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segunda-feira, 19 de março de 2018

Vitórias à Sporting, números à benfica

Com o plantel na máxima força, sem inclinações de relvados, somos aquilo que viram ontem: uma equipa dinâmica, com qualidade, vontade de vencer e muito segura de si. O adversário era o quinto classificado, uma equipa que apresenta um bom futebol, com jogadores muito interessantes nas diversas posições. E aquilo que parecia complicado, com um jogo de 120 minutos 3 dias antes, com viagem de avião pelo meio, acabou por ser simplificado pela qualidade que demonstrámos em campo. O segundo golo acabou por aparecer demasiado tarde face às oportunidades criadas. Mas como isto é o Sporting, que graça teria estarmos a ganhar por 2 ou 3 ao intervalo?
Jorge Jesus tem razão quando diz que esta equipa merece ser acarinhada pelos adeptos. Não só pelo número recorde de jogos que irão fazer, mas também pela forma como se empenharam para ganhar em situações dramáticas. O jogo contra o Moreirense é o espelho desse dramatismo: uma equipa devastada por um síndrome viral, com a maior parte dos titulares de fora, obrigada a jogar em desvantagem numérica por obra e graça do apitador de serviço, conseguiu mesmo assim vencer o jogo na raça. E quem diz o jogo do Moreirense diz também o jogo de Tondela ou contra o Feirense. É que há uma enorme diferença a jogar cansado, com os melhores de fora, ainda por cima tendo de levar com os critérios enviesados das arbitragens, em oposição a jogar folgado, sabendo que do outro lado está uma equipa condicionada pela inclinação do campo. Os sportinguistas deviam ser os primeiros a perceber isto, pelo que não compreendo certas reacções dos nossos adeptos nos últimos jogos. Adiante.
Os cinco e três pontos que temos de atraso face a porto e benfica, ainda nos permite encarar para a recta final do campeonato com uma ténue esperança. Na próxima jornada teremos mais um jogo decisivo, onde precisaremos novamente do melhor Sporting. A deslocação a Braga será provavelmente o jogo mais difícil que teremos para o campeonato, depois da recepção ao benfica. Os bracarenses tem feito uma boa segunda volta e acalentam a esperança de alcançar o terceiro lugar. A nós resta-nos remeter o Braga para o seu honroso quarto posto, dizendo com isso ao mundo de que o Sporting ainda está vivo e na luta pelo título. Por sua vez o porto terá uma deslocação complicada a Belém, onde o benfica só não perdeu por "paixão". Uma possível perca de pontos dos azuis relançaria o campeonato na sua recta final. Veremos o que a Páscoa nos reserva.
Por último, uma proposta de assunto para irmos pensando e debatendo nestes dias sem campeonato: os números "à benfica". O nosso rival de Carnide continua a ser um case study de como contrariar a estatística. Em 2015/16, mostrou-nos ser possível uma equipa somar quatro derrotas mas só um empate. Junte-se a isso a tremenda dificuldade dos seus jogadores verem cartões (amarelos ou vermelhos), face à facilidade com que os seus adversários os vêem (sábado foi mais do mesmo). A quantidade de jogos que passam sem que lhes marquem um penalti contra. A diferença que foi a sua prestação europeia, com 6 derrotas em 6 jogos, face à sua prestação interna na mesma fase. Por fim, o VAR. Tínhamos todos alguma curiosidade de como seria o impacto das novas tecnologias no nosso campeonato. Ao Sporting, o VAR já lhe anulou golos marcados e sofridos, mandou anular uma decisão de marcação de penalti a favor e inclusivamente errou grosseiramente contra nós. Creio que quase todas as equipas terão passado por situação semelhante, o que estatisticamente é expectável. Menos o benfica. Curiosamente, não me lembro de nenhum golo do benfica anulado pelo VAR, nenhum penalti a seu favor anulado ou jogador expulso por intervenção do VAR. Em contrapartida já viram golos sofridos serem anulados. Há coisas curiosas, não há?  

domingo, 28 de janeiro de 2018

História com VAR feliz

Certamente que todos nós já fomos ao cinema ver aquele filme romântico, onde no final o protagonista beija a protagonista e o filme acaba como todos felizes, espectadores e personagens.
Geralmente nesse tipo de filmes percebemos aos 5 minutos que no fim os protagonistas ficam juntos e darão o seu beijo da praxe. Mas se fosse assim tão fácil, ele chegar ao pé dela, arrebatar-lhe pela cintura e beijá-la ao fim de 10 minutos, a história acabava logo ali e não tinha piada nenhuma. Por isso é que os filmes românticos são sempre mais complicados. A protagonista já namora com um gajo que é um grande otário, depois conhece o protagonista através da melhor amiga, entretanto a protagonista apaixona-se pelo protagonista mas vê-o a beijar uma loira escaldante que afinal é uma prima afastada que veio à cidade de férias, há umas quantas correrias, uns desencontros, até que por fim o protagonista vai a correr pelo aeroporto fora e à porta do avião berra um "I love you" e beijam-se os dois ao som dos aplausos dos transeuntes que assistem à cena. E com isto passam-se duas horas no cinema, onde ficamos prendidos ao ecran à espera de um final que desde os 5 minutos sabíamos que só poderia ser aquele.
Com o Sporting passa-se também o mesmo. Ontem poderia ter chegado ao pé do Vitória de Setúbal e ter arrumado a questão em 30 minutos, bastando para isso ter posto a equipa que jogou na segunda parte e ter marcado uns 2 ou 3 golos para arrumar logo com a questão. O problema é que com isso acabávamos por mudar de canal aos 30 minutos e cagávamos para o raio da taça, porque nunca gostámos dela e naqueles primeiros 30 minutos não tínhamos feito mais do que a nossa obrigação de clube grande. Mas isso não é o Sporting. Não me lembro de ter ganho uma competição que fosse sem que houvesse uma ponta de dramatismo. Fosse o campeonato de 2002, a final da Taça do Tiuí, ou outras dezenas de troféus ganhos na "garra", tudo teve de ter sangue, suor e lágrimas para ser ganho. Para o bem ou para o mal, isto é o que eu chamo "ganhar à Sporting".
Começámos mal o jogo. O Setúbal entrou melhor e o Paciência filho revela já a mesma apetência que o Paciência pai tinha para nos marcar golos. Um pouco de sorte à mistura, pois podíamos ter sofrido o segundo golo, lá chegámos ao empate num lance que, como não poderia deixar de ser, teve tanto de decisivo como de épico. Um lance claríssimo, que tal como em 2009 iria passar em claro, não tivesse sido a perseverança de alguns defensores da verdade desportiva em implementar em Portugal uma coisa chamada VAR. E aquilo que há 4 anos era visto como uma "patetice" do gordo líder dos carneiros de Alvalade, eis que em 2018 serviu para que mais outra final não ficasse borrada da merda que outros teimam em fazer nos nossos jogos. Era a primeira lição do destino.
Depois vieram os penaltis. Novamente o destino a ensinar-nos que quem espera sempre alcança e de lá veio a sua segunda lição: o jogador do Vitória, que deveria ter sido expulso no lance do penalti, falha o único pontapé da sua equipa. 
E como mandam as regras da vida, não há duas sem três. E eis que a terceira e última lição do destino surge nas mãos de William Carvalho. Ele que sozinho carregou o fardo de falhar o penalti decisivo do europeu de juniores, que falhou ano passado um penalti decisivo na Madeira e que ainda na meia final também havia falhado, acabou por ser o herói improvável de um jogo onde desde o início sabíamos que iria acabar com a vitória do nosso lado.
Apesar desta competição não ter grande interesse para mim nem para a maioria dos sportinguistas, foi tanta a azia que esta vitória despertou em andrades e lampiões, que no final todos nós sentimos um gosto especial quando o nosso capitão Rui Patrício, que num gesto do seu já típico altruísmo, chamou William Carvalho para levantarem uma taça que já devia ser nossa há nove anos.  

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O VAR actual e uma proposta para o futuro

Diz-nos a Lei de Murphy que, se algo puder correr mal, vai correr mal.
O passado domingo foi um bom exemplo da aplicação da Lei de Murphy à realidade. Na semana em que foram executadas buscas judiciais no estádio da Luz, ou em casa de dirigentes do benfica, no âmbito do processo dos emails, alguém achou que um dos árbitros envolvidos no caso - Nuno Almeida, o "ferrari vermelho" - era o mais indicado para arbitrar o jogo dos encarnados. O resto da história todos sabemos como acabou. Mal.
Mantendo a agulha virada para as leis epigramáticas, lembro-me da "navalha de Hanlon", que nos dizia para nunca atribuirmos à malícia o que poderia ser bem explicado pela estupidez. E como dizia Einstein, a estupidez não tem limites, ao contrário do Universo. 
Sobre o corte de comunicações ocorrido no jogo Aves-Benfica ou da decisão do árbitro Rui Costa no lance do penalti em Alvalade, não acrescentarei mais nada, pois tudo o que haveria para opinar já foi opinado. O que salta à vista dos olhos é que neste momento temos uma classe - os árbitros "profissionais" - que está descaradamente a boicotar uma medida imposta pela Liga de Clubes, que é a implementação do VAR. Só assim se explicam os apagões, os vazios, os cortes de comunicação, o "aguenta" para uns ou o silêncio para outros. Quando os árbitros, que deveriam ser os mais interessados em credibilizar esta ferramenta de apoio ao seu trabalho e dos colegas, são os primeiros a achincalha-la, está tudo dito quanto à sua intenção. 
Mas voltemos á epigramática, mais concretamente ao conhecidíssimo princípio de Peter. Disse-nos Lawrance J. Peter que todo o indivíduo tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência. Terão os árbitros que ocupam o actual quadro de árbitros profissionais atingido o seu nível de incompetência? Terá o actual estado do futebol português chegado ao um ponto onde Peter, Hanlon e Murphy se cruzaram, e onde chegamos facilmente à conclusão que os árbitros são incompetentes, que os seus actos se explicam pela sua incompetência e que por isso mesmo tudo o que fazem é desastroso?
É que antigamente havia a desculpa do momento. O jogador caía na área, o avançado desmarcava-se depressa, o defesa enfiava uma cotovelada ao adversário quando o "bandeirinha" estava de costas. Ou seja, o decisor só tinha uma oportunidade para visualizar o acontecimento, era ali ou nunca. Hoje não. E por isso estão os adeptos e os clubes cada vez mais fartos de quem nos apitar. Sejam eles estupidos ou maldosos.
Vem esta conversa toda a propósito da recente greve convocada pelos nossos árbitros. Que é que hoje há que não havia há um, dois, cinco ou dez anos atrás? Agressões? Check. Rumores de corrupção? Check. Dúvidas na atribuição de classificações? Check. Casos, comentadores e paineleiros? Check. O que mudou mesmo nestes últimos anos? Pois, a introdução do VAR. E lá vou eu outra vez à epigramática: "Não há almoços grátis". E está na hora destes nossos árbitros pagarem o seu "almoço" a quem os ofereceu no passado.
Neste momento, perante o boicote que se assiste ao VAR por parte dos árbitros, parece-me importante começar a pensar em alternativas ao modelo existente. E permitam-me que aqui, neste meu pequeno espaço, lance uma ideia: porque não pegar em antigos árbitros para fazerem de VAR? E porque não fazer equipas de dois ou três indivíduos como VAR? No primeiro caso, são pessoas que já não estão constrangidas pela avaliação do seu desempenho, como as notas dos observadores, pois o seu percurso já chegou ao fim. E digo antigos árbitros, porque temos muitos que continuam ligados à sua função, comentando as arbitragens na TV ou em jornais. No segundo caso, mais do que um decisor atrás do VAR, porque duas ou três cabeças pensam melhor que uma e quatro ou seis olhos veêm melhor que dois. E o erro dilui-se sempre quanto mais pessoas capazes estão a julgar.
Pensem nisto.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O VAR: entre o Estado Lampiânico e o Sistema, nós!

Quinta jornada, quinta vitória. Podia ter sido um jogo com história simples, do género "má primeira parte, mas segunda parte de nível embala leão para mais uma vitória". Mas não, sportinguista que se preze não se contenta com vitórias fáceis. E lá tivemos nós de entrar em modo "hara-kiri" nos últimos momentos do jogo, para depois sim, ganharmos mais um jogo "à Sporting".
O Feirense é uma das equipas mais complicadas da Liga, principalmente a jogar em casa. Faz parte do mesmo lote de Chaves, Estoril ou Marítimo. Equipas pequenas, com orçamentos limitados, mas tacticamente muito certinhas e com filosofias de jogo que vão muito além do autocarro. 
Adeus Santa Maria da Feira, olá Atenas. Amanhã jogaremos uma importante cartada na Liga dos Campeões. Ainda é o primeiro jogo, é certo, mas para sonharmos com algo mais do que o terceiro lugar neste grupo, qualquer deslize é o seu fim. Uma vitória amanhã deixa-nos logo na frente da luta pelo terceiro lugar e abre-nos excelentes prespectivas para tentar o segundo lugar. Uma derrota praticamente nos arreda da luta pelos primeiros lugares do grupo, restando-nos ombrear com o Olimpyakos por um lugar na Liga Europa. O empate, como este jogo é fora, não será mau do ponto de vista da luta pelo terceiro lugar. Mas deixa-nos com pouca margem de manobra para mais.
Sejamos realistas, para passarmos aos oitavos de final da Liga dos Campeões, teríamos de fazer pelo menos 9 pontos (o benfica passou com 8 no ano passado e a Roma com 6 há dois anos, mas são casos muito raros). Isso implica obrigatoriamente vencer os dois jogos com o Olimpyakos e ganhar pelo menos um jogo a Juventus ou Barcelona. Por isso, amanhã, se quisermos fazer história nesta competição, só há um resultado possivel: a vitória.
Olhando novamente para a competição interna, vimos entretanto como os discursos se vão ajustando às necessidades. E convêm que os sportinguistas estejam atentos a estes "sinais dos tempos" e não deixem que lhes façam o ninho atrás da orelha. É que já vi alguns sportinguistas a alinhar nos discursos dos nossos rivais, o que sinceramente não me agrada.
Vamos por partes. O Al-Carnidão, como já se esperava, usou a sua última vitória in-extremis para atacar o VAR, usando como de costume a sua típica basófia e fanfarronice. Diz a cartilha que afinal o benfica não só não perde pontos com o VAR como até os garante. Nada de mau por aqui, pois eu prefiro estar dois pontos à frente sem espinhas do que quatro pontos com calimeros em choro compulsivo. Mas dois pontos são dois pontos, e o Estado Lampiânico lá começou com o seu típico trabalho de ameaça e coação, como a entrevista de Luis Bernardo ao Record. E mais se seguirá nos próximos dias, estejam atentos.
A novidade vem do velho "Sistema", que após a vitória do benfica desatou num ataque cerrado ao VAR. Basicamente a narrativa portista é que o VAR não serve para nada, pois o benfica continua a ganhar com marosca. Este discurso é perigoso, e para mim não é nada inocente. Quem está no poleiro do futebol nacional obviamente que não quer que estejam sempre em cima dele a escrutinar o seu trabalho. O VAR, com todos os seus defeitos, é uma arma de escrutínio e estamos bem melhor com ele do que sem ele. Não sei se o Sistema estará já preparado para tomar de assalto o nosso futebol, ou se o EL está já tão enfranquecido que se deixe derrotar. Mas que esta conversa de desvalorizar o VAR já está a ser lançada com o alto patrocínio dos baluartes andrades, isso está. E quando vejo sportinguistas a amplificar essa desvalorização, alinhando na conversa de um dos nossos rivais, fico preocupado.
Em Portugal, o VAR está na sua primeira época de implementação. O projecto é ainda isso mesmo, um projecto. Precisa de ser estudado, analisado e alterado naquilo que melhor servirá o desporto. Tenham lá a santa paciência, mas um fora do jogo mesmo de um milímetro é um fora-do-jogo. E continua a ser fora-do-jogo dependendo do entusiasmo (ou falta dele) do video-árbitro. Não nos percamos em truques comunicacionais ou clubites mal amanhadas. Foquemo-nos só e apenas na verdade desportiva e em contribuir para a sua valorização. Conversa de lobos com pele de carneiro, não obrigado!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Não podemos vacilar!!!!

Quem tem acompanhado as minhas publicações neste blog, certamente já notou que sou um defensor determinado do video-árbitro. Mas também reparou que eu não deposito nele toda a esperança para o fim das maroscas no nosso futebol.
Sobre o lance do golo mal anulado ao Braga, vou partir do princípio que o erro de análise decorreu da falta de experiência de quem está no estúdio ainda tem no visionamento dos vários àngulos da jogada. De resto, diga-se em abono da verdade que o benfica também se pode queixar de uma grande penalidade que não foi vista pelo VAR. No jogo do porto houve um lance que me parece de penalti para o Estoril, cujo desenrolar da jogada daria no primeiro golo de Marega.
Creio por isso que ainda é cedo para criticar, mas fiquemos atentos. O benfica já leva dois jogos seguidos onde o VAR teve uma prestação insatisfatória. Veremos se foi um erro ou uma tendência.
O Sporting para já não se pode queixar ou entusiasmar, pois o nosso jogo na vila das Aves não teve casos de arbitragem. Aguardemos serenamente os próximos jogos e façamos o nosso trabalho bem feito. Todos os anos, em termos de tabela classificativa, ficamos 6 ou 8 pontos abaixo do que deeriamos ter, se não fossemos prejudicados pelas arbitragens (e também beneficiados). Se partirmos do princípio de que esses 6 ou 8 pontos serão este ano colmatados com a introdução do VAR (ou na pior das hipóteses 5 ou 6 pontos), "só" temos de garantir que esses pontos não sejam perdidos por azelhice nossa.
Lembro-me que há dois anos, apesar de termos sido puxados para trás, perdemos pontos inadmissíveis em casa com Paços de Ferreira, Tondela ou Rio Ave, e perdemos aquele jogo ridículo na Madeira contra o União. Ano passado também cedemos estupidamente pontos a Tondela e Braga em casa e Rio Ave fora, ainda na fase inicial do campeonato. Para sermos campeões não podemos empatar em casa com os Tondelas desta vida. E temos necessariamente de ganhar pontos nos confrontos directos com os nossos rivais.
Daí que o próximo jogo contra o Vitória de Setúbal tenha de ser para ganhar. Não peço uma exibição deslumbrante com goleada, que ainda temos jogadores a ganhar ritmo. Mas peço um jogo sério, focado e compenetrado. E tenho a certeza que se jogarmos assim, a vitória está mais que garantida, por muita vontade que os sadinos tenham em vir infernizar-nos a vida.
Depois temos mais dois jogos para o campeonato até à primeira interrupção. Vamos a Guimarães e recebemos Estoril, com o play-off da CL pelo meio. O jogo de Guimarães será, sem dúvida. o grande teste a esta equipa. É um campo dificil, contra uma equipa que se costuma rasgar toda para nos vencer, liderada por um treinador que se esfarrapa todo para nos ganhar pontos. Além de que temos aquela maldição dos jogos após as competições europeias, onde vamos sempre a baixo. 
Após o jogo contra o Estoril, se tivermos 12 pontos e a qualificação assegurada para a CL, temos tudo para sonhar com coisas boas nesta época. Isto porque a concorrência será cerrada. O porto está com o gás todo, e enquanto ele durar não podemos vacilar. Do lado do benfica fica-me uma questão por esclarecer: quantos golos sofrerão por jogo Varela, Almeida, Eliseu, Luisão e Jardel? Uma defesa destas aguentar-se-á mais jogos com nenhum ou só um golo sofrido?

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O Bode Expiatório

Enquanto o mundo gira à volta da "guerra surda" entre Irão e Arábia Saudita ou das eleições inglesas, cá pelo burgo vão-se erguendo as vozes sobre o assunto que está na ordem do dia: as missas cantadas na catedral da Luz.
O jornal A Bola continua feliz e contente a viver na sua própria dimensão, assobiando para o ar como se nada fosse. Impunha-se aqui um outro tipo de jornalismo, se não de investigação pelo menos de informação. O que foi dito no Porto Canal é demasiado grave para ser ignorado, por mais firmes que sejam as convicções dos editores do jornal. É como se um jornal generalista se desse ao luxo de ignorar, por exemplo, as últimas buscas da PJ nos escritórios da EDP e REN. É actualidade informativa, ponto. Não deixa de ser irónico, que num contexto de padres, missas e sacerdotes, com a catedral em pano de fundo, seja o jornal popularmente conhecido pela "Bíblia" a prestar-se a estas figuras. Tudo na paz do Senhor, portanto.
Da mesma forma que no caso dos "vouchers" tudo começou por um desmentido categórico, passando depois por um "todos fazem" ou "ninguém se deixa corromper por tal", até à definição final do limite máximo para as prendas, também aqui tem sido delicioso assistir ao contorcionismo levado a cabo pelos spin doctores do Estado Lampiânico. A fase do desmentido nem 24 horas durou, pois aquele comunicado envergonhado e o cancelamento da entrevista ao primeiro-ministro tresandavam a comprometimento. A fase do "todos fazem" circulou um pouco por aí durante o dia de ontem. Ele era a fruta, muito mais grave que as missas, ou então o Cardinal, pior do que ter sete árbitros ao seu serviço. O argumento de que "eu porto-me mal mas ele porta-se pior" já não pega. Especialmente quando este tem sido o único usado nestes últimos 4 anos onde os escândalos se vão sucedendo. 
Hoje acordei e verifiquei que a narrativa do Estado Lampiânico é agora a do bode expiatório. Afinal a culpa é toda do Pedro Guerra, que não tem categoria, nem dimensão, para assumir o protagonismo que tem em nome do benfica. Acordaram hoje e descobriram que é um ser asqueroso e é uma das fontes do mal-estar do nosso futebol. E vão tentando incutir-nos a ideia de que terá sido ele, sozinho, a tecer a teia que onde o futebol nacional está enredado. Ou, numa linguagem mais canónica, tenha sido ele o doutor da igreja que criou a "religião" onde os padres rezam e o primeiro-ministro reina. 
Tudo acabará com Pedro Guerra a partir para o Dubai, quiçá para os braços do Arcanjo Gabriel. E pensarão todos que assim, da mesma forma que se passa o esfregão para limpar a nódoa, também o nosso futebol ficará de cara lavada e imaculado, tudo dependendo do tamanho da nódoa a limpar.
Veremos que mais terá Francisco J. Marques para mostrar. Uma coisa é certa, por estes dias irá andar muita gente nervosa e a dormir mal. 
P.S.- E o que dizer das palavras de Rui Vitória ao jornal espanhol "Marca", sobre a adaptação dos seus jogadores ao video-árbitro??? Delicioso!

terça-feira, 30 de maio de 2017

Próxima batalha: o fim das promiscuidades

Surpresa das surpresas, a utilização do video-árbitro na final da Taça de Portugal não resultou em nenhuma catástrofe ou hecatombe. A tragédia anunciada de que o VA iria provocar quebras no ritmo da partida, com inúmeros tempos mortos, como se a verdade desportiva fosse algo acessório em alta competição, afinal não se verificou. Como sempre, no final o Estado Lampiânico virou o bico ao prego e o seu Al-Carnidão, com a bazófia e fanfarronice típica daquela banda, difundiu a mensagem de que com ou sem VA, o vencedor é sempre o mesmo.
Mas não percamos muito tempo com a bazófia carnidense. Afinal, com esta narrativa, estão a passar a mensagem de que o VA não é o Apocalipse do futebol. "Vencendo os mesmos" acabam por desviar o foco na diabolização das novas tecnologias, o que é bom. Acabaremos por ler e ouvir nos próximos dias os "cartilheiros" a pregar isso mesmo, que "o VA era uma arma de arremesso dos rivais, mas que no final ganham sempre os melhores". Ao que eu acrescentaria, "ganham os melhores, sem (tantas) injustiças pelo meio". Em Agosto ninguém estará contra o VA, agora transformado em ferramenta essencial do futebol moderno. Depois disso, logo veremos...
Entretanto o Estado Lampiânico continua a copiar o guião que o Sistema foi utilizando na década de 90 e seguinte. Um dos pontos desse guião era o de emprestar fornadas de jogadores à equipas mais pequenas, de forma a torná-las mais dependentes do grande "pai" porto, logo pouco propensas a criar-lhes dificuldades ao longo do campeonato. Este negócio, a confirmar-se, demonstra cada vez mais o grau de sofisticação atingido pelo Estado Lampiânico. Não só demonstra uma boa capacidade de reacção às adversidades, o que reflecte o seu vigor, como também mostra estar apetrechado com soluções para, à semelhança do Sistema, manter entretidos e junto a si a maior parte dos clubes portugueses.
A adopção do VA, por si só, como atrás se viu, não garantirá a transparência do futebol jogado. Como disse Norton de Matos, se um jogador quiser fazer penalti contra a sua equipa, fá-lo. É certo que a implementação, ainda que embrionária, do VA dissipará alguns erros grosseiros e que custam pontos. No entanto há muito mais no nosso futebol nacional do que o golo mal anulado por fora-do-jogo ou o penalti que não foi assinalado. E será na eliminação das promiscuidades entre equipas de futebol que os nossos dirigentes (do Sporting e não só) terão de se bater nos próximos tempos.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

De que valerá o video-árbitro na próxima época?

Com a tragédia de domingo, poucos se terão dado conta, ou se o deram nem tiveram tempo para o celebrar, das últimas alterações ao quadro competitivo do futebol profissional.
Uma das alterações, que significará a uma mudança radical na forma como vemos futebol, é a introdução do video-árbitro. A curto prazo provavelmente veremos o fim do fora-do-jogo duvidoso, as simulações dentro da área irão ser drasticamente reduzidas, as faltas dentro da área serão praticamente todas assinaladas e por fim saberemos se a bola ultrapassou totalmente ou não a linha de golo. É certamente o maior avanço civilizacional do futebol, desde que foram introduzidas as substituições e os cartões amarelos e vermelhos. E uma alteração destas originará necessariamente um futebol melhor, pois torna-o mais verdadeiro o honesto. Obviamente que o período inicial de implantação do video-árbitro terá de ser de adaptação, pelo que talvez as coisas não comecem logo bem, mas é uma alteração que tem tudo para melhorar por completo o futebol jogado.
Outra alteração que nos foi anunciada agora é a da publicação dos relatórios dos árbitros após o jogo que apitam. Aqui a medida ainda tem algumas arestas para limar, como o Mister do Café aqui descreveu. Mas a introdução do princípio em si é já de louvar, esperando eu que se estenda também ao relatório dos observadores. 
Eu por natureza sou um optimista, e acredito sinceramente no progresso da Humanidade, bem como dos mecanismos que ela própria cria para regular a vida em sociedade. No caso concreto do futebol profissional tuga, acredito que estes mecanismos para tornar os seus meandros mais transparentes resultarão num jogo mais limpo, onde o vencedor final será o que tiver mais mérito.
A concretização destas medidas é uma vitória de todos aqueles que nestas últimas épocas se bateram por elas, incluindo Bruno de Carvalho. Se na época passada estas medidas já tivessem implantadas, se calhar tínhamos sido campeões. E esta época teria sido também ela diferente, pois não nos podemos esquecer que em determinada altura, com arbitragens isentas, estaríamos numa posição mais confortável daquela para onde acabaram por nos relegar. É portanto uma vitória nossa, apesar dos defensores do video-árbitro que apareceram à última hora a apoiar o seu aparecimento.
De certo modo, nas últimas 4 épocas, nós sportinguistas temos verificado que as nossas classificações finais são um pouco fruto de decisões erradas de arbitragem. Mas também temos de admitir que, tirando a última época, a nossa equipa principal anda desfasada daquilo que os sócios e os adeptos esperam dela. O que aconteceu no último domingo, apesar de numa amplitude menor, tem acontecido amiúde nestas últimas épocas: em momentos onde precisávamos de espírito guerreiro, alma e coração leonino, temos claudicado. 
Não podemos atirar todas as culpas para cima da arbitragem, quando caímos no nosso próprio estádio perante uma equipa que vinha de sete derrotas seguidas. Ou quando não conseguimos ganhar jogos aos últimos classificados do nosso campeonato. Há perdas de pontos que simplesmente não podem acontecer, mesmo jogando contra 12 ou 14. Por exemplo, na época passada formos prejudicados em casa com o Tondela. Mas a forma como nos deixámos empatar nos minutos finais desse jogo é imperdoável. O video-árbitro pode evitar o escândalo que se passou nesse jogo, mas não evitaria as fífias finais do Ewerton e do Jefferson no golo do empate.
Temos neste momento a noção de que a próxima época ditará, à partida, resultados mais justos face à produção das equipas em campo. Por isso precisaremos de ter um plantel muito mais forte do que este, com a classe do de 2015/2016 e a combatividade de 2013/2014. É bom que Bruno de Carvalho e o treinador tenham perfeita noção disso. Para mostrarmos que com um bom plantel, ao nível ou superior ao dos nossos rivais, e sem manigâncias ou maroscas, temos perfeitas condições para sermos campeões. Ir na próxima época a jogo com uma coisa ao nível desta época, além de muito dificilmente conseguirmos ganhar algo, ainda seremos o alvo da chacota e daqueles profetas de pacotilha, que dirão algo como "Vêem como o vosso problema não era com os árbitros mas sim com vocês próprios???".
2017/2018 tem de ser o ano do leão. Temos de construir uma equipa que saiba ter a classe, a concentração e a raça para ganhar todos os jogos. E com jogadores e equipa técnica que olhem para as bancadas antes dos jogos e saibam que não tem outro caminho senão o de deixar tudo em campo para conquistar os 3 pontos.