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terça-feira, 24 de setembro de 2019

A bazófia varandense ou como pela boca morre o peixe

Regra de ouro: se não queres ser lobo, não lhe vistas a pele. Também não a vistas se não tens arcaboiço para tal. Podes dar-te mal.
Vem esta introdução a propósito do presidente do nosso clube, o tal que me disse a mim, em Agosto, para não estar preocupado. Sim, esse mesmo. Aquele que diziam que futebol era "fácil, fácil". 
Começo por dizer que Frederico Varandas, enquanto médico do nosso clube, sempre me mereceu a mais elevada consideração. Depois de um inenarrável Gomes Pereira, onde tudo o que era aleijado e perneta passava nos testes médicos, sem falar as lesões crónicas que se arrastavam pelos corredores, Varandas surgiu como uma lufada de ar fresco no departamento médico. Como ele apareceu lá, não vou comentar. Com ou sem cunha, Varandas foi um excelente profissional e por isso merecedor de toda a estima do universo leonino.
Diz também outro ditado que "em arca aberta, o justo peca" ou "a ocasião faz o ladrão". Trocado por miúdos, diria que o sempre sábio povo quis assim caracterizar aquela coisa tão humana que é de ceder às tentações, quando elas nos aparecem à frente. E essas tentações surgem no futebol de diversas maneiras, todas elas muito apelativas: sob a forma de um contrato chorudo que lhe acenam de um campeonato mais competitivo, ou aquele reconhecimento público em festas e saraus, só ao alcance das personagens mais mediáticas. Enfim, lá saberão porque dizem que as luzes da ribalta são intensas e ofuscam quem delas se aproxima. 
Foi o que aconteceu em Maio de 2018 com Frederico Varandas. No meio de uma das tempestades mais violentas que assolou o território leonino, alguém soprou ao ouvido do respeitado e consagrado médico que estava ali uma oportunidade de ouro. Varandas, é fácil de imaginar, terá numa primeira fase afastado essa voz sussurrante, tal o temor que lhe inspiraria a ideia de tomar conta de um clube em cacos. Mas da mesma forma que o canto sussurrante das sereias guiavam os barcos dos inauditos viajantes contra as pedras, também o nosso consagrado médico se deixou hipnotizar perante outros "cantos de sereia". Viu ali a "arca aberta" da oportunidade de ascender a presidente do seu clube. De repente, todo aquele temor inicial se desvaneceu, os seus olhos arregalaram-se perante a prespectiva de se sentar na cadeira presencial, sentindo uma leve tesão com a ideia de deixar de ser tratado como "senhor doutor" e passar a ser o "senhor presidente". E foi assim que, ainda a poeira em torno de Alcochete andava pelo ar, surgiu-nos pela frente o doutor Varandas, qual Dom Sebastião a atravessar o nevoeiro, recebido logo pela comunicação social maldosa como herói providencial da nação leonina. Quando o leão deveria estar recolhido no seu covil a lamber as feridas, Varandas preferiu romper com tudo e declarar guerra. Foi o primeiro a mandar às malvas a tal "união" que agora defende, apresentando-se como candidato de umas eleições que nem sequer estavam cogitadas. Marcou um passo claramente maior que a sua perna.
O jovem médico, quiçá para demonstrar a sua faceta de herói duro e único com estofo capaz de reerguer a nação leonina, uma espécie de Churchill do Sporting, resolveu vestir a sua pele de lobo. O problema, logo para começar, é que Varandas não é "lobo". Não tem estrutura mental, arcaboiço intelectual ou conhecimentos empíricos de futebol para ser um "lobo". Ao contrário de Bruno de Carvalho, com quem Varandas se queria equiparar, o ex-médico não tem dom de palavra nem de oratória, não tem estofo para tomar uma decisão da qual possa resultar uma crise contra meio mundo desportivo. Varandas não despediu Keizer no final da época passada porque não tinha estômago para enfrentar as indignações dos Abrantes Mendes desta vida. Não foi até às últimas consequências com os processos de rescisão porque teve medo de perder a acção, mesmo sabendo que também a poderia ganhar. Preferiu aproximar-se de Jorge Mendes do que manter os princípios do Sporting. Nos momentos decisivos, Varandas encolhe-se. Tal como ontem Leonel Pontes se encolheu e tirou Vietto da equipa. Neste momento temos um clube que é o espelho de quem o dirige, isso é inegável.
Pelo meio, para dar mais crédito à sua pele de lobo, o cordeiro Varandas enveredou naquele caminho patético que encontra respaldo em muita "elite" croqueteira: aquela bazófia bacoca, importada do outro lado da segunda circular, que não é mais do que uma tentativa de infantilizar os sócios leoninos. Essa bazófia do "fácil, fácil", "não estou preocupado" ou "temos uma grande equipa", mais não serviu do que atirar areia para os olhos de todos aqueles que assistem espantados e consternados à queda abrupta da qualidade da nossa equipa de futebol. Há dois anos ombreavamos em Alvalade contra Juventus ou Barcelona. Hoje somos trucidados em casa por qualquer clube que saiba circular a bola e explore as nossas fragilidades defensivas. Fácil, não é?
Mas se a bazófia croquete de um Pedro Madeira Rodrigues foi facilmente desmascarada e ridicularizada pelo universo leonino, já a de Varandas custou-me que tenha sido aceite e engolida pelos sócios, pois um olhar atento pela campanha eleitoral já deixava adivinhar essas fragilidades no ex-médico. Por isso defendo que o mandato de Varandas seja levado até ao fim, para todos aqueles que o apoiaram e nele votaram sintam bem as consequências dos seus actos.
Quanto à presente época, onde à sexta jornada já estamos a 8 pontos do primeiro lugar, só peço uma coisa: um treinador competente e de renome, com pulso forte, para impedir que aquele balneário fique mais estraçalhado que a cidade da Kandahar.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Varandas e a ética merdosa, da elite merdosa

Na vida deparamo-nos com vários tipo de situações: as chatas, as tristes, as alegres ou as efusivas. Também há outro tipo de situação que não consigo nomear, mas que posso descrever: é aquele misto de sensação em que estamos de tal modo amedrontados com o que possa acontecer, que ao mais pequeno brilho de sol quase que rebentamos de euforia. É uma espécie de síndrome de Estocolmo, mas amplificado a uma escala quase infinita.
O Sporting tem-me proporcionado momentos em que passo por esse tipo de situações. Fico alegre com cada vitória nossa e um dos momentos mais efusivos da minha vida terá sido com o golo do Miguel Garcia ao Az Alkmaar ou do André Cruz ao Salgueiros, a 14 de Maio de 2000. Também me proporcionou coisas chatas, como aquele empate em Setúbal há dois anos, nos últimos minutos. Mas ultimamente tem-se aprimorado em proporcionar momentos tristes aos seus adeptos. O jogo contra o Boavista foi de uma tristeza sem fim, como tantos outros jogos que fizemos nestas últimas semanas. Quanto à situação de Síndrome de Estocolmo elevada à décima potência, passei por ela ontem. Dei por mim a ouvir deliciado o comentário cândido e simpático do comentador de serviço da SIC, relatando coisas como "até nem estão a jogar mal", "bom inicio de jogo", "controlo sobre o campo", quando o que eu via na TV era o Sporting a jogar contra um banal PSV, que sem grande esforço marcou 3 golos em jogadas que pareciam saídas de jogos de treino contra equipas inferiores. Cheguei ao ponto de exuberar com a exibição de uma equipa só porque ela conseguia transportar a bola da defesa para o ataque em 3 ou 4 toques de bola. Rejubilei de satisfação por ver que o nosso meio-campo conseguiu ontem falhar menos saídas para o ataque do que tem sido costume. E a cereja em cima do bolo, que foi a entrada de um avançado jovem, que por razões que se desconhecem não foi inscrito na Liga, mas que ao fim de 70 segundos em campo fez o que mais ninguém em campo estava a conseguir fazer: marcar um golo.
Hoje, encaro um jogo do Sporting assim mesmo. Só espero que façam umas jogadas bonitas ao longo dos 90 minutos, que falhem poucos passes e que tenham vontade em contrariar a tendência negativa dos jogos. Mas só isso não chega. Acho que ontem até jogámos um poquito melhor que no Bessa (ou menos mal, se preferirem), mas só isso não chegou para impedir a derrota diante de um adversário que jogou a passo a maior parte do tempo.
As coisas poderiam ter sido muito diferentes se quem comanda o clube percebesse que no futebol não ganham as boas intenções, nem aquela ética bacoca que uma determinada elite ainda hoje defende para o nosso clube. Quem ganha é quem tem os profissionais mais competentes, mais sabedores e mais trabalhadores, sejam eles os directores, os médicos, os treinadores ou os jogadores. Logo à cabeça surge-nos a questão do treinador, cuja (falta de) competência para treinar o Sporting já havia sido demonstrada na época passada. Justificar a sua continuidade com a desculpa de que não se deveria despedir alguém que ganhou duas taças, é um argumento cobarde e intelectualmente indigente. Cobarde, porque revela falta de coragem que quem decide em assumir o óbvio. Intelectualmente indigente, porque revela a fraqueza de espírito desta gente, que preferiu esconder-se atrás de uma ética duvidosa do que assumir a vontade em ter uma equipa ganhadora. A mesma ética duvidosa que muitos defenderam, em 2015, para não se despedir Marco Silva, que havia ganho sofrivelmente uma taça, coroando uma época onde a produção desportiva foi pouco mais que medíocre. A mesma ética que impediu o Sporting de ter procurado treinador mais capaz do que o sofrível Paulo Bento e os seus meritórios segundos lugares ou que defendia a continuidade de Peseiro na época passada, porque ele era uma pessoa simpática e coiso.
Será que esse tipo de decisões, tomadas contra essa ética merdosa do nosso clube e alimentada por uma elite não menos merdosa, só poderão ser tomadas por presidentes "aditivados" e mentalmente desequilibrado? Será muito pedir um presidente com personalidade forte, que saiba o que quer e não tenha medo de pensar e tomar decisões pela sua própria cabeça?
Não sei o que o nosso departamento de futebol pensa neste momento. Mas há um pensamento que me invade e me prende os movimentos, tal o pânico que me inspira. Leonel Pontes, já se viu, não tem arcaboiço para estas andanças. Mas se por ventura tiver a sorte de lhe cair um ou duas taças no colo, arriscava-se a continuar treinador para a próxima época. Pelo sim, pelo não, aconselho Hugo Viana e companhia a procurarem um excelente treinador para pegar na equipa já durante esta época, não vá o Leonel ganhar mesmo as taças e depois, lá está, terem de o manter para a próxima época, porque despedir um treinador assim não é "bonito".
Já não peço contratações de bons jogadores, nem inscrição dos nossos jovens na Liga. Só peço um bom, excelente treinador para disputar o que falta desta época com a dignidade que o nosso emblema merece. Temo muito que se isso não acontecer, Varandas dificilmente terá oportunidade em preparar mais épocas, enquanto presidente.

domingo, 1 de setembro de 2019

#XauKeizer e outras pérolas da estrutura fantástica

Quando no domingo passado chegou ao fim o nosso jogo com o Portimonense, ri que nem um desalmado. Acabávamos de chegar ao primeiro lugar, jogando um futebol miserável, previsível, onde a única táctica coerente é a de "passa ao Bruno que ele resolve enquanto corre com a bola".
Apesar de saber que aquela liderança era tão normal como a do Famalicão no final desta jornada, não pude deixar de sentir aquela sensação que o futebol ainda nos consegue ir dando. Aquela sensação de "então e se...". Imaginei um Keizer de mangas arregaçadas, a correr ao lado dos seus jogadores puxando por eles, enquanto lhes gritava "run, run motherfuckers, the title its in front of you, go catch it". Imaginei o Beto e o Hugo Viana a colar excertos das notícias da derrota da Supertaça ou excertos dos mails do benfica nos cacifos dos jogadores. Imaginei um leão a lamber as suas feridas, a olhar para si próprio e dizer "sim, eu quero, eu consigo, vamos lá".
Tudo não passou de um lindo sonho de verão. Keizer continuou preso na sua teia de autismo e apatia, demonstrando uma ambição digna de uma anémona ou de uma tulipa holandesa. Como se temia, bastou apanhar pela frente uma equipa minimamente organizada, com qualidade na circulação de bola e matreira o suficiente para explorar as costas da nossa defesa, para toda a nossa estratégia se desmoronar como um castelo de cartas.
A sorte de Keizer é que o Sporting ainda não conseguiu despachar todos os seus bons jogadores. Tem-se esforçado para isso, mas alguns ainda vão ficando e aguentando o barco. Ontem, mais uma vez, lá teve de vir o Bruno Fernandes rebentar a defesa vila-condense e empatar o jogo, enquanto na segunda parte, após um ressalto de bola, Luis Phellype só teve de encostar para o segundo golo. Estava consumada a reviravolta, mas no estádio pairava aquela ideia de que tudo tinha caído do céu aos trambolhões. Keizer parecia ofuscado com tanta felicidade e lá decidiu que o melhor seria reter a bola no meio-campo e tentar acalmar o jogo, em vez de aproveitar o embalo da equipa e tentar matar o jogo a trinta minutos do fim.
O resto é sabido. O Sporting decidiu continuar a deixar de jogar, entregando a posse de bola ao adversário. Pelo meio, Keizer não soube equilibrar a equipa de forma a ela não ficar em desvantagem nos duelos do meio campo. Carvalhal cheirou o medo do seu adversário e foi com tudo para disputar o resultado nos últimos minutos. Coates é tão somente o espelho deste Sporting: perdido, desorientado, animicamente quebrado. E éramos nós os lideres da liga.
Pelo caminho, o padre de serviço fez-lhe o que competia. Decidiu sempre contra os mesmos nos lances duvidosos. Mas fica por aqui a minha crítica à arbitragem. Não consigo falar de arbitragem quando esta derrota é fruto único e exclusivo da nossa (falta) de atitude. Fosse com ou sem penaltis, não conseguiríamos ganhar este jogo porque o nosso treinador não teve ambição para tal. Mesmo que o Acuña até conseguisse meter aquela bola dentro da baliza, cairíamos no próximo jogo pois este treinador simplesmente não tem mentalidade vencedora, não é um campeão.
E a nossa direcção, como fica no meio disto tudo? Fica mal, como é óbvio. Keizer foi uma escolha pessoal do presidente e anunciado como peça fundamental da sua estrutura para o futebol. Ao fim destes meses todos até dói pensar nisto. Acredito que Keizer, antes de chegar a Portugal, soubesse tanto do Sporting e do futebol português como eu sei do Ajax e do futebol holandês - Pouca coisa. Mas para isso mesmo é que serve uma estrutura para o futebol. Hugo Viana e Beto estão lá para, entre outras coisas, explicar que o Rio Ave faz-nos sempre a vida negra em Alvalade e que Carvalhal é dos treinadores mais experientes do futebol português. Estão lá para explicar que o Sporting joga sempre, SEMPRE, para ganhar. Para lhe dizer que em Portugal é demasiado fácil marcar-nos três penaltis contra, termos mais cartões amarelos e jogadores expulsos do que os nossos rivais directos. E se Hugo Viana ou Beto não servem para isso, bolas!!!!, está lá o Varandas, que assistiu a isto tudo durante anos a fio sentado no nosso banco de suplentes. 
E a cereja em cima do bolo, da nossa tal estrutura que Varandas prometia ser fantástica, é a incapacidade de conseguir contratar um trinco ou um ponta de lança com o mínimo de capacidade para jogar de inicio na nossa equipa. Pelo contrário, desbarataram os melhores que lá tínhamos: Nani, Montero, Bas Dost, agora Raphinha, e veremos como será com Bruno Fernandes. Pelo caminho ficou a prometida aposta nos jovens, que se esfumaçou assim que o estágio suíço terminou. 
A menos de cinco horas do fecho do mercado rezo à espera que a maravilhosa e ultra fantástica estrutura de futebol do Varandas desencante um ponta de lança e um trinco com capacidade para jogar no onze inicial. E que tenha a lucidez de perceber que com este treinador não vamos a lado nenhum, que temos de ir buscar outro com outro perfil.
Por fim uma palavra para o estado do nosso clube. Estamos compulsivamente a vender, em alguns casos mesmo em modo "saldos". Foi a venda de Bas Dost, com números ridículos, foram as saídas a custo zero de vários excedentários do plantel, é a tentativa quase desesperada de despachar Bruno Fernandes, foi agora este empréstimo de Bruno Gaspar a um clube com quem estamos em litígio, sem qualquer contrapartida financeira para o nosso lado. E agora parece que nos preparamos para vender aquele que tem sido o nosso melhor extremo no início do campeonato. Porquê esta postura frenética de vendedor compulsivo? Há alguma coisa nas contas do clube que não sabemos? O que é que mudou nas últimas semanas? Não concretizámos o empréstimo obrigacionista? Não conseguimos acordo com uma entidade bancária para fazer o factoring do contrato da NOS? Ou a direcção dá uma explicação cabal sobre esta loucura dos últimos dias ou então sinto-me tentado a acreditar que existe mesmo um plano para desfalcar o plantel, com o intuito de desvalorizar a SAD... e todos sabemos como terminaria essa história. 
Frederico Varandas cada vez mais se assemelha a um daqueles betos arrogantes e bazófias da Lapa, que acha que é o maior porque o pai lhe ofereceu um Maserati. O futebol era o mais fácil, a sua estrutura a melhor do mundo, ele o messias salvador do clube. Esperemos sinceramente que Varandas desça à terra nas próximas horas e perceba onde lançou o clube. A continuar desta maneira, não lhe auguro melhor destino do que Godinho Lopes em 2013. 

domingo, 31 de março de 2019

E novidades, há?

Hoje resolvi sair da letargia a que me votei nestes últimos tempos, para tentar perceber se há novidades no mundo sportinguista.
Começamos pelo nosso treinador, o bem falante, bom desportista e entendedor Marcel Keizer. O holandês lembra-me aqueles professores do secundário, a quem reconhecemos qualidades comunicativas, que conseguem levar-nos a fazer introspecções para conhecermo-nos melhor a nós próprios. Ou seja, brilhantes académicos mas que nunca puderam os pés no mundo real. Keizer é isso mesmo, um académico cheio de grandes ideias e concepções utópicas do mundo futebolístico. Mas depois chega a hora de meter os pés na rua e é ver Gudelj a arrastar-se em campo, até que o mestre da tácita académica chegue à conclusão que já deu tempo a mais ao adversário (mais de 60 minutos) e lá lança Doumbia.
Mas nem tudo está mal com Keizer. Ontem voltou a lançar Jovane em campo, com tempo suficiente para o jovem conseguir fazer algo de útil no jogo e agitar as águas. Faltou lançar Geraldes aos 90 minutos, ficando aqui a dúvida se não o fez porque entretanto foi obrigado a meter Gaspar no jogo ou porque já nem para isso Geraldes conta. 
Quanto a voltarmos a ver Bruno Paz a jogar, ou até Pedro Marques, Joelson, Thierry, entre outros, parece-me que teremos de esperar por muito tempo. O discurso de Keizer até entusiasma, pois dá a ideia de que estes jogadores contam para o holandês. Mas lá está, no final é Gudelj e mais dez e o resto é conversa. Perante a expectativa de ver Keizer mais uma época no nosso banco, sinto a mesma alegria que sentiu Maria Antonieta a subir os degraus em direcção à guilhotina.
Durante o jogo, mais uma arbitragem inacreditável de um dos melhores representantes desta nova geração de árbitros. O lance sobre Raphinha é duvidoso, mas transformar um corte limpo de Ristovski numa agressão é estúpido, absurdo, indigente, idiota. Pegar num lance onde o jogador vai unicamente à bola, derrapando depois e acertando sem maldade no adversário, e transformá-lo numa agressão, quando no mesmo jogo há pelo menos duas sarrafadas às pernas de jogadores flavienses a Bruno Fernandes, é pura maldade.   
Mas isto é a posição que o poder instituído quer que seja a posição do Sporting. Quanto mais em baixo estamos, mais prazer tem em nos pisar. No ano do sétimo lugar, lembro-me de inúmeros lances parecidos com este, como aquela expulsão inacreditável de Dier em Vila do Conde, por exemplo. Pisam-nos com requintes de malvadez, mas depois assomarem às televisões e, com o ar mais hipócrita do mundo, dizerem que faz falta um Sporting forte ao campeonato português.
E perante isto, o que diz o nosso presidente? Nada. Não diz nada (é melhor assim) e nem faz nada. Na final-four da Taça da Liga teve um assomo de coragem e atacou (e bem) a hipocrisia bracarense, para depois meter o rabinho entre as pernas assim que Salvador subiu o tom da sua voz. Os acontecimentos de ontem mereciam uma veemente tomada de posição da nossa parte, daquelas que dão origem a castigos de um mês. Mas não, quem nos preside lá entende que é melhor assim, seguirmos o nosso caminho serenos e silenciosos, pois muito provavelmente saberá que o pior ainda estará para vir...
Ao fim deste tempo todo de silêncio pergunto-me "E novidades, há?".
E lá chegou à triste conclusão que mais vale recolher à minha triste letargia, restando-me cumprir com dignidade a minha anónima missão de apoiar o Sporting Clube de Portugal. Quando houver novidades, apitem.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Varandices

Uma mão cheia de nada.
Escrevi no meu último post que, caso existissem provas evidentes que implicassem Bruno de Carvalho na ataque à Academia, ele só tinha era de apodrecer na prisão. Houve quem não gostasse do que escrevi, mas nisto de defender o Sporting acima de tudo e de todos, eu sou mesmo assim. Quem ataca o meu clube não me merece consideração. Pior ainda se esse ataque viesse de quem tem o dever de o defender logo na primeira linha. Nunca acreditei que Bruno de Carvalho fizesse algo do género, mas se há coisa que aprendi na vida é que não posso pôr as mãos no fogo por ninguém. Fico contente que todo este circo mediático tenha parido uma barata, pois mostra que não me enganei em relação ao nosso ex-presidente. 
Não deixa de ser de curioso que muitos dos palradores que hoje assumem o mediatismo em nome do Sporting, se tenham tornado conhecidos graças a Bruno de Carvalho. Quem era Rui Morgado, José Pedro Rodrigues ou Vítor Ferreira antes de Bruno de Carvalho os ter chamado de "sportingados"? Quem era Eduarda Proença de Carvalho ou Jaime Marta Soares antes de serem convidados para a MAG nas listas do Bruno? Bruno de Carvalho teve esse dom de criar sportinguistas famosos apenas porque não gostava deles. Mas ele vivia bem com isso. Gostava de espingardar, debater, achincalhar os sportingados, com o mesmo empenho em que discutia com "Mister Burns", o "Rui-Santos-Feitio-de-Gaja", o "Labrego Salvador" e tantas outras personalidades da nossa vida pública. Tendo gerado tantos anti-corpos fora do mundo sportinguista, Bruno de Carvalho tornou-se um alvo a abater, custe o que custasse. André Geraldes disse que a partir de Janeiro deste ano, BdC começou a dar sinais de que não estaria bem, tendo entrado em derrapagem emocional nos meses seguintes. Este foi o "tal" erro da comunicação do ex-presidente, não ter percebido que a partir de uma determinada altura, já não estava a mobilizar sportinguista algum, mas apenas e só a criar mais inimigos. E tantos que ainda tem hoje.
Nervos de aço. É disso que o presidente do Sporting Clube de Portugal precisa para levar o clube ao lugar onde merece estar. Estamos num país minado e submergido por essa imensidão que é o Estado Lampiânico. Não bastasse o inimigo externo, temos ainda essa velha particularidade de termos as nossas próprias ratazanas dentro de portas. Ratazanas, notáveis, croquetes, viscondes, sportingados, enfim, chamem-lhes o que quiserem. São todas elas pessoas que estão plenamente convencidas de que o clube lhes pertence, seja porque são descendentes dos fundadores, seja porque tal advém do seu próprio estatuto social. E que passado a deriva brunista, querem recuperar o seu lugar no clube seja a que preço for, nem que para tal - Oh, pasme-se!!! - tenham de boicotar a actividade normal do clube.
Veio esta conversa toda a propósito do empréstimo obrigacionista que está em curso. Não vou sequer pegar naquela parte em que todos os sportinguistas, especialmente os anti-brunistas, repetem que afinal a situação financeira do clube "nem estava assim tão má" quanto temiam (Oh, pasme-se novamente!). Vou antes pegar nos últimos discursos do presidente Varandas, onde este afirma, com ar mais ou menos surpreendido, que a operação financeira tem estado a ser boicotada por muito boa gente, incluindo sportinguistas de renome. Acho curioso que volvidos pouco mais de dois meses de ser eleito, Varandas venha já choramingar na praça pública que descobriu qual a verdadeira essência do croquetismo. E que por esta altura, talvez já saiba que aquilo de "unir o Sporting" é uma tanga. Custa descobrir que afinal somos cornos, com tão pouco tempo de casamento. Varandas tem agora dois caminhos para seguir. Ou faz como aquele vizinho de cima, que arma um puto dum banzé quando sabe que a mulher anda a dar cambalhotas com o padeiro, até expulsa-la de casa nem que seja a pontapé. Ou então faz como o outro do fundo da rua, que preferiu amochar e continuar a passear de braço dado com a sua bela mas meretriz esposa, porque isto de arranjar quem nos faça a comida e lave a roupa dá muito trabalho. Se fosse Bruno de Carvalho, saberíamos qual o caminho que ele seguiria. Quanto a Varandas, ainda desconheço que estrada pretende ele trilhar, mas atendendo às reuniões com "notáveis" que ele já promoveu, não me parece que queira agora deixar a prendada "esposa" que tanto trabalho lhe deu a encontrar...

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

A herança de Tiago Fernandes e o elefante no meio da sala

Não faço parte do grupo dos que agora decidiram venerar Tiago Fernandes, qual coca-cola perdida no deserto. Não porque não goste do seu estilo irreverente ou pela forma como demonstra o seu sportinguismo a partir do banco, como aconteceu no final do jogo com o Arsenal. Apenas considero que ainda está longe de ser "o" treinador para o Sporting. Creio que ainda lhe falta alguma estaleca para conseguir interpretar os momentos mais inesperados do jogo. Ontem, por exemplo, permitiu que a sua equipa, a ganhar e a jogar em vantagem numérica, concedesse o golo do empate. Felizmente soubemos responder à adversidade e voltámos à vantagem no marcador, sendo que a partir do 2-1 já soubemos controlar melhor o jogo e o adversário. Salvo um ou outra correria, o Chaves não criou mais perigo.
Mas contra factos não há argumentos, e se é verdade que Tiago Fernandes ainda demonstrou alguma imaturidade nestes últimos jogos, também não é menos verdade que entrega o clube em muito melhores condições do que quando o recebeu. À oitava jornada estavamos em quinto lugar, hoje à décima estamos em segundo. Vencemos dois jogos para o campeonato e empatámos no Arsenal. Dependemos só de nós para sermos campeões e o apuramento para os 16-avos da Liga Europa está a uma vitória de distância. Poucos treinadores se poderão dar ao luxo de estar da situação em que Keizer estará hoje: receber uma equipa a meio da época, motivada e na luta em todas as competições (a Taça da Liga está difícil, mas ao nosso alcance). E este mérito é de Tiago Fernandes.
Mas ao contrário do inicio da época, não podemos correr agora o risco de embandeirar em arco e pensar que vamos limpar tudo nesta época. O futebol jogado, apesar de mostrar algumas melhoras, ainda está longe de ser convincente. Ainda ontem, contra o último classificado e em vantagem numérica, praticamente não tivemos oportunidades de golo. Custa-me dizer isto, mas depois de ver o porto-braga de sábado, fico com a clara convicção de actualmente não temos futebol para ganhar àquelas duas equipas. Podemos aumentar as nossas expectativas quando vemos a equipa a jogar com mais vontade de vencer ou com o regresso de Bas Dost. Mas é muito pouco. Necessitamos urgentemente de incrementar a qualidade do nosso jogo.
Frederico Varandas também sai bem desta situação. Soube resistir à pressão mediática de apresentar um nome à pressa, preferindo apostar num treinador interino e ambicioso para fazer a transição de Peseiro para o seu treinador de eleição. A aposta foi claramente ganha, como já disse em cima. E mesmo o timing, que parecia desastrado, acaba também por ajudar, pois o novo treinador terá mais de meio mês para se adaptar à equipa e a equipa adaptar-se a si, até ao reatar do campeonato. Certamente que Varandas tentará baixar as expectativas em relação ao trabalho do treinador para esta época, preferindo de certo adoptar um discurso mais de futuro, tirando pressão à equipa para o resto da presente época.
Quando a Marcel Keizer, espero que numa primeira fase tenha a inteligência de aproveitar o que de melhor este Sporting tem: o voluntarismo dos jogadores e o seu crer. Que saiba canalizar a qualidade individual de cada jogador para um modelo de jogo que priveligie o colectivo. E que construa uma equipa com condições de, pelo menos, bater-se de igual contra benfica, porto e braga, e conseguindo superiorizar-se às restantes catorze.
Não posso deixar de finalizar este meu post sem me referir ao elefante no meio da sala: a detenção de Bruno de Carvalho. Sendo certo que tal estará relacionado com Alcochete, estaremos a falar num crime de terrorismo, pelo que se não me espanta a decisão de mandar deter o nosso antigo presidente, nem me espantará que fique em prisão preventiva. O crime em questão é grave, pelo que admito medidas de coação igualmente graves. Apesar de não acreditar que Bruno de Carvalho tenha dado "a ordem" para o ataque, se a investigação imputar cabalmente a autoria dos factos a BdC, só desejo que aprodreça na prisão.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Varandas, os peseiristas e os sportingados

Um dia, Frederico Varandas teria de descer dos céus e aterrar a toda a força no chão. Esse dia apareceu na ressaca de uma noite das bruxas terrível (mais uma), onde voltámos a colecionar mais um desaire á longa lista que vamos acumulando, pois não me lembro de algum dia ter perdido em casa com uma equipa de escalão inferior, depois de estar a ganhar (com a Naval, em casa, nunca estivemos a ganhar).
Não obstante a vergonha de perder em casa com o Estoril, de termos sofrido 4 golos diante o Portimonense, de quase termos perdido com o colosso europeu Vorskla Poltava, de termos feito um jogo paupérrimo diante do Loures, de exibições sem qualquer pingo de futebol minimamente bem jogado, assistimos estupefactos a uma manifestação sem precedentes de "peseirismo".
E quem são os "peseiristas"? Começo pela malta do costume: os cartilheiros enfarinhados, os jornaleiros sem espinha vertebral, a corja de inúteis parasitas que gravita pelo nosso futebol, que aproveita estes episódios para mostrar "provas de vida", como foi o caso da associação de treinadores. Todos com o denominador comum de fazerem parte de uma longa tradição de utilizar o Sporting para desviar o foco de outros palcos que mereciam ribaltas mais condizentes.
Se dos cartilheiros não esperava outra coisa que não o contorcionismo de transformar um treinador banal em supra sumo da táctica futebolística, já o que se passou com os ex-sportingados deixou-me algo surpreendido. Desde a queda de Bruno de Carvalho que os sportingados andavam sossegados. A sua tolerância para com o clube estava a aumentar, contribuindo em muitos casos para criar a falsa ideia de que este novo Sporting estaria pacificado e encarreirado. Se de jornalistas andrades ou lampiões pseudo-isentos não me espantava o peseirismo militante exibido nestes dias, já de malta que sofreu na pele as quatro batatas de Portimão ou o terror da noite das bruxas em Alvalade, esperava outro tipo de reacção. Assisti, incrédulo, ao exercício de branqueamento de João Pedro Rodrigues à miséria futebolística que foi o Sporting de Peseiro. Assisti, igualmente incrédulo, ao exercício de auto-mutilação leonina perpetrado pela nova estrela ascendente do nosso universo, que dá pelo nome de Rita Garcia Pereira. 
Frederico Varandas não tem um trabalho fácil pela frente. Ainda não tinha sido eleito presidente e contava já com a oposição dos antigos brunistas, ressabiados por ter rompido com o anterior presidente logo na ressaca de Alcochete. O seu perfil "anti-Bruno" valeu-lhe a simpatia da opinião pública, bem como dos "notáveis" leoninos. Não deixa de ser irónico que essa áurea de "presidente previdente" tenha começado a cair por culpa dessa imensa nulidade que é José Peseiro. Até porque estava longe de ser inesperada, pois dias antes Sousa Cintra já havia feito o frete de ter "dado á morte" o treinador que escolhera, com aquela entrevista cirúrgica ao Expresso. Até o timming do despedimento parecia ideial, após o humilhante resultado diante do Estoril. Se tudo parecia esperado e perfeito, porque razão os sportingados tiveram reações contra Varandas?
Rita Garcia Pereira levantou parte do véu, logo no dia 1 de Novembro. Mais do que o futebol inenarrável jogado pelo Sporting, custou-lhe saber que Varandas havia chamado os membros do anterior CD para se reunirem com ele. João Pedro Rodrigues completou o quadro, trazendo à baila a auditoria às contas do Sporting com Bruno de Carvalho, aventando a possibilidade do actual presidente escamutear o seu resultado em troca do apoio dos antigos dirigentes. Se assim for, então a coisa faz mais sentido. O que irrita neste momento os sportingados, não é se Peseiro merecia isto ou aquilo, nem sequer se o substituto já deveria ter sido apresentado ou ter este ou aquele perfil. Nada disso. O que irrita os sportingados é que Varandas, neste momento, se esteja a aproximar daqueles que estiveram com o "anti-Cristo" nos últimos anos. Irrita-lhes igualmente que Varandas, quiçá, esteja a ponderar não enveredar por um auto-de-fé contra a anterior direcção só porque sim. Os sportingados queriam sangue, de preferência de Bruno de Carvalho e dos seus antigos vices e vogais, mas parece que Varandas está mais inclinado a dar-lhes flores...
Nunca pensei vir a defender Varandas assim tão cedo, mas, se for assim, então o nosso presidente merece a minha consideração: arrumar a questão do treinador, normalizar as relações com os anteriores dirigentes e não entrar em jogos de "caça às bruxas" apenas para agradar uma determinada "clique". Conseguirá Varandas por o Sporting acima de tudo e todos?

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Peseiro, Patrício e os c**** de sabão

Estamos a chegar ao fim do interregno futebolístico de Outubro e José Peseiro continua a ser o nosso treinador. Tivéssemos um presidente suficientemente audaz e, quiçá, talvez Leonardo Jardim fosse hoje o nosso treinador. Infelizmente o Sporting vive tempos de pragmatismo (ou conasdesabonismo), não de heróis audaciosos, pelo que temos de nos remeter à nossa triste sina, de que esta época é para nos arrastarmos de campo em campo, rezando para não sermos mais vezes humilhados como o fomos em Portimão. E se a ideia de quem nos dirige é precisamente essa, então Peseiro é o homem certo no lugar certo, pois é impossível queimares o que queimado está.
Entretanto, estes últimos dias trouxeram algumas novidades interessantes, como aquela de que chegámos a acordo com o Wolverhampton por Rui Patrício. Aqui, a única coisa positiva a retirar é o facto de não termos mais que pensar em resolver este assunto. De resto, este negócio está para lá de mau. O valor total da transferência (fala-se em 20 M€) é já por si parco, tendo em conta a qualidade do jogador. Confirmando-se que realmente apenas receberemos 12 M€ pelo jogador (menos 2 M€ que Rúben Semedo, por exemplo), é difícil não desatarmos a chorar. Até porque facilmente se adivinha que Rui Patrício dará novo salto na Liga Inglesa, tal é a forma como o jogador entrou naquele campeonato. E certamente o Wolves cobrirá facilmente os 20 M€ que pagou ao Sporting, pois Rui Patrício valerá seguramente muito mais que esse valor.
E no meio disto tudo, como ficarão os sportinguistas? Amargurados. Dou o meu exemplo, que acredito que seja comum a milhares de outros sportinguistas. Fui dos que vibrou quando defendeu aquele penálti na Madeira, no longínquo dia 19 de Novembro de 2006. Fiquei com os nervos em franja quando Paulo Bento insistiu dar-lhe a titularidade, relegando o experiente Stojkovic para o banco. Nervoso mas com a sensação de que "teria de ser", pois de outra maneira nunca mais teríamos um guarda-redes "nosso" na equipa principal, um "novo Damas". Fiquei orgulhoso quando o "Franguício" se transformou em "São Patrício", tantas as vezes que as suas luvas nos salvaram. Envergonhei-me quando as direcções anteriores obrigavam-no a debitar semanalmente a lenga-lenga de que "é preciso levantar a cabeça". Era dos que gritava "Ruuuuuuiiiii!!!!" cada vez que salvava a nossa a nossa baliza. Ver aquela que era uma das grandes referências da nossa formação, do nosso futebol, abandonar o clube como abandonou, deixou-me triste e revoltado. A ser verdade que abdicou de um crédito de 5 M€ que teria do Sporting, para não criar problemas ao seu antigo clube, então merece (ainda) alguma consideração. Resta-nos aquela secreta e pequena esperança de, à semelhança de Vítor Damas, também regressar pela porta grande ao clube de onde saiu pela porta pequena.
Menção também à guerra desenfreada levada a cabo pelo Estado Lampiânico contra o Artista do Dia e o Mister do Café. Desenganem-se aqueles que julgavam que o "e-toupeira" ou o "MalaCiao" iriam ser machadadas fatais do EL. O Estado Lampiânico continua desavergonhadamente trilhando o seu caminho. Os seus spin doctors mantêm-se impávidos e serenos na sua tarefa de manipulação da opinião pública, desde formatando opiniões que, invariavelmente, inocentam a acção lampiânica e condenam os que a tentam desmascarar, até à delação abusiva de assuntos que deveriam ser do foro interno dos rivais, como a auditoria interna ao nosso clube. Tudo com a clara conivência do jornalismo nacional, que continua acefalamente a assobiar para o lado. Custa-me ver que, neste momento, tenham de ser os rostos do Sistema a defender o que é nosso. Dói-me o coração ver Manuel Serrão a indignar-se pelas fugas de informação dentro do Sporting ou Francisco J. Marques a assumir a defesa dos blogueres sportiguistas. Ou Frederico Varandas ainda não percebeu bem qual a trincheira onde terá de se meter para defender os interesses do Sporting, ou está a perder tempo precioso na tentativa de criar uma imagem de si diferente do antecessor, com claro prejuízo para o clube que preside. De qualquer forma, parece-me que nem o Sporting ganhará alguma coisa com isto, muito menos Varandas, que perderá rapidamente todo o capital de confiança dos sportinguistas que o elegeram. 
E já agora, quando começará Varandas a falar "daquilo que sabe", relativamente à época de 2015/2016?

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

A união é uma treta

No Sporting já se tornou um cliché. Cada vez que há um acto eleitoral, uma mudança directiva, uma troca na hierarquia, lá vem a conversa da "união". Mas afinal que união vem a ser esta?
Dizem-nos à boca cheia que nos últimos anos se assistiu a uma fractura no Sporting. Que o último conselho directivo, com Bruno de Carvalho à cabeça, lançou sportinguistas contra sportinguistas e expurgou do clube quem não concordava com a sua liderança. Em contrapartida, os arautos do "unionismo" propõe um modelo de gestão do clube que, despido dos lugares-comuns e da conversa de chacha de ocasião, nada mais é do que um seguidismo "salazarento" ao novo lider. E, não menos importante, esse seguidismo também se estende à elite que o rodeia e que basicamente é a mesma se sempre rodeou os nossos anteriores presidentes.
Fazendo um pouco de arqueologia, lembremo-nos todos de como o Sporting "unido" estava em 2013. O clube precisava de um abanão e era unânime a ideia de uma ruptura com o passado. Bruno de Carvalho executou esse corte e a coisa não lhe correu mal, sendo mais ou menos consensual que o seu primeiro mandato foi positivo. O anterior presidente acabou por cair porque os sócios estavam saturados do seu estilo frenético, não por causa das "desuniões".
Chegados a Maio de 2018, começamos a levar com a narrativa da "união" sportinguista. Essa narrativa parte do princípio errado de que o "Universo sportinguista" entrou com colapso por estar fraccionado, ou numa linguagem mais ortopédica, "fracturado". Fatalmente, a narrativa unionista resvala para a ideia do poder do clube ser entregue a uma elite que mais não é do que um conjunto de velhos conhecidos nossos, onde se destacam antigos presidentes e dirigentes, banqueiros, políticos e os grupos e grupelhos de gente "ilustre" do nosso clube. Basicamente, torna quase blasfemo discutir soluções e caminhos diferentes a serem tomados pelo Sporting, porque toda essa discussão é classificada de fracturante, e os tempos não estão para fracturas....
Felizmente, se há coisa que as sucessivas crises directivas fizeram de bom ao Sporting, uma delas é que incutiu na massa associativa um inédito espírito de participação cívica e activa na vida do clube. Todos os actos importantes, como eleições ou assembleias gerais, trazem consigo milhares de sócios ávidos de dar a sua voz e os seus votos em prol do clube. Longe vão os tempos onde a criação da SAD foi votada numa AG do clube em pleno verão, com uma mísera participação de centena e meia de sócios. Esses eram os tempos de união, onde ninguém questionava as decisões dos sábios dirigentes leoninos. Hoje temos debate e confronto de ideias, projectos para o clube personificados pelos seus defensores e caminhos diferentes a percorrer. 
Um dos países mais desenvolvidos do mundo, o Reino Unido, assentou a sua liderança há cerca de três séculos, quando o parlamento inglês assumiu o controlo da sua nação. Ao contrário dos demais reinos, cuja vontade do monarca era a vontade do estado, no Reino Unido era no debate e confronto de ideias entre conservadores e progressistas que se traçavam as linhas orientadoras do seu país. E ainda hoje o Reino Unido é uma referência quando falamos de nações desenvolvidas e com alto índice de participação democrática.
É por isso que toda a conversa de "união" em torno do Sporting me causa urticárias. Primeiro, porque a ideia de progresso assente em unanimismo é uma falácia, como o Reino Unido muito bem exemplifica. Depois, porque a conversa da "união" traz subjacente aquela ideia tão tipicamente portuguesa, de que só a "elite", os "ilustres" e os "ungidos" é que sabem o que é bom para o "povinho". A união é uma treta.
No desporto, o que cria as "uniões" em torno do seu presidente são o seu trabalho e o seu resultado. Bruno de Carvalho, mesmo sem ter sido campeão de futebol, conseguiu agregar os sportinguistas em seu torno porque projectou o nosso clube num patamar de onde já tínhamos sido arredados. Mas foi a falta de um título de campeão nacional que iniciou o desgaste da sua imagem junto dos sócios. Frederico Varandas, mais do que apelos de ocasião, terá de trilhar o mesmo caminho, como o Cherba tão bem expôs. E esse caminho também passa por escutar as críticas ao seu trabalho, ouvir quem pensa diferente de si e ter a coragem de tomar as decisões que são as que melhor servem os interesses do Sporting Clube de Portugal, não as da elite "unionista" que pululando por aí.
Quero é que o meu clube seja bem dirigido, bem defendido e bem representado. Quanto à "união", podem ir metê-la num certo sítio.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Leão à Varanda

Não foi o meu candidato e ainda hoje considero-o uma personagem pouco carismática e até algo titubeante. Mas venceu o acto eleitoral. Teve menos votantes, é certo, mas as regras instituídas no nosso clube há décadas permitem isso mesmo. Já não é a primeira vez que tal aconteceu e provavelmente não será a última, pois não prevejo vontade/timing para alterar a questão do número de votos por associado.
Frederico Varandas merece todo o meu respeito que a sua posição institucional merece. É a figura n.º 1 do reino do leão e como tal terá todo o meu apoio sempre que defenda o nosso clube. E vai ter nos próximos tempos várias oportunidades para por em prática essa defesa: a condução do processo contra os jogadores que rescindiram em Junho e não voltaram ou a negociação do empréstimo obrigacionista, por exemplo. Se por um lado na equipa de Varandas vejo algumas figuras ligadas ao universo sportinguista que me agradam, como o caso de Miguel Albuquerque, por outro também vejo  com muito receio o regresso de alguma "tralha" croquetista que havia sido varrida por Bruno de Carvalho. Importará nesta fase perceber qual a dimensão da força do próprio Frederico Varandas sobre a sua equipa, se será efectivamente um líder ou se não passará de um boneco nas mãos do verdadeiro poder. Admito que Varandas tenha genuinamente boas intenções e ideias para o clube que protagonizem uma continuidade do que de melhor foi feito nos últimos cinco anos. Mas estou muito céptico sobre se conseguirá traçar esse caminho.
A Frederido Varandas desejo toda a sorte do mundo enquanto presidente do nosso centenário clube, que respeite as decisões que os sócios tomaram nos últimos anos, especialmente o caminho a seguir pelo clube, e que não se deixe imiscuir pela elite do costume, cujos objectivos passam muito ao lado do que a maioria da massa associativa deseja. 
Não contem com o "Lets play a game" para fazer apologias bacocas de "união". Contem com este blogue como mais uma visão crítica, objectiva e vigilante sobre o Sporting Clube de Portugal. E que daqui a quatro anos, o meu cepticismo em relação a Varandas se transforme num sentimento de agradecimento e satisfação sobre o seu mandato.
Viva o Sporting Clube de Portugal!

Adenda - 15h51: Voltei o ouvir o discurso de Varandas na tomada de posse e vi que me esqueci de referir um aspecto que para mim é inadmissível: a utilização constante da expressão "somos Sporting". Escuso de de explicar os motivos que me levam a detestar a essa expressão, certo???

domingo, 2 de setembro de 2018

Que dizer das próximas eleições?

A menos de uma semana do desenlace eleitoral, é tempo de fecharmos os olhos, respirar fundo e pensar na opção final que iremos tomar no sábado.
Sempre que penso no próximo acto eleitoral não posso deixar de também pensar em como foi possível virmos aqui parar. Caso não se lembrem, há 5 meses atrás ninguém pensaria que estivéssemos nesta situação. Num jogo que tinha tudo para ser épico, uma aselhice de Coates abriu uma caixa de Pandora que ainda hoje não conseguimos fechar. Seguiram-se vários episódios cada um ainda mais deprimente que o outro. Foi o post descabido do presidente, foi o inenarrável motim no balneário, foi a fabulosa suspensão do plantel, foi o jogo com o Paços, foi a lombalgia, foi, foi, foi...
Enquanto o plantel de futebol profissional masculino se dilacerava numa revolta sem precedentes, acompanhada por uma tomada de posição absurda de Jaime Marta Soares, um empréstimo obrigacionista ficou suspenso, o que obrigou a que o reembolso do anterior tivesse de ser adiado. Nem a perspectiva de uma reestruturação da dívida da SAD acalmou os ânimos. Um final de época desastroso, culminando com o hediondo ataque a Alcochete, lançou o Sporting para um turbilhão de onde ainda hoje tentamos sair. 
Ninguém saiu bem desta história toda. Bruno de Carvalho, que com a sua teimosia e autismo não soube afastar-se a tempo de nos poupar a realização de uma AGE destitutiva, na qual foi trucidado. Os jogadores do Sporting, alguns deles símbolos inquestionáveis do clube, que claramente se aproveitaram de uma situação de fragilidade da sua entidade patronal, para zarpar para outras paragens mais bem remuneradas. O treinador, que tentou passar pelos pingos da chuva de responsabilidade que claramente teve no desfecho da época, bem como dos acontecimentos que levaram ao motim do balneário, restando saber se fez tudo isto por dolo ou por incompetência. Quem sofreu com tanta cadência de murros no estômago e na cabeça fomos nós, os sócios e os adeptos. E cabe-nos a nós, sócios, decidir como sair do buraco para onde nos empurraram.
Da lista de candidatos à presidência apenas levo a sério 3 ou 4 deles. Descarto Rui Pego, que até poderia ter ideias interessantes mas cuja colagem ao presidente do Leixões matou à nascença qualquer hipótese de ser levado a sério. Pedro Madeira Rodrigues, que parece não ter aprendido nada do último acto eleitoral, continuando no seu registo snobe e arrogante. Tavares Pereira, que pese embora a sua boa equipa, falta-lhe notoriedade social e desportiva para que seja visto como sério candidato a presidente do Sporting. Por fim Dias Ferreira, atraiçoado em 2013 pela escolha "Futre", tenta cavalgar algum do eleitorado brunista descontente, mas não me parece ter espaço para ombrear entre as verdadeiras candidaturas presidenciais.
E as verdadeiras candidaturas presidenciais são três, não tenhamos ilusões. O próximo presidente do Sporting sairá do trio composto por Varandas, Ricciardi ou Benedito. Podemos até acrescentar Dias Ferreira neste lote, mas só por caridade. E dos três presidenciáveis, em quem irei votar?
Frederico Varandas lembra-nos aquela rapariga que é a primeira que conhecemos quando chegamos a um sítio pela primeira vez. Ao inicio parece-nos a última coca-cola no deserto, mas depois à medida com que vamos conhecendo o resto das raparigas, percebemos que aquela afinal é mais um trambolho. Varandas tinha a áurea de "Sousa Martins do Sporting", o nosso médico que cura tudo o que é maleitas e despista as mais insondáveis mazelas nos testes médicos. Após os acontecimentos de Alcochete, surgiu com uma áurea de salvador do balneário, homem providencial no terramoto que se abatia sobre Alvalade, comandante do exército de resgate do leão. Ao assumir-se cedo como candidato, ainda antes de haver eleições marcadas, Varandas ergueu uma onda verde onde arrastou muitos adeptos conhecidos, que hoje acredito que estarão arrependidos pela posição precocemente tomada. Varandas decepcionou nos debates, revelando fragilidades oratórias e retóricas básicas. A aura de salvador do clube foi caindo à medida que o próprio admitia que os acontecimentos ultrapassavam em muito o "trauma" dos jogadores. Hoje, Frederico Varandas é o que conseguiu nos dias seguintes ao ataque de Alcochete. Desde então que não conseguiu acrescentar mais nada de notório à sua campanha, além de não ter descolado da imagem de alguém que usou um dos momentos mais negros do clube como trampolim. 
José Maria Ricciardi era, inicialmente, uma piada de mau gosto que alguém conta num funeral. Provocava mais embaraço do que riso. O braço direito do DDT teve a coragem de vir a jogo, mas parecia-me ser a coragem daquele soldado que por desespero que lança sozinho contra mil inimigos. O anuncio de que José Eduardo era o seu homem forte para o futebol, ou que estava a aliciar membros da comissão de gestão, adensou ainda mais a ideia de que toda a sua candidatura era patética. Mas enganei-me redondamente. Ricciardi tem aquela desfaçatez típica de quem assumiu ruinosamente cargos de relevo no nosso país, conseguindo passar uma imagem de si como competente, honesto, isento, juntando isso a outros atributos que tão apreciados são pelos portugueses, como poder ou influência nas altas esferas. Basta algumas conversas com sócios e adeptos do Sporting para se perceber que o perfil de Ricciardi é considerado como o adequado para conduzir os destinos do nosso clube nestes tempos tormentosos. E não porque Ricciardi tenha esta ideia para a SAD, aquela para as modalidades, ou aqueloutra para os escalões de formação. Nada disso. Ricciardi é considerado como adequado, porque simplesmente é Ricciardi, o primo do DDT. Não vale a pena tecer aqui considerações de índole gastronómica, sobre croquetes ou rissóis. Sei bem o que significaria para o nosso clube ter o JMR à frente dos seus destinos. Mas não tenho grandes ilusões para sábado. Ricciardi é o favorito à vitória.
Por fim, João Benedito. Provavelmente serei queimado nos autos-de-fé das redes sociais pela heresia que vou dizer, mas se há alguém que pode continuar o BOM brunismo, Benedito é essa pessoa. Se é possível haver brunismo sem os excessos de linguagem, a constante exposição mediática ou as relações tempestuosas com o balneário, essa pessoa é Benedito. Se há alguém que me garanta, nesta fase, que continuará a apostar nas modalidades, é Benedito. Se há alguém que me garanta que continuará a lutar contra o Estado Lampiânico ou o ressurgimento do Sistema, é Benedito. Se é possível lançarmos um empréstimo obrigacionista para pagar o anterior e dar liquidez à nossa tesouraria, sem que isso implique a entrada de "investidores fantasma" na SAD ou qualquer outro cenário de perda da maioria do clube, essa pessoa é Benedito. Os indefectíveis de BdC poderão vir com as teorias da conspiração, de que Benedito é um fantoche ou testa de ferro, mas isso não passa disso mesmo, de teorias. Benedito inicialmente apresentou-se com uma postura algo artificial e mesmo teatral, mas basta ver como se comporta nos debates, nas posições que tomou sobre os debates na CMTV ou da ida da CG para a tribuna da Luz, para se perceber ao que vem. Benedito é a minha escolha por tudo isto, mesmo que neste momento pressinta que a vitória cairá para outro lado...

terça-feira, 17 de julho de 2018

Eleições 2018: Ponto de situação das candidaturas

Ando há vários dias a tentar escrever aqui um balanço das várias candidaturas que até hoje se apresentaram. Mas tal tarefa revela-se sempre infrutífera, pois todos os dias temos novidades que nos obrigam a refazer o plano que já tínhamos delineado. Por isso, enquanto Benedito não oficializa a sua candidatura e Bruno de Carvalho não responde a Elsa Judas, vou tentar fazer aqui um ponto de situação.
Neste momento temos sete (espero ter contado bem) candidatos anunciados, sendo que é expectável que em breve este número mude. Primeiro, porque ainda não sabemos se será autorizada a candidatura de Bruno de Carvalho e Carlos Vieira. Segundo, porque da mesma forma que em 2011 alguns candidatos lowprofile desistiram, também me parece pouco provável que outros nomes menos conhecidos arrisquem ir em frente até ao dia da votação. Aqui incluo Fernando Tavares Pereira, que arrisco dizer que será um ilustre desconhecido para a grande maioria dos sócios do Sporting, bem como Zeferino Boal que é o eterno candidato desistente. Depois há a eternamente anunciada candidatura de Benedito, cujo anuncio finalmente deverá ocorrer na quinta-feira.
Sobre a esperada candidatura de João Benedito, tenho alguma curiosidade em saber onde é que o ex-guarda-redes de futsal vai fazer vincar a diferença para outros candidatos, nomeadamente Frederico Varandas. Estas duas candidaturas vem de dentro ou seja, são de duas pessoas que há bem pouco tempo participavam de forma activa na vida do clube, sendo bastante acarinhadas até ao momento em que decidiram romper ou afastar-se de Bruno de Carvalho. Benedito entrou em rota de colisão com o ex-presidente em 2016 e chegou a ser visto como candidato a disputar as eleições de 2017 contra BdC. Varandas rompeu com BdC há pouco mais de um mês e numa fase onde o clube estava muito fragilizado com a invasão de Alcochete. Ao contrário de Benedito, o timing escolhido por Varandas para romper com a direcção não foi propriamente feliz, tonando praticamente impossível de descolar o rótulo de oportunista à postura do médico. De resto, a postura de Benedito ao longo dos últimos dois anos foi sóbria. Não aderiu à moda de criticar a torto e a direito BdC antes do acto eleitoral de 2017, ao contrário da maioria dos seus críticos. Pelo contrário, preferiu manter a distância do então presidente, mas sem perder a postura. A decisão de não avançar em 2017 pode ser vista como cínica, mas também revelou realismo, pois reconheceu ser impossível destronar Bruno de Carvalho no auge da sua popularidade. Mesmo quando se tornou fácil bater em Bruno de Carvalho, Benedito preferiu resguardar a sua imagem, criticando o indispensável.
Varandas tem a grande vantagem de ter partido na frente e da sua candidatura já levar algumas semanas de avanço face a Benedito. Mas parece-me que tem vindo a perder o elãn inicialmente criado à sua volta. O destaque que a sua candidatura deu a figuras do croquetismo, desperta bastantes dúvidas e receios nos sportinguistas. Depois, a denotada impreparação do médico também não tem ajudado à sua afirmação. Varandas está longe de ser um orador arrebatador, o seu discurso é muito mastigado e a gaffe da secção de Padel é arrepiante. Quanto a Benedito, arrancando nesta altura onde Varandas começa a ganhar desgaste e tornando-se evidente que Bruno e Vieira serão impedidos de se candidatar, até que ponto não irá capitalizar os votos dos antigos apoiantes do CD deposto ou dos desiludidos com Varandas? Vamos esperar pelos seu programa, pelos seus projectos, pela sua equipa, para então sim, sabermos se esta candidatura tem hipóteses para se destacar das restantes.
Quanto às candidaturas de Pedro Madeira Rodrigues e Dias Ferreira, são regressos de figuras já conhecidas do universo sportinguista, sem grandes novidades do que já sabíamos. Pedro Madeira Rodrigues continua no seu registo pedante de "somos muita bons" e "temos uma granda equipa". Ranieri é um trunfo, apesar de me parecer algo extemporâneo. Se por acaso Peseiro fizer um excelente arranque de época, inclusive com um resultado positivo na Luz, será justo despedi-lo para lá colocar Ranieri? Não que Ranieri não seja superior a Peseiro, mas também não me parece um nome tão forte como PMR quer fazer passar. Dias Ferreira, que pelos anos que aturou e enfrentou Rui Gomes da Silva e Paulo Garcia merece todo o respeito e reconhecimento dos sportinguistas, parece-me um nome já sem espaço no espectro eleitoral leonino. Demasiado queimado pelo episódio dos "charteres" do Futre, não consigo descortinar que espaço poderá ocupar nas próximas eleições. Não o  vejo capaz de ombrear contra a máquina que suporta Varandas nem contra o prestígio que Benedito traz consigo. Ao mesmo tempo não o vejo com capacidade para captar os eleitores brunistas, que sem dúvida acredito que prefiram um candidato mais novo e menos comprometido com o pré-2013.
Hoje, perante o panorama de candidatos, aposto numa corrida a 3 ou 4 candidatos, entre Varandas, Benedito, Pedro Madeira Rodrigues e Dias Ferreira (se eventualmente não desistir). Com Bruno de Carvalho e Carlos Vieira de fora da corrida, em qual destes candidatos votarão os 29% de sócios que estavam contra a destituição do anterior CD? Ou ainda aparecerá outra candidatura, completamente conotada com o brunismo?

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Frederico Varandas

Ontem, no Twitter, tive a oportunidade de trocar algumas ideias com outros sportinguistas sobre a candidatura de Francisco Varandas, a primeira e até agora única candidatura para as eleições presidenciais de 08SET. Este meu post é apenas um resumo daquilo que hoje penso sobre a candidatura, ao mesmo tempo que tento desmistificar algumas coisas que foram sendo ditas sobre o antigo médico do Sporting.
Em primeiro lugar, devo dizer que o candidato em si não me entusiasma particularmente. Não possuiu a capacidade oratória do nosso antigo presidente, que era capaz de discursar ao longo de duas horas e deixar a audiência em êxtase. Sendo a presidência de um clube um cargo onde o carisma é uma das principais armas para mobilizar sócios e adeptos, creio que Varandas fica longe desse desígnio. Não deixa de ser curioso que uma das críticas mais recorrentes a Bruno de Carvalho era precisamente a "forma" da sua comunicação. O discurso carismático era frequentemente entendido como demagógico, além da recorrente acusação de que fomentava o "ódio" contra os rivais. Eu aqui acrescentaria que o que verdadeiramente incomodava era o facto desse tal discurso carismático vir do presidente de um clube cuja história recente desconhecia esse tipo de atributos. Se há aspecto que os presidentes do "roquetismo" tem em comum é que o seu carisma era o mesmo de uma couve. E se o Sporting hoje conseguiu recuperar muito do seu estatuto (financeiro, nas modalidades, até mesmo no futebol profissional onde se fez muito melhor do que nos anos anteriores), tal deveu-se ao carisma de Bruno de Carvalho, que conseguiu mobilizar os sportinguistas para as grandes realizações do seu mandato. Poderá o Sporting, num momento onde se instalou uma crise, conseguir recuperar o seu estatuto sem um presidente carismático?
Em segundo lugar, não posso deixar de demonstrar bastante tristeza com a forma como esta candidatura foi imediatamente lançada para a fogueira. Enquanto chefe do departamento médico do futebol profissional do Sporting, Frederico Varandas sempre se pautou por uma postura de grande profissionalismo e jamais permitiu que outros interesses se superiorizassem ao interesse do Sporting. Deixámos de contratar jogadores em estado físico duvidoso, como Jeffrén. Pelo contrário, houve coragem para reprovar nos exames médicos Boateng ou Sandro, por exemplo. E mesmo aqueles que mais reservas apresentavam no plano físico, como Fábio Coentrão, viram a sua carreira regenerada no Sporting, graças ao seu departamento médico. Resumir a sua passagem pelo departamento médico do Sporting a uma cunha metida pelo irmão, parece-me redutor e pernicioso. Dizer que Varandas é uma cópia de Pedro Madeira Rodrigues... é intelectualmente desonesto.
Em terceiro lugar, os seus apoiantes. E foi aqui, confesso, que fiquei mais surpreendido. Não esperava ver uma quantidade tão grande de antigos apoiantes de Bruno de Carvalho em torno desta candidatura, pelo menos enquanto não surgissem outras. Figuras como Daniel Oliveira, Pedro Boucherie Mendes, Manuel Moura dos Santos, Daniel Sampaio ou Eduardo Barroso. Por outro lado, não vi ali nenhum nome conotado com o croquetismo (está lá o Luís Paixão Martins, mas já vamos). Acho sintomático que alguns dos mais mediáticos apoiantes de BdC tenham aderido ao Varandas. 
Dos apoiantes de Varandas passo para o seu próprio discurso de apresentação, que considerei positivo. Pese embora as questões da "forma" que já abordei anteriormente, creio que o conteúdo merece a nossa atenção. Valorizou o legado de Bruno de Carvalho, do pavilhão, das modalidades e suas conquistas, da importância do clube manter a maioria na SAD, deixou uma mensagem de união aos adeptos. Sobre as rescisões preferiu ser comedido, o que foi logo entendido como uma predisposição para ceder aos jogadores. Veremos como as suas ideias evoluem ao longo da campanha eleitoral.
Por fim, a sua equipa propriamente dita. Do homem da parte financeira, Salgado Zenha, apenas reconheço a familiaridade com o falecido político. Não faço a mínima ideia se é competente, para que banco trabalha, qual a sua opinião sobre a reestruturação da SAD. Sobre o seu gabinete de marketing e comunicação, tenho algumas reservas. Não gostei da forma intelectualmente desonesta com que Luís Paixão Martins abordou os últimos dias da crise no Sporting. A preferência clubística de alguns membros da sua equipa não é problemática, na estrita medida de que tal não interfira no seu profissionalismo. É o mesmo que dizermos que alguém não serve para treinador do Sporting se tiver outra preferência clubística.
No que toca às eleições de 08 de Setembro, aguardo com expectativa o aparecimento de mais candidaturas, além das intervenções públicas que os candidatos levarão a cabo nos próximos meses. Varandas por enquanto não me entusiasma, mas acredito que possa evoluir nos próximos tempos.