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quarta-feira, 10 de maio de 2017

De que valerá o video-árbitro na próxima época?

Com a tragédia de domingo, poucos se terão dado conta, ou se o deram nem tiveram tempo para o celebrar, das últimas alterações ao quadro competitivo do futebol profissional.
Uma das alterações, que significará a uma mudança radical na forma como vemos futebol, é a introdução do video-árbitro. A curto prazo provavelmente veremos o fim do fora-do-jogo duvidoso, as simulações dentro da área irão ser drasticamente reduzidas, as faltas dentro da área serão praticamente todas assinaladas e por fim saberemos se a bola ultrapassou totalmente ou não a linha de golo. É certamente o maior avanço civilizacional do futebol, desde que foram introduzidas as substituições e os cartões amarelos e vermelhos. E uma alteração destas originará necessariamente um futebol melhor, pois torna-o mais verdadeiro o honesto. Obviamente que o período inicial de implantação do video-árbitro terá de ser de adaptação, pelo que talvez as coisas não comecem logo bem, mas é uma alteração que tem tudo para melhorar por completo o futebol jogado.
Outra alteração que nos foi anunciada agora é a da publicação dos relatórios dos árbitros após o jogo que apitam. Aqui a medida ainda tem algumas arestas para limar, como o Mister do Café aqui descreveu. Mas a introdução do princípio em si é já de louvar, esperando eu que se estenda também ao relatório dos observadores. 
Eu por natureza sou um optimista, e acredito sinceramente no progresso da Humanidade, bem como dos mecanismos que ela própria cria para regular a vida em sociedade. No caso concreto do futebol profissional tuga, acredito que estes mecanismos para tornar os seus meandros mais transparentes resultarão num jogo mais limpo, onde o vencedor final será o que tiver mais mérito.
A concretização destas medidas é uma vitória de todos aqueles que nestas últimas épocas se bateram por elas, incluindo Bruno de Carvalho. Se na época passada estas medidas já tivessem implantadas, se calhar tínhamos sido campeões. E esta época teria sido também ela diferente, pois não nos podemos esquecer que em determinada altura, com arbitragens isentas, estaríamos numa posição mais confortável daquela para onde acabaram por nos relegar. É portanto uma vitória nossa, apesar dos defensores do video-árbitro que apareceram à última hora a apoiar o seu aparecimento.
De certo modo, nas últimas 4 épocas, nós sportinguistas temos verificado que as nossas classificações finais são um pouco fruto de decisões erradas de arbitragem. Mas também temos de admitir que, tirando a última época, a nossa equipa principal anda desfasada daquilo que os sócios e os adeptos esperam dela. O que aconteceu no último domingo, apesar de numa amplitude menor, tem acontecido amiúde nestas últimas épocas: em momentos onde precisávamos de espírito guerreiro, alma e coração leonino, temos claudicado. 
Não podemos atirar todas as culpas para cima da arbitragem, quando caímos no nosso próprio estádio perante uma equipa que vinha de sete derrotas seguidas. Ou quando não conseguimos ganhar jogos aos últimos classificados do nosso campeonato. Há perdas de pontos que simplesmente não podem acontecer, mesmo jogando contra 12 ou 14. Por exemplo, na época passada formos prejudicados em casa com o Tondela. Mas a forma como nos deixámos empatar nos minutos finais desse jogo é imperdoável. O video-árbitro pode evitar o escândalo que se passou nesse jogo, mas não evitaria as fífias finais do Ewerton e do Jefferson no golo do empate.
Temos neste momento a noção de que a próxima época ditará, à partida, resultados mais justos face à produção das equipas em campo. Por isso precisaremos de ter um plantel muito mais forte do que este, com a classe do de 2015/2016 e a combatividade de 2013/2014. É bom que Bruno de Carvalho e o treinador tenham perfeita noção disso. Para mostrarmos que com um bom plantel, ao nível ou superior ao dos nossos rivais, e sem manigâncias ou maroscas, temos perfeitas condições para sermos campeões. Ir na próxima época a jogo com uma coisa ao nível desta época, além de muito dificilmente conseguirmos ganhar algo, ainda seremos o alvo da chacota e daqueles profetas de pacotilha, que dirão algo como "Vêem como o vosso problema não era com os árbitros mas sim com vocês próprios???".
2017/2018 tem de ser o ano do leão. Temos de construir uma equipa que saiba ter a classe, a concentração e a raça para ganhar todos os jogos. E com jogadores e equipa técnica que olhem para as bancadas antes dos jogos e saibam que não tem outro caminho senão o de deixar tudo em campo para conquistar os 3 pontos. 

domingo, 7 de maio de 2017

A triste crónica de um desastre

Estou chateado, irritado, furioso. Só me apetece dizer que são todos uma merda, do presidente ao apanha-bolas, da secção de chinquilho à equipa técnica da equipa principal de futebol. Que isto é tudo uma desgraça, hão-se passar-se mais 15 à seca e... e... (expira, inspira, expira, inspira).
Billy, acalma-te! Arruma as ideias, a tua filha de 5 anos foi hoje à bola e adorou, mesmo tendo ficado a pensar que ganhamos o jogo. Calma caralho, tudo tem uma explicação, não vamos agora mandar pedras ao presidente, ao treinador e à equipa... não vamos , pois não Billy???
Bem, por onde é que eu vou começar? Comecemos então pelo inicio.
Já à muito tempo que não assistia a um jogo disputado do principio ao fim à luz do dia. Em Agosto vemos alguns começar à tarde mas no final lá se acendem as luzes da iluminação. Hoje não, era tudo ao natural, o que me relembrava os velhos anos 80 e 90 na curva sul ou na bancada nova.
O jogo prometia. Lotação esgotada, muitas crianças e senhoras prontas para assistir ao jogo. Eu decido levar a minha filha pela primeira vez à bola hoje. A hora é favorável, o jogo não conta para muito, o ambiente era previsivelmente de festa. Era uma espécie de festa de final de época antecipado. Festa sim, porque eu ainda sou do tempo de no final da época, mesmo quando acabávamos em quarto, o ultimo jogo ser sempre de festa com a clássica invasão de campo no final.
Antes do inicio do jogo, todo este quadro florido começou a ficar sombreado. A equipa inicial era uma desilusão. JJ chamou Matheus Pereira para o onze inicial, mas o seu gosto pelo risco ficou-se por aqui. Brian Ruiz e Bruno César, completamente desinspirados relegaram Geraldes para o banco. Como era previsivel, até pela lista de convocados, nem mais uma repescagem na equipa B, como Gelson Dala ou Empis. Nem Esgaio mereceu uma oportunidade.
O jogo foi do pior que se viu nesta época. Sem chama, sem vontade, sem jogo de cintura. Gelson Martins e Podence foram ausências mais do que sentidas. Não há mais ninguém capaz de fazer o que eles fazem. Matheus andou perdido, Brian arrastou-se, Bruno César passou por ali (aquele canto marcado onde acerta no defesa do Belenenses que cobre a bola é duma falta de jeito incrível). Dost creio que acaba o jogo sem uma oportunidade de jeito para marcar.
Na segunda parte, mais do mesmo. Há um golo, uma coisa rara esta época, pois nasce de uma oferta do guarda-redes Ventura que Bruno César aproveita. Depois dessa jogada, veio o desastre propriamente dito. Castagnos e Campbell entram em campo e lembram aos milhares de sportinguistas a desgraça que foram as aquisições de verão para esta época. O primeiro falha escandalosamente um golo isolado e o segundo correu e rodopiou com a bola várias vezes... para nada. A entrada de Geraldes com a equipa empatada, obrigando o miúdo a ter de carregar a equipa às costas, é de uma crueldade absurda para com este jovem jogador.
A história dos três golos do Belenenses é algo fabuloso. O Belenenses terá feito 4 ou 5 remates à baliza em todo o jogo. O primeiro golo nasce de uma grande penalidade que lembra a falta de William em Guimarães que também deu penalti: é de uma indigência profissional tremenda, pois é inaceitável que profissionais do Sporting concedam faltas desse género para penalti. Dos outros dois golos, tenho as seguintes coisas a dizer:
- A facilidade com que se marcam faltas contra o Sporting naquela zona do terreno, face à tremenda dificuldade de marcar faltas a favor do Sporting nessa mesma zona;
- A facilidade como equipas medianas (não pareceu, mas o Belenenses é uma equipa mediana) criam perigo e fazem golo nesse tipo de lances, face à dificuldade demonstrada pelo Sporting para aproveitar bolas paradas no último terço do terreno;
- O facto do lance dos golos serem iguais (bolas ao segundo poste) e a forma como a equipa é comida da mesma maneira em 3 minutos é assombroso e explica o porquê de nesta altura já estarmos a 11 pontos do líder, com mais do dobro de golos sofridos que os seus rivais da frente;
Quando saí do estádio hoje, senti algo que já não sentia desde a última época de Godinho Lopes. Senti aquela frustração de quem quer acreditar mas não consegue. Nestas últimas 4 épocas perdemos e empatámos jogos também, mas no final ficava com uma sensação de raiva, mau-perder ou azia, porque sabia que aqueles tinham sido pontos mal perdidos e que a equipa podia fazer melhor ou que não nos deixaram ganhar o jogo. Hoje não foi assim. Saí do estádio frustrado com o meu conformismo, pois o que ali vi só dava para uma desgraça assim. Lembrei-me das derrotas no tempo de Paulo Sérgio, Vercauteren ou Sá Pinto. Um estranho e terrífico conformismo da banalidade da nossa equipa.
De JJ já disse o que espero dele para a próxima época, e imputo-lhe uma parte generosa do descalabro desta época, De Bruno de Carvalho espero menos Facebook, menos tristes figuras do que fez depois do jogo (sim, porque ele também tem culpa de que tenhamos um Castagnos no plantel) e melhor trabalho na próxima época.
E atenção ao Vitória de Guimarães. Nem se atrevam a deixá-los aproximarem-se de nós.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

2017/18: Época decisiva para JJ

Parece impossível, mas se o Sporting conseguir vencer o próximo jogo, ainda terá matematicamente hipóteses de ser campeão, mesmo que por umas horas. Mas realisticamente falando, uma vitória frente ao Belenenses garante-nos, pelo menos, o play-off da Liga dos Campeões.
É pouco por uma época onde as expectativas iniciais eram bem mais altas. Na Liga dos Campeões, só com um sorteio muito favorável poderíamos aspirar ao apuramento para os oitavos de final. Mas o 3.º lugar era um objectivo mais do que alcançável pela nossa equipa, pelo que a nossa eliminação prematura das provas europeias não pode ser encarada de outra forma que não a de um tremendo fiasco.
Nas taças também podíamos ter feito muito mais. Na de Portugal fomos eliminados num dos terrenos mais difíceis da Liga, é certo, mas sem ter jogado a ponta de um chavo. Na da Liga, apesar da habilidade da arbitragem, também poderíamos ter feito muito mais do que fizemos. Comparemos esse jogo com a visita a Setúbal para o campeonato. Dois tremendos fiascos.
Por último, a competição mais importante. Esperava um campeonato diferente deste, apesar de ter as expectativas mais baixas do que a maioria dos sportinguistas. A indefinição da continuidade de pedras basilares da equipa, como Slimani, João Mário ou Adrien, adivinhavam um arranque complicado para o leão. Apesar do nosso capitão ter ficado, percebeu-se no inicio que o plano para a ausência dos primeiros era inexistente. Comprou-se Bas Dost, é certo, mas o holandês demorou a encaixar no modelo de jogo. Markovic, Campbell e Elias, apesar das expectativas criadas, não foram capazes de catapultar a equipa para um nível superior de qualidade. Os laterais revelam-se desde inicio problemáticos (João Pereira, o melhor, foi incompreensivelmente vendido). Os jogadores da formação despachados para outras equipas da Liga. O resultado foi uma primeira volta assustadoramente frágil, com perdas de pontos inacreditáveis. A segunda volta foi melhor, é certo, mas insuficiente para recuperar das asneiras cometidas antes.
Os nossos dois rivais também contribuíram para o agravamento do nosso desaire interno. O benfica, ao contrário do que eu esperava, não quebrou. Esperava que as fragilidades do plantel encarnado habilidosamente escondidas na época passada ficassem agora mais à vista. Isso não aconteceu, continuaram a ganhar os jogos aos repelões e tropeções, não sem as ajudinhas do costume. O porto, cujo plantel não me parecia (e continua a não me parecer) equilibrado para ganhar o campeonato, revelou-se afinal como uma equipa de garra. Essa garra serviu para disfarçar as debilidades do plantel, relançou a equipa na discussão do campeonato e só por falta de sangue-frio nos momentos chave é que não estão em primeiro lugar. Mas diga-se também, em abono da verdade, que o relançamento dos azuis e brancos deveu-se igualmente a algumas ajudinhas externas à equipa.
A próxima época será decisiva para Jorge Jesus. O treinador foi decisivo na nossa boa época de 2016/17, mas nesta está completamente associado ao desastre. E se para o ano queremos voltar a lutar pelo título lá no cimo da tabela, precisaremos do melhor JJ para conduzir os nossos jogadores à vitória. Do JJ que prepara exaustivamente o posicionamento da equipa, que exige intensidade de jogo, que percebe qual o melhor jogador para aquela posição. Não do JJ dos mind-games e das mudanças de chip.
É agora ou nunca, Jorge!

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Quatro sentimentos de um sportinguista

Estou triste. Amargurado. Desiludido. E fodido da vida.
Estou triste porque ainda sou de um tempo em que o futebol, mesmo aquele disputado acerrimamente por Sporting, benfica e porto era algo saudável. Os jogos eram às 15 horas da tarde, nas bancadas havia verdadeiro convívio entre adeptos, mesmo de clubes rivais, sendo as crianças presença assídua e normal nos jogos. As claques serviam para apoiar os clubes. Apesar de um ou outro cântico mais ríspido, ou de uma ou outra palavra de ordem mais ordinária, as claques pertenciam à parte bonita do futebol. Quem não se lembra de como era a curva sul do velhinho Alvalade? Lindo! Nesses tempos, princípios dos anos 80, era impensável imaginar que algum adepto poderia ser assassinado por delito de opção futebolística. Não havia mil e tal comentadores facciosos e tendenciosos a minar a opinião pública. O jornalismo desportivo, consignado ao canal público e a três jornais tri-semanais, falava de futebol, não de "tendências". Vejam o que começou a mudar em meados de 80 e como foi possível chegarmos ao estado em que o futebol chegou hoje.
Estou amargurado porque não prevejo melhoria a este futebol nacional. A última semana foi exemplar: o presidente do benfica teve uma atitude desprezível e completamente descabida perante a gravidade de ter morrido um adepto às portas do seu estádio. Comparem o que se escreveu quando os super-dragões cantaram a música do Chapecoense com o que se escreveu após a morte do Ficcini. Como é possível ignorar as ligações mais que evidentes entre a claque "ilegal" No Name Boys e o benfica? Vivemos num país onde quase metade da população é simpatizante de um clube de futebol, pelo que a comunicação social está constantemente embrulhada nesse dilema entre desmascarar o presidente sonso do clube com mais adeptos e perder audiências ou então ignorar os gritos à sua volta e agradar ao adeptos do clube do regime. Nós, Sporting, enquanto andarmos a batalhar contra toda a sujidade que vem do outro lado da 2.ª circular, seremos sempre os maus da fita, os desestabilizadores, os incendiários. Quando a abertura de um restaurante é mais importante que um seminário onde se debate o futuro do futebol, está tudo dito.
Estou desiludido porque há uma verdade insofismável nisto tudo. É que para continuarmos a ter razão e moral para criticarmos o que se passa no futebol, também temos de mostrar um futebol com mais qualidade e resultados do que este que temos mostrado. Precisamos do Sporting da época passada, para que todos vejam e reflictam como é possível aquela equipa ter perdido o campeonato para a que o ganhou. Sem esse "moral" de mostrarmos que os outros só nos ganham com artimanhas e jogo baixo, também nos começam a faltar forças para lutar contra o Estado Lampiânico. Tínhamos de incutir na equipa precisamente aquela raiva, que todos os sportinguistas sentiram quando o último campeonato acabou e viram a tremenda injustiça que se passou. Os jogadores tinham de rasgar o equipamento, bater com os punhos cerrados no chão, gritar de raiva, como muitos de nós fizemos. Deviam entrar em cada jogo deste campeonato com ganas de demonstrar, em 34 passos, o embuste que foi a época de 2015/2016. O jogo do passado sábado, poderia ter sido preparado psicologicamente para explorar essa "raiva" contida nos jogadores. E estou desiludido porque, claramente, e como nos outros jogos da época, essa "raiva" não foi incutida. Ou se foi, a mensagem não passou.
E por isso estou fodido da vida. Li aqui há tempos que o André Villas-Boas, quando chegou ao porto no verão de 2010, a primeira coisa que fez foi colar fotos no balneário de jogadores do benfica a festejar o título da época anterior. Quis incutir precisamente aquela "raiva" que falei atrás. Todos sabemos como foi essa época de 2010/2011, mesmo com os empurrões azuis no inicio da época. Estou fodido da vida porque tenho de recuar quase até à década de 80 para me lembrar de equipas do Sporting aguerridas, agressivas, viris, que entravam em campo com tudo. Temos um presidente que se atira de cabeça contra tudo que seja contra nós, temos uma massa associativa e adepta que está com o presidente, que puxa pela equipa, que está sedenta de justiça. Estava na altura de termos uma equipa que fosse o espelho do presidente e dos sportinguistas, com jogadores que em campo fossem uns verdadeiros leões! E nem eu, nem nenhum outro sportinguista, depois do fracasso que foi esta época, admitiremos algo pró ano que não seja assim.

domingo, 23 de abril de 2017

A vitória do cinismo

O jogo de ontem foi um hino ao cinismo.
Infelizmente o derby havia começado horas antes das anunciadas 20h30 pelos mais tristes e infelizes motivos. A morte de um adepto assinalou uma já longa e abominável lista de vitimas do hooliganismo nacional. Pelo meio, naquilo que tresandava de cheiro a homicídio puro e duro, foi "delicioso" ver os telejornais da hora de almoço citar vizinhos anónimos e outras fontes igualmente credíveis, para nos tentar vender que o condutor tinha sido atacado, defendeu-se e sem querer atropelou o rapaz italiano. Comparem esta versão com aquela que circulava hoje de fonte da PJ. Este é hoje o actual estado da comunicação social em Portugal: vale tudo para vender o lado certo da história, sob a capa do pós-verdade e a sombra da cartilha.
Bruno de Carvalho fez o que qualquer homem provido de bom senso faria perante uma tragédia destas. Estendeu a mão ao seu homólogo do benfica. Seria algo bonito, romântico, ver os dois presidentes juntos a assistir a um jogo desta importância na tribuna. Luís Filipe Vieira não só não teve postura de estado como lhe faltou a hombridade que caracteriza os grandes Homens nos momentos difíceis. Cuspiu na mão apaziguadora que lhe estenderam, desenterrou Vale e Azevedo e desculpou um acto miserável, de uma forma igualmente miserável. Se tivesse sido BdC a dizer o que LFV disse, teríamos conversas, debates, aberturas de telejornais, tudo em teor condenatório. Como quem disse foi quem o disse, tudo passou despercebido. Vi hoje à hora de almoço o David Borges a criticar LFV mas indirectamente, quase por mensagens subliminares. É assim que está a nossa comunicação social.
O cinismo não ficou por aqui. Se LFV foi timidamente criticado pela sua vergonhosa atitude, já Rui Vitória foi aclamado de pé por ter defendido compreensão perante o trabalho de Artur Soares Dias. Como se o empate tivesse sido uma mau resultado para RV. De repente os discursos das ceboladas e dos 6 milhões atrás de nós foram remetidos para o país da amnésia, surgindo o treinador encarnado como exemplo do desportivismo e fair-play, em contrate com "outros intervenientes". E que "outros intervenientes" seriam estes? Pois, não é difícil adivinhar.
O jogo em si também não destoou do cenário cínico. Foi um espectáculo pobre, praticamente sem momentos de perigo ou oportunidades de golo. Lembro-me que em jogos assim, desde os finais dos anos 80 até há 3 ou 4 anos atrás, contra o porto, nunca conseguíamos ganhar. Podíamos até, como ontem, marcar um golo madrugador ou de sorte. Mas depois sofríamos também golos de sorte (neste caso, de azar). Ontem, o jogo tinha tudo para ser como esses clássicos antigos. Sem oportunidades de golo, cedo pareceu que só em lances de bola parada se conseguiriam marcar os golos em falta. Se Grimaldo, o marcador de serviço do benfica, não conseguiu marcar, nada melhor que estrear um desconhecido nestes lances e... claro que só o Sporting poderia sofrer um golo dessa maneira. 
Finalmente, os outros dois intervenientes no jogo que, no meu entender, mais contribuíram para o resultado final:
Artur Soares Dias - Não sei o que levou o árbitro a não assinalar aqueles penaltis na área do Sporting. Se o do William ocorre 300 vezes num jogo, o do Scheloto também é facilitado pela manha do Grimaldo, o do Bruno César é daqueles que só não vê quem não quer. Talvez tenha sido da conversa que teve com Rui Costa ao intervalo, pois na segunda parte simplesmente não assinalou nenhuma falta a favor do Sporting no último terço do terreno. Além que a falta que origina o golo do benfica é inexistente. Se fosse para nos fazer sofrer, mais valia ter marcado aqueles 3 penaltis logo na primeira parte, e ter deixado o jogo fluir, E assim apita o melhor árbitro português da actualidade.
Jorge Jesus - Na minha ante-visão do jogo, considerei que o seu melhor trabalho táctico seria uma mais valia sobre o benfica e contribuiria decisivamente para uma possível vitória nossa. Ontem não podia ter sido mais diferente. Se a entrada no onze de Paulo Oliveira foi positiva e a de Jefferson espectável, o que dizer das prestações de Bruno César e Alan Ruiz? O que leva o treinador que lançou Matheus Pereira a titular no dragão, a não lançar Podence titular no jogo de ontem? Porque motivo Alan Ruiz quando foi substituído, não foi pelo mesmo Podence mas sim por um desinspirado Brian Ruiz? Será que nos 4 jogos que faltam ainda vamos ver Campbell titular? Não estaria na altura de começar a jogar com Podence, Geraldes, Gelson Dala (no banco) ou até o Palhinha??? Foda-se JJ, assim não dá, né?!?!?!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Eis o Derby

Quando foram conhecidos os jogos de cada jornada do campeonato, olhei para a próxima jornada e terei pensado o mesmo que milhares de outros sportinguistas: seria a jornada decisiva do campeonato, onde quem ganhasse ficaria a meio passo de ser campeão. Disputado a cinco jornadas do fim, ainda por cima no nosso estádio, seria uma oportunidade de ouro para vingarmos aquele falhanço do Brian Ruiz a meio-metro da baliza.
Quis o destino, a sorte ou o azar, que infelizmente essa história ficaria mal contada. O derby é decisivo, sim, mas não é bem para nós. Uma hipotética vitória nossa poderia deixar-nos mais próximos de algo mais do que o terceiro lugar. No entanto, reconheçamos, é algo muito difícil de acontecer. Pelo contrário, uma vitória do benfica, ou até mesmo um empate, deixa os lampiões praticamente campeões nacionais.
Continuo a olhar amargurado para esta época futebolística. Continuo a achar que, fora duas ou três arbitragens escandalosas (não, não peço mais que isto), bem como um ou outro jogo onde o nosso treinador inventou, estaríamos como todo o mérito colados ao duo da frente e iríamos disputar no próximo jogo o campeonato. Até porque não reconheço a porto ou benfica melhor futebol jogado que o Sporting. Mas enfim, são contas que já foram feitas e refeitas, pelo que não vale a pena continuarmos aqui a chorar por elas.
No jogo de amanhã não esperamos que o Sporting entre em campo com a mesma atitude como entrou em Setúbal, por exemplo. Apesar do nosso campeonato já estar encaminhado, jogos como o de amanhã são necessariamente diferentes, pois carregam atrás de si uma história muito pesada. Mesmo a 8 pontos do benfica, os jogadores entrarão em campo com a vontade de provarem que essa distância é manifestamente exagerada, que o resultado da 1.ª volta é injusto e que na nossa casa mandamos nós. E queremos vencer, não porque queremos entregar o campeonato a A ou B mas porque é esse o nosso ADN - vencer. E porque contra o benfica queremos sempre vencer. 
No jogo táctico, espero por um benfica a jogar lá atrás, na retranca, apostado em explorar em contra-ataque as fragilidades das nossas alas defensivas, mais concretamente a esquerda. Rui Vitória será igual a si próprio: temeroso, borrado, apostando todas as fichas na estrelinha que lhe vai iluminando o caminho. Jorge Jesus também irá ser igual a si próprio: irá provar pela 234.ª vez que tacticamente mete Vitória num bolso, irá procurar o jogo perfeito, consubstanciado numa vitória com nota artística. Dos artistas do jogo, espero que o meio-campo do Sporting se imponha ao adversário, e que a dupla Alan/Dost faça mossa. No lado adversário temo sobretudo dois jogadores: Ederson é um guarda-redes muito bom que quando inspirado consegue parar sozinho a veia atacante do adversário. E Mitroglou, pela capacidade que demonstra em arranjar espaços, furar defesas e aparecer em boas condições de finalização.
Sobre o terceiro interveniente no jogo, Artur Soares Dias, espero que não tenha influência no resultado... será pedir muito?
Que amanhã ganhemos por 3-0, com hat-trick de Bas Dost.
Viva o Sporting!

sábado, 8 de abril de 2017

A Normalidade

No livro "As Origens do Totalitarismo", Anna Harendt defende que o totalitarismo impõe-se sobretudo por que faz um uso descarado do mal (a perseguição dos oponentes na URSS ou dos judeus na Alemanha Nazi), até ao momento que tal acaba por ser aceite pelos cidadãos comuns como sendo algo normal - é a banalização do mal.
Temos carradas de exemplos sobre o que é que na prática significa a banalização do mal. Ainda há dias um camião correu desenfreado numa rua pedonal de Estocolmo, ceifando várias vidas na até então segura e pacata Suécia. Já ninguém usa a hashtag #prayfor ou filtra a fotografia de perfil do Facebook com a bandeira da Suécia. Os mídia passaram a tratar estes atentados já não de uma forma chocante e, ao mesmo tempo, mobilizadora da opinião pública, optando antes por um registo mais suave, quase como difundem um atentado que mata 200 pessoas no Iraque, mesmo que este tipo de atentados em solo europeu fosse algo impensável há dois anos. No final de contas tudo não passa de uma questão de percepção. A forma como encaramos de hoje em dia a normalidade é também ela ditada pela forma como percepcionamos a realidade. Ou, como essa percepção nos é provocada.
Vejamos um exemplo: em Outubro de 2015, Bruno de Carvalho denunciou um esquema ilegal de prémios que o benfica entregava aos árbitros que lhe apitavam os jogos. Inicialmente o esquema foi desacreditado porque, diziam os comentadores, era tudo mentira. Ninguém recebia voucher nenhum. Passados uns dias, assim que se começaram as saber algumas histórias de árbitros que costumavam jantar no Museu da Cerveja, a narrativa passou a ser que o valor gasto nas refeições ficava abaixo do que a UEFA considerava como limite aceitável para uma oferta. Como esse limite era algo elevado, face à realidade económica portuguesa e ao que os árbitros ganham por jogo, banalizou-se o assunto voucher: afinal era uma coisa normal, ninguém se deixa corromper por uma refeição e todos ofereciam alguma coisa aos árbitros. Entretanto a justiça desportiva portuguesa não condenou o clube acusado, pelo que de hoje em dia é normal um árbitro receber um voucher para uma refeição que pode ir até aos 200 euros...
A cartilha do Estado Lampiânico está em fase de normalização. Os noticiários do dia ainda falaram sobre o assunto, contudo os spin-doctors do costume já começam o seu trabalho para modelar a realidade que percepcionaremos. A narrativa hoje é que a cartilha afinal é reveladora da estrutura afinada do benfica (Ribeiro Cristóvão), da adaptação da estrutura a uma época onde a informação é tudo (Rui Gomes da Silva), sendo que o facto desta ser pública, ao contrário da cartilha dos seus rivais, apenas comprova a benevolência dos seus fins (esta é a incrível conclusão deste artigo na Tribuna do Expresso).
Nos próximos dias continuarão a vender-nos que tudo isto é normal. É normal comentadores independentes falarem um discurso alinhado por uma pessoa isenta; É normal esta pessoa isenta fazer estes briefings sem ser assalariada do clube que defende; É normal um clube profissional utilizar este canal para atacar os seus adversários, escudando-se assim nos seus papagaios de serviço sem o risco de incorrer em infracções disciplinares; E outras normalidades que tais. E de normalidade em normalidade, tudo isto será banal, de tão normal que é (esperem até chegar o dia em que se descobrir que a cartilha também é entregue a jornalistas "isentos").
Bem, e que logo à noite ganhemos por 3 ou 4 ao Boavista... como é normal!

domingo, 2 de abril de 2017

Sobre o clássico: a tristeza que me invade

Chego à triste conclusão que não fora alguns jogos muito mal apitados, bem como a aposta falhada em baladas, castanhos, markovics e outros, poderíamos estar hoje lá em cima na luta.
O clássico de ontem não foi um bom jogo. Teve momentos de emoção e por vezes foi rasgadinho. Mas dava a impressão que estaríamos a assistir a um derbi entre bairros, tipo Sacavenense contra o Olivais e Moscavide, do que propriamente um jogo entre o primeiro e o segundo classificado do nosso campeonato. Nenhuma das equipas demonstrou ser claramente superior à outra, boa parte do jogo disputou-se longe das balizas e os treinadores mostraram mais medo de perder do que vontade de ganhar. NES incompreensivelmente deixou o seu melhor avançado no banco e RV deu a primeira parte toda ao adversário. Entre um ou outro bocejo, destaque para a jogada onde Casillas evita por duas vezes o golo do benfica ou quando o Ederson se lançou aos pés do Soares quando este se isolava. Um jogo morno, insosso, mas em linha com o que estas equipas foram produzindo ao longo da época.
Poderíamos estar hoje mais próximos ou até á frente da dupla porto/benfica mas não estamos. Verdade seja dita que esta época também não temos estado a mostrar o futebol engrenado e devastador da época passada, Mas o que temos mostrado não fica atrás do produzido pelos nossos rivais. Pelo contrário, ficamos mais convencidos que estaríamos lá, na luta, se outros factores não se tivessem manifestado nesta época.
Que factores são esses? Sobretudo dois. Um é externo e outro interno. O externo tem claramente que ver com as arbitragens prejudiciais de que fomos alvo. Assim de repente, lembro-me de pelo menos 10 pontos que nos foram retirados de forma suja: Guimarães (fora), benfica, Braga e Marítimo. Contra estas perdas não podemos fazer muito: chorar e gritar bem alto aos microfones, manobrar e influenciar nos bastidores. É um trabalho de sapa e demorado, pelo que os seus frutos não serão visíveis num curto espaço de tempo. O factor interno tem que ver com os erros de casting cometidos na presente época, dos quais culpo na mesma medida a equipa técnica e a direcção. A aposta nas tais vedetas em vez da nossa promissora miudagem não impediu que tivéssemos escandalosamente perdido pontos com o Tondela, Rio Ave ou Nacional. Só aqui conto 7 pontos que hoje nos poderiam garantir uma posição chave para conquistar o título desta época. Além de que com equipas mais fortes, estaríamos mais defendidos contra arbitragens maldosas, como ocorreu no ano passado em vários jogos.
Enfim, que o jogo de ontem tenha servido para os nossos homens do futebol fazer uma introspecção e um acto de contrição por tudo aquilo que poderíamos ter feito melhor e não fizemos, para que a próxima época nos corra bem melhor.
E se os astros tiverem alinhados, que os nossos rivais empatem mais 4 jogos até ao final...

segunda-feira, 13 de março de 2017

Promessas e certezas

É certo que foi contra o último classificado, mas na primeira volta estivemos a um triz de perder contra eles. E no ano passado bem que podíamos ter chorado depois de termos empatado com este Tondela em casa, pois - quem sabe - se não foram por esses 2 pontos perdidos que não fomos campeões.
Uma goleada é sempre uma goleada. Mas esta deixou-me particularmente satisfeito. Desde logo JJ aceitou aquela tremenda evidência de que se quer começar a preparar a próxima época sem descurar pelo último objectivo desta (o 3.º lugar), devia jogar com quem está motivado. A chamada de Podence ao onze inicial não só era uma evidência com um merecido prémio à forma como o jogador se tem destacado desde que regressou de Moreira de Cónegos. Para mim é claro que Podence irá ser um dos nossos jogadores em destaque no próximo campeonato, fazendo para o ano o que Gelson fez neste. Matheus Pereira, que esta época tem sido pouco utilizado, apareceu no jogo em crescendo. Aquela imagem do JJ a dizer-lhe para jogar como treina é demonstrativa de duas coisas: primeiro, o modo simples como o treinador incentiva o seu jovem jogador, falando de uma forma clara como a água; segundo, o facto de que Matheus Pereira entrou em jogo tenso, tendo ganho confiança ao longo da partida, demonstrando também que precisa de mais minutos para cimentar essa mesma confiança. Matheus é um dos jogadores mais habilidosos que passou na nossa equipa, ainda com imenso potencial para desbravar. JJ tem de apostar mais vezes nele, pois percebe-se que só assim conseguirá fazê-lo explodir. A entrada de Francisco Geraldes a cinco minutos do fim pareceu curta para este nosso jovem e grande jogador, mas vimos ali o suficiente para nos deixar em pulgas nos próximos jogos: garra, ganas de ganhar, habilidade. Talvez ainda seja cedo para entrar já no onze inicial, mas salta à vista de todos que JJ terá de lhe dar mais minutos nos próximos jogos, tal como foi fazendo com Podence.
Não podíamos falar do jogo de Tondela sem frisar o poker de Bas Dost. Não me parecendo que o jogador saia no final da época, salvo uma proposta do outro mundo, os sportinguistas tem mais um motivo para confiar numa época 2017/18 melhor que esta. Apesar de já estar pouco em jogo, percebe-se perfeitamente que o goleador está comprometido e focado no Sporting, o que é excelente.
Outro jogador que teria obviamente de falar era de Iuri Medeiros. Parecia que estava esquecido mas a recente boa exibição contra o Marítimo fez-nos lembrar dele. Quiçá inspirado pela exibição dos seus antigos companheiros, também ele aproveitou esta leva, como que gritando a quem o quisesse ouvir de que ainda está vivo e pronto a servir o Sporting na próxima época. 
Olhando para o jogo de sábado, apesar de todo o contexto favorável à nossa equipa, não podemos de deixar de constatar esta amarga realidade: será que com estes jogadores na equipa principal, estaríamos hoje a 12 pontos do primeiro classificado, eliminados das taças e competições europeias?

segunda-feira, 6 de março de 2017

Como lidar com o empate de ontem

Há duas formas de lidar com o que aconteceu ontem à noite.
- A forma "caga nisso":
Uma das formas, que eu aconselho pois evita problemas cardíacos durante a semana, ataques de raiva no trânsito e insónias à noite, é olhar para o resultado de ontem, encolher os ombros e pensar "caga nisso, pró ano é que é!" ou "que se lixe, o que está perdido, perdido está!". Claro que ontem tivemos uma manifestação esmagadora de sportinguismo, o presidente fez um discurso arrebatador, meio mundo desportivo ainda está espantado com o que lhes mostrámos no sábado. Mas ontem, que mais poderíamos esperar? Se a equipa já não tem aquela cenoura à frente dos olhos para correr, que é a luta pelo campeonato, vão-se motivar como? O Jesus vai inventando tácticas para o próximo ano, o Esgaio vai-se fazendo (???) lateral-esquerdo, o William já está com um pé em Manchester, o Alan perde mais umas gramas... o que interessa é começar a próxima época fortíssimos! Esta já deu mesmo o que tinha a dar, o terceiro lugar é nosso (huuummmm....).
Enquanto passamos os olhos pelo feed do Facebook, gozamos com o facto da lampionagem continuar a falar da equipa que está a 12 pontos, mas nós é que só pensamos neles, nós é que somos os antis, os carneiros, os coreanos, etc. Seguimos com agrado o recital que as nossas camadas jovens estão a passar nos respectivos campeonatos, levando-nos a sonhar num inacreditável "triplete" na formação. Era lindo, depois da comunicação social (bardamerda para eles!) já quase ter encerrado a Academia, este ano ganharmos o campeonato de juniores, juvenis e iniciados. Juntemos mais duas medalhas de atletismo "made in Sporting", a vitória feminina do corta-mato, a vitória no Andebol... E sim, o Bruno disse que íamos ser campeões nos próximos 4 anos, por isso este já não conta. Pensar em como isso vai ser possível... é melhor não, para já. Penssemos nisso lá para o verão.
- A forma "car*?#&/%alho!!! P$#@ que os pariu!!!":
Se já não estão preocupados em ter mais uns 30 cabelos brancos, se aquele sopro que sentem no coração já faz parte da mobília, se até dá jeito ter insónias de noite porque gostam de ver as tele-vendas na TV, então pensem assim: "Catraphonix!!!!! COMO É QUE É POSSÍVEL???? Depois de tudo o que se passou ontem, com os sócios moralizados, o presidente eufórico, o estádio com 40 mil nas bancadas a gritar.... e sai-me esta bosta??????". (Inspira... expira... inspira... expira...).
Pois. Ainda hoje não consigo perceber porque é que não houve uma injecção de adrenalina no balneário, depois dos acontecimentos de sábado. Os jogadores e o treinador foram votar, certamente terão visto a multidão que estava nas filas. Também acredito que tivessem ouvido e lido as notícias na manhã de domingo. No actual contexto classificativo, se haveria jogo em que a equipa teria mil e uma razões para se motivar, ontem era esse o jogo. Parte dos 86% dos votos em BdC também foram votos de confiança no treinador e jogadores. Não percebo como ao fim destes anos todos, pois isto não é de agora, é algo que caracteriza as nossas equipas há já largos anos, ainda haja tanta dificuldade em contagiar os jogadores com a galvanização que emana das bancadas.
Além da atitude amorfa da equipa, também não ajudaram as decisões de JJ. Aquela dupla substituição foi trágica, deixar Podence no banco é ridículo. A forma como partimos a equipa na segunda parte é inadmissível. Não gostei, achei patético, desrespeitoso até, ignóbil. E atenção, que o terceiro lugar não está garantido! E não, nem me passa pela cabeça perder 8 pontos (agora 6) de avanço sobre o Braga.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Futebol e Atletismo

O último fim de semana futebolístico resultou na consolidação do nosso terceiro lugar. Após a nossa vitória de sábado sabíamos que algo de positivo obteríamos do jogo de Braga: ou ganhávamos pontos ao líder ou ficávamos cada vez mais terceiros. 
Do nosso jogo, além do resultado final e da incrível performance do Rui "400" Patrício, nada mais houve de interessante. Não esmagámos o adversário como eu pretendia. Mas não deixa de ser reconfortante a forma cínica como ganhamos o jogo a uma das nossas bestas negras. Esperava um final de época com um futebol mais solto, mais alegre. Pelo contrário, constato que as exibições continuam baças, a equipa parece que joga sobre brasas, sem paixão.
Com a vitória do benfica sobre o Braga, fica cada vez mais improvável uma possível remontada da nossa parte na tabela classificativa. De resto, o jogo de ontem correu como se previa: um jogo de amigos, sem grandes oportunidades, onde o vencedor marcou no segundo remate à baliza que fez em 80 minutos, perante um adversário que vendo-se a perder desistiu de procurar o empate. No final, beijinhos e abraços em campo.
Fora da esfera futebolística, registo com grande prazer a dupla vitória do Sporting nos nacionais de pista coberta de atletismo. Sendo esta modalidade um dos ícones do nosso clube, e após alguns anos afastados (a parte masculina) das vitórias nacionais, é de realçar o regresso do campeão. 
Duas notas finais ainda sobre a nossa vitória no atletismo: 1) O director técnico do Atletismo do Sporting, Carlos Silva, dedicou a vitória, à direcção presidida por Bruno de Carvalho, pelas condições que foram criadas no apoio à modalidade. Espero que não seja despedido por PMR caso este ganhe, por estar a falar bem do actual presidente. 2) A coordenadora do departamento de atletismo do benfica recusou-se a dar os parabéns ao Sporting, pela sua justa vitória. Vejam as reacções que esta decisão gerou e comparem-nas com o que aconteceu quando JJ não fez o mesmo no final da época passada...

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Alien vs. Predator

Desde ontem à noite que o filme "Alien Vs. Predator" me tem vindo à memória.
Não que tivesse sido um grande filme, daqueles que fica na retina. Nada disso. Fui vê-lo ao cinema e não achei grande graça à peça em si. Se bem me lembro, a história desenrolava-se na Antárctida, onde um grupo de exploradores deu de caras com as duas personagens de ficção. Basicamente, durante o filme assistiu-se à luta do Alien contra o Predator, enquanto os homens faziam por fugir de perto dos assassinos.
Trago este filme à colação depois de ler a onda de indignação encarnada com a arbitragem de ontem no Porto-Tondela. O protagonista foi o árbitro Luís Ferreira, que todos nos recordamos pela forma habilidosa como nos retirou dois pontos na época passada, precisamente também no jogo contra o Tondela. O jogo do porto ficou marcado por duas más decisões do árbitro, primeiro assinalando um penalti inexistente a favor do porto, depois expulsando um jogador do Tondela quando é este que sofre a falta. Quer o penalti, quer a expulsão, facilitaram a vida ao porto, num jogo que até então estava complicado.
A arbitragem de ontem do porto, a que se juntam outras tantas nas últimas jornadas, está ao nível do que aconteceu com o benfica na época passada. Equipas medianas, treinadas por treinadores pouco carismáticos, que tem vindo a ser empurradas em jogos-chave do campeonato. Sem esses empurrões, essas equipas andavam pelo 3.º ou 4.º lugar. Ano passado vi esses empurrões em Guimarães, Paços de Ferreira e muitas vezes em São Domingos de Benfica. Este ano anda ali mais por Contumil.
A luta do Sistema contra o Estado Lampiãnico irá atingir o seu auge nos próximos tempos. Prevejo uma tremenda luta dentro dos bastidores, fora das quatro linhas, nas redacções jornalísticas, no WC do Hugo Gil. No filme que vos falei, os humanos iam fazendo pela vida para não serem mortos pelos invasores extraterrestres. Na luta entre Sistema e EL, também nós, sportinguistas, temos de estar atentos para não nos transformarmos num dano colateral. Nem de propósito que esta luta começa em plena campanha eleitoral do Sporting. Será mais uma oportunidade para percebermos com quem podemos verdadeiramente contar nos próximos anos.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Sondagens e Rio Ave

1) Momento eleitoral
A campanha eleitoral vai-se arrastando ao longo dos dias, sem nenhuma grande novidade. A notícia de hoje diz respeito à sondagem encomendada pelo Correio da Manhã, onde de 601 inquiridos, 39,7% acreditam na vitória de Pedro Madeira Rodrigues, contra 28,6% que acreditam em Bruno de Carvalho. Curiosamente 31,7% não tem opinião. Apesar deste resultado ter tido destaque (porque será?), noto que entre os sportinguistas, a maioria prefere BdC (40,2% contra 36% de PMR). Apesar da desvantagem, 4% de diferença não deixa de ser animador para PMR. Mas...
Estamos a falar de uma entrevista a 601 adeptos, dos quais X serão sportinguistas. E destes X sportinguistas, Y estarão em condição de votar no próximo acto eleitoral. A acreditar que temos quase 1/3 de portugueses sportinguistas, e destes só 5% é que serão sócios, então só uns 15 entrevistados é que seriam sócios do Sporting. E destes 15, ou Y, qual o peso de cada voto? É fácil verificar que sondagens deste género são tão certeiras como um tiro no escuro. Basta que nos lembremos das sondagens efectuadas no nosso último acto eleitoral para perceberem o que digo. De resto, estes tempos não são muito favoráveis a sondagens, conforme se viu nos Estados Unidos ou no Brexit.
É evidente, até pelo destaque dado, que esta notícia tem o particular objectivo de "morder" BdC. O que provavelmente este tipo de sondagens irá criar é uma vaga de sócios pró-Bruno que irão às urnas votar "pelo sim, pelo não", e não ficar em casa a contar com a vitória fácil.
Outra notícia que hoje fez algum furor foi o nome de Rui Jorge como potencial treinador do Sporting, em caso de vitória de PMR. À semelhança de Bielsa, primeiro surgem os rumores na imprensa, para depois vir a confirmação ou não por parte do candidato. PMR negou o interesse no argentino, pelo que aguardo a sua reacção ao nome do português. Não deixa de ser curioso que à falta de nomes oficiais, surjam estas notícias com o claro objectivo de impelir a candidatura de PMR, criando sound-bytes no universo sportinguista. Aguardemos serenamente o que PMR tem a dizer sobre Rui Jorge, mas ressalvo já que, a ser verdade, é um nome muito interessante para treinar a tal equipa do Sporting, apostada na sua formação.
Já agora, relacionado com a formação, PMR afirmou que com ele à frente do Sporting, a equipa B nunca desceria de divisão. Fiquei mais aliviado!!!

2) Amanhã é #DiaDeSporting
Joga-se amanhã mais uma importante partida da nossa pré-pré-época de 2017/18. Esta terá o tónico extra de ser em casa, contra uma das nossas bestas negras do campeonato. Foi em Vila do Conde que começou o nosso descalabro 2016/2017. Ano passado, o empate em casa com os vila-condenses teve implicações directas na nossa luta pelo título. O Rio Ave é daquelas equipas que se esfarrapam todas contra nós, pelo que espero um verdadeiro espírito leonino amanhã em campo, com vontade de trucidar o adversário. Gostaria mesmo que amanhã ganhássemos por uns 5-0.
Outro tónico para o nosso jogo é o facto de dois adversários nosso jogarem entre sim no Domingo. Em caso de vencermos o Rio Ave, ganharemos de certeza pontos a um deles. Ou nos aproximamos da frente, ou ganhamos vantagem sobre o quarto. São motivos mais que suficientes para a nossa equipa entrar amanhã em campo com toda a vontade do mundo em vencer a partida. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Será este o filme da época?

O jogo de ontem bem que podia ser o filme de uma época.
Entrada da equipa completamente displicente. Jogar devagar, devagarinho. Primeiro golo sofrido é um misto de falta de jeito e aselhice. O segundo golo nasce de um penalti ridiculamente concedido. Correr atrás do prejuízo duas vezes. No final a vitória foi alcançada, mostrando - finalmente!!! - que também conseguimos dar reviravoltas no marcador. Jogadores chave com Brian Ruiz e Rui Patrício em clara má forma. Alan Ruiz em crescendo.
Na segunda parte a equipa assumiu o jogo, correndo contra o prejuízo. A entrada de Podence agitou as águas, prometendo ser uma das surpresas deste Sporting de final de época. Palhinha entrou só para queimar tempo, mas a sua utilização é mais outro sinal de que JJ conta com ele. Aguardo serenamente a aposta em Esgaio como defesa esquerdo para o resto da época. 
Seria bom chegarmos a Maio e olharmos para este jogo como o filme da época: uma época aos repelões, chocha, mas no final sairíamos por cima. Por enquanto parece que ganhamos margem sobre o quarto classificado, o que já de si é positivo. Os nossos próximos jogos são relativamente fáceis, pelo que temos de os vencer, para depois então esperarmos por escorregadelas da dupla da frente. 
Espero e desejo que nos próximos jogos veja a nossa equipa jogar um futebol mais solto, alegre e concretizador. E, quem sabe, talvez assim ainda possamos sonhar...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Sobre o que resta de 2016/17

Apesar de já estarmos praticamente afastados da luta pelo título, não nos podemos esquecer do que ainda resta para lutar nesta época.
A conquista do 3.º lugar é imperativa, para mantermos acesa a hipótese de participarmos na Liga dos Campeões da próxima época. O momento actual do Braga não é famoso e o Vitória de Guimarães não me parece com estaleca para lá chegar. Temos de nos focar no que ainda resta, começando também a preparar o que virá depois.
Reduzir os próximos 14 jogos do campeonato a uma pré-época antecipada da Liga de 2017-18 é perigoso, pois pode criar nos jogadores uma sensação de alívio ou descompressão que poderá ser fatal. Até porque em ano eleitoral, a nossa direcção quererá afastar o cenário de maus resultados desportivos do horizonte eleitoral, sob pena de sair penalizada no acto. Mas será sempre inevitável olhar para os jogos que ainda faltam e ver nestes um teste para o futuro de vários jogadores.
Reside aqui a capacidade do treinador motivar o plantel, em especial os mais jovens. Muitos deles regressaram em Janeiro vindos de experiências motivadoras e com ganas de mostrar o quanto cresceram. É importante mostrar-lhes que um bom desempenho nos próximos jogos significará uma efectiva participação no plantel para 2017-18. 
No inicio desta época, alguns desses jogadores tinham a perspectiva - de resto confirmada pelo próprio treinador - de que iriam fazer parte do plantel. Face à aposta que veio a ser feita em jogadores mais experientes, preferiu-se dispensa-los, com o motivo de que seria positivo ganharem minutos noutras equipas da I Liga (seguindo o exemplo de João Mário e Rúben Semedo). Renegar outra vez estes jogadores será um factor de desmotivação para eles, talvez fatal.
Lembremo-nos de Cédric e Adrien, que todos julgavam perdidos, mas que foram recuperados após a aposta de Leonardo Jardim (não tinha outras hipóteses). Ou, mais recentemente, no próprio Rúben Semedo, que chegou igualmente a ser dado como perdido.
As palavras de JJ no final do clássico, comentando a prestação de Palhinha, foram infelizes. Foi JJ a ser JJ. Espero que nos treinos e nos próximos jogos o treinador motive e transforme o melhor trinco do Belenenses num dos melhores de Portugal. Poderia começar já no próximo jogo, mantendo a sua titularidade, mesmo que isso implicasse sentar WC no banco. Era um sinal inequívoco de que conta com o jogador e de que as suas palavras não foram mais do que um mal-entendido.
Uma última nota para a questão lateral da defesa. Partindo do princípio que o centro da defesa mantê-se, bem como a cabeça do ataque, deveríamos atacar o mercado de Verão para assegurar dois bons reforços para as laterais. A par do suprimento das possíveis vendas de Adrien ou William, terão de ser os melhores reforços da próxima época.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O Epílogo de uma Época

No que à luta pelo primeiro e segundo lugar diz respeito, ontem a questão ficou arrumada. Só um monumental descalabro da dupla da frente e uma super 2.ª volta nossa, permitiria que chegássemos lá acima.
A actual época ainda não acabou. Temos um 3.º lugar para ganhar e para garantirmos o acesso ao play-off da Liga dos Campeões. O Braga parece-me em queda e não creio que o Vitória de Guimarães tenha pedalada para lá chegar. O 3.º lugar é um tónico suficiente para JJ motivar os nossos jovens para os jogos que ainda faltam.
Ontem assistimos ao repetir de um filme que se tornou viral esta época. 45 minutos de avanço ao adversário, harakiris defensivos, atitude dominadora em parte do jogo com falhanços inacreditáveis à frente da baliza. Nem o puxãozinho do árbitro faltou.
JJ surpreendeu metendo Matheus de início. A aposta num jogador jovem, que esta época praticamente ainda não tinha jogado, lançando-o literalmente para as feras, tinha tudo para correr mal. Boa parte da nossa inoperância na primeira parte resultou da falta de um jogador dinâmico naquela zona do terreno. Não se viu Matheus, não se viu Gelson nem Bryan, muito menos Dost. Se era para surpreender, porque não meteu o Geraldes de início? Tem mais minutos de I Liga e chegou motivadíssimo à equipa. Incompreensível.
Nas laterais, mais do mesmo. Schelotto varia entre o sofrível e o satisfatório. Marvin é medíocre. É impossível ser-se campeão com tão maus laterais.
Na segunda parte agradou-me a atitude da equipa. Alan Ruiz parece-me determinado a provar que é um jogador com quem contar e Esgaio aproveitou bem a oportunidade concedida, conseguindo tapar os buracos à esquerda. O que na 2.ª parte sobrou em transpiração, faltou em inspiração. Ao contrário de outros jogos não quebrámos aos 70 e tal minutos e conseguimos manter a pressão até ao final do jogo. Mas, como em outros jogos desta época, não chegou.
Hoje olho para o líder provisório do campeonato e não posso deixar de ficar estarrecido por ver que este porto está já com 9 pontos de avanço sobre nós. Mas depois olho para os golos sofridos e vejo que eles tem metade dos nossos. Aliás, dos 8 primeiros (com um jogo a mais, é certo) temos a pior defesa deles. E boa parte desta nossa época explica-se por aí: péssimo jogo defensivo.

Para o fim deixo Palhinha.
Sim, o primeiro golo é uma tremenda falha deste jovem jogador. JJ poderia ter tido outra postura no flash-interview? Poderia, mas estamos a falar de JJ, pessoa autêntica e directa, pouco dada a discursos enviesados. O discurso de JJ contêm uma panóplia de lugares comuns a que nos teremos de habituar até Maio. Que esta equipa é jovem, vai cometer erros, que nesta altura era necessário dar um passo atrás para depois dar dois passos à frente. Só lamento que o passo atrás tenha chegado com 5 meses de atraso. E de que vale criticarmos as palavras de JJ se no próximo jogo em Alvalade começarmos a assobiar os nossos jovens ao primeiro erro? 
E já agora, temos algum lateral-esquerdo decente na formação???

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Antevisão: FC Porto - Sporting

Amanhã será dia de mais uma oportunidade para nos relançarmos esta época. Uma derrota significará um adeus definitivo ao título e, muito provavelmente, à entrada directa na Liga dos Campeões.
O empate deixará a luta pelo 2.º lugar ainda em aberto, tendo nós que esperar pelo resultado do benfica para sabermos se o título ainda estará alcançável.
A vitória deixa-nos às portas do 2.º lugar, mantêm pressão no benfica, e será um tónico mais que suficiente para nos motivar nos 14 jogos que restarão.
O trabalho será hercúleo. O porto não tem estado a jogar melhor do que nós, mas tem demonstrado algo esta época que nos tem faltado: tem garra. Jogando no próprio estádio, sentindo o orgulho ferido pelas recentes derrotas frente ao nosso clube, os andrades tudo farão para nos mostrar que são melhores que nós.
Da nossa parte temos de nos agarrar aos nossos trunfos: a experiência do treinador, o grande momento do goleador, o sangue novo que voltou esta semana a Alvalade e que, muito provavelmente, dará o seu contributo amanhã. A forma de Gelson, a abnegação de Adrien, a classe de Coates e Patrício. Repetir as exibições de Madrid ou da Luz, sem repetir os resultados.
Com Palhinha no lugar de William, Geraldes e Podence no banco a espreitar uma oportunidade, aposto no mesmo onze que entrou em campo com o Paços de Ferreira. Talvez a surpresa do JJ seja à esquerda, mas não acredito que ponha o Marvin ou o Jefferson de início.
Se tudo correr bem, que ganhemos por 3-1, com um bis do homem do costume.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Prenúncio para o futuro (*)

Não tenhamos dúvidas. O benfica será, muito provavelmente, tetracampeão já nesta época. E se não acontecer algo extraordinário, como a implementação do vídeo-árbitro ou o avião com a equipa encarnada cair no mar, chegarão ao penta, hexa ou septa.

Quem se lembra do futebol português entre 1990 e 2011, associará a palavra “Sistema” à consagração portista. O Sistema dependia em grande parte do controlo que o porto impunha nos órgãos federativos e da liga, nomeadamente no conselho de arbitragem. Mas o Sistema nunca conseguiu ultrapassar os limites físicos do clube que lhe deu corpo. O Sistema dependia em grande parte dos árbitros recrutados nas associações de futebol do Norte, como Soares Dias (pai), Miranda de Sousa, José Guímaro, Martins dos Santos, os manos Calheiros, etc. Nessa época ainda existiam bons árbitros, principalmente a Sul, que garantiam alguma fé na arbitragem, como Rosa Santos, Veiga Trigo, Alder Dante, Vitor Correia ou até Jorge Coroado (quando não tinha azia). Também a comunicação social, esmagadoramente sedeada em Lisboa e consumida por não-portistas, era um entrave ao Sistema. Eram os tempos em que os telejornais abriam com as roubalheiras perpetradas pelos andrades, a SIC e a TVI promoviam debates pela verdade desportiva, etc.

O estado lampiânico teve como grande mérito ultrapassar os limites do Sistema. Enquanto o Sistema não conseguia recrutar árbitros a sul do Mondego, pois eram raros os portistas aí, o estado lampiânico recruta apitadores com a mesma facilidade em Lisboa, Faro, Porto ou Braga, ou seja, não estão limitados por factores geográficos. Os árbitros desta nova geração estão tão confortavelmente protegidos que já não escondem as suas preferências clubísticas encarnadas, brindando-nos com roubalheiras escandalosas, como esta recente do Sporting-Braga em “Bês”. Mas se antes ainda tínhamos um Rosa Santos ou um Veiga Trigo onde depositar esperanças, hoje agarramo-nos a quê? Artur Soares Dias? Jorge Sousa? Mau, muito mau. E tudo isto se passa com a complacência da comunicação social, que apesar de dispor de meios de análise que não dispunha há 10 ou 20 anos, prefere assobiar para o ar e agradar à nação lampiónica que lhe compra os jornais. Não fosse alguma blogosfera, o estado lampiânico passaria incólume.

Com a actual fornada de árbitros e esta comunicação social conivente, não vislumbro hipóteses para os adversários do benfica. A base da nossa super-equipa da época passada foi suficiente para Portugal ganhar um inédito título de campeão europeu, mas não chega para sermos campeões de clubes em Portugal, contra uma equipa de jogadores medianos, treinados por uma personagem com o carisma de uma alface. 

Renovar esta geração medíocre de árbitros demorará alguns anos, pelo que ainda teremos muitas épocas de ferraris vermelhos de apito na boca. A esperança poderá residir na implementação do vídeo-árbitro, mas o braço do estado lampiânico na comunicação social já começou a campanha para o desacreditar. E ao nosso Sporting, que nos bastará?

Quando Santana Lopes chegou ao Sporting, em 1995, tentou despertar as consciências sobre o estado do futebol, mas a política levou-o para outros voos. Dias da Cunha, com o seu tom de voz arrastado, enrolado e pouco entendível, tentou no inicio do século desmascarar o Sistema (foi ele que criou a denominação). Foi humilhado dentro e fora do clube e corrido do Sporting. Quem lhe seguiu preferiu conformar-se com a evidência de que era impossível superar o Sistema, o que resultou no que todos sabemos.


O próximo acto eleitoral será determinante, pois entre tantas escolhas, iremos decidir a forma de combater o estado lampiânico nos próximos tempos. Se ficaremos conformados, como no pós-Dias da Cunha, ou se continuaremos a berrar para nos fazermos ouvir, nem que seja ao pontapé e à cabeçada como disse o Manuel Moura dos Santos, mas sempre dependentes do habilidoso de apito na boca.

(*) - Texto originalmente publicado na Tasca do Cherba, a 12-01-2017

A anatomia de uma época e o futuro que aí vem (*)

Escrevo este texto no dia seguinte à derrota com o Braga. Presenciei incrédulo o que se ia passando no relvado. Jogadores que aos 15 minutos já demonstravam claro cansaço, físico e mental, completamente incapazes de agitar o jogo, diante dum adversário que entrou medroso em campo, mas cedo percebeu que tinha diante de si a sombra de uma equipa.

Não sei o que mais nos espera nesta época. Arredados prematuramente das competições europeias, só um milagre nos levará a ganhar 8 pontos ao líder. Quando acabou o último campeonato, em Maio, ninguém estaria à espera deste descalabro. Sabíamos que ia ser difícil, os nossos melhores jogadores cansados do Europeu, a máquina lampiânica bem oleada a comandar os colinhos, o clube da fruta desesperado em recuperar protagonismo. Fizemos o que na altura considerei o correto: dar carta branca ao treinador, aumentar o orçamento, encher o plantel de jogadores rotulados de “experientes” e opções válidas aos titulares da época passada. Enfim, apostar tudo o que podíamos, até porque estávamos com os cofres cheios com as vendas de João Mário e Slimani.

Aqui chegados não nos resta outra coisa senão constatar o óbvio: foi um fiasco. Salvo alguns (bons) acrescentos, continuamos com o grande problema que se arrasta desde tempo do Leonardo Jardim, que é a falta de alternativas viáveis. Adrien e William Carvalho continuam sem substituto à altura, mesmo depois de gastarmos milhões de euros em Magrões, Vitores, Paulistas, Petrovics, Melis, Ruizes, Slavchevs, etc. Os nossos laterais são sofríveis, os centrais insuficientes face à incapacidade geral da equipa em defender bem, não temos um segundo avançado competente, apesar de termos despachado o que melhor se portou nessa posição (Montero). Mais golos sofridos, menos golos marcados, posse e troca de bola em demasia, pouca bola em zona de finalização, inexistência de golos marcados em contra-ataque. Afinal o que nos resta?

Nos últimos anos a nossa fé tem assentado no facto de irmos mantendo o onze base, pois acreditamos que será desta que conseguiremos construir o tal plantel equilibrado e competente para enfrentarmos 10 meses de futebol intensivo. Se no final desta época virmos partir Adrien, William ou Rui Patrício, onde assentará a nossa fé? No voluntarismo do presidente?

O voluntarismo do presidente deu-nos coisas boas nos últimos anos, como assistir a um jogo de futebol domingo à noite, em Dezembro, ao lado de 42 mil adeptos. Deu-nos o pavilhão desportivo. E se a equipa ainda tem um núcleo duro, deve-se à sua resistência em vende-lo ao primeiro clube que acene com uns euros. Contudo, esta direcção fracassou num ponto que me parece crucial: o scouting. Infelizmente não conseguiu apetrechar a equipa de jogadores competentes, condizentes com as nossas necessidades. Pelo contrário, ficou sempre a sensação de algum amadorismo na forma como a política de contratações foi sendo conduzida.


Em 2017 teremos eleições. Apesar de globalmente estar satisfeito com a actual presidência, estou expectante para ver as alternativas que concorrerão consigo. Esperemos que quem vier nos próximos 3 anos traga a solução milagrosa para o nosso departamento de scouting. E, já agora, que não estrague o que de bom se fez.

(*) - Texto originalmente publicado na Tasca do Cherba, a 22-12-2016