar uma "equipa de futebol". Mas houve sem dúvida oportunidades que foram aproveitadas. Outras nem tanto.
Começamos pela defesa. Num jogo contra outra equipa que também se apresentou com segundas linhas, mais interessada em defender o empate do que procurar a vitória, já se esperava que não tivéssemos muito trabalho defensivo. Mas do pouco que houve, os nossos defesas estiveram bem. Salin, excepção feita a uma deficiente reposição de bola com os pés na primeira parte, esteve seguro. Tobias e André Pinto também demonstraram consistência a defender, pecando apenas na fase de construção de jogo, onde ainda não estão ao nível da dupla titular. Os laterais também estiveram bem a defender. Destaque para Ristovski, que esteve muito bem na estreia e foi mesmo o jogador que ontem mais deu nas vistas. Raramente perdeu bolas para o rápido Piqueti e quando teve de atacar fê-lo bem. Jonathan esteve ao nível que nos habituou, muito combativo e voluntarioso, por vezes revelando alguma falta de serenidade.
No meio campo foi Petrovic quem esteve em destaque. Ganhou muitas bolas e na primeira parte foi o principal construtor de jogo da equipa. Enquanto teve pulmão foi um elemento preponderante, decaindo na segunda parte por clara falta de frescura física. Matheus Oliveira teve alguns pormenores interessantes mas ficou um pouco àquem do esperado. Precisa nitidamente de mais minutos de jogo para ganhar ritmo e rotinas. Já Alan Ruiz, por mais minutos que tenha, não consegue passar daquele "rame-rame" do costume. Posiciona-se bem, consegue ganhar espaços, mas quando recebe a bola demora uma eternidade para saber o que fazer com ela. Ontem teve (mais uma) oportunidade falhada para mostrar ser uma opção válida para titular da equipa. Bruno César foi o bombeiro do costume, correndo, posicionando-se, marcando as bolas paradas. De tanto para fazer, pouco acabou por fazer. Mas Bruno César é isso mesmo, um pau para toda a obra, o "habilidoso" da equipa que serve para tudo um pouco, sem ser especialista em coisa alguma.
Na frente, Doumbia não esteve nem bem nem mal. Ganhou espaços e bolas para golo, mas pecou na finalização. Por fim Iuri Medeiros, de quem se esperava muito mais do que apresentou ontem. Iuri mostrou bons pormenores no sábado passado e na retina de todos está o bom final de jogo que fez em Guimarães. Contudo, sente ainda dificuldades em assumir o jogo atacante, demonstrando alguma incapacidade para se libertar do peso da camisola. Face à habitual fadiga que Acuña acusa nos finais dos jogos, continuo a achar que Iuri é a melhor alternativa ao argentino. Mas com o regresso de Podence, e com Bruno César sempre à espreita, é tempo de Iuri arrepiar caminho, para demonstrar que tem lugar no nosso onze.
Por fim os suplentes. Battaglia e Acuña não trouxeram muito mais ao jogo. Acuña tentou dinamizar o flanco esquerdo e a sua entrada coincidiu com uma maior acutilância atacante de Jonathan, lembrando por vezes alguns dos melhores pormenores de Coentrão na ala. Podence entrou melhor, dando velocidade ao ataque. Contudo decaiu ao longo do jogo, deixando-se enrolar por alguma ansiedade. Precisa também de jogar mais vezes para recuperar a forma física e mental.
Uma nota também para o árbitro Manuel Mota, um dos padres do Estado Lampiânico. Num jogo sem grande interesse, o homem do talho revelou ontem que bem merece a estima que lhe depositam as altas instâncias do EL. Impressionante a forma passiva como ao longo do jogo actuou disciplinarmente sobre a equipa insular. Rídicula a forma como condicionou o jogo nos últimos 10/15 minutos, apitando toda e qualquer queda dos jogadores maritimístas, permitindo-lhes queimar tempo e quebrar o ritmo do jogo. O que aqui me assustou não foi tanto a arbitragem em si, mas sim aquela sensação de que se o padre faz uma missa destas numa prova menor, nem imagino o que poderá fazer em jogos para o campeonato. E é bom que toda a equipa perceba isto: temos de entrar em todos os jogos com a máxima atitude para ganhar, pois se caímos no erro de ter de depender dos padrecos, eles bem que nos fazem a extrema-unção.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

André Geraldes, és tu?

Assim de repente, tenho de puxar pelas minhas memórias de adolescência, para me lembrar de um arranque de época tão positivo como este. Fosse o Sporting de Robson de 1993/94 ou o de Marinho Peres de 1990/91, são mais de duas décadas que temos de recuar para assistir a um começo tão promissor. E se em 1993/94 ainda lutámos quase até ao fim pela vitória no campeonato (malditos 3-6...), em 1990/91 perdemos o fulgor a meio e acabamos a 13 pontos do campeão benfica (a vitória só valia 2 pontos). Ou seja, como diz o nosso treinador e bem, isto não é como começa, é como acaba. Por isso não vale a pena entrar em euforias.
Mas, euforias à parte, nada nos impede - antes pelo contrário! - de aplaudir o que de bom o nosso clube tem feito, até porque algumas coisas representam um corte radical com o nosso passado mais recente. Destaco sobretudo dois aspectos: a política de aquisições e a estratégia de comunicação. Falemos hoje do primeiro.
Desde que Bruno de Carvalho chegou ao Sporting, que a nossa política de contratações tem falhado sobretudo em adquirir alternativas fiáveis aos nossos melhores titulares. O nosso onze base de 2013/2014 até 2016/2017 era praticamente o mesmo: Rui Patrício manteve-se e quem o substituia nem sempre o fez da melhor forma. Cedric saiu e Schelotto ou João Pereira não estiveram à sua altura. Jefferson esteve na esquerda, substituído por Marvin na última época. Nos centrais, passámos de Rojo/Maurício para Maurício/Sarr ou Tobias, e depois para Coates/Semedo. No meio-campo William e Adrien mantiveram-se, enquanto João Mário tirou o lugar a André Martins e Gelson a Carrillo. Na frente, Slimani e Fredy Montero mantiveram-se, com Teo pelo meio a espreitar. Ano passado Bas Dost rendeu Sli na frente. Em traços gerais foi essa a evolução do plantel em quatro épocas. Tirando a entrada de Coates ou Bas Dost, creio que não tivémos mais nenhum upgrade de qualidade dos jogadores. Gelson Martins e João Mário vieram na formação, pelo que nestes casos não podemos falar de "aquisições". E mesmo Bas Dost não é propriamente um "upgrade", mas sim uma manutenção de qualidade face a quem substituiu.
Esta época tem sido muito diferente. Nas laterais podemos por em questão a disponibilidade física de Coentrão ou a qualidade de Piscinni (que até tem subido de rendimento), mas defensivamente estamos melhor que nos últimos anos. No meio-campo contratámos dois verdadeiros reforços - Battaglia e Bruno Fernandes. Para as alas adquirimos Acuña e mandámos regressar Iuri. Na frente, Doumbia tem-se revelado uma boa alternativa a Bas Dost. Falta ainda André Pinto, que verá a sua hora chegar assim que começarem os castigos aos nossos centrais, e o Bebeto Júnior, que espero ver já na Taça CTT "reclamar" por uma oportunidade no onze para o campeonato. Ristovski idem.
Escrevi algures entre as eleições de Março último e o final da época passada, que precisávamos de um director desportivo a sério. Octávio Machado chegou com um objectivo que praticamente se esfumou na primeira época que aqui esteve. Tínhamos de ter algo completamente diferente. Não mais um papagaio para mandar larachas para a imprensa ou fazer cara feia no banco de suplentes. Mas, entre outras coisas, ajudar à definição de uma política de contratações incisiva, com igual competência para efectivar contratações "complicadas". 
Se há palavra que ajuda a definir a política de contratações do Sporting desta época, é COMPETÊNCIA.  E não estou a falar apenas da qualidade dos jogadores. Refiro-me também ao timing (quase todos antes ou logo no inicio da preparação), bem como do esforço negocial nos casos onde aparentemente houve mais dificuldades, como com Doumbia. 
Confesso que não conheço bem a estrutura directiva do nosso clube. Sei que Carlos Vieira faz parte da área financeira, Vicente Moura era das modalidades até sair e que André Geraldes assumiu a parte da direcção desportiva do nosso futebol profissional. Ou, como agora se chama, o seu team manager. Desconheço qual a essência desta nova nomenclatura, mas acredito que seja basicamente a mesma do clássico "Director desportivo". 
A mudança de paradigma da nossa política de contratações coincidiu com a chegada de André Geraldes a team manager do nosso futebol profissional. No passado, prespectivando-se que seria ele a ocupar o cargo de Octávio, tive dúvidas de que a sua escolha fosse a mais acertada. Não sei bem se realmente a construção do plantel actual foi obra sua, mas sendo - como parece que é - apenas me resta engolir as minhas anteriores dúvidas e saudar o nosso presidente pela humildade em delegar essas competências no seu director, bem como a clareza de escolher essa pessoa para o cargo. E que no final da época possa alegremente dizer que André Geraldes "Foi a pessoa certa para o lugar certo!". 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Descer do Olimpo e aterrar em Alvalade, focadíssimos em vencer!

Depois da grande exibição e vitória alcançada na Grécia, é tempo dos nossos jogadores descerem do Olimpo onde estiveram estes dias e colocar os pés bem assentes na terra. Vem aí uma das nossas bestas negras, especialmente quando jogamos no nosso estádio: o Tondela.
Estamos a fazer um excelente campeonato e a nossa entrada na Liga dos Campeões não podia ter corrido melhor. E face às paupérrimas prestações de benfica e porto na LC, ainda mais os focos estão virados para nós. Neste momento somos a equipa portuguesa que melhor futebol joga, que tem o plantel mais completo e o treinador mais competente. E isto significa, também, que somos os alvo a abater no momento.
Na Liga dos Campeões, infelizmente é uma questão de mais jogo, menos jogo, sairmos pela primeira vez derrotados. Os nossos rivais estão desejosos que a nossa equipa escorregue, para assim aliviarem a pressão mediática que se lançou sobre eles. Enquanto o nosso jogo com o Barcelona não chega, temos dois confrontos importantíssimos para o campeonato. E como alguém do futebol disse, o próximo jogo é sempre o mais difícil.
Há duas épocas atrás, o Tondela ajudou a enterrar uma época que tinha tudo para ser de sonho. Estavamos a jogar um bom futebol, éramos a melhor equipa do campeonato e tínhamos vantagens pontuais confortáveis sobre os nossos rivais. Facilitámos na abordagem a esse jogo, a arbitragem fez o seu trabalho de manipulação e os dois pontos perdidos teriam sido suficientes para termos sido campeões nacionais. Na época seguinte, recebemos o Tondela à oitava jornada, mas aqui as coisas não estavam a correr tão bem. Na jornada anterior haviamos cedido aquele incrível empate 3-3 em Guimarães e na véspera perdemos em casa com o Dortmund. E equipa tremia por todos os lados, o bom futebol teimava em não aparecer e bastou apanharmos uma equipa com um sistema ultra-defensivo para bloquearmos. O Tondela inaugurou o marcador e não fosse Campbell já nos descontos, teríamos sofrido uma humilhação ainda maior no nosso estádio.
Este ano estaremos ao nível do que estávamos em 2015/16. Praticamos bom futebol e estamos na frente do campeonato. Há dois anos JJ facilitou (o Tondela estava em último lugar) e lançou Ewerton no jogo, sem ritmo de competição. A equipa entrou em jogo sem velocidade e foi surpreendida pela forma aguerrida como os tondelenses entraram. O penalti e expulsão de Rui Patrício ajudaram a complicar um jogo que, em situação normal, teria sido facilmente vencido por nós. A dualidade de critérios de Jorge Ferreira fez o resto.
Por isso é importante que Jorge Jesus encare este jogo da mesma forma que encarou o jogo na Grécia: focado nas debilidades do adversário e apostando em golpeá-lo logo nos momentos iniciais da partida. Ao nível das nossas entradas em Guimarães e em casa ante o Estoril. E caso o resultado atinja um fosso mínimo de 2 ou 3 golos, então sim fazer a gestão do esforço da equipa, evitando manter em campo jogadores demasiado fatigados. Pepa e alguns jogadores do Tondela já prometeram fazer um grande jogo em Alvalade, de grande intensidade. Provavelmente, apostarão tudo em 1) retardar ao máximo o primeiro golo do Sporting e 2) mesmo em desvantagem, aproveitar a nossa fadiga/desligamento nos últimos 20 minutos de jogo para tentar equilibrar a partida. Daí a importância de uma entrada forte nossa em jogo, traduzida em golos, e uma gestão inteligente de esforço na 2.ª parte que impeça os sobressaltos sentidos nas últimas partidas.
O Tondela virá a Alvalade, como de costume, disposto a comer a relva toda. Jogarão com o autocarro à frente da baliza e um ou dois corredores lá na frente para explorar as nossas subidas. Tacticamente, acredito que seja menos complicado marcar golos a este Tondela do que ao Feirense, por exemplo. Em Santa Maria da Feira, principalmente na 2.ª parte, mostrámos que também sabemos abrir espaços contra equipas "certinhas". Velocidade nas alas, acutilância no corredor central, não inventar nas bolas paradas. E muita fome de vencer, para vingar os últimos resultados dos beirões em Alvalade. Seja em fato de gala, seja com fato de macaco.
Para o campeonato, depois do Tondela, iremos jogar ao Moreirense e receberemos o porto, antes de nova interrupção do campeonato por causa das selecções. É importante chegar ao jogo com o porto com os 21 pontos somados. Em casa, com um pleno de vitórias para o campeonato, teremos motivação mais do que suficiente para batermos os andrades no nosso estádio. 
Sábado é dia de esfolar o borrego. Mais um nesta época. 

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A matança dos borregos continua!

Este ano andamos a matar borregos atrás de borregos. Ontem matámos mais um: vencemos fora para a fase de grupo da Liga dos Campeões, o que já não acontecia desde 2008!!! E em tempo de matar borregos, vem aí mais outro, daqueles gordinhos que até irritam como nunca o conseguimos matar antes: vencer o Tondela em Alvalade!
O jogo de ontem poderia ter sido histórico, pois uma vitória de 5 ou 6 golos fora, ainda por cima quase todos marcados na primeira parte, é sempre algo de valor numa competição como esta. E quem diria que o nosso Sporting, que ainda há uns 3 anos não conseguia vencer fora o Maribor, chegava a um dos estádios europeus mais complicados e impunha um futebol de classe.
Como disse na minha antevisão, se quiséssemos sonhar com algo mais do que o 3.º lugar no nosso grupo da LC, tínhamos de ganhar ontem. Agora tudo é possível e parafraseando o já falecido José Torres, "deixem-nos sonhar!". O Barça, como se viu ontem, está a voltar ao nível que nos foi habituando nestes últimos anos. Aqui será praticamente impossível sacar pontos. Resta-nos esperar por dois jogos fabulosos ante a Juventus e... que o sonho se torne realidade.
A exibição na Grécia seria imaculada caso os últimos minutos do jogo fossem apagados. Não foi isso que tirou o brilho da nossa exibição, mas deixou um travo amargo na boca. Jorge Jesus disse, e com razão, que para competir na Liga dos Campeões não podemos relaxar com tanta auto-confiança. Da mesma forma que no ano passado fomos atraiçoados em Madrid nos últimos minutos, também na Grécia passámos por calafrios finais desnecessários. Há que incutir na cabeça dos jogadores que os jogos só estão ganhos depois do apito final do árbitro e não antes. A tremideira que se tem sentido nos últimos jogos tem de desaparecer de vez.
E porque temos tremido tanto na parte final dos jogos? Temos entrado bem, pressionando e marcando cedo. Ainda há bem pouco tempo os sportinguistas se queixavam que dávamos sempre 45 minutos de avanço ao adversário. Nestes últimos jogos, salvo o jogo com o Feirense, não tem sido assim. Entramos fortes, marcamos golos e criamos oportunidades, sem deixar jogar o adversário. Pelo que me apercebo, há jogadores que quebram fisicamente apartir dos 70 minutos. Bruno Fernandes, Acuña, Bas Dost ou até Gelson, acabam os jogos de rastos. Acho que JJ mexe tarde na equipa, por exemplo contra o Estoril e Feirense só mexeu quando já estávamos a ser sufocados. E não há necessidade para isso, pois temos no banco bons substitutos: Doumbia, Iuri, Podence (quando regressar), Bruno César e... Matheus Oliveira. Sem Adrien, perdemos alternativas de qualidade ao actual trio do meio-campo. Bruno César é competente, mas falta-nos algo mais. Pergunto-me se não estará na altura de começar a dar minutos ao Bebeto junior, para vermos se temos ali alternativa credível. Também temos Petrovic, é certo, mas para posições mais recuadas. Precisamos de mais alguém no miolo, que saiba segurar a bola e pautar o jogo.
Por fim a lateral esquerda. Dos últimos 4 golos sofridos, 3 tem a Jonathan Silva envolvido. Não estou a dizer que a culpa é só dele, mas sim que o nosso lateral canhoto não está de momento a dar a segurança defensiva necessária à nossa equipa, principalmente em alturas onde devíamos ter o jogo controlado. Caso Coentrão continue lesionado ou se venha a constatar que não tem condições para jogar assiduamente ao longo da época, acho melhor que comecemos a procurar alternativas dentro do plantel (adaptar Ristovski à esquerda? voltar a insistir em Bruno César? Equipa B?) ou de fora.
Sábado jogamos com uma das bestas negras de Alvalade nos últimos anos. Irrita-me a forma desinibida como o Tondela, que leva de tudo e todos, chega a Alvalade e come a relva para nos vencer. Se há jogo onde temos de golear, é no próximo. E sem arrepios no final.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O VAR: entre o Estado Lampiânico e o Sistema, nós!

Quinta jornada, quinta vitória. Podia ter sido um jogo com história simples, do género "má primeira parte, mas segunda parte de nível embala leão para mais uma vitória". Mas não, sportinguista que se preze não se contenta com vitórias fáceis. E lá tivemos nós de entrar em modo "hara-kiri" nos últimos momentos do jogo, para depois sim, ganharmos mais um jogo "à Sporting".
O Feirense é uma das equipas mais complicadas da Liga, principalmente a jogar em casa. Faz parte do mesmo lote de Chaves, Estoril ou Marítimo. Equipas pequenas, com orçamentos limitados, mas tacticamente muito certinhas e com filosofias de jogo que vão muito além do autocarro. 
Adeus Santa Maria da Feira, olá Atenas. Amanhã jogaremos uma importante cartada na Liga dos Campeões. Ainda é o primeiro jogo, é certo, mas para sonharmos com algo mais do que o terceiro lugar neste grupo, qualquer deslize é o seu fim. Uma vitória amanhã deixa-nos logo na frente da luta pelo terceiro lugar e abre-nos excelentes prespectivas para tentar o segundo lugar. Uma derrota praticamente nos arreda da luta pelos primeiros lugares do grupo, restando-nos ombrear com o Olimpyakos por um lugar na Liga Europa. O empate, como este jogo é fora, não será mau do ponto de vista da luta pelo terceiro lugar. Mas deixa-nos com pouca margem de manobra para mais.
Sejamos realistas, para passarmos aos oitavos de final da Liga dos Campeões, teríamos de fazer pelo menos 9 pontos (o benfica passou com 8 no ano passado e a Roma com 6 há dois anos, mas são casos muito raros). Isso implica obrigatoriamente vencer os dois jogos com o Olimpyakos e ganhar pelo menos um jogo a Juventus ou Barcelona. Por isso, amanhã, se quisermos fazer história nesta competição, só há um resultado possivel: a vitória.
Olhando novamente para a competição interna, vimos entretanto como os discursos se vão ajustando às necessidades. E convêm que os sportinguistas estejam atentos a estes "sinais dos tempos" e não deixem que lhes façam o ninho atrás da orelha. É que já vi alguns sportinguistas a alinhar nos discursos dos nossos rivais, o que sinceramente não me agrada.
Vamos por partes. O Al-Carnidão, como já se esperava, usou a sua última vitória in-extremis para atacar o VAR, usando como de costume a sua típica basófia e fanfarronice. Diz a cartilha que afinal o benfica não só não perde pontos com o VAR como até os garante. Nada de mau por aqui, pois eu prefiro estar dois pontos à frente sem espinhas do que quatro pontos com calimeros em choro compulsivo. Mas dois pontos são dois pontos, e o Estado Lampiânico lá começou com o seu típico trabalho de ameaça e coação, como a entrevista de Luis Bernardo ao Record. E mais se seguirá nos próximos dias, estejam atentos.
A novidade vem do velho "Sistema", que após a vitória do benfica desatou num ataque cerrado ao VAR. Basicamente a narrativa portista é que o VAR não serve para nada, pois o benfica continua a ganhar com marosca. Este discurso é perigoso, e para mim não é nada inocente. Quem está no poleiro do futebol nacional obviamente que não quer que estejam sempre em cima dele a escrutinar o seu trabalho. O VAR, com todos os seus defeitos, é uma arma de escrutínio e estamos bem melhor com ele do que sem ele. Não sei se o Sistema estará já preparado para tomar de assalto o nosso futebol, ou se o EL está já tão enfranquecido que se deixe derrotar. Mas que esta conversa de desvalorizar o VAR já está a ser lançada com o alto patrocínio dos baluartes andrades, isso está. E quando vejo sportinguistas a amplificar essa desvalorização, alinhando na conversa de um dos nossos rivais, fico preocupado.
Em Portugal, o VAR está na sua primeira época de implementação. O projecto é ainda isso mesmo, um projecto. Precisa de ser estudado, analisado e alterado naquilo que melhor servirá o desporto. Tenham lá a santa paciência, mas um fora do jogo mesmo de um milímetro é um fora-do-jogo. E continua a ser fora-do-jogo dependendo do entusiasmo (ou falta dele) do video-árbitro. Não nos percamos em truques comunicacionais ou clubites mal amanhadas. Foquemo-nos só e apenas na verdade desportiva e em contribuir para a sua valorização. Conversa de lobos com pele de carneiro, não obrigado!

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Eu Show Bruno

Ponto prévio: É por demais claro e evidente que o nosso actual presidente tem sido maltratado um pouco por todo o jornalismo lusitano. Tudo é pretexto para o atacar, denegrir e enxovalhar, como por exemplo inventar suspeitas de violência doméstica sobre a sua ex-mulher. Impunha-se portanto uma atitude forte, incisiva e esclarecedora da sua parte. E não é de agora, já é de há muitos anos.
As recentes decisões do conselho de disciplina da FPF também tem sido, no mínimo, polémicas. Não me vou alongar por aqui, refiro apenas o recente caso do túnel. Todos viram quem começou, quem provocou, quem prevaricou. A pena daqui resultante para o nosso presidente é absurda. O mesmo conselho de disciplina que pariu tal decisão foi o mesmo que, perante uma nítida agressão de um jogador de futebol a outro colega de profissão, encolheu os ombros e virou costas. Actualmente este é o estado do nosso futebol: um nicho de oportunistas que querem sacar o máximo com o mínimo esforço possível, acompanhados de cobardes que se encolhem perante o poder estabelecido, perante a passividade do poder político e judicial. Impõe-se hoje mudar este estado de coisas.
As notícias, o burburinho, o rumor, que sempre se levanta em torno do Sporting, não é inocente. Tem uma fonte bem definida e colunas que ampliam esse ruído. Vejamos por exemplo as recentes transferências de Adrien, Mitroglou e a não transferência de William Carvalho. Sobre Mitriglou foram levantadas suspeitas e insinuações graves por parte de um agente de futebol, que até poderão configurar gestão danosa por parte do actual presidente do benfica. Veja-se no entanto sobre quais transferências se tem posto o foco mediático. Junte-se a isto a recente saída de Nuno Gomes da pasta ligada à formação encarnada, sobre a qual nada de relevante se ouviu pela mídia portuguesa. O mais pequeno rumor sobre o nosso clube é chafurdado até à exaustão pela painelagem futebolística. A mais bombástica revelação sobre o nosso clube do lado é imediatamente abafada e remetida para o esquecimento.
O espaço de Bruno de Carvalho na Sporting TV é, por isso mesmo, importante. É um espaço mediático qb, com a vantagem de ser amigável, pois é dentro de sua casa. Mas da mesma forma que as atordoadas no Facebook acabaram por ser infrutíferas, pois o protagonista banalizou a sua utilização, também o tempo de antena na Sporting TV correrá o mesmo risco de se transformar numa manifestação pífia, caso não seja usada com a devida parcimónia.
O que se passou ontem não foi uma entrevista esclarecedora, focada e incisiva. Foi um circo.
Li hoje na nossa blogosfera que deveríamos prestar mais atenção ao conteúdo do que à forma. Estou de acordo. E o conteúdo do espectáculo de ontem até foi interessante. Desmontaram-se as incríveis decisões dos órgãos federativos. Bruno prometeu que os responsáveis pelas más decisões pagarão por elas nas devidas instâncias. O homem que lutou contra os fundos, que promoveu a adopção do VAR, que introduziu as milionárias cláusulas de rescisão nos contratos, que construiu o pavilhão João Rocha, que negociou com a banca melhores condições para o nosso clube, afastando o fantasma da falência, prometeu levar a justiça futebolística às instâncias judiciais civis. Eis Bruno de Carvalho, o homem que transforma causas perdidas em causas ganhas.
Mas a forma como tudo isto foi apresentado não pode ser afastada ou negligenciada. Estamos no século XXI, onde a imagem, as estratégias de comunicação e o impacto mediático ditam as regras. É assim tão difícil perceber isto, PORRA?!?!?! Nos próximos dias os painéis de opinião irão passar horas a fio a discutir a discutir as "nalgadas no Serpa", o "paizinho do Joel", "o casaco pele de camelo do Bruno", etc., etc., etc. Do essencial pouco se falará.
Depois do que se passou ontem, Meirim provavelmente patrocinará outro castigo exemplar e inédito em Portugal sobre um dirigente desportivo. Aposto em mais de um ano de suspensão. Curiosamente as coisas dentro de portas tem corrido bem nestes últimos 3 meses, precisamente enquanto tem durado os últimos castigos a Bruno de Carvalho. Se é coincidência ou não, não sei. Mas que o tempo parece estar a ser melhor aproveitado pelo nosso presidente, lá isso parece. E se o preço para continuarmos na senda dos resultados desportivos positivos é o silêncio de quem nos dirige, intermediado por estes momentos de comédia, então que a coisa role assim até Maio. E depois sim, diremos todos que o homem é um visionário!

sábado, 2 de setembro de 2017

O Al-Carnidão volta ao ataque: o mercado de Agosto

Todos estarão recordados da feliz expressão que o grande sportinguista José de Pina inventou para a cartilha, o "Al-Carnidão". Pois bem, depois de algumas semanas escondido, eis que o Al-Carnidão nos volta a entrar pelas nossas casas, entoado até à exaustão. E desta vez os seus argumentos são tão absurdos e tão ridículos, que chega a ser doentio. Nem os benfiquistas mais sérios acreditam no que lhes tentam impingir, tal é a desfaçatez da narrativa inventada. E eu já vi a reacção de muitos nas redes sociais. 
Tudo começou com os últimos dias do mercado de verão. Basicamente os três clubes grandes de Portugal tiveram a seguinte prestação:
Clube X: Vendeu 4 dos seus titulares da época passada: o guarda-redes, o defesa direito, um defesa central e um avançado. Nenhum dos seus substitutos parece estar à altura de quem saiu, excepção feita de quem chegou para ponta-de-lança. Fez muito dinheiro com as vendas, é certo, mas o investimento no plantel ficou muito à quem desse valor recebido.
Clube Y: Vendeu vários jogadores, dos quais só um é que costumava ser titular: o ponta-de-lança. Substituiu-o no plantel por outros avançados que estavam emprestados e que tem vindo a fazer um bom inicio de campeonato. Compraram um guarda-redes, que deverá ser suplente.
Clube Z: Vendeu 4 jogadores que eram titulares: um defesa central, dois laterais e um centro-campista, que também era o seu capitão de equipa. Para os seus lugares chegaram jogadores que são actualmente titulares indiscutíveis, estando a equipa a jogar melhor futebol que no ano anterior. O investimento foi forte mas é compensado pelos ganhos em vendas.
Olhando para os três clubes, o X parece ter feito o melhor mercado, pelo menos em dinheiro. No entanto a qualidade do plantel formado parece, até agora, inferior ao que tinha antes. O clube Y mantêm a sua base, fazendo da estabilidade a sua grande arma. O clube Z perdeu o seu capitão, mas ganhou melhores jogadores para posições deficitárias no seu plantel, inclusivamente a posição onde estava o capitão de equipa. Os clubes X,Y e Z são perfeitamente identificáveis. Como também é perfeitamente identificável que dos três, foi o clube X quem ficou mais a perder neste mercado em qualidade. Como para o Estado Lampiânico é impensável o seu clube ficar atrás do que quer que fosse, urgia olear a sua máquina propagandista para distorcer a realidade, vendendo a ilusão de que o clube X tinha, afinal, sido o grande triunfador do mercado. E o clube Z o grande derrotado.
O Estado Lampiânico há muito que definiu o Sporting como alvo a abater. Quer pelo facto do nosso presidente ser muito crítico sobre a sua actuação, quer porque o EL ainda não se sente muito à vontade para atacar o Sistema. É um pouco como aquele fanfarrão lá da rua, que tendo medo do matulão do tamanho dele, tenta virar-se contra outro alvo mais vulnerável. É certo que a vulnerabilidade do Sporting já não é a mesma de há 3 ou 4 anos, mas ainda não estamos no patamar do porto. Temos conseguido e aprendido a defender melhor. Mas ainda somos o alvo. Resta-nos a consolação de que os ataques que nos fazem são cada vez mais ridículos e absurdos.
Escrevi aqui, algures no final da época passada, de que precisávamos de uma estrutura mais competente para o nosso futebol profissional, de modo a conseguirmos implementar uma política de contratações diferente dos últimos anos. O nosso scouting era o calcanhar de Aquiles da direcção de Bruno de Carvalho, pois eram poucas as nossas contratações que se conseguiam impor na equipa principal, com qualidade acrescida. Este ano assistimos precisamente ao contrário das últimas épocas, pois de quem entrou, poucos não se tornaram titulares de imediato. Com a agravante de que a qualidade da equipa e do futebol praticado subiu face aos últimos anos. Sem comparar com os nossos adversários, esta constatação bastaria, por si só, para reconhecer o bom mercado de verão do nosso clube.
Em relação a vendas, saíram 3 titulares cujo rendimento não parecia condizente com aquilo que queríamos para a equipa. Marvin, Schelotto e Rúben Semedo foram bem vendidos, rendendo quase 20 milhões em vendas. A quarta saída (a efectivar-se) será a mais importante do ponto de vista desportivo. Adrien Silva, além de capitão, era o dínamo do nosso meio-campo nestas últimas épocas, bem como da selecção campeã da Europa. Mas depois da novela da época passada, e atendendo à idade do jogador, era uma saída mais do que esperada. E pode-se dizer que a SAD tratou e bem de colmatar a sua saída, contratando um jovem promissor jogador, Bruno Fernandes, e o raçudo Battaglia. E veremos se a partir de agora, Matheus Oliveira não terá mais chances de mostrar o seu valor a JJ. Quanto a William, sobre quem cheguei a escrever um requiem em tom de despedida, a sua permanência é sem dúvida alguma uma mais valia para a nossa equipa. O West Ham era demasiado pequeno para a sua categoria, mas acredito que os ingleses lhe tenham acenado com um ordenado milionário, daqueles de dar a volta à cabeça, apostando mais em pôr o jogador a forçar a sua saída do que propriamente em discutir seriamente a sua compra com o Sporting. Esta forma de negociar já funcionou em tempos com o Sporting, basta-nos lembrar de João Moutinho. Mas agora já não é assim. William ficou, será o nosso capitão, e merece um trabalho específico para recuperar anímica e moralmente do mercado. E acredito que a nossa estrutura de futebol estará à altura de o fazer.
Este foi o mercado que tivemos, em termos genéricos positivos. Mas será que o Al-Carnidão dirá o mesmo sobre ele? Claro que não. Uma das nossas melhores contratações afinal tinha sido oferecida e recusada pelo benfica, que agora sim, vai apostar a sério na formação!!! Gabigol preferiu o benfica ao Sporting, porque o benfica é grande e não porque estes lhe vão pagar 40% do seu milionário ordenado. Jimenez não saiu e Garay e Gaitan não vieram porque o benfica não quis. Mitroglou não saía por 25 M€ mas saiu por 15€ (mais um pouco e Gabigol sairia tão caro como o grego). William, que afinal já era um trinco de classe mundial, é agora vítima de escravatura, pois o Sporting cortou-lhe as pernas. Até com Schelotto foram embirrar...
Mas isto não ficará por aqui. Nos próximos dias aposto que o presidente do West Ham continuará a ter tempo de antena para ir despejando as suas alarvidades. E não me admirava nada de que o pai do Gelson Martins viesse dar uma entrevista ou que se viesse a descobrir que o Sporting proibiu Acuña de treinar em Alcochete com cuecas vermelhas. Enquanto isso Eliseu continuará a espalhar classe pelos relvados, Vasco Santos apitará mais uns jogos e Gabigol será o novo fenómeno do futebol mundial, depois de Renato Sanches.

domingo, 27 de agosto de 2017

Como esfolar um borrego em quatro tempos

Primeiro foi Guimarães. Estádio tradicionalmente complicado para as nossas cores, em especial nos últimos dois anos. Em 2015/16 começámos aí a perder a liderança e na época seguinte, depois de uns 70 minutos muito bem jogados com 3 golos marcados, acabámos infantilmente por nos deixar empatar.
Depois o play-off para a Liga dos Campeões. Já não passávamos um play-off desde que ganhámos ao Beitar de Jerusalém, ainda no século passado. E também nunca tínhamos ganho na Roménia. 
Hoje, para finalizar, o fantasma do pós competições europeias. Tradicionalmente lidávamos sempre mal com as ressacas dos jogos internacionais, fruto mais dos nossos curtos plantéis do que por outro motivo esotérico. Foi sem dúvida a parte mais difícil do esfolamento que temos vindo a fazer ao borrego desde a semana passada. Parecia fácil, a coisa complicou-se e só não deu para o torto porque, felizmente, os tempos já são outros. No fim do dia a merecida festa: o borrego foi impecavelmente esfolado. Seguimos na frente com 12 pontos em outros tantos possíveis e com o apuramento para a LC garantido. Fechou-se um ciclo em beleza. 
Não vi como é que o Estoril levou 4 golos do porto. Mas o que vi hoje foi uma equipa aguerrida, bem arrumada no seu meio-campo, nada tosca a trocar a bola e com alguns jogadores interessantes para seguirmos neste campeonato. A meu ver, este Estoril tem tudo para ser uma espécie de revelação na primeira metade do campeonato, à semelhança do Rio Ave. Vai ser um osso duro de roer para os nossos adversários (não o foi com o porto porque deduzo que a equipa ainda não estava entrosada...). A este lote de equipas sensação, junto também o Feirense, que está a fazer um bom inicio de época. Com quem, curiosamente, vamos ter de jogar na próxima jornada. 
Este jogo contra o Estoril tinha alguns aliciantes, desde logo a qualidade do adversário e a gestão do cansaço da nossa equipa, que jogara 3 dias antes um importante jogo em Bucareste. O Sporting apresentava-se com algumas limitações: William continua na sua novela sai/não sai, Adrien veio tocado da Roménia, a maior parte dos nossos titulares estavam a acusar fadiga... 
JJ, a meu ver bem, respeitou a qualidade do adversário e mexeu o menos possível na sua equipa-tipo. Tirou Adrien e lançou Alan Ruiz. Mas a qualidade do nosso meio-campo ressentiu-se e não apresentou a mesma intensidade dos jogos anteriores. Ajudou termos marcado dois golos madrugadores e pudemos fazer gestão de esforço, mas o adversário soube sempre jogar com essa nossa gestão e foi tentando superiorizar-se ao nosso meio-campo. Tiveram algumas jogadas perigosas, que iam sendo destruídas pela nossa defesa. Na segunda parte entraram melhor e iam tentando empurrar-nos para a nossa baliza, mas a inspiração do nosso sector mais recuado, com Mathieu à cabeça, não deu grandes veleidades aos estorilistas.
A partir dos 70 minutos pareceu-me que o Estoril esgotara a sua capacidade para pressionar os nossos homens e que o resultado do jogo estava selado. Contudo, um excelente golo de Lucas devolveu a incerteza ao resultado final. Mas o Estoril não demonstrou arcaboiço físico para cavalgar sobre nós. Conseguimos ir segurando a bola e deixar o adversário longe da nossa área. Caso o fiscal de linha tivesse visto o enorme fora-do-jogo de onde resultou o final dramático do jogo, teria sido tudo muito mais tranquilo. Ou menos intranquilo. Felizmente este jogo foi em Agosto de 2017, pelo que o seu resultado final está condizente com a verdade desportiva.
Boa parte da nossa quebra na segunda parte resultou, como disse, da fadiga provocada pelo jogo da Roménia. Esta época temos mais soluções para a zona central, pelo que a ausência de Adrien, apesar de notada, não resultou em descalabro. Já a falha física de Coentrão sim. JJ precaveu-se para uma quebra de Piccini e deixou Ristovski no banco. Jonathan foi preterido porque, além de já lá ter 2 defesas, ainda tinha Bruno César. Bruno César desenrascou na esquerda mas teve muitas dificuldades a defender, numa fase em que Acuña, também em quebra, já não defendia. Pergunto-me se não teria sido possível lançar o único central no banco (Tobias) e meter Mathieu à esquerda. O problema aqui é que Tobias oferece menos garantias a central do que Bruno César a defesa esquerdo. A 4 dias do fecho do mercado, com o dinheiro da Champions e da (possível) venda de William, não deveríamos ir buscar mais um central de classe? É que se a actual dupla de centrais se desfaz, e há-de se desfazer por castigos ou lesões, não creio termos substitutos à altura, tal como temos no meio campo e até no ataque. 
Outras notas para Alan Ruiz, que tarda em mostrar-se no Sporting. A segunda parte correu-lhe melhor que a primeira, mas fez muito pouco. Bruno Fernandes esteve mais apagado, pese embora o excelente golo de livre que marcou. E é tão bom saber que temos um especialista em livres frontais à balizada. Mas não deixa de ser curioso que nas primeiras quatro jornadas já tenha visto mais cartões amarelos que Eliseu. Mathieu tem estado soberbo. Piccini hoje assinou um bom jogo. Battaglia continua a surpreender pela positiva, mas num jogo em que se está a ganhar 2-0, faz aquela falta para cartão amarelo no meio campo adversário, numa jogada inofensiva, indica que ainda tem ali muita coisa para aprender.
So far, so good. Agora venham as selecções, daqui a duas semanas há mais.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Alea Jacta Est - Parte II

Entre o muito mau e um assim-assim, calhou-nos um grupo mauzinho.
Era pouco provável que acontecesse mais algum alinhamento de estrelas como aconteceu no play-off de acesso à Liga dos Campeões, onde fomos manifestamente bafejados pela sorte. Nesta fase da competição, atendendo aos clubes que alcançaram a fase de grupos e à nossa posição no pote 4, era pouco provável que não nos calhassem pelo menos dois tubarões.
Longe vão os tempos onde chegávamos a este sorteio no pote 2, já a cair para o 3. Fruto de uma década perdida pelo nosso clube, no que toca a competições europeias, onde só aquela meia-final em 2012 destoou face às péssimas campanhas que levámos a cabo. Temos um longo trabalho a percorrer, se queremos voltar a uma posição de respeito na UEFA. Esperemos que este ano seja o início.
Juventus, Barcelona e Olympiakos.
Podia ser melhor, mas também podia ser pior. No cômputo geral foi um mau sorteio, pois será tremendamente dificil chegar aos oitavos de final da Liga dos Campeões. Mas há aspectos positivos que convinha reter nesta fase.
Desde o clube que nos calhou do pote 1. A Juventus é um dos tubarões europeus, sem dúvida. Mas não é um tubarãozão como o Real Madrid, Bayer de Munich ou o Barcelona de outras épocas (já lá vamos ao Barcelona). A "Velha Senhora" já foi em tempos mais poderosa do que hoje, um pouco à imagem do futebol italiano. Mas tem feito um trabalho de recuperação notável a nível interno, o que se reflecte nas competições europeias. A final da última edição da competição é a prova de que o clube está em crescendo. Mas ainda não está no topo dos clubes europeus. Não deixando de ser complicado, até pelo mau historial do Sporting com equipas italianas, não era o pior adversário possível.
Do pote 2 caiu-nos o Barcelona. Este sim, um tubarãozão. Era, junto com o PSG, do pior que poderia sair daquele pote. Não vale a pena referir tudo o que de mau advém de nos ter tocado este adversário. Vale a pena sim referir que provavelmente este será o pior Barcelona dos últimos anos, logo aqui até podemos reivindicar alguma "sortezinha". O Barça entrou mal na época, sendo batido pelo seu rival de Madrid na Supertaça. Mas sim, estamos a falar de dois jogos contra a actual melhor equipa do mundo. E da mesma forma que na semana passada eu disse que o Sporting não tinha estofo de Champions, também daqui a um mês, quando recebermos o Barcelona, podemos já apanhar o velho super-Barça do costume. 
Do pote 3 saiu-nos o Olympiakos da Grécia. Equipa que tem dominado o futebol daquele país, o Olympiakos será, à partida, o nosso principal rival na luta pelo 3.º lugar do grupo D. Aqui tivemos alguma sorte, pois evitámos equipas graúdas dos melhores campeonatos europeus. O Olympiakos é uma equipa aguerrida e as equipas gregas são terríveis sobretudo nos jogos em casa. Aqui sem dúvida que teremos que nos impor ao campeão grego, se queremos voltar a ter projecção internacional. Não será a nossa prova de fogo, mas será um marco importante a ultrapassar.
Outro aspecto positivo do sorteio é que calharam-nos equipas mediterrânicas no grupo. Evitamos assim longas deslocações à Europa Central e do Leste, especialmente em alturas de frio. O mais longe que teremos que ir é à Grécia, umas 3 horas de viagem. A viagem a Turim, talvez a mais fria das cidades onde teremos que ir, é em meados de Outubro, portanto ainda longe do Inverno alpino.
Quanto à cadência das jornadas, entramos logo no difícil ambiente do estádio do Olympiakos, onde teremos logo pela frente um bom teste às nossas capacidades. Um bom resultado na Grécia logo na primeira jornada, permitia-nos ganhar algum ascendente sobre o nosso principal concorrente dentro do grupo, além de moral para jogar contra Juventus e Barcelona. Preferia jogar primeiro em casa com a Juventus e fora com o Barcelona. A ordem é a inversa e só espero que no dia 27 de Setembro os catalães cheguem atordoados a Alvalade por um mau inicio de época em Espanha. Se isso acontecer, então acho legítimo os sportinguistas sonharem...
No dia 5 de Dezembro encerramos a fase de grupos em Barcelona. Espero que por essa altura já tenhamos o apuramento para a Liga Europa assegurado e, quem sabe, uma réstia de esperança para chegarmos aos oitavos da Liga dos Campeões. E esta esperança ainda houver, que nesse dia entremos em campo dispostos a vingar aquela eliminatória da Taça UEFA em 1986/87, ingloriamente perdida.
Como disse o nosso treinador, que os jogadores agora desfrutem a sua presença na fase de grupos da Liga dos Campeões, e que se inspirem para fazer coisas bonitas. E alegrias para nós! 

Alea Jacta Est

Na passada semana, após o empate em casa na primeira mão do play-off, escrevi aqui que àquela data, o Sporting não tinha estofo para a Liga dos Campeões. Aventei a hipótese de passado uma semana, a coisa já ser diferente. E foi. Duas vitórias, dez golos marcados e um golo sofrido depois, não estamos melhor do que estávamos a 15 de Agosto. Estamos muito melhores. Fruto da entrada de Bruno Fernandes no onze, da melhoria dos índices físicos de alguns jogadores e da continuação do nosso acerto defensivo.
Sobre o que se passou ontem à noite, aquilo que chegou a parecer ser um jogo "à Sporting na Europa", com uma boa entrada, o golo marcado fora, resvalando para um golo conssentido de forma estúpida até à tremideira no início da segunda parte, deu lugar a um jogo onde vimos coisas que já não víamos há muitos anos: golos em contra-ataque, vitória fora de portas na Europa e uma exibição digna das melhores campanhas europeias da nossa história.
Ontem, a equipa sobre juntar o bom futebol e a sua superior qualidade à sorte tremenda que teve no sorteio. Desde o quase impossível estatuto de cabeça de série, até ao próprio adversário em si. JJ disse, e bem, que agora é desfrutar o momento europeu e que logo se vê quem vem por aí. Face a uma das Ligas dos Campeões mais fortes dos últimos anos, onde encontramos equipas no pote 2, 3 e até no 4 ao nível de algumas do primeiro pote, só podemos pedir ao diabo que venha e escolha.
Se a nossa estrelinha se mantiver, pedia este grupo para poder sonhar com os oitavos de final:
Spartak de Moscovo
Sevilha
Besiktas ou Basileia
Sporting
Se a estrelinha se for embora, então ao menos que desfrute de jogos em Alvalade contra o melhor que essa Europa pode oferecer, que seria qualquer coisa como:
Real Madrid
Paris SG
Nápoles ou Tottenham
Sporting

Alea jacta est!!!!

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Jesus, o Mártir?

Tenho visto e revisto aquela famosa jogada de Eliseu, que entra a pés juntos sobre um adversário, sem dúvida alguma de forma intencional logo merecedora de cartão vermelho directo, mas que foi transformada pelo árbitro em falta a favor do benfica.
Essa jogada é uma antologia do que tem sido estes últimos campeonatos. Uma equipa que ainda na época passada jogou remendada, pois vários dos seus titulares estavam no estaleiro, conseguiu milagrosamente vitórias atrás de vitórias. Eliseu foi um desses jogadores repescados, pois Grimaldo passou boa parte da época lesionado. E a saga continua esta época. Causa assim alguma estranheza que o benfica remendado consiga tão bons ou melhores resultados do que a sua dita equipa principal. 
Vejamos o Sporting. Todos se lembram da tragédia que assolava a nossa nação cada vez que Adrien ou William Carvalho se lesionavam. Não tínhamos jogadores à altura de os substituir, logo as coisas tinham a tendência para correr menos bem. E nem é preciso ser um mestre da táctica para perceber isto, aliás a própria estatística ajudaria a confirmar tal coisa. Se são os melhores, é porque a equipa com eles consegue os melhores resultados. Os restantes até podiam fazer um brilharete num ou outro jogo, mas quando atingem o mesmo nível da melhor equipa, ou são "muita" bons ou então algo se passa. E quando percebemos que estamos a comparar Eliseu com Grimaldo, Fesja com Samaris, Bruno Varela com Ederson, Sálvio com Cervi, André Almeida com Nelson Semedo, etc. etc., mais convencidos ficamos que alguma coisa não bate certo.
Trago este tema à colação porque ainda esta semana ouvi a conversa do costume, de que o nosso treinador só quer saber do campeonato e está-se a borrifar para as restantes competições, Liga dos Campeões inclusive. Ou seja, JJ convence-se de que tem uma equipa apenas com 12 ou 13 jogadores capazes de render aquilo que ele gostaria que rendessem, logo para os proteger foca-se na principal competição interna. O resto é para ir dando uns chutos, uma espécie de jogos-treino a meio da semana. Esta época parece diferente, pois o plantel já oferecerá mais soluções do que nas últimas épocas, mas o estigma sobre Jesus continua lá. 
Esta semana li textos de sportinguistas a defender a adopção de um sistema "à Rui Vitória" ou seja, jogar sempre para ganhar, seja qual for a competição e o adversário. Até aqui tudo bem, o Sporting deve jogar sempre para ganhar. Em Guimarães, no meio de dois jogos importantíssimos para nós, jogámos com grande intensidade e as coisas correram-nos bem. Resta agora vermos se o que corremos sábado não fará falta para correr na quarta-feira. Veremos. Já o Steaua, por exemplo, deu-se ao luxo de descansar praticamente toda a equipa no jogo do campeonato. Se o Sporting tivesse jogado em casa com o Tondela ou com o Boavista, será que faria sentido jogar da mesma forma como jogou em Guimarães? Claro que sim. E essa abordagem era realista? Pois, aqui torço o nariz.
Jorge Jesus, fora aquela sua típica presunção e jactância, é um treinador experiente, que sabe de futebol. Não é um treinador de bancada, alguém susceptível às opiniões dos adeptos ou dos jornais. Ele sabe que o Sporting, como antes o benfica, entram em tudo para ganhar. E também sabe que é tudo muito bonito, mas o que o pessoal gosta mesmo é de ser campeão nacional. E entre apostar todas as fichas numa eliminatória ou ir gerindo os jogos do campeonato jogo após jogo, ele prefere a segunda. Foi assim no benfica e tem sido assim no Sporting. Daí que quando esteve nos nossos rivais nunca tenha feito grandes campanhas na CL. Ele sabia que para ter um benfica forte, capaz de internamente bater o pé ao porto, teria de ter todos os seus jogadores disponíveis para o campeonato. Isto é pragmatismo. Mas também é levar o futebol a sério.
Foi com Jorge Jesus à frente do benfica que o colinho encarnado começou a substituir o colinho azul. O seu último campeonato conquistado em Carnide foi assim ganho, já à custa de muitos jogos a jogar contra 10. Se Jorge Jesus quisesse, podia ter feito todos os jogos com os mesmos 11 jogadores, que era capaz de ter sido bicampeão na mesma. Jogando "à Rui Vitória". Mas JJ não gosta de jogar "à Rui Vitória". É demasiado fácil para ele. JJ ainda é daqueles treinadores à antiga, que gosta das suas equipas a jogar como se jogava nos anos 80 ou 90, sempre para o espectáculo que o resultado viria depois. Gosta de desafios tácticos e mind-games, mesmo que não tenha pedalada para eles. JJ gosta demasiado do futebol para tratá-lo como a farsa que é hoje. Daí que no seu último ano na Luz, em vez de se sentar comodamente no banco, mandar a equipa para a frente e esperar que os padres tratassem de tudo durante a missa, JJ tenha preferido levar o futebol com a seriedade que ele (não) merece. E se calhar até foi por isso que JJ terá saído do benfica em 2015, quando percebeu que já era indiferente para o clube quem era o seu treinador. E a coisa é tão simples como isto: imaginam Rui Vitória ser campeão com outra equipa e/ou outro campeonato? Pois...
Acabo este meu sucinto raciocínio com uma ideia, quiçá arrojada, de que no final de contas Jorge Jesus não é mais do que um mártir do actual futebol português. Mártir pela ingenuidade de ter acreditado que, só pelas suas tácticas, uma equipa foi bicampeã em Portugal. E pela ingenuidade de querer levar o futebol a sério, num país onde o futebol é de faz-de-conta. Um país onde o campeão nacional joga com Eliseu, Samaris e André Almeida a titulares. Mas onde o meio-campo do campeão da Europa não consegue ser campeão em Portugal. Um país onde uma agressão é transformada em falta contra o agredido.

domingo, 20 de agosto de 2017

E Jorge Jesus puxou dos galões

No meu último post pedi à nossa equipa uma resposta inequívoca e categórica à mini-crise que surgira na semana passada. Se querem ser campeões ou lutar até à última jornada para o serem, teriam de ir a um dos mais difíceis estádios do nosso futebol, onde ultimamente não temos sido felizes, e fazer aí uma actuação focada, objectiva, coroada por um resultado sem margem para dúvidas. Uma vitória sem apelo nem agravo.
Também pedi a Jesus que neste momento de alguma descrença das nossas hostes na equipa, ele estivesse à altura dos pergaminhos que diz sustentar, da cultura táctica que diz conhecer, do vencimento que aufere, e soubesse engendrar um plano para transformar o futebol frouxo e incipiente dos últimos jogos, numa máquina de futebol atacante e goleadora.
Não sei se Jesus lê o que para aqui escrevo. Mas sei que acusou o toque que a nação sportinguista lhe mandou nestes dias. Na sua conferência de imprensa de ante-visão deste jogo, salvo as habituais jactâncias, JJ defendeu a qualidade dos jogadores e disse que seria uma questão de tempo até a equipa começar a jogar futebol de "nota artística". Felizmente foi logo no dia a seguir. Uma alteração no onze, combinada com outras alterações posicionais, e eis um leão de cara lavada. JJ puxou dos seus galões de "catedrático da bola" e disse alto e em bom som aos sportinguistas: "Estamos cá! E estamos para ficar!".
Do jogo jogado, nem vou gastar palavras, pois todos viram o mesmo que eu vi. Bruno Fernandes em grande, Adrien a recuperar a sua melhor forma e já a jogar melhor que nos últimos jogos, Battaglia a evoluir, como se viu no passe que isolou Coentrão no nosso terceiro golo. Na defesa, Coentrão merece destaque pelo modo como está a evoluir de forma, os centrais estiveram impecáveis, e Piccini... bem, Piccini ia marcando um grande golo, mas depois entusiasmou-se e ia dando asneira. Mas OK, não vou bater mais no ceguinho. Bas Dost foi... Bas Dost. Os suplentes estiveram em bom plano, envolvidos no quinto golo da equipa. Antes, Iuri desperdiçou um golo cantado. O nosso extremo é claramente uma alternativa muito credível a Acuña, mostrando que quando são bons e estão em forma, JJ também aposta na nossa formação.
O jogo de Guimarães era ingrato, pois se um mau resultado poderia remeter-nos para uma crise escusada, a vitória, mesmo pelos números que foram, não deixa de dar apenas 3 pontos. Ganhar em Guimarães era importante pelo sinal que daria da nossa equipa, mas este jogo estava longe de ser decisivo. Já em caso de perda de pontos, poderia ser decisivo mas pelos piores motivos. Decisivo será sim o jogo de Bucareste. E aqui assume importância esta última vitória, pois liberta a equipa de algumas dúvidas que poderiam ter sobre sim mesma, além de que acalma os adeptos antes do importante encontro na Roménia. E hoje não haverá sportinguista à face da terra que não ache possível repetir a façanha em Bucareste. JJ já sabe qual é o caminho que tem que seguir. Agora é dirigir os seus jogadores por esse caminho.
Última palavra para a crispação que esta semana reinou entre os sportinguistas. Se criticávamos éramos sportinguenses, se não criticávamos éramos carneiros. Essa dicotomia é patética e não serve nenhum desígnio do nosso clube, apenas serve aos rivais. Acima de tudo temos de ter sentido crítico e temperamento nas críticas que fazemos. Na pré-época insurgi-me com a condenação que muitos sportinguistas já faziam à sua equipa, com base nos golos que sofríamos. Disse que era uma apreciação errada e que deveríamos dar tempo aos jogadores. Pedi sobriedade aos comentários, principalmente de figuras públicas, como Nicolau Santos. O próprio Nicolau Santos já veio reconhecer, 3 semanas depois, que precipitou-se no comentário que fez, sobretudo em relação a Mathieu. Na última semana assisti a algo parecido, o que demonstra que certas pessoas não aprendem. Realmente não fizemos bons jogos em casa contra Setúbal e Steaua, mas nada ainda estava perdido. Havia que esperar pela resposta da equipa, que veio ontem. E terá de ser assim nos próximos tempos. Não somos hoje os melhores do mundo só porque ganhámos em Guimarães, como não seremos uma porcaria se perdemos em Bucareste. O jogo de Bucareste é decisivo porque implica aceder a um cheque de quase 13 M€. Mas não é decisivo para o desempenho da equipa até ao final da época. Até ao final da época terá de ser jogo a jogo, vitória a vitória, golo a golo. Sem sportinguenses nem carneiros, só com sportinguistas.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

O Assalto ao Castelo

E eis que à entrada para a terceira jornada do campeonato, a nossa equipa e o nosso treinador já caminham sobre brasas! Mas haverá razões para o pânico que se instalou nestes últimos dias?
Temos 6 pontos em outros tantos possíveis, 3 golos marcados e nenhum sofrido. No play-off da CL ainda temos tudo em aberto, apesar de termos desperdiçado 90 minutos para conquistar algum avanço na eliminatória. Aparentemente este quadro parece-nos satisfatório, pelo que à partida nada indicaria que estaríamos agora numa mini-crise. O problema nem é tanto dos resultados mas sim do jogo jogado. Os últimos dois jogos em casa foram muito pobres em produção ofensiva, pelo que há motivos para nos sentirmos apreensivos. Os problemas defensivos da pré-época parecem ter sido resolvidos, pelo que agora o foco é outro.
Amanhã temos uma prova de fogo sobre o que vale realmente esta equipa, nesta fase da época. A deslocação a Guimarães, desde que me lembro, foi sempre complicada para as nossas cores. Salvo uma ou outra época onde até conseguimos golear, geralmente vimos-nos sempre aflitos para aí conseguir ganhar. Ano passado, um jogo que até ao 0-3 estava a ser um dos mais perfeitos da nossa época, transformou-me num pesadelo a 15 minutos do fim. Há portanto razões objectivas para temermos o jogo de amanhã e para entrarmos em campo com o máximo foco, ambição e vontade de ganhar.
O Vitória de Guimarães conhece o historial destas partidas, muitos dos seus jogadores ainda são do plantel que há 3 anos nos derrotaram por 3-0, há dois anos puseram-nos à mercê do benfica e no ano passado conseguiram aquele feito de empatar um jogo que parecia perdido. Tem ainda a motivação extra de já nos terem ganho esta época, mesmo que o jogo fosse a brincar. Por isso, quase que me atrevia a dizer que este era o pior jogo que agora nos podia aparecer pela frente. Ou não. 
Se queremos ser candidatos a conquistar este campeonato, não nos resta outra alternativa senão ir amanhã assaltar o castelo e desassombrá-lo de vez. Uma vitória, se possível coroando uma exibição categórica de domínio defensivo e atacante, afastaria a crise destas bandas e dava-nos moral para repetir algo do género em Bucareste. Perder pontos em Guimarães significará (muito provavelmente) ficar já para trás de porto e benfica, com a agravante que continuaríamos em crise, pelo menos até quarta-feira.
Jorge Jesus tem também amanhã a sua prova de fogo, de que merece mesmo o ordenado que aufere, que tem capacidade para sacudir a equipa numa altura em que ainda temos tudo para ganhar. Que consegue engendrar um bom plano B ou C se o A ou B empancam. E que consegue fazer com que os seus jogadores interpretem a sua visão do jogo. 
Não acredito que amanhã JJ mantenha o mesmo bloco médio e atacante que utilizou nos últimos jogos. William Carvalho já se sabe que não vai a jogo, por isso muito provavelmente Battaglia continuará a ser o nosso trinco. As precauções que Jesus tomou nos últimos dois jogos em casa, num contexto mais favorável, leva-me a acreditar que não será em Guimarães que apostará em Adrien a 6 e Bruno Fernandes a 8. Seria algo temeroso, até face à actual forma do nosso capitão. Mas não irá abdicar dele a 8, pela segurança defensiva que empresta à equipa. No ataque, Podence parece-me actualmente o elo mais fraco e deverá cair, restando saber quem avançará. E tanto pode ser Doumbiá, numa troca directa, ou apostar em Bruno Fernandes tal como fez contra o Aves. Esta última opção daria mais criatividade ao meio-campo mas deixaria invariavelmente Dost sozinho. Alan Ruiz a segundo avançado parece-me uma possibilidade remota, mas como JJ gosta dele...
O que os sportinguistas mais queriam para amanhã era uma vitória com exibição convincente. Que já víssemos mais bola na área do adversário, mais oportunidades de golo para o nosso lado, mais circulação de bola pelo meio, mais ligação entre-linhas. 
A última coisa que os sportinguistas queriam era ter de levar com uma crise já em Agosto. E pela militância que tem demonstrado nos jogos em casa e fora da equipa principal, no apoio às modalidades, na participação activa na vida do clube, não mereciam ter um princípio de época assim. Esperemos que todos, equipa, treinador, dirigentes, estejam à altura destes adeptos. E que o castelo seja tomado de assalto, sem apelo nem agravo!

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Os equívocos de Jorge Jesus. Os laterais. A segurança defensiva.

Após uma noite de sono bem dormida, passadas que estão 12 horas do final do jogo entre Sporting e Steaua, sinto-me mais capaz e com a cabeça mais fria para escrever sobre o embate de ontem. Sim, porque se tenho escrito isto logo após o final do jogo, corria o risco de me encerrarem o blog por excessivo uso de linguagem obscena.
Sejamos claros, directos e francos: a 15 de Agosto de 2017, o Sporting não tem equipa e futebol para ganhar ao Steaua de Bucareste, campeão em título da Roménia, antiga glória europeia do século passado, e uma das mais fracas (senão mesmo a mais fraca) equipas deste play-off. O que é que isto significa? Simplesmente que não temos estofo, cabedal, arcaboiço, para jogar numa prova como a Liga dos Campeões. Atenção que daqui a uma semana a coisa pode já ser diferente, e podemos já estar a praticar um futebol de nivel mais elevado. Mas hoje (ontem) não é assim. E temos de refletir sobre isso.
O Steaua de Bucareste apresentou-se em Alvalade como se apresentou o Vitória de Setúbal na passada sexta-feira e como se irão apresentar 99% das equipas que esta época ali forem jogar. Linhas baixas, meio campo a jogar compacto com o bloco defensivo e na frente um ou dois corredores para apanhar os chutões vindos de trás. Enquanto não percebermos isso, de que estamos destinados a jogar quase a totalidade da época com equipas assim, não vale a pena termos muitas esperanças sobre a presente época.
Jorge Jesus continua a ser Jorge Jesus. Mas não aquele que imprimia nas suas equipas características de rolo compressor, como se viu na primeira época que fez em Alvalade. Salvo um ou outra melhoria face à época transacta, continua a cair nos mesmos equívocos que resultam do seu autismo de não mudar o que só ele acha que está bem. Veja-se o caso de Adrien. O nosso capitão é uma das pedras fundamentais da equipa, quando está em forma. E nesta altura não está. Nota-se perfeitamente que no inicio das segundas partes já joga fatigado e ainda lhe falta clareza na maior parte dos movimentos. Parte da nossa incapacidade em construir jogo interior deriva da desinspiração actual do nosso capitão. E quando temos no banco um dos jogadores mais caros da história do clube, que na pré-época e nos jogos oficiais quando entra tem demonstrado capacidade para jogar naquela posição, pergunto-me porque razão JJ insiste tão sofregamente em Adrien?
Além da idiotice que significa usar os jogos oficiais para dar ritmo a Adrien, pois tal reflete-se no rendimento da equipa, JJ coleciona outros equívocos neste inicio de época. Jogar com Podence, neste momento, não se justifica. Podence simplemente não rende a jogar de costas para a baliza. Continuo a achar que nesta fase da época deveria ser utilizado em fases mais adiantadas do jogo, aproveitando o cansaço dos nossos adversários. Doumbia, além de ser um jogador já feito, tem melhores características para jogar no lugar de Podence. Tem mais presença na área e fisicamente é forte. Gostava de o ver jogar de inicio já em Guimarães.
Battaglia, não sendo mau, também não é muito bom. É "jeitozinho", desenrasca. Corre, luta, transporta, mas depois falta-lhe algo. Ontem, na fase final do jogo quando precisávamos de encostar o adversário às cordas, notou-se prefeitamente a sua incapacidade para acelerar o jogo. Com equipas de bloco baixo, jogar com um trinco clássico é um desperdício. E aqui, JJ tinha uma boa alternativa (isto se William não sair), que era pôr Adrien a jogar recuado, deixando Battaglia reservado para fases do jogo onde fosse necessário jogar mais em contenção. E Bruno Fernandes poderia assim assumir naturalmente a sua posição em campo onde rende mais, a 8 a distribuir jogo.
Fora da área dos equívocos, pois aqui ainda não há muitas alternativas, a questão dos laterais. Coentrão mesmo sem ritmo competitivo empresta mais qualidade ao jogo que Jonathan. Aqui todos esperamos que dentro de algumas semanas, Coentrão esteja finalmente pronto para jogar a todo o gás. Se não se lesionar. Quanto a Piccini, só desejo que Ristovski ganhe as rotinas de jogo tão cedo quanto possível. Ontem houve uma jogada sintomática daquilo que vale o jogador, aos 34 minutos. Gelson Martins está no lado direito do ataque, driblando 2 ou 3 adversários, no espaço entre a quina da área e a linha de fundo. O nosso prodígio, que mesmo sem fulgor físico é de longe o melhor do meio-campo para a frente, consegue no meio de tanta perna romena soltar para Piccini, que estava solto na quina da área. Piccini podia centrar de primeira, ajeitar a bola com o pé esquerdo e centrar logo com o direito, ou até rematar de primeira ou segunda à baliza. Mas não, recebeu a bola e congelou durante uma fracção de segundos, como quem pensa "o que é que eu vou fazer com esta coisa redonda, que me está a queimar os pés?". Não fez nada, recebeu a bola, parou, olhou e perdeu a bola. Piccini é isto, um lateral direito sem classe, que a atacar raramente sabe o que fazer à bola, senão soltá-la para Gelson ou enviar de biqueirada para dentro da área. A sua sorte é que como tem Gelson ao seu lado, que vai resolvendo despiques contra um ou dois adversários, acaba por disfarçar a sua clara falta de jeito para jogar em ataque. Tivesse Gelson a sorte de ter Cedric a jogar ao seu lado e outro galo cantaria naquele flanco. E Gelson não só tem de atacar sozinho contra 2 ou 3 adversários com ainda tem de vir atrás a correr para safar o seu colega de lateral. Não admira por isso que o nosso extremo chegue aos 70 minutos completamente estoirado.
Palavra final para a melhor coisa que se tem visto nestes primeiros jogos a doer, que é a segurança defensiva. Sem dúvida fruto do acrescento de Mathieu, bem como das características defensivas de Battaglia, além do trabalho colectivo de posicionamento em campo quando se defende. Apesar de não termos ainda enfrentado adversários que joguem em ataque continuado, jogos como estes correram-nos muito mal no ano passado. Mas em três jogos deveremos ter consentido tantas oportunidades de golo como ano passado num só jogo, o que é positivo. Ainda estamos na fase inicial da época e no ano passado por esta altura também tínhamos a nossa baliza a zeros. As próximas deslocações a Guimarães e Bucareste serão testes de fogo ao nosso jogo defensivo. Mas, neste momento, é onde eu e a maior parte dos sportinguistas se tem agarrado. A esperança de que a segurança defensiva consiga empurrar a equipa para exibições mais fulgorantes no ataque.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A estranha ironia do destino de William Carvalho

Certamente que muitos já não se recordarão, mas no final da época de 2012-2013, quem era o nosso trinco titular era um argentino de seu nome Fito Rinaudo. E era um dos jogadores mais queridos da massa adepta.
Foi por isso com algum espanto, eu incluído, que os sportinguistas se deram conta que o novo treinador do Sporting, Leonardo Jardim, se preparava para lançar um trinco desconhecido na época seguinte.
Oriundo das nossas escolas, William Carvalho passou por um curto desterro na Bélgica, num clube com quem tínhamos então um protocolo de colaboração, o Circle de Brugges. Não era dos nomes mais sonantes da nossa academia, como o eram na altura Mané, Dier ou Esgaio. Mas o luso-angolano franzino impressionou na pré-época e confirmou aquela velha máxima de que por vezes o melhor é mesmo estar no local certo à hora certa. O Sporting estava em risco de falência e não podia gastar euros em contratações, pelo que tinha-se de jogar com o que havia em casa. O nosso treinador era alguém a quem não lhe fez confusão esse tipo de contingências, pelo que apostou sem receio no desconhecido William Carvalho. Fosse uns anos atrás ou à frente, e muito provavelmente WC teria sido recambiado para outras paragens europeias ou para algum Rio Ave ou Boavista desta Liga, sendo hoje um jogador pouco mais que caceteiro. Mas as estrelas assim não o quiseram.
Lembro-me de logo na época de 2013-2014 recebermos o benfica em Alvalade, ainda no inicio da época, talvez Agosto ou Setembro. Muitos duvidavam que Leonardo Jardim desse ao miúdo a responsabilidade de ser titular num jogo dessa envergadura, apostando num regresso de Rinaudo ao lugar 6. Mas o miúdo não só foi titular como fez uma belíssima exibição, estancando o ataque encarnado e aproveitando para ir saindo de bola jogada ou em passe, já com aquele rodopio tão típico que ainda tem.
William acabou esse campeonato como uma das revelações da época, e foi premiado com uma justa convocatória para o Mundial de selecções no Brasil. Como é hábito nos jovens jogadores deste clube, a sua afirmação nas selecções foi muito a custo, pois teve de ombrear com esse grande jogador que era Miguel Veloso. Ou até André Almeida, de quem se dizia que era tão bom, tão bom, que até fazia uma perninha naquela posição. William não jogou muito, creio que só foi titular no último jogo, mas a experiência foi-lhe decisiva. No europeu de sub-21, disputado no ano seguinte, a sua qualidade e futebol impressionou todo o mundo desportivo, acabando por ser justamente eleito o melhor jogador do certame. A forma como, ao contrário de outros, não se encolheu quando lhe coube a tarefa de marcar o penalti decisivo na final, demonstra o grande carácter que tem. E nem mesmo o facto de ter falhado esse penalti abanou esse carácter.
Amado lá fora, odiado cá dentro. Não pelos sportinguistas, que o veneram, mas por todos os outros. Desde a lentidão, a lateralização, e outros "ãos" que lhe quiseram colar, a forma como levou Portugal à vitória do Europeu de 2016 acabou por ser a melhor resposta de WC aos críticos. Hoje, se bem que ainda muito a custo, já quase todos admitem o óbvio: William Carvalho é actualmente o melhor jogador português daquela posição. E do campeonato, pois se Fejsa também é bom, se calhar passa lesionado metade dos jogos que William Carvalho faz. 
Escrevo esta espécie de texto de despedida ainda sem saber se o nosso "Sir" sempre se vai mudar para o West Ham. Enquanto sportinguista fico triste, pois isso significa perdermos um dos nossos melhores jogadores de futebol, um dos nosso capitães, um exemplo de carácter e profissionalismo para as nossas cores e um grande desportista que ajuda sempre a enriquecer um campeonato como o nosso. Enquanto adepto do futebol português também fico triste pela sua saída. Mas fico ainda mais triste quando vejo que um dos melhores jogadores do nosso campeonato e da nossa selecção, um dos melhores do mundo naquela posição, irá, tudo indica, para um clube mediano de Inglaterra.
Penso que William Carvalho mereceria mais, mas talvez seja aqui que se costuma dizer que o "Karma é fodido". Da mesma forma que lhe caiu do céu aquela oportunidade para ser titular do Sporting, hoje William acaba por ser prejudicado por o Sporting não ter relações com Jorge Mendes ou fundos manhosos de jogadores. É a ironia do estranho destino de William Carvalho. O Sporting vende o jogador, e bem, por 30 e tal milhões de euros (a cláusula é de 45 M€, pelo que não sendo um grande negócio, não deixa de ser um bom valor). O jogador irá para um clube mediano, onde terá de dar muita corda às pernas para conseguir aí dar o salto para um grande de Inglaterra ou outro grande europeu. 
A William Carvalho desejo-lhe tudo de bom, e que o seu estranho destino o coloque novamente na rota de Alvalade, daqui a uns anos.

sábado, 12 de agosto de 2017

Defensivamente muito bem. A atacar ainda falta limar arestas

Como referi num posto anterior, não estava ontem à espera de uma exibição deslumbrante da nossa parte e até apostei que Jesus apresentaria o mesmo onze que apresentou contra o Aves.
Nas vésperas de uma importante eliminatória europeia, o jogo de ontem deixou-me algumas preocupações mas também alguma esperança. Preocupação sobretudo pelo que (não) se produziu na primeira parte. A equipa entrou pressionante, sempre com muita posse de bola no meio-capo adversário, mas as jogadas de golo limitaram-se a uma ou duas, lembrando muitos jogos da época passada. Outro aspecto negativo ontem, também da primeira parte, foi o recurso à marcação de bolas paradas com jogadas... de merda! Lembro-me dos cantos marcados à maneira curta que resultaram em perdas de bola infantis ou de um livre perigoso sobre a direita que também não deu em nada. Apesar de que nessa altura ainda faltava muito tempo de jogo, todo o estádio ficou com os nervos em franja perante tais falhanços. Temos este ano bons executantes de bolas paradas e bons cabeceadores. Porquê andar-se a inventar quando o caminho mais simples se calhar até é o mais eficaz?
Os motivos que me dão muita esperança para esta época é sobretudo a parte defensiva. Terceiro jogo seguido (segundo oficial) sem sofrer golos nem consentir jogadas de perigo. Ano passado, ao desperdício de golos na segunda parte ainda teríamos de adicionar umas quantas jogadas de perigo do adversário. É certo que a postura vergonhosa do Vit. de Setúbal em jogar com o autocarro também facilitou o trabalho defensivo, mas reparei que muitas tentativas de sair em contra-ataque por parte dos visitantes esbarrou nas nossas linhas. Terça-feira será fundamental não sofrer golos, pelo que as minhas expectativas, nesse campo, estão altas.
De resto, palavra positiva para Doumbia, cuja entrada agitou o jogo, apesar dos dois falhanços (um foi anulado por fora-do-jogo) incríveis na área. Bruno Fernandes entrou bem para o lugar do esgotado Adrien. Piccini muito melhor a defender que a atacar. Gelson praticamente tinha de fazer tudo sozinho, pois a bola parecia que queimava os pés do italiano. Mathieu impecável, para mim o melhor em campo. Rui Patrício acabou o jogo sem fazer uma defesa digna desse nome.
Ontem o jogo deu razão a JJ quando disse na semana passada que Podence ainda não tinha "passada" para jogar de inicio. Provavelmente contra o Steaua teremos Doumbia de inicio e Podence no banco, pois o nosso baixinho não fez ontem uma partida inspirada.
Por fim Battaglia. Neste momento um dos desafios da nossa equipa é adaptar-se à forma de jogar do argentino, muito diferente de William. Battaglia corre mais e prefere transportar a bola. É diferente jogar assim do que com um trinco mais pausado e que prefere passes longos. Se JJ conseguir essa adaptação, temos ali um jogador que nos será muito útil ao longo da época.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Não podemos vacilar!!!!

Quem tem acompanhado as minhas publicações neste blog, certamente já notou que sou um defensor determinado do video-árbitro. Mas também reparou que eu não deposito nele toda a esperança para o fim das maroscas no nosso futebol.
Sobre o lance do golo mal anulado ao Braga, vou partir do princípio que o erro de análise decorreu da falta de experiência de quem está no estúdio ainda tem no visionamento dos vários àngulos da jogada. De resto, diga-se em abono da verdade que o benfica também se pode queixar de uma grande penalidade que não foi vista pelo VAR. No jogo do porto houve um lance que me parece de penalti para o Estoril, cujo desenrolar da jogada daria no primeiro golo de Marega.
Creio por isso que ainda é cedo para criticar, mas fiquemos atentos. O benfica já leva dois jogos seguidos onde o VAR teve uma prestação insatisfatória. Veremos se foi um erro ou uma tendência.
O Sporting para já não se pode queixar ou entusiasmar, pois o nosso jogo na vila das Aves não teve casos de arbitragem. Aguardemos serenamente os próximos jogos e façamos o nosso trabalho bem feito. Todos os anos, em termos de tabela classificativa, ficamos 6 ou 8 pontos abaixo do que deeriamos ter, se não fossemos prejudicados pelas arbitragens (e também beneficiados). Se partirmos do princípio de que esses 6 ou 8 pontos serão este ano colmatados com a introdução do VAR (ou na pior das hipóteses 5 ou 6 pontos), "só" temos de garantir que esses pontos não sejam perdidos por azelhice nossa.
Lembro-me que há dois anos, apesar de termos sido puxados para trás, perdemos pontos inadmissíveis em casa com Paços de Ferreira, Tondela ou Rio Ave, e perdemos aquele jogo ridículo na Madeira contra o União. Ano passado também cedemos estupidamente pontos a Tondela e Braga em casa e Rio Ave fora, ainda na fase inicial do campeonato. Para sermos campeões não podemos empatar em casa com os Tondelas desta vida. E temos necessariamente de ganhar pontos nos confrontos directos com os nossos rivais.
Daí que o próximo jogo contra o Vitória de Setúbal tenha de ser para ganhar. Não peço uma exibição deslumbrante com goleada, que ainda temos jogadores a ganhar ritmo. Mas peço um jogo sério, focado e compenetrado. E tenho a certeza que se jogarmos assim, a vitória está mais que garantida, por muita vontade que os sadinos tenham em vir infernizar-nos a vida.
Depois temos mais dois jogos para o campeonato até à primeira interrupção. Vamos a Guimarães e recebemos Estoril, com o play-off da CL pelo meio. O jogo de Guimarães será, sem dúvida. o grande teste a esta equipa. É um campo dificil, contra uma equipa que se costuma rasgar toda para nos vencer, liderada por um treinador que se esfarrapa todo para nos ganhar pontos. Além de que temos aquela maldição dos jogos após as competições europeias, onde vamos sempre a baixo. 
Após o jogo contra o Estoril, se tivermos 12 pontos e a qualificação assegurada para a CL, temos tudo para sonhar com coisas boas nesta época. Isto porque a concorrência será cerrada. O porto está com o gás todo, e enquanto ele durar não podemos vacilar. Do lado do benfica fica-me uma questão por esclarecer: quantos golos sofrerão por jogo Varela, Almeida, Eliseu, Luisão e Jardel? Uma defesa destas aguentar-se-á mais jogos com nenhum ou só um golo sofrido?

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Entradas de leão

Como seria expectável, o Sporting entrou na nova época com uma vitória. Não fez uma exibição deslumbrante, longe disso. As notas artísticas ficarão para uma fase mais adiantada da temporada. Por enquanto urge ainda gerir a condição física, pois alguns dos nossos titulares ainda estão a recuperar a sua melhor forma. O que faltou em deslumbramento bastou e sobrou em sobriedade. A equipa jogou compacta, muito competente nos processos defensivos, evitando cavalgadas para a frente para não abrir espaços atrás. Jorge Jesus apostou na quebra física do seu adversário e na sua falta de entrosamento. A justificação de ter deixado Podence no banco para o lançar aos 60 minutos é aceitável. 
Como costume a nação sportinguista pegou numa exibição competente, com um resultado justíssimo, e dividiu-se na sua análise. Da minha parte, já o leram em cima, preferi realçar a parte do jogo colectivo, na segurança defensiva, do critério atacante e, com toda a justiça, da boa abordagem de JJ para este jogo. Já outros preferiram embirrar com a não titularidade de Podence, alegando uma futura desmotivação do nosso avançado, ou então com a forma conservadora como JJ abordou um jogo contra um adversário manifestamente inferior.
Sobre a não titularidade de Podence, duvido que tal já não tivesse sido trabalhado ao longo da semana, logo não acredito que o jogador tenha sido apanhado de surpresa. Adrien, mesmo tendo a sua condição física um furos abaixo da restante equipa, é sempre um jogador preponderante. Mesmo com um pé fora de Alvalade, também poderá haver aqui uma política de não desvalorizar um importante activo nosso, para manter o seu valor de mercado elevado. Bruno Fernandes, pelo que mostrou na pré-época, também teria o seu lugar no onze assegurado. Sendo expectável que Adrien apenas duraria 60 minutos em jogo, provavelmente Podence já saberia que entraria para o lugar do capitão. E, diga-se em abono da verdade, Podence ainda entrou a tempo de fazer uma boa meia-hora de jogo.
A abordagem ao jogo de JJ, que alguns consideraram medrosa face ao adversário, creio que foi a mais sensata e realista. Mais do que ninguém, o nosso treinador sabe qual é a condição física da equipa. Sabe também que se aproximam quatro jogos dificeis, onde os índices físicos dos jogadores terão de estar elevados. O jogo da próxima sexta-feira contra os sadinos será, à partida, mais complicado que este último, com a agravante que se realizará nas vésperas do jogo contra o Steua. Depois vem o Steua, a deslocação a Guimarães e novo jogo contra os romenos, em Bucareste.
Será que havia necessidade de lançar a carne toda no assador logo neste primeiro jogo? É certo que não criámos muitos lances de perigo na primeira parte, logo a estratégia poderia ter corrido mal. Mas JJ teve confiança suficiente na equipa para apostar que, mais cedo ou mais tarde, marcaríamos o nosso golo. Bem vistas as coisas, esta abordagem de JJ até foi mais audaciosa do que medrosa. Veremos como abordará os próximos jogos. Aposto que contra o Setúbal JJ manterá o mesmo onze, ou pelo menos as mesmas características. Correrá bem desta vez? Esperemos que sim.
Depois das depressões causadas pelos jogos na pré-época, alguém já reparou que não sofremos golos há dois jogos? Piccini ainda assustou, mas agora que chega o seu concorrente para a lateral direita, esperemos que a coisa melhore.
Foi o primeiro jogo, ganhámos a uma equipa inferior, não tivemos nota artística mas tivemos um colectivo compacto, não facilitámos e jogámos sempre focados no nosso objectivo. Ainda é cedo para tirarmos conclusões sobre o resto da época? É. Mas as primeiras indicações deixaram-me entusiasmado. Agora é manter o ritmo em crescendo, porque os próximos jogos vão ser fulcrais para o resto da época.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

O Facebook do Bruno

Ontem dei por mim estarrecido, quando li num qualquer post de uma qualquer rede social, que o Bruno tinha voltado a publicar no Facebook. Procurei imediatamente pela conta do nosso presidente, e após ter visitado as 400 páginas do FB cujo título contêm qualquer coisa como "Bruno de Carvalho" ou "Presidente do Sporting" sem ter encontrado porra de post algum, vim afinal a saber que essa publicação saiu no seu perfil privado, "aparentemente" usado por causa do Spotify, e cujo acesso e leitura está vedado aos seus amigos. Ou seja, um perfil que não é acessível ao público em geral, como são os perfis das celebridades ou como o próprio em tempos já teve.
Aquela velha falácia da pessoa que fala ou age enquanto cidadão e não do cargo que ocupa, ainda hoje é utilizada como desculpa ou subterfúgio para se dizer ou fazer asneiras e coisas parvas, que de outra forma eram inaceitáveis. Lembro-me que Mourinho dizia sempre aos seus jogadores para nunca fumarem em público, mesmo quando estavam fora do âmbito desportivo. Primeiro, porque os jogadores, enquanto desportistas, tem um papel exemplar a desempenhar na sociedade. Segundo, porque mesmo numa noite de copos no Urban ou num jantar romântico no Gambrinus, a figura dao cidadão anónima.o é indissociável do jogador de futebol que todos conhecem. Essa lição, que nos parece básica, aplica-se a Bruno de Carvalho e ao cargo que ocupa. Em 2017, Bruno de Carvalho e Presidente do Sporting são ambas a mesma pessoa, não há volta a dar. Seja no Facebook, seja quando em off-the-record diz que o João Mário é feio ou quando está sentado no banco de suplentes em dia de jogo, Bruno de Carvalho é sempre o presidente do Sporting. 
Dai que mesmo que tenha falado "apenas" para as poucas centenas de amigos que tem no Facebook, as suas palavras tiveram o eco que tiveram porque foram proferidas pela pessoa que ocupa o cargo que ocupa. E não, eu não gostei de o ter ouvido falar em "sportinguenses". Não é bonito referir-se assim a sócios e adeptos do clube que preside, por muita razão que tenha e por muito residual que aqueles sejam.
Disse aqui há já alguns posts atrás que esperava e desejava que o nosso presidente estivesse mais low-profile durante a próxima temporada. Os sinais estão a ser positivos, mesmo após o episódio Octávio Machado. BdC tem-se comedido nas intervenções públicas, a pré-temporada (histerias à parte) tem corrido bem, com contratações atempadas e aparentemente de melhor qualidade face aos anos anteriores, o regresso do voleibol, etc. Em sentido oposto, o nosso rival do outro lado da estrada tem passado tempos difíceis, dentro e fora do relvado. Se as coisas dentro do relvado ainda podem ser desculpadas porque ainda não são a doer, já fora a coisa não tem sido fácil. O #benficagate tem posto a nu as engrenagens do Estado Lampiânico, tendo o mais recente capítulo sido particularmente deprimente. Seja porque a narrativa das "claques que são sócios organizados" é má demais para ser sequer ponderada, seja porque finalmente o Kadafi dos pneus veio a público falar e estampou-se ao comprido (não sei o que foi pior, os pontapés no português ou a t-shirt preta), seja porque toda a história cheira claramente a protecção dos poderes públicos ao clube do povo, ninguém levou a sério a posição oficial do benfica. E estava meio-mundo entretido a "malhar" no presidente do clube do povo, quando de repente o nosso Bruno resolveu vir a público em modo privado e... lá ficou meio daquele meio mundo a discutir o que o presidente do Sporting disse e como o disse.
Tirando a parte final do primeiro parágrafo, creio que qualquer sportinguista se revê completamente no que o nosso presidente escreveu. Como se revê na sua luta contra o Estado Lampiânico, o Sistema, os fundos ou a nossa dívida. Assim como se revê na sua luta para mobilizar a onda verde, que voltou a invadir todos os estádios de Portugal. Já na forma como o faz, por vezes, começam a duvidar da sua eficácia. O discurso das nádegas, do Belfodil, da Bardamerda, da terceira escolha... Poderão-me argumentar que os fins justificam os meios, que o homem é pragmático e focado e eu até posso aceitar isso. Agora o problema é que cada vez que BdC resolve utilizar os seus meios para atingir os fins que pretende, é precisamente para esses meios que todo o foco é apontado, por mais nobres e altos que sejam os fins a que se destinam. Nicolau Santos foi infeliz ao escrever aquela patetice no Expresso? Foi. Isso justifica que o presidente do seu clube o rotule de "sportinguense", logo pondo em causa a sua qualidade enquanto sócio e adepto do nosso clube? Não! E pronto, quando todo o Portugal futebolístico deveria estar empenhado em desmascarar a hipocrisia lampiónica da relação do benfica com as suas claques, eis que o Bruno lá arranja mais outro factor de diversão para os Fernandos Guerras e Delgados desta vida explorarem.
O nosso clube tem um director de comunicação, que no caso em concreto das claques ilegais do benfica esteve muitíssimo bem (aquela foto do LFV com o cachecol...). No episódio do Nicolau Santos também reagiu, e a meu ver bem. Se temos uma voz autorizada a falar pelo clube, não compreendo porque motivo o presidente insiste em mandar a sua "posta de pescada". A cacofonia em que por vezes o meu clube cai, é de todo evitável. Vejam por exemplo a política de comunicação do porto. Creio que não estou enganado quando digo que todos os seus comunicados ou tomadas de posição são feitas de forma impessoal, não assinadas por uma pessoa em concreto. Tirando a divulgação os e-mails, onde Francisco J. Marques foi a cara visível da denuncia portista, raramente as tomadas de posição do porto são personalizadas. E compreendo hoje a sua razão: tal não desgasta os dirigentes. Da mesma forma que os dirigentes do benfica não falam, mandam falar. Era bom que puséssemos todos os olhos nisto. Especialmente tu, Bruno!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Balanços da pré-época

A uma semana antes do inicio oficial das competições, eis que voltamos a ser novamente candidatos a vencer a Champions League, fruto da última vitória da nossa equipa em Alvalade. 
Foi uma pré-época de altos e baixos. No Algarve começámos com um empate frente ao Belenenses, seguindo-se depois uma vitória na Suiça diante o Fenerbaçe. Quando alguns já viam o esboço de uma equipa galáctica, disposta a limpar tudo o que era troféu nos quatro cantos deste mundo, eis que duas derrotas frente a Marselha e Basileia nos lançou para um abismo profundo. O abismo durou uma semana e basicamente nesses dias ninguém prestava, desde o defesa direito, passando pelos pernetas do meio-campo, os marrecos do avançado, os tuberculosos dos defesas centrais, até ao Paulinho e à senhora da limpeza. A vitória em casa frente ao Mónaco devolveu-nos nova lufada de euforia, travada estrondosamente num jogo de experiências mal conseguidas em Rio Maior. Após nova fase de depressão, regresso às vitórias e à esperança de um bom arranque de época. Foi mais ou menos isto.
Pelo caminho, o tal que prefere sul-americanos aos "Manéis" de Alcochete, parece apostado em lançar Podence no onze base e Iuri Medeiros como opção válida nas alas. 
Está tudo bem? Claro que não. Era impossível estar tudo bem nesta fase da época. Mas salvo raras excepções, olhamos para os nossos jogadores, em especial para quem chegou este ano, e ficamos com a sensação que estão todos a evoluir, em fase de crescendo. Piscinni não é perneta, Coentrão e Mathieu não são tuberculosos, Bataglia não é marreco. E no dia 6 acredito que estarão melhor do que estiveram sábado passado.
Se para quem chegou estou muito esperançado que sejam bons reforços para a equipa, dos que vieram do ano passado tenho dúvidas de alguns. A começar em Alan Ruiz, que pela forma como acabou a última época parecia ter tudo para se afirmar este ano. Pelo que vi na pré-época, Alan Ruiz foi uma tremenda decepção. Lento, errático, sem acutilância, está neste momento a anos-luz de Podence ou até de Doumbia. É impossível continuar a insistir no argentino se ele não conseguir dar mais do que isto. E mesmo o melhor Alan Ruiz da época passada é pouco para um meio-campo/ataque de uma equipa com aspirações para conquistar o título. Pergunto-me se não seria melhor despachá-lo para outras paragens, uma vez que parece ter mercado à sua espreita.
Outros jogadores que vieram da época passada e que olho com alguma prudência são os nossos internacionais. Não que a sua qualidade esteja em causa, mas sim se não estarão já a caminho de outros campeonatos. O mês de Agosto vai ser longo e até às 24 horas de 31 muita água vai passar pela ponte. Do vejo, parece-me evidente que a relação de Adrien com o Sporting é de alguém que já se está a despedir e a fazer as malas para outro lugar. É perfeitamente justo para o nosso capitão, pois está no limite para dar o salto para um grande campeonato. Além de que acho que a sua ausência tem sido testada e com resultados aceitáveis na pré-época. Entre Gelson, Rui Patrício ou William, este último também se perfila na iminência de sair. O William da época passada não me deixa grandes saudades. Não foi o mesmo jogador de há dois ou três anos. Não vou aqui tentar adivinhar porque motivo na última época jogou de forma tristonha, por vezes apática ou cansado. Desse William não temos grandes saudades. Mas do William que corre, ganha bolas, lança ataques e passes longos, esse sim, faz-nos falta e não temos que o substitua à altura. Se William ficar mais um ano, espero que volte ao que era no primeiro ano de JJ no Sporting. É daquele tipo de jogadores que influencia qualitativamente uma equipa, para ser campeã. 
Uma última palavra para a pré-época realizada pelos nossos rivais. O benfica tem demonstrado o que já se esperava, dificuldades na defesa depois de ter perdido o seu guarda-redes, o lateral direito e um central. Quem está ou veio não tem claramente a qualidade de quem saiu, pelo que estou curioso de ver o impacto dessas mudanças nos seus primeiros jogos da época. Se o Vitória de Guimarães jogar da mesma forma personalizada como jogou contra nós em Rio Maior, prevejo grandes dificuldades para o clube do povo conquistar a Supertaça. E a estreia do campeonato diante do Braga também é algo que eu aguardo com muita curiosidade.
Do porto sobressai-se os bons resultados. Vitórias com muitos golos marcados e poucos sofridos, quase a antítese da nossa. Mas se nós, e até mesmo o benfica, tivemos adversários de nível igual ou superior ao nosso, o porto preferiu enfrentar equipas inferiores. Não é uma opção descabida, pois o campeonato é constituído, teoricamente, por 15 equipas inferiores ao porto. Além de que os resultados alcançados já criaram uma onda de entusiasmo junto dos seus adeptos, o que acaba por ter efeitos de galvanização da equipa. Tenho bastante curiosidade em ver o que vale este porto em jogos mais a sério, bem como da capacidade do seu treinador em conduzir aquele colectivo, correndo o risco de se Nuno-Espirito-Santizar.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Algumas notas sobre o jogo de ontem

Depois de no passado sábado termos estado perto de ser campeões europeus, eis que ontem voltámos a ser uma equipa que, com um bocadinho de sorte, ainda se conseguirá apurar para a Liga Europa da próxima época. Sim, porque vai tudo ser uma desgraça. Os guarda-redes vão ser vendidos, os defesas são todos uns pernetas, no meio campo vão sair o William e o Adrien e só lá vão ficar coxos e na frente escapa-se o Dost e o Podence. Vai ser assim a próxima época. Ou não.
No jogo de ontem, que foi obviamente um jogo de treino entre dois jogos que irão ser mais levados a sério (o último com o Mónaco e o próximo com a Fiorentina), deve ser olhado na estrita medida do que realmente foi: um treino, sendo que este foi à porta aberta e foi transmitido na TV. E como em qualquer treino de qualquer modalidade, houve coisas que correram de feição, outras nem tanto:
1) Jogar com três centrais: Sou muito céptico quanto à capacidade de termos uma equipa a jogar em 3-4-3 ou 3-5-2. Ontem foi mais uma prova disso, não tendo também ajudado o facto de não termos jogado com os "supostamente" melhores jogadores. Faltou Piscinni e Fábio Coentrão nas alas e o André Pinto ao centro. Apesar de tudo, prefiro que as experiências, por mais desastrosas que sejam, se façam nesta fase da época do que nos jogos a doer. Veremos se o JJ vai continuar a insistir neste esquema, já com os melhores jogadores.
2) Jogadores lesionados: Nesta fase da época era previsível que o físico de alguns jogadores começasse a quebrar. Picinni e André Pinto, pouco utilizados nos últimos meses, provavelmente ter-se-ão ressentido disso mesmo. Mathieu idem. E o próprio Fábio Coentrão não deverá escapar a uns dias de treinos limitados. Pelo que percebi, nenhuma das lesões é grave e resultarão precisamente da fadiga muscular dos treinos. Assim sendo, não será uma tragédia, como já vi por aí escrito. De qualquer forma, um jogo com uma equipa como a do Vitória de Guimarães nesta fase não seria o ideal para preservar a forma física do nosso plantel, mesmo que fosse previsível alinhar com as segundas linhas.
3) As nossas segundas linhas: Face a um adversário que fez alinhar um conjunto mais próximo do que será o seu onze titular no início da época, era previsível que sentissem bastantes dificuldades para impor o seu futebol. Pergunto-me até que ponto um jogo deste calibre é suficientemente motivador para as nossas segundas linhas. E até que ponto o resultado final não terá mesmo o efeito contrário, desmotivando em vez de motivar estes jogadores.
4) Coates: A sua expulsão é daquelas coisas estúpidas que, acredito eu, de volta e meia ocorrem nos vários treinos em Alcochete ao longo da época. A diferença é que este foi num jogo e daqui resultou uma expulsão desnecessária. Não sei se Coates ficará fora do jogo com o Aves ou se pode limpar o jogo de exclusão já com a Fiorentina. Mas que foi uma tremenda nabice do nosso central, concerteza que foi. Sem dúvida o pior aspecto que se retirou deste jogo de preparação.
5) A histeria colectiva, outra vez: como costume a blogosfera e as redes sociais amplificaram o sentimento apoclíptico e de desgraça que tem assolado os sportinguistas. Mas aqui apelo para que haja um pouco de bom senso por parte de quem tem a obrigação de manter uma certa sobriedade nas emoções. Não se espera que nesta altura da época os nossos comentadores (aqueles assumidamente sportinguistas) comecem já a gritar "Salve-se quem puder" ou "Fujam pelas vossas vidas". Há aqui um certo trabalho pedagógico que a posição deles obriga. Uma coisa sou eu, com algumas dezenas diárias de leitores, aqui vai dizendo. Outra coisa é alguém como Nicolau Santos fazer o artigo que fez hoje sobre o Sporting.  Fica-lhe mal tanta precipitação, vindo de um jornalista com responsabilidades num dos principais jornais de Portugal.