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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Varandices

Uma mão cheia de nada.
Escrevi no meu último post que, caso existissem provas evidentes que implicassem Bruno de Carvalho na ataque à Academia, ele só tinha era de apodrecer na prisão. Houve quem não gostasse do que escrevi, mas nisto de defender o Sporting acima de tudo e de todos, eu sou mesmo assim. Quem ataca o meu clube não me merece consideração. Pior ainda se esse ataque viesse de quem tem o dever de o defender logo na primeira linha. Nunca acreditei que Bruno de Carvalho fizesse algo do género, mas se há coisa que aprendi na vida é que não posso pôr as mãos no fogo por ninguém. Fico contente que todo este circo mediático tenha parido uma barata, pois mostra que não me enganei em relação ao nosso ex-presidente. 
Não deixa de ser de curioso que muitos dos palradores que hoje assumem o mediatismo em nome do Sporting, se tenham tornado conhecidos graças a Bruno de Carvalho. Quem era Rui Morgado, José Pedro Rodrigues ou Vítor Ferreira antes de Bruno de Carvalho os ter chamado de "sportingados"? Quem era Eduarda Proença de Carvalho ou Jaime Marta Soares antes de serem convidados para a MAG nas listas do Bruno? Bruno de Carvalho teve esse dom de criar sportinguistas famosos apenas porque não gostava deles. Mas ele vivia bem com isso. Gostava de espingardar, debater, achincalhar os sportingados, com o mesmo empenho em que discutia com "Mister Burns", o "Rui-Santos-Feitio-de-Gaja", o "Labrego Salvador" e tantas outras personalidades da nossa vida pública. Tendo gerado tantos anti-corpos fora do mundo sportinguista, Bruno de Carvalho tornou-se um alvo a abater, custe o que custasse. André Geraldes disse que a partir de Janeiro deste ano, BdC começou a dar sinais de que não estaria bem, tendo entrado em derrapagem emocional nos meses seguintes. Este foi o "tal" erro da comunicação do ex-presidente, não ter percebido que a partir de uma determinada altura, já não estava a mobilizar sportinguista algum, mas apenas e só a criar mais inimigos. E tantos que ainda tem hoje.
Nervos de aço. É disso que o presidente do Sporting Clube de Portugal precisa para levar o clube ao lugar onde merece estar. Estamos num país minado e submergido por essa imensidão que é o Estado Lampiânico. Não bastasse o inimigo externo, temos ainda essa velha particularidade de termos as nossas próprias ratazanas dentro de portas. Ratazanas, notáveis, croquetes, viscondes, sportingados, enfim, chamem-lhes o que quiserem. São todas elas pessoas que estão plenamente convencidas de que o clube lhes pertence, seja porque são descendentes dos fundadores, seja porque tal advém do seu próprio estatuto social. E que passado a deriva brunista, querem recuperar o seu lugar no clube seja a que preço for, nem que para tal - Oh, pasme-se!!! - tenham de boicotar a actividade normal do clube.
Veio esta conversa toda a propósito do empréstimo obrigacionista que está em curso. Não vou sequer pegar naquela parte em que todos os sportinguistas, especialmente os anti-brunistas, repetem que afinal a situação financeira do clube "nem estava assim tão má" quanto temiam (Oh, pasme-se novamente!). Vou antes pegar nos últimos discursos do presidente Varandas, onde este afirma, com ar mais ou menos surpreendido, que a operação financeira tem estado a ser boicotada por muito boa gente, incluindo sportinguistas de renome. Acho curioso que volvidos pouco mais de dois meses de ser eleito, Varandas venha já choramingar na praça pública que descobriu qual a verdadeira essência do croquetismo. E que por esta altura, talvez já saiba que aquilo de "unir o Sporting" é uma tanga. Custa descobrir que afinal somos cornos, com tão pouco tempo de casamento. Varandas tem agora dois caminhos para seguir. Ou faz como aquele vizinho de cima, que arma um puto dum banzé quando sabe que a mulher anda a dar cambalhotas com o padeiro, até expulsa-la de casa nem que seja a pontapé. Ou então faz como o outro do fundo da rua, que preferiu amochar e continuar a passear de braço dado com a sua bela mas meretriz esposa, porque isto de arranjar quem nos faça a comida e lave a roupa dá muito trabalho. Se fosse Bruno de Carvalho, saberíamos qual o caminho que ele seguiria. Quanto a Varandas, ainda desconheço que estrada pretende ele trilhar, mas atendendo às reuniões com "notáveis" que ele já promoveu, não me parece que queira agora deixar a prendada "esposa" que tanto trabalho lhe deu a encontrar...

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

A herança de Tiago Fernandes e o elefante no meio da sala

Não faço parte do grupo dos que agora decidiram venerar Tiago Fernandes, qual coca-cola perdida no deserto. Não porque não goste do seu estilo irreverente ou pela forma como demonstra o seu sportinguismo a partir do banco, como aconteceu no final do jogo com o Arsenal. Apenas considero que ainda está longe de ser "o" treinador para o Sporting. Creio que ainda lhe falta alguma estaleca para conseguir interpretar os momentos mais inesperados do jogo. Ontem, por exemplo, permitiu que a sua equipa, a ganhar e a jogar em vantagem numérica, concedesse o golo do empate. Felizmente soubemos responder à adversidade e voltámos à vantagem no marcador, sendo que a partir do 2-1 já soubemos controlar melhor o jogo e o adversário. Salvo um ou outra correria, o Chaves não criou mais perigo.
Mas contra factos não há argumentos, e se é verdade que Tiago Fernandes ainda demonstrou alguma imaturidade nestes últimos jogos, também não é menos verdade que entrega o clube em muito melhores condições do que quando o recebeu. À oitava jornada estavamos em quinto lugar, hoje à décima estamos em segundo. Vencemos dois jogos para o campeonato e empatámos no Arsenal. Dependemos só de nós para sermos campeões e o apuramento para os 16-avos da Liga Europa está a uma vitória de distância. Poucos treinadores se poderão dar ao luxo de estar da situação em que Keizer estará hoje: receber uma equipa a meio da época, motivada e na luta em todas as competições (a Taça da Liga está difícil, mas ao nosso alcance). E este mérito é de Tiago Fernandes.
Mas ao contrário do inicio da época, não podemos correr agora o risco de embandeirar em arco e pensar que vamos limpar tudo nesta época. O futebol jogado, apesar de mostrar algumas melhoras, ainda está longe de ser convincente. Ainda ontem, contra o último classificado e em vantagem numérica, praticamente não tivemos oportunidades de golo. Custa-me dizer isto, mas depois de ver o porto-braga de sábado, fico com a clara convicção de actualmente não temos futebol para ganhar àquelas duas equipas. Podemos aumentar as nossas expectativas quando vemos a equipa a jogar com mais vontade de vencer ou com o regresso de Bas Dost. Mas é muito pouco. Necessitamos urgentemente de incrementar a qualidade do nosso jogo.
Frederico Varandas também sai bem desta situação. Soube resistir à pressão mediática de apresentar um nome à pressa, preferindo apostar num treinador interino e ambicioso para fazer a transição de Peseiro para o seu treinador de eleição. A aposta foi claramente ganha, como já disse em cima. E mesmo o timing, que parecia desastrado, acaba também por ajudar, pois o novo treinador terá mais de meio mês para se adaptar à equipa e a equipa adaptar-se a si, até ao reatar do campeonato. Certamente que Varandas tentará baixar as expectativas em relação ao trabalho do treinador para esta época, preferindo de certo adoptar um discurso mais de futuro, tirando pressão à equipa para o resto da presente época.
Quando a Marcel Keizer, espero que numa primeira fase tenha a inteligência de aproveitar o que de melhor este Sporting tem: o voluntarismo dos jogadores e o seu crer. Que saiba canalizar a qualidade individual de cada jogador para um modelo de jogo que priveligie o colectivo. E que construa uma equipa com condições de, pelo menos, bater-se de igual contra benfica, porto e braga, e conseguindo superiorizar-se às restantes catorze.
Não posso deixar de finalizar este meu post sem me referir ao elefante no meio da sala: a detenção de Bruno de Carvalho. Sendo certo que tal estará relacionado com Alcochete, estaremos a falar num crime de terrorismo, pelo que se não me espanta a decisão de mandar deter o nosso antigo presidente, nem me espantará que fique em prisão preventiva. O crime em questão é grave, pelo que admito medidas de coação igualmente graves. Apesar de não acreditar que Bruno de Carvalho tenha dado "a ordem" para o ataque, se a investigação imputar cabalmente a autoria dos factos a BdC, só desejo que aprodreça na prisão.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

A união é uma treta

No Sporting já se tornou um cliché. Cada vez que há um acto eleitoral, uma mudança directiva, uma troca na hierarquia, lá vem a conversa da "união". Mas afinal que união vem a ser esta?
Dizem-nos à boca cheia que nos últimos anos se assistiu a uma fractura no Sporting. Que o último conselho directivo, com Bruno de Carvalho à cabeça, lançou sportinguistas contra sportinguistas e expurgou do clube quem não concordava com a sua liderança. Em contrapartida, os arautos do "unionismo" propõe um modelo de gestão do clube que, despido dos lugares-comuns e da conversa de chacha de ocasião, nada mais é do que um seguidismo "salazarento" ao novo lider. E, não menos importante, esse seguidismo também se estende à elite que o rodeia e que basicamente é a mesma se sempre rodeou os nossos anteriores presidentes.
Fazendo um pouco de arqueologia, lembremo-nos todos de como o Sporting "unido" estava em 2013. O clube precisava de um abanão e era unânime a ideia de uma ruptura com o passado. Bruno de Carvalho executou esse corte e a coisa não lhe correu mal, sendo mais ou menos consensual que o seu primeiro mandato foi positivo. O anterior presidente acabou por cair porque os sócios estavam saturados do seu estilo frenético, não por causa das "desuniões".
Chegados a Maio de 2018, começamos a levar com a narrativa da "união" sportinguista. Essa narrativa parte do princípio errado de que o "Universo sportinguista" entrou com colapso por estar fraccionado, ou numa linguagem mais ortopédica, "fracturado". Fatalmente, a narrativa unionista resvala para a ideia do poder do clube ser entregue a uma elite que mais não é do que um conjunto de velhos conhecidos nossos, onde se destacam antigos presidentes e dirigentes, banqueiros, políticos e os grupos e grupelhos de gente "ilustre" do nosso clube. Basicamente, torna quase blasfemo discutir soluções e caminhos diferentes a serem tomados pelo Sporting, porque toda essa discussão é classificada de fracturante, e os tempos não estão para fracturas....
Felizmente, se há coisa que as sucessivas crises directivas fizeram de bom ao Sporting, uma delas é que incutiu na massa associativa um inédito espírito de participação cívica e activa na vida do clube. Todos os actos importantes, como eleições ou assembleias gerais, trazem consigo milhares de sócios ávidos de dar a sua voz e os seus votos em prol do clube. Longe vão os tempos onde a criação da SAD foi votada numa AG do clube em pleno verão, com uma mísera participação de centena e meia de sócios. Esses eram os tempos de união, onde ninguém questionava as decisões dos sábios dirigentes leoninos. Hoje temos debate e confronto de ideias, projectos para o clube personificados pelos seus defensores e caminhos diferentes a percorrer. 
Um dos países mais desenvolvidos do mundo, o Reino Unido, assentou a sua liderança há cerca de três séculos, quando o parlamento inglês assumiu o controlo da sua nação. Ao contrário dos demais reinos, cuja vontade do monarca era a vontade do estado, no Reino Unido era no debate e confronto de ideias entre conservadores e progressistas que se traçavam as linhas orientadoras do seu país. E ainda hoje o Reino Unido é uma referência quando falamos de nações desenvolvidas e com alto índice de participação democrática.
É por isso que toda a conversa de "união" em torno do Sporting me causa urticárias. Primeiro, porque a ideia de progresso assente em unanimismo é uma falácia, como o Reino Unido muito bem exemplifica. Depois, porque a conversa da "união" traz subjacente aquela ideia tão tipicamente portuguesa, de que só a "elite", os "ilustres" e os "ungidos" é que sabem o que é bom para o "povinho". A união é uma treta.
No desporto, o que cria as "uniões" em torno do seu presidente são o seu trabalho e o seu resultado. Bruno de Carvalho, mesmo sem ter sido campeão de futebol, conseguiu agregar os sportinguistas em seu torno porque projectou o nosso clube num patamar de onde já tínhamos sido arredados. Mas foi a falta de um título de campeão nacional que iniciou o desgaste da sua imagem junto dos sócios. Frederico Varandas, mais do que apelos de ocasião, terá de trilhar o mesmo caminho, como o Cherba tão bem expôs. E esse caminho também passa por escutar as críticas ao seu trabalho, ouvir quem pensa diferente de si e ter a coragem de tomar as decisões que são as que melhor servem os interesses do Sporting Clube de Portugal, não as da elite "unionista" que pululando por aí.
Quero é que o meu clube seja bem dirigido, bem defendido e bem representado. Quanto à "união", podem ir metê-la num certo sítio.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Eleições 2018: Ponto de situação das candidaturas

Ando há vários dias a tentar escrever aqui um balanço das várias candidaturas que até hoje se apresentaram. Mas tal tarefa revela-se sempre infrutífera, pois todos os dias temos novidades que nos obrigam a refazer o plano que já tínhamos delineado. Por isso, enquanto Benedito não oficializa a sua candidatura e Bruno de Carvalho não responde a Elsa Judas, vou tentar fazer aqui um ponto de situação.
Neste momento temos sete (espero ter contado bem) candidatos anunciados, sendo que é expectável que em breve este número mude. Primeiro, porque ainda não sabemos se será autorizada a candidatura de Bruno de Carvalho e Carlos Vieira. Segundo, porque da mesma forma que em 2011 alguns candidatos lowprofile desistiram, também me parece pouco provável que outros nomes menos conhecidos arrisquem ir em frente até ao dia da votação. Aqui incluo Fernando Tavares Pereira, que arrisco dizer que será um ilustre desconhecido para a grande maioria dos sócios do Sporting, bem como Zeferino Boal que é o eterno candidato desistente. Depois há a eternamente anunciada candidatura de Benedito, cujo anuncio finalmente deverá ocorrer na quinta-feira.
Sobre a esperada candidatura de João Benedito, tenho alguma curiosidade em saber onde é que o ex-guarda-redes de futsal vai fazer vincar a diferença para outros candidatos, nomeadamente Frederico Varandas. Estas duas candidaturas vem de dentro ou seja, são de duas pessoas que há bem pouco tempo participavam de forma activa na vida do clube, sendo bastante acarinhadas até ao momento em que decidiram romper ou afastar-se de Bruno de Carvalho. Benedito entrou em rota de colisão com o ex-presidente em 2016 e chegou a ser visto como candidato a disputar as eleições de 2017 contra BdC. Varandas rompeu com BdC há pouco mais de um mês e numa fase onde o clube estava muito fragilizado com a invasão de Alcochete. Ao contrário de Benedito, o timing escolhido por Varandas para romper com a direcção não foi propriamente feliz, tonando praticamente impossível de descolar o rótulo de oportunista à postura do médico. De resto, a postura de Benedito ao longo dos últimos dois anos foi sóbria. Não aderiu à moda de criticar a torto e a direito BdC antes do acto eleitoral de 2017, ao contrário da maioria dos seus críticos. Pelo contrário, preferiu manter a distância do então presidente, mas sem perder a postura. A decisão de não avançar em 2017 pode ser vista como cínica, mas também revelou realismo, pois reconheceu ser impossível destronar Bruno de Carvalho no auge da sua popularidade. Mesmo quando se tornou fácil bater em Bruno de Carvalho, Benedito preferiu resguardar a sua imagem, criticando o indispensável.
Varandas tem a grande vantagem de ter partido na frente e da sua candidatura já levar algumas semanas de avanço face a Benedito. Mas parece-me que tem vindo a perder o elãn inicialmente criado à sua volta. O destaque que a sua candidatura deu a figuras do croquetismo, desperta bastantes dúvidas e receios nos sportinguistas. Depois, a denotada impreparação do médico também não tem ajudado à sua afirmação. Varandas está longe de ser um orador arrebatador, o seu discurso é muito mastigado e a gaffe da secção de Padel é arrepiante. Quanto a Benedito, arrancando nesta altura onde Varandas começa a ganhar desgaste e tornando-se evidente que Bruno e Vieira serão impedidos de se candidatar, até que ponto não irá capitalizar os votos dos antigos apoiantes do CD deposto ou dos desiludidos com Varandas? Vamos esperar pelos seu programa, pelos seus projectos, pela sua equipa, para então sim, sabermos se esta candidatura tem hipóteses para se destacar das restantes.
Quanto às candidaturas de Pedro Madeira Rodrigues e Dias Ferreira, são regressos de figuras já conhecidas do universo sportinguista, sem grandes novidades do que já sabíamos. Pedro Madeira Rodrigues continua no seu registo pedante de "somos muita bons" e "temos uma granda equipa". Ranieri é um trunfo, apesar de me parecer algo extemporâneo. Se por acaso Peseiro fizer um excelente arranque de época, inclusive com um resultado positivo na Luz, será justo despedi-lo para lá colocar Ranieri? Não que Ranieri não seja superior a Peseiro, mas também não me parece um nome tão forte como PMR quer fazer passar. Dias Ferreira, que pelos anos que aturou e enfrentou Rui Gomes da Silva e Paulo Garcia merece todo o respeito e reconhecimento dos sportinguistas, parece-me um nome já sem espaço no espectro eleitoral leonino. Demasiado queimado pelo episódio dos "charteres" do Futre, não consigo descortinar que espaço poderá ocupar nas próximas eleições. Não o  vejo capaz de ombrear contra a máquina que suporta Varandas nem contra o prestígio que Benedito traz consigo. Ao mesmo tempo não o vejo com capacidade para captar os eleitores brunistas, que sem dúvida acredito que prefiram um candidato mais novo e menos comprometido com o pré-2013.
Hoje, perante o panorama de candidatos, aposto numa corrida a 3 ou 4 candidatos, entre Varandas, Benedito, Pedro Madeira Rodrigues e Dias Ferreira (se eventualmente não desistir). Com Bruno de Carvalho e Carlos Vieira de fora da corrida, em qual destes candidatos votarão os 29% de sócios que estavam contra a destituição do anterior CD? Ou ainda aparecerá outra candidatura, completamente conotada com o brunismo?

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Frederico Varandas

Ontem, no Twitter, tive a oportunidade de trocar algumas ideias com outros sportinguistas sobre a candidatura de Francisco Varandas, a primeira e até agora única candidatura para as eleições presidenciais de 08SET. Este meu post é apenas um resumo daquilo que hoje penso sobre a candidatura, ao mesmo tempo que tento desmistificar algumas coisas que foram sendo ditas sobre o antigo médico do Sporting.
Em primeiro lugar, devo dizer que o candidato em si não me entusiasma particularmente. Não possuiu a capacidade oratória do nosso antigo presidente, que era capaz de discursar ao longo de duas horas e deixar a audiência em êxtase. Sendo a presidência de um clube um cargo onde o carisma é uma das principais armas para mobilizar sócios e adeptos, creio que Varandas fica longe desse desígnio. Não deixa de ser curioso que uma das críticas mais recorrentes a Bruno de Carvalho era precisamente a "forma" da sua comunicação. O discurso carismático era frequentemente entendido como demagógico, além da recorrente acusação de que fomentava o "ódio" contra os rivais. Eu aqui acrescentaria que o que verdadeiramente incomodava era o facto desse tal discurso carismático vir do presidente de um clube cuja história recente desconhecia esse tipo de atributos. Se há aspecto que os presidentes do "roquetismo" tem em comum é que o seu carisma era o mesmo de uma couve. E se o Sporting hoje conseguiu recuperar muito do seu estatuto (financeiro, nas modalidades, até mesmo no futebol profissional onde se fez muito melhor do que nos anos anteriores), tal deveu-se ao carisma de Bruno de Carvalho, que conseguiu mobilizar os sportinguistas para as grandes realizações do seu mandato. Poderá o Sporting, num momento onde se instalou uma crise, conseguir recuperar o seu estatuto sem um presidente carismático?
Em segundo lugar, não posso deixar de demonstrar bastante tristeza com a forma como esta candidatura foi imediatamente lançada para a fogueira. Enquanto chefe do departamento médico do futebol profissional do Sporting, Frederico Varandas sempre se pautou por uma postura de grande profissionalismo e jamais permitiu que outros interesses se superiorizassem ao interesse do Sporting. Deixámos de contratar jogadores em estado físico duvidoso, como Jeffrén. Pelo contrário, houve coragem para reprovar nos exames médicos Boateng ou Sandro, por exemplo. E mesmo aqueles que mais reservas apresentavam no plano físico, como Fábio Coentrão, viram a sua carreira regenerada no Sporting, graças ao seu departamento médico. Resumir a sua passagem pelo departamento médico do Sporting a uma cunha metida pelo irmão, parece-me redutor e pernicioso. Dizer que Varandas é uma cópia de Pedro Madeira Rodrigues... é intelectualmente desonesto.
Em terceiro lugar, os seus apoiantes. E foi aqui, confesso, que fiquei mais surpreendido. Não esperava ver uma quantidade tão grande de antigos apoiantes de Bruno de Carvalho em torno desta candidatura, pelo menos enquanto não surgissem outras. Figuras como Daniel Oliveira, Pedro Boucherie Mendes, Manuel Moura dos Santos, Daniel Sampaio ou Eduardo Barroso. Por outro lado, não vi ali nenhum nome conotado com o croquetismo (está lá o Luís Paixão Martins, mas já vamos). Acho sintomático que alguns dos mais mediáticos apoiantes de BdC tenham aderido ao Varandas. 
Dos apoiantes de Varandas passo para o seu próprio discurso de apresentação, que considerei positivo. Pese embora as questões da "forma" que já abordei anteriormente, creio que o conteúdo merece a nossa atenção. Valorizou o legado de Bruno de Carvalho, do pavilhão, das modalidades e suas conquistas, da importância do clube manter a maioria na SAD, deixou uma mensagem de união aos adeptos. Sobre as rescisões preferiu ser comedido, o que foi logo entendido como uma predisposição para ceder aos jogadores. Veremos como as suas ideias evoluem ao longo da campanha eleitoral.
Por fim, a sua equipa propriamente dita. Do homem da parte financeira, Salgado Zenha, apenas reconheço a familiaridade com o falecido político. Não faço a mínima ideia se é competente, para que banco trabalha, qual a sua opinião sobre a reestruturação da SAD. Sobre o seu gabinete de marketing e comunicação, tenho algumas reservas. Não gostei da forma intelectualmente desonesta com que Luís Paixão Martins abordou os últimos dias da crise no Sporting. A preferência clubística de alguns membros da sua equipa não é problemática, na estrita medida de que tal não interfira no seu profissionalismo. É o mesmo que dizermos que alguém não serve para treinador do Sporting se tiver outra preferência clubística.
No que toca às eleições de 08 de Setembro, aguardo com expectativa o aparecimento de mais candidaturas, além das intervenções públicas que os candidatos levarão a cabo nos próximos meses. Varandas por enquanto não me entusiasma, mas acredito que possa evoluir nos próximos tempos.

domingo, 24 de junho de 2018

Dias de Sporting

Ultimamente, falar sobre o Sporting revela-se um exercício digno de uma pintura de Miró. Olhamos para um amontoado de formas e cores e quando pensamos que já desvendamos o seu significado, eis que de repente algo se revela e voltamos novamente ao inicio do nosso exercício.
Primeiro era a AG que não se sabia quando (nem qual delas) se ia realizar, depois qual seria a pergunta, a seguir era saber se o Bruno lá ia ou não, depois era o discurso do Bruno, a destituição do Bruno, o Bruno que deixava de ser sportinguista, o Bruno, o Bruno... Pelo meio, a comissão de gestão nomeou Sousa Cintra presidente da SAD e temos o título de futsal para conquistar. Ah, e a nossa pré-época arrancou.
Tanta coisa tem surgido nas últimas horas que nem sei se no final desta prosa não teremos mais alguma novidade. Quando a comecei, Bruno de Carvalho tinha "deixado de ser" sportinguista. Agora parece que até candidato às novas eleições já é. Bom, como não quero voltar a ser surpreendido por nenhuma notícia de última hora, vou tentar resumir as últimas horas ASAP.

AG de dia 23 de Junho

Queríamos que os sócios falassem e os sócios falaram. Setenta e tal porcento de votos a pedir a destituição é muito voto. Estive no pavilhão, ouvi as gritarias e espreitei um ou outro boletim de voto. Tinha o feeling de que a destituição venceria, mas apontei sempre para uma diferença de votos inferior a 10%. Confesso que os números finais surpreenderam-me, mas não mais do que isso. Uma coisa é aldrabar uma votação onde a vitória é conquistada com escassas dezenas de votos. Trinta e tal mil votos (mais de quatro mil sócios) é demasiado para pensarmos, sequer, que houve marosca. O Sporting não é a Venezuela. O argumento do "barulho" é falacioso, pois quem já teve em reuniões deste género, como plenários ou até reuniões de condomínio, sabe perfeitamente que por detrás de quem faz barulho, há uma imensa maioria silenciosa que prefere manifestar-se pelo voto, pela deliberação. Ontem foi mais um dia assim.
Perante a resposta inequívoca dos sócios, Bruno de Carvalho retirou-se de cena (não por muito tempo). A comissão de gestão encheu-se de moral e tratou logo de ir ao principal: tomar conta da SAD. 

Sousa Cintra: As voltas que a história dá

Sobre a comissão de gestão, mais concretamente sobre a pessoa que escolheram para presidir a SAD do Sporting, confesso que o nome deixou-me com tanto de espanto como de entusiasmo. Acredito que para quem nasceu depois dos anos 90 do século passado, Sousa Cintra não passe de mais uma personagem a cheirar a fritos que agora surge em frente às câmaras. Para quem tem mais de 35 anos e não deixou de tomar Memofante nos últimos dias, Sousa Cintra é o sportinguista que, enquanto presidente do clube, mais se aproximou de Bruno de Carvalho na nossa história recente.
Sousa Cintra chegou a presidente após uma época conturbada por graves problemas financeiros do clube, tinha um discurso muito crítico sobre a arbitragem, instituiu uma política de apoio das modalidades (aqui a situação não era tão grave pois as modalidades não tinham sido extintas), procurou promover jovens jogadores nas suas equipas principais, sempre muito competitivas, entrou em guerra com o benfica, desentendeu-se com vários treinadores e teve a feroz oposição da "elite". Era gozado pelos adeptos rivais devido à sua forma genuína de comunicar. Alguém reconhece aqui um padrão? Quis a história, que como dizia aquele nosso avozinho "dá muitas voltas", que Sousa Cintra, depois de ter sido "convidado" a sair do clube em 1995, agora regressasse pela mão e aprovação (não do apoio, creio) dos mesmos que o convidaram a sair.  
Sousa Cintra foi uma espécie de Bruno de Carvalho num tempo sem redes sociais, TV por cabo ou jornais desportivos diários. Se há alguém naquela comissão em quem confio que defenderá intransigentemente os superiores interesses do Sporting, é Sousa Cintra. É uma ironia do destino, mas lembrando-me da forma como ele foi corrido da presidência, a sua chegada a presidente da SAD (uma criação daqueles que o depuseram) é um daqueles casos onde podemos dizer que, por vezes, a história escreve-se direita por linhas tortas.

Bruno de Carvalho: E agora?

Como não poderia deixar de ser, que melhor reacção do presidente adepto ao resultado da AG do que uma reacção... como adepto? Bruno de Carvalho reagiu como nós reagimos quando empatamos ou perdemos um jogo em cima da hora. Azia, vontade em desligar do futebol, queimar o cachecol e o cartão de sócio, insultar todos à nossa volta. É assim à segunda-feira, mas à terça-feira já andamos a perguntar pelo dia do próximo jogo do Sporting. É assim a vida de adepto e é assim Bruno de Carvalho, o presidente adepto.
O anúncio de que vai a eleições a 08 de Setembro é, para mim, uma excelente notícia. E por vários motivos. Primeiro, obriga a comissão de gestão, cujos membros certamente não quererão proporcionar o regresso de BdC à presidência do clube, a fazer tudo, MAS TUDO MESMO, para que os nosso interesses sejam acerrimamente defendidos. E até dia 08 de Setembro há muita coisa para ser defendida. Desde logo a postura a tomar face às rescisões. Livrem-se de "acordos" com rivais, por exemplo. Segundo, vai obrigar a que a corrente moderada, dita de terceira via, onde pululam antigos apoiantes de BdC que não se revêem no croquetismo, como Daniel Oliveira, José de Pina, Eduardo Barroso, Daniel Sampaio, etc., a avançar com uma candidatura própria e forte. É que ontem já comecei a ouvir aquele discurso tipicamente sportinguense (ou sportinguista de antigamente) a reclamar o aparecimento de uma candidatura (única, claro) "abrangente" e de "consenso", que mais não é do que voltarmos aos tempos dos presidentes cooptados pela elite do costume. 
É preciso que não se enganem pelos resultados de ontem. O que se votou ontem, mais até do que a destituição, foi a marcação de eleições, não do regresso ao "pré-Bruno". Se há coisa que estes últimos cinco anos revelaram, é que os sportinguistas são hoje uma massa associativa muito interventiva, atenta à vida do seu clube, com bastante massa crítica e com grande actividade. Qualquer tentativa de voltar a algo que cheire a "antigamente" merecerá dos sócios uma reacção peremptória. Nem que isso implique a voltar a por Bruno de Carvalho na presidência do clube.

E os próximos dias, como serão?

Por tudo aquilo que disse atrás, creio que poderemos ter algum optimismo nos tempos que se aproximam. Entretanto a bola começará a rolar e salvo alguma mudança brusca de orientações, o nosso plantel que vai iniciar a época será um plantel jovem, com muitos miúdos da casa, certamente ambicioso, que lembra muito aquela época de reset de Leonardo Jardim.
Uma coisa é certa, o Sporting não acabou antes de Bruno de Carvalho e não irá acabar depois dele. 
Viva o Sporting!

terça-feira, 12 de junho de 2018

Punhadela nas costas

Ontem os sportinguistas sofreram uma punhadela nas costas.
Todos nós que defendemos a atitude irrefelectida de Gelson quando por amizade com Rúben Semedo se auto-excluiu do clássico do Dragão. Quem cantava a música dos AC/DC cada vez que Bas Dost marcava um golo. Quem defendia "sir" William cada vez que rabolhos e andrades vinham com a conversa de que "Ah e tal, William a tartaruga" ou "o Danilo é melhor". Quem viu num jovem desconhecido acabado de chegar de Itália talento suficiente para ser nosso titular, enquanto comentadores e jornaleiros desportivos criticavam o valor excessivo pago por um jogador da Sampdória. Juntemos a história de um "frangueiro" sempre acarinhado em Alvalade e de um rapaz que jogava com as nossas cores desde os seus 10 anos. 
Soco no estômago, punhadela nas costas, tiro na cabeça... chamem-lhe de tudo. Certo é que ontem foi mais uma de muitas noites perdidas de sono, tal o sobressalto que o Sporting me prega nestes últimos tempos. Longe vão os tempos em que tal acontecia por um mau resultado, como o empate em Setúbal. Hoje acontece porque já não reconheço o meu clube. Não reconheço quem o dirige e quem o representa no relvado. Não reconheço porque não tiveram à altura da importância das decisões a ser tomadas. E porque cagaram de alto naquela que deveria ser a sua maior prioridade: os sportinguistas.
Romanticamente, apetecia-me mandar tudo para a valente p*ta que os pariu. O presidente, que insiste no seu exercício suicida de autismo e negação da realidade, sem a mínima capacidade de fazer uma simples gestão de danos. A direcção que o acompanha, que permite com o seu silêncio o caos onde o presidente se afunda. Os jogadores, que ainda há semanas diziam "ser Sporting" e davam voltas olímpicas ao estádio, que fogem do barco sem dizer um adeus a quem ontem lhes batia palmas. Mas a realidade não é assim. Há uma dinâmica de compromisso entre adeptos e clube que entretanto se esfumaçou. Há uma equipa que, com mais ou menos rescisões, precisa de alguém minimamente competente que a treine, sabendo que neste momento é mais fácil viver na Terra de Ninguém entre as Coreias do que treinar em Alvalade. E depois há um presidente e uma direcção que desperdiçaram nos últimos dias todo um capital de confiança acumulado desde 2013. Um presidente cuja única forma de "negociar" é pedir o tudo ou nada, nem que tal implique afundar um clube na incerta esperança que o consiga reerguer "à sua imagem". Mesmo o próprio universo de sportinguistas está hoje profundamente dividido e extremado no caminho que temos de percorrer. Leio com espanto e consternação os comentários que muitos publicam, onde se prontificam para seguir com o seu líder em toda a velocidade em direcção à parede. Muitos nem se coíbem de dizer que preferem o Sporting nas distritais a ter de jogar com "mercenários" no seu plantel. Não foi para fugir às distritais, para onde seriamos remetidos em caso de falência da SAD, que em 2013 votámos todos em Bruno de Carvalho?
Se quem ainda está no Sporting tem um mínimo de amor ao clube, por favor façam uma coisa simples como esta: devolvam a palavra aos sócios do Sporting. Sem rodriguinhos, segundas intenções ou outro tipo de subterfúgios sonsos. Deixem-nos a nós, sócios do Sporting, decidir. 
Devolvam o Sporting aos sócios.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Desejos para os próximos dias

Já perdi a conta ao número de vezes que tentei fazer aqui futurologia, usando de raciocínio lógico e daquele velho optimismo que acha que "pior não pode ficar". Já dei por várias vezes o nosso actual presidente como demissionário, a crise como acabada e o clube novamente unido. Mas o Sporting tem essa velha peculariedade, de nos conseguir sempre surpreender mesmo quando achamos que já vimos de tudo no nosso clube.
Não sou jurista, mas apesar de saber ler português não vou arriscar dar aqui a minha opinião sobre o que dizem os estatutos. Basta uma volta pelas redes sociais para descobrirmos como é fácil criarem-se tremendas discussões em torno de questões tão simples como a legitimidade da Comissão Transitória da MAG. E como já estou farto de discussões inúteis que mais não servem do que justificar insultos a quem pensa diferente de nós, além de contribuir para o arrastar o nosso clube pela lama, recuso-me a entrar aqui por esse caminho.
Como em tempos escrevi por aqui, os tempos reclamam por serenidade e observação atenta ao que se vai passando em nosso redor. Por exemplo, fiquei feliz por saber que as autoridades deste país finalmente começaram a pegar nas pontas soltas do título conquistado pelo Estado Lampiânico em 2016. O jogo da Madeira foi vergonhoso, mas não foi o único. Esperem pelo jogo de Belém, por exemplo. Poderá Bruno de Carvalho arriscar-se a ser o presidente do Sporting que ganhou postumamente campeonatos? A ser comprovada a marosca lampiã, creio que será da mais elementar justiça. Mas se há algo neste país onde não podemos meter as mãos pelo fogo, é precisamente pela justiça. O "apito dourado" que o diga.
Voltando novamente ao Sporting, e sendo impossível vaticinar o que se irá passar nos próximos dias, não me resta outra alternativa senão cruzar os dedos e desejar com muita força que a actual crise directiva não faça mais mossa do que aquela que já fez. Por isso, na qualidade de sócio deste clube há mais de 30 anos, peço humildemente:
1) Que a AG de 23 de Junho decorra da forma mais ordeira possível, para que a decisão de destituir ou não o CD seja tomada de forma serena, consciente, democrática e livre de pressões;
2) Que o CD reconheça a legitimidade da AG convocada para dia 23 de junho, bem como o seu (único?) ponto de ordem. E que Bruno de Carvalho não tenha medo de (mais uma vez) se pôr nas mãos dos associados do Sporting Clube de Portugal;
3) Para que não aconteça o mesmo que aconteceu na AG de Março, onde um dos principais argumentos a favor do CD era "ou o Bruno ou a croquetada", que surja uma alternativa coerente, conciliadora, dinâmica e capaz de a) não negar o estado caótico do clube e da SAD em 2013, b) reconhecer o mérito das direcções de Bruno de Carvalho na reconstrução financeira do clube, c) manter intacta a capacidade agregadora dos adeptos em torno do clube, manifestado no aumento recente da média de assistências em Alvalade, bem como do número de sócios, d) seja distante das direcções anteriores a 2013, bem como de outras personalidades que pairava em torno dessas mesmas direcções, e) leve por diante a reestruturação da SAD já alinhavada pelo actual CD, nomeadamente o aumento da participação do clube na SAD;
4) Que os sportinguistas não rotulem todos aqueles que actualmente criticam Bruno de Carvalho com o genérico "croquete" ou "croquetada". Peço desculpa, mas este blogue não é o Camarote Leonino ou o Dia de Clube, como o Daniel Oliveira não é o Pedro Madeira Rodrigues, o Sousa Cintra não é o Soares Franco, o Dias Ferreira não é o João Pedro Rodrigues ou o Eduardo Barroso também não é como o Abrantes Mendes. Uma das razões pela qual ainda não surgiu uma alternativa a Bruno de Carvalho fora da redoma "Ricciardi & Rogério Alves" deve-se precisamente a isso, a meterem no mesmo saco coisas que são muito diferentes;
5) Por fim, um desejo que o dia 23 de Junho não seja o fim mas sim o inicio de uma nova página deste centenário clube, com ou sem Bruno de Carvalho. É que nesse dia faltará pouco mais de um mês para começar a nova época e eu, todos nós, queremos muito que esta decorra da melhor forma possível.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Capitulação

Estava à espera que as notícias dos últimos dias relacionadas com o benfica desviassem definitivamente o foco mediático do nosso clube para outras paragens. Não que a nossa situação não continuasse a ser desesperante, mas sim porque outros escândalos mais gravosos mereceriam melhores atenções. Mas como tem sido costume, quando pensávamos que íamos assistir de "cadeirinha" a mais um escândalo criminal do nosso rival, eis que nova bomba cai em Alvalade. E que bomba!
O que ainda dava alguma margem de manobra a Bruno de Carvalho para conseguir aguentar o barco até, pelo menos, o inicio da próxima época, era precisamente a expectativa desta ser iniciada com a maior tranquilidade possível (ou melhor dizendo, com a menor intranquilidade possível). Comprava-se quem se tinha de comprar e vendia-se quem se tinha de vender. O treinador, fosse ele quem fosse, deveria começar os primeiros jogos oficiais apenas com quem quisesse verdadeiramente continuar a vestir as nossas cores. E a questão directiva arrumar-se-ia logo que possível. Os tempos previam-se agitados, pelo que era necessário muita calma, serenidade e foco no essencial: os supremos interesses do Sporting Clube de Portugal.
Ora, ao rescindir unilateralmente, Rui Patrício abriu a caixa de Pandora que todos nós temíamos que fosse aberta. Era a impossibilidade de tal ser feito que ainda colava a Bruno de Carvalho alguma réstia de esperança que fosse ele a solução para os nossos problemas. A partir de agora, é impossível prever com exactidão o que acontecerá nos próximos dias. Mais alguém se juntará ao Rui e ao Podence? E serão jogadores nucleares ou marginais? E como ficará o plantel para atacar 2018/19?
Não vou agora tecer considerações sobre a moralidade ou a ética desta tomada de posição de dois jogadores que são "da casa". Não vou igualmente opinar sobre a oportunidade com que estas coisas caiem sobre nós, dando sempre a ideia que é para esconder coisas piores noutras casas. Não o vou fazer porque estou farto, farto, fartinho, de crises, de comunicados, de birras, de meninos mimados, de dirigentes desportivos autistas... farto de não ser respeitado enquanto sócio e adepto do Sporting. Só queria fechar os olhos e esquecer os últimos dias e acordar no dia seguinte, pensando que tudo não passou de um pesadelo. Enquanto carpia todas estas mágoas, escutava a sessão de esclarecimento que o nosso presidente dava hoje em Santa Maria da Feira. E ouvi algo que me chamou a atenção. 
Durante a dita sessão, quando comentava o fracasso da venda de Rui Patrício, Bruno de Carvalho disse algo como isto, que seria fácil resolver tudo com os jogadores, bastando ceder ao poder dos empresários e enveredar pelo caminho das luvas e comissões. Só que esse caminho não o iria trilhar por uma questão de princípio e de amor ao clube.
O que é trágico em tudo isto que tem afectado o nosso clube, é que já não se trata de uma questão de quem é o bom ou o mau da fita, quem tem ou não tem razão e de que lado está ou não a moral. Neste momento o nosso clube está a ser completamente engolido por uma enxurrada de acontecimentos que vão desde uma invasão a um treino, um clube com órgãos demissionários em auto-gestão, a rescisão unilateral do capitão de equipa, os movimentos de bastidores de investidores-chave da SAD, da contra-informação lampiânica, bem como da incapacidade de Bruno de Carvalho lidar fria e adequadamente com tudo isto. E é preciso que deixemos de negar o óbvio, que não conseguimos estancar a enxurrada. Bruno de Carvalho já não o consegue. Estamos fartos e cansados. E por muita razão que tenhamos, não vejo outra alternativa senão capitular diante a crua realidade dos factos.
Por muita razão e moral que assistia à França, ela não deixou de capitular diante a invasão nazi de 1941. Por muito certos que estivéssemos em 1807, não tivemos outro remédio senão capitularmos diante as tropas invasoras de Napoleão. Por muitos bons motivos que nos poderiam assistir, em 1581 não pudemos evitar que Filipe II de Espanha tomasse a coroa portuguesa. Estes e outros exemplos da nossa História ensinam-nos os vencedores não são os que tem mais razão, mas sim os que tem mais força. E neste momento, por muita razão que Bruno de Carvalho possa arrogar de ter, já não tem força para alterar o rumo dos acontecimentos. Sobra-lhe (sobra-nos) uma capitulação honrosa.
Sinto muito se estas minhas palavras soam a fraqueza ou até traição. Não são mais do que palavras de um sportinguista cansado. E farto.

domingo, 20 de maio de 2018

Desolação final e os tempos difíceis que aí vem

Hoje seria a derradeira oportunidade para levarmos algo de positivo desta época, mas os acontecimentos dos últimos dias tornaram esse aspecto irrelevante. A derrota de hoje é o corolário de um desabamento que começou há duas semanas em Alvalade, quando ainda tínhamos algumas aspirações a acabar positivamente a temporada. É um final de época parecido com o de José Peseiro em 2005. Se bem que aqui com consequências mais gravosas.
O balanço de 2017/2018 é necessariamente negativo. A época começou tremida, mas a certa altura pareceu que tínhamos um plantel capaz de bater-se até ao fim nas quatro frentes em que jogávamos, com boas exibições pelo meio. Um empate em Setúbal e uma derrota no Estoril deixaram-nos prematuramente fora da luta pelo campeonato. A conquista da taça da Liga foi um feito importante, até porque foi a primeira vez que ganhámos esse troféu, mas foi muito pouco. Perder o segundo lugar e a taça de Portugal da forma como se perdeu, é imperdoável para uma equipa que até meio da época tinha aspirações a ser campeã.
O modelo de Jorge Jesus esgotou-se completamente em Alvalade. Hoje voltou a cometer os mesmos equívocos dos últimos jogos, lançando em jogo um William completamente sem ritmo nem cabeça para competir nesta fase da época. Fábio Coentrão arrastou-se em campo praticamente desde o início da partida. A perder, não queimámos a última substituição para, sei lá, lançar mais uma torre para o chuveirinho final. Uma supertaça e uma taça da liga em três épocas é muito pouco para um treinador que chegou ao Sporting com os pergaminhos que JJ trazia. Cada vez mais é evidente que sem o "Estado Lampiânico", JJ é a versão "made in Amadora" de José Peseiro.
Para alguns jogadores também chegou ao fim o seu tempo. Seja porque foram empurrados para a porta da saída, seja porque eles mesmos se alhearam do clube, é tempo de dizermos adeus a jogadores como Rui Patrício ou William. Aqui só espero que ambas as entidades (jogadores, agentes e clube) mantenham a dignidade até ao fim e evitem a vergonha de arrastar pela rua um processo litigioso. E que os sportinguistas lhes prestem a homenagem que creio que lhes é merecida.
Bruno de Carvalho também terá de tirar as devidas ilações de tudo o que se passou nos últimos dias. A sua falha de liderança atingiu o cúmulo do ridículo de o clube não ter estado hoje representado oficialmente na tribuna. Pelo que disse ontem, parece que o presidente levará às últimas consequências a sua saída do Sporting, que passa por enfrentar os sócios em AG. É a continuação da guerra civil entre sportinguistas.
Adivinham-se tempos conturbados em Alvalade nas próximas semanas. Isto tudo quando se deveria começar a preparar uma época que deveria ser de reset, com uma nova equipa técnica e de renovação do plantel. Com um presidente a dirigir o clube a partir de uma trincheira, sem team manager, com um treinador que agora não saberemos se sai ou não, com jogadores que não saberemos se vão rescindir com o Sporting ou não, com a comunicação social diariamente a meter carvão... 
Só peço uma coisa a quem ficar. Que a próxima temporada seja preparada e iniciada com o mínimo de dignidade que esta instituição centenária, os seus sócios e simpatizantes merecem. E que não se esqueçam que em primeiro lugar estão sempre os interesses do Sporting Clube de Portugal.

sábado, 19 de maio de 2018

Bruno contra o mundo

Sem querer, Bruno de Carvalho descaiu-se e mostrou a fragilidade da sua actual posição enquanto presidente do Sporting Clube de Portugal.
Quando na segunda-feira questionou os jogadores se tinha havido algum problema na véspera com o Fernando Mendes, todos lhe responderam evasivamente. Nenhum demonstrou confiança no seu líder para desabafar sobre o sucedido. Ser líder também é isso, saber merecer e manter a confiança daqueles que trabalham consigo. O que resulta deste episódio? BdC já não tem capacidade de liderança sobre os seus homens.
Depois, a ideia de que ao enfrentar um ex-líder de claque, actual líder de facção, os jogadores "puseram-se a jeito", pois Fernando Mendes e a sua gente são malta perigosa. Esta assumpção subliminar de fraqueza, do homem que dava a vida para defender os seus jogadores se estivesse em Alcochete, é-lhe fatal. Significa que o presidente-adepto não tem mão naqueles que lhe deviam ser mais próximos: os adeptos e, especialmente, uma franja destes.
Falta de liderança sobre os jogadores e sobre os adeptos. Esta é a actual, e concerteza fatal, fraqueza de Bruno de Carvalho.
De resto, não podia estar mais de acordo com Bruno de Carvalho: o arraso a Ricciardi, Sobrinho, Marta Soares, Rui Pedro Braz, Luís Nazaré, TVI, Correio da Manhã, o jornalixo em geral, é mais que justificado. A certeza e insistência de que as rescisões não tem fundamento jurídico, leva-me a concluir que ele sabe que há jogadores em vias de entrar por esse caminho e já está a preparar os adeptos.
Não concordo com a forma como a cabeça de Rui Patrício foi oferecida aos adeptos. Estará já a fazer uma gestão de danos face a uma eventual tentativa de rescisão do nosso capitão? De qualquer forma não gostei de como foi destratado. Podem-se ter já esquecido, mas eu ainda me lembro de em 2011, 2012 ou 2013 mandarem o Rui Patrício para as flash-interviews dizer que "ia levantar a cabeça". Por muito difícil que esteja a sua relação com BdC, Rui Patrício a sair, deveria fazê-lo pela porta grande.  
Continua a fuga para frente. Por um lado Bruno de Carvalho demonstra ter um arcaboiço digno de um herói solitário, qual Soldado Milhões sozinho na sua trincheira a enfrentar a avalanche de alemães. Por outro lado, a sua conversa assemelha-se ao delírio daquele General que, já sem homens, ainda fazia mover exércitos imaginários no mapa de batalha, acreditando que a vitória estava para breve. Como o captomente muito bem disse, tudo isto é uma valente merda!

quinta-feira, 17 de maio de 2018

O povo é sereno

Corria o ano de 1975. Em pleno PREC, durante uma das dezenas de manifestações que se faziam nas ruas, o então primeiro-ministro Pinheiro de Azevedo proferiu a célebre frase "o povo é sereno, é só fumaça", quando tentava acalmar a turba exaltada pelo rebentar de um petardo.
Não vivi o chamado "verão quente" de 1975, mas ouvi e li relatos suficientes para ter uma ideia do que foram aqueles meses. Boatos e rumores de revoluções e contra-revoluções, manifestações diárias, um misto de loucura romântica com alucinação revolucionária. Enquanto Portugal se preparava para entrar num turbilhão que se previa fatal, falaram mais alto as vozes do bom senso. A serenidade conseguiu impor-se ao frenesim revolucionário. A acalmia permitiu que não se perdesse o que de melhor se conquistara nesses meses, não permitindo que atracção coletiva pelo abismo deitasse tudo a perder.
Hoje, o Sporting parece o Portugal de 1975. A frenética roda dos acontecimentos gira perdida e livre, ameaçando esmagar tudo que se lhe intrometa pelo caminho. A contestação de alguma massa adepta desembocou na mais infâme acção que um "sportinguista" poderia alguma vez praticar: a destruição daquilo que é nosso, um ataque ao nosso coração. As notícias, essas, circulam também sofregamente pelos murais das redes sociais, anunciado um desencadeamento de acontecimentos espantosos posteriormente desmentidos. O que é verdade às 11h23, é mentira às 18h45. Nas mesas redondas televisivas, os "especialistas", os "ilustres" e os "notáveis" entretem-se duas, três, quatro horas ou mais, a masturbar-se sobre temas que já não existem, seja porque foram desmentidos ou porque estão enterrados e exorcizados desde 2013. Nunca, como neste momento, houve tanta necessidade de serenidade nas acções, nas palavras e até mesmo no silêncio. Estamos todos como aqueles manifestantes em 1975, atordoados pelo estoiro das últimas bombas, desorientados pela cortina de fumo levantada, completamente em pânico sem saber o que se estava a passar. Precisamos de vozes que nos acalmem, que nos guiem, que sirvam de farol e apontem "é este o caminho!". Vozes firmes que gritem "o povo é sereno, é só fumaça!!!!", em quem nós reconheçamos capacidade e confiança suficiente para nos conduzir.
Pela primeira vez desde Domingo, hoje acordei bem disposto. Tinha um certo receio de ligar a TV de manhã, mas depois de um curto período de indecisão terminado com um "Que sa foda!", lá a liguei. Respirei fundo, hoje ainda não tinha caído uma bomba nova. Passei uma vista de olhos pela TL do Twitter e ri-me. Era a rescisão da NOS, a rescisão dos jogadores, a implicação do Bruno pelo Fernando Mendes, o doping do Coentrão, os NN infiltrados no ataque a Alcochete, o ex-SIS do benfica, o Geraldes em preventiva, a detenção iminente do BdC.... Calma rapazes! Respiremos fundo! Já perdemos muito nestes dias, não deitemos a perder o resto que falta. Aguardemos. Nervosos, mas aguardemos. Que tenhamos a cabeça limpa e a alma preparada para enfrentarmos com coragem e dignidade as más notícias que tivermos de enfrentar. Sim, porque nós somos o Sporting. Somos diferentes. E é nestas alturas que temos de recorrer a essa diferença que nos distingue dos outros. Termos coragem de aceitar o mau, mas com a dignidade de limparmos a cara porque sportinguista que é sportinguista anda de cara limpa. Mas tudo a seu tempo. Quando chegar a altura de limparmos a cara - se ela estiver suja - limparemos. Agora relaxemos para passar o atordoado das bomba. E aguardemos pelas certezas, quando elas se revelarem. E ouçamos com muita atenção as vozes ao nosso redor.
Por estes dias tenho ouvido e continuarei a ouvir vozes a chamar-nos, tal como as sereias cantavam aos marinheiros para eles despedaçarem os seus barcos contra as pedras. Ouço muito lobo com pele de cordeiro a balir pela nossa atenção. Vejo as hienas do costume a acercarem-se da carcaça moribunda em que o Sporting se transformou hoje. Olho conformado para os ratos que já desataram a saltar borda fora do navio. Conheço-os a todos de ginjeira, os lobos, as hienas e os ratos, e a mim não me enganam eles outra vez. Mas também anotei o nome daqueles que, num momento onde é fácil achincalhar e pontapear quem está no chão, preferiram falar em defesa do Sporting Clube de Portugal, recusando-se a humilhar e a sovar quem já está desvanecido na lama. 
Bruno de Carvalho é hoje um corpo desmaiado no chão à beira de colapsar. Espancado, cuspido, arrastado e pontapeado, resta-lhe usar as últimas forças para levantar a mão e render-se ao inevitável. Merece de mim o mais sincero respeito, pelo muito que fez desde 2013. Mas perdeu-se no turbilhão frenético em que transformou o Sporting nos últimos tempos, tendo sido arrastado por ele. É irónico, mas Bruno de Carvalho foi engolido pela própria revolução que conduziu. Sobra-lhe sair de cena. Não sei se algum dia o futuro lhe irá dar razão. Queria muito que sim. E se isso acontecer, cá estaremos para lhe prestar o devido tributo.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Dia da Infâmia

Acabava eu de escrever e publicar o meu último post, quando comecei a receber notificações dos vários sites de notícias dando conta de uma invasão de adeptos a Alcochete, culminada com agressões a vários jogadores e técnicos, além do vandalismo perpetrado contra as instalações da Academia.
O ataque de ontem encerra em si o mais negro episódio da centenária história do nosso clube. Bate a derrota de Salzburgo, as pedradas do Jamor em 1994, o "buraco" de Jorge Gonçalves, o sétimo lugar de 2013, os 12-1 do Bayern de Munique e tantos outras passagens que em tempos achamos que seriam as mais tristes do nosso clube.
O ataque terrorista foi feito ao coração do Sportinguismo, precisamente a nossa amada Academia, uma obra de que todos nós nos orgulhamos imenso e onde depositamos o maior carinho, quiçá mais ainda que no nosso estádio. 
Enquanto cidadão de Portugal, sinto-me perplexo por ver a facilidade com que 40/50 mânfios, muitos deles referenciados por violência e radicalismo clubístico, se organizam entre si e munidos de bastões de ferro e outros apetrechos invadem uma propriedade alheia e aí lançam o caos. Numa era em que tanto se fala de segurança global, de técnicas contra-terroristas, de serviços secretos, etc., é possível que no Portugal de 2018 estes grupos circulem impunemente à nossa frente, mesmo debaixo dos narizes de que nos devia proteger. Isto não é um problema só do desporto, é também da segurança interna do país!
Quando ontem à noite ouvi Bruno de Carvalho na SportingTV, falando num tom sereno e tentanto desdramatizar uma tragédia - quero eu acreditar que o fez para lançar água na fervura dos ânimos exaltados - perguntei a mim próprio porque é que o discurso sereno e conciliador demorou tanto tempo a ser adoptado? Porque é que desde Março e até ontem à tarde, preferiu-se fazer um discurso de confronto, de trincheira, insultuoso até, sem se aperceber dos sinais cada vez mais evidentes de algo poderia correr mal? Quantas vezes teríamos de assistir a "espetáculos pirotécnicos" na baliza do Rui Patrício ou a apertões a jogadores para vislumbrarmos que o caminho que se estava a trilhar iria desembocar numa tragédia?
Quem frequenta a Superior Norte já reparou há muito que o constante discurso incendiário deu os seus frutos. Aquela que era uma bancada de adeptos ruidosos mas ordeiros transformou-se nos últimos meses num nicho de radicais cada vez mais numerosos e activos, que  hoje já nem tem pudor em confrontar outros sportinguistas quando estes não concordam com nas suas paranóias. Hoje a Superior Norte é o espelho do Sporting actual: um enorme fosso entre uma maioria de adeptos pacíficos e um conjunto cada vez mais numeroso de radicais "ultras". 
Sempre poderemos argumentar de que o mesmo se passa noutros clubes. Realmente não faltam histórias de violência nos estádios, agressões a árbitros e dirigentes. Vivemos no nosso futebol a cultura do "apertão", basta lermos alguns comentários nas redes sociais e ouvir algumas vozes à porta dos estádios. E apesar de só ontem o Governo ter acordado para o problema, é uma situação que se degradou especialmente no último ano. Mas ontem foi mais grave, porque houve premeditação e a invasão de um espaço sagrado, não só para os jogadores mas para todo o Universo Sporting. Entendo que o nosso Presidente relativize a tragédia de ontem numa lógica de serenar os ânimos. Mas não aceito que não tire as devidas ilações desta ocorrência para o futuro próximo.
Não sei como serão os próximos dias nem como irá decorrer a final da Taça de Portugal. Enquanto sportinguista que sofre pelo seu clube há mais de 30 anos, mas que sempre se pautou por princípios no desporto que rejeitam liminarmente acontecimentos como o de ontem, desejo ardentemente que os jogadores e técnicos sintam a força dos milhares que ontem à noite estiveram em Alvalade. Queria muito que o plantel senti-se a força desses milhares e que jogassem domingo para eles. Que a final da taça fosse uma oportunidade para pontapearmos os "ultras". Que o jogo fosse dedicado a mim e a ti, que também sofres como eu sofro. Queria que no final os adeptos, qualquer que fosse o desfecho, invadissem o campo e abraçassem cada jogador e o seu treinador, numa clara demonstração do que é a cultura desportiva "à Sporting". Infelizmente nem sei se chegaremos perto disso.
Os jogadores podem todos rescindir contratos unilateralmente, a equipa técnica pode ser despedida com justa causa e o presidente e restante direcção e órgãos sociais demitirem-se ou serem demitidos. Mas no final ficamos nós, os sócios e os adeptos. E se for preciso, cá estaremos, como sempre estivemos, para reerguermos novamente o Sporting Clube de Portugal.

domingo, 13 de maio de 2018

Um soco no estômago

Os números.
78 pontos, 63 golos marcados e 24 sofridos. 24 vitórias, 6 empates e 4 derrotas. Ficámos a 10 pontos do campeão, a três do segundo e com mais três do que o quarto classificado. Em golos marcados ficámos muito àquem das restantes três equipas que acabaram nos quatro primeiros lugares. 19 golos a menos do que o porto ou a 9 golos do braga. Fomos a terceira defesa menos batida do campeonato, com mais seis golos consentidos do que a melhor, do porto. 
Os números não enganam. Numa época em que sabíamos que tinha de ser quase perfeita para podermos alcançar o título de campeão, estivemos muito longe da perfeição que se impunha. As nossas quatro derrotas foram em braga, porto, Estoril e Marítimo. Se as duas primeiras até são aceitáveis, já as duas últimas não. Até poderíamos conseguir ser campeões com os 4 pontos em 12 que somámos nos confrontos com porto, benfica e braga. Mas perder sete pontos com os últimos cinco classificados é que não. 

O campeonato
Dizem que os extremos se tocam e esta época foi um ponto assim. Perdemos quase tantos pontos com os cinco primeiros classificados como com os cinco últimos. Acabámos o campeonato a jogar tão mal e com tantas dúvidas da nossa qualidade como quando o começámos. Pelo meio chegámos a liderar a prova e tivemos jogos onde mostrámos muito bom futebol. Mas após um empate desastroso em Setúbal, nunca mais nos conseguimos endireitar. Contra o Marítimo tínhamos a oportunidade derradeira de ainda podermos dizer que este campeonato, não tendo sido bom, tinha sido razoável. Fazer mais de oitenta pontos e conseguir o segundo posto seria sempre algo satisfatório. Depois da derrota da Madeira, não há retórica que nos valha. O campeonato correu-nos mal e numa época onde ambicionávamos o título de campeão, acabar em terceiro como acabámos é um soco no estômago.

O treinador
Jorge Jesus fez uma boa época de estreia, a segunda correu mal e esta seria a do tira-teimas. E tinha tudo para correr bem. O planeamento da pré-época foi exemplar, as contratações quase todas asseguradas a tempo de preparar calmamente a época. Tirando talvez o ataque, onde Doumbia não correspondeu às expectativas, todas as contratações foram autenticos reforços para a equipa principal. Jorge Jesus começou, como de costume, por dispensar os mais novos. Matheus Pereira e Francisco Geraldes tiveram guia de marcha e Iuri teria alguns meses mais tarde. Alan Ruiz foi aposta recorrente até se tornar insustentável justificar a sua utilização. Brian Ruiz, incompreensivelmente posto de lado, foi mais incompreensivelmente ainda repescado e transformado em pedra nuclear da equipa. Salvo alguns períodos na primeira volta, o nosso futebol foi sempre previsível, empastelado, pouco dinâmico e pouco audacioso.
Não há como não o dizer, mas de um treinador que ganha milhões esperava-se outro tipo de futebol. Empatámos 6 jogos mas podíamos ter empatado mais, se não tivéssemos tido a sorte de ganhar inúmeros jogos em cima da hora, em partidas onde a qualidade do nosso futebol praticado variava do sofrível ao desastroso. Tondela, Moreirense, Portimonense, Estoril (em Alvalade), Rio Ave, etc., demasiados jogos onde jogámos muitíssimo pouco e ganhamos com lances fortuitos. 
Jorge Jesus tem mais um ano de contrato e o meu feeling é que o cumpra atá ao fim. Não há nenhum clube que o queira agora (sem estar livre) e o Sporting, sem Champions, não se pode dar ao luxo de gastar dinheiro para o mandar embora. Mas já percebemos que com JJ a nossa equipa não passa disto. Em primeiro lugar, não aposta em jogadores novos em crescendo. Não tem paciência ou não os sabe trabalhar. Prefere que eles venham já feitos, de um qualquer campeonato sul-americano ou do Leste. Depois é o seu próprio futebol, onde passa por utilizar até à exaustão os seus jogadores fetiche, nem que para isso empenhe a qualidade de jogo. Com JJ conseguimos realmente exponenciar alguns jogadores, que conseguem reencarnar aquilo que o treinador lhes pede. São os tais que rendem milhões em vendas fabulosas. Mas pelo caminho ficam demasiados jogadores a quem não lhes foi dada uma oportunidade ou que estoiraram face à pressão e exaustão que lhes era exigida.
Uma nova época com Jorge Jesus a treinador será algo de penoso para os sportinguistas. Eu pessoalmente já não tenho paciência para tudo aquilo que descrevi, mais os jogos que perdemos por culpa do vento ou do calor. 

A equipa
Em termos individuais, terá sido o melhor plantel desde 2002. Mas seja porque o treinador não aproveitou tudo o que cada jogador lhe poderia oferecer, ou porque a cabeça dos jogadores fraquejou quando a pressão aumentou, a equipa acabou por não corresponder as expectativas criadas à sua volta. Já falei na gestão patética de Brian Ruiz. Falo de Wendel, um jogador caro que deveria reforçar uma das zonas onde os índices físicos eram mais críticos, mas que quase nunca foi aproveitado. O lançamento de William num derby após uma ausência prolongada. A birra em torno de Lumor. O desaparecimento de Bas Dost nos jogos grandes. A gestão de Rúben Ribeiro.
Entretanto, o episódio da "revolta do balneário", uma passagem marcante da nossa época, onde o plantel, com os capitães à cabeça, decidiram entrar em guerra com o presidente. Naquele jogo com o Paços de Ferreira vimos finalmente os nossos capitães a assumirem uma atitude guerreira, de raiva e revolta. Sem por em causa o mérito desportivo de Rui Patrício ou William Carvalho, creio que uma das nossas maiores falhas nestes últimos anos prende-se com a falta de perfil de líder dos nossos capitães de equipa. Falta-lhes mais carisma, raiva, empenho. Não o empenho profissional de aparecer, treinar e jogar, mas aquele empenho de sofrer pelo Sporting, ir ver jogos das modalidades ou usar as redes sociais para criticarem a arbitragem. Empenho em chegar ao balneário ao intervalo e mandar umas valentes caralhadas aos seus colegas. Falar grosso. Infelizmente faltam-nos capitães como Manuel Fernandes, Oceano ou Sá Pinto. E aqui, sinceramente, não sei se para a próxima época conseguiremos resolver este problema.

O presidente
Bruno de Carvalho começou a época em silêncio, fruto de um castigo federativo que o suspendeu. Enquanto esteve calado fez aquilo que lhe competia e bem. Dotou o plantel de bons jogadores e deu as melhores condições possíveis ao seu treinador. No entanto, quando abriu a boca deitou tudo a perder. Primeiro foram os estatutos, depois o post da auto-estrada, o post pós-Madrid e agora a entrevista ao Expresso. BdC continua a gerir o Sporting com o mesmo frenesim com que o fazia em 2013. O problema é que já não estamos em 2013. Felizmente, e por mérito seu, o Sporting estabilizou. Mas o clube continua a ser gerido como se estivéssemos numa trincheira. Onde estamos nós contra o mundo. Depois dos tempos negros de 2013 e 2014, os sportinguistas desejavam estabilidade. Deram-na no ano passado e repetiram-na em março deste ano. Mas começa a ser demais. O Sporting assemelha-se hoje a um manicómio, onde já não sabemos se quem fala está bom da cabeça, se está mau da cabeça ou se só está a fingir. Um clube onde quando tudo está bem, de um momento para o outro fica tudo de pernas para o ar e andamos a apanhar e colar os cacos que sobram. Cada vez há menos paciência para esta "Casa dos segredos" em que Bruno de Carvalho transformou o Sporting, ainda para mais quando esta gestão frenética põe em causa a coesão do clube, lançando uns contra os outros, obrigando os adeptos a escolher entre os jogadores e o presidente, esquecendo que o que verdadeiramente importa é o Sporting.

Os adeptos
Por último, aqueles que são os mais importantes: os adeptos. Sejam eles sócios, simpatizantes, daqueles que vão a todos os jogos fora de casa, que se sentam religiosamente em Alvalade, que aturam as troladas da lampionagem nas redes sociais. Os sportinguistas que continuam crentes a bater recordes de assistência em Alvalade e nos jogos fora. Impacientes por vezes, de assobio fácil. Bipolares, que à sexta-feira ganhamos tudo mas à segunda-feira já não valemos nada. Os sportinguistas que tanto se empenharam nestes últimos anos em prol do apoio à sua equipa. Nós, todos.
E somos os que verdadeiramente sofrem, quando empatamos em Setúbal no último minuto, perdemos no Estoril por causa do vento ou como hoje, em que na derradeira oportunidade de conseguirmos alguma coisa boa deste campeonato, assistimos incrédulos e estupefactos a um exercício de falta de empenho, compromisso e ganas de ganhar um jogo que deveria ser o jogo das nossas vidas. 
Entre exibições paupérrimas da nossa equipa seguidas de explicações patéticas do nosso treinador, posts ridículos do Facebook do presidente e de toda a sua família e resposta não menos ridícula da equipa de futebol, cuja cereja em cima do bolo foi aquele frango do Rui Patrício, todo este campeonato resume-se para mim e para todos os sportinguistas nisto: foi um soco no estômago. 

terça-feira, 1 de maio de 2018

O ressurgimento do Sistema?

Penso na magnífica equipa do Benfica que foi campeã em 2015/2016 e 2016/2017 e lembro-me de jogadores tremendos, como Jardel, Samaris, André Almeida, Pizzi, Eliseu, Renato Sanches, Jimenez, Carcela, Lisandro, Rafa ou André Horta. E olho agora para esta equipa do Porto, a apenas um ponto de ser campeã, onde demonstram talento jogadores como José Sá, Marcano, Maxi, Herrera, Danilo ou Marega (!!!). Penso nisto tudo e só me dá vontade de chorar...
Do campeonato de 2015/2016, já fui dizendo por aqui tudo o que haveria para dizer. A equipa cujo meio-campo proporcionou uma conquista europeia à selecção portuguesa, que acabou esse campeonato com 86 pontos, foi batida por outra equipa onde pontificavam os jogadores que em cima escrevi. Em 2016/2017 tivemos longe na performance do ano anterior, acusámos em demasia as ausências e não soubemos responder em jogos onde fomos "puxados" para trás. Os 70 pontos conquistados resumem o fracasso, onde nem as outras competições escaparam. Esta época, na melhor das hipóteses, chegaremos aos 83 pontos. E o Porto de Marcano ou Herrera pode fazer 88 pontos. Ou seja, nem com os pontos de 2015/2016 lá chegaríamos. A equipa de João Mário, Adrien e William Carvalho ficaria atrás de Herrera, Sérgio Oliveira e Oliver. É isto.
Perante os impressionantes recordes de pontos alcançados por equipas pouco acima de medianas, treinadas por treinadores que alternam entre o carisma de uma alface ou a esquizofrenia frenética de um Dr. Jekyll/Mr. Hyde, o que é que nos resta a nós, sportinguistas, esperar dos próximos tempos?
Para já, atendendo à corrente noticiosa que vai circulando, mau grado os esforços hercúleos de gabinetes anti-paródia, resta-nos a ténue esperança que o braço judicial deste país encontre e prove tudo aquilo que nós assistimos em campo nos últimos anos contra um clube: jogadores macios, treinadores receosos, árbitros amblíopes e uma "estrutura" de bastidores que trata das pontas soltas.
Quanto à presente época, verdade seja dita que quem vai na frente pode dizer que não precisou do mesmo expediente que o campeão da treta nestes últimos anos. Salvo uma ou outra situação onde claramente foram muito más as explicações, como a bancada do Estoril e a dívida saldada antes da segunda parte, admito que ficou muito àquem do expediente utilizado pelo Estado Lampiânico. Mas é preciso termos calma. É que eu ainda me lembro do que é que aqueles meninos de riscas verticais azuis e brancas andavam a fazer há bem pouco tempo. Virá aí a ressurreição do Sistema?
Muito da próxima época dependerá do que fizermos nos últimos jogos deste campeonato. É fundamental conquistar o segundo lugar e consequentemente a possibilidade de aceder à Liga dos Campeões. Quem ficar de fora do bolo de receitas da LC terá uma vida muito complicada na próxima época. O benfica está à beira de iniciar um processo eleitoral antecipado, como comprovam as últimas intervenções de Rui Gomes da Silva. Junte-se a isto a decrescente investimento dos encarnados na sua equipa, que tenderá a agravar-se sem as receitas da UEFA. E poderemos ter aqui o inicio de uma crise do outro lado da segunda circular. Sem esquecer nos casos criminais que estão pendentes na justiça e que poderão ser despoletados a todo o momento. Se formos nós a ficar de fora da LC, o cenário não será muito diferente. Inevitavelmente virão os inimigos de Bruno de Carvalho atacá-lo e tentar provocar a sua destituição. A nossa reestruturação financeira, sumarizada ontem pelo presidente, poderá ser afectada e ficar em causa. Muito provavelmente teremos de desinvestir no plantel, provocando algumas saídas.
Enquanto o cenário sobre o segundo lugar não se revela, podemos já falar do que significa o porto ser campeão. A equipa portista, arredada há 4 anos de qualquer título de futebol, intervencionada pela UEFA, cumprindo um rigoroso plano de austeridade, ultrapassado pelo benfica na influência atrás dos bastidores, recebe assim um tremendo balão de oxigénio. O porto pode preparar a sua nova época com alguma tranquilidade e folga, podendo recuperar alguma capacidade de investimento que perdera nestes últimos meses. Fora do campo, com a estrutura do benfica a desmoronar-se, o Sistema tem campo aberto para reaparecer. Não tenhamos ilusões. Todos os actores que contribuíram para a manutenção do Sistema, continuam aí. Desde Pinto da Costa, passando pelos seus acessores e vice-presidentes, até à estrutura federativa e da Liga (Fernando Gomes portista e Proença sempre pró-Porto), são todos sobreviventes do passado.
Nos próximos tempos teremos de andar com um olho no burro e outro no cigano. Por um lado, temos de desconfiar das notícias que dão o Estado Lampiânico em queda, que para já me parecem exageradas. Mas por outro, não poderemos ignorar o mais que provável regresso do Sistema. No meio de tudo, estamos nós. Se nos choca ver opositores de BdC de braço dado com Luis Filipe Vieira, já não poderemos dizer o mesmo se os virmos abraçados a PdC. É que se há coisa que o roquetismo demonstrou nos seus anos, é a facilidade com que se pode ignorar ou mandar às malvas os melhores princípios éticos do desporto, por troca de um prato cheio de croquetes.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Enjoy the silence

Hoje deu-me para plagiar a Tasca do Cherba, pelo que o título do meu post é o nome de uma música que se adapta ao actual estado do Sporting e do futebol português.
Esta semana começou estranhamente silenciosa. É digno de se ver como uma simples mudança de líder do campeonato, altera por completo o alinhamento de telejornais e dos temas em discussão nos canais noticiosos. De um dia para o outro deixou de se falar de futebol. Bruno de Carvalho e a sua sucessão já não justificam "praças públicas" e outros programas de debate. As agressões a jornalistas, após um jogo de futebol, deveu-se ao clima e não à cultura totalitária do clube envolvido. Rui Vitória, que em tempos chegou a ser o Sun Tzu da nossa bola, parece que afinal não passa de um nabo com olhos.
Voltando novamente ao silêncio, começo por aquele que me é mais querido: o silêncio do nosso presidente. A acalmia dos últimos dias serviu para recuperar alguma normalidade no reino do leão, com os jogadores a fazer aquilo que é suposto fazer, jogar à bola e vencer os jogos. De repente, a brigada do reumático como que meteu a viola no saco e desampararam a loja por estes dias. É certo que para isso também contribuíram outros silêncios, como de Rogério Alves ou João Benedito, que ter-se-ão lembrado daquele velho adágio popular, de que "quem com ferros mata, com ferros morre". E vai daí mostraram alguma dignidade em não pontapear o moribundo no chão, ao contrário dos patetas do costume que já ninguém leva a sério, como Severinos, Abrantes e companhias.
E como o silêncio costuma ser bom conselheiro, aposto que muitos sportinguistas terão feito uma profunda introspecção quando viram a primeira parte do jogo de Belém. "Onde é que andava esta equipa quando fomos a Setúbal ou Estoril?", perguntavam muitos. No Restelo, onde perdeu o porto e ia perdendo o benfica, conseguimos virar um mau inicio de jogo e marcámos 3 excelentes golos. Aos poucos, sem Bruno de Carvalho abrir a boca, os adeptos vão pensando em como esta época teria sido diferente se o presidente tivesse apertado com os "meninos mimados" depois do empate de Setúbal. Mas mesmo tarde, pode ser que o puxão de orelhas ainda tenha vindo a tempo. O segundo lugar voltou a ficar á nossa mercê e na quarta-feira, uma exibição ao nível da última quinta poderá abrir-nos as portas do Jamor. Até lá é aproveitar o silêncio e não fazer (nem dizer) mais asneiras.
Sobre o clássico entre o Estado Lampiânico e o Sistema, tenho pouca coisa para dizer. Rui Vitória mostrou mais uma vez que não passa de um treinador mediano. Que sobrevive numa equipa "grande" apenas porque ela é amparada nos momentos complicados. Sem rasgo táctico, com o seu carisma típico de um vegetal, sem aquele élan que ameaça tudo e todos quando não o carregam ao colo. Lembra-me muito Fernando Santos quando treinou o porto nos anos 90, outro treinador mediano que conseguiu ser "penta" sabe lá ele como. No domingo não sobreviveu a mais um jogo paupérrimo por azar. Aquele lance do Zivkovic, no final do jogo, só não deu penalti porque do outro lado estava o Sistema e Artur Soares Dias não é propriamente anti-Sistema. Fosse contra um dos Tondelas do campeonato e aquele lance patético era transformado numa penalidade salvadora, tal como em Setúbal. 
Mas ainda não é tempo para Rui Vitória atirar a toalha ao chão. Ainda faltam quatro jornadas e cheira-me que ainda o vão tentar salvar. Tanto contra o de cima, como contra o de baixo. Quanto a nós, além de estarmos atentos, lembremo-nos também que o silêncio não é eterno. E que passando estas ondas de choque do míssil do Herrera, irão chegar pazadas fresquinhas de carvão para nos tentar distrair do objectivo final.
Por enquanto "enjoy the silence". E que eliminemos o porto!

segunda-feira, 9 de abril de 2018

A queda de um anjo

Desde as 20 horas e 05 minutos da passada quinta-feira que eu sinto-me como se estivesse num sonho. Daqueles sonhos onde toda a realidade aparece distorcida, nada faz sentido, tudo está ao contrário. A diferença para outro sonho qualquer é que neste, por mais que queiramos acordar, não conseguimos. Por fim conseguimos ultrapassar a fase da negação e aceitamos a triste realidade, de que nada disto é sonhado. Aconteceu mesmo e continua a acontecer. 
Passadas mais de 80 horas desde que tudo começou, consigo finalmente ter a serenidade suficiente para me sentar em frente ao computador e escrever estas palavras, tentando arranjar a mim próprio e a quem me lê uma explicação que me ajude a entender como foi possível termos chegado a este ponto.
Tudo começou em 2013. Algures durante a nossa pior época futebolística de sempre, alguns sócios decidiram forçar o clube a ir a eleições antecipadas, num último esforço de evitar que o Sporting se afogasse na lama onde se foi enterrando ao longo dos anos anteriores. Como era mais do que esperado, Bruno de Carvalho ganharia o acto eleitoral que se seguiu, não porque os seus oponentes fossem fracos, mas porque estava escrito que a vitória seria sempre sua, fosse contra quem fosse. 
Bruno de Carvalho ainda teve a infelicidade de suportar a humilhação de presidir o clube naquele final de época terrível de 2012/13. Mas teve forças para ultrapassar essa humilhação, até porque não seria a única. Juntou-se a questão do debate público em relação às dívidas do Sporting, bem como a telenovela Bruma. O nosso presidente revelou então uma característica que marcaria a sua função, a sua profunda obstinação para conseguir o melhor negócio possível para o Sporting. Os resultados a curto prazo foram positivos: a dívida foi renegociada em termos favoráveis para o clube, Bruma não saiu a custo zero para nenhum rival e ainda rendeu mais de uma dezena de milhão de euros e a época de 2013/14, apesar da frugalidade com que foi preparada, revelou-se bem melhor que as 3 ou 4 temporadas anteriores. De resto, mesmo com um plantel curto para sermos campeões, tivemos de ser roubados em Setúbal (curioso, não é?) para nos afastarem da luta pelo título dessa época, como havíamos sido também roubados na Luz para nos eliminarem da Taça de Portugal.
Bruno de Carvalho cedo percebeu que tinha de arrepiar caminho se queria ser levado a sério no panorama futebolístico português. As expoliações de 2013/14 (ainda assistiu, no final da época de 2012/13 à "capelada" na Luz) levaram-no a falar grosso para dentro e fora do clube. Veio o discurso das nádegas, que funcionou como uma pedrada no futebol nacional. Notava-se já um desvio na forma como as declarações de BdC se sobressaiam face ao establishment, mas nesse tempo ainda se conseguia olhar mais para o conteúdo do discurso de um presidente que todos elegiavam pela irreverência. 
Depois do verão de 2014 aconteceu muita coisa que muitos pensavam que já não aconteceria ao nosso clube: voltámos á Liga dos Campeões, onde só uma roubalheira nos tirou dos oitavos-de-final, conquistámos uma taça de Portugal e uma supertaça, construímos o nosso pavilhão para as modalidades, batemos records de assistências anuais em Alvalade, de sócios, construímos equipas de futebol competitivas, contratámos o melhor treinador a treinar em Portugal, vendemos jogadores cirurgicamente e sempre por valores que jamais sonharíamos. Enfrentámos o Estado Lampiânico, a comunicação social tendenciosa, os interesses instalados no futebol, os croquetes. E em 2017 demos uma enorme prova de gratidão à pessoa que conseguiu dar tudo isto ao Sporting, reelegendo-o categoricamente para mais um mandato, através do acto eleitoral mais concorrido de sempre no nosso clube.
Entretanto a irreverência comunicacional de Bruno de Carvalho foi perdendo o seu brilho, transformando-se em incómodo e depois em embaraço. Foi a telenovela em torno de Marco Silva, foi o "olhem para cima", o discurso da bardamerda, era a saída anunciada do Facebook que afinal já não era. Os sportinguistas iam perdoando a forma como BdC comunicava porque o conteúdo ainda lhes dizia algo. A forma como perdemos o campeonato de 2015/16 e a roubalheira que sofremos na primeira volta de 2016/17 eram suficientes para manter-nos a nós, os adeptos, mobilizados. Apesar da forma, o conteúdo da mensagem presidencial era perceptível. 
Até que chegamos à presente temporada. Bruno de Carvalho, castigado pelas instâncias federativas, remeteu-se a um longo silêncio que marcou praticamente toda a primeira volta. O clube e a equipa de futebol pareciam ter lidado bem com esse silêncio. Nas modalidades comandávamos todos os campeonatos e no futebol, além da liderança, ainda estávamos presentes em todas as competições. Foi por isso que muitos de nós assistimos incrédulos à história da AG dos estatutos e a todo o reboliço que se seguiu. Pelo meio perdemos no Estoril e comprometemos as nossas aspirações ao título. Bruno de Carvalho exigiu as suas condições para continuar à frente do clube e os sócios deram-nas. Novo discurso de vitória, novo equívoco comunicacional, desta vez contra a imprensa em geral. Era perceptível que o discurso presidencial se degradava cada vez mais, tornando-se mais errático e insensato, até mesmo estapafúrdio.
A forma como Bruno de Carvalho decidiu abrir uma frente de guerra com a larga maioria do plantel principal do Sporting é um misto de desnorte com absurdez. Ocorreu depois de uma derrota patética, é certo, mas numa fase onde ainda temos muito para ganhar. E num momento onde todas as nossas baterias deviam estar apontadas á forma impune como os nossos adversários passeiam-se no campeonato. Gostava sinceramente que tudo isto acabasse com um abraço entre Bruno, os jogadores e os treinadores, debaixo dos aplausos de Alvalade, com a promessa do fim do Facebook presidencial. Mas isto é tão realista como acreditar que é possível a paz em todo o mundo. Primeiro, porque já se percebeu que BdC padece da patologia de utilizador compulsivo do Facebook. Segundo, porque mesmo que exista esse abandono da rede social, já foram ditas coisas entre jogadores e presidente que tornam impossível qualquer retorno ao pré-Atlético de Madrid. E infelizmente, como se constatou ontem, Bruno de Carvalho não percebeu o que lhe grita a maioria dos sportinguistas (sócios e não só), preferindo agravar a rotura com os jogadores em vez de procurar a reconciliação. 
E os jogadores no meio disto tudo, como ficam? Desde que na minha infância vi o meu maior ídolo fugir para um clube rival (Paulo Futre), que adoptei aquela velha máxima de "ídolos zero", que agora muitos trazem na boca. Por muito sportinguistas que sejam, por muitos anos de Sporting que carreguem consigo, vejo os jogadores como profissionais pagos pelo clube para jogar à bola. E como profissionais que são, também anseiam por jogar noutros clubes que lhes paguem o dobro ou o triplo do que recebem hoje. É assim a vida. Não me emociono com juras de amor e murros no peito na hora de festejar golos. Se os jogadores estiveram bem neste episódio, claro que não estiveram. São profissionais, não podem entrar em debate público com a figura máxima da sua entidade patronal. Mas tem a seu favor o facto de terem agido em reacção a uma disparatada tomada de posição pública dessa figura máxima. E sinceramente, numa época onde foi batido o record de jogos disputados, com um treinador adverso à rotação da equipa, creio que os nossos jogadores estarão a jogar no limiar das suas capacidades físicas. E depois do que vimos sábado em Setúbal, facilmente chegamos á conclusão que não é pela falta de entrega dos nossos jogadores que estamos afastados da luta pelo título. Não foi mesmo isto que Bruno de Carvalho e Nuno Saraiva andaram constantemente a dizer? Ontem via aquela fúria toda do Rui Patrício a mobilizar os seus colegas antes e depois do jogo e gostava de ver essa mesma fúria quando somos roubados ou vemos os nossos rivais a serem levados ao colo. Mas essa falta de fúria não será antes um fracasso de Bruno de Carvalho, que não soube mobilizar os seus jogadores para uma luta maior?
Entretanto Jaime Marta Soares resolveu, e bem, pôr fim a esta patética novela que se arrasta desde quinta-feira e vai convocar uma AG extraordinária que, no limite, provocará a destituição de Bruno de Carvalho (isto se ele não se demitir antes, o que eu não acredito). Não acredito que Bruno de Carvalho se recandidate, mas mesmo que o faça acho que é tão inevitável perder essas eleições como era inevitável te-las ganho em 2013. Espero e desejo apenas que as partes saibam honrar-se a si mesmas e sobretudo saibam honrar o Sporting Clube de Portugal. Bruno de Carvalho, porque queria recordá-lo como o homem que retirou o Sporting da lama e que por isso merecerá toda a minha consideração e admiração enquanto sportinguista. Os jogadores, porque ainda tem muito para ganhar até final da época (Atlético de Madrid, porto, 2.º lugar e, quiçá, até o 1.º).
Quanto aos sportinguistas, muito do que leio parece que nos empurra para uma escolha entre Bruno de Carvalho e o regresso dos croquetes. Não acredito que assim seja. Hoje os sportinguistas estão muito mais atentos e informados, pelo que não acredito que voltem a ser seduzidos pelo palavreado sonso dos croquetes desta vida. Temos blogues como o Artista do Dia ou o Mister do Café, paineleiros em diversos programas televisivos, até mesmo colunas de opinião nos jornais, que estarão prontos para desmascar a conversa fiada e bafienta da croquetada. Depois porque acredito que se consiga gerar consenso entre os brunistas para apoio de uma figura que consiga representar e continuar tudo o que de bom Bruno de Carvalho fez pelo nosso clube, mas sem cair nos seus erros.
Sporting Clube de Portugal, sempre!!!

quarta-feira, 28 de março de 2018

Como transformar o chico-esperto da Britalar em vítima de BdC

No próximo fim de semana teremos um dos jogos mais importantes até ao final da temporada. Não que nesta fase possamos dizer que este ou aquele jogo são de importãncia reduzida, não. Até à 34.ª jornada temos de encarar todos os jogos como finais, pois são todos para vencer. Mas o próximo é especial.
Em primeiro lugar, uma vitória em Braga deixa o benfica C praticamente afastado da luta pelo 3.º lugar. Em segundo lugar, sendo o jogo mais perigoso até defrontarmos o benfica em nossa casa, uma vitória deixa-nos o 2.º lugar à nossa mercê. Em vésperas de benfica-porto, os lampiões entrariam em campo no clássico pressionados, pois um mau resultado teria impacto duplo, quer nas aspirações ao título, quer na luta pela segunda posição. Em terceiro lugar, mas não menos importante, uma vitória em Braga dá-nos alguma margem para sonhar. O porto terá uma deslocação a Belém que se pode vir a revelar complicada. Uma vitória em Braga, conjugada por uma perda de pontos do líder, deixaria-nos novamente na luta pelo título, pelo menos até ao desfecho do benfica-porto. É uma equação com muitas variantes, onde até pode entrar a esperança de Peseiro ir sacar uma gracinha na Luz. Façamos o nosso trabalho, que é o de bater o benfica C, e esperemos que a sorte nos sorria...
Enquanto isso, por Alvalade, as coisas vão seguindo o seu ritmo habitual. Bruno de Carvalho patrocinou a abertura de uma loja verde no coração turístico de Lisboa, numa iniciativa que só peca por tardia. O vandalismo que a loja sofreu logo na primeira noite revela o quanto é hipócrita aquela aquela velha máxima de que "em Portugal só existem dois clubes, o benfica e o anti-benfica". Pelo caminho, Bruno arrasou novamente o califa do Estado Lampiânico, que dias antes atirara para o ar uma mão cheia de areia, na esperança que a sua retórica de "vendedor da banha da cobra" afastasse os holofotes mediáticos do toupeiral de Carnide.
O problema de Bruno de Carvalho, que patologicamente parece incurável, é que fica de tal modo entusiasmado quando acerta no cravo, que no meio da euforia manda mais uma martelada na ferrradura. A recente "guerrinha" com o benfica C é um bom exemplo disso. Salvador, tal como um bom moço de recados ou cão fiel ao seu dono, lá se prestou a fazer mais um favor à mão que o afaga, e vai de criar uma telenovela em torno de tranches não pagas, relativas à transferência de Bataglia. O móbil era de tal forma evidente - fazer um frete ao gabinete anti-paródia do EL, criando uma diversão ao #BenficaGate - que inicialmente não terá havido sportinguista que tenha levado a sério a acusação bracarense. A resposta dada uns dias depois, de que afinal o braga tinha uma dívida mais antiga por saldar com o Sporting, era mais do que suficiente para encerrar um assunto sem assunto nenhum. Pagar a tranche ao braga, descontando as dívidas passadas e as futuras que iriam ter com o Sporting, sendo questionável em matéria de relação entre duas entidades adultas e de respeito, também foi uma forma paternalista de encarar a coisa. Lembram aqueles pais, que para ensinar os filhos a não gastar mais do que tem, lhes descontam na mesada aqueles euritos que lhes emprestaram no ano passado. Foi um modo paternal do Sporting dizer ao braga de que "não andamos aqui a dormir" e que as dívidas são para ser pagas a tempo e horas. O comunicado do braga lembra aqueles miúdos lá da rua, que na sexta-feira iam fanfarrões lá para casa porque iam receber "umas massas" para gastar no fim de semana, mas que acabam no café a chorar porque afinal os papás são mauzões e só lhe deram "uns pauzitos". A história era de tal forma evidente que até parecia uma parábola bíblica, daquelas com moral no fim, tipo "paga o que deves e não inventes". No entanto, Bruno de Carvalho achou que a moral da história não era humilhante o suficiente para o chico-esperto da Britalar, e vai de metralhar a personagem com insultos. De repente, o que era um jogo de futebol que nos poderia abrir as portas do mundo dos sonhos, transformou-se numa prova de orgulho ferido para o nosso adversário. Junte-se a isto a folga que a comunicação social está por estes dias a dar ao #benficagate. E temos mais um jogo contra toda a adversidade do mundo. 
O porto, dos velhos tempos do Sistema, tinha a irritante característica de se transfigurar perante adversidades semelhantes. Quando atacados no seu orgulho (lembro-me das campanhas de Santana Lopes ou Dias da Cunha contra o porto), os seus jogadores transformavam-se em feras quando entravam em campo, além de outros expedientes a que recorriam quando só a ferocidade da equipa não chegava. Infelizmente a nossa equipa ainda não atingiu aquele ponto de "orgulho ferido" que caracterizou o porto dos anos 90, nem possui os expedientes alternativos proporcionados pelo Sistema. Daí que o nosso próximo jogo seja duplamente perigoso: primeiro, porque é contra um bom adversário, que gosta de jogar bem contra nós. Depois, porque mais do que nunca irão querer ganhar este jogo. Não vão ser só três pontos em disputa, mas também o orgulho. Espero que os nossos jogadores, quando entrarem em campo no sábado, estejam bem cientes disso.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Sporting: Tropeçar nos nossos equívocos no território armadilhado do futebol português

Ando de mau humor e com a crença em baixa.
Esta época tinha tudo para correr bem. Somos treinados pelo melhor treinador actualmente em Portugal e temos um plantel equilibrado e recheado de talentos como não tínhamos desde 2002. Começamos a época algo receosos, mas se as primeiras exibições foram um pouco àquem das expectativas, já os resultados vieram a confirmar o que se esperava. Conseguimos a qualificação para a Liga dos Campeões e no campeonato somámos uma série de jogos só com vitórias.
Hoje, nos últimos dias de Fevereiro, ainda não temos nada perdido. Vencemos a taça da carica, mantemos a esperança no apuramento para a final da Taça de Portugal, na Liga Europa temos fundadas expectativas em chegar aos quartos de final. No campeonato, que é a prova que mais nos interessa, ainda podemos sonhar com a conquista do caneco. E quando numa competição já só nos agarramos ao "sonho", então é porque algo não correu assim tão bem.
Na próxima sexta-feira jogaremos já aquele jogo que, se perdermos, não haverá sonho algum que nos valha. Irrita-me chegar ao inicio de Março e já estarmos a fazer os "jogos decisivos", onde uma perda mínima de pontos nos atira para fora da luta pelo título. Um presidente em guerra aberta contra tudo o que é lobbie anti-Sporting, o melhor treinador que poderíamos alcançar, um plantel qualitativamente melhor em relação aos últimos anos, um investimento forte no mercado de Inverno, mas no final chegamos a Março e já andamos a lutar pela sobrevivência. E porque é que chegámos a este ponto, assim tão cedo? Por duas coisas.
Em primeiro lugar, o terreno armadilhado que é o futebol português. Não há aqui novidade nenhuma, desde que me lembro, o nosso futebol tem tanta disputa dentro de campo como fora das quatro linhas. Sabíamos que esta época iria ser particulamente agitada, pois o Sistema quer a todo o custo derrubar o Estado Lampiânico. O benfica pentacampeão, juntando-se a um porto falido e na maior seca de campeonatos desde os anos 70, era a pior coisa que o Sistema poderia enfrentar. E por isso lançaram logo de inicio uma ofensiva em larga escala para derrubar o EL. Começou com a divulgação dos e-mails, passou para a pressão sobre os árbitros e o VAR. Em sentido oposto, o Estado Lampiânico respondia onde é mais forte, pela comunicação social que domina, tentando minimizar e descredibilizar as denúncias portistas. No centro do furação está a arbitragem, que tal como um barco à deriva num mar tempestuoso, vai balouçando de um lado para o outro, conforme sopra o vento mais forte. Os últimos jogos dos nossos rivais tem sido verdadeiros recitais de impunidade, escandalosos favorecimentos dos homens do apito, sem falar de algumas convenientes exibições das equipas contra quem jogam. No inicio da época cheguei a ter a esperança de que o VAR viesse por fim à pouca vergonha que é a arbitragem nacional, mas hoje sei que me enganei. Continuam os favorecimentos, as impunidades e as protecções aos do costume. 
Em segundo lugar, e não menos importante, os nossos próprios equívocos. Continuamos a perder pontos impensáveis contra equipas que estão nos últimos lugares. Com os sete pontos perdidos até agora contra Estoril, Vit. de Setúbal e Moreirense, estávamos hoje sossegados e isolados na frente. Não vale a pena gritarmos que temos de jogar a 120% para sermos campeões em Portugal, quando não ganhamos jogos que ganharíamos a jogar a 80 ou 90%. Noutro dia vi JJ, na mesma frase, dizer que vê mais além porque é muito bom, mas falhou por não ter tirado Bas Dost mais cedo. E, pergunto eu, para que preciso de um treinador muito bom, que vê mais longe do que os outros, mas depois teima em cometer os mesmos erros de sempre? Para que é que fomos gastar 6 milhões em Wendel para ficar na bancada e depois não temos dinheiro para ir buscar um Raphinha a Guimarães para ser titular? Porque não temos espaço no nosso plantel para Francisco Geraldes mas continuamos a insistir em Brian Ruiz? Porque é que andamos a rebentar fisicamente com Gelson e Bruno Fernandes, mas depois mandámos Iuri Medeiros embora e não apostamos em Misic ou Wendel? 
Os nossos dois rivais estão a travar uma luta titânica pelo domínio do nosso futebol. Na década passada começamos a perder força precisamente quando benfica e porto começaram essa luta. A queda do Sporting foi um dano colateral à tendência de bipolarização do futebol português. Hoje o Sporting não é outra vez um dano colateral graças à tenacidade de Bruno de Carvalho, que teima em remar contra a maré. Mas não tenhamos ilusões, pois o nosso espaço é cada vez mais reduzido, assim como reduzido é o tempo que temos para recuperar esse nosso espaço. 
Estamos numa altura em que mais do que visionários, precisamos de espíritos pragmáticos dentro do Sporting.