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sexta-feira, 2 de março de 2018

Começa hoje o resto da nossa época

Chegados aos primeiros dias de Março, eis que começamos hoje a jogar uma série de jogos que serão decisivos para o resto da nossa época.
Não há volta a dar. Se queremos quebrar o jejum de campeonatos, hoje temos de vencer. Infelizmente, cada vez mais parece que uma vitória logo à noite só poderá ser conseguida não com a estrelinha que nos tem acompanhado, mas sim com uma estrelona. Sem Bas Dost e Gelson, perderemos mais de metade do nosso poder de fogo. Resta-nos depositar as esperanças em Acuña e Bruno Fernandes, esperar que Brian Ruiz faça o que não fez há dois anos contra o benfica, ou que Doumbia e Montero façam hoje a exibição da vida deles.
Os lugares comuns do futebol dizem-nos que logo à noite jogarão 11 jogadores contra outros 11. E terão de ser os nossos 11 a fazer a diferença contra aquela que é actualmente a melhor equipa portuguesa. O porto está bem, está moralizado, e joga um futebol que do ponto de vista atacante é avassalador. No entanto, esse mesmo porto já demonstrou que contra equipas do mesmo poderio nem sempre é a máquina de fazer golos que é contra Portimonense ou Estoril. Em Alvalade, com os nossos jogadores cansados, não conseguiram fazer golos. Contra o benfica, a mesma coisa. Em casa foram goleados pelo Liverpool e ganharam-nos para a taça com um pontapé para a frente que acertou na cabeça de um dos seus avançados. Contra equipas que defendem bem, este porto não é tão concretizador. Apesar de nos faltar Picinni na defesa, que na meia-final de Braga secou por completo Brahimi, creio que os elementos que temos atrás dão-nos perfeita confiança de que será muito complicado marcar-nos golos.
Do meio-campo para a frente, espero e desejo uma equipa muito trabalhadora e batalhadora. JJ provavelmente meterá William, Bataglia e Bruno Fernandes no miolo, com os dois primeiros a destruir o jogo adversário e a morder os calcanhares a Sérgio Oliveira, Herrera ou Otávio. Bruno Fernandes terá de fazer um jogo olímpico, seja a apoiar os dois médios defensivos, seja a conduzir a bola até ao ataque nos poucos espaços que certamente nos concederão. E para mim o principal problema do Sporting, logo, será mesmo esse: aproveitar todas as nesgas de espaço na defesa portista para criarmos perigo e marcarmos golos. Isto porque o empate, não sendo mau resultado, também não será bom. Deixa as coisas ainda em aberto para nós, é certo, mas realisticamente, com a segunda volta complicada que temos, não me parece que chegue para sermos campeões.
Uma coisa que estes últimos jogos nos mostraram é que temos uma equipa com carácter, muito carácter. A forma como os jogadores ultrapassaram os últimos obstáculos, lesões, viroses, expulsões, erros grosseiros de arbitragem, até a hostilidade de alguns adeptos nossos (!!!), demonstra isso mesmo. E logo à noite teremos de ser sobretudo uma equipa com muito carácter, ferida no orgulho, com muita raiva para vencer. Para que no fim possam dizer com toda a exuberância que as notícias que davam o Sporting como acabado neste campeonato eram, afinal, exageradas. 
Muito tenho aqui falado sobre tragédias gregas, ironias do destino e justiça poética. Não haverá melhor palco para exibirmos isso tudo do que o jogo desta noite. E quem sabe se sem Gelson e Bas Dost, o derradeiro momento deste jogo não seja uma vitória com um golo solitário de alguém como Brian Ruiz? 
Como canta aquele sportinguista portuense chamado Sérgio Godinho, que hoje seja o primeiro dia do resto de um campeonato que queremos muito, mesmo muito, conquistar.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Pontapear o destino

O destino continua a pregar-nos partidas. Algumas são mais maldosas do que outras e a de ontem até foi benévola. Aconteceu tudo de uma maneira tão certinha, são clarividente e com um final tão cheio de moral, que até parece ter saído da pena de um Homero. Esta meia-final foi como que uma Odisseia para nós. Mas que não acabou ontem. Ainda mal começou.
No meu post de ontem falei de como o destino é especialmente irónico para o nosso lado. De repente chegávamos à meia-final da competição que sempre desprezámos e amaldiçoámos e vimo-la como uma tábua de salvação. Precisávamos desesperadamente de uma vitória ontem, para exorcizar os medos que temem em nos perseguir. E tal como uma tragédia grega, o jogo de ontem decorreu seguindo hipnoticamente aquele compasso angustiante e de suspense que todos os sportinguistas conhecem e sabem como acaba: ou muito bem ou muito mal.
O prólogo do drama de ontem começou logo pela manhã, quando Francisco J. Marques resolveu meter-se em mindgames e vociferou algo como "verdade desportiva ferida". E disse-o sem se rir. Tempos houve em que o nosso clube cedia facilmente a estes "joguinhos" psicológicos e os jogadores visados entravam em campo a tremer. FJM tentou mexer-nos em dois pontos sensíveis: lembrou-nos Setúbal e atacou o actual símbolo da garra sportinguista, Fábio Coentrão.
Começa o jogo e logo no seu inicio um daqueles lances que de tão óbvio que foi apenas nos fez rir, quando Bas Dost foi "abraçado" por Danilo. O árbitro não o quis ver, o VAR também não. E não venham com a treta do fora-do-jogo, pois ainda a bola não tinha sido chutada já o portista tentava acasalar com o holandês voador. O primeiro lance do desafio resultava na primeira ironia do destino: o jogo começou mesmo com a verdade desportiva ferida, mas do nosso lado.
Depois o desenrolar do drama, cheio de clímax e anti-clímax: lesiona-se Danilo, lesiona-se Gelson. Felipe lavrava impunemente o campo e tornava-se óbvio que o primeiro amarelado teria de ser um jogador nosso. E até isso decorreu como costume. Não faltaram as invenções de JJ, ao encostar Bruno Fernandes à direita. Felipe continuava a lavrar o campo. Coates acerta no poste, lembrando-nos que ficar a ganhar 1-0 naquela fase do jogo era muito fácil para nós. Rui Patrício faz uma defesa quase à entrada da grande área, depois de um disparate de Mathieu. O porto marca um golo em fora-do-jogo mas o VAR anula-o bem, como que premiando o clube cujo presidente mais se bateu pela sua adopção. No final da partida o assalto dos portistas fazia-se perante a contemplação do "Ferrari vermelho", que decidiu não marcar mais nenhuma falta a nosso favor do meio-campo para a frente. Pelo meio a entrada de Montero e Brian Ruiz em campo, que ninguém compreendeu bem para quê, excepto o destino, claro está.
O êxodo - ou conclusão - do drama fez-se ao mais alto nível e como já todos esperávamos. Por penáltis. Decidir um jogo desta natureza por penáltis seria algo demasiado fácil por si só. Temos bons executantes e um dos maiores especialistas do mundo a defendê-los. Ganhar assim não teria graça nenhuma. E o Sporting não seria Sporting se Coates e William Carvalho não tivessem falhado aqueles penáltis. Até acho que foi por isso que WC sorria enquanto caminhava até ao local da cobrança do pontapé. Ele sabia que ia falhar e que tinha de o falhar, então que o falhasse com estilo.
O drama terminou quando Brian Ruiz caminhou para bater o penálti decisivo. Quem melhor senão o "pé frio", o "patinha feio" da Costa Rica para desenvencilhar todo aquele novelo em que a eliminatória parecia manietada?
Infelizmente o drama ainda não acabou. Só agora começou. Este foi o primeiro episódio de um final de temporada que será necessariamente como o jogo de ontem: conduzida em altos e baixos, curvas e contra-curvas, solavancos. Teremos de ser fortes, muito fortes. Temos de ter raiva, temos de jogar furiosos, temos de saber sofrer, temos de saber jogar doridos, temos de correr, temos, temos, temos.... 
De que serviu aquele sofrimento todo em Alkmaar se na final, no nosso estádio, soçobrámos daquela maneira tão inglória? Um dia temos de dar um pontapé no destino. Este é o momento.

domingo, 7 de maio de 2017

A triste crónica de um desastre

Estou chateado, irritado, furioso. Só me apetece dizer que são todos uma merda, do presidente ao apanha-bolas, da secção de chinquilho à equipa técnica da equipa principal de futebol. Que isto é tudo uma desgraça, hão-se passar-se mais 15 à seca e... e... (expira, inspira, expira, inspira).
Billy, acalma-te! Arruma as ideias, a tua filha de 5 anos foi hoje à bola e adorou, mesmo tendo ficado a pensar que ganhamos o jogo. Calma caralho, tudo tem uma explicação, não vamos agora mandar pedras ao presidente, ao treinador e à equipa... não vamos , pois não Billy???
Bem, por onde é que eu vou começar? Comecemos então pelo inicio.
Já à muito tempo que não assistia a um jogo disputado do principio ao fim à luz do dia. Em Agosto vemos alguns começar à tarde mas no final lá se acendem as luzes da iluminação. Hoje não, era tudo ao natural, o que me relembrava os velhos anos 80 e 90 na curva sul ou na bancada nova.
O jogo prometia. Lotação esgotada, muitas crianças e senhoras prontas para assistir ao jogo. Eu decido levar a minha filha pela primeira vez à bola hoje. A hora é favorável, o jogo não conta para muito, o ambiente era previsivelmente de festa. Era uma espécie de festa de final de época antecipado. Festa sim, porque eu ainda sou do tempo de no final da época, mesmo quando acabávamos em quarto, o ultimo jogo ser sempre de festa com a clássica invasão de campo no final.
Antes do inicio do jogo, todo este quadro florido começou a ficar sombreado. A equipa inicial era uma desilusão. JJ chamou Matheus Pereira para o onze inicial, mas o seu gosto pelo risco ficou-se por aqui. Brian Ruiz e Bruno César, completamente desinspirados relegaram Geraldes para o banco. Como era previsivel, até pela lista de convocados, nem mais uma repescagem na equipa B, como Gelson Dala ou Empis. Nem Esgaio mereceu uma oportunidade.
O jogo foi do pior que se viu nesta época. Sem chama, sem vontade, sem jogo de cintura. Gelson Martins e Podence foram ausências mais do que sentidas. Não há mais ninguém capaz de fazer o que eles fazem. Matheus andou perdido, Brian arrastou-se, Bruno César passou por ali (aquele canto marcado onde acerta no defesa do Belenenses que cobre a bola é duma falta de jeito incrível). Dost creio que acaba o jogo sem uma oportunidade de jeito para marcar.
Na segunda parte, mais do mesmo. Há um golo, uma coisa rara esta época, pois nasce de uma oferta do guarda-redes Ventura que Bruno César aproveita. Depois dessa jogada, veio o desastre propriamente dito. Castagnos e Campbell entram em campo e lembram aos milhares de sportinguistas a desgraça que foram as aquisições de verão para esta época. O primeiro falha escandalosamente um golo isolado e o segundo correu e rodopiou com a bola várias vezes... para nada. A entrada de Geraldes com a equipa empatada, obrigando o miúdo a ter de carregar a equipa às costas, é de uma crueldade absurda para com este jovem jogador.
A história dos três golos do Belenenses é algo fabuloso. O Belenenses terá feito 4 ou 5 remates à baliza em todo o jogo. O primeiro golo nasce de uma grande penalidade que lembra a falta de William em Guimarães que também deu penalti: é de uma indigência profissional tremenda, pois é inaceitável que profissionais do Sporting concedam faltas desse género para penalti. Dos outros dois golos, tenho as seguintes coisas a dizer:
- A facilidade com que se marcam faltas contra o Sporting naquela zona do terreno, face à tremenda dificuldade de marcar faltas a favor do Sporting nessa mesma zona;
- A facilidade como equipas medianas (não pareceu, mas o Belenenses é uma equipa mediana) criam perigo e fazem golo nesse tipo de lances, face à dificuldade demonstrada pelo Sporting para aproveitar bolas paradas no último terço do terreno;
- O facto do lance dos golos serem iguais (bolas ao segundo poste) e a forma como a equipa é comida da mesma maneira em 3 minutos é assombroso e explica o porquê de nesta altura já estarmos a 11 pontos do líder, com mais do dobro de golos sofridos que os seus rivais da frente;
Quando saí do estádio hoje, senti algo que já não sentia desde a última época de Godinho Lopes. Senti aquela frustração de quem quer acreditar mas não consegue. Nestas últimas 4 épocas perdemos e empatámos jogos também, mas no final ficava com uma sensação de raiva, mau-perder ou azia, porque sabia que aqueles tinham sido pontos mal perdidos e que a equipa podia fazer melhor ou que não nos deixaram ganhar o jogo. Hoje não foi assim. Saí do estádio frustrado com o meu conformismo, pois o que ali vi só dava para uma desgraça assim. Lembrei-me das derrotas no tempo de Paulo Sérgio, Vercauteren ou Sá Pinto. Um estranho e terrífico conformismo da banalidade da nossa equipa.
De JJ já disse o que espero dele para a próxima época, e imputo-lhe uma parte generosa do descalabro desta época, De Bruno de Carvalho espero menos Facebook, menos tristes figuras do que fez depois do jogo (sim, porque ele também tem culpa de que tenhamos um Castagnos no plantel) e melhor trabalho na próxima época.
E atenção ao Vitória de Guimarães. Nem se atrevam a deixá-los aproximarem-se de nós.